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sexta-feira, setembro 30, 2022

A ferocidade e a hipocrisia destes criminosos

 

A Rússia prepara-se para decretar a anexação de regiões ucranianas e, com mais este movimento no sangrento tabuleiro de xadrez de Putin, a guerra sobe mais um degrau na escala da severidade do risco para a humanidade.

Os crimes, monstruosos, são múltiplos, imperdoáveis, e as mentiras para os justificar são constantes, inacreditáveis, absurdas.

O que acontece diariamente é impensável, de um mal que parece infinito.


























A destruição é inexplicável, arrasadora, a dor das pessoas é imensa, profunda. A imagens que nos chegam das mais diversas fontes são provas irrefutáveis da extensão e intensidade dos crimes que diariamente são praticados pela Rússia em território ucraniano. As fotografias que aqui mostro são algumas das muitas da Reuters e tive o cuidado de não mostrar as mais sensíveis como, por exemplo, a que mostra uma criança no caixão. 

O que Putin está a fazer na Ucrânia não tem justificação nem pode ter perdão. Um dia, que espero que não seja longínquo, isto há-de ter um fim e o direito internacional voltará a ser respeitado, as fronteiras do país que hoje está a ser objecto da maldade absoluta de um pcicopata assassino voltarão a ser repostas, o país será será reconstruído e os sobreviventes poderão voltar a viver em paz e liberdade no seu próprio país. Não tenho dúvida. Todo o mal, mesmo o que parece infinito, se esgota depois de devorar os que o praticam. 

Tal como temos que manter viva a memória do nazismo e do fascismo, também deveremos manter viva a memória do putinismo. Temos que saber detectar os sinais mesmo quando apenas ainda germinam dentro dos ovos das serpentes, temos que saber impedir que floresçam e ganhem força para levar a cabo as campanhas massivas de desinformação e os genocídios que sempre levarão a cabo desde que a tal não sejam impedidos. 

Não podemos esquecer-nos do que está a acontecer. Não podemos perdoar nem esquecer.

Nem podemos esquecer-nos dos parasitas da maldade, aqueles vermes que sempre vivem no lombo das bestas, que não são capazes de se demarcar deles preferindo disfarçar a sua ligação afectiva aos criminosos repetindo as farsas que estes põem a circular, nomeadamente chamando a atenção para as consequências de não rendição. Os cobardes e os pérfidos apelam sempre à rendição dos agredidos, andam de rastos pela lama quase pondo as culpas pelos dramas da guerra nas vítimas.

Muitos milhares de russos têm estado a demonstrar a Putin e ao mundo que se demarcam da política criminosa do Kremlin. Quer através da fuga, quer através das manifestações, muita gente tem mostrado que lhe corre nas veias a coragem e o gosto pela democracia e pela liberdade. Acredito que mais corajosos apareçam e que consigam travar Putin. Quero acreditar nisso. Quero muito acreditar nisso.

Não quero acreditar que estejamos perante um risco real de uma nova guerra mundial. 

'Utter ferocity': See the devastating scene in a newly-liberated Ukrainian town

As Ukrainian forces make further gains in the eastern region of Donetsk, CNN's Nick Paton Walsh reports from a newly-liberated monastery town in the region, where local residents spent seven months underground while Russian forces occupied their homes.

sexta-feira, abril 22, 2022

A história da velhinha e dos escuteiros explicada ao PZP

 

Tenho-me lembrado desta adivinha a propósito do negacionismo e da inacreditável posição do PZP a propósito da invasão e da destruição da Ucrânia por parte da Rússia.

Pergunta: Porque é que são precisos pelo menos seis escuteiros para ajudar uma velhinha a atravessar uma rua?

Resposta: Porque a velhinha não quer atravessar a rua.

Os comunistas têm engendrado a mais inqualificável narrativa para defender os actos criminosos de Putin: que os ucranianos também foram uns filhos da mãe com os russos na Crimeia, que os ucranianos é que provocaram a guerra querendo aderir à UE e à Nato. Sei lá.

Ou seja, os comunistaz portugueses parece que ainda não perceberam uma coisa: os ucranianos não querem deixar de ser ucranianos, não querem ficar sob o jugo russo. N-ã-o   q-u-e-r-e-m!

