Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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terça-feira, junho 10, 2014

A aclaração de Passos Coelho e o bonézinho de Paulo Portas. Disparates do primeiro, diz Marcelo Rebelo de Sousa na TVI; e um toquezinho de achincalhamento do segundo pelo primeiro, noto eu ao ver as imagens da Feira de santarém. Mas pena, pena, é, com tudo o que se passa, ter o PS entregue a um leão moribundo (isto segundo a imagem gentil do Prof. Marcelo - que de leão o Tozé tem muito pouco; só se for um leãozinho de peluche) .//// E, para aguçar o apetite, o 1º poema de A MORTE SEM MESTRE de Herberto Helder.


Dá-lhe! Amocha Maria!





Na Feira de Santarém Passos Coelho esteve no seu melhor: 

  • falou de alheiras e dos seus dotes culinários, 
  • fez trocadilhos entre aclarações e clarificações (como se as trapalhadas que rodeiam o tema das 'aclarações' não tivesse partido dele), 
  • continuou a virar o bico ao prego, dizendo que o Governo não podia ser um elemento de instabilidade (como se o Governo não fosse ele), 
  • depois dissertou dizendo que a 'coisa' (sic) de que o país precisa é de previsibilidade (como se o maior fazedor de crises e de provocações institucionais não fosse, justamente, ele),

e, finalmente, 

  • cruzando-se com o vice-irrevogável Portas, gozou com a cara dele perguntando-lhe pelo bonézinho, só faltando tratá-lo por Paulinho das feiras.


Não vi a reportagem até ao fim pelo que não sei se não acabou a jornada a cantar. Não me admiraria de o ver com umas avençadas vestidas à maneira a apimentar o palco, um maçães a fazer de anãozinho engatatão, e ele, imaginando-se a pisar o palco do Politeama, a fazer uma coreografia apimbalhada enquanto, qual tenor, entoava Amocha Maria.

Uma indigência. O Láparo a dizer baboseiras, a Cristas com um sorrisinho amarelo a reboque do chefe, a trupe local do PSD também de sorrisinho afivelado, todos felizes por servir o dono, depois o Portas, assarapantado, sem saber para que lado se virar depois daquele encontro desagradável e a ser amparado por uma alma caridosa: um regime mais caricato que uma britcom daquelas de partir o coco a rir.

Não sei se a Poiazita Madura também por ali andava. Tenho ideia que coisas de Administração Local eram com ele mas não faço ideia. Também achava que ele tinha vagamente a ver com televisão e afinal já descurtiu e largou o tema.


Pensando bem, também não sei que é feito do Lombinha dos Briefings. Terá debandado? Às tantas, aos poucos, já foram abandonando o barco. Quando dermos por ela, estão já todos em casa, de papo para o ar e a receberem o ordenado sem terem que largar o sofá.

Isto das Feiras também deveria ter a ver com Economia. No tempo do Álvaro dos Pastéis, ele andava pelas feiras a ver se dinamizava os natas. Agora este Pires de Lima, desde que entrou para o Governo e se deixou de cruzadas em prol da economia real e o escambau, perdeu o gás todo. Isto, às tantas, se não dá para vender cervejas, também não está nem aí.

Em tempos também por lá houve um olharapo, um que era de tipo emplastro que aparecia sempre pregado ao ombro dos personagens principais. Depois deu de frosques e também não deve ter sido substituído. Inovação o caraças, que isto é preciso é sacar-lhes a massa toda, ó trabalhadorzinhos badamecos, deve ser a filosofia de vida finalmente assumida pelo regime passista. Cá para mim, estamos a assistir ao outing ideológico do Governo. Saíram do armário. Salário mínimo, concertação, inovação e outras tretas...? Ora, vão-se catar. Deve ser esta a doutrina do Láparo quando faz aquelas reuniões de Conselho de Ministros em que, no fim, aparece aquele - como é que ele se chama? (agora não me lembro) -  com ar de zombie, a dizer banalidades, como se não se tivesse passado nada. Não pode é dizer, coitado. Ou, então, tem vergonha. Pudera. Imagino o que deve ser aquilo.


Sobrou a Cristas, coitada, que deve ser tirada do ministério quando é preciso alguém para aparecer em público e que não faça ondas.

