Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

quarta-feira, novembro 11, 2015

Chegou o tempo da esquerda, um tempo de desafios, riscos e esperança. Aos que agora finalmente se uniram e, num passo inédito, se chegaram à frente e disseram 'Presente!', agradeço que tenham posto fim ao desgoverno PSD e CDS, manifesto o meu apoio no duro caminho que têm pela frente e a minha admiração pela coragem que estão a demonstrar porque os outros vão à sombra dos abrigos e tu vais de mãos dadas com os perigos.



Porque os outros se mascaram mas tu não 
Porque os outros usam a virtude 
Para comprar o que não tem perdão 
Porque os outros têm medo mas tu não

Porque os outros são os túmulos caiados 
Onde germina calada a podridão. 
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem 
E os seus gestos dão sempre dividendo. 
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos 
E tu vais de mãos dadas com os perigos. 
Porque os outros calculam mas tu não.



Esta é a madrugada que eu esperava 
O dia inicial inteiro e limpo 
Onde emergimos da noite e do silêncio 
E livres habitamos a substância do tempo 


(...)
Portugal,
volta ao mar, a teus navios
Portugal volta ao homem, ao marinheiro,
volve à terra tua, à tua fragrância,
à tua razão livre no vento,
de novo
à luz matutina
do cravo e da espuma.
Mostra-nos teu tesouro,
teus homens, tuas mulheres,
(...)





E se já mostrei rosas juntas com os cravos e uma rosa feliz e multicor, junto também aqui papoilas porque este é um tempo de inclusão em que todos quantos são livres e lutam por um Portugal desenvolvido devem ser chamados a intervir pois todos somos poucos para o tentar recuperar da pobreza e das injustiças sociais para que foi empurrado nos últimos quatro anos.


____

Os poemas são de Sophia de Mello Breyner Andresen e, num dia como o de hoje, apetece-me ter aqui Maria Barroso. A gravação não é fantástica mas acho que concordarão comigo que isso é pormenor.

O poema La Lámpara Marina de Pablo Neruda, lido por Tavares Marques, foi dedicado a Álvaro Cunhal (que, justamente, nasceu a 10 de Novembro) e apetece-me tê-lo também aqui.

No penúltimo vídeo, António Costa agradece o papel precursor de Mário Soares - e hoje faço questão de que Mário Soares se junte à festa. E através do link junto também Pacheco Pereira, outra voz que, ao longo dos últimos quatro anos, não se cansou de lutar pela verdade, pela democracia e pela liberdade.
Gostava de ter encontrado algum vídeo com Miguel Portas ou João Semedo ou Francisco Louçã ou Daniel Oliveira ou Catarina Martins em que o registo fosse do género dos que que aqui coloquei mas não encontrei, apenas os vi em intervenções políticas puras e duras. Por isso, fica aqui apenas o registo dessa minha vontade.
Finalmente, Louis Armstrong interpreta La vie en rose -- e é assim que eu hoje quero ver a vida.

___

Nota: Esta terça-feira quase não consegui ver televisão mas quero dizer que, do pouco que vi, fragmentos apenas, gostei muito do que ouvi dos discursos de António Costa, Jerónimo de Sousa e Catarina Martins. Uma lição de democracia.

Deliberadamente não falo dos esgares e do mau perder de Passos Coelho, das ameaças infantis e anti-democráticas (e anti-patrióticas) de Paulo Portas, das expressões desagradáveis de Montenegro e de todos quantos mostraram que continuam sem perceber nada do que lhes acontece. Agora, por exemplo, mostram que não percebem como funciona a democracia. É pena. Mas porque o tempo deles acabou (tal como está prestes a acabar o tempo de Cavaco), não os quero ter aqui a contaminar esta minha página que quero que seja uma página em que se festeja o dia em que a direita retrógrada, incompetente e desumana foi derrubada.

Quero aqui hoje festejar a esperança, a expectativa de que se reinicie um caminho de construção, de respeito pelos outros. Quero acreditar que Portugal está de novo a caminhar na direcção do futuro.

____

Desejo agora que a inteligência e a maturidade que o PS, o PCP, o PEV e o BE demonstraram até chegarem a estes acordos se mantenham ao longo dos próximos 4 anos - que nunca se esqueçam de que o que os une tem que ser sempre mais importante do que aquilo que os separa.

