Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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sexta-feira, março 04, 2016

Maria Luís Albuquerque, a chamada Miss Swaps, ex-Ministra das Finanças e actual Deputada do PSD, é a mais nova funcionária da Arrow Global
-- ou seja, é a verdadeira Olívia costureira/Olívia patroa.
Se está num lado vende, depois passa para o outro lado e compra.

Enquanto no Governo, vendeu a dívida do Banif a uma empresa e agora vai trabalhar para essa empresa?
Ora, ora, o que é isso para a Marilú?
(É que a Marilú, para além de descarada e destemida, é uma verdadeira sortuda: a ela nunca lhe apontaram um rato morto à cabeça -- não é como à Paulinha, a quem acontecem coisas dignas de uma novela do Poe)



Antes de ir para o Governo, a sua fama já a precedia. No período pré-Governo do PSD, diziam-na a garganta funda ao serviço do Coelho. Pouco confiável, já na altura se sabia. 

Depois, se antes tinha negociado com Swaps que iam arruinando o Estado, a seguir, no Governo, poupou os que quis e fez-se de santa em relação a outros e, com aquele ar de matreira videirinha, fazendo-se de inocente e, com a cobertura do ex-aluno Láparo, manteve-se em funções, dizendo que não tinha a ver com nada daquilo. Durante a governação, foi useira e vezeira como troca-tintas: disse e desdisse -- e tudo sempre com aquele seu arzinho descarado, narizinho empinado de quem sabe que está a lidar com mansarrões de onde mal nenhum lhe virá. 

A comunicação social, servil e veneranda, permitiu que fosse vendendo o seu peixe como muito bem quis. Quando confrontada, no Parlamento ou nas Comissões de Inquérito, com as mentiras, mantinha o sorrisinho, e, qual coelhinha bunny-bunny, santinha, santinha, dizia que não tinha dito aquilo que tinha dito. Bajuladora de Bruxelas e, em especial dos alemães, dizia lá fora que era definitivo o que cá dentro dizia que era provisório.
[Já agora: o seu comportamento no processo BES ainda um dia deveria ser escrutinado. Nunca percebi quem lhe deu a cobertura para fazer o que fez na maior impunidade. É uma das história muito mal contadas da governação passista e não percebo como é que ninguém lhe segue o rasto.] 

Pois bem. Agora sabe-se que, enquanto ministra, a nossa diligente Marilú vendeu créditos do Banif a um daqueles fundos que sugam a alma das vítimas -- e que, surprise, surprise!, é justamente para lá que agora trabalha em funções que a fazem estar do outro lado da divisória. 

Lê-se uma pouca vergonha destas e não se acredita:

Maria Luís Albuquerque, atualmente deputada do PSD, vai desempenhar funções de diretora não executiva e fará parte do comité de auditoria e risco da Arrow Global, empresa que se dedica à gestão e recuperação de dívidas e que comprou em 2014 carteiras de crédito ao Banif.

No relatório de gestão e contas de 2014, o Banif dizia que em 30 de junho e 30 de setembro desse ano "foram assinados os contratos de compra e venda de créditos compostos pelas carteiras de Portugal e Espanha à Arrow Global Limited e à Arrow Global Luna Limited, respetivamente".

(...) Em Portugal, a Arrow Global comprou, em abril do ano passado, a empresa de gestão de créditos Whitestar e a empresa de serviços de tratamento e aquisição de dívidas Gesphone, pelas quais pagou 56 milhões de euros. No final do ano passado, o grupo britânico tinha 6,8 mil milhões de euros de ativos sob gestão em Portugal.


Quando confrontada com a falta de moral, de ética e de vergonha na cara que esta sua descarada atitude revela, Maria Luís Albuquerque faz aquele arzinho de inocente que tão bem lhe conhecemos e diz que não tem nada de mais, que, ora, ora, lá estão a fazer aproveitamentos políticos.

Perplexos (nós, os poucos que ainda acreditamos no Pai Natal), interrogamo-nos: Período de nojo? Não trabalhar para empresas com quem se fez negócios enquanto governante? 

"Bahhh... Querem lá ver que agora até acham que há conflito de interesses...? Tanto pruridozinho... Gentinha mais picuinhas!"
(pensará ela, que não é dada a profundidades morais).

É que, para aquelas bandas, parece que bom mesmo é a promiscuidade completa, a desbunda, tudo ao molho e fé em Deus.
E, como se fosse pouco, imagine-se ainda o cúmulo da desfaçatez: parece que, ainda por cima, quer continuar a receber o ordenado de deputada.

Sempre que a televisão a foca na Assembleia, vê-se que a biscateira está desatenta em relação ao que lá se passa ou, de vez em quando, levanta a cara do computador e faz um sorrisinho a fazer de conta que está atenta mas, logo a seguir, como se não tivesse tempo a perder, lá está ela a trabalhar, pimba, pimba, no teclado --  sabe-se lá a fazer o quê. Estará a analisar a créditos e dívidas? Não sei. Pergunto.

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Contou-me um Leitor, por mail, que Manuela Ferreira Leite, na TVI 24, arrasou a Madame Albuquerque. Não vi. Estava a escrever isto e esqueci-me de a ver. Mas os jornais já estão todos a dar conta disso:

Manuela Ferreira Leite não poupa a homónima. Acusa-a de falta de "transparência" e de falta de "bom senso", por ir para uma empresa que causou "prejuízos" ao país, "quase sem tempo nenhum de nojo".


