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segunda-feira, outubro 13, 2025

Em Lisboa, Alexandra Leitão foi um tiro no pé do PS (um tiro disparado por Pedro Nuno Santos)
E os ganhadores e perdedores destas eleições

 

Na altura, em Janeiro, referi-o: Alexandra Leitão foi uma péssima escolha para presidente da Câmara de Lisboa

Pior ainda quando Alexandra Leitão, com o apoio do PS da altura, resolveu ressuscitar parte da Geringonça, atracando-se à tóxica Mariana Mortágua. Com isso, não foi um tiro, foram dois tiros. A vitória do insignificante e pantomineiro Carlos Moedas conseguiu ser expressiva quando, com o desastre que foi o seu primeiro mandato, facilmente qualquer outra pessoa -- que não Alexandra Leitão (com a Mortágua à ilharga) --, o bateria.

Aliás, basta ter ouvido a nulidade do discurso de derrota da palavrosa Alexandra Leitão para perceber a vacuidade e a inconsistência daquela pessoa. Uma nulidade de discurso que envergonha. Por comparação, atente-se no brilhante, embora humilde, comovente até, discurso de Pizarro, um grande democrata.

Tenho a certeza de que fosse José Luís Carneiro a ter feito a escolha e outro teria sido o resultado de Lisboa. 

Claro que, como o meu marido abaixo referiu, a cegueira política e a estupidez encartada do PCP foi uma preciosa ajuda para o Moedas. Não é de espantar: mais depressa o PCP dá a mão a gentinha desqualificada do que se une a alternativas de esquerda. Corresponde a 100% à definição de idiota: uma pessoa que faz coisas estúpidas que não beneficiam ninguém nem o próprio.

Mas agora foco-me no PS. O PS tem gente muito boa. Duarte Cordeiro ou Mariana Vieira da Silva, por exemplo, tirariam a Câmara de Lisboa de letra. E reconquistar a Câmara de Lisboa era importantíssimo pois Carlos Moedas, para além de um caguinchas e um oportunista, é uma lástima como presidente da maior autarquia do país.

O que me anima é pensar que o Pedro Nuno Santos já não fará mais disparates em nome do PS. Felizmente agora temos um pragmático, um determinado, um assertivo, um lutador, um trabalhador incansável, uma pessoa decente, um líder muito capaz. Sempre defendi que com José Luís Carneiro outro galo cantaria no PS, e a sua actuação enquanto líder tem vindo a comprová-lo. O PS voltou a erguer a cabeça e acredito que o País só tem a ganhar com pessoas sérias e competentes como ele.

Quanto a outras autarquias tenho ainda a dizer que algumas vitórias que não apreciei foram mais demérito de alternativas de fraquíssima qualidade do que mérito dos fracos autarcas que ganharam. Há ainda um caminho de maturidade democrática por alcançar, desde logo na conquista de prestígio ao exercer cargos autárquicos. Não faz sentido que em algumas listas, um partido grande como o PS, que tem gente altamente qualificada, avance com gente pouco convincente, fraquíssima. 

Finalmente o Porto. Teria ficado contente se Manuel Pizarro tivesse ganho. Gosto dele. É um verdadeiro democrata, humanista, republicano de gema. E simpaticíssimo. Mas acredito que o Pedro Duarte vai ser um bom presidente de Câmara. Pelo seu discurso de vitória e pela forma como se referiu a Manuel Pizarro confirmou ser um tipo decente. E tenho-o em conta de um tipo capaz, enérgico. Por isso, acredito que o Porto vai ficar bem. Foi uma boa escolha de Montenegro. E desejo-lhe boa sorte.

De resto, claro que o PSD ganhou inequivocamente. E não há dúvida que Montenegro, apesar das suas trapalhices spinunvívicas e das grandes debilidades em algumas áreas relevantes da governação, tem conseguido sobrevoar os escolhos e seguir adiante. É resiliente e dúctil e isso são qualidades físicas que conferem resistência e durabilidade a qualquer material. Disso não tenhamos dúvidas. Portanto, chapeau.

Quanto aos derrotados destas eleições são, de forma muito clara: 

  • a CDU, que, de derrota em derrota, caminha cega e resolutamente para a absoluta irrelevância, 
  • o BE, que me parece que já não existe, 
  • o simpático Livre que, autarquicamente, se dilui e desaparece,
  • a IL, que autarquicamente é invisível,
  • e o Chega, o partido que alavanca a fanfarronice do Ventura e que, sem a lábia dele, vale menos do que um .... (ai a palavra que me ia saindo...)

domingo, maio 25, 2025

Modo de pausa

 


Depois de ter esperneado com o resultado das eleições, ter espremido os neurónios tentando pôr em equação o ensarilhamento em que estamos metidos, depois de ter lido mil opiniões e ouvido cinquenta mil sapientes veredictos, o que tenho a dizer é o mesmo que sempre fiz em situações de berbicacho: bola para a frente porque para a frente é que é caminho.

Enquanto muitos dos meus colegas adoravam enfronhar-se em cansativos meas culpas ou em intermináveis sessões de lições aprendidas, eu sempre fui mais de me reunir rapidamente com quem tinha alguma coisa de inteligente a dizer (opiniões de burros ou de papagaios dispenso), tirar meia dúzia de conclusões, com essas conclusões e mais o que há pela frente traçar um caminho e... bora lá antes que se faça tarde.

Portanto, por mim já chega de andar a tentar a pisar e a repisar sobre o mesmo assunto.

É certo que continuo a achar que o Montenegro é um chico-esperto e que, nos 11 meses em que governou, não fez nada de jeito -- e o que pareceu melhorzinho foi a continuação do que vinha do anterior governo ou a distribuição de ma$$a, pois tinha folga (herdada) e sabia que as eleições estavam ao virar da esquina. Mas, enquanto a Spinunviva ou outras argoladas do género não o derrubarem, só espero é que faça aquilo para que foi eleito.

Quanto ao PS, sempre disse que achava que o Pedro Nuno Santos não era a pessoa certa para suceder a António Costa. O PS pela mão de Pedro Nuno Santos quase me levou a não votar no PS. Pedro Nuno Santos foi um erro de casting, como os resultados eleitorais mais do que demonstraram. 

Na altura, pareceu-me que José Luís Carneiro seria a pessoa certa. Mas, na altura, o Chega ainda gatinhava. Agora, os do Chega já andam em duas patas e já convenceram milhão e tal de pessoas que são os melhores para governar o País. Orwell cheirou-os a léguas (a eles e a todos os outros que têm feito o mesmo percurso). Não sei se, para a presente circunstância, José Luís Carneiro tem o carisma, o punch e a visão para levantar o PS e, ao mesmo tempo, para atirar o Chega ao tapete. Não estou a querer dizer que acho que não. Estou apenas a dizer o que disse, que não sei. Não o conheço suficientemente bem. Mas espero que sim. Espero bem que sim.

Face a este panorama, se eu fosse o Marcelo o que faria, antes de mais, em paralelo com as conversas oficiais com os partidos e off the record, seria chamar os directores de informação dos diferentes meios de comunicação social para os desafiar a fazerem um pacto (de regime) para que parem de andar atrás do Ventura. O Chega é o Ventura. E o Ventura é um demagogo, sem ética, sem vergonha. Mas é também um excelente comunicador. Criativo e bom comunicador. Consegue lançar ossos para a praça pública a toda a hora, mobilizando a agenda dos media. Só que os canais de televisão -- ou de rádio ou os jornais -- não são cães para irem atrás de qualquer osso, pois não? Se a Comunicação Social deixar de dar palco ao Ventura, o Chega esvazia-se. Provavelmente deveria ser a ERC a ter um papel pedagógico junto da Comunicação Social. Mas a ideia que tenho é que a ERC não risca, não serve para nada. Portanto, penso que deve ser o Marcelo (que tem muitas culpas no cartório em toda a instabilidade que atravessamos) a atravessar-se.

Identicamente, alguém deveria andar em cima das redes sociais dos partidos, em especial do Ventura e do Chega. Contas falsas devem ser denunciadas. Incitamentos ao ódio ou insultos devem ser denunciados. Há mecanismos legais para lidar com tudo. Não deve haver complacência.

Tirando isso, penso que, com toda a humildade, deve tentar validar-se se as percepções de tanta gente estão erradas ou se, pelo contrário, são legítimas. 

Dou alguns exemplos:

Como são atribuídos os subsídios? Como é que isso é auditado para verificar se não há abusos? Há gente que não faz nenhum e que vive, ao após ano, à pála de subsídios?

Há mesmo milhares e milhares de imigrantes que não trabalham e que recebem subsídios? 

Há mecanismos para acolher e integrar os imigrantes, em especial os que não falam português? 

E, pelo que se tem visto em algumas reportagens, os abusos que se têm detectado no SNS são altamente lesivos das contas públicas e, também pelo que tem visto, os processos administrativos, para além de permitirem toda a espécie de abusos, são manuais, precários e não há auditorias. Será que isto acontece generalizadamente? 

Tenho lido que em Portugal há mais médicos por habitante do que na maioria dos outros países. E, no entanto, há muitos milhares de pessoas sem médicos de família, é preciso esperar muitos meses por uma consulta banal (e sobre as de especialidade acho que ainda é pior). Parece que há sempre falta de dinheiro. E, no entanto, na volta o que há é dinheiro a mais, esbanjamento, aproveitamento, muita ausência de gestão, muito regabofe. Tenho defendido que a gestão de hospitais deve ser entregue a gestores profissionais. Não a médicos, não a gentinha dos partidos. Hospitais que gerem orçamentos de milhões têm que ser entregues a gestores competentes e profissionais. Numa altura em que a Saúde está tão mal, com Urgências fechadas, com tantos atrasos, se entregassem a gestão a profissionais não apenas se poupariam muitos milhões como os serviços melhorariam rapidamente. Se as pessoas começarem a ver 'saneamento' de gastos abusivos e melhoria no atendimento com certeza o paleio populista será esvaziado.

Quanto à habitação, também é preciso arranjar soluções urgentes: aproveitem edifícios públicos, adaptem-nos, alojem o máximo de pessoas. Rapidamente. Com assertividade. Com pouco paleio. E favoreça-se e apoie-se o ressurgimento de cooperativas de habitação. Apareçam com soluções concretas, rápidas, bem articuladas, bem acompanhadas, bem divulgadas. Esvazie-se o populismo.