Dia 10 de Novembro de 2015 foi um dia novo. 

Abriu-se uma porta importantíssima. Abriu-se uma porta e não apenas em Portugal: também na Europa. Estou em crer que também na Europa se começarão a sentir os felizes tempos de mudança. 

Há alternativa.
____

Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma quarta-feira muito feliz.

..

9 comentários:

Francisco Clamote disse...

Um dia novo. Um dia belíssimo. Um belíssimo "post". Parabéns.

Silenciosamente ouvindo... disse...

Parabéns pelo seu "post" que eu subscrevo totalmente.

Faço dos seus desejos os meus.

Que tenhamos a partir de ontem um novo caminho.

Bjs.
Irene Alves

Ricardo Simaes disse...

É a primeira vez que comento mas sou um atento e fiel seguidor do seu blog. Mas não podia hoje, depois de ontem ver a História acontecer, deixar aqui uma democrática e patriótica saudação e também a minha profunda esperança (e convicção) de que, realmente, Portugal volta a estar na rota do futuro e do humanismo que sempre reconheci como fazendo parte do ADN do meu país...

Viva o 25 de Abril! Viva o 10 de Novembro! Viva Portugal!

Anónimo disse...

só falta ver se trocamos gatos pretos por brancos - https://www.youtube.com/watch?v=MEL48khJHRQ


Bob Marley

Manuel disse...

E assim se faz um "post" inteiro e limpo.
Este também foi o "outro" dia que o meu pai esperou; teria agora 102 anos.

Anónimo disse...

O dia 10 de Novembro de 2015 ficará definitivamente na história do nosso universo político como uma data muito especial, ou seja, a data em que morreu o “arco da governação (ou governabilidade) ”, tão querido da Direita (que, deste modo, esperava que o PS lhe servisse de muleta para as malfeitorias que preparava), em que as Esquerdas preferiram optar por aquilo que as une, em vez daquilo que as diferencia e, por fim, o dia em que um líder do PS não receou aliar-se, ou concertar-se, para um programa de governo duradouro, com quem se situa á sua esquerda. Estão todos, como diz e bem, de parabéns. António Costa e o PS, pela ousadia, coragem e visão, Catarina Martins e o BE, pelo realismo político que demonstraram e Jerónimo de Sousa e o PCP, pela capacidade (e responsável flexibilidade) de aceitar este compromisso. Não sendo um momento comparável ao 25 de Abril, foi todavia em grande momento político aquele que ontem sucedeu. Só lamento constatar a incapacidade de esta nossa Direita actual afinal ainda estar possuída de tiques antidemocráticos, ao não aceitar uma regra normalíssima, que consiste na possibilidade de outro Partido político, que não o vencedor, poder formar governo, se o vencedor, por estar em minoria, não consegue as necessárias “pontes” e acordos para a constituição de um governo (estável). Por mim, apoiante desta solução governativa (e forte crítico do passado reacionário apeado), só desejo a melhor das sortes ao futuro governo liderado por António Costa com o apoio do BE e a CDU.
P.Rufino
PS: como nota de rodapé, li e subscrevo o que disse a jornalista Paula Cosme Pinto, no Expresso on-line, ao criticar as aleivosias de Pedro Arroja, sobre “as esganiçadas do BE”. Há sempre gente que mistura alarvices mentais com Democracia e depois dá naquilo, como esse tal Arroja.

Humberto Barbosa disse...

Caríssima UJM, boa noite
Se na noite de 4 de Outubro fiquei desolado, ontem fui compensado com "trambolhão" da PàF e com a esperança de um Portugal mais justo, mais solidário.Como diz o ditado, há males que vêm por bem.
O fabuloso discurso de Mário Centeno na Assembleia da Republica deixou a PàF sem palavras, não "tugiram nem mugiram".
Mais uma vez muitos parabéns pelo seu excelente blogue.
Uma boa noite e tudo de bom
HB

Rosa Pinto disse...

Parabéns pelo post.

Claudia Sousa Dias disse...

Que maravilha de post. Mas eu estou a ver a coisa tão negra. Eles não saem de lá nem a tiro de canhão. Ou submarino. Até querem uma revisão constitucional sem terem legitimidade para o fazer.