Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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sexta-feira, agosto 28, 2015

Escuro, olhar fixo e transparente


Enquanto me dedico às limpezas fora de casa - apanhando a caruma, as folhas secas, limpando árvores, cortando pernadas desgarradas e rebentos ladrões - noto que sou olhada. 

Ao contrário do que a maioria das pessoas da aldeia fará, eu faço este tipo de tarefas de fato de banho. Não é que o tempo esteja especialmente quente: eu é que fico cheia de calor com estes trabalhos pesados e, portanto, visto-me à fresca. Conto com o facto de que, por onde ando, não sou vista do exterior (nem tenho visto drones filmadores por aqui). E, se calha estar junto à vedação que dá para a rua e ouvir passar algum carro, o que é raro, desvio-me e escondo-me atrás de algum arbusto.

Por isso, andando eu por ali feita veraneante dada à lavoura, foi com estranheza que me senti observada. Olhei e vi, de facto, um par de olhos claros espreitando.

Como ando sempre munida com a minha máquina fotográfica, aproximei-me. De cada vez que me aproximava, ele saltava e fugia.

Deixei então que voltasse para o seu posto de vigia e continuei a minha lida. Depois, de longe, fotografei-o.




Por fim, já deixava que eu me aproximasse e fixava-me de uma forma que me causava estranheza, um olhar fixo, transparente. 




É um cão muito bonito. Não sei de que raça é, talvez seja rafeiro. O meu marido diz que ainda é novinho. Não sei. Sei que é castanho escuro, pelo sedoso, e tem uns olhos transparentes, atentos.




Gostava de saber o que pensa ele enquanto assim me olha, mas isso ele ainda não me disse. Talvez o faça quando confie mais nesta mulher que por aqui anda de podão, serrote e ancinho (e vestida de fato de banho).
...

Já agora deixem que vos conte de uma grande melhoria nas condições de trabalho por estas bandas; descobrimos no Leroy este big balde com rodas. Agora já não tenho que carregar com o contentor pesadão. Com rodinhas, é uma limpeza. 


....

3 comentários:

Anónimo disse...

Cão lindo, as tantas abandonado...

Pôr do Sol disse...

Abalanço-me adivinhar o que esse inesperado admirador, de olhos tão puros, pensa."Aqui está a amiga que procuro e que aceitaria todo o amor que tenho para dar.(e que talvez outros não o queiram receber).

Gosto muito de cães. Comovo-me e revolto-me quando presinto que um amigo destes foi abandonado, porque limita em tempo de férias, ou porque pesa no orçamento. Mas não pensemos nisso. Pensemos sim, num jovem atrevido que saíu de casa durante a sesta dos donos, ficou curioso e depois extasiado com a extravagancia do fato de trabalho. Lá por casa deve ser diferente.

As vidas de cada um, filhos ou pais não estão faceis, tambem em tempo disponivel, mas já imaginou a alegria dos seus pimentinhas com esse companheiro de brincadeiras e das vossas caminhadas à beira rio?

Um beijinho, votos de tudo a caminhar pelo melhor e um bom fim de semana.

Um Jeito Manso disse...

Olá Pôr do Sol,

Já tive uma boxer que era da família, uma doce companhia ao longo de 13 anos. Mas primeiro ainda os meus filhos viviam connosco, iam passear com ela a meio do dia e à tarde. Depois, quando saíram, não o podíamos deixar sozinha em casa. Então eu ia levá-la a casa dos meus pais à 2ª feira de manhãzinha e ia buscá-la à 6ª à tarde. Depois o meu pai teve o AVC e ficou complicado ela lá ficar. Iniciou-se então um período muito difívil. Ela já era velhota e doente. Tínhamos que vir a casa durante o dia e não era perto e, de resto, ficava sozinha, coitadinha e doente que já estava.

Não sujeitarei outro animal a estar fechado em casa todo o dia enquanto não tiver quem possa passear com ele durante o dia. Por isso, agora só quando me reformar...

Mas as saudades que temos da nossa bichinha, nem queira saber. E a vontade que toda a família de voltar a ter um cão... Mas agora não há condições.

Um beijinho por tudo, pelos votos, pela companhia.

um beijinho, Sol Nascente!