Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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sexta-feira, dezembro 26, 2014

As minhas crianças no meu Natal


No post abaixo já falei de algumas aventuras culinárias que afinal são muito simples de fazer e muito boas de comer e contei-vos de como na véspera de Natal fiz de tudo para não me lembrar da fofa da porquinha Esther e também porque é que estou aqui com uma Água das Pedras quando o que me apetece é ir atirar-me ao clafoutis de maçã feito pela minha mãe.

Mas isso é a seguir.


Agora, se estiverem de acordo, 
vamos com as crianças para um lugar muito puro,
  somewhere over the rainbow




A pedido de várias famílias, mostro um pouco da festa que é estar junto dos meus queridos pimentinhas. Pergunto-me, por vezes (quando estou dada a pensamentos inúteis), se uma pessoa gosta mais dos netos do que dos filhos. Acho que não. Um amor assim, como o que se sente pelos filhos e pelos filhos dos nossos filhos, não é exclusivo nem sujeito a escalas. O que sei é que se me sinto sempre feliz por estar na companhia dos meus filhos, fico ainda mais feliz por ver a felicidade deles junto dos próprios filhos e dos sobrinhos. Não é amor maior ou menor, é como se o amor que sentimos pelos filhos se desdobrasse pelos filhos deles e se multiplicasse quando estão todos juntos.

Não sei explicar. Por isso, adiante.

Tirei montes de fotografias mas eles mexem-se tanto que volta e meia saem de cena ou, se aparecem de costas (como eu prefiro mostrá-los aqui) há sempre um que se vira, e, portanto, na grande parte das fotografias estão todos ou alguns de frente. Mas, enfim, mostro o possível.

Começo com o pequenino, um pequeno e divertido terrorista. Fala pelos cotovelos, tudo muito explicado. Fica quase bizarro ver-se uma criança tão pequena e a exprimir-se daquela maneira. E canta muito bem, muito alto, sem falhar na melodia nem na letra. É um extrovertido, espalhafatoso, faz palhaçadas, mete-se com as pessoas, ri, brinca, dá belos abraços, beijinhos fofos. Mas, quando se passa, dá grandes palmadas em quem lhe passa pela frente e é um atazanador, especialmente da irmã.


Na véspera de Natal, como tinha dormido uma bela sesta, quando acordou estava com as pilhas todas, dançava, dava cambalhotas, brincava sem parar. E, quando está numa de comer, come como se não houvesse amanhã.

Depois vem o ex-bebé. Dizemos que vai ser engenheiro tanto é o gosto dele por trabalhar, arranjar coisas, perceber o funcionamento de tudo. Recebe sistematicamente estojos de ferramentas, coisa que ele aprecia como se ainda não tivesse nenhumas.


É um reguila, quando vê o irmão ou alguém em apuros, atira-se à maluca para os defender. Mas é também um meiguinho. Adora o primo mais novo. 
Este foi na véspera de Natal à tarde cortar o cabelo com o pai. Como habitualmente, vieram de lá os dois de cabeça rapada. Nota-se, atrás, a falha de cabelo de quando partiu a cabeça. Parece um homenzinho, pequenino, decidido, cabelo cortado à magala.
O primo bebé também recebeu um estojo de ferramentas e, portanto, estiveram os dois a brincar, o mais crescido tipo tutor ou instrutor do mais novo.


O ex-bebé é também um pândego. Hoje estávamos a falar dos signos de cada um. Ele é carneiro, a prima dizia que é leoa e que o irmão também é leão, eu disse que sou caranguejo e, quando eu perguntei qual o signo do mais crescido (faz anos num dia de transição, não sei para que signo 'cai'), antecipou-se logo ele: É boi! Depois, acto contínuo, virou-se para o avô e, com ar de gozo, disse E tu és burro.

A prima, entre outros presentes, recebeu uma cama para os bonecos e, para grande arrelia dela, pôs-se logo ele em cima da cama. 


Mas estavam endiabrados, só lhes dava para fazer maluquices. A minha filha estava reclinada na chaise-longue e eles os dois foram pôr-se a atirar-se, à doida, para cima dela, tipo 'moche', e ela, com medo que se magoassem mas completamente perdida de riso, já não conseguia fazer nada deles. Então o irmão foi em sua salvação, pegando no pequeno terrorista que, na fotografia abaixo, se pode ver a ser agarrado pelo pai enquanto a tia se ri com o respectivo filho em cima.



No meio das tropelias, o mais crescidinho já começa a portar-se de outra maneira. Embora volta e meia a doidice seja geral, durante a maior parte do tempo está entretido com coisas mais sérias.

Ele e o irmão receberam de presente uma mesa de matraquilhos, coisa que ambos adoram, em especial este mais crescido. Mas, para poder ser transportada, ficou na caixa, por montar. Entretanto, recebeu outras coisas, entre as quais um jogo de damas e xadrez. Por isso, passou grande parte da tarde a jogar ora com o pai ora com o tio.