Já disse e repito-me: é tempo de juntar esforços contra o populismo. E, enquanto a legislatura for avançando, o PS terá tempo para se reorganizar. Ou haverá tempo para aparecer um novo partido (caso o PS não consiga livrar-se do anquilosamento aparelhista, não consiga regenerar-se assimilando com inteligência o ar do tempo).

Mas, dito isto, agora vou continuar na mesma onda em que tenho estado nestes últimos dias: a ler, a curtir, regando, cozinhando, caminhando, estando em família, na boa. Agora nem tenho escrito. Tem-me apetecido descansar, estar em modo de pausa.

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Desejo-vos um belo dia de domingo

sábado, março 08, 2025

Se eu fosse eu

 

Há um texto muito conhecido de Clarice Lispector que explora essa possibilidade. Reza assim:

Quando não sei onde guardei um papel importante e a procura se revela inútil, pergunto-me: se eu fosse eu e tivesse um papel importante para guardar, que lugar escolheria? Às vezes dá certo. Mas muitas vezes fico tão pressionada pela frase “se eu fosse eu”, que a procura do papel se torna secundária, e começo a pensar. Diria melhor, sentir. 

E não me sinto bem. Experimente: se você fosse você, como seria e o que faria? Logo de início se sente um constrangimento: a mentira em que nos acomodamos acabou de ser levemente locomovida do lugar onde se acomodara. No entanto já li biografias de pessoas que de repente passavam a ser elas mesmas, e mudavam inteiramente de vida. Acho que se eu fosse realmente eu, os amigos não me cumprimentariam na rua porque até minha fisionomia teria mudado. Como? Não sei.

Metade das coisas que eu faria se eu fosse eu, não posso contar. Acho, por exemplo, que por um certo motivo eu terminaria presa na cadeia. E se eu fosse eu daria tudo o que é meu, e confiaria o futuro ao futuro.

“Se eu fosse eu” parece representar o nosso maior perigo de viver, parece a entrada nova no desconhecido. No entanto tenho a intuição de que, passadas as primeiras chamadas loucuras da festa que seria, teríamos enfim a experiência do mundo. Bem sei, experimentaríamos enfim em pleno a dor do mundo. E a nossa dor, aquela que aprendemos a não sentir. Mas também seríamos por vezes tomados de um êxtase de alegria pura e legítima que mal posso adivinhar. Não, acho que já estou de algum modo adivinhando porque me senti sorrindo e também senti uma espécie de pudor que se tem diante do que é grande demais.

Neste caso paradoxal em que Montenegro, para não se desenredar a ele próprio, enredou todo o País, se eu fosse eu -- e se eu tivesse poderes mágicos para conseguir que se fizesse o que eu queria -- haveria algumas coisas que eu faria de imediato:

1ª - Corria com o Montenegro do PSD. O quanto antes.

O caciquismo laranja no seu pior, vestígios daquele cavaquismo que, em seu tempo, alastrou por todo o País, o amiguismo feito de esquemas, e aquele espírito videirinho em que se fala por meias palavras ou, de preferência, nem se fala para que possa sempre dizer-se que não foi isso que disse, em que uma mão lava a outra, em que há sempre quem contrate alguém para que um dia que seja necessário e etc. -- tudo isso vejo em Montenegro. Das pessoas mais incompetentes que conheci até hoje, um que era cavaquista, que estava administrador de uma empresa, tendo já passado por outras administrações, sem saber fazer nada de nada de nada (nem se esforçar por isso). Amigo de um amigo. Falava muito do Marques Mendes e do outro de que já nem me lembro o nome, um ministro com bigode que também andou metido em trabalhos. Este artista de que falo tinha uma bela casa, tinha uma outra bela casa, tinha um belo carro, a empresa pagava-lhe motorista, exigência dele, frequentava todos os convívios em que os amigos dos amigos estavam, gostava de ostentar o seu poder. Mas, fazia género, dá ideia que se considerava mesmo um bom trabalhador. 

Um fulano como Montenegro está a ser muito mau para o País mas também para o PSD. Não sei se, neste momento, há alguém de jeito no PSD para suceder a Montenegro mas, mondando bem, talvez descubram alguém que seja um bocadinho melhor que ele.

2ª - Arranjava maneira de seguir uma sugestão que Leitor bem pensante aqui teve a amabilidade de deixar: avançava com José Luís Carneiro como candidato a Primeiro-Ministro

Pedro Nuno Santos é um bom rapaz, é boa pessoa, é bem intencionado, é voluntarista, parece genuinamente honesto -- mas, em minha opinião, falta-lhe uma qualquer quelque chose. Parece que ainda não está sólido, parece que lhe falta pulso, punch, mão firme. 

Contudo, que não se faça confusão: entre Montenegro e Pedro Nuno Santos, claro que Pedro Nuno Santos. Estão em planos diferentes. O plano de Montenegro é o dos chicos-espertos, que usam a política para engrossar (ou, pelo menos, manter) a sua carteira de clientes. O plano de Pedro Nuno Santos é um plano em que há ainda utopia, desejo de uma vida ao serviço do País, há alguma nobreza na forma como se entrega de corpo e alma. Mas ainda não está no ponto. 

3ª - Arranjava maneira de ter uma direita decente, liberal, democrática. Havendo uma direita moderna, arejada, talvez esvaziasse a direita civilizada que se bandeou para o Chega

4ª - Tentava ter uma esquerda moderna, inteligente, lúcida, com compreensão para o que são os reais problemas das pessoas, uma esquerda despretensiosa, não ortodoxa, aberta. Talvez se conseguisse esvaziar o que resta do PCP, o que resta do BE, do PAN e do Livre, e criar uma força política nova, com os pés assentes da realidade actual (não no passado, não noutra qualquer geografia). Talvez assim a esquerda ganhasse força e talvez conseguisse cativar os que só encontraram 'amparo' junto do Chega.

Com um panorama político assim, acredito que o País seria outra coisa, seria governável, inteligente e eficazmente governável.

De qualquer forma, mesmo que a reorganização da esquerda e da direita não fossem para já, parece-me que seria saudável para o País que a 1ª e a 2ª medida fossem, desde já, seguidas. A 1ª seria não apenas saudável como higiénica.

Tirando isso, claro que havia ainda outra coisa:

5ª - Também gostava que tivéssemos um Presidente da República em acção e agindo de acordo com a Constituição e com o bom senso, e com uma visão rigorosa e ponderada cobre o País e sobre o Mundo. Mas, no actual contexto, acho que esta já seria talvez pedir de mais.

quinta-feira, março 06, 2025

O que aí vem

 

Não vejo como é que o PSD vai aceitar que quem irresponsavelmente atirou o País para eleições antecipadas, depois de andar a tentar esconder o que já estava à vista de toda a gente (e ando a ouvir dizer com alguma insistência que ainda mais está para vir a lume), seja o líder que vai conduzir a campanha eleitoral que aí vem.

Além disso, começam a ouvir-se outros nomes no seio do partido. Portanto, não sei se a instabilidade dentro do PSD não virá juntar-se à instabilidade em que Montenegro lançou o país.

Acresce que o tipo parece não ter noção. Faz coisas de uma leviandade que não lembram ao diabo. Baldou-se a uma cimeira da maior relevância e, ao mesmo tempo, é visto a transportar o carrinho dos tacos de golf enquanto, ao lado, o amigo da Solverde vai de mãozinhas. Podendo alojar-se na Residência Oficial de S. Bento, fica num hotel cujos custos não se percebe como paga com o ordenado que ganha, hotel esse onde se passam todos os grandes eventos do PSD, levando a que já haja quem tema que ainda venha a saber-se que está a ter um tratamento 'especial'. Dá ideia que é aquela mania que tem que quer, pode e manda e não tem que dar satisfações a ninguém. Aliás, na Assembleia da República, até deixou sair que 'tem mais que fazer do que estar ali a dar explicações'. Talvez por isso nem se tenha dado ao trabalho de informar o Presidente da República que ia fazer um anúncio no sábado à noite, rodeado pelo governo, que, mais que certamente, ia atirar o País para nova crise. Uma desconsideração um bocado surreal demais.

Portanto, sendo o menino do calibre que já se viu, o PSD vai aceitar ser conduzido para o desastre eleitoral sem tugir nem mugir?

Do CDS não falo. Não existe.

Do lado do PS, tenho algumas dúvidas. Numa lógica de que há que ter estabilidade, o Partido Socialista tem feito de tudo para que não haja crise: deixou passar tudo o que o PSD quis e agora queria tudo menos eleições. Pedro Nuno Santos queria fazer uns Estados Gerais ao longo de 1 ano para daí emergir um Programa de Iniciativas que desse origem a um programa de governo e uma equipa ministerial. Portanto, eleições agora é tudo o que o PS fez tudo para evitar. 

Mas as coisas são o que são. Num mundo ideal fazem-se as coisas ponderadamente, com tempo, step by step. Mas o mundo real geralmente atropela o mundo ideal. Portanto, situemo-nos no âmbito em que estamos, ou seja, no meio da confusão.

Sempre achei o José Luís Carneiro mais sólido, mais estruturado, do que o Pedro Nuno Santos. Mas não foi isso que o PS quis. Portanto, é Pedro Nuno Santos que tem que ir à luta. E só espero que se saiba rodear dos melhores. Há nos quadros do PS gente muito capaz, há que saber contar com eles. E há que saber recrutar gente capaz na sociedade civil, não necessariamente dentro do partido. Os timings são apertados, a conjuntura internacional é do caraças -- ou seja, nada disto é para meninos. Portanto, há o PS tem que dar ao pedal e manter a cabeça no lugar. 

Quanto ao PCP, tudo o que faz é ao lado, é cada vez mais uma nulidade, nem vale a pena pensar nisso. 

O Bloco está esvaziado, não sei se ainda consegue tracção para ir à luta.

O Livre não consegue agarrar senão um eleitorado restrito, mais intelectual e purista. Uma base eleitoral exígua.

A Iniciativa Eleitoral tem sabido manter-se sóbria, com intervenções racionais, sem embandeirar em arco, sem ceder a facilitismos. Provavelmente continuará a aguentar-se e talvez até a subir junto do eleitorado mais jovem e mais escolado.

Sobra o Chega. Nesta perspetiva, isto é, nas próximas eleições, para mim uma incógnita. André Ventura tem uma agilidade e habilidade mental notáveis. Consegue sacudir de si todos os escândalos que têm recaído sobre os seus deputados. É aquilo que se diz: nestes partidos, escândalos que não ferem o líder, não abalam as opções de voto dos simpatizantes. E, neste caso concreto, André Ventura pode capitalizar dizendo que, ao apresentar a 1ª moção de censura, fê-lo cedo demais pois o tempo (e não foi preciso muito) veio a dar-lhe razão. André Ventura consegue ocupar a agenda mediática: é sempre o primeiro a falar para a opinião pública, é sempre o primeiro a pronunciar-se e sabe falar com clareza e eficácia. Compreende-se que uma parte significativa da população se sinta confortável a votar nele.

