Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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quarta-feira, outubro 08, 2014

Jennifer Lawrence, a bela actriz a quem roubaram a nudez, numa sessão fotográfica onde mostra a sua sensualidade sem mácula. Uma rapariga na terceira margem, aquela onde se escondem os secretos jardins.


No post mais abaixo já desabafei. Sorte a do Crato porque não se cruzou comigo porque eu, quando tenho que as dizer, não as mando dizer por ninguém. Ouvia-as, ai, ouvia-as mesmo. Aquele fulano anda a pedi-las, anda, anda. Devia sair rapidamente do governo e ir para muito longe, para umas daquelas ilhas que ainda não percebi se existem mesmo ou se são apenas um pedregulho no meio do mar com umas quantas offshores a cavalo. Longe, muito longe. Ou então bem podia ir para as Selvagens tomar conta da bandeira e dar de comer às cagarras. Olha, ensiná-las a fazer a prova dos nove. Ou não, capaz de baralhar os animais, destituído como é. Olha, podia arranjar um programa informático para colocar as cagarras. Não, melhor não, senão as cagarras ficavam todas sem casa e sem norte. Olha, ficar a brincar às pedrinhas. Ou, então, podia ir ele e a outra, a que faz de tudo para parecer uma adolescente retardada. Os dois a darem de comer às cagarras. Olha, também podiam entreter-se a montar tendas para os que iriam chegando aos poucos, a cristas que despacha os secretários de estado a grande velocidade, para a albuquerca que no meio desta bagunça toda até consegue passar despercebida, para o vice-irrevogável poder brincar às linhas vermelhas que ninguém pode pisar, para todos, e, em espacial, para o láparo, aquele que larga pêlo e que nem para tal e coiso serve (... enfim, deixem para lá, sabem a anedota, com certeza).

Mas a conversa sobre o Crato é a seguir. Aqui, agora, a conversa é outra.



You are my sister



Antony and the Johnsons




Quando se abrem contas na nuvem (da apple ou da google, por exemplo) e se acede a essas contas num smartphone como o iPhone ou um Samsung (para referir dois dos mais usados), sem que a pessoa tenha bem noção disso, quando tira fotografias pode estar a colocá-las não apenas dentro do seu telemóvel mas, também, nas bases de dados associadas à sua conta e alojadas nessa nuvem.

Acede-se a essas contas (de mail, de espaço de armazenamento, etc) escrevendo o nome do utilizador e a password.

Contudo, para tentar violar essas contas estão aí os hackers.

Uma vez estive num encontro em que, para mostrar alguns cuidados a ter a nível empresarial, nomeadamente no que se refere à vulnerabilidade das redes de comunicações, tinham convidado um hacker do pior que havia. Já nem me lembro da nacionalidade do rapaz, tenho ideia que era alemão. O que sei é que o que ele disse e demonstrou era de arrepiar. Muitas vezes nem é por maldade ou pelo gozo de ver o conteúdo que esses habilidosos violam a segurança de sites ou correio, documentos ou fotografias: é, sobretudo, para ver até onde vai a própria capacidade para rebentar com portas supostamente trancadas a sete chaves.

Pode não ter sido o caso recente dos que violaram as contas de umas quantas actrizes, mas sei lá. Aí admite-se que tenha sido mesmo pelo prazer de sacanear, ou para chantagear, ou para receber uns cobres por parte da imprensa sensacionalista mas, às tantas, foi mesmo para verem até que ponto eram capazes de detectar as vulnerabilidades destes sistemas.

O que penso é que, nem as raparigas deveriam ter bem a percepção de que aquelas fotografias mais íntimas, não estavam apenas guardadinhas e quase invisíveis dentro dos seus telemóveis ou nos dos namorados mas, sim, armazenadas algures numa qualquer cloud. Além disso, obviamente são livres de se fazer fotografar como muito bem lhes apetece, nuas, provocantes, ou vestidas até ao pescoço, como quiserem.

Imagino a angústia destas jovens mulheres quando souberam que fotografias privadas e algumas bastante ousadas andavam a circular por todo o lado, imagino a vergonha perante amigos e, sobretudo, perante a família.

Claro que acabam por criar uma carapaça ou fobias ou, como acontece com tantas, acabam por procurar defesas em drogas ou álcool.

Jennifer Lawrence, a talentosa e sexy menina de 24 anos que já ganhou o Oscar e muitos outros prémios, parece que já mais ou menos conseguiu pôr a infâmia e a humilhação para trás das costas e, como dizem os brasileiros, já entregou para Deus. Mas não deve ser fácil.





E a Vanity Fair deu-lhe uma ajuda, elevando o seu estatuto a capa de revista, a diva, a mulher quase feita, bela, sensual e muito respeitável. A capa da Vanity Fair não é para qualquer uma e, por isso, eis a bela actriz a quem roubaram a nudez, aqui, fulgurante, superior, bem acima da maldade alheia.





