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domingo, fevereiro 22, 2026

Pathos

 

Há qualquer coisa de dramático, quase borderline, nas exibições de Ilia Malinin. Dizem que desafia as leis da física, e eu acredito. Tenho visto imagens em slow motion dos seus saltos e das posições em que o seu corpo se coloca e, na realidade, não sei sob que eixos se move nem que tração ou rotação imprime aos seus movimentos para não se despenhar nem sair a voar para uma qualquer outra órbita. 

Mas há uma outra dimensão. Se Alysa Liu dança e rodopia em plena alegria, já Ilia parece entregar-se a uma dimensão na qual as emoções o ferem e o transportam para um ambiente de piedade pelos que morreram, para a compaixão para com os que sofrem. Numa das suas interpretações foi a sua voz, grave, profunda, em palavras ditas sobre a música, que o acompanhou. E havia qualquer coisa de iminentemente trágico nos seus voos, como se a física não suportasse tanta emoção.

Nesse dia a força da emoção levou-o ao desequilíbrio: caiu duas vezes, pareceu finalizar a sua actuação em desequilíbrio e, tal o desalento, não conteve o choro. E quase tive vontade de chorar com ele.

Mesmo quem não aprecie muito a beleza da patinagem artística poderá maravilhar-se com as imagens que abaixo partilho: é vê-las sob a lente das leis da física.

Ilia Malinin oferece uma performance emocionante e de cortar a respiração! 🥺 | Jogos Olímpicos de Inverno de 2026


sábado, fevereiro 21, 2026

Bom dia, alegria!

 

Não imagino sequer o que se sente quando se deixa o corpo ir e se vai como se em voo, quando se atira o corpo para as alturas, quando se deixa cair o corpo e se rodopia sobre ele. Não imagino.

Quando era miúda, aprendi a andar em patins sobre rodas e gostava de andar, gostava de fazer as curvas, gostava de ganhar velocidade. Mas o gosto era temperado pelo receio de perder o controlo. Sempre tive a necessidade de controlar o corpo. Nunca me embriaguei, nunca me droguei, nunca fui hipnotizada. Gosto de saber que posso fazer o que quero. Fazer coisas impensadas, involuntárias, isso nem pensar. 

Ainda não há muito uma amiga recordou quando ia a minha casa e andávamos de patins lá na rua. Ríamo-nos que nem umas perdidas com as quedas que ela e outra davam, mal conseguiam levantar-se de tanto que nos ríamos.

Mas não é a mesma coisa, claro que não, nem pouco mais ou menos. Não tem sequer comparação. Aqui, no que abaixo se vê, há ginástica, há anos de treino exaustivo, há uma experiência que, à medida que foi sendo adquirido, trouxe confiança. E há um domínio absoluto pelo corpo -- embora pareça que o corpo tem vontade própria. E há perfeição. 

Mas, para além da técnica e da arte, há a alegria. A alegria muda tudo. Uma pessoa alegre traz alegria à vida dos outros. A perfeição parece espontânea, quase parece uma brincadeira. Uma folia.

Alysa Liu, ouro. Consideraram que é a maior, a melhor. E eu acrescento: a mais alegre. 

20 anos. 1,58m. Um condensado de músculos, de força, de equilíbrio, de coragem, de leveza, de alegria.

 A INCRÍVEL interpretação de Alysa Liu garante o ouro para os EUA! 🥇 | Jogos Olímpicos de Inverno de 2026

quarta-feira, fevereiro 18, 2026

Se eu confiaria desta maneira no meu parceiro...? Ná, não me parece...
Aliás, sendo sincera: é que nem pensar...

 

Vamos admitir que subia a um escadote e que, por qualquer motivo, por exemplo por se partirem os degraus, tinha que me atirar lá de cima, uma altura digamos que equivalente a uns cinco degraus. Admitamos ainda que, vendo-me com medo de cair mal e de ainda me partir toda, o meu marido se oferecia para me amparar no ar, que me atirasse para os braços dele. Estou mesmo a ver-me cheia de medo... Com o medo que tenho das alturas ainda mais o drama se agravaria, qualquer metro de altura me parece um precipício... Mas, sobretudo, imaginava que ele não teria força, que, às tantas, com o impacto caía para trás e eu por cima dele. Ou que não se sincronizava e não me agarrava a tempo, caindo eu desamparada, de borco, no chão.