Mais do que termos medo de André Ventura ou mostrarmos nojo do Chega, penso que o mais inteligente é perceber como é que a forma de comunicação deste partido e desta pessoa são tão eficazes. Abstraiamo-nos da demagogia, do populismo, da falta de vergonha e fixemo-nos na eficácia, no sentido de oportunidade, na construção das frases e na escolha das palavras. Talvez haja ilações que possam ser úteis.

Uma coisa é certa: a política de amiguismo, de nomeações por filiações partidárias, os 'tachos', levadas a cabo por partidos que têm ocupado o poder merecem profundo repúdio por parte da população. Ventura cavalga em cima disso. Mas o PS deveria interiorizar também estes princípios pois são essas práticas que minam a confiança do eleitorado.

Tirando isso, o que se me oferece dizer sobre tudo isto é que, para já, coitado do Marques Mendes. Ganda nóia.

domingo, março 02, 2025

Confirma-se: Mentenegro é um brincalhão. E também se confirma: toma-nos mesmo por parvos

 

Nada a dizer, Senhor Presidente?

Nada? Nada? Nada mesmo...?

No meio da catrefada de parvoíces que disse, típicas do chico-esperto que é -- e mais uma vez numa de toca e foge -- e depois de atirar areia às pázadas para os nossos olhos, ainda consegue provocar o PS. Mais uma vez, porta-se mal. Mal, mal, muito mal. Se há coisa de que o PS pode ser acusado é de ter andado a tratar o desgoverno Mentenegro com demasiados paninhos quentes.

Vamos agora ver o que se segue. Vamos ver se o Pedro Nuno Santos se porta como deve ser.

segunda-feira, janeiro 20, 2025

Pessoas que dizem coisas

 

Há pessoas que dizem coisas. Como conseguem pôr um ar compenetrado e como conseguem manter uma certa consistência nesse 'ar', há quem os leve a sério e se convença de que eles têm coisas a dizer. E, de facto, têm. Têm sempre coisas a dizer.

As frases geralmente são bem construídas, não têm pontas soltas, e sobretudo são sempre elaboradas e expostas com o ar de quem sabe o que diz, de quem reflectiu maduramente no assunto e de quem, obviamente, fala com propriedade e conhecimento de causa.

Efectivamente, as suas frases não têm pontas soltas. De facto, começam e acabam no mesmo sítio, são frequentemente redondas. E têm a característica de que, bem vistas as coisas, espremem-se e não deitam sumo. Melhor dizendo: não deitam nada. Melhor dizendo: não se aproveita nada.

Quando acabam de falar, se quisermos resumir o que disseram, dificilmente encontraremos algo digno de realce a não ser que disseram coisas, coisas bem explanadas. Mas coisas inúteis. Se quisermos ser sinceros diremos até que falaram apenas para não ficarem calados. Ou, se quisermos ser inteiramente justos, diremos que falaram porque gostam de dizer coisas e gostam delirantemente de se ouvir.

Em todo o lado há gente assim. Não se lhes conhece obra, pensamento disruptivo ou, pelo menos, criativo. Nada. Apenas falam. Geralmente falam bem. Sabem até colocar bem a voz. Estão treinados.

Não vou falar de ex-colegas pois não são para aqui chamados. Vou apenas falar dos que estão na vida pública pois põem-se a jeito para a gente poder falar deles.

E vou ser sectária: vou falar apenas dos que são ligados ao PS pois deles se falou ou fala para putativo candidato presidencial ou sobre o assunto têm opinado.

Assim de repente, lembro-me de alguns. António José Seguro, Francisco Assis.

E António Vitorino. E, lamento dizê-lo, António Guterres (que não faz parte da lista dos presidenciáveis mas que fica bem aqui nesta grupeta).

Tenho dito.

Até amanhã.

PS1: Espero bem que o Pedro Nuno Santos, que tem revelado uma certa falta de jeito a escolher pessoas e, lamento, uma certa falta de tino, fique um bocado mais calado, reflicta melhor no que o País quer em vez de andar às voltas dentro do seu círculo, e não ponha o PS a apoiar nenhum destes

PS 2: Agradeço todos os comentários e o meu marido também. Agradecemos e gostamos muito de aqui ter os vossos contributos e testemunhos. Vou tentar que, a partir desta semana, volte à saudável prática de agradecer individualmente.

quarta-feira, janeiro 15, 2025

Alexandra Leitão para Lisboa: mais um tiro no pé de Pedro Nuno Santos?

 

Quando escolho um Presidente da Câmara para nele votar, tento adivinhar se a pessoa tem pedalada para a exigência da função, se é uma pessoa de acção, se é pragmática, se é pessoa com sentido prático para resolver os mil problemas do dia a dia, se é pessoa com mão firme, se é pessoa com sensibilidade e bom senso. E etc.

A mulher de um presidente de Câmara dizia-me uma vez que é uma ocupação deveras ingrata pois a pessoa pode fazer inúmeras coisas boas, estruturais, a pensar no futuro, e todo irrepreensível, mas se uma pedra estiver solta na calçada as pessoas não pensam em todo o bem que ele fez e vão acusá-lo de não ter mandado arranjar a pedra que se soltou no passeio. Acredito que sim.

Não é qualquer um que consegue, ao mesmo tempo, ver ao longe, ver ao perto, ter atenção a quem quer espetar-lhe uma faca nas costas, ser empático, não se deslumbrar com elogios, não se ir abaixo com críticas, e, no meio da barafunda, sem muita conversa fiada e muito foco, seguir em frente e fazer o que tem que ser feito.

Se eu tivesse que escolher um candidato a Presidente da Câmara de Lisboa, assim de repente, sem ter pensado no assunto, não sei quem escolheria. Talvez um João Galamba desse um belíssimo Presidente da Câmara de Lisboa. Acho que sim, que daria. Ou o ex-ministro Siza Vieira. Ou a Mariana Vieira da Silva. Seria seguramente muito boa. Por exemplo. Mas não sei, não pensei no assunto. Mas uma coisa eu sei: sei que não escolheria Alexandra Leitão. 

E também sei que, se fosse eu a mandar, a escolher a candidata à Presidente, e quisesse comunicar a minha decisão, jamais usaria o argumento que Pedro Nuno Santos usou. Jamais. Caraças... jamais.

E se Alexandra Leitão é a 2ª pessoa mais importante do PS, então, na volta, é isso: na volta está tudo explicado.

sábado, novembro 23, 2024

Olhe lá, ó Pedro Nuno! Importa-se de atinar? Acha que o Seguro é coisa que se apresente para Presidente? Esqueça lá isso, ok...?

 

Não sei se é aquela coisa do fácies (coisa tramada, concordo) se é o que a gente já conhece dele, a verdade é que não pode ser. 

Ninguém merece ter uma criatura amorfa como o Tó-Zé Seguro à frente do País. 

Claro que o Assis, outro que tal, já veio dizer que o apoia. Estão bem um para o outro. O despenteado Beleza, que deveria preferir que o tratasse por Clooney Beleza, claro que também veio apoiá-lo. Portanto, os maleáveis do costume começam a perfilar-se em torno do putativo Tó-Zé. Estamos conversados.

E o que eu quero dizer é que, se o PS quer lançar algum nome, olhe, Pedro Nuno, não seja preguiçoso, puxe lá um pouco mais pela cabeça.

Hoje, talvez influenciada por tê-la visto no outro dia na Grande Entrevista, lembrei-me da Elisa Ferreira. Talvez, não é? Mas deve haver muito mais gente com arcaboiço, inteligência, honestidade, ponderação, tino, bom feitio, equilíbrio, amor ao País, boas maneiras, etc., que possa vir a ser apoiada pelo PS e com capacidade para ganhar eleições. 

É pensar. Mas pensar com cabeça, não com os pés. Ok?

sábado, outubro 19, 2024

As duas razões pelas quais uma pila se abstém: ou não tem vontade ou não consegue -- Pedro Mexia dixit
[E, já agora, uma questão que envolve a ejaculação precoce das pilas impulsivas]

 

Estava a ouvir o Programa Cujo Nome Estamos Legalmente Impedidos de Dizer quando João Miguel Tavares, a propósito da atitude dos partidos sobre a decisão que iriam tomar aquando da votação relativa ao Orçamento, usou a metáfora da comparação de pilas. Diz ele que até parece que quem vote contra com mais veemência será quem melhor faz oposição. Nesse contexto, naturalmente os principais intervenientes seriam Ventura com o seu rotundo não e Pedro Nuno Santos que, depois de enunciar todos os motivos para votar contra, aplicou-lhe um 'não obstante' e comunicou que a sua decisão será abster-se.

Nesse momento, Pedro Mexia, sempre com aquele seu ar de quem não está nem aí, se sai com a observação que acima citei. Claro que desatei a rir. Nem mais. E bate muito certo com o que ontem escrevi.

É que Pedro Nuno Santos sabe (ou intui) que lhe falta a energia, a pedalada, o punch, para se impor numa campanha (em que a imprensa e a teia de comentadores está feita com a AD, em que a maltosa da AD e do Chega não se ensaia nada para falsidades e manipulações, em que Marcelo continuará a ser Marcelo). Por isso, porque lhe falta a vontade ou porque sabe que não conseguiria, absteve-se.

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Mas, seguindo no carril das pilas e, na senda do que em tempos escrevi sobre alguma malta que, na nossa política, por aí anda a padecer de ejaculação precoce, uma pergunta faço eu: se é apenas na 2ª feira que Pedro Nuno Santos vai propor à Comissão Política o voto abstencionista do PS, porque é que já fez o anúncio ao País com pompa e circunstância como se já houvesse uma decisão oficial e escriturada? 

Não está a desvalorizar completamente a independência e relevância da Comissão Política do PS? O que lá vão fazer? Missa de corpo presente? São meros verbos de encher? 

E, se por um qualquer desalinhamento cósmico, a Direcção Política do PS decidir num outro sentido, com que cara vai ficar o não-impulsivo Pedro Nuno Santos? Ou tem um certo lado masoquista e gosta de fazer anúncios que mais não são do que passos em falso como naquela opereta bufa do aeroporto? Aparecer-nos-ia, outra vez, com o rabo entre as pernas, a confessar que se tinha precipitado? 

