Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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sexta-feira, janeiro 22, 2016

Sopa de peixe à alentejana, reguengos tinto e queijo -- na companhia da Carmen e com flores sobre a mesa. Ah, o amor é um pássaro rebelde.


Se, por acaso, leram o post abaixo, já viram a principal razão de eu ter chegado a casa a lindas horas: fui buscar um quadro que tinha posto a emoldurar já que, por ser um óleo sobre uma tela muito alta e não haver molduras feitas que lhe servissem, teve que ser feito à medida. Escolhemos uma moldura dupla: por dentro há uma com filet dourado e base preta que faz o efeito de passe-partout e, por fora, uma outra em talha. O outro quadro, uma aguarela, que também mostro no post seguinte, deu para ser emoldurado com uma daquelas molduras já feitas que há no Leroy Merlin (por menos de 30 euros) e que são bem bonitas. 

Mas, então, dizia eu, fui buscar o quadro ao fim do dia. Não tinha saído cedo, depois apanhei um trânsito infernal (Lisboa ao fim do dia e com chuva é para esquecer; o que vale é que ponho os telefonemas em dia e posso estar a falar à vontade: com a minha filha, com a minha mãe) e, para ajudar à festa, quando cheguei à loja, a moldura ainda não estava feita.
[Mas, antes de ir ao que interessa, façamo-nos acompanhar a preceito. 
Que entre, pois, a Anna Caterina que, por aqui, é sempre bem vinda e que, com ela, traga a Carmen, que, assim, a festa estará garantida. 
E deixem que, entretanto, vá já pondo flores sobre a mesa]




Entretanto, tinha-me auto-incumbido de ir ao supermercado para comprar a comida para o jantar. Portanto, cheguei a casa já passava bem das nove. E, se estou a relatar coisa que não interessa nem ao menino jesus, é porque -- talvez por me ter sentado aqui tão tarde, e isto depois de um dia de trabalho -- estou sem grande cabeça e me apetece contar-vos o que fiz para o jantar: uma refeição rápida, saudável, económica e boa. Trouxe os ingredientes praticamente todos do supermercado.


Mal cheguei a casa, a grande velocidade, descalcei-me, mudei de roupa, lavei as mãos e, ala moço que se faz tarde, para a cozinha.

Numa panela, deitei azeite, duas cebolas cortadas aos bocados e uns cinco dentes de alho e fritei tudo ligeiramente. A seguir juntei cinco tomates maduros, também cortados aos pedaços (uso dos de rama porque parece que são os únicos que cheiram e sabem a tomate). Envolvi-os na cebola e no azeite e deixei que amolecessem. Juntei água, talvez uns três copos, não me lembro, e três batatas médias, descascadas, também aos bocados. Juntei sal, deixei que levantasse fervura. Depois baixei a temperatura. Nessa altura, desse caldo, retirei um bocado para um tacho e juntei uma posta grande e alta de cherne que tinha comprado congelada. Antes de a pôr no tacho, escamei-a, já que (do supermercado para casa, com a passagem pela loja das molduras) tinha mais ou menos descongelado. Juntei-a então ao caldo, mais duas folhas de louro e quatro ovos (descascados). Depois de levantar fervura, baixei.

Enquanto isto cozinhava (e o meu marido só a perguntar, lá de dentro, se demorava muito), fui pendurar os quadros, depois, a correr, fui buscar a máquina para os fotografar para vos mostrar. Depois fui lavar a cara, a seguir fui escolher a roupa para vestir esta sexta-feira, ainda atendi uma chamada do meu filho e, de seguida, regressei à cozinha.


Desliguei o fogão. Com a varinha mágica desfiz bem o que estava na panela (batatas, cebolas, alhos, tomates). Ficou um caldo cremoso, espesso, macio, encarnado e cheiroso.

Coloquei num prato a posta de peixe que estava no tachinho, retirei-lhe as espinhas e parti aos bocados. Juntei à panela da sopa o peixe, os ovos escalfados, o caldo e envolvi tudo.

Entretanto, o meu marido
(que, àquela hora, quase dez da noite, já estava esgalgado, tal a fome -- esgalgado e arreliado porque, dizia, não descansavas se não fosses buscar o quadro, não era? Não podíamos ir buscar no fim-de-semana? Tinha que ser hoje à noite?! E logo hoje que chegaste tarde e que tinhas dito que ias ao supermercado e ainda fazer o jantar...? Mas tinha que ser, não era...?
tinha torrado umas fatias de pão.


E, então, sentámo-nos à mesa, comemos uma bela sopa de peixe e tomate à alentejana, com ovos escalfados, tudo sobre umas fatias de pão torrado (eu pouco pão, que ando a ver se recupero a linha depois dos doces do natal). Acompanhámos com tinto de Reguengos. Íamos comendo, bebendo, conversando. A seguir, rematámos com um queijo (eu deitei um fio de mel sobre o meu - na esperança de que, por ser um fio muito discreto, não me engorde) e, para finalizar, eu ainda tinha uma surpresa: um dulcíssimo dióspiro que ele, que não os come mas sabe que eu tenho uma perdição por eles, sempre atencioso, tinha ido comprar a uns indianos que há aqui perto de casa e que estão abertos todos os dias, a todas as horas.

No fim disto tudo, ainda sobrou sopa suficiente para o jantar de amanhã.

Moral da história: é uma refeição rápida, nutritiva, saudável e económica - como vos referi lá acima.
E eu, enquanto jantava, tinha dito: 'comer isto faz uma pessoa sentir-se feliz, não achas?'. Mas, mal acabei de o dizer, pensei: 'vai encolher os ombros e dizer que sou maluca... e, de facto, que coisa parva de se dizer'. Mas não, para minha admiração, comendo de gosto, disse: 'Talvez'. E eu ainda mais feliz fiquei.
 
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As fotografias são da autoria de Ashraful Arefin.

O acompanhamento musical, claro está, é Carmen de Bizet - Habanera (área também conhecida como 'L'amour est un oiseau rebelle'), numa interpretação de  Anna Caterina Antonacci, The Royal Opera.
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E, caso queiram ver as duas pinturas que trouxe de Vila Nova de Cerveira e saber porque as trouxe, desçam, por favor, até ao post já aqui abaixo.

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