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quarta-feira, junho 26, 2024

Borboletas, flores, pedrinhas, brilhozinhos

 

Sempre fui muito dada a trabalhos manuais como bordados, tricots, crochets. Escrever é apenas uma outra forma de ter as mãos ocupadas enquanto a cabeça vagueia. Quando vejo algumas artes que impliquem trabalho de mãos (se calhar todas implicam...) tenho sempre vontade de experimentar. O problema é que fico viciada, desato a produzir em larga escala e depois não tenho o que fazer às coisas.

Já pensei algumas vezes em meter-me nessas coisas dos instagrams e pôr as coisas que faço à venda, nem que seja só para perceber a adesão. Mas como não quero vender à candonga e não me estou a ver a meter-me em trapalhadas de registar actividade nas Finanças, a passar facturas, etc (senão, às tantas, ainda teria que ter contabilidade organizada), não faço nada. E, não querendo continuar a encher a cave de coisas, fico-me pela contemplação e pela imaginação.

Isto que hoje partilho é o tipo de coisa que me daria um gozo brutal a fazer, desde a procura de materiais à concepção, à execução. Mas, já viram, onde é que eu ia depois colocar quadros, caixas, jarrões? 

Uma pena.

Mas vejam. Eu acho uma maravilha, uma graça. 

Creating Masterpieces for Steve Jobs, Bill Gates and The Pope

South Korea, Yangpyeong-gun. Mother-of-pearl art with Kim Young-Jun and Gabe Sin - embark on a journey as they revive the ancient Korean art of Najeonchilgi. Kim, a former financier turned master craftsman, has created intricate mother-of-pearl masterpieces for icons like Steve Jobs, Bill Gates, and even designed a chair for the Pope. Alongside him is Gabe Sin, a visionary hairstylist who draws inspiration from these timeless designs, integrating them into elaborate creations showcased on the cover of Vogue. Discover how Kim and Gabe are redefining Korean art for the modern world, blending heritage with innovation in mesmerizing ways.


Dias felizes

sábado, dezembro 22, 2018

Não saber decifrar estes enigmas deixa-me assim nem sei como


y


Nada de sexy a declarar. Talvez apenas que já estive a separar as fotografias, já está quase tudo. Também já emoldurei algumas. Amanhã talvez consiga acabar e começar a separar os presentes por destinatário.

Sobre o meu dia, teve uma parte tão extraordinária que nem sei se classifique como surreal, se me deixe de classificações e reconheça apenas que foi de outro mundo. Não quero falar sobre ela pois não faço ideia de qual vai ser o desenlace disto tudo e não gosto de falar do que não percebo. Estou em crer que dentro de algum tempo falarei de tudo o que vem acontecendo comigo e que transformou este ano num dos mais atipícos da minha vida, com testes intensivos à minha personalidade, ao meu carácter, à minha inteligência racional e emocional. Se do ponto de vista racional me tenho aguentado à bronca como gente grande e se a minha personalidade e o meu carácter resistiram e têm demonstrado ser de boa cepa, já a minha inteligência emocional por uma ou outra vez soçobrou, levando-me a sentir-me francamente injustiçada e triste. Bem, não sei se isso é sinal de uma quebra na inteligência emocional ou uma simples manifestação da minha condição humana -- e talvez o psicólogo mais cool que por aqui paira possa esclarecer-nos.


Mas a verdade é que tudo o que tem vindo a acontecer-me é tão inesperado, tão inacreditável que, forçosamente, a minha cabeça fica sem saber como interpretar os factos. E se, habitualmente, tenho uma razoável capacidade de previsão, neste meu caso, ando às escuras, sempre à espera que o lobo mau me salte para cima e, pior, sem fazer ideia de quais as suas intenções. Contudo, ao contrário do que seria expectável, esta situação torna-me ainda mais afoita. Agora, para além de ser surpreendida com as surpreendentes circunstâncias, sou-o também pelas minhas intrépidas e descaradas reacções.

Hoje estávamos os dois sentados à sua mesa e eu tive mais uma das minhas tiradas que desestabilizam qualquer um, especialmente uma pessoa como ele (que, de resto, é igual aos outros). Disse-me: Não pode dizer isso pois isso significaria que andámos a fazer tudo mal. Não pode dizer isso. E eu respondi: Não sei se não posso. Não sei se o mal é não dizermos o que deve ser dito. Além do mais, quando se percebe que se está perto da porta de saída, a sensação de liberdade é maior. Ele levou as mãos à cabeça, ficou perturbado, olhou-me com ar incomodado e, abanando a cabeça, disse que eu não devia dizer isso, não podia dizer isso. Respondi que então fazíamos de conta que eu não tinha dito aquilo. Ele disse: Pois, é melhor.


E a conversa continuou, cada vez mais espantosa. E depois dessa uma outra, igualmente enigmática e bizarra. Já tentei descodificar, já tentei encontrar uma explicação. E provoquei. Sempre gostei de provocar mas agora ainda mais, agora a provocação é destemida. Tomei-lhe o gosto e vou usando em doses cada vez mais possantes. Quase como se quisesse ver até onde posso ir. Até onde posso ir sem que isso desperte uma reacção mais compreensível. Detesto não compreender as coisas. Detesto não conseguir prever o futuro. O meu futuro.

E depois, para o dia ser ainda mais incomum, outra conversa, aí eu com pena, pena, pena, e disfarçando e pensando que eu poderia estar na mesma situação.Hoje está na moda dizer que estas coisas fazem-nos crescer. Crescer o escambau, o que isto faz é acrescentar-nos camadas e camadas em cima: camadas de indiferença, de aspereza, de sensibilidade, de compaixão, de perseverança. Sei lá.

A vida é um carrossel. Não sei o que pensar mas vou em frente, vou em passada larga. 


Mas, apesar de, a olho nu, a minha vida continuar igual, com aqueles excessos habituais, a verdade é que desde o verão, quando tudo começou, vivo como se uma espada pendesse sobre o meu pescoço.

E tudo isso mais o volume perfeitamente anormal de trabalho mais o trânsito que não tem andado fácil têm desgastado a minha resistência. Parece que não mas, cá para mim, essa é parte da razão para, chegando a esta hora, não conseguir manter-me acordada. Custa-me muito ler comentários como o da menina das palavras daqui e dali que se sente triste quando vê que não respondi ao que escreveu e eu percebo-a e também por isso há tempos fechei a caixa pois, se nem sempre conseguia responder, por respeito mais valia não os receber. Agora voltei a abrir mas acontece-me isto, estar aqui a adormecer sem sequer conseguir chegar ao fim do texto e já nem sabendo que prosa vadia foi esta.


Um bom sábado. Saúde e alegria.