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terça-feira, agosto 11, 2015

Alô, alô Leitora Fantástica! Aqui está a o Caderno de Leituras sobre Maria Gabriela Llansol que pediu para ver. E vem com (quase) todos. Uma festa.


Num comentário ao post abaixo, a Leitora Fantástica, autora de A Matéria dos Livros, disse que não conhecia o Caderno de Leituras com textos de Maria Gabriela Llansol. E tem razão. Involuntariamente, induzi os Leitores em erro, pois, na realidade, trata-se de uma Selecção de artigos publicados na imprensa generalista portuguesa em torno de alguns livros de Maria Gabriela Llansol (e não textos da própria).

A Editora é a Mariposa Azual (e o livro custou-me 4.5€). Mais abaixo mostro a capa e algumas páginas interiores colocando ao lado o livro da Clarice Lispector para que se perceba a dimensão do Caderno de Leituras.






Para aguçar o apetite não apenas para este Caderno mas, sobretudo, para os livros de Maria Gabriela, transcrevo uns breves excertos do que alguns disseram, por exemplo de 'contos do mal errante'.


1. De Eduardo Prado Coelho in Expresso em 13.12.1986: o amor ímpar


(...) Esta sintaxe das imagens da atracção e da repulsa traça a moldura do que é o tema fundamental deste livro: a alquimia do encontro. Escreve Llansol: "como se fosse só a beleza das almas convergentes que fosse capaz de cativar e trazer acalmia à desordem do mundo, essa percepção está impregnada de nostalgia e de receio. Nostalgia do momento que há-de vir, em que será manifestada a beleza do encontro, o seu ponto culminante de elevação, como uma epifania vinda de outro lugar, e permitida pela renúncia das vontades; e receio, porque o jogo das forças é frágil quando a falta de habilidade e de rectidão interior provocam danos que podem ser - ou parecem ser - irreparáveis"

Deste encontro a três, na inumanidade cósmica de um amor ímpar, dá-nos Maria Gabriela Llansol páginas extraordinárias que transitam da luminosidade do fogo e da neve até à sabedoria aconchegada de um cântico invernal; mas nenhuma tristeza há neste percurso, antes uma alegria imensa e partilhável: "um cântico invernal não é a morte, nem a imobilidade: é o deixar espalhadas sobre a mesa todas as letras do nome Amor".





2. De Francisco Vale in Jornal de Letras, Artes e Ideias em 13.04.1987: Da atracção dos corpos em caso de amor ímpar


(...) Copérnico amava Isabôl e desde o início soubera que o "o seu corpo lhe interessava mais do que o seu rosto, e que ia dedicar-se a perscrutá-lo com atenção, liberando todos os sentimentos, para descobrir de que volúpia presente seria, no futuro, a causa".

Mas ambos esperavam "um terceiro" nesse tempo de Inverno que os isolava. Esperavam Hadewijch, "oculta" na sua própria ausência.

Olhando Copérnico, com o seu "peito nu, o rosto nu, os olhos abertos com um intenso sinal de vida", Isabôl deseja "poder deslizar do seu peito ao peito de Hadewijch e, um antes do outro, voltar a beijá-los"; e quando pensou em Hadewijch reconheceu que " ele devia poder vê-la naquele instante" e saíu do quarto "sem falar para não interceptar a sua vista"




3. De Maria Teresa Horta in Mulheres em 04.1987: "Contos do Mal Errante" de Maria Gabriela Llansol



É um livro de sabedoria; de uma androginia quase alquímica.

É ofuscante.
         E um livro sem brandura, ferino e obscuro ao mesmo tempo.

De um falso despojamento de escrita e de sexualidade, na mesma medida inventada.

        É um livro de fingimento total, num jogo contido e tenso, naquilo que é cerne e raiva e não se sabe mesmo se crueldade.

          É um livro labiríntico, de um egoísmo feroz. Egocêntrico e redondo, à volta de si mesmo.
(...)
        De onde nasce a paixão? - Não nasce: arquitecta-se a si milimetricamente, medida-escrita, pesada e descrita, até se ver o osso e a paixão, portanto, se extingue em si mesma.

          E se apaga.

      Tal como o desejo, curiosamente à aparência tão importante nesta obra de Maria Gabriela Llansol - desejo nascido com o único fim de logo ser negado?

        Extinto. - Pelo próprio corpo... da escrita.
(...)
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E, agora, as fotografias do Caderno de Leituras de onde extraí os excertos que puderam ler acima e poderão continuar a ler mais abaixo.

Caderno de Leituras - organização de Helena Vieira/Espaço Llansol


"Meditava, pois, que não havia só seres com perfil histórico reconhecido, mas todos nós éramos seres apagados de um momento, e seres vibrantes do outro"

(Regina Louro in "A escrita errante de Maria Gabriela Llansol")


"Causa amante" é o mais frágil de todos os livros, como a escrita (ou o amor) é a mais frágil de todas as matérias

(Regina Louro in  'entre tudo e nada' em 1984)
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4. E sobre Um beijo dado mais tarde, de António Guerreiro in Expresso em 06.04.1991: 'Na margem da língua, fora da literatura' 


(...) As palavras podem então ir à frente, como batedores em busca de mundos possíveis, ensaiando um itinerário de conhecimento. 

