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segunda-feira, novembro 11, 2024

Dia de folga

 

Hoje estou de folga. 

Para começar, pensava que este domingo era dia 11; logo, dia de São Martinho. Só há bocado é que percebi que este ano o dito calha à segunda-feira.

E começo por informar que hoje não vou falar das incompetências do Governo. Ia dizer incompetências assassinas mas, como estou de folga, não vou usar metáforas desagradáveis. Também não vou falar do enjoo que me causam as afirmações politicamente correctas ou insuportavelmente sonsas de que não se resolve nada com a demissão dos incompetentes, apesar de me apetecer dizer que quem assim pensa não está a ver que manter incompetentes (perigosamente incompetentes) em funções é perpetuar o risco (o que é tanto mais grave quando estamos a falar de risco de vida) e, nesse sentido, está a ser cúmplice da situação. Mas não vou dizer, estou de folga. Nem vou dizer que, ao contrário do que muita gente pensa, não deve ser ministro quem quer mas quem tem competência para isso. Ser yes man ou yes woman, ser lambe botas ou lambe cus dos chefes, ser mais aparelhista do que os aparelhistas do partido não é curriculum vitae para coisa nenhuma, muito menos para ser ministro. Mas não vou dizer, hoje estou de folga.

Vou ficar, pois, pelas coisas simples e boas do dia. 

O almoço foi fora, em família. Tenho sempre mais vontade de ser eu a cozinhar mas como foi combinação quase de última hora e como o meu marido diz sempre que complico a ementa e arranjo coisas muito trabalhosas e que, de vez em quando, em vez de ser cá em casa, podíamos ir ao restaurante, assim foi.

Se os pratos pedidos fossem a votos, acho que teria ganho a cachupa e a moamba. Comi a meias com o meu filho, um bocado de cada. Gosto imenso e tenho dificuldade em dizer qual prefiro. 

Mas alguns dos comensais, em especial os mais novos, ficaram-se pelos bifalhões com ovos a cavalo. Como as doses eram generosas e como desde há algum tempo passou a ser comum, no fim o que sobrou foi colocado em caixas e cada família (família com crianças, leia-se) levou a marmita que, no mínimo, terá dado um bom jantar.

Tinha pensado que, com certeza, por graça, no fim, seriam servidas umas castanhitas assadas. Estranhei que não. Afinal, pois claro, não era Dia de S. Martinho. 

Ando assim, muitas vezes sem saber qual o dia do mês. Mesmo dias da semana, por vezes, quando acordo, ainda estremunhada, tenho que fazer algum exercício mental para me situar. Dantes, acordava a pensar que às dez tinha uma reunião com um, às onze com outro, ao meio-dia com outro, que a tarde também estava feita com este, aquele e o outro, e que me veria aflita para me despachar e raspar-me para casa. Como agora a agenda está limpinha de reuniões e maçadas afins, fica aqui um mar calmo em que, muitas vezes, os dias são um doce contínuo (também me apetecia dizer continuum mas temo que pensem que, no meio da cachupa e da moamba, um continuum pode parecer um enfeite daqueles que se usam para armar ao pingarelho).

Adiante.

Depois ainda fomos passear um pouco, um lugar tranquilo, bonito. Mas o passeio foi coisa ligeira. O meu marido não gosta de caminhar de barriga cheia, diz ele. Mas não sei se foi isso ou se lhe dá pena deixar o nosso cãobeludo mais fofo abandonado.

Quando chegámos a casa já quase anoitecia. Estes dias de horas deslassadas são uma tristeza, pequenos, pequenos que irritam. Às seis da tarde já está para lá de lusco-fusco. Mas fomos, então, fazer uma caminhada com o nosso cão.

Quando cheguei, sentei-me no cadeirão relax e adormeci instantaneamente.

Logo, não jantei. Ainda estava sem fome. O meu marido jantou um frango com lentilhas que estava no frigorifico. Mas, para lhe fazer companhia, sentei-me à mesa, claro. E não jantei mas... como sou um bocado lambona, comi uma little quelque chose.... 

Cortei dióspiro às rodelas. Adoro dióspiro, adoro, adoro. Abri uma lima. Em cada fatia de dióspiro pus umas gotinhas de sumo de lima, um pouquinho de canela em pó. Numas fatias pus uma fatia de queijo feta, noutras queijo cottage. Maravilha. No outro dia comprei um compacto de pasta de tâmara. É uma coisa que só tem tâmara moída, compacta. Parece assim uma espécie de broa. Aquilo não é muito doce. É uma coisa mesmo boa. Por isso, para sobremesa, cortei umas tirinhas e, em cima de cada uma também pus queijo. Foi um jantarinho mesmo bom.

E agora estou a ver o Hell's Kitchen mas o meu marido está só a fazer zapping para ver se vê o futebol. Portanto, é isto. 

E ficamos assim.