Assim como assim, costuma portar-se bem: não abre a boca e faz aquele sorrisinho de leitãozinho mimoso e estaladiço.


E assim andamos.


Os indicadores revelam a economia em queda, as exportações em queda, as importações em alta. A dívida, claro, sempre a subir. Um desastre em toda a linha. Ao fim de três anos não há nada que se aproveite. Deram cabo de tudo. 

Nada que qualquer pessoa com dois dedos de testa não previsse desde o início. 


Marques Mendes já nem consegue disfarçar, passa-se da tola, nunca viu tamanhos burgessos. Manuela Ferreira Leite goza, desafia-os, range os dentes, só não não se recusa a falar de tão estúpidas criaturas porque é paga para comentar e não tem outro remédio senão sujar a boca com assuntos tão estragados. E Marcelo Rebelo de Sousa até se esquece que aquela gente provém do PSD e afinfa-lhes com uma força que até deve fazer tremer os cristais da cristaleira do Tozé (esse doce opositor do Láparo).

A verdade é que Passos Coelho e a sua entourage não estão apenas a fazer o País em cacos: estão a fazer o mesmo ao PSD. No fim desta mariolice, o partido fica um coito de caciques e pouco mais. Quem tem um mínimo de instrução e bons princípios fala de Passos Coelho como de um bicho sarnento.

Voltando ao Prof. Martelo: já foi no domingo e isto são tão umas a seguir às outras que a coisa rapidamente sabe a requentado. Mas, pró-memória volto à cold cow. Marcelo Rebelo de Sousa, ilustre professor de Direito, não foi meigo ao falar de Passos Coelho. 


O pedido de aclaração ao Tribunal Constitucional, por parte do Governo, “foi um disparate e um erro de direito”, defende Marcelo Rebelo de Sousa. 


“Pergunto como é que ninguém não sabe de direito naquele Governo. Achou que ainda estava em vigor, que se aplicava uma lei, que ele próprio tinha mudado”, lembrou. 


No habitual comentário dos domingos à noite, na TVI, o professor universitário critica ainda as palavras de Pedro Passos Coelho sobre os juízes do Palácio Ratton. “Agora vem queixar-se, o líder do PSD, de que foram mal escolhidos, não foram escrutinados, nem controlados. E de quem é a culpa? Dele, que estava distraído, que não fez o trabalho de casa: ele e Paulo Portas. Portanto, não se queixe duma asneira que que fez no passado”, aponta. 




Ui que até a mim me dói.

&



Um Governo, um Presidente, uma maioria. O melhor dos mundos.
(O pior são os actores - digo eu)


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Face a isto, what...? 

A oposição arrasou estes artistas? Demonstrou, preto no branco, que cambada maior nunca se tinha visto? Que são piores que os da vermelhinha? Que enganaram os eleitores para depois os deixarem lisos? Que depois de sairem do pedaço não ficará pedra sobre pedra?

Eu esclareço: nada a saber.

Face a tamanhos desconchavos, o putativo novo animal feroz, o self-anulated Tozé, the so called Zero Man,  parte para a desgraça, oposição à séria, parte tudo, rebenta com eles, mata e esfola.

Isto é: pôs um post no facebook a dizer que a culpa desta gaita toda, leia-se 'das intenções de voto no PS voltarem a cair' é do Costa, esse estupor. Temos homem.


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As imagens são, como é óbvio, do talentoso e inspirado We Have Kaos in the Garden. A fotografia do ex-olharapo também é capaz de ser obra do Kaos.

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A banda sonora desta pornochanchada é 360 Amocha Maria numa requintada interpretação do Vira Milho.

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[A esta hora está a D. Cavaca a pôr as medalhas de molho para o maridinho as pôr ao peito destes artistas numa próxima comemoração: pelos altos serviços, ah pois].

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PS: Já cá tenho o livro do Herberto Helder e já o andei a passear pela casa numa produção fotográfica. Não sei se ainda me atire a isso agora ou se deixe para amanhã. 

Às tantas isto é conversa a mais para um mesmo dia, não é? Devo dar-vos com cada seca que, só de pensar nisso, fico assustada.

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Volto aqui para dizer que, depois de ter estado a responder a comentários, dei por mim sendo já quase 2 da matina. O costume. Por isso, fica resolvido o meu dilema sobre o novo livro do Herberto Helder: fica para amanhã.

