Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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quarta-feira, agosto 27, 2014

Noites Quentes - 'A arte é uma mentira que nos faz ver a verdade'


Dia de praia, noite quente e eu aqui com um problema. A revolver os livros em cima da mesa para escolher mais algumas leituras, eis que o provável aconteceu: uma pilha desmoronou-se, contagiou outra, na queda roçaram na pilha que estava em cima duma cadeira e agora tenho o chão, debaixo dos pés, pejado de livros. Claro que poderia restabelecer a ordem mas eu, mesmo nas pilhas provisórias, gosto de alguma lógica e não é à uma da manhã que me vou pôr com isso. Caraças. 

Ainda continuo entrincheirada porque ainda subsistem de pé em cima da mesa oito pilhas e meia. O que vale é que o meu marido acabou de sair da sala, senão bem o podia ouvir. Bolas para isto.

Banksy


E está calor e eu tenho preguiça. Deve ser preguiça isto, deve ser. Chego aqui, vou à procura de algum tema da actualidade que desperte a minha atenção e não encontro. Um tédio.

A política nacional e os seus agentes são maioritariamente medíocres, excrescências espúrias de uma sociedade que rejeita a diferença e a qualidade. Percorro os jornais e o que vejo é uma miséria.

Não são só os políticos. Os jornalistas e comentadores, salvo raras excepções, são medíocres, pouco inovadores, pouco rigorosos, em grande parte contribuem para o embrutecimento colectivo. Insuportáveis.

Gente pequenina. Gente de palha.


Rothko
Li há pouco referência à crónica de João Miguel Tavares no Público. Fui ver. 
Não ia a esperar nada de bom, dali parece que só vem cocó na fralda, conversetas para entreter adultos retardados. 
E não me enganei: atira-se a António Costa por nada, apenas porque gosta de dar que falar. 
Não podendo competir com a Fany ou com o Tony Carreira que à mínima saltam para a capa das revistas (e não o faz porque esse não é o seu ramo de negócios, não que não seja essa a sua vocação), arma zaragata escrita com o que lhe parece que está a dar. 
É a irrelevância em forma de comentador. É ele, o Henrique Raposo e tantos outros que por aí andam a poluir a opinião pública.



Há pouco, antes do desmoronamento, na minha demanda por leituras que me motivem, fui folheando um conjunto de revistas literárias e livros de autores portugueses que ainda não li e tudo me parecia mais do mesmo.

Tenho a televisão ligada e também tenho dificuldade em escolher, só treta, banalidade, repetição, mediania.

Momentos de fractura - em que a luz entra límpida, em que a arte assoma despudorada, em que a música é única, melhor que o silêncio ou os sons inocentes da natureza, em que a opinião é despretensiosa e visionária, em que as palavras são genuínas, únicas - parecem raros.


Richard Krush e Sylvie Guillem


As pessoas parecem ter receio de se destacar, temer a crítica das cassandras ou ficar isoladas perante um coro de agoniados e, então, não se arriscam, limitam-se a repetir o que os outros disseram ou fizeram, ou a fazer bonitinho, ou pretensamente alternativo. Uma seca.

Mas talvez seja este calor que me está a cercear a tolerância. Vou beber um sumo gelado e, depois, em vez de estar aqui a destilar impaciência, vou, antes, partir em busca de qualquer coisa que me estremeça, que me leve.

E, antes, vou voltar atrás no que escrevi e vou incluir imagens, ar puro, rasgos. Podem as imagens não ter nada a ver mas ajudar-me-ão a respirar melhor.


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Banksy's "Artist in Residence" Video para o 18th Annual Webby Awards





To accept his Webby for Person of the Year, Banksy made this video about his Residency in New York City.


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Morton Feldman : The Rothko Chapel




La fin de "Rothko Chapel" pour alto, choeur, célesta et percussions, avec sa mélodie d'inspiration hébraïque, composée par Morton Feldman à l'âge de 15 ans.



Sons brancos 
Como que nascidos
De uma fonte exausta.
Coerência baça
Construção exacta
De um quase nada.
Estranha cor
Que risca o silêncio
Antes de se esfumar
Num sensível
E belo
Arrastar do tempo.


(Joaquim Castilho, num comentário aqui abaixo) 

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Suheir Hammad's Gaza Suite | 4: Jabalya




The fourth poem in Suheir Hammad's Gaza series


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Se eu fosse eu - Clarice Lispector por Aracy Balabanian




"Se eu fosse eu" parece representar o nosso maior perigo de viver, parece a entrada nova no desconhecido. 