Uma boa semana a todos.

quarta-feira, maio 01, 2019

O Algarve selvagem no The Guardian e o Porto romântico na Vogue francesa


Portanto, com esta ampla divulgação e com a instabilidade em Paris e a incerteza em Inglaterra, não será de estranhar que vejamos as ruas a norte e as praias a sul cheias de gente que não é de cá. E desde que não seja uma invasão hostil e que não venham para invadir Belém e depôr o Marcelo ou tomar a Assembleia e sequestrar os deputados, acho bem. Aliás, é do melhor que há: é daquelas injecções de liquidez que nunca fez mal a nenhuma economia. Além disso, em termos sociológicos é sempre uma lufada de ar fresco, uma janela que se abre para outros hábitos e culturas. Uma economia com baixo desemprego, circulação de capitais frescos e contacto de perto com outras gentes é saudável, propicia o desenvolvimento da sociedade.

Começo por mostrar um pouco do que o The Guardian mostra do Algarve selvagem (que é o que eu melhor conheço e de que mais gosto)

Walking the wilder side of the Algarve


A self-guided walk along the dramatic cliffs and deserted footpaths of an Algarve a world away from the beach resorts and golf courses (...). The craving for Portuguese soul food sated for now, we wander down Sagres’s main drag of low-slung whitewashed houses towards the 16th-century fortress that looms over the Atlantic. It feels as if we are on the far edge of Europe: its most south-westerly point lies a short way north – at Cabo de São Vicente, whose lighthouse I can just about see. (...)
A bela praia do Amado

Sítio de Pedralva

E agora um pouco do Porto e, para meu desgosto, não conheço nenhuma das oito referências recomendadas.


Plus discrète, mais tout aussi vibrante que Lisbonne, Porto fourmille de bonnes adresses. A l'approche des longs week-ends de mai, voici nos spot préférés pour découvrir cette ville colorée en tête-à-tête avec le Douro. 
O belo casario do Porto
Casa Almada

Praia da Luz (na R. Cel. Raúl Peres no Porto)

E, assim sendo, soyez les bienvenus e be welcome a Portugal

sábado, abril 06, 2019

Converseta de fds que termina com uma lição de como não comer banana e outras coisas igualmente (in)úteis





No outro dia, numa reunião com pessoas de outra empresa, de cada lado um monte de homens e apenas uma mulher, a outra mulher veio sentar-se ao meu lado, dizendo que, já que éramos apenas duas, ao menos que nos juntássemos. Conhecia-a apenas formalmente. Mulher um pouco mais nova que eu mas vistosíssima, sempre produzida para impressionar. Mas simpática.


Antes que a reunião começasse, como duas gajas que se prezam, desatámos na conversa e, às tantas, já ela me dizia onde vivia e eu o mesmo a ela. E, nesse interim, diz-me ela que costuma ir muitas vezes a um restaurantezinho relativamente perto da minha casa. Disse o nome. Nunca tinha ouvido falar em tal coisa. Espantei-me. Disse-lhe que já moro onde moro há imenso tempo mas que antes tinha morado ainda mais perto desse sítio e nunca tinha visto tal restaurante. Ela contou que é uma coisa popular com uma pequena esplanada e contou os petiscos que lá vai comer. Perguntei porque lá vai, morando tão longe. Explicou-me que vai buscar a filha a uma escola de música que ali há. A escola de música eu conheço. 

Chegada a casa, contei ao meu marido. Para mim aquilo ainda era ficção. Impossível eu nunca ter dado por tal coisa. Mas, para meu espanto, ele disse que sim, que nesse sítio há uma tasca muito tasca. E ficou admirado por uma pessoa como eu lhe descrevi frequentar tal boteco.

No fim de semana, fomos conferir.

Lá está. O meu marido diz que sempre lá esteve mas que sendo tão tasca nunca lhe passou pela cabeça que fosse hipótese a considerar. Mas eu, com a minha visão selectiva, nunca tal tinha visto (e não têm conta as mil vezes que por lá passei).

Esta noite, depois de irmos ao supermercado e termos vindo pôr as coisas a casa, sendo já tarde e estando ambos cansados e esfomeados demais para esperar que eu fizesse jantar, resolvemos ir experimentar. A pé, a menos de cinco minutos de casa. Não tão pequena quanto isso. Lá dentro até é grandinha. Estando a chover, claro que não havia mesas cá fora. Lá dentro a rebentar pelas costuras. Marisco, petiscos, pratos. Atrás da nossa mesa um grande grupo muito ruidoso. O senão foi isso: o ruído. Mas aquele ambiente de restaurante de ambiente familiar, de tasca. Comemos lindamente. 

Há coisas do além.

E eu, uma vez mais, comprovei que de duas uma: ou sou uma despassarada do pior que há ou só vemos aquilo que estamos à espera de ver.

Para além disso, só posso acrescentar que, enquanto escrevo, estou a ouvir chover e que gosto muito do som da chuva contra o vidro das janelas.

