Mostrar mensagens com a etiqueta publicidade. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta publicidade. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, outubro 15, 2024

Um rendez-vous
Nº 5, o meu perfume. Uma questão de fidelidade.

 

Também gosto do Chance. Ou do Nº 19. Nos perfumes, já aqui o confessei diversas vezes: sou Chanel. Mas nada chega aos calcanhares do Nº 5.

Dizem que é quente. Não é. Nada. Subtil, misterioso, único. Metamorfoseia-se. Pelo menos em mim, na minha pele, isso acontece,

Um toquezinho e chega. O que é bom pouco basta. 

Chamo a atenção para o vestuário da Margot Robbie, um maravilhoso tecido, um maravilhoso corte, uma maravilhosa cor.

In the new N°5 film, See You at 5, Luca Guadagnino's lens follows Margot Robbie along the roads of California. The story of two lovers' missed connections, where the road to get there is just as important as the rendez-vous itself. Will there be a rendez-vous waiting at the end of the journey? Or is the rendez-vous itself the journey?


quinta-feira, agosto 22, 2024

Bom demais para ser verdade.
Correcção: bons demais para serem de verdade

 

Podia estar a falar do Barack Obama. E estaria correcto. Bom demais para ser verdade. Ou da dupla Barack e Michelle Obama. Também estaria certo. São bons demais para serem de verdade. 

Do que vi e ouvi das suas intervenções naquela magnífica arena só posso dizer que tudo aquilo foi extraordinário. Na verdade, naquelas pessoas, independentemente do alto gabarito, do dom de palavra, da visão, da fantástica capacidade de análise e de síntese, há a intuição para o momento certo, para o gesto certo, para a pausa certa, para o olhar certo. São aquilo a que na gíria se chama 'animais de palco' mas animais de palco com conteúdo (e um bom conteúdo). Magnífico. Em cima (ou ao serviço) do génio dos oradores há uma vertente de grande espectáculo, de grande escala, de grande profissionalismo em tudo aquilo. Há pouco, o Luís Paixão Martins falava na preparação milimétrica, na cuidada realização, nada deixado ao acaso. 

Mas este post não é sobre os Obama. Ando cansada, sem tempo e com muito sono. Não dá para temas que requerem alguma reflexão. Por isso, indo à boleia da silly season, confesso: quando digo que são todos bons refiro-me ao Brad Pitt (claro, tinha que ser, é o melhor dos melhores) e ao George Clooney. Fazem uma dupla que é qualquer coisa. Nem imagino como é que uma mulher normal fica se der de caras com estes dois. Mas, lá está, até bastaria um. Brad Pitt. Se eu me visse frente a frente com ele, como reagiria? Acho que ficava bloqueada. Com receio de fazer uma figurinha miserável, haveria de ficar congelada. Mas, mesmo assim, não me importava nada.

Naquelas perguntas parvas: se fosse para uma ilha deserta, o que levaria consigo? acham que eu ia levar o Ulisses? Ia, ia... Só se fosse parva... Partindo do princípio que não poderia levar um deles em pessoa, levava era este vídeo. 

Brad Pitt & George Clooney's GQ Cover Shoot | Behind The Scenes

Brad Pitt and George Clooney are GQ's September cover stars. The iconic Ocean's duo are back, this time roaming through the rolling hills of the South of France.


E tenham um belo dia

quinta-feira, janeiro 18, 2024

Parece que anda meio mundo intrigado, 'onde está o umbigo dele?', mas eu, sinceramente, acho que até se vê bem e, sobretudo, acho que mais vale olhar para o que se vê bem do que para o que mal se vê

 

Nunca tinha ouvido falar em tal pessoa. Afinal parece que, mais uma vez, é problema meu. Jeremy Allen White é, afinal, conhecido, afamado, premiado, parece que excelente e multifacetado actor. 

E eu, que vivo aqui como uma eremita social, afastada de redes socias, longe dos ecos da fama alheia, desconhecia a existência da figura.

32 anos, 1,70 m, casado, com dois filhos, divorciado, parece que vive agora com outra afamada figura do panorama artístico, Rosalia. 

Como sou a tal que torce o nariz aos maiores pitéus, olho para ele -- e olho pois nunca o vi actuar, não posso avaliar a arte -- e não o acho nada de especial. Não me parece muito bonito. A mim não me convencia ele.

E, no entanto, parece que é, para meio mundo, se calhar até para três quartos de mundo, um sex symbol. Tento aguçar a vista, olhar para ele sob essa lente. Pois nem assim. Não que seja feio, não que seja desagradável, capaz até de ter uma certa pinta, tem um ar um bocado desmanchado que me agrada. Mas falta ali qualquer coisa. Não sei. Há ali qualquer coisa que não está no sítio. 

E não é a tal questão do umbigo que parece que anda a intrigar toda a gente. Provavelmente a mãe fez-lhe a ele o mesmo que a minha me fez a mim: apertou-o bem, enfaixou-o, de modo a que o dito cicatrizasse 'bem fechadinho'. Não é pois a isso que me refiro, acho que é mais a ligação entre o nariz e a boca. Não sei. Ou as sobrancelhas, descaídas ou lá o que é, não sei. Ou, vendo com atenção, parece que há ali qualquer coisa que se destaca pela proeminência. Não sei. 

Mas o tema do umbigo não me interessa nem é por ser secundário. É mais porque, vendo bem, há coisas nele para que a gente pode olhar. Ora, havendo-as, porque perder tempo a olhar para o que mal se vê.

Não é?

__________________________________________________________________

Jeremy Allen White in Calvin Klein Underwear | Spring 2024 Campaign

Directed by Mert Alas in downtown New York City



(Sobre aquela minha dúvida da proeminência, será o lábio de cima que é saído de mais?)

_________________________

E queiram, por favor, descer até ao mistério do olhinho azul do José Luís Peixoto

terça-feira, novembro 15, 2022

WTF...?

 

Só mesmo isto hoje para me arrebitar. Que coisa insólita. Nem sei que diga. 

(Refiro-me ao vídeo que abaixo poderão ver.)

E falo em arrebitar-me porque uma reunião de mais de cinco horas corridas é daquelas para as quais já me é necessário algum fôlego. E quando acaba às oito da noite... e quando eu estava convencida que lá para as cinco estava despachada... caneco... Acabei mesmo estafada. Ainda por cima, estava na reunião e a receber mensagens e telefonemas. Por isso, sabia que depois dela ainda tinha chamadas para fazer. Enfim. Acabei de jantar às dez e tal. 

É certo que a bolinha azul flutuando aí pelos ares está cada vez mais carregada de bicheza humana, parece que já vai em mais de oito mil milhões, uma cambada que tende a dar cabo de tudo em que toca. E nuns sítios a maltinha parece que brota dos poros uns dos outros e noutros é quase tudo já malta entrada e crianças é só na base do lá vai um. E nuns lugares chove que deus a dá e há vendavais que levam tudo pelos ares e noutros passam-se temporadas em que não cai uma pinga de água e onde tudo arde que é uma tristeza. Mas hoje não estou com fôlego para me afoitar por ecologias, antropologias, geografias ou outras coisias acabadas em ias.