Aprende tudo com uma facilidade espantosa e tem um vocabulário riquíssimo. No outro dia, na consulta de rotina, mediu pela primeira vez a pressão arterial. Achou aquela coisa de a bracelete inchar e haver uma medição num mostrador o máximo e, então, quando aquilo acabou, virou-se para a médica todo entusiasmado e disse, 'Foi a coisa mais empolgante que fiz em toda a minha vida'.

A médica desatou-se a rir, claro. Não se sabe onde apreende ele o significado de todas aquelas palavras que emprega mas a verdade é que nunca usa o sentido errado.

Como é um desinibido, escreve que se farta, escreve tal e qual diz, ou seja, com alguns erros mas que até têm graça.


Nesta fotografia está a jogar às damas com o tio enquanto a prima brinca com a sua Barbie Sereia, presente que ela queria tanto. Na fotografia acima ela não se vê bem (está à esquerda do primo). Na foto abaixo já se vê melhor. 

Parte do tempo, mesmo quando os rapazes andam na maior confusão, ela está a brincar às casinhas, com bonecas, ao faz de conta distribuindo papéis pelos outros mas ficando sempre ela com o papel de mãe. No entanto, é inevitável que, volta e meia, lá ande a alinhar com os outros.

Ela e o irmão receberam também de presente uma mesa de trabalho cuja altura é regulável (para servir até eles serem mais crescidos) e duas cadeirinhas, uma de cada cor. Mas também, por facilidade de transporte, a mesa ficou dentro da caixa (do ikea, está bem de se ver). Ora, logo o ex-bebé e o bebé a puseram apoiada numa banqueta, a fazer de escorrega. Por fim, já vinham de marcha atrás e a fazerem de propósito para cair e rebolar e, nessa altura, claro, ela não resistiu e alinhou na brincadeira mas, ao contrário dos outros, é sempre mais cuidadosa (e, claro, agarrada à sua barbie Sereia).


Também já sabe escrever o nome sem ser a copiar e no outro dia fez um desenho do Pai Natal muito bem feito e escreveu PAI sozinha, precisando de ajuda apenas para NATAL.

Entretanto, em casa da bisavó um novo e inesperado presente: um Nenuco. Ora a bisa, sabendo que ela iria receber uma caminha, resolveu oferecer o bebé com enxoval: um casaquinho de malha, lençóis e almofada com bordado inglês e uma colcha de lã feita em crochet. Foi, para ela, um presente inesperado e maravilhoso. Pediu à mãe para guardar a Barbie Sereia e já não largou mais o nenuco que foi logo ali baptizado de Maria - que é o nome da priminha que vai nascer não tarda (do lado de um dos tios maternos).


Claro que a minha mãe ficou com o coração reconfortado ao ver o sucesso da escolha do seu presente e da roupinha que fez com tanto carinho.
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E pronto, é isto. Esta sexta feira a ver se consigo aproveitar para pôr a casa em ordem pois, por onde eles passam, fica a confusão instalada. E ficaram pecinhas de um jogo em falta e que devem estar debaixo de algum sofá e há os papéis e sacos para deitar fora que eu gosto de passar em revista antes de irem para o lixo, não vá haver lá ter ficado alguma coisa esquecida. 

E agora vou-me deitar porque, com isto de passar as fotografias para o computador, e foram muitas, escolhê-las, reduzir a resolução, etc, gastei um tempão e já é tardíssimo e já estou cheia de sono.
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Este Natal já passou e, para muitas pessoas, não houve a possibilidade de estarem junto dos familiares e amigos, e alguns viverão isso melhor e outros nem tanto. Pudesse eu levar a alegria dos meus meninos até às pessoas que se sentem sós, e já me sentiria recompensada.

Desejo que, os que se entristecem com a sua vida ou se afligem com o seu incerto devir, não se vão abaixo, acreditem que a boa sorte há-de chegar, mantenham-se de cabeça erguida, de coração aberto, aceitem apoios, procurem alternativas mesmo que não convencionais, tentem não se isolar. Não há mal que sempre dure. Por isso, apesar de já não ser Natal, desejo a todos os meus Leitores, em especial aos que se sentem perdidos num vasto mar de incertezas e solidão, dias de esperança e alegria.
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A música era 'Somewhere over the rainbow' numa interpretação do coro infantil de Hermosillo.

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Permitam que relembre: receitas relativas aos meus dotes culinários, perplexidades e divagações a propósito das minhas deambulações natalícias, podem ser vistas no post já aqui a seguir.
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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa quinta-feira.

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2 comentários:

Vitor disse...

LINDA Família, a sua, estimada UJM . Que deleite lêr esta sua "crónica "sobre Vosso Dia de Natal e observar seus lindos e azougados " pimentinhas" .
Muito estimo tenham passado um tão Bonito Dia de Natal .
Continuo a admirar-me com a sua estraordinária capacidade de gerir " tempos"!
Quanto ao " post" sobre as iguarias, suas e de Senhora, sua Mãe, fica-se . . . " de água na boca" !
Votos, renovados , de Festas Felizes para si e sua Família, estimada UJM .
Melhores Cumprimentos
Vitor

José Rodrigues Dias disse...

Olá, UJM:

Mexendo-se, eles vindo, eles indo...

(A Maria parece-me bem.)

Tudo de bom para todos!

Saudações.