E se isto é uma coisa de uma distância baixa, imagine-se se alguma vez -- caso ele fosse o super homem e tivesse força para pegar em mim em peso, e atirar-me ao ar --, eu confiaria que ele estaria lá, no ponto exacto, e com força para me agarrar. Não, nem pensar. Confio nele mas não, nunca, jamais, a ponto de arriscar a minha vida acreditando que ele me salvaria em pleno voo. Ná, nunca fiando. As probabilidades de falha seriam mais que muitas. 

Claro que treinando muito, muito, muitas vezes, no fim talvez a coisa corresse bem. Mas... e até lá... até estarmos coordenados...quantas quedas, quantos ossos partidos? 

Por isso, vejo esta extraordinária exibição com admiração pela elegância e destreza do casal, mas, sobretudo, pela confiança incondicional que demonstram um no outro, em especial ela nele. Só por isso já merecem mil medalhas de ouro.

Riku Miura & Ryuichi Kihara STUNNING performance wins gold for Japan 🇯🇵 | Winter Olympics 2026


quinta-feira, maio 26, 2022

Sergei in love

 

Já andava com saudades dele. É daqueles amores, sabem. Quando se gosta assim, mesmo que não se perceba ou não se ache bem, a gente continua a gostar. 

Já pintou a manta, já se pintou todo (incluindo estampar-se com a fotografia do Putin), já inalou e ingeriu o que não devia -- e, no entanto, se me ponho a vê-lo voar, esqueço-me de tudo e foco-me apenas na sua arte.

Na verdade, a gente não tem que conhecer ou aprovar as opções pessoais de um artista para apreciar a sua arte. Melhor: a gente não deve mesmo saber. A arte deve valer por si, independentemente das opções de vida de quem lhe deu vida.

A viver na Rússia, com a mulher grávida a viver na Rússia, mas nascido ucraniano, em Kherson, e com família ainda a viver lá, Sergei que até não há muito gostava de detonar a sua carreira, dizendo coisas inaceitáveis, gerando desconforto e repúdio no meio em que se move, não faço ideia de como está agora a gerir as emoções.

Espero que a sua família, na martirizada Kherson, ainda esteja viva e que a sua casa não tenha sido arrasada, espero que tenha mandado apagar a tatuagem do Putin, espero que se sinta agoniado com a chacina que o assassino está a levar a cabo na Ucrânia, espero que apoie os seus colegas que saíram da Rússia. E espero que continue talentoso, brilhante, exímio voador.

Sergei Polunin & Elena Ilinykh: Life, Love, and Family

Ballet dancer Sergei Polunin (Сергей Полунин) and ice dancer Elena Ilinykh (Елена Ильиных) in a montage with their art, life, relationship, and their family including their sons, Mir and Dar Polunin. 

Song: Nuvole Bianche by Ludovico Einaudi. Cover by Luka Sulic (cello) with Evgeny Genchev (piano)

Footage: Crocus Fitness Awards 2019, Elena Ilinykh and Nikia Katsalapov "Don Quixote" 2010 -2011 Euros; Sergei Polunin and Erika Mikirticheva in Don Quixote with the Stanislavsky Ballet 2012 and 2013. Russian Morning Show Interview, April 2019. Vlad Topalov and Elena in "Ice Age", aired October, 2020, with Sergei as one of the judges. Evening Urgant show 2019, 2020. Polunin Ink Tour video (Romeo and Juliet, 2019). Art Kitchen Project 2019. Who Wants to Be a Millionaire 2020. Avto Radio and Russian Television Show Interviews in 2021. "Rasputin" rehearsals, promotional appearances, and performances 2019 and 2021. Sia "Music" music video rehearsals, behind the scenes, and official video. Bililbili short for Sergei's channel "How I Met Elena". Inglot modeling shoots and promotional videos. Hello Russia modeling shoot 2020. Photos and videos from Elena, Sergei, and their mothers' Instagram accounts 2020-2022.