Os ucranianos são cidadãos de um país que se quer independente e livre e, como tal, querem ter o direito a decidir como entenderem e a fazer o que querem dentro das suas fronteiras.

Se os russos, a mando de um criminoso, pensam o contrário e, contra todas as normas do direito internacional, invadem a Ucrânia, os ucranianos têm todo o direito a defenderem-se como podem. Poderiam defenestrar os vendidos, os miguéis de vasconcelos e os pachecos desta vida, poderiam correr com os invasores à espadeirada, poderiam ser como a nossa padeira de Aljubarrota ou como a valorosa Joana D'Arc -- e, se calhar, têm feito um pouco de tudo isso. Perante as mais tenebrosas ameaças, há quem tenha a coragem de fazer o que pode para defender o país e a liberdade. E felizmente há heróis que, perante os golias, continuam a lutar, a dar a vida até à última pinga de sangue pelo seu país.

O nosso PZP não percebe isto? Não percebe que os ucranianos querem ser ucranianos e querem ser livres?

O que advoga o PZP? 

Defendem que os ucranianos deveriam ter-se deitado no chão para as tropas de Putin passarem por cima? Que servissem cafezinhos aos russos? Que se pusessem todos à janela a acenar com lencinhos brancos para receber os invasores? Ou o PZP acha que quem fale russo deve ser russo? É isso?

Felizmente não falo russo senão ainda seria condenada pelo PZP se me defendesse (apedrejando os bandidos ou fazendo o que estivesse ao meu alcance), caso os russos resolvessem destruir-me a casa ou dar-me tiros à queima-roupa por eu não querer ser russa.

Pasmo com isto. Estou muito desiludida com os nossos comunistas. Nunca pensei assistir a isto. Tinha-os, globalmente, em relativamente boa conta. Um bocado (ou bastante) politicamente autistas mas, ainda assim, gente de boa cepa.

Agora, com as cobardes e hipócritas posições que os vejo a tomarem, já ponho toda a minha ideia sobre eles em perspectiva. Acho até que quem assim pensa é gente perigosa. Aparentemente serão os primeiros a render-se e a vergar caso o país seja invadido e agredido, serão os primeiros a trair os mais sagrados valores da democracia. E, pelo que tenho observado -- vendo-os a usar os argumentos mais insanos e vendo a agressividade que usam na sua argumentação -- até admito que seriam capazes de denunciar aos russos todos os que não se vendessem ou não fossem alistar-se nas milícias pró-russas.

Caraças. 

Como é que não percebi antes que era gente capaz de tanto ódio à liberdade e tanta submissão perante a tirania?

Desonram o seu passado. Desonram os que deram a vida pela liberdade. 

Não serão todos, acredito. Acredito que muitos se desliguem do partido. Acredito que muitos, por honrarem o seu passado, se demarcarão do que o PCP hoje representa.

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Os desgraçados que se vêem nestas fotografias são os belicistas desta história? São!? 

Vejam bem, demorem o tempo de que precisarem, e depois respondam. Mas respondam ao espelho, a olharem-se nos olhos.









Fotografias da Reuters: A city destroyed: Scenes of devastation in besieged Mariupol

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No vídeo abaixo, Putin dá ordem ao seu Ministro da Defesa de não deixar passar nem uma mosca num local onde estão, isoladas, milhares de pessoas (militares e civis), decretando assim que morram à sede e à fome, sem água, sem luz, sem comunicações.

Mas Putin não está a dar ordens para o seu Ministro actuar dentro das fronteiras do seu próprio país: não, está a esmagar, a pulverizar um outro país, condenando ao êxodo os que conseguem sair e condenando à morte os que não conseguem. 

É isto que o PZP defende?

São belicistas os ucranianos que ficam sem casa, sem familiares, que se refugiam seja onde for e que, em alguns casos, são deportados para campos (de concentração?) na Rússia? São belicistas os que lutam até à morte?

Que vergonha, senhores comunistas, que vergonha, que vergonha tão grande. 

Russian troops to blockade Mariupol 'so that a fly can’t get through' says Putin


É isto que defendem, senhores e senhoras que não são capazes de condenar Putin?

