Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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terça-feira, agosto 26, 2014

O défice subiu outra vez? A dívida não pára de subir? A economia portuguesa continua intrinsecamente débil? Vai haver novo orçamento rectificativo? Fala-se em nova subida de impostos?... Qual o espanto? Relembro uma citação atribuída a Einstein: insanidade é fazer a mesma coisa, uma e outra vez, e ficar à espera de obter resultados diferentes.


A sério: poupem-me. Estou de férias. 

Peace and love ou, complementarmente, coisas divertidas ou inteligentes - é tudo o que eu tolero. Fora disso, é como se fosse picada por melgas, faz-me brotoeja.






Estando hoje na cidade, já tirei a barriga de misérias do cabo. Conversas com Vida, no ETV, com José Gil. A entrevistadora, Tânia Madeira, ainda não tem tarimba, cinge-se ao guião, faz perguntas ao filósofo que encerram toda uma vida com a mesma ligeireza com que perguntaria se ele prefere água com ou sem gás. Mas, enfim, vê-se que é esforçada: faz-se, é uma questão de tempo. Agora prazer mesmo é ver o ar saudável e menineiro de José Gil. E ver a forma aberta como fala de tudo. Gente inteligente é outra coisa. Dizer que ele abomina o que este governo de atoleimados anda a fazer ao País ou que tem esperança no que António Costa pode fazer pelo PS e pelos portugueses seria reduzir a sua interessante conversa a assuntos mais imediatos. Quem tiver oportunidade de ver a entrevista, não dará o tempo por mal gasto. José Gil vai mostrando, ao longo da conversa, como a vida é feita de camadas, umas leves, superficiais, outras mais irrigadas, outras profundas, sensíveis. Um prazer.




Fim de dia na esplanada Nova Vaga, sobre o mar, numa tarde fresca e boa.
As crianças a brincarem na areia e nós ali a curtirmos a beleza destas praias limpas e imensas
O meu lanche/jantar:
Bebida: Somersby on the rocks; comida: sandes de salmão fumado em pão integral com ovo e alface



Ora, depois de um dia tão bom como o que tive, e depois de ouvir falar uma pessoa com um pensamento tão cristalino, com que disposição posso eu falar dos resultados conhecidos relativos aos primeiros 7 meses do ano? O défice orçamental subiu para 5,8 mil milhões de euros e eu limito-me a encolher os ombros.

Depois de andarem mais de 3 anos sem perceberem as causas da crise, sem perceberem boi do impacto na economia das medidas estúpidas que tomavam, sem perceberem que para se levarem a cabo mudanças em sistemas complexos como a segurança social ou o sistema de pensões não basta dar umas marteladas numas folhas de cálculo feitas às três pancadas, têm mesmo que se efectuar estudos igualmente complexos, sem perceberem que, de cada vez que cortam um euro em alguns pontos nevrálgicos, o que estão é a secar a economia - que outra coisa se poderia esperar das acções de Passos Coelho e Companhia? Fazem os mesmos disparates uma e outra e outra vez  e os resultados são sempre os mesmos - claro.

A dívida pública (que foi a pedra de toque de todo este embuste) está cada vez mais alta e não se vê jeito de descer. Da dívida privada nem se fala (e essa, sim, ó meu Deus, é ainda pior, é mesmo de meter medo ao susto). Do lado da demografia (que devia ser uma das 3 prioridades absolutas de qualquer governo decente), os resultados são os piores e não se vê que, com as medidas que esta cambada leva a cabo, possa tão cedo inverter.

Como pirómanos inconscientes vão incendiando e devastando por onde passam. E, se for preciso, ainda dizem, com cara de pau, que tinha que ser, que o mato é que estava grande e se tiveram que lhe deitar fogo, incendiando a aldeia à volta, não foi porque gostassem, foi mesmo porque TINA.

Perante esta desgraça, um país que se afunda na maior tranquilidade, a oposição está a banhos.