Também posso acrescentar que à hora de almoço fui ver uma exposição e que à entrada a jovem que lá estava à entrada ofereceu-me uns papelinhos com umas citações e, quando eu vinha a sair, ela veio ao pé de mim e, quase como se viesse fazer uma fofoca, perguntou se eu sabia uma coisa. E eu não sabia e fiquei contente por saber.

E quando saí dali reparei que os pássaros cantavam muito alto e eu gosto cada vez mais de coisas assim. Pudesse eu ficar sentada debaixo de uma árvore, ouvindo a alegria e o canto dos pássaros.

Depois dali fui trabalhar e o trabalho, apesar de tudo e o tudo não foi pouco, foi menos pesado. E, por uns instantes, até deu para espreitar pela janela e para sonhar com uns dias de férias e com uma ou outra coisa.


E, estando no gabinete, ouvi no corredor um dos meus jovens, um dos mais jovens, numa conversa de pré-aproximação a uma jovenzinha que entrou há dias para uma outra área. Falavam do que gostavam, riam, descobriam que tinham estado ambos, como voluntários, num desses grandes eventos, pressentiam afinidades. Depois combinaram almoçar juntos na segunda-feira. Senti-me a sorrir por dentro. Quando, pouco depois, fui à sala onde ele está, reparei que estava radiante, sorrindo por todos os poros. E isso também me ajudou a suportar as contrariedades que, como sempre, foram aparecendo. Mas, sendo sexta-feira, o meu ânimo torna-se tolerante, relativiza. Mas estou um bocado aborrecida porque uma colega apresentou a demissão e era das pessoas com quem tenho mais afinidades, uma mulher inteligente, divertidíssima, por vezes descaradamente divertida. Mas é a vida: umas pessoas vão ficando para trás, outras aparecendo. Gostava de pensar que me vou manter em contacto com ela mas já sei que não, só esporadicamente. Aparecerão outras pessoas, o espaço vai sendo ocupado. O tempo e o nosso espaço são finitos. Apenas alguns amores conseguem ser infinitos.


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Passa da uma e meia. Este sábado o dia começa cedo e já sei que vou ser acordada antes de tempo, é sempre assim quando há muito que fazer, tem medo de imprevistos, quer acautelar que não nos atrasemos.

Ainda não é hoje que consigo conversar um pouco com quem comentou. E tanto que haveria que dizer. Mas até quase me correm lágrimas pela cara de tanto bocejar. Sorry.


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Há pouco, quando aqui cheguei e tentando manter-me acordada, fui dar uma vista de olhos pelo mundo e ver o que o YouTube tinha para me mostrar. Provavelmente sabendo que nas noites de sexta-feira só funciono na base da suprema ligeireza, tinha os vídeos que vos mostro: anúncios banidos e anúncios divertidos. Como poucas coisas quero apenas para mim, cá estão eles.





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Isabel, desta vez, para me facilitar a vida, escolhi melancias de um único pintor: Rufino Tamayo para serem degustadas ao som de "Ah, je veux vivre dans ce rève" interpretada por Aida Garifullina

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E um bom fim de semana a todos. Saúde e alegria.

sábado, agosto 18, 2018

Passear à beira-rio, jantar em Cantão.
[E um amor inexplicável]




E, assim sendo, hoje o fim da tarde e a noite foram passadas no bem bom passeio à beira rio, o sol já posto, a temperatura afável, muita gente flanando. Em momentos assim, o tempo parece suspender-se, o vagar parece abraçar as árvores, as silhuetas, os corpos. O entardecer no verão de Lisboa é coisa boa e bonita de se viver. 

Podem os dias ser árduos, tormentosos, complexos que, dêem-me um cair de noite assim, todos os meus problemas se evaporam como que por artes mágicas. Quem me visse e ouvisse, de mim diria que tenho uma vida fácil, isenta de preocupações, que os meus dias são brincadeira de criança. E, se calhar, são mesmo.


Como nós, muitos outros passeiam, conversam, riem. Outros fazem poses, casais fazem românticas selfies. Alguns sentam-se a olhar o rio e a linha do horizonte, outros abraçam-se ou beijam-se, isolados do resto do mundo -- como se para ali, para aquela amena ponta do mundo, tivesse convergido toda a paz do mundo.

Até ali fui encontrar uma conhecida directora-geral que volta e meio vejo na televisão, sempre muito assertiva, e que hoje, por ali, andava perdida, meio pardalita, com um aspecto frágil e solitário. Disse: até me apetece ir dizer-lhe uma palavrinha de conforto. O meu marido disse: havia de ter graça que a fosses chatear. A mulher deve estar à espera de alguém. Não me pareceu. Inclino-me para que lhe tivesse apetecido respirar ar puro em ambiente de liberdade.