(...) Numa formulação mais breve, dir-se-á num dos seus livros: "Não há literatura. Quando se escreve só importa saber em que real se entra, e se há técnica adequada para abrir caminho a outros". A língua tem de ser um mecanismo que permite a aproximação extrema entre os seres e a travessia de diferentes épocas históricas sem outro fim que não seja o de conhecer. Então, "todos os livros, limites e indícios da vida quotidiana me parecem pequenos microcosmos justapostos com o mesmo fim, ou a mesma origem". Como se tudo estivesse em tudo. O Livro pode ser prolongado infinitamente, como uma virtualidade aberta a todos os recomeços.
(...)
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Para acompanhar os excertos usei imagens do fotógrafo russo Anton Belovodchenko que descobri no Bored Panda. E para acompanhar todos escolhi a Buika com o seu Por el amor de Amar.

Sobre o belíssimo bailado do final - que espero que até os mais distantes da arte não deixem de ver porque garanto que sentirão maravilhados - transcrevo o texto de apresentação do vídeo:

New York City Ballet presents NEW BEGINNINGS on September 12, 2013. Filmed at sunrise on the 57th floor of 4WTC in lower Manhattan, this short film captures an extraordinary and moving performance of Christopher Wheeldon's After the Rain. It is a testament to the resilience of the human spirit, and a tribute to the future of the city that New York City Ballet calls home.
Música: Spiegel Im Spiegel de Arvo Part. Coreografia: After the Rain de Christopher Wheeldon; Bailarinos: Maria Kowroski, Ask la Cour
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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma dia muito feliz. 
E muita saúde para os que estão assim-assim e esperança para os que estão com medo, e boas notícias para todos. 
E alegria.

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domingo, agosto 09, 2015

O corpo, o tempo, a música, a luz, a luz que atravessa os corpos, os corpos que desafiam a luz, a música que transporta os corpos. Dustin Yellin, o NYC Ballet. Cameron Grant, Bach.


Eu gostava de ser capaz de escrever palavras apropriadas, que cerzissem com subtileza o que aqui vou mostrar, que apresentassem decentemente aqueles de que aqui abaixo vos mostrarei imagens. 

Mas tenho tido uns dias de tal maneira difíceis, tão cansativos, em que se misturam momentos de preocupação com outros de tristeza com outros de alegria que, aqui chegada, depois da meia-noite, estou num tal estado de exaustão (física e emocional) que não consigo energia nem para pegar nas palavras pelo rabo. 

É que, no meio de tudo que está a acontecer, os leões atacaram em força e tanto assim é que este sábado houve uma tripla festa de aniversário, uma festa de arromba.


A menina aniversariante, já com 5 anos e cada vez mais linda
(e toda vaidosinha com a toilette que a outra avó lhe ofereceu e com uns sapatos dourados de 'salto alto' com que uma tia-avó completou a toilette.
O pai, claro está, fica passado com isto, sempre foi completamente compra este género de coisas, sempre as classificou de piroseiras mas, face ao que toda a gente oferece à filha e face à alegria dela, já começa a dar-se por vencido) 


O pimentinha mais novo que qualquer dia já não posso tratar por bebé uma vez que já é gande, já tem três anos,
(aqui com o seu primeiro carrinho tele-comandado)



Mas que não se pense que, para a festa, fiz alguma coisa que justifique a minha canseira: de facto, não contribuí com nenhum esforço, limitei-me a participar e levar pão e bebidas. Os donos da casa, esses sim, trabalharam como uns doidos e algumas pessoas levaram belíssimos pitéus. A festa esteve fantástica a todos os níveis. Mas tantos os convidados de todas as idades, tanta a animação e tão estafada ando que saí de lá quase a arrastar-me e quase sem conseguir manter conversa que se aproveitasse. Credo.

Por isso, não levem a mal que hoje me poupe e avance, sem mais conversa, para o que tinha pensado aqui mostrar-vos.

Peço apenas que vejam e ouçam com atenção. Eu gosto muito de tudo e momentos assim, de fruição, de imprevisto, de beleza e de superação descansam-me a alma. A sério.


 Dustin Yellin



Brooklyn-based artist Dustin Yellin brings a collection of his glass sculptures from the ongoing Psychogeographies series to New York City Ballet for the third presentation of Art Series, which welcomes contemporary artists to our Lincoln Center home.


NYC Ballet's 2015-16 Season


 


NYC Ballet's Cameron Grant & Tyler Angle on Jerome Robbins' THE GOLDBERG VARIATIONS



NYC Ballet pianist Cameron Grant and principal dancer Tyler Angle on how the music takes center stage in Jerome Robbins’ epic Goldberg Variations, a 90 minute work set to Bach’s famous piano works of the same name.

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Dustin Yellin  (born July 22, 1975 in Los Angeles, California) is a contemporary artist living in Brooklyn, New York.[1] He is best known for his sculptural paintings that use multiple layers of glass, each covered in detailed imagery, to create a single intricate, three-dimensional collage. His work is notable both for its massive scale and its fantastic, dystopian themes. Yellin is the founder of Pioneer Works, a non-profit institute for art and innovation in Red Hook, Brooklyn.

Interessante também, o site de Dustin Yellin

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Tenho que vos pedir desculpa de nem me ter dado ao trabalho de traduzir os excertos que aqui coloquei -- mas é o que acima vos disse, não tenho mesmo energia para tal.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo dia de domingo. 
E que recebam muitos sorrisos e que tenham oportunidade de também os oferecer e, se não sempre, pelo menos de vez em quando, se sintam felizes.

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