E é também certo que o Cristiano Ronaldo, uma figura quase tão importante no nosso país como a Nossa Senhora aparecida sobre a azinheira, deu uma entrevista em que se queixou de tudo e mais alguma coisa, desde o treinador ao jacuzzi. Mas, tenho que confessar, não vi, não li sobre e nem sequer sei se Marcelo já se pronunciou. Nem sei o que as manas Cátia & Elma e mamãe Dolores tiveram a opinar. Portanto, embora reconheça a galáctica importância do tema, vou ter que deixar passar.

E parece que as big não sei das quantas, todas as high tech e os escambaus, está tudo a dar mostras de querer virar-se de pernas para o ar, tudo a despedir aos milhares, tudo a tremelicar: Twitter, Facebook, agora a Amazon. Certo que milhares na Amazon é coisa nenhuma e é também certo que o Bezzos anunciou que vai desfazer-se de grande parte da fortuna para apoiar isto do clima e mais não sei o quê. Mas também as crypto coisas estão a derrapar e tudo isso que estava por aí a bombar parece que se calhar tem um bocadinho de pés de barro, essas coisas que não se sabe bem a que é que correspondem na vida real, e, por isso, estou aqui ao lado a olhar para tudo isto e a pensar que não sei se é grave ou se deixá-los lá estar. E o pior é que nem pingo de fôlego para ir tentar descobrir o que se passa. Estou mais naquela: que se lixe. Que é como quem diz: que se f... QSF.

E, neste enquadramento, há um tema no qual me dá para me deter mas não para tentar perceber. Tudo naquela base.

What the f@ck? Mas que raio deu nele? Mudou de sindicato? Fartou-se do Bond que existia nele? Pois não sei. Mas que é do caraças é. 

E eu adorei. Of course, né? Tudo o que é meio amalucado me atrai.

Belvedere Presents Daniel Craig, Directed by Taika Waititi: Director’s Cut

Belvedere Vodka reveals a monumental campaign featuring critically acclaimed actor, Daniel Craig, as he has never been seen before. Directed by Academy Award-winning filmmaker Taika Waititi, the unexpected, fun and inspired collaboration, showcases Craig’s talent to surprise and innovate.

Courageous in spirit with a warmly rebellious energy, the campaign unites an exceptional community of collaborators. Craig has been skillfully and humorously choreographed by celebrated choreographer JaQuel Knight, to an original track written and performed by global superstars Rita Ora and Giggs and produced by hitmakers Invisible Men, Bandits and Hungry Man. The accompanying campaign stills were photographed by the iconic Juergen Teller, in the same suite that sets the scene of the movie’s grand finale whilst Christine Centenera, has styled the shoot with a clean, modern edge.


No time for tonic: Daniel Craig shows Bonds just wanna have fun

_______________________________

Um dia bom
Saúde. Boa onda. Paz.

quarta-feira, dezembro 08, 2021

Spell on you

 


Já não quero ter pois tenho de sobra para o que preciso. Mas ainda move a minha atenção. Spell on you. A sedução começa no nome. What's in a name. 

O nome é a chave de tudo. A minha filha não poderia ter outro nome senão o que tem. Cai-lhe bem seja qual for a declinação que se use. O meu filho não poderia ter outro nome senão o que tem. Aliás, se, no caso da minha filha, o nome estava definido desde sempre, o do meu filho começou por ser negado. Eu dizia: qualquer nome menos esse. Era o nome do meu marido, o do primo mais chegado, o do filho do primo, o do tio, o que tinha sido do avô. Tentámos todos os nomes e mais alguns e, em todos, achávamos defeitos. No último dia, rendemo-nos: não podia ser outro senão aquele nome e foi assim que foi registado. É agora também o nome do filho mais velho da minha filha e o do filho mais velho do meu filho. Nas nossas casas, chama-se por esse nome e há vários a responderem. Mas cai-lhes bem esse nome. Não poderia ser outro senão esse.

Quando me apaixonei pelo meu marido sem o conhecer foi sem surpresa que a amiga especial dele da altura me disse como é que ele se chamava. Foi como se obviamente tivesse que ser esse o nome. Como se isso comprovasse a razão de ser da minha paixão. Nunca tinha falado com ele nem nunca o tinha ouvido falar. E, no entanto, estava apaixonada por ele e, no meu íntimo, sabia que o seu nome não poderia ser outro senão esse. Quando ela me falou dele e me disse qual o seu nome, eu tive a certeza que ela estava a falar do desconhecido por quem me tinha apaixonado.

Já o meu primeiro namorado se chamava assim. Estávamos a entrar na adolescência, eu nada sabia da vida, e, no entanto, ele tinha tudo o que eu gostava ou haveria de gostar num homem. Não sabia, então, mas sei agora: tudo o que há a saber sobre uma pessoa está contido no seu nome.

O meu nome. Eu não seria eu se não me chamasse como me chamo. Sou chamada pelo menos em quatro declinações e em qualquer delas me revejo. A minha mãe tinha dúvidas, pôs a hipótese de me chamar Helena. Mas eu não teria tido a vida que tive, seguido as opções que segui, não seria a que sou hoje, não escreveria aqui o que escrevo se me chamasse Helena. Gosto muito do nome mas a mim não me assentaria tão naturalmente quanto o meu me assenta. Eu sou o que sou porque este é o meu nome e porque as pessoas com o meu nome são assim.

Nem todas as pessoas com o mesmo nome serão exactamente iguais. Claro que não. Aí entra a questão do signo. O nome mais o signo definem e calibram com precisão tudo o que há a saber sobre uma pessoa.

Aqui chegados, imagino que muitos dos que me lêem acham que nada disto faz sentido. Mas ainda estamos no início dos tempos. Tudo o que se sabe não é nada comparado com o que há para saber. Se não nos apressarmos a chegar ao fim dos tempos talvez, até lá, consigamos descobrir alguns dos mistérios que hoje nos parecem insondáveis.

Mas, dizia eu, que é o nome. Spell on you. Isso e a descrição, o nome das flores, os sentidos despertos para receberem odores de terras longínquas, as palavras que hipnotizam e seduzem. Transcrevo:

An ode to the iris pallida from Florence, its composition exalts the duality of a precious flower that symbolizes feminine seduction. The iris insinuates its violet notes into a radiant bouquet of rose and Sambac jasmine, then unfurls the force of its powdery notes within the honeyed accents of acacia flower. Evolving from carnal seduction and an intimate impression, Spell on You has a hypnotic, heady aura, like an unforgettable refrain...

Ou, numa perspectiva mais técnica, as notas

Top notes are Green Notes, Violet and Tuscan Iris; middle notes are Rose, Chinese Jasmine and Tuscan Iris; base notes are Peach, Acácia and White Musk.

E depois há a embalagem, a elegância do exterior. As proporções. Os pormenores. 

