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quinta-feira, setembro 24, 2026

Vejo o principio e o fim abraçados numa espécie de altar



Sobre a futura saída de cena de Guterres o que tenho a dizer é que até pode acontecer que a responsabilidade não seja só dele, sei bem que não é, mas, ainda assim, a minha opinião é que foi irrelevante e contribuíui para acentuar ainda mais a irrelevância das Nações Unidas.

Sendo um homem que todos dizem ser muito inteligente, a mim nunca me impressionou. Sendo como sou mais velha que a sé de braga, lembro-me dele como primeiro-ministro, e, aí, mais uma vez, o achei palavroso mas pouco actuante. Tem boas ideias mas não é homem de chutar à baliza.

O discurso de despedida, o último em funções, foi -- nas partes que ouvi -- muito acertado. Mas irrelevante em termos práticos. Não foi feito para deixar marca. É certo que tirou uma fotografia de fato e gravata e os pés debaixo de água. Muito elogiado por isso. De facto, uma boa fotografia, uma boa mensagem. Mas, em termos objectivos, não passou disso.

Trump salta em cima, pisa, faz o pino num só dedo, tudo em cima dele. É certo que ninguém com dois dedos de testa interpreta politicamente os desmandos de Trump. Tudo o que faz ou diz é fruto de um narcisismo maligno temperado com uma crescente dem~encia. Mas ele sabe com quem se mete. Por isso bate a bolina baixa com ditadores e trogloditas. Agora quando sente mole, está bem está, salta em cima com uma pinta. Fosse outro com mais fibra no lugar de Guterres e a ver se o Trump levantava cabelo como faz agora, ai fazia, fazia.

Do que vi do discurso de Trump, e só vi excertos, o que posso dizer é que foi a pangalhada do costume, parvoíces, contradições, auto-elogio, ameaças, tudo inconsistente, sem ponta por onde se lhe pegue.

Está metido naquela bela alhada do Irão e não sabe como sair dela. Só espero que as eleições de Novembro não venham com molho (pois ele já incitou os magaburros à batota, já ofereceu dinheiro, já os ameaçou com um bilheto de ida para o inferno caso não votassem nos dele -- já fez de tudo) pois seria preciso que os americanos fossem muito mais burros do que já demonstraram ser para que não conseguissem dar uma banhada das valentes aos republicanos e encostar o parvalhão às boxes. Não são só as mortes e os achincalhamentos e as perseguições, é a instabilidade galática que tem gerado.

A quem continuo a tirar o chapéu, e não tenho dúvidas de que ficará para a história, é Zelensky. Um estadista. Corajoso, resiliente, assertivo, determinado. Um homem inteiro. Se há alguém que ilustra na perfeição aquela coisa de que os homens não se medem aos palmos é ele. O que aquele homem tem enfrentado, o discernimento e a coragem e a presciência em cada momento da sua vida, mesmo quando é atacado, humilhado, torpedeado, é digno de louvor. Continuo a achar o que acho desde o início (embora os factos ainda não me tenham dado razão): a guerra acabará quando Putin for ao tapete. E sempre passei que seria a Rússia a atirá-lo ao tapete e a pôr-lhe o pé em cima para que do tapete não se levantasse. Mas como todas as vítimas de violência, os russos pecisam de tempo para processar o que lhes tem estado a acontecer, para afastarem a avergonha de estarem manietados por um ditador e para gahnarem coragem para expulsar o malfeitor. Não sei como será, mas acredito que um dia acordaremos com a notícia de que os russos se livraram do Putin e da sua entourage, talvez o ponham em cativeiro, e vão assinar um acordo de paz sincero e duradouro com a Ucrânia.

Talvez a seguir o entreguem para ser julgado pelos crimes que tem estado a cometer. E eu só espero que isso aconteça rapidamente.