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Agostinho da Silva - Salazar, Capitalismo e CEE




"Conversas Vadias" - Entrevista com Baptista Bastos


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PICO

(Performance Indeterminate Cage Opera)




If you took the musical revolution of John Cage, the radical thinking of Marcel Duchamp, and the media anarchy of Nam June Paik, and put them in a blender... the result would be PICO (Performance Indeterminate Cage Opera).



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Já me sinto um bocado melhor: um ar fresco e limpo já passou por aqui.


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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela quarta-feira, e desculpem lá esta impaciência.
Deve ser porque o calor da noite não abrandava.

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7 comentários:

FIRME disse...

Adorei o termo,POLUIÇÃO para definir os arrotos verbais do tal j.m.tavares!Dizem que dá aulas?Sobre o quê? Que escreve livros? Eu prefiro páginas em branco,do JORGE PALMA! NÃ NÃ NÃ...gosto de si !

Joaquim Castilho disse...

Olá UJM!

Como a compreendo! Também eu estou cansado dos Tavares , Raposos e outros seres poluentes da nossa praça comentadeira que já quase deixei de ler. Antes o Morton Feldman com a sua fabulosa Rothko Chapel a quem há tempos dediquei um poema da treta que me atrevo a reproduzir aqui poluindo agora eu o seu espaço de comentários:

Sons brancos
Como que nascidos
De uma fonte exausta.
Coerência baça
Construção exacta
De um quase nada.
Estranha cor
Que risca o silêncio
Antes de se esfumar
Num sensível
E belo
Arrastar do tempo.

Um abraço

Anónimo disse...

Cara UJM,


Felicito-a pela excelência dos seus posts: muito bem escritos, muito bem apresentados/organizados, cheios de uma leveza que não deixa de revelar grande qualidade, sensibilidade.

É um gosto vir aqui fazer "uma visita". Encontrei este blogue por acaso, há dias, e acho-o uma delícia. Também gosto do seu outro blogue, "Ginjal e Lisboa, a love affair". O último post comoveu-me.
Identifico-me bastante com a sua atitude perante a vida (pelo que leio nos seus posts). Também já não tenho paciência para ouvir/ler as notícias com que nos "brinda" atualmente a comunicação social, manipulada pelos "senhores" do costume. Prefiro visitas a blogues interessantes, como o(s) seu(s).

Parabéns e obrigada!

Conceição Teixeira, Matosinhos

Um Jeito Manso disse...

Olá Firme,

Obrigada. As suas palavras são divertidas.

Um abraço.

Um Jeito Manso disse...

Olá Joaquim,

Antes de mais, tenho que me penitenciar. Queria responder ao seu (simpático) comentário no Ginjal e enganei-me: carreguei em 'remover' convencida que estava a carregar em 'responder'. E aquilo apaga logo, não pede confirmação. Agradeço aqui e peço desculpa pela minha troca de mãos. Também tenho saudades de lá escrever em conjugação com poemas, fotografias, músicas. Mas falta-me o tempo e parece que, só com tempo, consigo libertar-me o suficiente para escrever sem saber o que vai aparecer escrito.

Quanto aqui ao UJM, vou colocar o seu poema lá em cima pois encerra o silêncio branco que a aquelas imagens e sons inspiram.

Obrigada, Joaquim.

Um Jeito Manso disse...

Olá Conceição Teixeira,

Muito obrigada pelas suas palavras simpáticas.

Agora que estou de férias parece que ainda menos paciência tenho para as papagaiadas dos senhores que tomaram conta da comunicação social e dos partidos.

Aqui, no UJM, tenho dias, sabe? Uns dias dá-me para tentar fugir desta apagada realidade que é a deste país, outras vezes dá-me para desatar à tareia em alguns figurões, outras vezes dá-me para o bucolismo e, outras ainda, para inventar histórias. Não tenho agenda nem compromissos, faço o que me dá na real gana.

Só espero é que nunca se desiluda mas, se isso acontecer, por favor releve. Como tenho pouco tempo para escrever, sai o que me vem à cabeça sem grande censura interna e, por isso, volta e meia quase piso o risco (e, então, no dia seguinte, lá tenho os meus filhos à perna...).

Obrigada pelas suas palavras.

Um abraço, Conceição.

Anónimo disse...

UJM,
Que delícia ouvir Agostinho da Silva! O que diria ele destes mentecaptos que nos desgovernam, que só têm serrim na tola! Como é que se lembrou dele?
Continuação de boas férias!
Cordialidade,
P.Rufino