E há a forma como se apresenta. Se há sensualidade, intimidade, sedução, malícia, segredo, mistério, se há qualquer coisa de inexplícito, se há a possibilidade de ser outra coisa e não aquilo que parece... então eu identifico-me. E tenho vontade de me aproximar, de experimentar. 

Por isso, logo que possa, fá-lo-ei. É inevitável. What's in a name...? E, de resto, para quê mudar...?


Spell On You with Léa Seydoux ||| Louis Vuitton

[ao som de Nina Simone: « I put a spell on you »]


_______________________________________________

Fotografias de David Sims na companhia de Fiona Apple que interpreta Why Try To Change Me Now 

____________________________________

Desejo-vos um dia feliz
Saúde. Sorte. Esperança. afecto.

sexta-feira, novembro 26, 2021

Um Pai Natal gay...?

 

E as reticências seguidas de um ponto de interrogação, calma aí, devem-se apenas à minha admiração. 

E devo esclarecer que, num primeiro momento, o significado da palavra admiração foi 'espanto'. 

Depois li a explicação. Os Correios noruegueses, com este postal de Natal, pretendem evocar os 50 anos da despenalização da homossexualidade na Noruega.

Digamos que é um vídeo inesperado. Inusitado. Vivendo eu numa sociedade como a nossa em que a homossexualidade, em muitos meios, ainda é encarada como uma aberração ou uma deformação digna de gozação, um cartão de Natal em que o tema é a atracção entre homens e em que um deles é nada mais, nada menos que o Pai Natal, não escondo que, enquanto via, me interrogava: '... mas a que propósito vem isto...? que coisa disparatada...'

Mas, depois, sabendo qual a inspiração e sabendo que tudo o que se faça é pouco para que todos aceitemos os homossexuais como iguais, o significado da palavra admiração converteu-se em 'respeito'.

Harry, o habitante da casa, deixa um cartão a dizer que «Tudo o que eu quero para o Natal és tu, Santa» e o Pai Natal, já retirado, envia os presentes pelo Correio mas comparece para encontrar o seu amor. E beijam-se. 

Que melhor presente de Natal se pode ter do que a confirmação e a consumação do amor, em especial quando o amor era, antes, clandestino e, por isso, indefinidamente adiado, negado?

Quantos homens, pais de filhos, casados numa relação hetero, vivem uma vida de negação e encenação, recalcando em silêncio a sua atração e amor por outro homem? E, quem diz homem, diz mulher no caso da homossexualidade feminina.

Uma sociedade não será humana, inclusiva, progressista, civilizada, capaz de evoluir de forma saudável enquanto uma parte rejeitar outra parte, mesmo que a parte rejeitada seja uma minoria.

Por isso, que o Pai Natal seja hetero ou gay, real ou inventado, alpinista ou limpa-chaminés, magro ou gordo, barbudo ou cabeludo, sonhador ou comerciante, tanto faz. Que seja o que cada um quiser que ele seja.

E que o Harry e todos os Harrys desta vida encontrem o Pai Natal que desejam. E, se não for este ano, que seja quando puder ser. Mas que seja.


Em tempos tão difíceis, a braços com uma pandemia que não dá tréguas, no meio de incertezas terríveis como as que advêm da emergência climática, com tanta gente a sofrer angústias, ansiedades, medos, tanta gente aprisionada na mais triste solidão... eu desejo que saibamos passar por cima do que nos divide e nos juntemos em torno do que nos une. 

Lirismo, claro, mas, ainda assim, um sincero desejo. 

Lutemos pelos nossos ideais, procuremos o que nos faz felizes, deixemos de lado o que não interessa, afastemo-nos do que e de quem nos faz infelizes, compreendamos o quão efémera é a nossa passagem pela terra e não desperdicemos o tempo que nos coube em sorte com o que não empolga ou enternece o nosso coração. 

-------------------------------------------

Be happy

sábado, novembro 06, 2021

O amor num campo de flores, um solitário entre lobos, um comboio nocturno, uma amiguinha alien, uma Mary Poppins com um saco cheio de alegrias

 



Já não moro no centro da cidade. Mudei-me para os bairros da periferia onde o apelo ao consumo não existe. Por isso, não sei se, nos centros urbanos, já começaram as instalações de Natal. Sempre que as via a despontar sentia um misto de contrariedade e de quase angústia. O acelerar do tempo, o consumo e o fútil a dominar as nossas existências. Agora que já não vivo dentro delas parece que sinto uma espécie de nostalgia. É uma ficção e um apelo ao consumo mas é também o pretexto para iluminar e embelezar as ruas e isso é uma coisa boa.

No outro dia, quando fui às compras com a minha mãe, reparámos que algumas lojas já estavam convertidas ao espírito natalício. Mas ainda não desceu em mim o apelo da época. Não prestei atenção.

Pela parte que me toca, resisto sempre e, se cedo, é sobretudo pelas crianças que enfeito a casa. O ano passado até bolas pendurámos nas árvores e nos arbustos do jardim. Gosto de uma pequena árvore dourada com luzinhas nas pontas que, quando acesa, dá um aspecto muito confortável à sala. Gosto tanto dela que está na pedra da lareira ao longo de todo o ano.

Mas se a euforia consumista não me seduz, em contrapartida aprecio a publicidade de qualidade que, nesta altura, mostra como a criatividade faz toda a diferença na divulgação de um produto. 

Por vezes, os criativos embalam, o anúncio ganha vida própria e dificilmente se percebe o que tem a ver com o produto ou serviço que pretende promover. Pode até haver um excesso que faça pender a balança para o quase kitch. Não interessa. Se está bem feita, gosto de ver. 

Tenho ideia que a melhor publicidade é a dos perfumes franceses. Excedem-se.

O anúncio da nova fragância do Miss Dior com Natalie Portman é uma maravilha. Dá vontade de ir a correr colocar uns esguinchinhos nos pulsos, no pescoço e, ao de leve, na linha dos seios. Dá vontade de ir correr para o meio de campos de flores ou de tirar a roupa e apanhar sol sob o olhar interessado daquele que o nosso coração ama. Quando estamos apaixonados e felizes, o que não fazemos por amor?
A publicidade é isto: em vez de apregoar o produto, induz-se o sonho, a ilusão de que, se usarmos o produto, poderemos habitar o mais belo romance.

Mas há outros anúncios: uns que pretendem enternecer-nos com imagens de crianças ou com a recordação do ET ou da Mary Poppins. E há outros que têm a ver com a moda outono/inverno, não especialmente dirigidos ao natal mas que não podem ser dissociados do facto de a saison coincidir com a época dos píncaros consumistas.

Tudo isto pode parecer frívolo (e até é) mas, não nos esqueçamos, é também o motor de toda uma série de máquinas produtivas que estão por trás, o motor de várias indústrias, o motor de uma economia que, se equilibrada, não poluente e sustentável* é vital ao bom desenvolvimento dos países. E, quando comparadas com outras máquinas -- como a dos vídeos ou jogos em que a violência e a banalização do mal são omnipresentes --, são até o menor dos males.