Resolvemos ir ao dim sum, gracinhas gastronómicas de que tanto gostamos. Costuma estar folgado, silencioso mesmo quando tudo à volta fervilha. Mas, mal entrámos, percebemos que hoje, ali, o filme era outro. Gente, gente, gente. Salvo a nossa mesa e uma outra com africamos, tudo asiático. Todo aquele amplo salão estava repleto de asiáticos. Não sei se japoneses, chineses ou what. Mesmo as duas salas privadas estavam cheias. Felizmente, lá nos arranjaram uma mesa. Não tinha vista de rio como aquelas onde costumamos sentar-nos mas, em tempos de escassez, não se pode ser esquisito... e conseguir jantar sem reserva nesta noite lisboeta é milagre.


A grande maioria eram mesas redondas. Repletas. E eram só travessas de santola, lagosta e lavagante. Tantas travessonas. Um empregado não fazia outra coisa senão ir ao aquário pescar grandes crustáceos. E as empregadas, sem parar, iam levando marisco de grande porte, enquanto os empregados iam levando Cartuxa que, segundo alguém comentou na nossa mesa, custam 20 euros cada. E vá de levar garrafas. A espaços, a malta de uma mesa levantava-se, todos riam, faziam um brinde e zás: copo abaixo. De penálti. 


E logo outra mesa, como que ao despique, se levantava, e outro brinde. E venham mais cartuxas.

Penso que é escusado dizer que, para o fim, parecia que tínhamos desembarcado em plena Cantão. Conversas muito alto, risos, uma alegria, uma animação, tudo bem regado, homens, mulheres, rapazes, raparigas, tudo num chilreio, numa galhofa. Enquanto nós comíamos, na calminha, os nossos crepes de arroz com carne e mel, a nossa sopinha wantan, os nossos bolinhos também de carne e mel com molho de soja, os nossos raviolis de legumes grelhados, os nossos crepes viatnamitas e outros petisquinhos daborosos, nas outras mesas rolava o tinto, devoravam-se suculentas lagostas e ria-se aberta e ruidosamente.


Observei-os a todos de gosto. Cantão em Lisboa. O ambiente dos bazares, dos restaurantes de rua, aquela boa disposição que parece congénita, inocente, famílias inteiras na maior festança, amigos divertidos. O meu marido contrapôs: tudo já com os copos. Mas o meu marido, apesar de saber dizer de cor e até com uma certa graça, poemas e poemas, desde Camões até aos poetas mais improváveis do romantismo, é um pé em termos de poesia, tão pragmático que até chateia. Portanto, na mesa ninguém lhe deu ouvidos.

Não sei de onde veio toda aquela gente. Verdade seja dita: é a primeira vez que ali vamos jantar. Almoçar, sim, muitas vezes. Mas jantar não. Na volta aquilo é malta daqueles belos hotéis que se aloja ali na zona para arejar a nota no casino e que, à noite, antes de se deslocar até às machines e à roleta, vai fervilhar de animação enquanto se enche de marisco e tintol. Conhecido meu que é dado ao jogo (coisa que a mim me assusta) diz-me que, por ali, aquilo até ferve de chineses endinheirados. Mas não sei. Podem ser simples excursionistas.


O que sei é que, por ali, pela beira-rio, tudo é bonito, tranquilo. Árvores floridas, a calma das águas, o perfume do ar, a suavidade de quem passa. E eu, como sempre me acontece, senti-me de férias, bem comigo e com os outros, confiante, feliz da vida. Problemas...? Quais problemas...? Desconheço. (É tão bom ser uma incorrigível simplória).

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E, não me perguntem porquê, apetece-me agora ouvir um dos poemas de que mais gosto. Mas é um gostar tão inexplicável que me sinto até um pouco constrangida por estar a colocá-lo aqui para aí pela terceira vez apesar de não encontrar explicação para gostar tanto dele. Mas gosto. E quando se gosta de uma coisa ou de uma pessoa de uma forma assim tão orgânica e irracional, não devemos tentar contrariar ou justificar: simplesmente aceitar e desfrutar o prazer de gostar.
(...)
left with no trace
as if not spoken to in the act of love 
as if wounded without the pleasure of a scar.

You touched 
your belly to my hands 
in the dry air and said 
I am the cinnamon 
peeler's wife. Smell me.



The Cinnamon Peeler
de Michael Ondaatje (lido por Tom O'Bedlam)

domingo, junho 17, 2018

Um lugar privilegiado




Há um restaurante sobre o rio azul de onde se avista a cidade que contorna a mais bela baía do mundo e também a península solar que se estende como uma língua de areia rematando o outro lado do horizonte.

Nesse restaurante há um relvado que tem, pousado nele, um piano que não sei se é um piano ou algum dia já foi uma espécie de piano ou, talvez, um musical coração de ferro.


E há uma esplanada sobre um chão de madeira com árvores que fazem uma sombra rendilhada e boa, que tomba sobre o azul das águas e do céu.


