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segunda-feira, março 14, 2016

O primeiro erro de Assunção Cristas no CDS pós-Paulo Portas


Como poderão ver no post abaixo e, provavelmente nos que se seguirão, estou noutra. Se estava no carro, ouvi música, se estava a pé deleitei-me com a paisagem. Passeie por entre verde, azul e dourado e, se nem me lembrava que vivo num planeta com fronteiras, muito menos me lembrei que vivo num país com partidos.



Mas, agora que estou de novo entre paredes, tenho a televisão ligada e, há pouco, vi o que penso que terá sido o encerramento do congresso do CDS.

Andando a caminho de um carro, naquele seu passo miúdo tão característico, com um lustroso casaco acolchoado, lá se foi o Portas. Foi tarde, já devia ter ido antes, há muitos anos que estava a mais na política portuguesa (se é que alguma vez acrescentou alguma coisa). 

Depois de Cavaco, sai, pois, Portas. Talvez, aos poucos, a política em Portugal vá ficando respirável, talvez, aos poucos, as pessoas que mais contribuíram para o descrédito da democracia e para o enfraquecimento do país vão saindo.

Durante décadas, o espaço político foi ocupado por gente que fazia do jogo de interesses o seu modo de vida (interesses de vários tipos), gente que, por motivos diferentes, fez com que a fasquia de exigência fosse sendo trazida para níveis cada vez mais baixos, um humilhante menos do que mínimo denominador comum que abriu a porta à venda ao desbarato de grande parte do País. 

Falta sair Passos Coelho. O PSD perdeu a recente oportunidade de se refazer ao reeleger Passos Coelho. O PSD de Passos Coelho está gasto, descarnado, descerebrado, anémico -- uma desgraça. Mas talvez o Láparo não se aguente por muito mais tempo pois aqueles que habitam esse espaço se encarregarão por repelir aqueles que estão já, apenas, a atrofiar o partido.

Mas, voltando ao CDS. Com Cristas o CDS vai ficar melhor do que com Portas. Acredito que sim. 

Não tem rabos de palha, ela, não terá ainda grandes vícios ou dívidas, e tem uma outra forma de falar, menos artificial, mais terra-a-terra. Contudo, ao ver as imagens e ao ouvir o que era aquilo, fiquei estupefacta. Então Assunção Cristas vai reformar a casa pegando em quatro rostos completamente colados a Paulo Portas e que os portugueses olham como o que de piorzinho o CDS tem? Alguém se prepara para uma nova era com gente presa ao passado?

Nuno Magalhães e Nuno Melo, dois trauliteiros, cosidos com as políticas da troika, irmãos gémeos na ideologia de Paulo Portas, Cecília Meireles, uma regateira, sempre a baixar do tacão e a tirar a faca da liga e a armar peixeiradas, Adolfo Mesquita Nunes que mais parece o protégé do irrevogável, todo ele a voz do dono, os meus tiques, os mesmos trejeitos, a mesma forma de falar com recurso a frases de efeito. Não arranjou ela gente mais normal, mais afastada daquela imagem triste que o CDS tem colada à cara?


A bem da democracia e do clima político português seria bom que o CDS se credibilizasse mas, com estes quatro vice-presidentes, não estou completamente certa de que Assunção Cristas esteja a dar os passos certos. A ver vamos (como diz o ceguinho).

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E queiram, por favor, descer até a um lugar lindo, onde os animais andam à vontade, sabendo que a terra é mais deles do que de nós, pobres humanos.

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2 comentários:

P. disse...

Cristas, por muito que nos pretenda fazer acreditar no contrário, é a continuação de Portas – não direi de saias, pois as saias a Portas também não ficam mal. Portas não sai porque foi empurrado, como sucederá com Passos. Portas sai porque quer. Quer limpar a imagem desgastada. Usa pois este truque para fingir que sai de cena. Cristas é uma indefectível de Portas. Subiu pela sua mão. E está rodeada de pessoas da confiança de Portas, como diz. Portas voltará – a não ser que o CDS de Cristas conseguisse um resultado eleitoral notável, o que é pouco provável. Ou então resguardar-se-à para outros voos. Mas quais? Candidato a PR? Seria cómico. Sobretudo depois de Marcelo. Quanto ás sondagens, as suas credibilidades são poucas. Umas davam há pouco 2,2% ao CDS de Cristas. Agora apenas dias depois, 8%. Dá para acreditar? Cristas, diz-se católica, a mesma católica que apoiou medidas anti-sociais, é a versão feminina dos fariseus do CDS. Nada tem de cristã, mas de católica.
P.Rufino

Silenciosamente ouvindo... disse...

Paulo Portas mandou a Cristas avançar porque o Nuno Melo não quis deixar de
ganhar o que ganha em Bruxelas. É apenas um intervalo. E cercou-a dos seus.
Vai ser triturada.
Bjs.
Irene Alves