Note-se: estou a perguntar. E não são perguntas retóricas. Pergunto pois gostava mesmo de saber qual a resposta.

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E, se só agora aqui chegou e lhe apetece uma peixeirada, é descer. O Rangel está aí em baixo para a servir.

sexta-feira, outubro 18, 2024

Ai Pedro Nuno Santos...

 

Passo por cima da sacanagem suprema da PGR (com ou sem o respaldo do Marcelo) ao empurrar António Costa do Governo, passo por cima da campanha vergonhosa que Marcelo fez contra o PS e que culminou nas dissoluções da Assembleia da República -- e dirijo-me directamente à escolha do sucessor de Costa.

Se tivesse aparecido, por exemplo, uma Mariana Vieira da Silva, não teria dúvidas em achar que seria uma excelente líder para o PS. Assim, entre Pedro Nuno Santos e José Luís Carneiro, se eu fosse militante do PS, teria votado no segundo. Parece-me mais ponderado e melhor posicionado para dar resposta aos anseios da classe média, seja à instalada seja a que pretende lá chegar.

Na altura das eleições, pareceu-me que Pedro Nuno Santos (PNS) não estava a perceber que o PS não tem que tentar agradar ao eleitorado do PCP e do BE tanto mais que este eleitorado está cada vez mais reduzido. A população que decide eleições e que deveria ser o alvo das propostas do PS posiciona-se em quadrantes que PNS parece ainda não ter compreendido bem. 

PNS parece também ainda não ter compreendido que, ao deixar a resposta aos anseios dos jovens e da população mais qualificada para outros partidos e ao estar essencialmente conotado com a camada etária mais sénior, está a traçar aquele percurso que leva, devagarinho, à irrelevância. 

E as eleições confirmaram isto que estou a dizer. E, ainda que à tangente, foi a AD que levou a melhor. Conseguiu-o com base em acusações pouco sérias e populistas e em promessas vãs e falsas mas já se percebeu que a malta, em especial os menos informados, gostam é de quem lhes promete o céu e mais um par de botas.

Claro que Montenegro, ao armar-se em campeão e ao achar que podia governar à vontadinha, também começou, logo na noite das eleições, a trilhar o caminho da próxima crise.

E Pedro Nuno Santos ao enunciar logo, a quente, uma série de determinações, começou a mostrar um problema de que padece (de forma, aparentemente, incurável): uma tentação irreprimível de dar tiros nos pés.

Seguiu-se o que se tem visto: o Governo a cavalgar os bons resultados deixados pelo PS mas, sempre que pode, desavergonhadamente a querer ficar com os louros, anunciando grandes medidas como suas quando praticamente estavam todas em curso ou em vias disso no governo de António Costa. E, noutros casos, dá o dito por não dito, não conseguindo resolver o que dizia que resolveria em 60 dias. E já nem falo nos saneamentos políticos, geralmente precedidos de ataques e humilhações, por vezes públicos, aos saneados.

E depois, quando têm ideias das quais fazem bandeira, percebe-se que são ideias obtusas, ineficazes e que conduzem a desequilíbrios nas contas (exemplo disso é a isenção do IMT para jovens que levou a uma subida do preço das casas ou a maior burrice de que há memória e que dá pelo nome de IRS jovem em que, como as notícias têm dado conta, dará borlas de dezenas de milhares de euros a futebolistas ou a todos os 'jovens' que têm bons ordenados).

Face a isso como tem agido PNS? 

Frequentemente tropeça nas próprias pernas, ensarilha-se em argumentos palavrosos, anuncia coisas desnecessárias, frequentemente tendo que voltar atrás. Por exemplo, em vez de esperar para ver o Orçamento e só depois se pronunciar, enfiou-se numa saia justa ao reduzir o seu critério de decisão a duas medidas, depois reformulou e já eram essas duas, mas atamancadas, mais três a reboque, e depois já nem se percebia bem o que queria.

Já se percebeu que o Governo da AD é fraco, em algumas pastas, escandalosamente fraco, assenta em pressupostos errados e disparatados e não vai levar a lado nenhum. Pelo contrário, atira dinheiro a rodos para cima de meio mundo, traça políticas que não alavancam estímulos à economia e que desequilibram as contas e, afinal, em vez de estimular o crescimento do PIB (coisa em que o Sarmento, com base em fezadas, apostava), agora aponta para um PIB anémico e estagnado. 

Face a isto, qual a posição do PS?

Custa-me dizer isto (e custa-me especialmente porque acho que ele é esforçado e, sobretudo, parece-me uma pessoa pura) mas o que vejo é que PNS mostrou não ter arcaboiço ou estaleca ou o que queiram para desmontar de forma cabal o que ali está e para se afirmar assertivamente perante o eleitorado, perante o País.

Se houvesse eleições agora -- com a capacidade de comunicação do Governo, uma boa capacidade, e a boa imprensa que tem (a mesma imprensa babosa e, por vezes, sabuja, que ajudou a deitar abaixo o PS e que levou o PSD ao colo) e com a inabilidade de PNS --, não seria claro que o resultado fosse estável e favorável ao desenvolvimento sustentável.

Um líder forte, de ideias bem estruturadas, provavelmente não se tinha enfiado no labirinto em que o PNS se meteu e, provavelmente, avançaria de peito feito para o que desse e viesse não deixando passar o OE. Mas não é o caso.

Assim, tomou a decisão que se encaixa neste panorama: depois de dançar o vira e o corridinho ao longo de não sei quanto tempo e, mesmo hoje, quando falou ao País, chegou ao fim da comunicação e, numa pirueta, anunciou que vai deixar passar o OE e deixar que o Montenegro passeie no parque por mais um ano e tal ou dois.

E eu, com o PNS como Secretário-Geral do PS, acho que a decisão não podia ser outra. Pelo menos, pode ser que haja tempo para uma de duas: para ver se amadurece e atina ou, alternativamente, para o PS pôr uma pessoa mais focada e mais estruturada no lugar dele.

quinta-feira, outubro 10, 2024

Aleluia. Finalmente Pedro Nuno Santos, numa entrevista que não foi 'um passeio no parque', diz que vai analisar a proposta de OE 25 e depois logo vê se o PS aprova ou não aprova. Aleluia.

 

É que uma coisa era haver um entendimento tacitamente aceite entre a AD e o PS (como houve no tempo da geringonça, entre o PS, o PCP e o BE) e o Orçamento resultava do alinhamento de algumas linhas de convergência, e outra, bem diferente, é a que se verificou, com o PSD (apesar da raquítica maioria que não lhe dá para nada) a andar para aí a cantar de galo, desafiador, rufia, sarrafeiro, armado em todo-poderoso, fazendo o orçamento sozinho, agora querer à viva força que o PS o aprove.

Claro que Pedro Nuno Santos não esteve bem ao reduzir o tema da aprovação a duas linhas vermelhas, dois aspectos específicos. Entre mil tópicos, reduziu o tema a dois. A partir daí ou o Governo ajoelhava e rezava ou a coisa tinha tudo para infectar. 

Um orçamento contempla decisões em todas as áreas da governação e nem todas podem ser pacíficas. O Governo pode ter posto no OE toda a espécie de cavaladas. Veja-se qual a ideia do Governo para a RTP, uma canalhice pura e dura. E quantas mais medidas do género podem estar subjacentes ao orçamento?

Por isso, ou o Orçamento, no seu todo, tinha sido mais ou menos alinhavado entre a AD e o PS, ou a única decisão inteligente, em meu entender, seria esperar para ver: analisar cuidadosamente todas as medidas, todas as contas, e, então, com perfeito conhecimento de causa, tomar uma decisão.

O comentador Marcel e o seu amigo Mendes, a Madame Avillez, as comentadeiras a granel que, quais térmitas, saem de debaixo dos balcões para corroerem a opinião pública, podem não gostar. Azarinho. Já a comentadeira, mini-fonte-de-belém, Ângela Silva tinha escrito 'Despachem o Orçamento que Marcelo quer despachar o Almirante'. E agora, com esta decisão do Pedro Nuno Santos, ainda não sabem como é que isto vai acabar e isso maça-os. 

Claro que o desaventureiro Ventura, que num dia veste a pele de baderneiro, noutro de taberneiro e, nos intervalos, ensaia o papel de estadista, prepara-se para se mostrar muito responsável. Estará a AD bem entregue se o OE passar com os votos do Ventura...

Enfim, está a cegadinha armada. Mas outra coisa não seria de esperar com a mais do que anémica vitória obtida pela AD e pela falta de noção de Montenegro que gosta de se armar em campeão, esquecendo-se que tem uma maioria menos do que relativa e não mais do que absoluta.

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Para quem goste de ouvir pessoas inteligentes, sugiro que se veja Mariana Vieira da Silva no NOW. 

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De qualquer forma, penso que a sugestão que fiz no post abaixo se mantém válida. Ponha-se essa maltosa a dançar em vez de nos maçarem com conversa fiada:

Russell Bruner - Eccentric Dance


sábado, outubro 05, 2024

Então como é que é? O cowboy sempre vai casar com o cavalo?
-- A palavra ao meu marido --

 

Na quinta-feira assistimos a mais um episódio da novela do orçamento, cujo guião é da autoria do comentador Marcelo. Segundo os outros comentadores deste reality show, parece que a coisa se irá compor e que vamos ter um final feliz. Segundo terminologia de antanho, finalmente o cowboy irá casar com o cavalo. O bom da fita (o Montenegro claro, quem havia de ser para os comentadores do costume?) vence o mau (o Pedro Nuno, quem havia de ser para os nossos comentadores do costume?), que no final até acaba por ter um gesto de simpatia e atira uma corda ao bom da fita para ele poder continuar a fazer o que manifestamente não sabe, que é governar.

Sendo verdade que em termos de comunicação, o Luís deu cinco a zero ao Pedro, não partilho da opinião que houve, até agora, uma vitória folgada do Luís. É certo que o que se consegue transmitir é importante, e aí o Luís venceu, mas também não é menos certo que recuou numa das medidas bandeira do governo e deu um passo atrás -- provavelmente para tentar depois dar dois passos à frente (teoria que já foi muito do agrado do Durão Barrosos) -- no caso do IRC.

Quem definiu a estratégia de comunicação do PS e pensou que  a Alexandra Leitão era quem devia transmiti-la melhor fora que, nesse dia, tivesse ido à praia tomar um banho de água gelada para refrescar as ideias. Um pessoa que diz em vinte cinco palavras o que podia dizer em cinco não é, naturalmente, alguém que pode transmitir com eficácia uma ideia. 

