Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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segunda-feira, setembro 22, 2014

Teresa Guilherme de vestido com babete dourado ou peitilho ou lá o que é aquilo apresentou a nova Casa dos Segredos. Tudo do pior que há, desde a toilette dela, aos trocadilhos vulgares, à pinta dos concorrentes. Para esquecer. ---- E, por contraste, o tributo a um eterno sedutor, Leonard Cohen, no seu 80º aniversário.



Tinha eu acabado de escrever o post abaixo, um post dividido em duas partes, relativo à tarde na Gulbenkian, quando, instantes depois, recebi um sms da minha filha. Pensei logo que já o tinha lido e discordava de alguma coisa já que tinha presenciado a cena descrita na parte final. 

Afinal era outro o assunto: perguntava-me se já tinha visto o outfit da Teresa Guilherme na casa dos Segredos, e acrescentava que era surreal.


Respondi-lhe que estava na dúvida, que me parecia mau demais. Para falar, teria que ser franca - como sempre sou - e depois lá iam dizer que não tenho compaixão ou que tenho é inveja, piropos que, por vezes, leio por aí. Não é que me afectem, até lhes acho uma certa graça, mas, desta vez, o dito outfit era tão estapafúrdio que até dava dó (e não gosto de falar do que me dá dó). 

Mas depois ela enviou-me outro sms a insistir que era coisa tão indescritível que merecia bem uma referência. E acrescentou que 'já para não falar nos concorrentes, todos iguais, tudo o mesmo look, tão básicos, não se consegue ver mais do que 5 minutos disto'.

Para não falar de cor, deixei-me ficar a ver, vi bem uma meia hora daquilo. De facto, é inenarrável. 


Pensar que está a passar em horário nobre uma coisa que é da ordem do lúmpen televisivo. Os concorrentes apresentam-se como se estivessem dispostos e habituados ao vale tudo, e dizem-se amigos dos seus amigos e meigos às vezes, bombásticos outras e uns gabam-se que têm várias namoradas ao mesmo tempo, elas que são fogo e que ninguém as provoque, e tudo banalidades e insinuações deste género, e a Teresa Guilherme, em cada frase que pronuncia, mostra que se espera deles que se envolvam, que haja zaragata e sexo. Uma chusma de vulgaridades que choca. E choca ver aquela gente toda produzida e contente por ir entrar para uma gaiola vigiada onde serão manipulados, emocionalmente explorados. Uma coisa aterradora e de uma vulgaridade sem limites. Tudo o que é comportamento cívico, cultura, exigência moral, ética, ali é coisa que não existe. Aliás, certamente serão exploradas, sem dó nem compaixão, a sua ignorância, boçalidade, pobreza de espírito. 


Já por telefone, durante a tarde, a minha mãe me tinha dito que já quase que só consegue ver outros canais que não os generalistas, que a qualidade destes se está a esvair a toda a velocidade. Acrescentou, vê tu que até aquela Fanny da Casa dos Segredos, uma que grita muito, que diz muitas asneiras, agora aparece a toda a hora, parece que vai ser repórter do novo programa. 


Fico passada com isto, juro. Tanta gente válida neste País, tanta gente culta que não arranja emprego, que se vê forçada a aceitar empregos menores, que se vê forçada a emigrar, e depois as televisões são inundadas de gente que não estuda, que não quer trabalhar, que tem como único objectivo na vida aparecer nas capas das revistas, fazer presenças, O mal que programas deste tipo fazem à cabeça da camada mais frágil e influenciável da população... é uma regressão permanente, uma vulgarização da boçalidade e da ignorância. Um charco.

Isto a par do empobrecimento decretado e levado à prática por Passos Coelho, do ataque cerrado à cultura e à investigação, só pode fazer mal a este país desgraçado, cada vez mais atascado num lodaçal infecto. 

Claro que no meio disto tudo, o vestido ridículo da Teresa Guilherme é um pormenor. Pode ser boa pessoa, não digo que não, não a conheço, mas presta-se a um papel que não a dignifica, o papel de alcoviteira. Pode até dizer-se que ela é o rosto do que de pior a televisão tem.


Vê isto quem quer, dir-me-ão. Mas a escolha não é muita, especialmente para quem não tem televisão por cabo. Estive a fazer zapping e não há grandes alternativas nos canais portugueses. Além disso, é sabido que programas deste género são um estímulo ao voyeurismo e, havendo um buraco da fechadura à disposição, grande parte das pessoas irão espreitar por ele.

E isto entorpece. As pessoas vão aceitando tudo, tudo. 