Portanto, para nossa momentânea paz de espírito, esqueçamo-nos um pouco do lado negativo destas coisas e deixemo-nos encantar com a graça ou a beleza que que sempre é possível encontrar nestas coisas.


 











* Sobre isto da sustentabilidade, conceito meritório e, na verdade, indispensável devo dizer que se banalizou a abandalhou de tal maneira que, de cada vez que o ouço, só me apetece fazer dahhhh. Mas lá está, não é por um rio ter sido poluído, que deixa de ser um rio que existe enquanto rio e que, uma vez despoluído, voltará a ser uma fonte de vida e beleza.

-----------------------------

Um sábado bom
E ho-ho-ho...!

quinta-feira, agosto 19, 2021

Perseguições, tiros, esguichos, cartazes, slogans e etc.

 

Foi a minha filha que, no outro dia, in heaven, se lembrou de que ali seria bom para fazerem paintball. Claro que isso desencadeou logo um movimento a favor. E até que a coisa se concretizasse foi um ápice. O meu filho, antes fervoroso praticante, ocupou-se do procurement. 

Hoje juntaram-se todos aqui para jogar na zona da horta. Não há a largueza que há lá no campo mas dá para principiantes. Antes, o meu filho enviou as regras para que todos os guerrilheiros as soubessem de cor e salteado. Enviou também instruções para o dress code (calas de ganga, blusas de manga comprida, ténis).

Portanto, todos vestidos a rigor e na posse da sua arma, com a máscara posta e sabendo já as regras, deu-se início à refrega. O meu marido esteve de árbitro. Num lugar mais elevado zelou para que não houvesse batotas nem lesões desnecessárias. A minha filha ficou a cronometrar os ataques. Eu a fazer a reportagem. Os demais participaram, alinhando-se em equipas adversárias. O mais pequeno, que estava de máscara mas como mero acompanhante do pai, aborreceu-se fortemente, também queria uma arma. Como tal não é possível, desatou a chorar, desgostoso. Melhor: furioso. Felizmente a tia tinha no carro uma arma de água, usada na praia. E assim foi que, no meio daquela guerrilha, o mais pequeno desestabilizou toda a gente, guerrilheiros, árbitro e repórter, encharcando-os a todos. Creio que apenas poupou a tia, vá lá saber-se porquê.

Durante os raids, com disparos, gritos e corridas, o que se ouvia mais eram os gritos contra o jovem aguadeiro.

E, no final, no rescaldo, ninguém se tinha lesionado ou ficado especialmente magoado mas quase toda a gente estava um pinto. 

A maior vítima foi a irmã, jovem guerrilheira que evidenciou ter, sobretudo, espírito pacifista. Ao invés dos demais que se perseguiam, atacavam ou armavam emboscadas, ela ficava escondida, esperando que ninguém desse por ela. De vez em quando disparava umas balas (para quem não saiba, as balas aqui são umas bolinhas biodegradáveis, de gelatina com tinta no meio), sem se perceber qual o objectivo pois, aparentemente, não visava nenhum alvo. Foi, pois, vítima fácil do irmão que a deixou a pingar.

Entretanto, eu tinha encomendado pizas. Por razões que devem ter tido a ver com a elevada procura, apenas chegaram cerca de hora e tal depois, já tudo estava cheio de fome e o meu marido impaciente e, como é seu costume, a atirar-me as culpas, no caso por não as ter encomendado logo às seis da tarde.

Jantámos já noite, de luz acesa -- na rua, claro -- e toda a gente conversou enquanto devorava as ditas. 

Quando aqui cheguei ao sofá pensei que não ia conseguir escrever nada, de tal forma estava cheia de sono. É que hoje, para mal dos meus pecados, a alvorada tinha sido, uma vez mais, com as galinhas. E, também para mal dos meus pecados, não apenas, de véspera, tinha ido para a cama a horas inconfessáveis como tinha ido sem sono. Portanto, foi mais uma noite de descanso insucedido. Enquanto eles cá estão, estou bem, sem sono ou cansaço. A alegria de os ter juntos e alegres na companhia uns dos outros é tanta que qualquer vestígio de cansaço se dissipa na íntegra. Mal viram costas e chego ao sofá, volta em força. Chama-se a isto falta de férias. E, para esse padecimento, só há um tratamento possível: férias.

No meio destas minhas azáfamas e little afazeres ainda nem prestei atenção às autárquicas. Os cartazes já por aí andam mas parece que o espírito da coisa ainda não baixou em mim. Acho que já tenho claro em quem vou votar mas, ainda assim, gostava de conhecer as alternativas. 

Mas há com cada cartaz... Em alguns casos é o mau gosto da pose ou o ridículo excesso de photoshop tirando vinte anos aos visados, noutros é o próprio fácies dos próprios que não ajuda. 

Sei que não o devia revelar pois há coisas que, a priori, se sabe que não são especialmente bem comportadas ou politicamente correctas. Mas ninguém aqui é perfeito nem tenta fazer-se passar por isso. Portanto, vou contar.

É que o máximo de atenção que temos prestado às autárquicas é quando, indo de carro, nos deparamos com os cartazes. De um, o meu marido disse: 'Não deviam ter feito um cartaz com esta gaja. Com uma cara destas, haverá alguém que vá votar nela...?' e eu dou-lhe razão. Há caras que não enganam. Pior foi o comentário quando viu um cartaz com três mulheres. Disse: 'Deixem passar, deixem passar, nós somos fufas e o mundo vamos mudar'.

Parafraseava, como é óbvio, os ditos da célebre manif abaixo reportada e da qual tive conhecimento através de Mestre Plúvio ao partilhar tão preciosa pérola:


E, de facto, olhando aquelas três naquele cartaz, a ideia de participarem numa manif com aquele maravilhoso grito de ordem parece-me muito possível. Não que a orientação sexual dos candidatos tenha alguma coisa  a ver com a orientação política de quem neles vota mas, ainda assim, não sei se aquele cartaz, com aquelas três, com as expressões e, sobretudo, os penteados que têm, faz muito sentido.

Apenas acrescento que o meu marido tem uma característica: pega na letra de uma canção e mantendo a métrica e o tom, troca-lhe as voltas, vira-a do avesso, torna-a absurda ou maliciosa. Felizmente só exercita esse seu dom ao pé de mim pois, geralmente, é altamente inconveniente. Desta vez, trocou parte do slogan e tornou-o absolutamente impróprio para salão. Mas, lá está, manteve a métrica e o sentido. Levou-o foi ainda mais longe. Tanto que obviamente não o posso aqui revelar. Private, private jokes.

E, para já, sobre autárquicas, é o que me apraz dizer. E, sobre qualquer outra coisa, para já, é a mesma coisa: aos costumes digo nada.


________________________________________________

Pinturas de Hsiao Chin ao som de Catrin Finch que interpreta Clear Sky

__________________________________________________

Um dia bom.
Saúde. Alegria. Força. Esperança.

sexta-feira, julho 30, 2021

Se isto não é um centauro...

