Gosto de Mário Centeno. Parece-me uma pessoa de bem. Com ele, eu aprendo sempre qualquer coisa. E confio nele.
Penso muitas vezes como Portugal poderia estar muito melhor se Marcelo Rebelo de Sousa não tivesse cometido o erro disparatado e imperdoável de não o aceitar como Primeiro-Ministro.
Mas não vou falar, vou partilhar a interessante conversa dele com Miguel Nabinho, que me tem surpreendido com entrevistas muito boas.
QUE PAÍS É ESTE - Entrevista a MÁRIO CENTENO conduzida por Miguel Nabinho
Agora, de vez em quando, vejo aquilo de haver um outro tipo para além de introvertido e extrovertido: o outrovertido (ou lá como lhe chama, já não sei ao certo, é um nome como qualquer outro) -- as pessoas que gostam de conviver mas só com quem lhes agrada, que se cansam quando são obrigadas a conviver com pessoas que falam muito e não dizem nada, que precisam de se isolar depois de sujeitas a um convívio forçado e cansativo. Rvejo-me nisso. Se há coisa que me cansa muito, me deixa quase de rastos, desidratada, estafada, é quando passo horas a aturar cumprimentos, conversas de circunstância, fotografias forçadas, gente que circula de grupo em grupo a ser simpática e a exigir atenção. Fujo disso a sete pés. Grupos em que, à partida, não vejo ninguém com quem se possa ter uma boa conversa, são grupos que faço de tudo para evitar
Em contrapartida, gosto imenso de uma boa conversa, gosto de ouvir, gosto que me ouçam, em especial gosto imenso que ouçam e compreendam as minhas perguntas, gosto que gostem de falar comigo, gosto de ser surpreendida com argumentos novos, gosto de testemunhar uma maneira de pensar diferente da minha, gosto de aprender, gosto de ouvir falar sobre temas que desconheço, gosto de ser desafiada nas minhas convicções.
Na televisão, se há coisa que ainda aprecio é ver uma boa entrevista ou uma boa tertúlia. Isso é cada vez mais raro. O que há é bandos de comentadores, gente que tanto ouvimos a comentar o Netanyahu, o Bad Bunny ou, se for preciso, o José Mourinho. Ou uns jovens, cada um representando o seu estereótipo partidário, uns burgessos, outras parvas, outros fofinhos e outros a atirar para o intelectualóide. Não tenho pachorra, passo logo adiante.
Contudo, no youtube aparecem-me, de vez em quando, vídeos interessantes com umas boas conversas. Talvez seja a isso que se chama podcast. Não sei. O que sei é que fico, de gosto, a ouvi-los.
Abaixo partilho duas conversas gostosas: gente com ideias, com graça, com originalidade.
SEM TÍTULO - Entrevista com MIGUEL GUILHERME conduzida por Miguel Nabinho
Onde se fala de coisas sérias e coisas divertidas, de tudo, da infância, dos amigos, das representações, das 'cenas' com o Manoel de Oliveira. Etc.
E, para algo diferente (ou talvez não), que entre a sempre boa de ouvir, a grã-duquesa de New York -- digamos assim.
Fran Lebowitz | Andy Warhol, Nova Iorque e a Arte de Falar
Em comemoração do 250º aniversário da independência americana, a Rosebud apresenta uma série de entrevistas gravadas na cidade de Nova Iorque. A primeira é com a mais perspicaz observadora da vida nova-iorquina: a espirituosa, conversadora e escritora Fran Lebowitz. Nesta brilhante entrevista, Fran conta a Gyles sobre a sua família, que se mudou da Rússia e do Leste da Europa para os EUA para escapar aos pogroms contra os judeus. Fala da sua infância feliz, pedalando na sua "máquina da liberdade" pela bela cidade natal em New Jersey, onde o seu pai era dono de uma tapeçaria e a sua mãe ambicionava ser a parceira de dança de Fred Astaire. Conta a Gyles sobre os castigos que recebia por ser tagarela na escola, sobre saber desde cedo que era gay e sobre a sua mudança para Nova Iorque para se tornar escritora. Fala sobre Andy Warhol e sobre ter sido paga para escrever pornografia. Ela fala sobre o tabagismo, a internet e a sua enorme coleção de livros. Por fim, Gyles atribui a Fran uma medalha da Sociedade Oscar Wilde, em reconhecimento da sua brilhante oratória.
Como deve imaginar, esta é uma conversa fantástica. Vale muito a pena dedicar-lhe o seu tempo.
Já disse em quem vou votar, no Almirante. De todos parece-me o mais confiável e quem melhor desempenhará as funções de PR numa altura tão complexa. Não dá para brincar em serviço. Não será com artolas e com videirinhos que lá vamos. Tem que ser com quem não tenha o rabo preso, não tenha medo de ferir amigos e amigalhaços e seja capaz de dar um murro na mesa quando isso for necessário. Portanto, dito isto, e estando claro que, para a primeira volta a decisão está tomada, tenho que confessar que, se o contexto fosse outro e houvesse um circuito paralelo em que a gente pudesse votar em quem queria ver e ouvir mais vezes, o meu voto iria para o only and only Candidato Vieira.
O país politicamente cinzento em que os candidatos que se destacam nas sondagens, tirando o Almirante, são uma Aberração Taberneira, um Totó Inseguro e um Chico-Espertinho de fraquíssima craveira, e em que o Primeiro-Ministro faz um apelo a que tentemos ser o Cristiano Ronaldo,
(não ouvi, claro, cá em casa praticamos uma certa higiene, mas os salpicos do disparate chegaram até mim),
necessita de oxigénio, de gente que pense fora da caixa, com sentido de humor e irreverência. Ouvir uma pessoa como o Manuel João Vieira é fechar a porta à estreiteza mental em que vogam grande parte dos políticos do mainstream e comentadores avençados, e, em contrapartida, a abrir a porta a um mundo em que apetece participar ou escutar as conversas.
Miguel Nabinho, conceituado galerista, é bom de conversa, faz entrevistas com piada.
O vídeo é longo e, neste tempo do toca e foge em que apenas temos tempo para o imediato, é coisa em contramão. Mas a mim soube-me estar a ouvir as recordações e as opiniões do fabuloso Candidato Vieira.
Para quem se assuste com hora e tal de conversa, aqui ficam as pistas para os short cuts.