Por exemplo, li há pouco que Passos Coelho disse que quer demissões na Justiça. LeioPassos Coelho disse hoje aos Conselheiros Nacionais do PSD que as estruturas intermédias que enganaram a ministra têm de ser demitidas.


E às tantas os papagaios de serviço até aparecerão a elogiá-lo. E, no entanto, eu acho isto uma coisa imoral, estúpida: então o sujeito vai dizer numa reunião do partido que pessoas que trabalham em estruturas pelas quais ele é o primeiro responsável têm que ser demitidas? Isto é próprio de uma pessoa leal, responsável? Não é isto um populismo barato? Não é isto uma falta de ética?
Se achava que demitir as pessoas que andam há tempos a avisar dos riscos da instável manta de retalhos feita de programas informáticos presos com pinças que constitui o Citius, e a quem ninguém deu ouvidos, é a solução para o caos instalado na Justiça, não o deveria dizer reservadamente, junto da ministra em vez de o andar a apregoar publicamente? 

Mas perante tanta e tão permanente mediocridade, tanta banalização da nulidade, já nada parece chocante.


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Quando cheguei a casa ao fim da tarde e o sol caía sobre um rio rosado que reflectia um céu acobreado, estive a fotografar recantos da casa que estavam banhados por essa luz tão doce, recantos onde guardo livros. Queria falar disso, dos meus recantos, dos meus livros banhados pela luz, da vista desta minha janela. E fotografei o rio e o céu.

Depois pus-me a falar da Gulbenkian e agora da Teresa Guilherme e da nova temporada da Casa dos Segredos e, aqui chegada,  já é tarde para começar a escrever sobre luz, livros, recantos. Talvez amanhã.

Mas está a custar-me acabar o dia com assuntos negativos, maçadores. 

Por isso, se me permitem:


Thanks Mr. Cohen, thanks for all the good moments. I'll be here for you, as always
E que me continue a surpreender e a agradar como sempre o fez. 

Leonard Cohen Turns 80


Tributo da CBC





Quando a inteligência e o charme se juntam é um escândalo, uma perdição. 
E o bem que faz à saúde... Quanto mais velho está, mais bonito e interessante está.

Dance me to the end of love, Mr. Cohen.


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Relembro: no post já a seguir falo da minha tarde nos Jardins da Gulbenkian e falo de uma figura pública que lá encontrei e da estranheza que me causou o seu comportamento. 


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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa semana a começar já por esta segunda-feira.

...

5 comentários:

irene alves disse...

Concordo totalmente consigo.

Teresa Guilherme horrivelmente vestida
e os concorrentes, meu Deus!!!
Se isto é um retrato dos jovens do nosso
país.
Quanto a Passos Coelho há muito
se sabe que não teria num pais
normal, condições para ser
Primeiro-Ministro.
Um bj
Irene Alves.

Bob Marley disse...

antigamente era fado e futebol, no tempo dos romanos era os gladiadores. E todos sabemos porque é que isto existe.Passos, Portas , Costas, Seguros etc, não se importam que exista, até dá jeito, no fundo são a mão invisível que fomenta isto. Agora se é para ter sexo em directo, agradecia grandes planos, comprei um monitor MAC.

Anónimo disse...

Medonho, tudo aquilo. Nao vejo, era o que me faltava, mas quem não ouviu falar desses inacreditáveis programas, ou "gramou-os" numa ida a um dentista, veterinario, serviço público, etc, com as TVs ligadas e levou com aquilo em cima? Ou nas revista em consultórios, etc? A boçalidade no seu melhor! E depois espantemo-nos com o sentido de voto dessa malta.
P.Rufino

Pôr do Sol disse...

Não vejo coisas que esta senhora faça desde o primeiro BigBrother.

É lamentavel que se queira dar a ideia de que este é o nivel dos nossos jovens. Não é! Estou convencida de que os faz aceitar aquilo é uns milhares de euros no fim. Mas isto sou eu, talvez porque me faria muito mal se deixasse de acreditar nas pessoas.
Por isso deixei de considerar os politicos PESSOAS e já juntei mais um aqueles desclassificados: A.Marinho e Pinto. Lamento.

Um beijinho e boa semana.

FIRME disse...

Peço desculpa,se me acharem um chaga,digam...A industria das conservas devia ser indemenizada por estas (outrora)beldades...NÃO CABEM NO VESTIDO...! COMO PODIAM SER ENLATADAS,EM CONSERVA? Na ração de combate,nos idos anos da gloriosa guerra colonial,de má memória coletiva,ainda marchavam!!!Agora? Balha-me deuse! Nesse tempo a mulher do nosso melhor amigo,era como 1 bota da tropa :TAMBEM MARCHAVA... AI NÃOE...