Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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sábado, abril 19, 2014

Amar, viver ou usar o telemóvel? [E os extraordinários MOBILE LOVERS de Banksy].


Só consigo publicar aqui hoje qualquer coisa porque grande parte do que vão ler estava já escrito. Tal como ontem referi, estava eu lançada a escrever isto quando vi que tinha morrido García Márquez. Assim, deixei isto por terminar e resolvi falar da impressão que ele deixou em mim. Uma pessoa avalia melhor se gosta mesmo de outra pessoa pela impressão que ela deixa em nós. 

Os meus quatro pimentinhas
na fase em que ainda estão a brincar sossegadinhos
com baldinhos, pás, escavadoras, etc.

Se quisesse escrever de raiz qualquer coisa, acho que não seria capaz. Quando está toda a gente junta e há refeições (e se esta gente come...!), idas à praia pelo meio com lanches arranjados para comer lá, banhos no regresso, jantar, arranjar camas, brincadeiras e risos e saltos e brigas e abraços e mil coisas pelo meio, e chichis e cocós e histórias e mais outras histórias e leite ao deitar e lavar dentes e sei lá que mais... chegar  ao fim do dia mentalmente capaz é milagre.



Abro um parêntesis para vos mostrar o que aconteceu quando, depois de assistirmos de perto à recolha das redes (a arte xávega da Caparica é uma coisa que dá gosto ver), estávamos junto aos pescadores e às suas mulheres (ou pescadoras?) que estavam a separar o fruto da pescaria por espécie, e, por vezes, logo ali fazendo a venda. os miúdos deliram com aquilo, tractores gigantes, barcos de pesca, redes, peixes aos saltos. Uma festa.
Pois bem. No momento em que a mulher aqui à esquerda pegou num choco ou numa lula, não reparei no que era porque o caixote continha ambas as espécies, o animal deu-lhe um salto na mão, parece que insuflou e cuspiu um inenarrável jacto de tinta preta. Não se percebe de onde veio tanta tinta. Tudo à volta ficou pintado. Impressionante. O delírio.
Se amanhã conseguir faço um post com as imagens das redes a saírem da água com os pescadores a puxarem-nas e depois do peixe recolhido a irem, de novo, para o mar. 

Bom. Agora já quase toda a gente dorme nesta casa e amanhã é outro dia que tal e mete passeio e almoço meio arranjado antes da abalada, pelo que, em vez de ficar a dormir e a restabelecer-me até ao meio-dia, vou ter que me levantar cedo. 

Ler o Expresso, claro, é mentira. Tenho esperança que, depois de escrever isto, ainda consiga deitar-me e ler um pouco mas temo que não passe da primeira linha.

Ora bem. Depois desta introdução, vou então continuar o texto no ponto em que o tinha deixado.

____


Aqui agora falo de um fenómeno bem contemporâneo: a dependência absoluta das comunicações em tempo real. Não sei como antes sobrevivíamos sem telemóvel. Agora, a todo o momento combinamos, avisamos de atrasos, remarcamos combinações. Antes, como o fazíamos?

Penso que já aqui uma vez contei uma coisa terrível que uma vez me aconteceu.

Estava em Londres com dois colegas. Quando terá sido isto? Parece que foi no tempo dos dinossauros mas, se eu puxar pela cabeça, sou capaz de situar isto lá para meados dos anos 90. Estava no Cumberland Hotel, em Oxford Street e quis ir às compras enquanto eles foram laurear para outras bandas.

O que me aconteceu não foi nada de extraordinário mas a sensação de tragédia iminente sem ter como fazer o que quer que seja por não ter forma de os contactar, ainda hoje não me sai da cabeça. Não conto aqui para não me repetir mas, se seguirem o link, poderão perceber.

Também já contei como uma vez se me rebentou um pneu e fui pela Segunda Circular a armar confusão porque me tinha esquecido do telemóvel em casa e não tinha como avisar quem quer que seja.

De resto, não sou viciada mas vivo rodeada de pessoas que escrevem nele até de olhos fechados e por todo o lado vejo pessoas a auto-fotografarem-se, as famosas selfies. Uma coisa ridícula. Creio que seja para porem no facebook a mostrarem onde estão.

De qualquer maneira, por causa dos mails, já é frequente em mim, quando aquilo dá um toque, ir ver o que é. Na quinta feira, à hora de almoço, não sei o que aconteceu: recebi incontáveis mails (e estou a referir-me apenas a mails profissionais).

No outro dia vi um vídeo que retrata bem esta dependência. As pessoas parece que preferem comunicar-se remotamente do que desfrutarem da companhia de gente de carne e osso. Uma coisa estranha.


I forgot my phone





Mas a que propósito vem toda esta conversa? - talvez se estejam vocês a perguntar.

Conto-vos. Li uma notícia deliciosa como deliciosas são sempre as notícias que se referem ao meu muito admirado Banksy.


Mobile Lovers - Banksy

Se me permitem, transcrevo parte da notícia do Público:

Não se sabia qual o lugar da mais recente obra de Banksy até terça-feira, quando foi retirada. Mobile Lovers estava em Bristol e foi removida com um pé-de-cabra pelo director de um projecto para jovens rapazes e que tem a sua sede perto da parede que Banksy pintou, noticia a BBC. A peça está agora guardada num museu de Bristol.


