Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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sábado, setembro 26, 2015

Portas e Passos sem vergonha na cara, parece que estão a gozar com os portugueses. A minoria que apoia o Governo que tão mal tem feito ao País. A maioria que não quer mais este Governo. Os indecisos e descrentes que podem trazer esperança ao País. E Sócrates e os segredinhos e truques de que os juízes dizem que ele foi vítima.
Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além.
Quase - nove vídeo do Cine Povero


Depois do mano a mano que colou corpo com corpo no post abaixo, é com algum esforço que desperto para a triste realidade. Mas, enfim, noblesse oblige (que é como quem diz). Vamos lá, então.


Um pouco mais de sol - e fora brasa, 
Um pouco mais de azul - e fora além. 
Para atingir, faltou-me um golpe de asa... 
Se ao menos eu permanecesse aquém...




Por vezes aqui há um País onde parece ser bom viver. Aqui a terra é muito bela, há muito mar, as serras são verdes e trazem rios no regaço, os campos florescem de amarelo, azul, lilás. Aqui as pessoas são afáveis, acolhedoras, serenas. Por vezes, aqui crê-se que pode ser bom viver. 

Nessas alturas as crianças nascem mais, os teatros animam-se, há festas, há alegrias, os cientistas vêm de todo o mundo para estudar ao sol, as empresas crescem, há mais trabalho, os velhos não temem a pobreza, os filhos não se vão embora para longe dos pais, os irmãos não se separam, os maridos não vão trabalhar para longe das mulheres e dos filhos, os doentes não precisam de escolher a doença a que se vão tratar.

Nem sempre este País é assim. Mas já tem sido.

Mas, por vezes, os portugueses enganam-se e deixam que os medíocres invadam os corredores do poder, se sentem onde lhes cheire a mando e a dinheiro. Nessas alturas, a vergonha alastra entre os habitantes deste País. Percebem que, sem querer, elegeram mentirosos, gente que os engana, que vende o país ao desbarato, que rouba aos mais pobres para pagar aos escritórios de advogados ligados a ministros e deputados, que rouba os desempregados e doentes para pagar aos consultores que os aconselham a facilitar a vida aos mercados. 


De tudo houve um começo... e tudo errou...
- Ai a dor de ser-quasi, dor sem fim... -
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se enlaçou mas não voou...


Mas é um País de gente boa, este. Gente tolerante, a do meu País.

Vêem que a Justiça prende sem que formule uma acusação, prende para devastar a vida de quem quer, prende a estimula intrigas deixando que mentiras passem para os jornais, vêem os tribunais paralisados durante meses e os processos a acumularem-se durante anos. Vêem hospitais cheios de macas, doentes em fila na rua para um exame médico, vêem as investigações científicas desapoiadas, o ensino de adultos suspenso, a regeneração dos espaços públicos das cidades paralisada, vêem o investimento parado, a indústria anémica, vêem os jovens a partir, vêem os ministros a mentir-lhes, vêem a dívida a subir, vêem que todos os sacrifícios foram em vão - vêem isto tudo e, apesar de tudo, ainda há alguns que acreditam nas mentiras e ignoram o que os seus olhos lhes mostram. Paciência. Haverá sempre quem goste de ser escravo, de ser explorado, de ser manietado. Haverá sempre quem não sonhe, quem se acomode a uma vida sem sentido.

E há aqueles que desacreditam. A minha mãe agora está assim, diz que se calhar são todos uns mentirosos como estes, fala de Passos e Portas com desprezo, chama-lhes aldrabões. Mas receia que os de outros partidos se transformem também em gente má. Peço-lhe que não diga isso, que dê uma hipótese, peço-lhe que, se tem tanta raiva, como tem, a estes que agora estão no Governo, pois que vote contra eles, que não queira que um dia os netos tenham que emigrar. Quando lhe digo isto, assusta-se. Tem tido a sorte de ter a família inteira em seu redor, nunca pensou que não é apenas aos outros que acontece terem que ir para longe.


Momentos d'alma que desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ânsias que foram mas que não fixei...


Mas eu acredito que, nestes últimos dias, os que se deixaram cair em desânimo nestes malditos quatro anos em que fomos tratados como se a nossa dignidade não merecesse respeito, irão reagir e mostrar que não mais se deixarão pisar. Acredito que a esperança falará mais forte. Acredito que sairão de casa e irão mostrar, com o seu voto, que não querem mais que a gente deste governo continue a vender o País e a maltratar os portugueses.

Num ímpeto difuso de quebranto, 
Tudo encetei e nada possuí... 
Hoje, de mim, só resta o desencanto 
Das coisas que beijei mas não vivi... 

Acredito que os novos que ainda não viram que o destino do seu País está também nas suas mãos e que os velhos que pensam que já não vale a pena lutar irão largar quebrantos, desânimos e desencantos e irão votar contra este Governo e escolher outra gente.