Pela parte que me toca, quando agora vejo alguém do PCP na televisão a pôr-se ao lado de ditadores, criminosos e facínoras, mudo de canal. É mais forte que eu: sinto-me nauseada com as suas palavras, não aguento.

quarta-feira, abril 13, 2022

Só espero que nunca lhe passe pela cabeça que temos por cá uns quantos malucos saudosistas do nazismo... senão o psicopata vai dizer que é inevitável vir cá libertar-nos. E é que já sabemos como é que ele liberta as populações: despovoa os territórios, ou seja, elimina a vida e arrasa os edifícios e as infraestruturas*.

Já para não falar nos passos que está a dar para dar corpo à ambição de Aleksandr Dugin, o ultra-direitólogo que o inspira: dar corpo à Eurásia

 

Putin, o criminoso, já o declarou claramente: acha que a Ucrânia não existe como estado independente, quer anexá-la. Depois, inventou a narrativa para convencer o público interno (a população russa) de que a Ucrânia está tomada pelo nazismo e que a Rússia tem que ir lá libertá-la. Depois, e também já o anunciou, antevendo a sua vitória sobre a Ucrânia, e podendo anunciar que baniu a governação nazi, diz que ficará a Ucrânia desgovernada. Portanto, a seguir, tem ele que lá pôr um governo. Ou seja, um governo fantoche.

Tudo isto é público e, se não fosse triste e ridículo, seria de gargalhada. É que os russos, coitados, que estão fechados ao mundo e apenas têm acesso informação falsa, talvez acreditem nesta narrativa lunática.

Mas todos nós, que vivemos num mundo livre, conseguimos cruzar informação de muitas proveniências e facilmente conseguimos validar o que é verdade e desmontar o que é mentira.

O que é bizarro é vermos pessoas que habitam em Portugal, onde a net é livre e se pode aceder a todo o mundo, onde temos acesso a órgãos de comunicação social de todo o mundo, paparem, com incompreensível ingenuidade ou doentia cegueira, a propaganda russa.

Mesmo aquela conversa das 14.000 almas (ou 15.000) que circula por entre os comunistas e pró-putinistas é falsa e absurda e facilmente desmontada. 

Da mesma forma é de loucos culpar a Ucrânia ou a Nato da invasão da Ucrânia pela Rússia. A Rússia invade a Ucrânia e viramos a história do avesso para culparmos o invadido e não o invasor? A Rússia arrasa a Ucrânia e mata ucranianos aos milhares e os culpados são os ucranianos?  É de loucos. Só mentes perturbadas podem acreditar nisto.

Sei que, ao escrever isto, estou a habilitar-me a continuar a receber comentários ofensivos e mal-educados. De cada vez que me mostro intrigada com o apoio do PCP e outras pessoas a Putin, recebo comentários assim. Ou seja, não é apenas Putin que é como é, violento, brutal, animalesco: também os seus apoiantes o são. 

Contudo, em tudo há que ver o lado positivo (ainda que seja um positivo manchado de sangue): neste caso fica claro o que é o regime putinista e, por cá, o que é o pensamento comunista. 

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Imagens da Ucrânia destruída por Putin

A rescuer walks during a search operation for bodies under the rubble of a building destroyed by Russian shelling in Borodyanka, Kyiv region, Ukraine April 11. REUTERS/Zohra Bensemra


SENSITIVE MATERIAL. THIS IMAGE MAY OFFEND OR DISTURB Medical workers assist evacuated and wounded people that arrived by special train from Bakhmut and Slovyansk for treatment, amid Russia's invasion of Ukraine, in Lviv, Ukraine April 10, 2022. REUTERS/Roman Baluk


Residents stand with their belongings on a street near a building burnt in the course of Ukraine-Russia conflict, in the southern port city of Mariupol, Ukraine April 10, 2022. REUTERS/Alexander Ermochenko


A man looks out of his window that was broken during Russian shelling in Borodianka, Kyiv region, Ukraine, April 11. REUTERS/Zohra Bensemra

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E esta é a narrativa de Putin, é assim que Putin fala da chacina que está a levar a cabo

Vladimir Putin has described the invasion of Ukraine as 'inevitable' during a visit to the Vostochny cosmodrome in Russia's Amur Oblast region. The Russian president also repeated his previous remarks about Nazism, which have dominated Russian state media as a justification for the military campaign, as well as saying his country could not be isolated from the rest of the world 

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E aqui está a cartilha que Putin está a seguir: anexar a Ucrânia, encorajar o Reino Unido a sair da União Europeia, tornar o Irão um aliado. Dar os passos necessários para dar corpo à Eurásia.