E o Pedro Nuno também tem muito que aprender em termos de comunicação, assim, não vai lá. Enredar-se nas questões e fazer quase tantos comentários sobre a aprovação do orçamento como o Marcelo, também não foi boa ideia. Vi, por exemplo, o Francisco César  falar sobre o assunto e deu cinco  a zero ao Pedro Nuno e à Alexandra.

Na minha opinião a coisa devia ter sido feita de forma mais simples. O Montenegro que  apresentasse o orçamento e, até lá, o PS não falava no assunto concentrando-se nos problemas do País. Será que, por exemplo, ter havido dezenas de grávidas que tiveram os filhos nas ambulâncias não deveria merecer mais atenção do PS? Mas não. Deixou-se enredar na teia montada pelo PR, pela AD e pela comunicação social e tem muito mais dificuldade em descalçar a bota. Deveria ter aguardado pela apresentação do orçamento, pronunciar-se e apresentar alternativas.

O Montenegro só agora deve ter percebido que o IRS Jovem era um burrice que não acabava e que tinha que pôr de lado esta "bandeira" que lhe traria fenomenais enxaquecas. Mas quer os comentadores queiram quer não, e aos comentadores exige-se capacidade de análise, andar em campanha eleitoral e no governo  a endeusar uma medida que se deixa cair na primeira oportunidade não é seguramente uma vitória, é uma derrota porque revela que não se pensa no que se propõe nem se cumpre o que se promete. 

Já agora, à laia de aparte, cuidado Montenegro, que, ontem, o Abel "qualquer coisa", salvo erro diretor do Observador, comentador da CNN e grande contribuinte para as notícias que desacreditavam o governo do António Costa, já começou a dizer que afinal o Montenegro estava  a fazer o mesmo que o governo do PS. 

Já agora talvez o governo pudesse começar a governar para todos perceberem ao que vem. Governar é tomar medidas e não apenas passar cheques.

O Pedro Nuno Santos anuncia que deixa passar o Orçamento... mesmo sem conhecê-lo?

 

Se o PS chegar a um entendimento com a AD sobre o IRS Jovem e sobre o IRC, Pedro Nuno Santos assina já, de cruz, a passagem do OE2025? Percebi bem? É isto?

E se a Cultura passar a 0%? E se as verbas da Saúde forem todas desviadas para o Privado? E se as verbas da Educação sofrerem um corte de 50%? 

São exemplos apenas para demonstrar, por absurdo, que me faz muita espécie que alguém assine de cruz o que quer que seja.

Percebi que, para o PS, havia duas linhas vermelhas: o IR Jovem nos moldes em que a AD queria e a descida do IRC. E, no meu entendimento, isso queria dizer que se essas duas medidas lá estivessem, nem olhava para a proposta de OE. Se essas medidas lá não estivessem ou se estivessem com umas variantes aceitáveis, então, o PS analisá-lo-ia, podendo ou não deixá-lo ou não passar, consoante o que lá encontrasse.

Agora um cheque em branco...?

Não percebo.

Ou então, como no caso anterior, se calhar não estou a ver bem a coisa.

segunda-feira, junho 10, 2024

Europeias 2024 -- os quês e os porquês
Análise, partido a partido

 

PS - Com uma AD que deu origem ao actual governo -- um governo desgraçado, que tem revelado uma atitude videirinha, pacóvia, ignorante e chico-esperta --, seria expectável e razoável que o PS conseguisse uma distância mínima de 5% em relação à AD. Mas não conseguiu. 

E não venham dizer-me que o PS ainda está a arrumar a casa, a juntar os cacos (como ontem ouvi, na televisão, um débil mental a dizer). Qual desarrumação? Quais cacos? Acaso o PS estava desarrumado? Acaso alguém tinha partido a louça toda? Estão malucos ou quê? O PS estava a governar e bem, tinha a casa arrumada. Poderia estar ainda muito agarrado a velharias, gente ainda muito saudosa dos maravilhosos tempos que se seguiram à queda da ditadura, gente que continua a sonhar sobretudo nos amanhãs que cantam. Mas, tirando o aspecto da renovação que já era (e ainda é) indispensável, era um partido bem dirigido. António Costa era um líder inquestionável.

A razão residirá, isso sim, muito na forma como este PS de Pedro Nuno Santos se posiciona. Continua a querer ressuscitar a geringonça, continua a querer agradar ao eleitorado mais à esquerda, mesmo quando está mais do que claro que esse eleitorado já praticamente não existe. 

Além disso, Pedro Nuno Santos funciona na base do eucalipto: à sua volta, nada. E isso foi bem patente na forma como se apresentou agora a cantar vitória. Em vez de aparecer rodeado pela equipa dos deputados eleitos, não senhor, apareceu ele, ele e ele. E num lado a Marta Temido e no outro o Carlos César. Muito mau. Depois de ter corrido com uma mão cheia de deputados notabilíssimos, nem para com os agora eleitos teve o gesto de os levar para o palco.

Da mesma forma como na política nacional não se sabe rodear de figuras de enorme qualidade como Mariana Vieira da Silva ou Fernando Medina ou Duarte Cordeiro (e outros a quem António Costa soube valorizar). Parece apenas dar ouvidos aos geringônticos Alexandra Leitão (e, de certa fora, Mendonça Mendes).

Ao parecer querer livrar-se de todos os que eram figuras de destaque na governação de António Costa e ao parecer não saber compreender a nova realidade, o PS não sabe ir buscar um eleitorado novo nem sabe recuperar a classe média que se deslocou para a sua direita por não se rever neste PS que, com Pedro Nuno Santos, aparece aos olhos do eleitorado como anquilosado e encostado a uma esquerda moribunda.

Ouvi Pedro Nuno Santos anunciar que vão lançar uns novos Estados Gerais. Espero que daí nasçam novas ideias. Espero que percebam que não é com Carlos César e outras peças de museu ou com Alexandra Leitão e outros saudosos da Geringonça que vão conseguir contrariar a tendência descendente que se vem desenhando. De resto, também não sei se a noite eleitoral era o momento ideal para falar nisto. Sendo estas eleições europeias tão relevantes, Pedro Nuno Santos esqueceu-se disso e só falou de política nacional. Muito curto em termos de visão estratégica. O que ali vi foi sobretudo o PS a olhar para o seu umbigo, parece que incapaz de olhar para o que o rodeia e para o contexto europeu.

Espero que consigam mudar (para melhor) pois o País precisa de um bom partido social-democrata.

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AD - Beneficiam da inércia e da deficiente informação dos eleitores tal como beneficiam do colo que a comunicação social lhes dá. Com Portas e Marques Mendes a fazerem campanha activa em horário nobre, ao domingo, em canal aberto (com a conivência da Comissão das Eleições) e com uma profusão de comentadores a manipularem a opinião política, conseguiram aguentar-se. Com o que têm demonstrado desde que formaram Governo, com um eleitorado bem informado e com um PS mais assertivo e inteligente, a AD teria levado uma banhada. Não levou. Mas é o que temos. De qualquer forma, penso que é uma questão de tempo.

Montenegro, na noite eleitoral, também não se lembrou de que se estava a tratar de eleições europeias. Não deve sequer saber quais os problemas europeus. Tudo o que disse me soa a conversa videirinha, saloia, a falar muito e sem acrescentar nada.

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Chega - Felizmente sofreram um trambolhão. Gostava que lhes acontecesse qualquer coisa como a que aconteceu ao PRD, ou seja, que um dia destes o Chega acabasse. Mas não sei, não. André Ventura não acabará, arranjará maneira de andar por aí pois nitidamente tomou-lhe o gosto, é um populista que não vai ser capaz de parar. André Ventura é inteligente, é ubíquo, é uma máquina, e, como sabe lançar sound bites em permanência, a comunicação social não o larga e isso chama os eleitores. Mas, enfim, assim como assim, os eleitores souberam dar-lhe um chega para lá e isso talvez faça André Ventura refrear a sua energia destrutiva.

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Iniciativa Liberal - Subiram e subiram bem. A democracia liberal é um caminho aberto e o eleitorado jovem e com sangue na guelra  bem como uma classe média informada e exigente que se vê abandonada pelos partidos do dito centrão dar-lhe-ão ímpeto para subir ainda mais. A nível europeu, o espaço da democracia liberal será, creio que cada vez mais, o oxigénio de que a democracia precisa para impor, com alguma modernidade e juventude, os seus valores, fazendo uma barreira contra o populismo e contra a direita reaccionária que tanto nos ameaça.

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Bloco de Esquerda - Caiu e caiu bem. O Bloco é um partido que por vezes está bem mas, na maioria das vezes, está mal, sendo frequentemente populista, agarrando-se a causas marginais, assumindo atitudes justicialistas e arvorando-se em dono da verdade.

Na intervenção que tiveram a propósito dos resultados eleitorais, considero patética a sua  alucinação a cantar vitória, a rirem, às palmas, todas contentes como se não tivessem percebido que a sua representação se viu reduzida a metade. De loucos.

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CDU -- Caiu e caiu bem. Continuam agarrados a ortodoxias de antanho, defendem já não se sabe bem o quê, não percebem que já não representam quase ninguém, ignoram tudo o que de novo e relevante se passa à sua volta. A intervenção de João Oliveira e do Raimundo é alienação em estado puro. Marimbaram-se para a política europeia (realidade que, a bem da verdade se diga, lhes passa ao lado), marimbaram-se para os temas mais relevantes da actualidade e sorrindo de gosto, eufóricos, cantaram vitória e reincidiram na única e estafada lenga-lenga que conhecem. Já vão em 4% dos votos, só conseguiram um deputado, e ali estiveram, contentes como se tivessem ganho as eleições. Não sei se isto deve ser visto como uma perturbação do foro psicológico ou cognitivo mas alguma é.

ººººººººººººººººººº

Livre -- Tenho pena que não Francisco Paupério não tenha sido eleito. O Livre é uma esquerda moderna, ambientalista, humanista, informada. Como tenho vindo a dizer, acho importante que haja uma esquerda inteligente, informada, aberta aos novos temas. Gostava que, em Portugal, o Livre crescesse pois a democracia precisa de partidos assim. E a Europa precisa também de vozes jovens, civilizadas, democráticas, abertas ao futuro.

ººººººººººººººººººº

Abaixo, as Primeiras impressões

quinta-feira, março 21, 2024

Tratado sobre a síndrome da ejaculação precoce aplicada à política

 

Ainda os votos estão a acabar de ser contados e já as televisões mai-los seus comentadores se afadigam a comentar a indigitação de Montenegro pelo bizarro Marcelo.