Mas, para não parecer mal educada - estive para aqui a aguçar o apetite e agora saía de fininho - deixo-vos com uma fotografia do dito, envolto numa recriação do papel de embrulho com que costuma forrar os livros, e junto a uns anjinhos que tenho num recanto do meu quarto. Não sou dada a santaria mas acho um piadão a anjinhos.

E acrescento, para vossa orientação, o primeiro poema do livro. Herberto Helder em grande estilo.



nunca estive numa só linha a tão vertiginosa altura,
oh Anjo Príapo, oh Nossa Senhora Côna!
quando nos vimos nus um em frente ao outro,
em nossa primeira noite nos começos do mundo,
numa pensão rasca de um bairro de quinta ordem,
o putedo sai que entra pelos quartos à volta
- peço por isso que um qualquer erro de ortografia ou 
                                                                          sentido
seja um grão de sal aberto na boca do bom leitor impuro.

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E agora, sim: desta é que é. Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo Dia de Camões! 
Ide em paz e que a poesia vos acompanhe.


9 comentários:

Vitor Gomes Freire disse...

" Secas " assim , que as possamos têr , todos os dias, estimada UJM !

Mais um assertivo e vibrante " post".

Muito Bem !

Com os melhores cumprimentos, votos de um Bom Feriado .

Vitor

bob marley disse...

alguém conhece uma perfumaria que venda este perfume (geralmente na capital há de tudo) - http://www.victorinox.com/ch/product/Fragrances/Category/Discover-Swiss-Army/Swiss-Army-Collection/Forest/Swiss-Army-Forest-Eau-de-Toilette-100ml-3-4oz-Spray/40754

em tempos usei o altitude, depois nunca mais encontrei.
caso conheçam podiam deixar aqui o contacto

Anónimo disse...

Saindo agora daqueles outros temas mais íntimos, e acompanhando-a UJM, só dá mesmo para dizer que com este governo é só peripécias. E com este Presidente da República. Hoje deu-lhe para desmaiar. (Já estão no youtube imensos vídeos com o episódio, é fantástico: http://youtu.be/H_io6q44XWM). E já não é a primeira vez: http://youtu.be/ZYFZSK0fVIs

Abraço,
JV

jrd disse...

Post pré-fanico.
Ainda bem, porque se me vissem a rir ainda eram capazes de pensar que eu me divirto com os "vagais" do professor Aníbal.

Um Jeito Manso disse...

Olá Vítor,

Muito obrigada. Fico aliviada... É que até a mim, quando chego ao fim e quero rever antes de publicar para ver se não troquei letras ou pontuações e vejo tudo o que escrevi, me falta a vontade de voltar atrás e ler aquilo tudo... Ainda por cima, como acabo já perdida de sono, é tarefa que não me atrai mesmo nada. E fico a pensar: se até a mim me falta a paciência, fará aos meus sacrificados Leitores...!

Por isso, muito lhe agradeço a s suas palavras!

Um bom dia para si!

Um Jeito Manso disse...

Bob,

Que gosto tão específico... Uma coisa mesmo rara, hein...?

Nunca ouvi falar mas deixe estar que, na próxima que entrar numa perfumaria, irei ver se descubro.

Um Jeito Manso disse...

Olá JV,

Pois, coitado. Sobre isso falei num post autónomo. Essas coisas são terríveis mas, felizmente, ao que parece, nada graves.

Não gosto politicamente do homem, mas, pensando nele apenas como pessoa, desejo que não lhe volte a acontecer. Deve ser uma sensação um bocado angustiante.

Um Jeito Manso disse...

Olá jrd,

Pois, escrevi-o na noite antes do fanico suceder. Dados os personagens em jogo, ou a gente arrepela os cabelos com o que fazem ou se rebola no chão a rir. Eu balanço entre os dois estados de espírito. Encarar o que fazem com indiferença é que não consigo.

Contudo, para a saúde e até para prevenir coisas vagais, acho que mais vale rirmos.

Um abraço, jrd!

bob marley disse...

por um lado é porreiro ver a malta a tentar perceber que fragância é , e o principal motivo é por causa das enxaquecas da cara metade, não pode ser qualquer um.