Aleksandr Dugin: o teórico da ultra-direita que está por trás do plano de Putin


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* Sobre a forma de actuar russa:

[E pode ser que o assassino queira anunciar a vitória a 9 de Maio mas com que custo o anunciará? Só desejo que lhe saiam trocadas todas as voltas e que saia da Ucrânia o mais tardar por essa altura mas que saia derrotado, humilhado e, se possível, desmascarado perante a população russa]


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terça-feira, abril 12, 2022

Como se defende a paz quando um assassino, armado, brutal, desumano, nos entra dentro de casa? -- pergunto aos que não conseguem condenar Putin, por acharem que condená-lo é entrar numa lógica belicista

 

Sou pela paz. Totalmente.

A título pessoal o que posso dizer é que nunca peguei numa arma e que sou defensora acérrima da paz e, portanto, acerrimamente contra a guerra. Temos uma caçadeira herdada do meu sogro que quero sempre muito longe de todos e na qual nunca peguei. O meu filho, já crescido, gostava de praticar tiro às latas e às garrafas e eu odiava essa brincadeira. 

Nesta casa, algum tempo decorrido de cá vivermos, ligou-me a antiga proprietária: tinha-se esquecido cá de uma pistola. Fiquei perplexa. Toda a gente circulava por toda a casa e ninguém a tinha descoberto. Disse-me onde estava e... lá estava mesmo. Era pequenina, mais pequena que a palma da mão, uma arma até bastante bonita. A casa tinha estado entregue a uma equipa de pintores durante dias. Podiam circular e mexer onde quisessem. Felizmente ninguém a tinha levado e felizmente estava no lugar onde a tinham deixado. 

Quando cá veio buscá-la, a anterior proprietária andava com ela na mão, no seu estojinho elegante, enquanto conversava comigo e enquanto eu lhe mostrava as minhas decorações. Não sei quanto tempo mas provavelmente mais de uma hora de conversa, ela de pistola na mão.

Não sei se, nessa altura, tivesse entrado um ladrão que nos ameaçasse, ela empunharia a pistola. A mim não me imagino de pistola em riste, disposta a atirar. 

Mas sei lá, as circunstâncias moldam os nossos comportamentos.

Mas imaginemos que estou aqui em casa com filhos, netos, com a minha mãe, e que entram uns bandidos tresloucados, psicopatas assassinos, conhecidos por destruírem tudo à sua passagem e matarem a sangue frio sem dó nem compaixão. Aí que faria eu, eu que sou da paz? Entregar-me-ia e entregaria os meus para que nos torturassem, violassem e matassem à vontade? 

Ou empunharia uma arma e tentaria defender-me e, sobretudo, defender os meus? 

Creio não ter dúvidas.

Mais: se eu soubesse antes que vinha aí um bando de assassinos para nos roubar e destruir a casa e matar-nos a nós, não apenas pediria protecção como imploraria que me dessem meios para nos podermos defender.

É o que se passa com a Ucrânia.

Como pode alguém, nomeadamente as pessoas que ainda partilham as opiniões do PCP, dizer que defende a paz e, em simultâneo, não condenar Putin? 

E como podem não concordar que, não podendo a Nato defender os ucranianos, mais não se pode fazer do que fornecer-lhes armas para se defenderem?

Claro que também devemos ajudá-los de mil outras maneiras (com medicamentos, com alimentos, com meios para poderem fugir, com equipamento médico, geradores, com mediação política, com apelos à negociação, etc). Mas como não lhes dar armas para tentarem defender-se dos assassinos que estão a destruir o seu país, as suas casas, as suas famílias?

Que hipocrisia ou cegueira é esta dos apoiantes do PCP para continuarem a pôr-se ao lado de um regime corrupto, oligárquico, tirano, assassino?

Como podem não se pôr ao lado de um país que quer ser livre e democrático?

Juro que não compreendo.