Por baixo desse restaurante há uma pequena praia. Não me lembro de, antes, haver essa pequena praia. Se calhar havia, eu é que não a frequentava. Não me lembro. A partir daí há umas pedras que fazem uma barreira sobre o mar. Aí, na fase em que o meu pai, nos seus tempos livres, experimentou ser pescador à linha e em que gostava de ir para lá, às vezes eu e a minha mãe íamos com ele. Não queriam que eu andasse em cima das pedras, podia escorregar e cair. Lembro-me que levávamos cadeiras desdobráveis e eu levava um livro e a minha mãe talvez levasse revistas ou um tricot. Não me lembro de a ver a ler livros quando la estávamos. Aquilo de que me lembro é da atenção que eu prestava ao acto de pescar. Gostava de ver o isco, por vezes era eu que escolhia aquelas grandes minhocas que, por vezes, também ajudava a apanhar na praia do outro lado, na areia entre as rochas. 
Andávamos curvados, atentos, à procura de bolhinhas a sair da areia. Sinal de que havia ali, enterrado, um casulo. Púnhamos umas pedrinhas de sal no mal percebido buraquinho e os dedos em volta, com as costas da mão para baixo, encostadas à areia. Passado um bocado, lá despontava a minhoca que, com rapidez, apanhávamos e puxávamos para fora. 
Mas o meu pai não deixava que eu as prendesse no anzol -- quer ele, quer a minha mãe tinham medo que eu enfiasse o anzol nos dedos.


Depois o meu pai atirava a linha para longe e ficava à espera. E eu ficava também a olhar para a ponta da cana. Mal estremecia ou vergava, logo eu estremecia também, na expectativa do que aí vinha. Peixinhos bons. Enquanto lá estava, o meu pai punha água do mar num balde e, quando os retirava do anzol, os peixinhos ali dentro. Quando 'dava' robalo ou massacote ou bodião, calhava render um balde deles. A minha mãe maçava-se um bocado com isso, especialmente quando ele ia pescar sozinho, por vezes até ser de noite, e chegava a casa, já tarde e carregado de peixes para escamar e amanhar. Sempre que eu podia, amanhava-os eu. Adorava amanhar peixe, jogar as mãos às vísceras e puxá-las para fora, ensanguentadas. Tentava sempre aproveitar o fígado, sempre gostei muito de fígados de peixe.


Agora já ninguém deve ir para ali pescar à linha. Nesse lugar, há agora um eco-parque de campismo cuja localização é privilegiada.

Também ali houve uma discoteca. Acho que, na altura, se deveria chamar boîte. Era mesmo em cima da praia. Lembro-me de uma passagem de ano que lá passei com os meus pais e com o meu namorado da altura. Achei uma coisa meio parva. Aquilo não fazia bem o nosso género mas, face à minha vontade de passar a virada do ano com o meu namorado, os meus pais lá se lembraram de combinar aquele número com uns amigos. Lembro-me bem de achar aquilo despropositado.

A Gávea era um lugar a modos que mítico entre os jovens e não jovens da altura. Lembro-me de um amigo, ainda não há muito, dizer que não tem conta as vezes em que saía de lá de madrugada, e que tinha que ir muito devagarinho para não sair da estrada já que a bebida, condimentada pelo sono, não era propriamente um anjo da guarda muito confiável. Hoje é apenas memória e dá nome ao restaurante do Cais onde se come bem e se está ainda melhor.


E eu, em lugares assim, é como se estivesse de férias. Podem ser curtas, podem ser de tipo rapidinha, pode ser o que calhar, mas sabem-me a férias e eu não quero saber, nem que não sejam de verdade nem que sejam de curta duração. Mindfulness também é comigo.

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PS: Com a minha máquina fotográfica de estimação irremediavelmente lesionada (o arranjo da lente é quase o preço de uma máquina nova), ando agora com uma que, há uns anos, ganhei de oferta (oferta, não presente) não faço ideia de quê nem a que propósito. Estava em casa e nunca me tinha sentido tentada a dar-lhe uso pois uma coisinha assim, para mim, não é aquele objecto de prazer que uma máquina a sério é. Só dá um zoom de oito, é ínfima, cabe-me na palma da mão, pouco ou nada posso fazer dela. Mas, enfim, em tempo de guerra não se limpam armas, quem não tem cão, caça com gato e branco é, galinha o pôe. Ou seja, não havendo mais nada e havendo este vício de fotografar, foi mesmo com ela que fiz estas fotografias. Enfim.

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Quando eu era miúda, foi com muito orgulho que comprei o primeiro disco com o meu próprio dinheiro: Daydream dos Wallace Collection -- e lembrei-me agora disso ao ver o que o José Ricardo Costa postou.

domingo, fevereiro 11, 2018

Seixal
[Tenho que lá voltar e não é só para ir ao Miyagi]




No outro dia, jantar de aniversário, fomos lá, ao Miyagi Seixal. Gostámos. Que restaurante simpático, que gente tão boa onda e que comidinha (dizem eles que street food) mais saborosa. Recomendo.

Acresce que.

