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terça-feira, novembro 10, 2015

Um novo conceito de primeiros encontros: rápido e, ao que dizem, mais eficaz que o speed dating. Chama-se Shhh dating e assenta no poder de sedução do olhar. Ou isso ou a experiência do Dr. Arthur Aron - para quem quiser apaixonar-se por um desconhecido.





Depois dos blind dating, dos speed dating e, mais recentemente, do slow dating. eis que chega ao meu conhecimento uma nova moda: o shhh dating.


Leio e acho que tem pernas para andar. 

Nunca me vi numa dessas, de me ir encontrar com algum desconhecido na perspectiva de ver se dá. Não sei se, caso estivesse sozinha e com vontade de me emparceirar, recorreria a estes meios. Tenho a impressão de que a coisa se haveria de proporcionar de uma forma mais natural. Contudo, não sei: as circunstâncias, tantas vezes, criam as situações. Não me choca a ideia de, querendo companhia e não a arranjando de outra forma, tentar através destas 'cenas'. Presumo que isto se combine através de sites. Para quem esteja habituado a isso, às tantas já não deve custar nada mas, para os novatos, imagino que seja um stress.

Tento ver-me num filme desses e imagino a ansiedade em que estaria ao ir na direcção do desconhecido. Eu que, para mim, o primeiro filtro tem a ver com o aspecto físico, haveria de estar aflita: e se ele é horroroso? e se é feio todos os dias? e se tem ar entre o bimbalhão e o gorduroso? (confesso: aqui ocorreu-me o Assis). Haveria de ir a ensaiar mentalmente o plano B, maneira de fugir a sete pés antes que o pobre coitado se apercebesse que estava a fugir dele.

Mas, enfim, supondo que até não era assustador ou completamente desagradável e que eu me aproximava: de que se iria conversar? 
Enfim, se já antes tivéssemos falado através do site, talvez a conversa decorresse com alguma fluidez mas, se nunca antes tivesse havido qualquer contacto, de que se iria conversar? Apresentarmo-nos um ao outro como naqueles almoços em conferências em que ficamos com gente desconhecida e em que há sempre um despachado que resolve fazer a despesa e apresentar-se, sugerindo que todos façam o mesmo? Que falta de naturalidade, credo... E se o sujeito se saía com um quaisqueres, hádem, faria-se ou coisa do género? Fazia o quê? Levantava-me sem dar explicações? Despejava-lhe o copo de água na cabeça? Dizia que tinha que me ir embora, que tinha outro compromisso? 
Portanto, este novo conceito de uma pessoa conhecer várias pessoas através de um casting apenas de olhar, colocando-se um junto do outro em silêncio, apenas trocando olhares, talvez sorrisos, ao longo de noventa segundos, parece-me ajuizado. Depois, anotam o nome daquele cujo olhar cativou e, então, sim, podem voltar ao contacto e passar às palavras. Agora se, ao primeiro contacto visual a coisa não funcionar, o encontro morre logo ali.

De resto, confirmo o poder do olhar por parte de quem nos agrada. Se não agrada, um olhar insistente é desagradável, é uma melguice, uma afronta, uma invasão de privacidade. Agora se fisicamente a coisa agrada, um olhar bem aplicado é um acto de sedução, especialmente se conseguir transportar aquela irresistível mistura de devoção e insolência.

Acho que já uma vez aqui o contei: há cerca de vinte anos, um psicólogo, o Dr. Arthur Aron, fez uma experiência: punha duas pessoas frente a frente com a indicação que deveriam estabelecer contacto visual enquanto respondiam a 36 perguntas, perguntas estas que eram progressivamente mais pessoais. A seguir deveriam ficar a olhar-se durante quatro minutos. Pois bem: tiro e queda. 

Presumo que só resulte para quem, à partida, perceba ter a tal química. Se me puser em frente do Assis ou do Abreu Amorim ou do Diogo Feio ou do Passos Coelho ou da Teresa Leal Coelho - e isto só para referir alguns - acho que nem pintados. Aliás, acho que abalava a correr completamente espavorida e nunca mais parava com medo que alguém me obrigasse a repetir a experiência.

Como apaixonar-se por um desconhecido
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ou isso ou como aumentar a intimidade com quem já se conhece


TED Sydney
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A música é It's oh so quiet numa interpretação de Björk. As fotografias que usei para vos distrair do texto mostram Candice Swanepoel pela lente de Mert e Marcus e não têm a ver com a experiência em si mas, talvez, com o que se lhe segue.

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