Nem mais.
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E, antes de passar para o momento de humor e para outras pequenas anotações, permitam que daqui mande um alôzinho para o António, o cioso maridão

Olhe, seu mauzão, não leve a mal o que eu acabei de dizer, ouviu? Sou boazinha, franzininha, coitadinha, não me faça mal, está bem...? 

Mas olhe, se quiser vir cá partir-me os cornos (pardon my french), bata antes à porta e peça para falar com o meu maridão, valeu? 

E pronto, é isto. Ficamos assim. À espera.
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E que entre a Olívia Costureira e a Olívia patroa, que esta, sim, tinha (e tem) graça, não viveu à nossa custa e nunca ofendeu a inteligência de ninguém

Ivone Silva 


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As imagens que usei para enfeitar o texto provêm do saudoso We Have Kaos in the Garden
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(Agora uma coisa pergunto eu: será por ter um body guard mauzão que à Marilú nunca apontaram um rato morto à cabeça ou enviaram um laser por correio como parece que fizeram à atilada Paulocas?)


Paula Teixeira da Cruz -- 

o novo elemento dos Monty Phyton

Quiçá a Loretta, não?



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Uma notinha de última hora

Ah, sim... ainda mais uma coisinha: porque é que todos os arguidos do processo Rota do Atlântico ou lá o que é, aquele do José Veiga e do Paulo Santana Lopes, ficam todos proibidos de falar com o Vai-Estudar-ó-Relvas  e com o 007 Sérgio Monteiro (o tal ex-vendedor a jacto da TAP e de outras miudezas e que foi contratado pelo Carlos Costa do Banco de Portugal para vender o Novo Banco)? O que é que estas duas distintas, e certamente impolutas, figuras têm a ver com os outros? Agora até o Manuel Damásio foi proibido de os contactar. Mas porquê, senhores? Alguém me diz?


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Já cá volto - ou daqui a nada ou de manhã. Quero contar-vos uma coisa mesmo do caraças. A sério.

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3 comentários:

Anónimo disse...

Pode ser que o salariozinho que a destemida aia do Passos vai ganhar possa ser arrestado/penhorado para assegurar (mui parcialmente) um direito de regresso do Estado, que deveria ser processado pelas empresas que agora foram condenadas a pagar ao Santander uns milhõezinhos de nada ... Ou o Estado pagará directamente ao Santander, sector público "oblige" ? E o défice, Senhor, porque nos dais tanta dor?!
MPDAguiar

P. disse...

Este caso só vem confirmar e relevar o estatuto moral da Direita em Portugal, a mesma que governou (e arruinou) Portugal nos últimos 4 anos. Refugiar-se em questões de carácter legal, como fez o “detergente de serviço do PSD”, José Matos Correia, é no mínimo lamentável. A legislação actual, em vigor, é de uma permissividade relativamente a estes casos que choca, mas é a que existe e vai prevalecendo. A questão, todavia, é de outra dimensão, como aliás, ainda ontem, de uma forma corajosa e frontal, Manuela Ferreira Leite referiu e criticou. É uma questão de princípio, de ética e de respeitabilidade política. E de bom senso. Ao fim de pouco mais de 3 meses, M.L. Albuquerque vai cair no regaço de quem andou a proteger e a negociar, quando era ministra das Finanças. Mais do que imoral é amoral. Demonstra uma total ausência de valores. Que o PSD (e o CDS ao que julgo perceber) apadrinha e defende! Depois ainda temos os casos da Efisa (e o procedimento de Miguel Relvas no processo, enquanto Ministro e depois, o mesmo que é unha com carne com Passos Coelha e com quem Paulo Portas conviveu bem no mesmo governo), para já não falar de outros anteriores, da SLN-BPN, etc, etc. Este caso poderia vir a ser uma boa oportunidade para que o Parlamento e seus deputados se decidissem, de uma vez por todas, a alterar a lei actual sobre este tipo de “im/compatibilidades” e redigirem um texto legal que no futuro impedisse este tipo de actuações. Não estou certo de que se vá por esse caminho. Não ouvi, a não ser da parte do BE e PCP, sugestões para se proceder à alteração da legislação em vigor. Este PS de António Costa é muito diferente daquele de Sócrates. Para muito melhor. Tem gente séria, capaz, honesta e deste modo espero que aproveite esta oportunidade para propor uma nova lei no que respeita a estas situações. É a A.R, a Democracia e os Partidos Políticos que ficam a perder, se tudo ficar na mesma. De resto, só me ocorre uma palavra para descrever este procedimento de M.L. Albuquerque: nojo (ou asco) – embora não me surpreenda, vindo de quem vem.
P.Rufino
PS: o ex-SE Paulo Núncio foi outro péssimo exemplo, de conflito de interesses (ou tráfico de influências), na contratação que fez para a realização da reforma do IRC, ao ir buscara gente do escritório de advogados onde pertencia e para onde voltou depois de sair do governo PAF.

Claudia Sousa Dias disse...

Marilú "A GARGANTA FUNDA DO cOELHO"! Até me engasguei com o cálice de Porto que estava a beber de tanto rir!