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quarta-feira, junho 11, 2014

Teresa Leal Coelho passou-se, certo? Então agora quer pôr os Juízos do Tribunal Constitucional com orelhas de burro, virados de costas, num canto da Assembleia da República? Que é isso de andarem a mijar fora do penico? Ela a pensar que os tinha escolhido a dedo, mentecaptos como o resto da turminha, e agora eles a pensarem pela cabecinha deles...? Ná. Punição! Punição!


No post abaixo já falei do fanico do Cavaco e das reacções vagais que parece que estão na moda. No outro dia, o meu ex-bebé também teve uma e que belo susto nos pregou, minha santíssima.

Mas isso é a seguir. Aqui, agora, a conversa é outra.



Fui agora fazer o meu giro nocturno e dei, ali na esquina, com uma senhora mal-afamada. O sobrenome Coelho já não augurava nada de bom. Não sei se será prima do outro, se quê. Mas, se não é prima pelo lado de pai ou mãe, é parente pelo lado do PSD, essa casa de mau nome.

Li e nem quis acreditar no que lia. A própria Sofia Rodrigues do Público nem devia estar a acreditar no que a Teresa Leal Coelho lhe estava a dizer durante a entrevista a propósito dos juízes do TC. 


A mulher ou estava sob o efeito de alguma substância proibida ou foi instruída para partir para a desgraça. Ou então, provavelmente vendo-se já de partida, armada em madame embaixatriz na movida madrileña, acha que já pode soltar a franga, que já é inimputável, que já vale tudo. Qualquer coisa anormal se passou para ela dizer o que disse. A menos que, como eu ontem referi, estejamos a assistir a um histérico outing ideológico por parte deste PSD descabelado.

Transcrevo:

Próxima de Pedro Passos Coelho, Teresa Leal Coelho leva ainda mais longe do que o primeiro-ministro a ideia de que os juízes do Tribunal Constitucional (TC) devem estar sob escrutínio público. Se não aceitam a crítica, sentencia a dirigente social-democrata e docente de Direito Constitucional, “não têm condições para exercer o cargo”.

Não há um contra-senso na crítica de Passos Coelho à decisão do TC, quando as medidas com mais impacto até foram chumbadas por juízes indicados pela actual maioria?
Quando nós convidámos personalidades para um cargo no TC naturalmente que lhes transmitimos aquela que era a nossa visão e naturalmente que ouvimos também essas pessoas. (...)

Se ouviram os juízes que indicaram e depois o sentido de voto deles foi diferente do que esperavam, o que aconteceu?
Não é tão fácil encontrar pessoas para se candidatarem ao TC, ao contrário do que se pensa. Alguns dos juízes cuja candidatura foi apontada por nós criaram a ilusão de que tinham uma visão filosófico-política que seria compatível com aquilo que é o projecto reformista que temos para Portugal no âmbito da integração na União Europeia. Nós tivemos a ilusão de que esta era a perspectiva dos nomes que candidatámos a juízes do TC. Parece que não passou de uma ilusão.

(...)

Defende uma alteração à forma de nomear os juízes e alterar a inamovibilidade?
Eu defendo a existência de um TC, mas defendo uma maior maturidade política. Defendo que os juízes do TC estejam sob uma avaliação pública sobre o seu pensamento filosófico-político. E que devam exercer as suas funções com total isenção e independência, de tal forma que das decisões não resulte nenhuma avaliação para além dos poderes que lhe foram atribuídos. E, se calhar, temos de ponderar sanções jurídicas para os casos em que os poderes que são distribuídos, incluindo ao TC, são extravasados. 


Leio e releio e fico perplexa. É possível tamanha estupidez? Escolhem os juízes a dedo...? E, se os juízes não fazem o que eles querem, sentem-se no direito de os destratar desta forma? De os ameaçar com sanções? Mas julgam que isto é o quê? A república das bananas? 

Atrás da omnipresente écharpe de Teresa Leal Coelho estende-se, afinal, não um pescoço mal jeitoso mas uma tendência totalitária? Temos uma putativa representante da FN em Portugal?

Mais umas perguntinhas da jornalista Sofia Rodrigues e ainda a Lápara dizia que os juízes do Constitucional estão a precisar é que os atirem para dentro da fornada ou, então, que isto se resolve, largando o vírus ébola no Palácio Ratton. 


Isto está a ficar bonito, está. A gente pensa que vive no meio de gente civilizada e nem nos passa pela cabeça que, justamente, na Assembleia de República ou no Governo, há gente perigosa, gente que deveria ser seguida pelo SIS, gente que, pelo que se vê, não se ensaiaria nada para atentar contra o Estado de Direito que supostamente Portugal ainda é.

Claro que, num verdadeiro Estado de Direito, o Presidente da República chamaria estes extremistas à pedra e dava-lhes um valente chega para lá, avisava-os para terem tento na língua, mandava-os fazer cópias da Constituição, avisava-os para que, num próximo dislate, seriam, eles sim, sancionados, punha-lhes pimenta na língua, mandava-os baixarem as calcinhas e dava-lhes uns valentes açoites no rabo, coisa assim. Mas não. Cavaco Silva limita a sua intervenção a escrever prefácios, de ano a ano, para os seus Roteiros, coisa que ninguém em seu perfeito juízo deve ler.

E, portanto, na maior impunidade, por aí temos todos os malucos e malucas à solta, a desafiar a nossa paciência e a armar baderna por tudo o que é canto e esquina. Raios partam a nossa pouca sorte com gente destas à perna.


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O artigo completo do Público “Se os juízes do TC não aceitam a crítica, não têm condições para exercer o cargo” que contém a referida entrevista a Teresa Leal Coelho pode ser lido aqui. Ver para crer.


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Relembro: para lerem sobre a vagal e presidencial indisposição e sobre uma outra que me assustou deveras, desçam, por favor, até ao post já a seguir. 

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2 comentários:

Ju disse...

Mas que raio de comentário se pode fazer a "isto"?! Infelizmente, não me parece que se tenha passado: sabem muito bem o que dizem e fazem, aliás de forma concertada e "martelante". Ah, e há muito que perderam toda a vergonha

Um Jeito Manso disse...

Olá Ju,

Pois, se calhar tem razão. Mas uma pessoa lê e ouve e ainda nos custa a acreditar. É muita falta de chá e de vergonha.

Obrigada pelo seu comentário.