Não sei se vem bebé a caminho e o casório tem que ser encenado às pressas, pela calada da noite, ou quê. 

Se não for isso, não sei que pressa esgalgada é esta de estar a chamar a Belém o putativo indigitado à meia-noite, como se nada pudesse esperar pelo dia seguinte. Só se algum dos dois intervenientes neste insólito rendez-vous nocturno tiver que, a seguir, ir a correr tirar alguém da forca, quiçá no tal beco do chão salgado em que se acertam contas contra quem faz fosquinhas ao dito Marcelo. 

Parece que anda meio mundo com fogo no rabo, o Marcelo a calçar ao Montenegro os sapatos de Primeiro-Ministro, o Pedro Nuno Santos também acelerado, primeiro a cantar derrota ainda a confusão ia no adro e depois, ainda o risonho Montenegro não era mais que putativo, já a propor dar-lhe a mão num putativo rectificativo.

Muito putativismo.

Bom entendimento é civilizado e deve ser apreciado mas também seria bom que nos explicassem porque é que todos estes homens estão tomados pelo síndroma das decisões precoces. O primeiro a mostrar o mal que o tinha acometido foi, lembremo-nos, o fofo Raimundo. Ainda não havia governo, muito menos programa de governo e já ele estava a ejacular a decisão de votar contra.

Mas, a seguir, é vê-los todos a correr para ver quem ejacula decisões mais cedo e mais antes de tempo.

Era bom que nos explicassem a que se deve isto, se é das poeiras do deserto ou se é virose que anda por aí.

Cá por mim, parece que estou a salvo. Até ver só vi isto nos nossos (nossos, salvo seja) políticos-homens. 

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E, no rescaldo da noitada, agora que o Luís nos informou que, daqui a nada vai, quando for espalhar o seu sorriso por Bruxelas já o fará na qualidade de indigitado, o que concluo é que os dois envolvidos na farrinha nocturna de hoje resolveram refrear as hormonas e, para o Luís não cair em descrédito logo no dia 1, ah és mentiroso e tal ou isso que estás a dizer só pode ser mentira, protelaram a tomada de posse para 2 de Abril. Ao menos nisso tiveram tino.

Fiquei ainda a saber que, no dia 2, se calhar o Marcelo também vai dar posse ao feliz Pedro Nuno Santos na qualidade de Primeiro-Opositor. E, até por isso, também é bom ser dia 2 senão a malta ainda achar que era mentira.

Malta pândega, esta.

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Quanto ao tratado sobre a síndrome da ejaculação precoce aplicada à política naturalmente não é aqui que o encontram. Mas sugiro que os mestres da comentação, a saber, Bugalho, Calafate et al (muitos deles colhidos ao calhas à porta dos Jardins Infantis), se debrucem sobre o tema. Mesmo que alguns ainda não tenham conhecimentos na matéria também não faz mal, eles falam do assunto na mesma.

terça-feira, março 12, 2024

E agora? Que faremos com estes resultados...?

 

Em 2015, o Bloco e o PCP valiam 18,4% do eleitorado. Isso correspondeu a 36 deputados. Apesar de tudo, tinham uma expressão não negligenciável.

Agora valem apenas 7,7%. Menos de metade do que era naquela altura. Dizendo de outra maneira: mais de metade das pessoas que se reviam nas políticas do PCP e do Bloco mudaram de ideias, fartaram-se.

Ou seja, a esquerda que eles representavam é hoje marginal. 

Hoje são 9 deputados (num total de 230). Ou seja, na verdade são apenas 4% dos deputados da Assembleia. Sejamos objectivos: quase nada.

Isto significa que a sociedade tem vindo a cansar-se e a desiludir-se do que o PCP e o Bloco têm para oferecer.

O eleitorado privilegia agora outras coisas. 

O eleitorado deslocou-se para o centro. 

O PS perdeu também eleitorado para a direita.

Por isso, o PS deverá perceber que o eleitorado tem hoje outras aspirações, diferentes das de há uns anos. Hoje o eleitorado já não quer ver-se livre da austeridade, do láparo, dos vestígios do cavaco, naquela gente que vendia o país ao desbarato. 

A página foi virada e os problemas, reais ou percepcionados são outros. Hoje as pessoas querem estabilidade, qualidade nos serviços (educação, saúde, segurança), quer retorno do resultado do seu trabalho (melhores rendimentos e uma carga fiscal menos pesada), quer qualidade de vida. 

Por isso, sempre que a conversa for dirigida para o que era o eleitorado de esquerda em 2015 falhará o objectivo de cativar mais eleitorado.

Quanto ao Livre, penso que é diferente. Rui Tavares mostra-se europeísta, civilizado, uma esquerda 'moderna', não caciquista, não anquilosada, não justicialista. A população urbana, que dá valor á democracia, à liberdade, a causas humanitárias e ambientalistas, tende a rever-se no programa do Livre. Os eleitores do Livre, em meu entender, não vêm do Bloco ou do PCP mas sim do PS.

Por isso, aqui referi que teria sido inteligente se o PS e o Livre tivessem feito uma aliança pré eleitoral. Haveria menos votos perdidos por via do método Hondt.

Não o fizeram antes das eleições mas estão ainda a tempo de se aproximar e pensarem em conjunto o futuro.

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No rescaldo destas eleições antecipadas, o PSD/AD está a herdar uma situação fértil. O PS fez um trabalho fantástico (que o PS e Pedro Nuno Santos não souberam louvar e divulgar de forma eficiente). Hoje há dinheiro em caixa (o défice é mínimo ou inexistente), há dinheiro nos cofres (há uma almofada, ie, reservas), há dinheiro a cair (do PRR). Portanto, a AD tem margem para fazer as flores que quiser. Tem margem para pôr em prática medidas que vão impressionar muito favoravelmente parte do eleitorado tradicional do PS bem como muito do eleitorado do Chega. 

E pode, se assim o entender, pôr em prática as suas medidas eleitorais sem ter que submeter um Rectificativo a votos.

E, portanto, pode seguir até ao OE 25 sem grandes sobressaltos.

Mas, se a AD for antes a votos, à luz da leitura que hoje faço dos factos, eu, se fosse ao PS, apostaria na abstenção, deixando o Rectificativo passar. E isto porque se um Rectificativo chumbasse e se se entrasse numa crise com novas eleições ainda este ano, não vejo como é que o PS poderia melhorar os seus resultados pois parte do eleitorado, que sentia que iria ser beneficiado com as medidas da AD, penalizaria quem chumbasse esse Orçamento. 

O que o PS deve fazer agora é perceber como deve reorientar a sua estratégia. Para começar, deve ver-se livre do que ainda subsiste de aparelhismo, de assessores e da lógica ainda instalada dos jobs for the boys. E depois deve orientar-se para o que os eleitores realmente querem: estabilidade, qualidade de vida. Os mais jovens querem condições para ter filhos e para poder proporcionar-lhes uma boa vida. A população em geral quer segurança nas ruas e isso significa integração das populações mais marginais (imigrantes, nomeadamente), quer segurança a nível de saúde com Centros de Saúde e Hospitais funcionais, quer boas escolas e professores a cumprirem os horários, quer paz social.  Claro que os ordenados devem subir mas, para isso, o mundo laboral tem que deslocar-se para profissões mais especializadas, em que a produtividade seja significativa. E todos querem receber uma parte maior do que ganham já que hoje, em especial os que passam a ser um pouco mais que remediados, a carga fiscal é um peso que custa a aceitar. Se queremos que os que emigraram regressem e que os que estão a pensar sair não vão, temos que assegurar-lhes maior liquidez, seja por via de salários mais altos seja por um expressivo alívio na carga fiscal.

Depois há os pensionistas, uma fatia enorme de qualquer eleitorado. Aqui o que há a assegurar é que as pensões acompanham o crescimento da economia e que haverá igualmente um alívio fiscal. E, também aqui, que o SNS seja uma resposta efectiva às necessidades. Hoje é muito difícil. Em especial nos grandes meios urbanos, que são os que melhor conheço, é muito complicado. Dou o meu exemplo. Mudei de casa vai para quatro anos e não consegui mudar de médico de família pois, onde agora vivo, não há médicos de família disponíveis. Mas com o meu também não é fácil pois, se marcar hoje uma consulta, só tenho vaga para Junho. E não é um exemplo inventado, é a realidade. E um dia destes vou fazer exames. Se alguma coisa não estiver bem, tenho que esperar por Junho ou, em alternativa, ir às oito da manhã, ou antes, para arranjar vaga para o dia, podendo ser atendida por um qualquer médico. Se estiver com alguma coisa que requeira análises ou RX tenho que ir para as Urgências do Hospital sujeitar-me a longas horas. Sei pelo que passei diversas vezes com os meus pais. Como tinham seguro, por vezes fomos para o Privado e aí, claro, as condições são outras. Ora é indispensável reorganizar todo o SNS por forma a que a resposta do SNS seja equivalente à dos Privados. Se enfrentar horas de espera, estar estendido horas a fio em macas em corredores pejados de gente, em que a privacidade e a dignidade das pessoas é posta em causa, é muito mau para toda a gente, ainda é mais ingrato para pessoas frágeis, de idade.

E é também indispensável que se perceba que essa larga faixa eleitoral é composta por uma população felizmente a viver até cada vez mais tarde em que o pão nosso de cada dia são os problemas complicados. E, por isso, deve haver mais Unidades de Cuidados Continuados ou Paliativos e deve haver muito mais Residências assistidas, dignas, com qualidade, e a preço acessíveis. Hoje a oferta com alguma qualidade é caríssima (acima de 3.000€/mês, o que não está ao alcance da maioria da população). 

Para além disso, há as grandes questões de fundo: a demografia e as alterações climáticas.

Por isso, o PS tem muito em que pensar. Tem que se reorientar e tem que ter tempo para isso.

Não sou de clubites nem tenho testosterona a correr-me nas veias em vez de sangue. Penso com a cabeça e não com as hormonas. Quero paz e desenvolvimento e não guerra e ajustes de contas.

Assim, acho que é de deixar a AD fazer o que se propôs e para o qual recebeu os votos dos eleitores (e que se entendam ou deixem de se entender com o Chega). Ou seja, que não possam alegar que não podem satisfazer as aspirações dos eleitores por culpa do PS.

A política, em meu entender, requer políticos que, no dia a dia, pensem no melhor para os cidadãos, e no médio e longo prazo, no melhor para o País. Requer políticos que pensem sob diferentes perspectivas, que estudem as matérias, que planeiem as suas medidas e avaliem os seus impactos.

