Poderia limitar-se a ser inútil. Mas não. Por onde tem andado, para além de inútil, só faz porcaria. Saia de onde sair, não deixa saudades. É o exemplo acabado do que é um naco de basófia (mesmo que basófia disfarçada ou contida), um capacho do verdadeiro poder, um cherne emproado.
Toda a sua vida tem sido um percurso de ambição temperada pela traição, pela deslealdade perante aqueles a quem devia respeitar, pela facilidade em desculpar-se -- não perdendo oportunidade para evidenciar que não tem coluna vertebral, dignidade, respeito pelos outros.
Depois de ter estagiado no governo português, conseguiu alcandorar-se ao lugar cimeiro que ocupou durante anos na Comissão Europeia, enterrando na putrefacta lama dos interesses financeiros os ideiais mais nobres da Europa. A Durão Barroso para sempre ficará associado o período miserável em que a Europa abriu as mais perigosas brechas num edifício que se queria feito de solidariedade, direito à igualdade, liberdade plena dentro dos ideais democráticos.
Saíu pela porta baixa dando lugar ao alcoolizado chefe do governo de um país conhecido por ser, às escâncaras, um bastião dos mercados e da fuga às leis e aos impostos.
Não contente com todas as suas torpes medalhas -- de entre as quais não podemos esquecer a de concièrge das Lages aquando da aldrabona e criminosa cimeira de onde saíu a ordem para se avançar fraudulentamente sobre o Iraque -- eis que Durão Barroso, essa enxundiosa figura, vai agora alojar o fétido corpo na Goldman Sachs, a poderosa e octopédica instituição financeira que tão gananciosamente contribuíu para a ruína de vários povos e para o descalabro de várias economias.
O Goldman Sachs, mais do que qualquer outra entidade financeira, contribuíu para que a especulação abutre dos mercados prosperasse e passasse através das malhas da lei. Para tal, sempre se rodeou de gente de verbo fácil e que facilmente se vende, gente de dúctil carácter e que se move facilmente por entre os corredores dos lugares onde as leis são feitas e as grandes decisões tomadas.
Não foi por acaso que, ao sair do Bilderberg, Balsemão lhe passou o testemunho. A trilateral não dorme. Os seus homens são colocados em todos os lugares onde dê jeito ter gente com o perfil de um Durão Barroso.
O que é esta Europa de bananas, de frouxos, de vendidos, de gente que enoja os povos dos países que são obrigados a vergar-se perante os ataques soezes a que são sujeitos pelos ditos mercados é bem ilustrado na pessoa deste sujeito que, nas horas livres, ainda tem a falta de vergonha de aparecer em Portugal a dar lições de moral aos seus concidadãos.
A Europa desagrega-se a olhos vistos enquanto os responsáveis por isso airosamente por aí andam, tratando da sua vidinha -- e isto revolta.
Em concreto, neste caso, tomara que tão cedo não tenhamos que voltar a pôr-lhe a vista em cima:
este José Manuel Durão Barroso é uma vergonha.
[Hesitei em escrever isto e, embora me apeteça desenterrar factos que ilustram o percurso desta nauseabunda personagem, forço-me a parar. É fim de semana, está um quente dia de verão e ninguém de bom gosto usa o seu precioso tempo sujando as mãos com tema tão fétido. Mas, de vez em quando, a urgência da indignação sobrepõe-se à apatia do desencanto.]
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Os cartoons que mostram o cherne de mau nome provêm do extraordinário e saudoso blog We Have Kaos in the Garden.
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E a ver se me encorajo a cá voltar com tema melhor.
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