 

Os muito feios que me perdoem mas beleza é fundamental. Sou muito fã de homens bonitos. Contudo não deve ser uma beleza muito certinha, tem que ter ali qualquer coisa. Sobretudo, tem que vir a par de algumas so called soft skills. Já aqui falei muitas vezes nelas. Acho que nenhuma mulher (ou homem que goste de homens) aprecia um homem que seja uma amélia, uma mariazinha-cueca, uma abécula encrencada, um chato auto-centrado. Pelo contrário, acho que toda a gente aprecia um homem inteligente, com sentido de humor (o sentido de humor é fundamental; homem que não tenha sentido de humor e que não me faça rir é automaticamente banido). Claro que tem que ter um bom carácter, tem que ser generoso, compreensivo e carinhoso. Mas carinhoso sem lamechices, sem nha-nha-nha. E malícia -- malícia também é fundamental. Homem que é homem de verdade sabe-a toda. Tem que ter muita malícia. Mas daquela malícia que só é boa se vier condimentada com inteligência e sentido de humor. 

Enfim, essas coisas que são essenciais num homem.

Mas tem que ser bonito. Não uma boniteza de boneca, não uma boniteza de menina. Pode ter feições atípicas, pode não ter aquela simetria perfeita que caracteriza a beleza convencional. Mas tem que ter um olhar que desça fundo, tem que ter uma boca que mostre que sabe ter bom uso. O corpo a mesma coisa. Tem que ter um bom corpo. Também não precisa de ser um hércules ou ter um model body. Tem é que mostrar que tem uma boa pegada. Que sabe agarrar com convicção e, na dose certa, doçura. Tem que mostrar que é homem. 

O Adam Driver é um daqueles casos: olha-se e há ali muito de inconvencional. Há ali coisas naquelas feições que parece que não batem completamente certas. E... no entanto... que homem.

O vídeo que abaixo partilho, realizado por Jonathan Glazer para divulgar o perfume Hero da Burberry, mostra-o em toda a extensão e o que posso dizer é que não há defeito que lhe possa pôr. Aprovadíssimo.

Quando acabei de ver, voltei a ver. E só me ocorreu dizer: se isto não é um homem... E ia dar este título ao post. Mas poderia parecer uma alusão a 'se isto é um homem' e achei que não deveria arriscar. Ficou 'se isto não é um centauro...'. Fabuloso, meio homem, meio cavalo. Atravessando os mares, correndo, veloz, livre. Um centauro correndo na praia, nadando ao lado de um cavalo. Muita beleza. 

Claro que não faço ideia se o perfume está à altura mas, para o efeito, isso é secundário. Acho que ele é bom de qualquer maneira, mesmo sem perfume.

Hero


_______________

domingo, julho 11, 2021

Um feliz dia de calor entre brincadeiras, sorrisos e monetizações.
E uma breve referência a Azeredo Lopes.
E o testemunho de um improvável optimista

 


Na parte da manhã, fizemos uma grande caminhada. Estava muito calor mas, sempre conversando e bebendo água, não custou nada. Queríamos ver onde era o colégio de que temos ouvido falar. Por nada, mesmo só por curiosidade. Afinal já tínhamos passado lá muito perto e nunca tínhamos entrado naquela rua. Bonito e muito bonitas também as casas lá ao pé. Gosto de casas. Gosto muito de ir passeando e vendo as casas dos outros. Há gostos para tudo e eu gosto de apreciar o gosto dos outros, em especial os jardins. E gosto quando vejo os proprietários a regar, a desbastar arbustos ou a apanhar ervinhas. Há qualquer coisa de muito pessoal nesses momentos. Olho com discrição e algum pudor. Como estou a caminhar, estou de passagem e, por isso, é sempre um olhar fugaz.

O que nos custou foi a espera, na fila, no exterior do supermercado, a seguir. O meu marido tem sempre a ideia de que a hora boa é por volta da hora do almoço mas acho que toda a gente deve pensar o mesmo. Muita gente, muito calor. A temperatura alta,um calor espesso.

O meu marido tinha perguntado: de que é que temos falta? Eu tinha dito: pouca coisa, salada, coisas para a sopa.

Contudo, o meu ex-lado consumista reaparece quando vejo as oportunidades da semana. Tenho que me forçar a responder à sacrossanta pergunta: preciso disto? Sempre que hesito ou que tento resvalar para uma resposta dúbia, forço-me a mão dura sobre mim própria. Mas, se penso que os meninos vão gostar, aí a minha razão amolece. 

Resultado: entre o que faz mesmo falta, o que vai dar jeito e aquilo de que as crianças devem gostar, viemos carregados. 

A seguir fiz almoço, arrumámos as coisas e, quando almoçámos, já eram para aí uma duas e meia.

Com a canseira pré-almoço e com o almoço que foi cabeça de pescada com batata, brócolos, feijão-verde, cenoura, batata doce e normal, cebola e ovo, a seguir deu-nos uma valente pancada.

Deitámo-nos sobre a cama e, tiro e queda, adormecemos.

Quando a minha filha chegou com os miúdos estávamos naquela boa e santa sesta das tardes de verão. O estore corrido mas a deixar entrar luz, os vidros abertos, os pássaros a cantarem. Um sono solto e descansado.

Fomos para o jardim. O calor estava quase opressivo mas à sombra estava-se bem.

Os miúdos brincaram com pistolas de água, molharam-se, jogaram à bola, lancharam, perseguiram-se, mangueiraram-se. Nós, à sombra, descansando, conversando, preguiçando.

Depois o mais novo andou a cortar a relva com o avô. E eu disse que estava a pensar numa coisa para quando o blog chegar aos cinco milhões e que gostava de contar com o apoio do mais velho. E aí o seu lado empreendedor, geneticamente igual ao do tio homónimo, começou a tintilar. Eu com uma ideia simples e ele já a falar-me em 'monetizar' o blog, já a querer que eu insira publicidade, já a mostrar-me o que ganham influencers de renome. E já era um canal de vídeo e o blog, tudo a ganhar dinheiro a valer. Sugeriu que eu o deixe gerir o tema e lhe pague 5% do que eu ganhar. 

Disse-lhe que não quero que o blog me sirva para ganhar dinheiro, que é apenas para eu escrever umas larachas, mas ele, num entusiasmo, tentava aliciar-me, que há modalidades distintas de inserir publicidade, que há algumas que são inócuas, pouco invasivas. E já me falava também em merchandising. E eu a querer que ele se focasse no meu pedidozinho simples, uma coisinha inocente só para marcar os cinco milhões e ele que sim, está bem, mas, ó Tá, quando é que podemos pensar em começar a monetizar o blog?

Chegámos a um compromisso. Quando me reformar, faço um blog de jardinagem, culinária, decoração. [A minha filha diz-me: lifestyle]. E, nessa altura, então pode ser. Tratas do assunto, monetizas o que quiseres. Fazes vídeos, editas vídeos, tratas da publicidade. 

Ficou entusiasmado. Passado um bocado, foi o mais novo: se quiseres, posso ser o teu assistente pessoal. Achei bem. Acrescentou: um euro à hora.

