Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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segunda-feira, outubro 20, 2014

Sábado na casa nova-velha do meu filho e domingo na Casa da Cerca


No post abaixo já me interroguei sobre a motivação de Portas ao permanecer neste governo descredibilizado, odiado, e sujeitando-se à pública humilhação a que o láparo o submete. Os jornais põem-no nos Baixos, desenham-no como um defunto político, gozam-no, as sondagens mostram um partido que se diluíu na voragem da desgraça causada por Passos e nada parece justificar a sua continuação no governo. Contudo continua. Alguma coisa que desconhecemos o prende? Não sei. Isto intriga-me.

Mas isso é a seguir. Aqui, agora, a conversa é outra. Muito outra.


E, uma vez mais, se estiverem de acordo, vamos com música.

Sonia Wieder-Atherton - Song In Remembrance of Schubert







Já ontem vos tinha dito que estava para vos falar da empreitada dos pimentinhas a estucarem a casa nova-velha do meu filho. Por isso, cá estou a fazê-lo.

Fim de semana de temperatura amena, este domingo já verão, e a família reunida para alegria dos meninos e nossa.

Já vos contei da casa a cair de podre que o meu filho e a minha nora compraram (por isso, lhes chamam a casa nova-velha). Estava ao abandono, até ocupas lá viveram e até fogueiras devem ter feito dentro de casa. As paredes estavam acabadas, escavacadas, o chão escalavrado, tudo rebentado, o telhado esventrado, o quintal uma lixeira. O preço reflectiu o estado da casa e essa foi uma das partes boas do caso. Dir-se-ia, de resto, ser um caso insolúvel tal o estado miserável em que a casa se encontrava; mas a localização da casa é boa, a área folgada, e a estrutura original da casa simpática. Penso que se trata de casa da primeira metade do século passado.

É esta casa que, ao princípio metia medo, que tem vindo a ser reconstruída aos poucos, à medida da disponibilidade dos donos, e com muito esforço (incluindo esforço físico) do meu filho - o que faz com que, também por isso, eu me orgulhe muito dele.


O sótão, onde falta pintar o tecto.


A casa agora já está outra. Por dentro já está quase pronta, faltam algumas pinturas e pequenos acabamentos, montar as casas de banho, coisas rápidas. 


As salas que comunicam umas com as outras
(as paredes estão direitas, a fotografia é que está torta)


A cozinha onde conseguiram conservar o mosaico hidráulico original


Faltam também ainda pinturas no exterior, falta acabar a cave (que está a ser toda arranjada por eles, isto é, sem intervenção de profissionais, embora com alguma ajuda do meu marido), e falta fazer o jardim e a hortinha, 

É neste quintal parcialmente ainda em bruto que os pimentinhas adoram estar. Mal chegam vão logo a correr para aqui. O ex-bebé é um trabalhador braçal, tem força de homem e gosta de carregar pedras, areia, fazer construções.




Uma vez que o irmão mais velho é mais bola, conta sobretudo com a ajuda do bebé que também gosta imenso de brincar com o primo. Aliás gostam imenso os dois um do outro. Volta e meia o ex-bebé abraça o primo mais novo e dá-lhe um beijo na bochecha fofa.




A bonequinha (se repararem, também com um corte de cabelo Bob), única menina no meio das brincadeiras de rapazes, volta e meia tenta alinhar com eles mas, de facto, jogar à bola ou carrinhos de mãos carregados de pedras e areia não são coisas que a interessem muito e, portanto, arranja as suas próprias brincadeiras. Este sábado trouxe a sua Barbie-Mariposa e entreteve-se a despi-la e a andar com ela por ali. No fim, a boneca já estava ensopada, teve que lá ficar a secar.




Já vos contei ontem como os três rapazes andaram a estucar a cave e como ficaram imundos mas, enfim, há uma mangueira providencial ali ao pé do poço que permite que tirem alguma porcaria. De qualquer forma, mal chegam a casa vai tudo para a barrela, incluindo os sapatos.

Desta vez, para além do lanche habitual, houve um motivo suplementar de festa. Os donos da casa resolveram fazer ali mesmo, em cima do poço, um petisco. Num fogareiro pequeno, o meu filho assou castanhas e um chouriço, operação que foi seguida com interesse por todos.




No fim, sentámo-nos na escada que dá para um pequeno terraço de onde se acederá à sala e à cozinha, e ali mesmo lanchámos: castanhas quentinhas, chouriço alentejano assado e bem saboroso.


No domingo, optámos por um programa de festas que nos poupasse um bocado, isto é, onde não houvesse tantos motivos interditos (fazerem cimento, mexerem no gesso, andarem com ancinhos e pás, abrirem a torneira e encharcarem-se ou ficarem atascados em lama ou outras coisas onde se possam magoar ou sujar), ou seja, sobreduto, do qual as crianças não viessem completamente imundas. Apenas os homens foram trabalhar lá para a casa e as mulheres e as crianças foram para um dos lugar mais lindos à superfície da terra: a Casa da Cerca.

Quando chegámos, o bebé vinha a dormir pelo que ficou deitado em cima de um casaco e tapado por outro. Dormiu ali uma sesta que foi um regalo.




