Se os últimos tempos não me têm sido fáceis, este dia, hoje, foi uma coisa do além. E se isto não fosse um diário público, era certo e sabido que me poria para aqui, em privado, a carpir sobre o meu ombro. Como, por pouca sorte, isto dos blogues é uma coisa qualquer que de privado não tem nada, nada mais me resta que não engolir os queixumes e tentar distrair-me com o que gira por aí, pelos ares.
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| João Soares - a temível fera que ameaça tratar da saúde de dois monumentos do Público |
À falta de cãozinho abandonado ou de mochilas simbólicas ou de alguém por quem R.I.P. em barda, as bofetadas com certeza que servem muito bem.
Ora não, a malta precisa é de adrenalina para bombar na maior animação.
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| Augusto M. Seabra, a verrinosa figura que, na maior das facilidades, consegue tirar do sério John Macho Só Ares |
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| Vasco Pulido Valente, o tal meliante que anda há séculos a pedi-las (so, John Só Ares say) |
Aqui chegada, acrescento: se me perguntarem se João Soares é, para mim, um modelo de virtudes e se dele mandaria erigir uma estátua apolínea para deificar a cultura do meu país, pois vos diria que talvez não.
Mas se me perguntarem se exijo dos ministros que se portem como uma menina acabada de ser ungida pelos sagrados óleos da castidade dir-vos-ei também que não.
Posto isto, espero que, na Cultura, João Soares cumpra o que é esperado, que dignifique a actuação do governo nos domínios culturais e que o faça com competência e denodo. Tirando isso, se pisca o olho a alguém quando escreve no facebook, se envia beijinhos e abraços a alguns, beijocas fofas às admiradoras ou bofetadas virtuais ao Augusto M. Seabra ou ao Vasco Pulido Valente é coisa para cujo lado melhor durmo.
Só tenho uma sugestão a dar ao nosso ministro: que, quando voltar a desafiar os seus adversários na polémica, faça uso do seu estilo erótico (onde francamente tem mais graça). Insinue práticas dangereuses, proponha desaforos, junte personagens perigosas, e uma ou outra faca na liga -- apimente a prosa, vá. Mostre que é homem (de letras).
Podemos, pois, descansar. Já não teremos bengaladas, bofetadas, traulitadas, besteiradas. Afinal vivemos na era dos smiles e dos gatinhos fofos. As tiradas queiroseanas já não moram aqui.
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E, entretanto, acabo de ter uma má notícia. É que acabo de ver António Costa a pedir desculpas aos dois ofendidos e informando a comunidade que já recomendou aos ministros que nem no facebook nem à mesa do café deverão soltar a franga ou a fera que têm dentro deles.
Podemos, pois, descansar. Já não teremos bengaladas, bofetadas, traulitadas, besteiradas. Afinal vivemos na era dos smiles e dos gatinhos fofos. As tiradas queiroseanas já não moram aqui.
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E, assim sendo, nada mais tendo eu a declarar e pouco mais havendo a dizer sobre tão exígua farrinha, coisa de funfuns, gaitinhas e nada mais, chamo o Bruno Nogueira e peço que traga o Sr. Henrique. Esses, sim, são uns verdadeiros pândegos.
Arraial Gay Pride
Lado B
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Já agora, ponhamos os olhos na idades dos cultos senhores que tão saudável beligerância mostram:
João Soares - 66 anos
Vasco Pulido Valente - 74 anos
Augusto M. Seabra - 60 ou 61 anos bem aviados
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