E contou-me que tem já uma boa quantia no mealheiro. Eu disse: boa, assim podes ser tu a comprar o que quiseres. Respondeu: Não, é uma poupança para o futuro que é o melhor que posso fazer. Fiquei admirada e dei-lhe razão.

Estivemos cá fora, no jardim, até perto das nove. Estava-se muito bem. Quando estavam a ter o segundo lanche, apareceu uma abelha que desestabilizou um bocado. Toda a gente a fugir, eu a tentar afastá-la e ela, gulosa, só a querer ver o que podia ciscar. Tenho que ver se há maneira de afastar abelhas ou moscas quando estamos a comer. Deve haver. Não há tomadas ali pelo que terá que ser qualquer coisa que funcione por si. 

E, pronto, foi isto. Na televisão, por todo o lado, Vieira, Vieira, Vieira. Não há pachorra. Parece que o país foi sugado por este tema. Parece não haver mais nada que interesse. Nada no Vieira me interessa, nunca me interessou. Todo este carnaval me enfada. Investigam durante anos, fazem dossiers enormes que levam anos a ler, há fugas de informação para tudo o que é canto e esquina, depois virão recursos e contra-recursos, anos e anos, a vida das pessoas em suspenso durante anos e anos e anos. Uma pouca  vergonha. Não há pachorra. Haver corrupção e compadrio é um problema em Portugal, haver muita gente que só acorda e só pensa nas coisas que lhes põem debaixo do nariz é outro problema, e termos uma Justiça relapsa, prepotente, burocrática, lenta, ineficiente, que despreza os direitos e a dignidade das pessoas é capaz de ser um problema ainda maior.

Não sei se alguns dos canalhas que, antes, difamaram e andaram a pedir a demissão do ministro Azeredo Lopes e que enchiam a boca e inundavam as televisões com inflamadas acusações a um homem que nitidamente é um homem honrado, vieram agora fazer o mea culpa por terem humilhado aquele de quem agora os mesmos que o acusaram vieram pedir a ilibação. Não sei pois pouca televisão tenho visto. Às vezes penso que sempre que está para sair uma notícia que envergonha o Ministério Público, os artistas do dito Ministério Público, se saem com uma cena que nitidamente vai anular o impacto da barracada. Acredito que, se não tivesse arrancado o Cartão Vermelho, alguém teria tempo para pensar e se arrependesse do mal feito a Azeredo Lopes. Assim, acredito que a malta se marimbou pois já nem se lembram desse 'caso'. A comunicação social e as redes sociais são um antro de maledicência e falta de carácter. Destroem o bom nome de uma pessoa por dá cá esta palha, na maior das ligeirezas, seguem em frente, sempre a ver de quem podem dizer mal a seguir.

Mas, enfim, nada a fazer. Vou antes ver se vou espreitar o que há para ver na Netflix. O meu filho instalou isto e ainda não fui desbravar. O meu marido já se foi deitar há um bom bocado. Levantar-se-á quando eu ainda estiver no meu primeiro sono. Hoje, quando me levantei, já ele tinha ido e vindo do seu desporto matinal (muito matinal), já tinha pintado uma mesa, um suporte de vaso, já tinha andado a aparar a sebe e mais não sei o quê. 

Os opostos dão-se sempre bem: uma noctívaga e um diurno. Há sempre um desfasamento horário entre nós. E funciona bem assim. Por vezes pode parecer que não... mas os números falam por si: mais de dois terços da nossa vida foram vividos em conjunto. Um eterno desafio.

_________________________________________

Já agora, deixem que partilhe convosco um vídeo que gostei de ver

Um indefectível optimista


________________________________

Desejo-vos um feliz dia de domingo

quinta-feira, março 11, 2021

Meninas mostrando mais do que devia,
mulheres sem cuecas

e
a célebre chamada da Ana Lourenço para um certo país asiático

 

Já há algum tempo que não ia espreitar as estatísticas das visitas a esta vossa humilde casa. Hoje lembrei-me de vir ver. O blogger disponibiliza número de visualizações por horas, por países, etc. O que mais desperta o meu interesse são as expressões que algumas pessoas escrevem nos motores de busca e que, por motivos que sempre me surpreendem, levam os algoritmos a encaminhá-las para aqui.

Se as pessoas escreverem 'quem é a autora do blog Um Jeito Manso', talvez a expressão mais recorrente, e vierem aqui parar isso parece-me natural. Agora que alguém escreva Meninas mostrando mais do que devia e venham aqui ter isso já me parece extraordinário, sobretudo porque gosto de escrever respeitando a concordância em género e número. Do que devia...?

Mas foi isso que aconteceu hoje. Acabei de experimentar e não vim cá parar; pelo menos, o link para este blog não me aparece na primeira página. Mistérios.

Outra curiosa é: mulheres sem cuecas. Não aparece nas estatísticas de hoje mas do último mês e por várias vezes. Por algum curioso motivo, quando alguns carentes vão ao computador à procura de qualquer coisa mais apimentada ou amalucada, os algoritmos pensam: Ora deixa cá ver onde é que este camarada vai encontrar material que lhe agrade... bem.... talvez no Um Jeito Manso. 

Poupem-me. Mulheres sem cuecas aqui? Algumas vez...? E a corrente de ar que vos atingiria...? Não senhores, jamais. Zelo muito pela saúde dos meus Leitores.

Ou seja, estou com uma reputação algo duvidosa junto dos meus amigos algoritmos. Tenho que ver se, durante algum tempo, me porto bem para ver se eles me mandam para cá pessoas que escrevam no google: 'como nos tornarmos pessoas mais piedosas' ou 'como nos vestirmos sem chamar atenções' ou, ainda, 'mulheres que usam cuecas de gola alta, que nunca mostram mais do que devem e que gostam muito de gatinhos'. Isso, sim, é que era. 

Mas, enfim, pode alguém ser quem não é...? 

Nunca me hei-de esquecer do dia em que estava no cinema e, no intervalo, fiz o que fiz hoje: fui ver as estatísticas de "Pesquisar palavras-chave". E, para meu espanto, vi uma expressão extraordinária: Um boi vestido de GNR. Desatei a rir, claro, e ainda hoje, quando penso nisso, me rio. Qual a ideia de quem vai ao google (ou a outro motor de busca) tentar encontrar um boi vestido de GNR? Não atinjo. Nem atinjo por que razão  o dito motor de busca o manda para aqui. Costumo eu, por acaso, ter aqui bois vestidos de GNR ou de polícias? Não tenho ideia. Vocês têm...? Eu não. Nem disso nem galinhas vestidas de comentadoras do eixo do mal nem de burros vestidos de mangas de alpacas nem de nada dessas coisas. Ora essa.