Não íamos ao Seixal seguramente há mais de vinte anos. Ia dizer trinta mas talvez trinta seja exagero. Não sei. Não reconhecemos nada do que vimos. Já lá vai o tempo em que as cidades, mesmo sendo abençoadas pela localização, eram tristonhas, mal arranjadas. Agora não. Pareceu-nos bonita e boa para nela se passear. Demos uma leve caminhada à beira rio mas, de noite e com um frio de rachar, não deu para nada.


Este sábado voltámos lá. Mas o nosso tempo é sempre contado. De tarde, mais uma festa de anos (dantes era apenas um aquário, agora já há mais). E, in between, encaixar uma visita aos meus pais.

Portanto, visita rápida, apenas para provarmos mais uns petiscos do Miyagi e para vermos o Seixal à luz do dia. Rente ao rio, praia perfumada a maresia, o passeio ribeirinho muito bem arranjado, os barcos logo ali, uma tranquilidade em que não dá para acreditar estando-se tão perto de Lisboa. Pouca gente, gente sem pressa, uma luz límpida.


De tarde, na festa de anos, calhou estar com quem conhece o Seixal certamente melhor do que a maioria das pessoas. Esteve a contar como não tarda nascerá, no lugar de onde se tem a melhor vista de Lisboa, um parque que, se bem percebi, descerá em direcção ao rio. Acho uma excelente ideia. Se há coisa que procuro quando visito uma cidade são os parques ou jardins públicos. Acho que a qualidade de vida urbana pede sempre um belo parque público.


Na zona habitacional, central, junto ao rio, algumas casas estão a ser reabilitadas e há apontamentos de arquitectura bastante interessantes.

Com o tempo contado, foi fraca a minha reportagem. Do casario os registos foram escassos e mal captados, nem os mostro aqui. 'Anda. Não dá tempo. Anda. Se queres ainda ir a casa dos teus pais, não há tempo para fotografias'. Portanto, o que aqui vêem é quase tudo o que registei.


De tarde, ouvi falar naquela coisa do Benfica, ouvi falar em vários pontos de interesse e a verdade é que não vi nem pitada disso. Mais uma vez apenas deu para uma circulada de carro, um breve passeio a pé pela beira do Tejo e pela zona central. Portanto, uma coisa é mais do que certa: lá voltarei e a ver se, da próxima, é com tempo. 

E aqui fica a recomendação: quem possa, não deixe de visitar. E não é por galdeirice, é mesmo por amor ao nosso belo País.


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Até já.

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sábado, maio 28, 2016

A beleza da Sertã, de Dornes, de Trízio e desses lugares onde Portugal é um País ainda intocado





Vivendo intensamente o dia a dia de uma realidade completamente urbana, é sempre com impaciência que não vejo a hora de fugir da grande cidade na qual me esforço por não me esgotar. Nem é tanto a actividade profissional passada entre reuniões e vivida em climatizados e modernos escritórios, que a isso mal fora que ainda não me tivesse habituado: é sobretudo o ambiente permanentemente condicionado, é o trânsito, é o não dispor de tempo útil, à hora do sol, para estar perto da natureza.

Por isso, de quando em vez, dois ou três dias encostados ao fim de semana (mesmo um já é bom), permitem-me entrar no país e percorrer os caminhos das serras, os rios, as águas espelhadas, as árvores que se erguem nas encostas ou se debruçam nas águas.

Desta vez os caminhos levaram-nos até ao miolo do País: a Sertã e terras circundantes.


Várias vezes já andei por estas bandas e de algumas já aqui dei conta. Mas uma pessoa pode andar por uma região e dedicar-se às aldeias de xisto, ou às praias fluviais, ou às barragens ou a algumas terras em concreto e, de cada vez que volta, percebe que inexplicavelmente nunca tinha estado em lugares tão belos que parecem de sonho e não de verdade.

Ou então é uma outra coisa: é este prazer de ver tudo como se fosse a primeira vez, sempre descobrindo uma beleza muito primitiva, muito original.


Se sinto um encantamento pelo ambiente de floresta, por aquela sombra fresca das árvores, por aqueles cheiros que se misturam, por aquele ambiente quase morno que me faz ter vontade de me adentrar por lá, para andar sem pressa, sem tempo (e sem medo de me perder), tenho também uma atracção quase animal pela água. Onde veja uma serrania, logo procuro o vale, logo tenho vontade de descer, descer até onde as águas correm. E desço, desço até estar rente à água, até onde as árvores se despem para mergulharem raízes e troncos no leito farto dos rios.

Depois retomamos a estrada e eu contemplo a luz que se reflecte nos espelhos, e contemplo as cores, as flores, a moldura elegante das serras em volta.


Almoçámos na Sertã. E permitam que divulgue onde. Já sabíamos ao que íamos: Restaurante da Ponte Romana, mesmo em cima da água. E permitam que divulgue também o que almoçámos e o custo do que comemos. Há uma coisa que adoro: bucho e maranhos. Por isso, claro está que escolhi um misto de maranho e bucho. O meu marido escolheu feijoada. Havia meias doses e doses completas. Contudo, dado o preço, ele receou que a comida não fosse muita. Por isso, pediu meia de feijoada para ele e uma dose inteira do misto, para também comer.