Com uma abertura ao futuro, com generosidade, com abnegação pessoal, com os pés na terra e com uma proximidade atenta aos cidadãos, será possível ao PS preparar-se para as próximas eleições.

Se souberem ser uma oposição ponderada, bem informada, bem intencionada, próxima das pessoas, serão reconhecidos.

É o que eu penso.

sexta-feira, março 01, 2024

Alô, alô Pedro Nuno Santos! Alô, alô senhores do PS!
Querem ganhar as eleições? Então descolem das políticas do PCP e do BE!

 

Se eu gostasse das ideias e das políticas defendidas pelo PCP, votava no PCP. Ora, nas legislativas, nunca votei no PCP e, embora haja aquela posição prudente de dizer 'nunca digas nunca', aqui acho que não há o risco de errar se disser que jamais votarei no PCP. São retrógrados, lunáticos, sectários, fechados à realidade. Nem pensar.

Se eu gostasse das ideias e das políticas defendidas pelo BE, votaria no BE. Ora nunca votei e, tal como no caso acima, acho que jamais votarei Bloco de Esquerda. São frequentemente populistas, são desleais, são sectários e, se forem maioritariamente, como a líder Mortágua, há ali um ímpeto justicialista, castigador, inquisitório.

Quando voto no PS, apesar de, por vezes não concordar com algumas políticas, voto por, em geral, me identificar com a ideologia do PS e não para que não sejam implementadas políticas defendidas pelo PCP e BE e que não fazem parte do programa político do PS.

Por isso não me agrada minimamente a possibilidade do PS poder vir a governar com as muletas do BE e do PCP. Minimamente. 

Acredito que, tal como eu, muita gente, ao pensar que o Pedro Nuno Santos está disponível para se chegar ao PCP e ao BE, fica arrepiada. E, se o arrepio for grande, muita gente poderá sentir-se tentada a fugir para a AD.

Se achei uma boa coisa há uns anos, quando era preciso correr com o Láparo & Cia de má memória -- que venderam o país ao desbarato, que correram com os jovens do país e que empobreceram tudo e todos excepto alguns happy few que compraram algumas das nossas melhores e mais estratégicas empresas--  agora gostaria que nem se chegassem perto do poder.

Outra coisa, que me parece bem diferente do PCP e do BE, é o Livre. O Livre parece-me civilizado, inteligente e parecem ser boas pessoas, informadas e sensatas.

Também tenho ideia que no PAN, se forem quase como a Inês Sousa Real, também será gente equilibrada.

Talvez tivesse sido ajuizado que, face aos riscos reais da direita subir (muito graças ao Chega), o PS tivesse feito uma aliança eleitoral com o Livre e o PAN, deixando claro que já estava mais que escaldado com o PCP e com o BE.

Mas não fez pelo que não vale a pena agora chorar sobre o leite derramado.

Contudo, tenho pena que o PS não tenha ainda percebido que deveria afastar-se das ideologias do PCP e do BE, mas afastar-se de forma muito clara, e, em contrapartida, que deveria mostrar que quer apoiar e acarinhar a classe média. Mas a classe média de verdade, não apenas os remediados que enganosamente são apelidados de classe média.

Hoje, e muito pela mão do PS (ainda muito agarrados aos laços da Geringonça), consideram-se ricos os cidadãos que não passam de classe média-média. Isso significa que a partir de uma fasquia muito baixa a malta é taxada e espoliada como se fosse milionária.

Isso é terrível e achata a pirâmide, fazendo com que o salário médio (líquido) seja muito baixo e com que muita gente nova nem pense duas vezes quando lhes aparece a oportunidade de trabalhar fora do País.

Isto provoca ainda que, para quem cá fica, haja uma grande apetência pela fuga ao fisco, seja pelo recurso a expedientes (criar empresas que, na prática, são fictícias, para acomodar custos e pagar muito menos impostos) seja pelo recurso a uma economia paralela.

Acredito que muita classe média se sente tentada a deslocar-se para a AD na esperança de ver a carga fiscal aliviada. Compreendo. 

Se a AD fosse constituída por gente confiável (e não é) e se se conseguisse perceber alguma coisa de concreto do que prometem (e não se percebe) ou se não houvesse o risco real de ficarem na mão do Chega (e há), até eu sentiria tal tentação (mas, por tudo o que disse e por mais ainda, não sinto). 

Mas o PS deveria pensar seriamente nisto: parte significativa da população quer respirar de alívio. Claro que os que ganham menos nem sequer pagam IRS. Esses já estão aliviados. Mas ainda mal começaram a tirar o pé da lama e já aí está o fisco a saltar em cima e a sugar o sangue dos que deveriam ser incentivados a ganhar até mais.

Tenho vários amigos médicos. Vários reformaram-se o ano passado ou no início deste e os que estão a trabalhar só trabalham dois dias por semana pois dizem que mais que isso é ir tudo para impostos. Ora isto, este esbulho fiscal, não faz sentido.

O último escalão de IRS deveria começar nos 150 ou 200 mil por ano. Quem ganha pouco achará isto um exagero. Mas pense-se nos dirigentes empresariais, nos médicos, nos advogados, etc, e perceber-se-á que se queremos fixar gente válida, atrair os que foram para o estrangeiro, se queremos desincentivar a emigração qualificada, se queremos evitar a fuga ao fisco, é essencial que se mude a fasquia fiscal e mental.

E depois há também a questão dos Alojamentos Locais em que muito boa gente se sente defraudada. Não conheço bem essa realidade mas a verdade é que o turismo é um alicerce, um suporte e uma alavanca económico-financeira e a verdade é que há procura para os Alojamentos Locais. Portanto, querer que sejam os senhorios ou os pequenos empresários que investiram nessas unidades a suportar os custos de uma política de desinvestimento em habitação social é outro embaraço para quem gostaria de votar no PS. Que se reconvertam instalações públicas ou militares desocupadas, que se invista na habitação pública ou se apoiem as cooperativas para que haja habitação a preços baixos. Mas não se queira que sejam os privados, os senhorios, a ser sacrificados e a suprir lacunas que são da responsabilidade de toda a sociedade e não daqueles que têm no alojamento local ou no arrendamento a sua forma de rendimento.

Transcrevo um comentário que um Leitor, a quem agradeço, fez ao post que o meu marido escreveu ontem pois creio que se o PS percebesse bem tudo isto e os anseios e as preocupações da classe média, certamente teria uma vitória folgada nas eleições.

Mas esses bons resutados foi à pala do turismo e agora querem acabar com o AL, que é responsável por 40%. E porquê? Porque não construíram casas durante 15 anos? Mas os hotéis que venham, não é?, só porque não são detidos por pequenos empresários, mas sim grandes investidores estrangeiros... Venha o Nadal para o Rossio, que no prédio dele não cabiam famílias... Uma vergonha. Eu tenho 4 pequenos apartamentos que estavam abandonados e que recuperei ao longo do sacrifício de anos e agora vão-me confiscar 10.000€ ao ano, €2500 por cada. Sem sequer deduzir no lucro, que praticamente não tenho, já agora - em Portugal não se faz riqueza com nada, exceto os grandes merceeiros (Pingo Doce, Continente...), a EDP e os bancos. Não há empresas médias, quanto mais grandes, que produzam riqueza e possam crescer. Uma enorme traição do PS, que andou a vangloriar-se das "taxas e taxinhas" que pagaram o novo Museu à pala do turismo e que andaram anos, Medina e Costa, a enganar-nos ao regulamentar uma atividade que afinal era para abolir. PS nunca mais. Para ser enganado e deixado na miséria, eu e os meus funcionários que terei de despedir, voto noutros. E ainda falam do ressabiamento da direita: o PS entrincheirou o país à esquerda, recusando qualquer abertura para falar com PSD por escolha própria, assim fazendo crescer o CHEGA. O PS matou a direita moderada ao aliar-se exclusivamente à esquerda radical (sim, Bloco é comunista radical, as leis do arrendamento, as leis com novos Impostos e contribuições extraordinárias que propõem, a impossibilitação de acesso a creches e hospitais privados, etc., tudo o mostra). Eu que era PS, vejo-me nesta situação horrível, sem outra escolha que não a AD para me safar. Ou devo, já que estamos assim, votar direto no CHEGA? Que lástima, que país miserável.

Não estou confiante quanto aos resultados das eleições de 10 de Março. A minha esperança é que o PS atine e perceba que se quer ganhar as eleições e ganhar a confiança dos eleitores deve apontar ao centro e não à esquerda.

segunda-feira, fevereiro 26, 2024

À atenção de Pedro Nuno

[A palavra ao meu marido]

 

Cada vez parece mais claro que estas eleições não deviam ter existido. Acontecem devido à inqualificável atuação do MP e à forma oportunista e sem atender ao interesse nacional como o Prof. Marcelo conduziu a sua atuação desde o início do governo de maioria absoluta do PS.

Neste cenário, tenho dificuldade em perceber as razões pelas quais o Pedro Nuno Santos não enfatiza, nos debates e nas  intervenções, os sucessos e as melhorias conseguidas pelo governo do PS e as razões pelas quais em algumas áreas o governo não terá atingido os objetivos que se propunha. 

Existem muitos pontos positivos aos quais, julgo, os portugueses são sensíveis e que valeria a pena enfatizar: 

  • a baixa taxa de desemprego, 
  • o aumento significativo do número de postos de trabalho, 
  • o aumento do salário mínimo, 
  • o aumento do salário médio, 
  • os apoios sociais extraordinários na época da pandemia e quando a inflação disparou,  
  • o crescimento da componente de exportações no PIB, 
  • o crescimento da economia (um dos maiores da Europa), 
  • a digitalização de muitos serviços públicos (quem tem que tratar de documentos ou ir a repartições públicas percebe que houve uma enorme evolução), 
  • o controlo relativamente rápido da inflação, 
  • o prestígio que granjeamos na Europa devido à nossa  evolução... 
  • e, claro, as contas certas 
  • e o excedente orçamental que permitem alavancar a evolução do País.

O Stiglitz, quando esteve em Portugal, referiu que Portugal tinha conseguido o impossível. É importante referir estas opiniões autorizadas que também são muitas vezes referidas por altos representantes da Comunidade e de Países Europeus.

Depois temos as áreas mais controversas. 