No lugar do graffito apareceu na terça-feira, um dia depois de ter sido confirmada a sua autoria, uma cópia impressa e ao lado uma nota que dizia: “Era aqui que estava a obra de Banksy. Foi retirada porque corria o risco de ser danificada, vandalizada ou roubada. Como sabem, o Riverside Youth Project [projecto para jovens] que fica à vossa esquerda está em risco de fechar por falência. Podem ver a obra de arte no nosso edifício onde está guardado a salvo de danos! Pedimos que contribua com uma pequena doação se pretender ver a obra. Não hesite em aparecer!”

Mobile Lovers foi levado quarta-feira à noite pela polícia para o Bristol City Museum and Art Gallery, depois de ter permanecido na sede do Riverside Youth Project, onde se pedia uma ajuda para a associação a quem quisesse ver e tirar uma fotografia com o graffito – pedido correspondido por alguns visitantes.


Dennis Stinchcombe, director do clube de rapazes, disse que, correndo o risco de ver o seu projecto social fechar, não podia desperdiçar a oportunidade de ganhar cerca de 100 mil libras (cerca de 121 mil euros), de que precisa para fazer sobreviver a sua associação frequentada por mil jovens todos os meses, segundo o jornal britânico The Guardian. “Acabámos por ter um Banksy à nossa porta. É um sonho tornado realidade. Se não o tivéssemos retirado, alguém o teria arrancado da parede ou vandalizado.” Desde que revelou estar na posse de Mobile Lovers, Stinchcombe diz já ter recebido uma proposta de um milhão de libras, mas também ameaças de morte por ter retirado a obra da rua.

Sem dizer claramente que se trata de um roubo, George Ferguson, presidente da câmara de Bristol, disse que a atitude de Stinchcombe foi imprudente e que devia certificar-se de que está dentro da lei. “Tenho a certeza de que a pintura nos pertence [à cidade]”, disse à BBC. “É importante que esteja acessível para que toda a gente a possa ver. Acredito que a arte de rua pertence à rua, mas entretanto recuperámos o graffito e está nas mãos da polícia.”

 A espantosa notícia pode ser lida na íntegra no Público. Banksy sempre a surpreender e a dar cartas. Love, love. Banksy is my hero.

________


E, agora que finalmente acabei o texto e que já mal me tenho acordada, vou ficar por aqui e desejar-vos, meus Caros Leitores, um belo sábado.


8 comentários:

Bob Marley disse...

lá está, se a malta fosse como eu, era uma obra futurista, troquei o meu velhinho noutro dia por um nokia 108, por ser o mais parecido,com o 3310.

no entanto vou praticando php, htlm,css,sql e mysql

e segurem-se, tudo num pentium 4.

dá-me para coisas velhas, mas como as caixas multibanco usam software de 20 anos, devo estar no bom caminho

e não pago internet-))

Bob Marley disse...

e depois é uma questão de criar uma imagem ou de educar as pessoas, quem envia-me sms, já sabe que não tem resposta.tenho os dedos grossos e não tenho paciência para o touch

tlm=falar

Bob Marley disse...

http://www.ted.com/talks/louie_schwartzberg_hidden_miracles_of_the_natural_world#t-23847

Bob Marley disse...

PARA NÃO ANDAREM A FURAR AS PAREDES PARA LEVAR O CABO A VÁRIAS DIVISÕES DA CASA, E SE TEM DESKTOP (NÃO PORTÁTIL), ENTÃO PODEM USAR ESTA PLACA DE REDE - http://www.newegg.com/Product/Product.aspx?Item=N82E16833320136


E USEM ESTAS ANTENAS - http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-543647457-antena-8dbi-omnidirecional-tp-link-tl-ant2408cl-_JM

É A CHAMADA INTERNET WI-FI QUE PARECE CABO, CLARO, PARA USAR COM OS VOSSOS ROUTERS-)))

Bob Marley disse...

hoje li que uma junta de freguesia foi palmada em 4700 euros pela internet. Ahh , isso só acontece aos outros, pensamos nós.Piratas inteligentes? Não, facilitamos

Por isso, usem sempre um teclado virtual, para digitar password´s ou informação confidencial e copiem e colem- http://gate2home.com/Portuguese-Keyboard

quem joga pela internet, scml, consegue, usar o real?não.então porque será?

e para o caso de esquecer o teclado, ter uma 2.ª barreira , este software, encripta o que se digita no real- https://www.qfxsoftware.com/download.htm

a versão livre serve, mas melhor usar o virtual

Olinda Melo disse...


Cara UJM

Gostei de ver os seus pimentinhas aqui em plena natureza, ao pé do mar, em contacto com a arte xávega, matéria que já tive o prazer de ver tratado num post seu.

A dependência dos telemóveis e de tecnologias afins é um facto, já não há nada a fazer...

'Bom' estratagema retirar a obra da rua...mas, será legal?

Desejo-lhe uma Páscoa muito bem passada ao lado dos seus meninos, grandes e pequenos. :)

Bjs

Olinda

Anónimo disse...

Um a Páscoa feliz

http://www.youtube.com/watch?v=kZBOSbGf9aY

GG

Um Jeito Manso disse...

A Todos,

Andei tão sem tempo que nem consegui agradecer e retribuir os votos de boa Páscoa e as palavras simpáticas.

Não sou de dar muito significado a estes momentos do catolicismo mas foi no catolicismo que me criei e, portanto, não sou alheia.

Mas, para mim, Páscoa é aquela força que nos faz acreditar que há sempre esperança e que vale sempre a pena lutar. E, por isso, é de muito bom gosto que me junto aos votos e à lembrança daquilo que a ela associo. E, assim sendo, que a vida renasça em cada dia e que tenhamos esperança enquanto tivermos vida.

Um abraço a todos.