Pois vos digo que sobrou, claro. A feijoada estava deliciosa, a carne muito macia, tudo muito no ponto, pouco puxada, mesmo boa. E o bucho e o maranho, minha santa, que bom. Tudo muito bem servido. E com direito a uma deliciosa salada, daquelas em que a alface sabe muito bem, a cebola não é agreste, tudo bom. Pois bem. A meia dose da feijoada custou 3,5€ e a minha dose inteira de misto custos 6€. Para quem come toda a espécie de coisas mal paridas a valores altos, uma refeição destas é um verdadeiro manjar dos deuses. E isto num restaurante sobre as águas, a música da água a correr em fundo, uma vista linda (corresponde às duas primeiras fotografias). Custa a acreditar mas é verdade.

E depois por ali andámos, descendo até à Foz, parando aqui e ali, nomeadamente em Trízio, vendo o elegante voo das grandes aves de rapina que atravessam os grandes espaços, espreitando as paisagens.


Depois até Cernache do Bonjardim. Aí, à entrada, numa estação de serviço, fiz uma pergunta que gosto de fazer para perceber o que é que os 'locais' valorizam: 'o que há por aqui de bonito, que recomende que eu visite?'. 
A resposta foi surpreendente: 'Ai querida... por aqui... não estou a ver... não há assim nada... Olhe, há o Lar da Terceira Idade mas isso acho que não vale muito a pena lá ir... também há uma loja ali mais na entrada... mas se calhar não... olhe, querida, uma coisa que se calhar vai gostar é a gruta no Seminário, experimente pedir ao Pde Amadeu que a mostre... a Nossa Senhora... só se for isso...De resto, não...'
De facto, mesmo na vila não haverá muito a ver. Fui visitar a Igreja, muito bonita. Fico sempre surpreendida com a riqueza da arquitectura e arte sacra um pouco por todo o lado no país.


Já a Igreja do Seminário não tem muita graça, é estranha. Nem é por ser simples, talvez austera, acho que é mesmo destituída de alguma graça. Nunca me tinha acontecido isto numa igreja: ficar-me pela porta e ter logo vontade de me ir embora.

Mas depois, ao irmos na estrada, vimos a indicação de uma ermida no alto de um monte: S. Macário. Lá fomos.

E o que de lá se vê é estarrecedor de tão lindo. Nós no centro do mundo, serranias a toda a volta, um horizonte circular que se desdobra em montes que se vão esfumando com a distância, um rio correndo pelos vales. E lá em cima eu pensei: 'Como é possível que a Senhora da Estação de Serviço não me tivesse dito que uma coisa não poderia eu perder de jeito algum: o Monte de S. Macário?' Com um lugar de uma beleza tão superlativa ali ao pé, será que os seus habitantes não o veneram? Ou terá sido apenas lapso face a uma pergunta inesperada?








Quando estou num lugar assim, custa-me muito vir-me embora, ando por ali de um lado para o outro, fotografando. Depois olho o que já olhei e descubro novos recortes, uma casinha perdida num desvão do monte, uma claridade que não sei o que é, espreito, aproximo a lente. Maravilhada. Penso sempre que eu viveria tão bem num lugar assim, eu isolada no meio da natureza, contemplando diariamente a majestade original do planeta, este nosso cantinho aqui tão pequeno, um insignificante rectângulo que a Europa parece empurrar para o oceano e nós aqui resistindo, com as nossas montanhas tão belas, fortalezas inexpugnáveis que nenhuma civilização ainda conspurcou. Este ar tão puro. Estas cores tão limpas. O tempo que aqui é tão generoso, que contempla connosco aquilo que existe para além dos tempos.

Mas viemo-nos embora, tinha que ser. 

No entanto, ainda outra paragem. O nome não nos era estranho. Talvez já aqui tivéssemos estado. Mas vamos lá. Afinal, que nos lembremos, não. E um lugar assim não se esquece. Tão belo também. Pensei que aqui, numa casa aqui, debruçada sobre o rio, protegida pelos montes, eu podia viver, escrever, bordar, pintar. 

Dornes. Um lugar que quase diria mágico. Se eu me pusesse a ficcionar um lugar por onde eu andasse perdida pelos montes, onde depois descesse até às águas, onde visse o nascer e o pôr do sol, onde ouvisse o canto dos pássaros, onde me deitasse no chão, na terra, a sentir a aragem nas folhagens ou a sentir o sol na pele á beira do rio, ou onde me deitasse nua na varanda nas noites de lua cheia, seria num lugar assim. Dornes.


É uma terra pequena, de ruas empedradas que vão até ao rio, que sobem até à torre. Mas, senhores, que terra é esta que eu não conhecia e que é tão linda?