O mais crescido é maluco por bola. Para onde vai, lá vai de bola. Agora, para além da bola, já entrou na fase das cadernetas de cromos da bola. 

Andam os dois na escolinha do Sporting e no sábado já tem torneio. O irmão ainda não liga muito ao lado competitivo da coisa (aliás, aquilo é para maiores de 4 mas, como ele é grande e tem destreza e, sobretudo, para não ficar triste por o irmão andar e ele não, apesar de ter três e meio, lá o deixaram entrar). Mas o mais crescido, onde chega começa logo a cravar toda a gente para ir treinar com ele. No sábado, surpreendi-o com os meus dotes mas, este domingo, dado ser um lugar público, achei que não deveria dar show. Então, quem alinhou foi a minha filha, Contudo, felizmente, apareceu um menino que quis jogar à bola e, portanto, tivemos folga.


Não se vê mas estava com as chuteiras que os tios lhe ofereceram e que ele acha que são o máximo


Os primos do meio, amigos, estiveram a brincar um com o outro, descalços. Estava um sol macio, um quentinho bom, um daqueles dias de verão quase outono e é bom estar-se descalço na relva. Eu também me descalcei. E parece que esta segunda feira estará mesmo dia de verão.


Lisboa, o Tejo, um ar muito limpo e fresco, uma visão absolutamente magnífica


Mas há ali um ponto de irresistível interesse. Por mais que digamos que vão brincar para outro sítio, é para a beira do lago que acabam sempre por querer ir. Os nenúfares, as folhinhas, descobrir um pau para afastar as flores, e, sobretudo, o ser interdito, faz com que tenhamos que estar sempre a chamá-los e de olho neles.

Se repararem, na fotografia acima, verão a camisa que o ex-bebé tinha por cima da t-shirt (e que depois despiu, com calor) e o pólo verde que o bebé tinha vestido.




Se repararem agora na fotografia abaixo, verão como o bebé teve que sair de lá já com outra indumentária. Por pouco não ia de mergulho para dentro do lago, um perigo. Tanto se debruçou que foi por um triz. A mãe deu uma corrida e pescou-o a tempo - mas o pólo ficou todo molhado. Portanto, despiu o pólo e herdou directamente a camisa do primo. Aliás, a roupa e os sapatos são usados em cascata, do mais velho para o mais novo e, do mais novo, para o primo. E como tem outro primo rapaz, do lado da mãe, herda pelos dois lados.




E viemos de lá já por volta das seis ou depois, nem sei bem - e ainda fomos ver as exposições -  e dali ainda fui a casa para me juntar ao meu marido-trolha que tinha ido tomar banho e ainda fomos, depois, para casa dos meus pais.

Como sempre, o meu pai já estava num desatino, que já era muito tarde, já queria que a minha mãe tivesse ligado a saber o que se passava. E, mal me viu, disparou logo, Sempre atrasada! e quando a minha mãe se zangou com ele, Atrasada? Mas ela tem horário? Tinha algum compromisso? Ora. desculpou-se que não gosta que andemos na estrada àquela hora da noite. A partir das seis e tal, todos os dias, quer ir para a cama, diz que é de noite e que não gosta de estar levantado até tarde. Por isso, na cabeça dele tudo o que seja depois disso já é noite avançada.

Mas, portanto, resumindo e concluindo, foi um belo fim de semana. Não descansei muito e só consegui ler o Expresso no sábado à noite, esforçando-me para não adormecer, e o Público de domingo (grande artigo de Cristina Ferreira sobre o BES!) aos bochechos, mas, enfim, isso é pormenor. Bom, bom, é estar com os meus amores, vendo-os felizes, amigos.

E, com esta conversa toda, já me alonguei outra vez disparatadamente.


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Deixem que relembre: sobre Paulo Portas e sobre o papel dele nisto tudo e, ainda, a propósito do interessante artigo de Vasco Pulido Valente sobre o futuro deste governo, é descerem, por favor, até ao post que se segue.


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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa semana a começar já por esta segunda-feira.


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2 comentários:

Pôr do Sol disse...

Olá Jeitinho,
As crianças são o melhor da vida, mas exigem tanto que esperamos sempre que num parque ou na praia apareça outra criança com o desejo da mesma brincadeira.

Sou uma apaixonada por casas antigas. Existem casas lindas, joias da arquitectura em degradação, por este País fora.
Até doi ver por exemplo na linha de Sintra, casas de Raul Lino ao abandono à espera da ruína total. Quantas vezes sonho que se ganhasse aqueles milhões do jackpot recuperaria muitas dessas casas. Depois haveria de lhes dar utilidade.
Por isso fico contente quando vejo que casais novos pegam em casas antigas e lhes restituem a vida. As suas fotos mostram que mantêm algo do original e fica lindo.
Os meus parabens e melhores votos de que seja um lar cheio de amor e alegria.

Pedro disse...

Isto da família é muito giro, mas eu estaria muito mais interessado em amigas divorciadas, que perderam peso no zumba, com uma certa crise de meia idade, dispostas a fazer pedagogia em rapazes mais novos. Isso sim.