Uma outra recorrente tem a ver com a gafe da Ana Lourenço. Volta e meia aparece-me: 'Ana Lourenço broche'. Nas primeiras vezes fiquei admiradíssima. Hom'essa! Desconhecia o facto, apenas fiquei a saber depois de ver esta expressão a aparecer-me nas estatísticas. Ora porque é que os algoritmos encaminhavam as pessoas para o Jeito Manso? Acaso aqui se costuma falar de pregadores peitorais ou outras joias? Não tinha (nem tenho ideia). Só depois fui saber o que é que ela tinha andado a pôr ao peito. E percebi: tinha-lhe acontecido um daqueles lapsus linguae que a gente teme e, infelizmente, não controla. 



E isto fez-me lembrar uma vez em que fui eu que cometi uma gafe das valentes e, ainda por cima, ao pé dos meus filhos e dos meus pais. Ainda hoje, volta e meia, quando tenho algum almoço mais de cerimónia ou responsabilidade (isto é, quando tinha, naquele pré-mundo que existiu antes do advento do corona), o meu marido me avisa: 'vê lá, não te ponhas a falar no Ney Mete-o-Grosso'. E, como sempre, inevitavelmente desato a rir pois lembro-me da vergonha por que passei. 

Mas isto para dizer que a inteligência artificial tem coisas que a inteligência natural desconhece. Na volta, é certo e sabido que quem quer ver meninas mostrando mais do que devia ou mulheres sem cuecas ou bois e GNRs e coisas afins aqui, no santuário da Santa Ujota M., encontra coisa que, se não for assim, é assado. E se non è vero, è molto ben trovato.

E, portanto, nada mais a dizer: aos costumes digo nada.


__________________

Grande parte das imagens provêm do artigo Is sex the best way to sell suits when we’re still social distancing? e, as que não são, têm a ver com a marca Suitsupply que o inspirou.

E pode muito em ser que, um dia que a gente se veja livre do corona, saia por aí na desbunda, pele com pele, língua com língua, tudo no maior forrobodó, uma festa de de rebimba o malho. E pode ser que os anúncios prenunciem o que por aí vem.

E, por mim, nada contra. Força nisso.

---------------------------------------------------------------------

E que os corpos comecem já a festejar

Grupo Corpo - Onqotô |Mortal Loucura


---------------------------------------------------

E uma bela quinta-feira.
Alegria. Ânimo. Saúde.

quarta-feira, outubro 28, 2020

Nem Trump, nem manas Mortágua, nem OE 2021, nem covid --- apenas o espírito do novo natal encarnado em frasco de Nº 5
['encarnado' do verbo encarnar, bem entendido]

 


Agora, aqui, não vou falar do Trump. Já o fiz no post abaixo e, ao ver o pequeno vídeo que ali partilho tal como de cada vez que observo aquele psicopata, fico irritada. Portanto, por hoje já chega. Quanto muito vou acender uma velinha a ver se todos os santinhos intercedem junto da Suprema Autoridade Divina no sentido de os americanos darem uma valente corrida em osso ao palhaço Donald.

Também não vou falar do modo de actuar do BE nesta coisa da votação do OE2021. Não me apetece. É mais do mesmo. São, uma vez mais, iguais a elas próprias. Por petulância, vendem a alma ao diabo se necessário for. Não digo que por vezes não tenham razão. Mal fora se nunca a tivessem. Digo é que não olham a meios para atingir os fins e, nessa demanda, esquecem-se dos interesses do País para defenderem os interesses do partido. Como meninas birrentas, metem uma na cabeça e ficam a fazer finca-pé enquanto não lhes fazem a vontade. Agarram-se com unhas e dentes a uma árvore sem quererem saber se o resto da floresta está a arder. Querendo fazer-nos crer que têm uma visão moralmente superior aos comuns mortais, a verdade é que passam a vida a mostrar à saciedade que têm uma visão pequenina e medíocre do que é a política. 
O que elas defendem parece simpático? Claro que parece. Céu azul todos os dias? Claro que quero, é bom, levanta a moral, toda a gente deve ter direito a isso. Ir à praia todos os dias? Claro que é bom, claro que todos devem ter direito a isso. Pôr o carteiro a deixar um envelope com mil euros todas as semanas na caixa do correio de toda a gente? Claro que é bom, claro que toda a gente deveria ser contemplada. Mas, se não conseguirem isso, faz sentido fazerem birra? Ah... não me parece. Mas sei lá. E do que não sei não falo. Nem me apetece falar das manas Mortágua, em especial da arrogante Mariana, nem da artista encartada Catarina. São apenas, em permanência, um desnecessário e desagradável déjà-vu.

E muito menos vou falar dos merdinhas dos totós cor-de-rosa que por aí andam em vara, destravados, escoiceando, empinados, indomáveis. Apesar de invisíveis, conseguem fazer ajoelhar o mundo. Pelo andar da carruagem, talvez o verão do ano que vem não traga o pesadelo que este trouxe. Pode ser que, até ao próximo outono, haja vacina para todos (mas quem vai pagá-la? a segurança social, cada vez mais a tender para a descapitalização...? -- melhor nem pensar nisso), quiçá tratamento. Isto se passado algum tempo não aparecer outro corona e a história voltar a repetir-se. O futuro não será radioso. Se não forem os coronas, será a falta de insectos, a falta de polinização. Se não for isso, será o degelo. Se não for o degelo serão os microplásticos. Se não for...

Portanto, afigura-se-me que é muito bem capaz que o melhor que temos a fazer seja manter esses pensamentos racionais bem sossegados atrás de uma cortina que, de vez em quando, corremos. Olhos que não vêem, coração que não sente. Portanto, com os assuntos reais e concretos bem escondidos, a gente pode divagar e alienar-se à vontade como se o mundo fosse perfeito, céu azul todos os dias, praia ao dispor para todos, gaivotas dançando e inspirando lindas canções, velhinhos saudáveis e eternos, crianças felizes e sempre com boas notas, casais sempre amantíssimos até ao fim dos tempos. E perfumes maravilhosos. E, de entre eles, o meu preferido: o Nº5, claro. Está a fazer 100 anos e é como se ainda fosse um jovem. 

O Natal -- que provavelmente este ano também vai ser o novo Natal (para rimar com o novo-normal) -- está a aproximar-se e, com ele, os bons sentimentos transformados em cadeaux. E, portanto, já aí está na calha a publicidade de qualidade. Perfumes, claro. Chanel, obviamente. 

Marion Cotillard é a diva que dá corpo ao que se idealiza como sendo o espírito Nº 5. Vejamos. E deixai-nos sonhar, Senhor.



___________________________________________

As fotografias são da autoria de Annie Leibovitz e a fotografada é Cate Blanchett

___________________________________________

E tenham, meus Caros, um dia feliz.

quarta-feira, abril 15, 2020

Como e quando vai ser o day after?
[Reflexões enquanto curto a arte da quarentena]





Durante os primeiros tempos assisti, revoltada, preocupada, a uns tontos a não perceberem o que estava a acontecer. Gabavam-se que não tinham medo, gabavam-se de não fazer parte dos grupos de risco. Punham os outros em risco ao exibirem a sua marialvice que não era senão estupidez.