Numa casa vi este pequeno painel de azulejos que achei uma graça. Tenho uma visão bucólica e idílica destes lugares mas, para quem lá vive, imagino que possa ser opressivo. Todos se conhecem e daí até à crítica intimidante pode ir um pequeno passo. Talvez por isso o destaque dado à 'inveja'. 


Vi que o Cavaco também por lá andou, o que muito me surpreendeu. Se tivesse lido que, já no decurso do seu mandato, o Marcelo já lá tinha estado, não me tinha admirado. Agora que a múmia do Cavaco se tivesse dignado a estar presente em Dornes achei surpreendente. E que tivesse estado para assistir à antestreia de um filme cómico lá rodado, Dot.com, ainda acho mais extraordinário. Mas, enfim, talvez um dia descubra a agenda secreta do ex-Cavaco.


E dali iniciámos o caminho de regresso. 

Claro que os lugares me retêm, temos que parar muitas vezes, um troço de floresta que é muito bonito, um tronco de árvore que é de especial elegância, umas flores que nascem brancas ao pé de umas rochas que se puseram também brancas e que inserem um apontamento de inesperada alvura num ambiente cinza, castanho e, sobretudo, verde,


ou até uma flor especialmente vibrante a que um insecto guloso não resiste como eu não resisto a tudo o que é simples, genuíno e belo.

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Enquanto andávamos pela serra, a rádio na Antena 2, tocou Espelho no Espelho, talvez a música que aqui no Um Jeito Manso já teve mais encores. Espelho no espelho. Alguém que se revê na imagem de outro que se revê na imagem do primeiro, a árvore que se vê na água ou o reflexo que olha a árvore, alguém que pensa os pensamentos do outro que pensa os pensamentos do outro. Enquanto por ali andava a ver as árvores, a sombra fresca, os cheiros íntimos da terra desejei que a música não acabasse. Ou que não me esquecesse de aqui a ter enquanto vos mostrava as fotografias destes lugares tão bonitos, mesmo no centro de Portugal.

Lá em cima Filipe Melo · Ana Cláudia  Serrão interpretam  Spiegel im spiegel de Arvo Pärt

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Permitam agora que vos convide a descerem até ao post seguinte para lerem o comentário do leitor Fernando Ribeiro no qual ele refere a importância que o seu blog teve na forma como ultrapassou uma luta tramada contra o cancro, luta que felizmente superou.

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segunda-feira, agosto 03, 2015

Atalho Real na Embaixada


Dia sem afazeres atribulados, destinado, portanto, ao lazer. Manhã na praia, caminhada junto à água. Depois, já mais para a tarde, ida a uma das zonas de afeição de Lisboa: Príncipe Real.

O destino era um restaurante a que íamos com alguma reserva já que a especialidade são as carnes e desde há algum tempo não comemos muita carne. Mas, enfim, o local era bonito, supostamente a comida era boa: fomos.







Sem ter qualquer participação no restaurante, permito-me falar dele não propriamente para aumentar os seus lucros mas porque gostei imenso. O restaurante é o Atalho Real no edifício Embaixada

O edifício é uma maravilha. Começa a haver em Lisboa edifícios de prestígio aproveitados para fins comerciais e, portanto, de uso livre. Mesmo quem não queira consumir, pode usufruir deles. E este merece uma visita.




O centro do edifício é um amplo espaço que funciona como esplanada coberta, em torno da qual existem as galerias com as lojas.




O restaurante fica em baixo, junto ao jardim. Tem uma esplanada exterior, no Jardim Botânico, e tem pequenas salas interiores muito bonitas, bem preservadas e decoradas, com amplas janelas abertas para o jardim.




Na sala em que ficámos, toda ela agradabilíssima e com curiosos apontamentos decorativos -- por exemplo, nas paredes algumas gavetas serviam de escaparates -- achei um piadão ao candeeiro.




Reparando em pormenor, vê-se de que é feito: canetas BIC.




A música ambiente é agradável, cool. Uma das que se ouvia, foi a que estão a ouvir agora: Don't think twice it's all right - Bob Dylan

E a comida muito boa. Pedimos uma salada de salmão fumado com alface, rúcula, maçã e nozes, que dividimos. A seguir veio bife do lombo grelhado com batatas gratinadas e salada de couve branca, maçã e cenoura com maionese, que também dividimos. Tudo bem servido e com qualidade.

De sobremesa, veio tarte de alfarroba com sorvete de manga e bolo de chocolate com sorvete de framboesa. Deliciosas.

Os preços são bastante aceitáveis dada a qualidade e quantidade da comida e a beleza do lugar.

Portanto, aqui fica a sugestão: para uma refeição num lugar romântico e recatado ou para uma refeição de grupo num lugar agradável, acho que é uma opção a considerar. E proporciona uma ida a um dos lugares bonitos de Lisboa.

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No post abaixo podem ser vistas duas fotografias nas imediações, uma música belíssima e um poema também muito bonito.

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