  • O PCP anda envolvido no seu grande projecto de vida, a Festa do Avante. Tirando isso, e tirando influenciar a CGTP a fazer umas grevezecas ou umas manifs inócuas, do PCP não vem mais nada. Muita conversa, muito engajamento, muita motivação mas, marcham, marcham, e não saem do mesmo sítio.
  • Do BE até me dói falar. Coitados. É boa gente - mas coitados. Não atinam. Falam bem mas são daqueles que chocam, chocam, mas dali nunca nasce nenhum pinto.
  • O PS é a pouca vergonha que se sabe. O Seguro acha que foi ungido (e foi, em Congresso) e, mesmo perante o resultado das eleições e das sondagens, ainda acha que o lugar é dele e que dali ninguém o tira. Está a arrastar o PS pelas ruas da amargura e a deixar o caminho livre para os indigentes do governo. Tomara que leve uma tareia daqui por um mês. Se não levar, acho que vou fazer um buraco no chão e enfiar lá a cabeça para não assistir a um PS nas mãos de uma criatura que revelou um lado ainda mais medíocre do que se suspeitava.

Por isso, com o caminho livre para continuarem a fazer porcaria, porque haveriam os resultados obtidos por um governo do piorio de ser diferentes?




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No meio disto o que me intriga é o seguinte: esta passividade bovina dos portugueses é burrice ou é inteligência? Se eu pensar nos portugueses como numa raça de animais, o que revela a forma como se acomodam a toda a espécie de imposições, ditaduras, sacrifícios à toa, ultrajes, indignidades? 

Não sei mas até admito que haja nisto como que uma contenção de esforços, uma forma zen de suportar a vergonha, a violência e a dor. Não sei.

Mas também vos digo, a minha cabeça em férias ainda gosta menos de dar voltas ao bilhar grande do que em tempo de trabalho. Por isso, quanto a isto, estamos falados.


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A música lá em cima era Walk on the wild side. Lou Reed

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2 comentários:

bob marley disse...

"Mas também vos digo, a minha cabeça em férias ainda gosta menos de dar voltas ao bilhar grande do que em tempo de trabalho. Por isso, quanto a isto, estamos falados."

uso a expressão vai dar uma volta ao bilhar grande, quando quero que a pessoa vá para aquele lado-))

Anónimo disse...

A propósito da fotografia e de praias e tanto quanto me lembro de em tempos ter abordado neste seu Blogue as praias algarvias ali perto de Sagres e Vila do Bispo, permita-me umas sugestões que retirei da revista Evasões deste mês de Agosto (se calhar não estou a inventar a pólvora e até talvez já conheça, mas seja) de praias ali perto: a praia de Murração (entre a Carrapateira e Vila do Bispo), a praia do Telheiro (no sopé do Cabo de S.Vicente), a praia da Figueira/Foia do carro (perto de Figueira, junto à EN 125). Em comum, têm o facto de serem praias desertas, pois situam-se em locais de difícil acesso e tem de se andar algum bocado até lá chegar, poucas pessoas ou mesmo quase nenhuma as conhecem, talvez pela tal dificuldade de acesso e estarem bem escondidas. Mas, no final compensa, pois está-se sossegado, longe de gente e de multidões. Cuidado porém, pois como é de prever, não são vigiadas. E implica levar-se uma pequena merenda. Qualquer delas são segredos bem guardados, a ler pelo que as Evasões simpaticamente nos descrevem, sugerindo.
Continuação de boas férias!
Quanto à crise e esta canalha que nos desgoverna, vamos – provisoriamente – esquece-los com a “ajuda” de umas boas amêijoas com coentros, um peixinho grelhado com sal e limão e um bom vinho branco fresquinho. Fiquei a conhecer também, nessa revista, dois vinhos algarvios de qualidade, que desconhecia: o Quinta do Francês, (um vinho distinguido) e o Barranco Longo. Irei provar, um dia destes. Bom apetite!
P.Rufino