Primeiro  a Saúde. Vale a pena relembrar que em 2020 houve uma pandemia e que foi, sobretudo, o SNS que cuidou dos portugueses e que, por exemplo, conseguiu um enorme sucesso com  a percentagem de pessoas vacinadas e com o período em que tal foi feito. É com certeza um ponto a favor da politica de reforço do SNS. É certo que existe falta de médicos ou porque se reformaram ou porque passaram para os privados que pagam melhor devido ao aumento da procura. O governo poderia/deveria ter apostado mais cedo na reforma do SNS, mas seria possível no rescaldo da pandemia? Não sei.

Relativamente à Habitação todos sabemos que é um problema Europeu. A procura por estrangeiros  e  a aposta na habitação como aplicação financeira fez disparar os preços. Mas, por exemplo, não será de referir que as habitações agora publicitadas pelo Moedas resultaram de politicas do PS à frente da Câmara de Lisboa?

Relativamente aos professores e aos polícias é certo que, enquanto o Mário Nogueira estiver à frente do Sindicato  e houver um governo do PS, os professores estarão na rua. Quanto à polícia parece haver reinvindicações justas, mas, sobretudo existe  a perniciosa influência da extrema direita. 

Quanto à Justiça já aqui escrevi que o António Costa devia ter tomada medidas para melhorar o funcionamento da Justiça e para que o MP não faça o que quer, chegando ao extremo de demitir governos.

Em contraponto com o anterior governo do PSD, o governo do PS (que passou por uma pandemia e por duas guerras) cuidou mais e melhor  das pessoas, fez o País crescer e conseguiu atingir os patamares necessários para um futuro melhor. Não valerá a pena enfatizar estas realidades na campanha eleitoral? 

Um outro argumento que não vejo suficientemente utilizado pelo Pedro Nuno é contrapor o crescimento sustentado conseguido pelo governo do PS em contraponto com a política económica proposta pelo PSD que, como é sabido, nunca deu bons resultados nem originou crescimento sustentável na economia e, pelo contrário, criou mais desigualdades e só promoveu o aumento da riqueza dos mais ricos, levando a graves crises financeiras. 

Numa campanha eleitoral é essencial ser eficaz, utilizando todos os argumentos válidos ao dispor, e no caso do PS, são mais que muitos. Está na hora de Pedro Nuno dos Santos começar a usá-los.

 

domingo, janeiro 14, 2024

A comunicação social e as mentiras do Ventura

-- A palavra ao meu marido --

 

Já aqui escrevi várias vezes que acredito que o crescimento do Chega resulta em grande parte da comunicação social levar o Ventura ao colo e da forma como o MP e a comunicação social tratam os processos ou pseudoprocessos que envolvem políticos e outras figuras mediáticas ou com poder.  

O Ventura não tem uma única proposta para o País, não diz o que faria sobre os diversos setores se fosse eleito. Cavalga o que vai mal, anuncia medidas populistas inconcretizáveis, mente e não tem uma ideia, nem aproximada, sobre o orçamento de Estado e muito menos sobre os custos  e proveitos que o compõem. 

No entanto, o que é que a comunicação social divulga sobre os discursos do Ventura? 

Divulga os sound bites, muitas vezes mentiras, sem se dar ao trabalho, que seria o verdadeiro trabalho de jornalista, de informar que o Ventura está a mentir. 

Ainda hoje, no Congresso, o Ventura avançou mais uma vez com um número sobre os gastos com a igualdade de género que já foi bastamente demonstrado que é mentira. No entanto, é um dos excertos do discurso que passa em tudo o que é notícia. O único jornalista que ouvi referir que o Ventura diz, impunemente, as mentiras que lhe apetece foi o Anselmo Crespo na cobertura que  a CNN fez do Congresso do Chega. Que raio de jornalistas e jornalismo temos que divulgam mentiras, que sabem que são mentiras, e não o referem?

Outra moda agora dos comentadores e jornalistas/comentadores é transmitirem a ideia que o Chega vai crescer muito nas próximas eleições. É mais uma ajuda para o Ventura porque  a ideia de vencedor angaria os votos de quem gosta de estar com quem vence. Seria útil que, de uma forma séria e isenta, a comunicação social tratasse o Ventura como ele merece. Se não me engano, uma análise correta das sondagens revela não haver nenhum crescimento exponencial do Chega.

O Ventura  e o Prof. Marcelo são um filão para  a comunicação social que temos. No entanto, não teriam interesse por aí além para a comunicação social de que precisamos.

Antes de terminar, ainda uma palavra para o Pedro Nuno Santos. Hoje veio com um discurso meio sem jeito sobre o governo do PS.  Assim, infelizmente, não vai longe. As pessoas querem abordagens simples e pela positiva. E reincidiu na conversa da empatia. Tem muito que aprender com o António Costa. O Pedro Nuno não se deve esquecer que, ao contrário de todos os PM anteriores, o António Costa sairá do governo com uma imagem bastante positiva. O António Costa é, aqui concordo com a maioria dos comentadores, o maior ativo do PS.

segunda-feira, janeiro 08, 2024

Votos de boa sorte e de felicidade a Pedro Nuno Santos e António Costa no primeiro dia do resto das suas vidas

 

Sim, ouvi o discurso de Pedro Nuno Santos. Tem entusiasmo, carisma, garra. Tem uma visão e a visão dele é boa: quer fazer crescer o País, não quer deixar ninguém para trás, quer elevar o nível das valências nacionais. E está certo. Penso que tudo isto é indiscutível. Contudo, penso que ainda não engoliu sapos suficientes para perceber que é preferível, em determinadas circunstâncias, alguma prudência para não correr riscos desnecessários, nomeadamente o de ter que engolir mais uns quantos. 

Pode ser que tenha feito as contas todas e saiba onde vai buscar o dinheiro para tudo o que anunciou e pode ser que já se tenha concertado com as partes envolvidas em todas as medidas para as quais já publicamente apontou objectivos. Se o fez e tem a certeza que pisa terreno seguro, então nada tenho a dizer. Mas, se o não fez, talvez esteja a dar passos maiores que as pernas. Até porque, para gerir uma casa, é preciso ter boa cabeça e um sentido de harmonia, para gerir uma empresa é preciso boa cabeça, bom senso, paciência, boa visão ao longe e ao perto e muito mais que isso, mas, para gerir um País, é preciso tudo isso mas, antes, tem que se subir para o patamar a partir do qual se ouvem e concertam todos os intervenientes mesmo os que defendem interesses contrários.

Mas, daqui até 10 de Março, Pedro Nuno Santos há-de ser aconselhado, assessorado, apoiado. O próprio coro de reacções adversas provenientes da oposição e dos media ajudá-lo-ão a calibrar medidas, ajustar opiniões, corrigir a trajectória ou a velocidade.

Seja como for, volto a dizer, apesar de lhe reconhecer uma impetuosidade que, aqui e ali, pode vir a ser-lhe um pouco atrapalhativa (digamos assim), não tenho dúvidas de que Pedro Nuno Santos está a anos luz dos líderes dos outros partidos. 

  • Direi que penso que é menino para cilindrar ainda mais, quiçá de vez, o pateta do Montenegro (que, para além de não ter ideias nem jeito, tem uma falta de bom senso e de decoro que causa desconforto, que maça; por exemplo, hoje falava deste período de mortalidade elevada com um incomodativo e despropositado sorriso sarcástico na cara, fazendo-me sentir vergonha alheia). 
  • Mas Pedro Nuno Santos torna também irrelevantes a azeda Mortágua e o nulo Raimundo. 
  • E torna ridículos quer o pateta da IL (de que não consigo fixar o nome) quer o vendedor de banha da cobra do Ventura, torna muito claro que estes dois não passam de maus actores a fazerem papel de tontos num filme de tontos para um público de tontos. 

Para finalizar, só espero que Pedro Nuno Santos seja humilde e saiba rodear-se de pessoas experientes e francas e que peça muitas vezes a opinião de António Costa, uma pessoa com uma excelente visão a 360º e um pragmatismo ímpar  -- e quem diz o Costa diz outros veteranos da política socialista com quem terá sempre a aprender. E que daqui até 10 de Março saiba reservar todos os dias um bocado para trabalhar com especialistas das diferentes áreas, para se documentar, para reflectir, para colher experiências -- ou seja para se preparar o melhor possível para o que tem pela frente.

Uma palavra ainda para me referir a um tema que acho que deveria ter abordado no seu discurso, nem que fosse ao de leve: o da Justiça. Claro que houve vários outros que não aflorou e que são eixos fundamentais, alicerces, pilares e vigas de uma estrutura sólida. Num discurso destes não há lugar para tudo, bem sei. Mas a Justiça, por ser um pilar fundamental e por ter já dado provas mais do que suficientes de que está podre, ou parcialmente podre, merece uma atenção prioritária. Como cidadã, sinto que a actuação do Ministério Público se traduz em riscos graves para a nossa democracia. O que o MP, perante a inoperância e o olhar cego e quase tonto de uma PGR desfasada da realidade, e sob o beneplácito de um PR diminuído, tem feito é de susto. E ninguém pode sentir-se em segurança numa situação destas. Pode Pedro Nuno Santos achar que não é um tema popular ou que é terreno minado. Mas se tem passada larga e parece gostar de dar o peito às balas, é luta à qual não deveria furtar-se. Melhor: não deverá furtar-se. É isso que espero de um homem de bem, ainda mais sendo um democrata, um humanista, um socialista.

Acabo este texto com uma palavra de agradecimento a António Costa. Só não sou mais exuberante pois parece que ainda não consigo admitir que esta barracada do MP tenha acontecido, ainda espero que, a curto prazo, os magistrados que fizeram isto, mais a Gago que aparou a porcaria feita, se retratem, peçam desculpa e se enfiem num buraco bem escuro, escondidos, com vergonha da porcaria que andam a fazer. E só espero que António Costa continue a ser um político de referência para Portugal e, se for o caso, para a Europa. António Costa é um político brilhante, um governante de excelência, um cidadão exemplar. A ele muito devemos. Mas porque ainda tem muito, muito, muito para nos dar, fico à espera de vê-lo em novas funções para poder continuar a agradecer-lhe.

PS: Uma nota de rodapé dirigida a Marcelo Rebelo de Sousa. Nas legislativas tenho votado no PS. E nas próximas continuarei a votar no PS. Repare no que estou a dizer: nas últimas não votei no António Costa. Votei no Partido Socialista. Nas próximas não vou votar no Pedro Nuno Santos. Vou votar no Partido Socialista. E, como eu, certamente todas as pessoas que votaram antes no Partido Socialista (e, cá para mim, muitas que não votaram antes mas vão votar agora). Percebeu, Sr. Presidente? Mas percebeu mesmo?