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quarta-feira, maio 21, 2014

O Senhor Bacalhau, o Coisinho Rangel e o Secretário de Estado que quer exportar velhas - coisas cómicas em tempos de campanha eleitoral


Volto a assumir: não sou assídua no acompanhamento da campanha eleitoral. Mas, de cada vez que vejo, ouço ou leio qualquer coisa relacionada com o assunto fico mais desgostada. Ou perplexa pelo estado a que isto está a chegar.

No trânsito, volta e meia fustigo-me e forço-me a ouvir qualquer coisa. Aqui, quando olho para a televisão, volta e meia, mesmo sem querer deparo-me perante o mesmo espectáculo. Na internet a mesma coisa.

Esta terça feira ouvi aquele pobre infeliz, o Rangel dos Três Cabelos, com ar de galinha mal depenada, a dizer que o vice-Portas é o Senhor Bacalhau. 


                                                               Já em tempos uma senhora chamou cherne ao marido e a coisa pegou. De facto, a coisa aplicava-se-lhe. 

Agora talvez esta do bacalhau também não fique mal ao vice Portas. A precisar de uma bela demolha, lá disso está o ex-irrevogável dos pensionistas a precisar.


Agora, vejo as fotografias da cena. 

Os dois de touca na cabeça, o vice na sua praia, a armar folguedo, a dizer aquelas suas tiradas, histriónico, disparatado, espalhafatoso, a imagem daquilo que a gente quer longe. 

Política não é isto e ele ainda não percebeu.

O outro, enfezado, pequenino, os três cabelos presos na touquinha, a reboque dos outros, sempre armado em virgem, ou vai confessando a sua ignorância (nem distingue o carapau da sardinha, o pobre) ou vai tentando armar baderna mas coitado nem isso consegue, tudo aquilo soa a histeria apalermada.

Não sei onde é que estes infelizes pensam chegar. 

Tirando isso, a gente da coligação de direita continua obcecada no Sócrates, paranoicamente fixada no ex-primeiro-ministro, o que só revela a falta de ideias próprias de que padecem. Praticamente sozinhos, rejeitados por toda a gente, são o exemplo acabado de quem não é bem vindo em lado nenhum.

Chega a dar pena. Mas, sabendo o mal que as políticas desta gente tem causado à população, temos que evitar este sentimento de comiseração. Vão dar umas belas imagens quando se quiser fazer o best of relativo aos tesourinhos deprimentes desta campanha - e é nisso que temos que pensar quando os virmos, rua fora, abandonados, insultados por toda a gente. A história se encarregará do resto.

Em contrapartida, depois de chegar a casa tarde e más horas, apanhei, enquanto jantava, o Ricardo Araújo Pereira no seu É melhor do que falecer. Hilariante. Hilariante a parte em que faz de Secretário de Estado para o Crescimento e mais não sei o quê a ser entrevistado para a televisão e a dizer que acha que se deve passar a exportar velhas. 


Perante o espanto do entrevistador (o sempre impagável Miguel Guilherme) e de uma outra entrevistadora, com o ar bimbo que caracteriza alguns dos Secretários de Estado do Governo do gajo que mora em Massamá (sic), lamentou que toda a gente estivesse sempre contra o governo. Faça-se o que se fizer, nunca gostam, dizia ele. Contou que até podia propor congelar as velhas como se fez às pensões, ou proceder à sua salga, mas não, apenas se propõe exportá-las, já que cá não fazem falta, só dão despesa, estão para aí a mamar pensões, talvez até se faça ainda algum dinheiro com elas.


De facto, até podia ser verdade. Não fora a coisa estar a ser aplicada na realidade, tudo o que tem saído da cabeça do Governo do ex-Doce de Massamá e do vice-Irrevogável é tão estúpido que até quase dá vontade de rir - quase se confunde o que diz a malta do governo e os humoristas que os imitam.

E eu, para concluir, só pergunto: não dará para se exportar gente desta para aquele Palop onde as pessoas não falam português? Parece que, por lá, gostam de tenrinhos assim.


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1 comentário:

Anónimo disse...

Confesso que também não tenho seguido esta campanha. Não tenho pachorra. Achei, todavia, muito mal (inaceitável) que o Costa se tenha prestado a ser utilizado pelo sórdido do Vieira do Benfica aquela cena demagógica e popularucha do Benfica na Câmara e os adeptos no Largo. Rui Rio nisso tinha razão, nunca misturar política com futebol. Nunca. Pinto da Costa fazia isso com o patife do Gomes (quando era presidente da Cãmara do Porto). Ao que se chegou! Aquilo em Lisboa enojou-me! Detesto este tipo de demagogias fáceis, de aproveitamentos sujos e populistas, como o que se assistiu. Foi conveniente para o Benfica e para o PS /Costa. Mal, muito mal! Uma vergonha. E a populaça achou bem, como acha bem a Palhinha aos saltos com a passarinha à mostra. O futebol no seu lugar, a política noutro.
P.Rufino