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Mas, enfim, é tarde, não me apetece falar mais disto. Depois logo conto como vão as nossas arrumações na cozinha. Amanhã vou encomendar umas caixas de arrumação de diferentes tamanhos e finalidades. Quando as entregarem é que vai ser, uma reforma a sério. Até lá vai continuar a zaragata pegada entre mim e o meu marido. Eu sou de reformas profundas: tudo cá para fora e vamos pensar com racionalidade. Ele não: mal começa, já quer é despachar. Arranja soluções mirabolantes para tudo. E eu não concordo com elas. E ele passa-se, acha que discordo por discordar. A conjugalidade aqui por casa tem destas coisas: concordamos nos grandes assuntos da humanidade, discordamos sobre como arrumar especiarias.

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E, na despedida, Espécie de altar, Jorge Palma


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Desejo-vos um dia feliz

segunda-feira, janeiro 20, 2025

Pessoas que dizem coisas

 

Há pessoas que dizem coisas. Como conseguem pôr um ar compenetrado e como conseguem manter uma certa consistência nesse 'ar', há quem os leve a sério e se convença de que eles têm coisas a dizer. E, de facto, têm. Têm sempre coisas a dizer.

As frases geralmente são bem construídas, não têm pontas soltas, e sobretudo são sempre elaboradas e expostas com o ar de quem sabe o que diz, de quem reflectiu maduramente no assunto e de quem, obviamente, fala com propriedade e conhecimento de causa.

Efectivamente, as suas frases não têm pontas soltas. De facto, começam e acabam no mesmo sítio, são frequentemente redondas. E têm a característica de que, bem vistas as coisas, espremem-se e não deitam sumo. Melhor dizendo: não deitam nada. Melhor dizendo: não se aproveita nada.

Quando acabam de falar, se quisermos resumir o que disseram, dificilmente encontraremos algo digno de realce a não ser que disseram coisas, coisas bem explanadas. Mas coisas inúteis. Se quisermos ser sinceros diremos até que falaram apenas para não ficarem calados. Ou, se quisermos ser inteiramente justos, diremos que falaram porque gostam de dizer coisas e gostam delirantemente de se ouvir.

Em todo o lado há gente assim. Não se lhes conhece obra, pensamento disruptivo ou, pelo menos, criativo. Nada. Apenas falam. Geralmente falam bem. Sabem até colocar bem a voz. Estão treinados.

Não vou falar de ex-colegas pois não são para aqui chamados. Vou apenas falar dos que estão na vida pública pois põem-se a jeito para a gente poder falar deles.

E vou ser sectária: vou falar apenas dos que são ligados ao PS pois deles se falou ou fala para putativo candidato presidencial ou sobre o assunto têm opinado.

Assim de repente, lembro-me de alguns. António José Seguro, Francisco Assis.

E António Vitorino. E, lamento dizê-lo, António Guterres (que não faz parte da lista dos presidenciáveis mas que fica bem aqui nesta grupeta).

Tenho dito.

Até amanhã.

PS1: Espero bem que o Pedro Nuno Santos, que tem revelado uma certa falta de jeito a escolher pessoas e, lamento, uma certa falta de tino, fique um bocado mais calado, reflicta melhor no que o País quer em vez de andar às voltas dentro do seu círculo, e não ponha o PS a apoiar nenhum destes

PS 2: Agradeço todos os comentários e o meu marido também. Agradecemos e gostamos muito de aqui ter os vossos contributos e testemunhos. Vou tentar que, a partir desta semana, volte à saudável prática de agradecer individualmente.

sexta-feira, outubro 07, 2016

Guterres, o nosso homem na ONU.

Ah e outra coisa: afinal sempre é verdade...!
As árvores sentem, têm relações de amizade e protegem-se entre si.
[Será que as árvores in heaven também gostam de mim?
Reconhecem-me quando ando junto delas? Ah.... tomara que sim.]