Foi Patrick Demarchelier quem fotografou Jennifer Lawrence para a Vanity Fair de Novembro e ela está linda, menina inocente, irreverente e muito sexy, both huntress and prey. Uma bela rapariga a percorrer os sinuosos labirintos da fama.





Rapariga que segura outra ponta da distância, acudo à sua
noite desde a terceira margem, que é a margem do amor.

Nessa margem visito secretos jardins: a flor nocturna que
rego debaixo da sua saia, a orquídea negra que cresce na fenda
dos seus músculos.

Rapariga de cujas pernas abertas a noite se escoa, entro no
seu bosque como a chave nas fechaduras, para me assomar
de novo ao outro mundo.

Não me perguntem o santo e a senha, a chave que abre a gruta
ao seu silêncio, o sésamo do seu coração. Não há palavra que
nomeie esse fulgor.



['Rapariga' de Juan Manuel Roca in 'Os cinco enterros de Pessoa']




Jennifer Lawrence Makes a Splash for Her Cover Shoot - Vanity Fair November 2014






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E por hoje fico-me por aqui. Ando mesmo com sono, podem não acreditar mas ando. Amanhã, ainda por cima, tenho que madrugar. Bolas que ninguém me poupa.

Tantas boas intenções que eu tinha para hoje e nada. Mas os livros podem esperar.




O tempo permanece
Apanhado entre os livros.
Por este prodígio de apreensão,
Heraclito continua a banhar-se
No mesmo rio,
Na mesma página.
Tu continuarás para sempre
Nua no meu poema.


['Arte do tempo' de Juan Manuel Roca, in 'Os cinco enterros de Pessoa', tradução de Nuno Júdice]






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Relembro: deslizem, por favor, até ao post já a seguir para se virem juntar a mim num valente tareão ao sonso do Crato.


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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa quarta-feira.


.....

2 comentários:

Anónimo disse...

Confesso que não me choca absolutamente nada, mesmo nada, que as pequenas (actrizes ou outras “famosas”) cujas fotos foram “sacadas” pelos ditos “hackers vejam as suas fotografias serem roubadas e depois expostas pela globosfera.
Todos os que lidam com estas novas tecnologias sabem muito bem que riscos correm.
Andar a fotografar-se nua, ou nu, e depois guardar no próprio aparelho ou no computador é, hoje em dia, um risco. Sobretudo quando se é conhecida, ou conhecido.
Guardava na máquina fotográfica, ou imprimia algures, ou o Diabo que as carregue.
As meninas gostam de recordar o corpinho nu? Muito bem, então usem a cabecinha (que não deve ter serrim) e tenham cuidado quando as guardarem.
Hoje em dia as pessoas gostam de expor e nesse sentido pagam um preço por isso. É a partilha de fotos de viagens, do neto, dos aniversários dos fifis, dos petiscos que comem no restaurante, das praias onde estão, deles mesmos (as tais “selfies”), do cão e do gato, das suas nudezes, do carro novo, dos beijos que trocam, isto muita das vezes com gente que nunca viram, nem conhecem, nem nunca irão conhecer. Até a nudez é hoje partilhada em “n” “sites”, desses para contactos, da forma mais ousada que se possa imaginar.
Quanto á nudez que é roubada, como digo, é pura incúria de quem assim se pôs a jeito. O mundo hoje perdeu bastante da sua privacidade. Toda a gente sabe disso. E, deste modo, quem não quer ver a sua privacidade violada, não se expõe.
Não verto uma lágrima por essa malta, não lamento, estou-me nas tintas. Têm o que merecem. Quem erra, ou se descuida, paga. E hoje pode pagar bem caro.
Hoje, neste mundo, é o vale tudo para se obter dinheiro. A Sociedade nunca foi inocente, mas hoje ultrapassam-se limites inimagináveis desde aqui há apenas duas décadas. Todos sabemos disso. Quem o ignora e não se precaveu é imbecil e portanto paga por isso.
As meninas gostam de tirar fotos à sua nudez, ou a actos sexuais explícitos e depois guardarem nos seus computadores, tlm, ou outros aparelhos (nas tais nuvens, ou outras tretas)? Para recordarem um dia quando lhes secarem as carnes, coisa natural, pois ninguém caminha para novo (só no tal filme com o Brad Pitt)? Pois bem então acautelem-se! Leio essas notícias e fico espantado com tanta patética indignação das vítimas!
A mim não me passaria pela cabeça filmar os meus actos sexuais, quanto mais guarda-los na tal parafernália desta tecnologia moderna.
Quem anda à chuva, molha-se!
P.Rufino

Mar Arável disse...

Crato?

Um dia falaremos de coisas sérias