No espaço de dias foram ultrapassados pelos acontecimentos. Estão em casa, calados, sem saberem qual o seu espaço nestes tempos de confinamento, reduzidos à sua inutilidade. 

Entretanto, algumas pessoas conscientes, desde logo, assumiram várias linhas de conduta e aí animei-me: em primeiro lugar preservar a saúde das pessoas, em segundo lutar pelo rendimento que auferem, em terceiro -- ou ao mesmo tempo, sabe-se lá qual a real ordem dos factores quando a gente mergulha de cabeça na procura de uma solução -- aguentar a sustentabilidade das empresas, não interromper a cadeia de valor, não deixar de pagar a fornecedores. Meio mundo para casa em teletrabalho e, ao mesmo tempo, assumir mil cuidados para que quem tem que continuar a trabalhar o faça em segurança. Tem sido uma luta. Tudo se tem feito, tudo. E tem estado a correr menos mal.

Muita gente começa a adaptar-se. Outros continuam sem perceberem nada e sem conseguirem acompanhar o andamento das coisas. Mal nos lembramos deles. Hoje lembrei-me de um e lembrei-me para pensar que há que séculos que nada sabia dele, que há séculos que nem me lembrava dele, para constatar a pouca falta que faz.


Começa agora a pensar-se no retomar. E, uma vez mais, os que não perceberam antes, continuam a não perceber agora. Acham que se vai voltar para os mesmos lugares, nas mesmas condições. Não vai. Digo: não vai. Ficam calados. Se insisto, dizem: logo se vê. E eu percebo que é uma maneira de dizerem: não chateies. Mas não sou só eu, é meio mundo que diz o mesmo: não vai voltar a ser o mesmo.

E há que começar a pensar em como vai ser. É nisso que deveríamos estar concentrados. É que vai ser muito diferente. Nós vamos estar muito diferentes. Por isso, grandes mudanças devem ser encaradas.

Quem for inteligente, ajustar-se-á e saberá ficar bem, talvez melhor que antes. E este 'quem' não é apenas aplicado a pessoas, é também a empresas e organizações em geral. As empresas podem ser mais sustentáveis, melhores, melhores para os trabalhadores, melhores para o ambiente, para a economia em geral.

Pelo meio, perder-se-ão hábitos antigos. Mas ganhar-se-ão outros. O padrão de consumo vai mudar e pode ser que mude para melhor.
Contudo, vi uma fotografia da abertura da Hermès na China, depois do confinamento, e fiquei com dúvidas quanto à minha ideia: filas compactas na rua, muitas pessoas sem máscaras, uma loucura, tudo ávido de consumo, tudo a marimbar-se para o corona, tudo danado para matar saudade de écharpe, de gravata, de luxo. Olhei a fotografia e pensei: será que o bicho homem é burro mesmo, não aprende nem por mais uma? 

Mas sou crente. Não crente de dar beijo em cruz que alguém segure por mim mas crente de crer mesmo, no mais íntimo de mim, na capacidade de superação de que, por vezes, o bicho-homem é capaz. Desde que bem enquadrado, desde que com baias, sem ter muito por onde se espalhar, bem trabalhadinho, o bicho-homem é capaz de lutar pela sua sobrevivência e é capaz de criar belas obras de arte, belos feitos, belos actos de generosidade. Acredito nisso. E acredito na força da natureza. Cada vez mais, acredito na imensa sapiência da natureza. E acredito na omnisciência, omnipresença e omnipotência do tempo. O tempo e a natureza e uma carreiro apertado e bem vigiado na carneirada que é o bicho-homem e talvez a coisa vá.

Aqui no campo, com o tempo frio e chuva que deus a dá, só tenho os canais generalistas e o computador. Sou, pois, poupada a comentadores ou a notícias dadas e reprocessadas. São poucos os comentadores que vejo e, ainda assim, ou é gente de saber ou vai de asa. Por isso, apenas ao de leve me chegam ecos de gente ansiando pelo regresso. Não sei bem o que defendem nem me interessa. O que eu sei, mas sei por mim e sei pelo que vejo nos círculos em que me movo (agora, de forma virtual), é que, tirando os descerebrados do costume, o que há é muito cuidado. Em casa os que podem ficar em casa e, quase numa redoma e sob apertada monitorização, os que têm que sair para ir trabalhar no local de trabalho habitual. E muito agradecimento, muito, muito, muito, a todos os que se arriscam todos os dias. E que assim continue enquanto não existirem melhores informações ou tratamento ou vacina.

Claro que, no meio da desgraça que está a acontecer à economia, tenho a sorte de trabalhar num Grupo grande, que opera em áreas que, apesar de tudo, apresentam maior resiliência face a este embate. Mal, mal, está tudo o que tenha a ver com turismo, com restauração, com espectáculo, com pequenos estabelecimentos, com actividades individuais (por exemplo, como estará a aguentar-se o pequeno salão de cabeleireira de bairro, em que só há uma cabeleireira, a dona, onde vou quando o rei faz anos?; e como estarão a aguentar-se as empregadas de limpeza dos escritórios que estão fechados?; e será que todas as clientes de empregadas domésticas lhes pagam como se elas estivessem a trabalhar?; e será que faz sentido eu continuar a ter empregada doméstica se ficar em casa nos próximos meses, sei lá quantos? e os ATL? o que vai acontecer a todos os funcionários se, nos próximos tempos, os pais vão estar, na maior parte, em casa? etc. etc, etc). Muitas dúvidas, muitas armadilhas, muitas incógnitas.


Por isso, antes que se comecem a dizer coisas, deve é pôr-se os pés na terra e começar a imaginar o que vai ser o mundo daqui para a frente. E começar a encontrar soluções para os problemas que se forem identificando.

E as soluções devem passar por ter em consideração que novas necessidades vão nascendo -- e que vai haver um certo retorno ao interior, a outras formas de vida.

Mas lá está. Para que tudo isto se encarreire e se encarreire com o menor dolo possível é bom que haja baias, que o bicho-homem seja tocado para entrar nos caminhos certos.

E aqui entra a liderança necessária. Liderança política, antes de mais.

Até aqui António Costa tem estado bem: tem ouvido cientistas, tem ouvido economistas. Deve ouvir também sociológos, antropólogos, urbanistas. Deve criar grupos mistos de reflexão que contenham cientistas, artistas, economistas, engenheiros, arquitectos, agrónomos, consultores de estratégia com implantação internacional, etc. Mas deve pôr esta gente já a pensar para produzir orientações estratégicas globais dentro de muito pouco tempo.

____________________________________________________________

Numa de #achatar a curva#, há quem transforme em arte a quarentena. As obras aqui expostas provêm de um lugar bem pensado. E a Joan Baez, interpretando Diamonds and Rust, faz sempre uma boa companhia.

E, para rematar, uma mescla de COW, Swan lake e Midsummer nights dream, obra do genial Ekman

______________________________________________________________________

E uma boa quarta-feira.

Dantes, quarta-feira era o dia em que se dobrava a semana. Agora as semanas são um contínuo. 

Mas que seja um dia bom, seja como for.