E não vale a pena virem dizer que na Ucrânia há fascistas. O que sei é que a extrema-direita teve menos de 2% nas eleições. Mas, mesmo que haja fascistas, isso justifica que venha um outro país arrasar a Ucrânia para dar cabo desses fascistas? Em Portugal também os temos. Vamos aceitar que a Rússia nos invada para os eliminar? 

Por exemplo, o Seixal, um dos últimos bastiões comunistas, teve uma percentagem considerável de votos do Chega. Imagine-se que a Rússia resolvia bombardear, esmagar casas e gentes, ocupar o Seixal com o pretexto de dar cabo dos apoiantes do Chega. Faria isso algum sentido? Aceitaríamos isso? Ou, em nome da paz, aceitaríamos ceder o Seixal à Rússia? 

Que cegueira é esta das pessoas que inventam mil pretextos para não condenar inequivocamente Putin?

Só há duas alternativas para voltar a haver paz na Ucrânia: ou a Rússia se retira voluntariamente ou é travada pela Ucrânia -- ou os próprios russos ou o mundo.

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Mulheres indefesas que só querem a paz

Liubov Khomenko reacts as she walks through her destroyed house in the village of Andriivka, in the Kyiv region, Ukraine, April 7, 2022. 
REUTERS/Marko Djurica

Mariya, 77, whose daughter and son-in-law died under the rubble of a building destroyed by Russian shelling, cries in Borodyanka, in Kyiv region, Ukraine April 8, 2022. 
REUTERS/Gleb Garanich

Zinaida Makishaiva, 82, reacts as she recounts how Russian soldiers treated her in Borodyanka, Kyiv region, Ukraine April 11, 2022. Zinaida said "They came to my house and said go to the basement, "bitch".  She put a sign on her house reading "there are people here" Soldiers started to shoot around her to scare her. "God saved my life". 
REUTERS/Zohra Bensemra


Natalia Titova, 62, walks as she shows her house, which was destroyed by Russian shelling, amid Russia's Invasion of Ukraine in Chernihiv, Ukraine April 9, 2022. Natalia and her family were staying in the basement, "When the rocket hit our house, we ran into the street, it was very scary" she said. 
REUTERS/Zohra Bensemra

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Histórias de violência sexual contra mulheres ucranianas por parte dos militares russos - BBC News


As more Russian troops head to eastern Ukraine, horrors are being uncovered, in the villages and towns close to the capital, Kyiv.

The Ukrainian authorities have said they're investigating cases of women being raped by Russian forces during their occupation of parts of the country.  

They're documenting the alleged crimes, which are among hundreds of cases of atrocities against civilians.
  
The Kremlin denies that its troops have committed such offences.  

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Violar, torturar, assassinar. 

Até a estátua do poeta Shevchenko apresenta as marcas de uma bala na testa

Teen sisters 'raped' as horrors from Ukrainian town cut off for 35 days emerge | ITV News

Ukrainian army engineers had built a pontoon bridge reconnecting this small town with the outside world. The relief of those who’d endured 35 days of Russian occupation was obvious - but it’s only when you hear what they’d gone through that you can understand.

Maryna is the deputy Mayor here - and has heard grim accounts of how Russian soldiers treated women in the area.

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É possível não condenar Putin?

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Desejo-vos um dia tão bom quanto possível

Saúde. Esperança. Paz.

quinta-feira, abril 07, 2022

À atenção do PCP, à atenção de todos os que não conseguem condenar inequivocamente a invasão da Ucrânia pela Rússia, à atenção dos que não conseguem acusar Putin de uma chacina e de uma barbárie indesculpável, à atenção dos que conseguem achar que a culpa das atrocidades a que assistimos (a que o mundo inteiro assiste em directo) é da Ucrânia, da Nato ou dos Estados Unidos, à atenção dos que não ficam chocados perante a tortura, o massacre dos Ucranianos à mão dos russos

 

Não consigo perceber como é que ainda há gente que questione a veracidade do que toda a gente vê: todos os órgãos de comunicação social de todo o mundo testemunham em directo, filmam, entrevistam, validam. Já não vivemos no mundo em que era possível forjar narrativas, em que não havia comunicação ubíqua, em tempo real, transmitida do cenário de guerra para a opinião pública. Não, já não vivemos nesse mundo, o mundo de há uns anos. Agora há reportagens directas, online, imagens aéreas, sequenciais, há cruzamento de imagens de diferentes proveniências, geolocalizadas, datadas -- agora é impossível enganar toda a gente.