Acredito que o dia 4 de Outubro vai ser um dia feliz para Portugal e espero que, nessa noite, eu esteja aqui a festejar convosco, meus Caros Leitores. E vocês também comigo. Que nos sintamos, de novo, esperançados no futuro deste nosso País, tão belo, tão bom.



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Uma vez mais, uma palavra sobre Sócrates. Muitas vezes aqui o disse: Sócrates ainda não foi acusado de nada. Com a decisão do Tribunal da Relação de Lisboa começa a temer-se que este caso venha a ser, afinal, apenas uma mancha na honra da Justiça portuguesa. Finalmente Sócrates vai poder conhecer quais os segredos que lhe estavam vedados, vai poder defender-se. Desejo que de nada haja que o acusem e, se o acusarem, que de nada seja culpado. Desejo isso porque me custaria muito perceber como poderia uma pessoa como ele cometer actos ilegais. Mas também o tenho dito: se a Justiça o vier a julgar -- e a julgar com decência -- e se vier a provar-se que uma condenação lhe é devida, descrerei da minha capacidade de avaliar os outros e aplaudirei a sua punição. Mas, enquanto isso não acontecer, acho que, como qualquer cidadã livre e justa, não o julgarei eu -- e alegrar-me-ei de cada vez que a Justiça funcionar, como foi agora o caso.

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Ouçamos e vejamos o poema

Mário de Sá-Carneiro :: Quase / Dito por Carmen Dolores


Um vídeo do CINE POVERO



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  • As fotografias que mostram edifícios decadentes são da autoria de Christian Richter. A última, da jovem com um balão, é de  Nemanja Milenkovic
  • Dado o adiantado da hora, não levem a mal que me limite a transcrever a ficha técnica da música:
"Great Ektenia" from Liturgy of Saint John Chrysostom, Op. 31 (Sergei Rachmaninov)  from "Sacred Treasures: Choral Masterpieces From Russia" (Hearts of Space Records)
Performed by The Russian State Symphony Capella, directed by Valery Polyansky
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Gostei muito de escrever o post que se segue: um tango em palavras, ao som de uma música e com o acompanhamento do fabuloso tango do Al Pacino, nos braços de quem qualquer mulher gostaria, certamente, de deslizar.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela sexta-feira.

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1 comentário:

Anónimo disse...

Bom Post! Subscrevo as críticas e observações que aqui faz. E continuo a desejar e a acreditar que a PaF/Coligação venha a perder estas eleições, mesmo depois de mostrar as reservas que aqui deixei, outro dia. Com estas novas sondagens, o curioso – e que me anima – é o número, ou percentagem, de pessoas que ou não dizem, e fazem muito bem, onde votarão, ou ainda estão indecisos, o que é uma margem bastante grande, mais de 22%, ao que vejo.
A ser assim, tudo – ainda –é possível. É preciso não esquecer que o PS está a concorrer sózinho contra 2 Partidos que há 4 anos tiveram mais de 50% (quando o PS conseguiu apenas uns 28%)! É certo que esta cáfila hoje caiu a pique, mas, mesmo assim, a concentração de votos neles 2, PSD/CDS, ajuda e muito a uma boa votação. Concorressem sózinhos e eram favas contadas.
Vejo igualmente com agrado o BE (sobretudo estes) e a CDU a subir.
2. Quanto ao processo que envolve José Sócrates, começa a desenhar-se um sarilho para a Acusação/Investigação. É curiosa a coincidência do pasquim O Sol, através do seu mentor, o Saraiva ex-Expresso, ter vindo a terreiro com um artigo, onde, ao atacar o advogado de JS, procurava desacreditar o ex-PM, como que sabendo, antecipadamente, do resultado da decisão da Relação. A verdade é que o indivíduo, JS, ainda não foi acusado de nada, ou seja, oficialmente constituído arguido e, pior ainda, esteve quase 1 ano sem acesso à investigação e indícios do MP e Juiz de Instrução. Tal como muitos, será curiosíssimo ver qual o teor da acusação que penderá sobre ele, por outras palavras, o que afinal, após tanto tempo e tanto secretismo, se conseguiu apurar. O universo jurídico é, muita das vezes, interessantíssimo! A questão é que, com toda esta encenação, ou se prova, acusa e condena, posteriormente, em sede de julgamento, ou então a coisa é um flop. E quem perderá, numa situação dessas, é, sobretudo, a imagem da Justiça.
3. E, enfim, lá vamos para a semana final da campanha. A ver se esta malta eleitoral quer mais porcaria, ou preferec mudança. Como um leitor aqui anteriormente disse, oxalá que outros Partidos, como o BE subam também.
P.Rufino