Há temas que são recorrentes por estas bandas, reconheço. Árvores é um deles. Mas sou uma pessoa limitada em tudo e até no tempo de que disponho para me inspirar. Sento-me aqui e, frequentemete, estando a milhas do andamento do mundo, dou um giro pelo espaço a ver se pesco alguma estrela em ascensão ou algum cometa descarrilado. Como é sabido, já que tantas vezes me queixo, frequentemente regresso ao meu sofá de balde vazio. Só cães a correrem atrás do rabo, rabos que já ganharam vida própria e que já correm mesmo sem cão, meninas a fazerem selfies, matarruanos a falarem do jogo da bola da véspera, papagaios de todas as cores e feitios, bernardos, rangélicos, galinhas, camelos -- e eu, já com sono, e sem ter um catalisador que me desate os dedos.

Claro que, em dias assim, o que me apetece é pôr-me a escrever sem motivo ou objectivo. Como quando pego em tintas e desato a pintar. Uma coisa apenas na boa.


Mas há outros dias em que, vindo já à espera de só encontrar provas e testemunhos de milagres atribuíveis a S. Guterres e de antever já uma corte de beatos a mover-se no sentido da canonização do Tony de Donas, dou com uma notícia surpreendente.

Note-se que isto não é cinismo meu pois a sério que acho que Guterres pode vir a fazer qualquer coisa de jeito na ONU, ao contrário do nhonhinas sorridente que lá está que, a bem dizer, a gente mal deu por ele (quando seria expectável que tivessse andado num virote com tanta guerra, tanto êxodo, perseguição, crise humanitária). 
Mas entre achar que é agradável para Portugal ter um seu -- e não um qualquer mas um ser sério, inteligente e humanista -- num lugar de prestígio e ficar contente por ele se ter aguentado perante tanto teste e, ainda por cima, por ter dado uma abada àquela marmanja insuflada pela Comissão Europeia e pela Alemanha 
e 
alinhar nesta procissão de crentes, beatos, devotos que por aí andam entoando loas em sessões contínuas 
vai uma grande distância. 
Eu às vezes não percebo se os portugueses são maioritariamente totós, caniches que se atiram em voo picado sobre qualquer osso com que são desafiados, ou se são os nossos órgãos de comunicação social que são do tipo influenciável e que, à mínima, se alinham em rebanho para cenas de curtição colectiva, todos ao moche, bora lá malta.

Por qualquer coisa que aconteça, seja o que for, é uma bebedeira de comentário a copo: os balcões cheios de gente excitada a comentar, em repetex, o acontecimento. Resmas deles, em todos os canais. Agora é o Guterres. Todos gostam do Guterres, todos adoram o Guterres, todos beijam o chão que Guterres pisa, todos conhecem as virtudes de Guterres, o mais amado, o melhor de nós todos. E todos sabem tudo da vida de Guterres. Agora vi um biógrafo saído do século passado, de joelhos perante o mais novo santo do altar. Ou seja: uma overdose de Guterres.

Mas, dizia eu que, sem vir nada à espera, dei com uma notícia que me deixou enlevada, sorriso nos lábios, vontade de sair por aí a voar para me ir abraçar a elas, para conversar com as bichinhas.

Transcrevo:



Trees Can Make Friends And Look After Each Other Like An Old Couple


Trees provide mankind with an infinite source of useful stuff. They produce oxygen, they give us wood (stop it), they provide us with shade, and they give us something nice to look at when gazing out of the window. But trees aren’t just there to please us humans. No. According to a new documentary, trees, like us, have feelings. 
The documentary, called ‘Intelligent Trees’, is the work of German forester, author, and tree whisperer Peter Wohlleben, and Suzanne Simard, an ecologist from the University of British Columbia. According to their research, trees can feel emotions, communicate and make friends with other trees, and even cuddle one another.


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As fotografias são das minhas meninas in heaven, sempre juntas, felizes, verdes e frondosas, que não param de crescer, cheirosas, lindas.

E eu gostava de ser uma tree whisperer, uma encantadora de árvores.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, um dia feliz.

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