Contudo, perante todas as evidências a máquina putinista nega-as e constrói uma narrativa paralela, inverosímil e absurda. Mas, mesmo quando as mentiras difundidas pela hipócrita contra-informação de Putin são desmontadas, palavra por palavra, pixel por pixel, os mesmos putinistas, os mesmos comunistas, os mesmos negacionistas continuam colados à narrativa dos criminosos.

Porque é que os comunistas se colam a um regime corrupto, oligarca, imperialista e criminoso, isso eu não compreendo. E fico tão espantada, tão agoniada com a atitude do PCP que mal consigo falar nisto. Acho revoltante. Desonram o seu passado ou, pelo menos, desonram os ideais pelos quais dizem lutar. Parece-me uma atitude gravíssima, a do PCP.

Para mim, o direito à liberdade -- liberdade a todos os títulos, liberdade de escolher como se quer viver, liberdade de expressão, liberdade de opção, liberdade em geral -- é inalienável, indiscutível. E o direito à autoderminaçao dos povos também. E o direito à vida e o direito à paz são sagrados. Inalienáveis, indiscutíveis, inegociáveis.

Não consigo encontrar atenuantes ou desculpas para um país invadir outro, destrui-lo, matar a sua população. Não encontro. Não encontro porque não existem, não existem desculpas ou atenuantes.

Se um país, um estado soberano, quer manter a sua independência, se quer ser europeu, se quer aderir à União Europeia, se quer estar defendido pela Nato, não há justificação para que um outro país se intrometa nessas decisões e, da forma mais brutal e atroz, invada esse país.

Poderíamos ser nós. Somos e queremos ser portugueses, queremos ser europeus, queremos pertencer à União Europeia, sentimo-nos seguros com a protecção da Nato -- e era o que faltava que alguém achasse bem que a Rússia nos invadisse, arrasasse as nossas casas, bombardeasse as nossas ruas, os nossos hospitais, teatros, escolas, cidades inteiras, nos torturasse, violasse e matasse ou obrigasse a fugir deixando para trás uma vida, nos esmagasse até que os poucos sobreviventes aceitassem ceder parte do território e aceitassem ser governados pelos russos. 

Contudo, o PCP acha isto bem. Pode não dizê-lo por estas exactas palavras. Mas a hipocrisia dos seus argumentos é ainda mais constrangedora. Sinto vergonha por eles.

O PCP está agonizante e vai acabar mal, sem honra, colado a um psicopata, a um criminoso bárbaro.

Sergey Lagovskiv, 26, mourns over the body of his friend Igor Lytvynenko, who according to residents was killed by Russian Soldiers, after they found him beside a building's basement in Bucha, Ukraine April 5, 2022. REUTERS/Zohra Bensemra

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A todos aqueles a quem apelei lá em cima, peço que vejam o vídeo abaixo. Uma vez mais, não tem legendas. Mas as imagens falam por si. Vejam-no, por favor. A mim esta tragédia faz-me chorar, não apenas pela dor destas pessoas mas também pela impotência que sinto ao ver como isto acontece debaixo dos nossos olhos sem que consigamos impedir tamanha desgraça.

Ukraine War: 84-year-old woman tells Sky News 'I just want to die in peace'


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As fotografias podem ser vistas em Ukraine's civilians caught in the crossfire of war, no site da Reuters

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Desejo-vos um dia tão bom quanto possível
Saúde. Paz.

quarta-feira, abril 06, 2022

Tenho muita, muita, infinita pena que os ucranianos tenham que pagar com tanta dor, sangue e lágrimas, tantos com a própria vida, para que consigamos ver com clareza o que antes parece que não víamos

 


Tantas vezes aqui em casa me insurjo: caraças, será mesmo possível que não haja uma força internacional, isenta, que possa ir para o terreno impedir esta guerra, esta barbárie, travar os assassinos, abater aviões ou navios que estejam a disparar mísseis ou bombas sobre cidades e populações? Não há mesmo maneira de travar a insanidade criminosa de uns quantos, talvez até, sobretudo, de um único homem?
 

O meu marido é mais legalista, invoca os princípios e regulamentos, explica que uma coisa é ser uma força de paz, que existe justamente para defender uma situação de paz e outra, muito diferente, é ser parte de uma guerra. 

Até pode ser essa a razão -- mas não concordo. A Ucrânia estava em paz antes de ser invadida. Por isso, acho que faria todo o sentido que um país que é militarmente invadido por um outro país seja ajudado a defender a paz a que tem direito.

A mortandade, a sanha destruidora, a loucura encarniçada que as tropas russas têm demonstrado desde o primeiro momento em que iniciaram uma guerra injustificável e inqualificável tem que poder ser travada.

Se não vai lá com sanções, se não vai com tentativas de negociação, então que as estradas, as ruas e as praças da Ucrânia sejam ocupadas por capacetes azuis prontos para defender a paz da Ucrânia.

E, mais uma vez o digo, parece-me essencial que o Papa Francisco passe uns dias na Ucrânia, em especial nas zonas mais críticas e mais atacadas. E era bom que mais líderes religiosos se lhe juntassem.

Tal como primeiros-ministros de três outros países, a presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, e, parece que dentro de dias, a Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, deixam bem claro o apoio à Ucrânia, é ainda mais relevante do ponto de vista da opinião pública que os principais líderes religiosos mostrem ao mundo e à Rússia em especial, um total repúdio perante os bárbaros, atrozes crimes de guerra de Putin. 

Sei que a ida do Papa à Ucrânia está, finalmente, em cima da mesa. Mas devia ir já e demorar-se o tempo suficiente para que Putin seja forçado a fazer uma pausa. E uma pausa, em situação de guerra, é relevante a todos os níveis.

Bem sei que ainda há quem encontre explicações para que um regime criminoso invada um país e o destrua e massacre e tente exterminar o seu povo e bem sei que há quem invoque interesses geo-estratégicos para não condenar inequivocamente o brutal crime em massa que está em curso. Contudo, perante o que está a passar-se, não há explicações nem atenuantes possíveis. O que está a acontecer é imperdoável, injustificável, inaceitável.

Neste caso não tem muito que saber. Há uma linha vermelha, desenhada a sangue, e de um lado está Putin e os que o apoiam ou desculpam e do outro os que não aceitam a guerra, a violação de fronteiras, os massacres, a bárbara destruição.

Como chegámos aqui, como permitimos que isto esteja a acontecer, como não percebemos o que estava por vir (apesar de todas as evidências), como não arranjámos mecanismos para nos protegermos destes crimes de guerra, destes insanos delírios imperialistas, como -- perante crimes tão atrozes -- ainda há quem não os condene sem adversativas ou meias palavras, é um mistério para mim. 

Que, ao menos para nos fazer abrir os olhos e nos fazer as escolhas certas, sirva o sacrifício dos infelizes ucranianos.

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A Ukranian grandmother trapped at home as her quiet street became a war zone

Valentyna Omelchuk spent a month hiding out in her basement in Makariv, Ukraine, west of Kyiv, as shells landed in her yard and bullets shattered her windows. She is still trying to get in touch with her daughter and grandchildren in Kyiv

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Surviving Russian atrocities in a destroyed Ukrainian village

Russian troops withdrew from the village of Andriivka, west of Kyiv, after a month of waging war and terrorizing residents, leaving a trail of dead civilians and spent munitions in their wake. Similar scenes are being discovered across Ukraine, as experts gather evidence of possible Russian war crimes.
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Russia wants to turn Ukrainians into 'silent slaves', Zelenskiy tells UN
Volodymyr Zelenskiy has urged the UN to act and reform its system which gives Russia, a permanent member of the security council, a veto, saying everything must be done to ensure the international body works effectively.

In a passionate address on Tuesday, the Ukrainian president questioned the value of the 15-member security council, which has been unable to take any action over Russia's invasion of Ukraine because of Moscow's veto power

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Tanya Nedashkivska reacts as she recounts how her husband Vasyl Ivanovych, who served in the navy, was killed by Russian soldiers, as she stands near their residential building, amid Russia's invasion on Ukraine, in Bucha, Ukraine April 3, 2022. Vasyl was arrested by Russian soldiers. Tanya looked for him for days and found him in a building's basement where two bodies were lying, she recognized him by his sneakers, his trousers. "He looked mutilated, his body was cold. They turned him over a little. He had been shot in the head, mutilated, tortured" Tanya said. REUTERS/Zohra Bensemra
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As imagens (bem como a legenda da fotografia acima) podem ser originalmente vistas no artigo: 

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E, sobre as linhas vermelhas, permito-me transcrever na íntegra um texto que muito vivamente recomendo: trata-se do que Rui Bebiano publicou no seu blog A Terceira Noite (o que está a bold é de minha responsabilidade):

Desde 1968, o ano em que, com Paris e Praga, despertei para a necessidade de ter uma opinião política própria e de a exprimir, habituei-me – mesmo naqueles anos, entre 1971 e 1976, em que fui bastante inflexível – a tomar o lado esquerdo do futuro e da vida coletiva como necessariamente plural. Capaz de conter, a par de uma vontade transversal e profunda de justiça social e de fraternidade, uma grande diversidade nas formas de as conceber, de as conquistar e de as defender. Estas diferenças notam-se sobretudo quando olhamos os programas, as linguagens, as formas de organização e a base social, mas de uma forma muito particular quando se confrontam os valores da liberdade, da equidade e dos direitos humanos.  
Foi nestes domínios que cedo fui deparando com homens e mulheres para quem estes três fatores são, de facto, de uma importância relativa, sobretudo se o caminho que vislumbram para alcançar e conservar o poder político, o seu ou o dos seus aliados, requerer a sua relativização e a sua passagem para segundo ou terceiro plano, quando não a sua omissão. São pessoas que mantêm palavras sobre justiça, igualdade, paz, liberdade e democracia na ponta da língua, mas que as assumem, verdadeiramente, apenas dentro do seu próprio quadro de explicações e interesses, jamais como valores absolutos e inegociáveis, associados a uma humanidade plena e ao convívio na diferença das escolhas e opiniões. Consideram tais valores, na realidade, como luxos dispensáveis, e nos momentos críticos isso torna-se evidente.

É neste quadro que se torna possível compreender que não questionem os dois maiores sistemas concentracionários e tirânicos do século XX, a União Soviética de Estaline e a China de Mao, apenas contestando aquele outro, o da Alemanha de Hitler, que em número de vítimas – mortos, presos, torturados, deslocados, empurrados para campos de trabalho ou extermínio – de facto se encontra em terceiro lugar na negra contabilidade. Têm também defendido regimes tirânicos e de partido único desde que estes se apoiem numa verborreia «socializante» ou antiamericana, enquanto em outros momentos e lugares declaram defender os valores da esquerda democrática. Embora sabendo dessa ambiguidade, pois não sou ingénuo e conheço razoavelmente a história, fui convivendo politicamente com essas pessoas, sempre em nome de objetivos prioritários pelos quais poderíamos desfilar debaixo da mesma bandeira.

Existem, todavia, momentos em que esta contradição entre o que se prega e aquilo que se faz ultrapassa os limites, revelando, em quem a pratica, um fundo moral perante o qual é honestamente inevitável uma profunda desilusão. Se tivesse vivido o Pacto Germano-Soviético de 1939, talvez tivesse há muito experimentado algo desta natureza, como tantos comunistas e outras pessoas progressistas na época experimentaram com grande desilusão e uma amargura que nunca se extinguiu, mas admito que, em situação vivida na primeira pessoa, seja realmente agora a primeira vez que chego a um tal limite.

A guerra de invasão da Ucrânia e as chocantes posições de conciliação diante do espetáculo da morte e da destruição de um país e de um povo da parte dessas pessoas, a forma como pactuam com a mentira e até com teorias da conspiração, falando ocasionalmente de paz sem apontar o dedo aos agressores diretos, estão a fazer com que as transfira agora, provavelmente em definitivo, para o lado de lá barricada do combate pela minha noção de democracia, de justiça e também de honestidade pessoal. Não mais desfilarei ao lado de quem, como os fascistas ou os criminosos, contemporiza com a morte, a tortura e a devastação, aceitando recorrer à mentira ou à deturpação, ou desculpando-se com contextualizações ocas e contemporizadoras, não menos assassinas que as proclamações abertamente agressivas. Em questões desta natureza traço no chão linhas vermelho-vivo.
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Desejo-vos um dia tão bom quanto possível.
Saúde. Ânimo. Paz.