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sexta-feira, abril 22, 2022

A história da velhinha e dos escuteiros explicada ao PZP

 

Tenho-me lembrado desta adivinha a propósito do negacionismo e da inacreditável posição do PZP a propósito da invasão e da destruição da Ucrânia por parte da Rússia.

Pergunta: Porque é que são precisos pelo menos seis escuteiros para ajudar uma velhinha a atravessar uma rua?

Resposta: Porque a velhinha não quer atravessar a rua.

Os comunistas têm engendrado a mais inqualificável narrativa para defender os actos criminosos de Putin: que os ucranianos também foram uns filhos da mãe com os russos na Crimeia, que os ucranianos é que provocaram a guerra querendo aderir à UE e à Nato. Sei lá.

Ou seja, os comunistaz portugueses parece que ainda não perceberam uma coisa: os ucranianos não querem deixar de ser ucranianos, não querem ficar sob o jugo russo. N-ã-o   q-u-e-r-e-m!

Os ucranianos são cidadãos de um país que se quer independente e livre e, como tal, querem ter o direito a decidir como entenderem e a fazer o que querem dentro das suas fronteiras.

Se os russos, a mando de um criminoso, pensam o contrário e, contra todas as normas do direito internacional, invadem a Ucrânia, os ucranianos têm todo o direito a defenderem-se como podem. Poderiam defenestrar os vendidos, os miguéis de vasconcelos e os pachecos desta vida, poderiam correr com os invasores à espadeirada, poderiam ser como a nossa padeira de Aljubarrota ou como a valorosa Joana D'Arc -- e, se calhar, têm feito um pouco de tudo isso. Perante as mais tenebrosas ameaças, há quem tenha a coragem de fazer o que pode para defender o país e a liberdade. E felizmente há heróis que, perante os golias, continuam a lutar, a dar a vida até à última pinga de sangue pelo seu país.

O nosso PZP não percebe isto? Não percebe que os ucranianos querem ser ucranianos e querem ser livres?

O que advoga o PZP? 

Defendem que os ucranianos deveriam ter-se deitado no chão para as tropas de Putin passarem por cima? Que servissem cafezinhos aos russos? Que se pusessem todos à janela a acenar com lencinhos brancos para receber os invasores? Ou o PZP acha que quem fale russo deve ser russo? É isso?

Felizmente não falo russo senão ainda seria condenada pelo PZP se me defendesse (apedrejando os bandidos ou fazendo o que estivesse ao meu alcance), caso os russos resolvessem destruir-me a casa ou dar-me tiros à queima-roupa por eu não querer ser russa.

Pasmo com isto. Estou muito desiludida com os nossos comunistas. Nunca pensei assistir a isto. Tinha-os, globalmente, em relativamente boa conta. Um bocado (ou bastante) politicamente autistas mas, ainda assim, gente de boa cepa.

Agora, com as cobardes e hipócritas posições que os vejo a tomarem, já ponho toda a minha ideia sobre eles em perspectiva. Acho até que quem assim pensa é gente perigosa. Aparentemente serão os primeiros a render-se e a vergar caso o país seja invadido e agredido, serão os primeiros a trair os mais sagrados valores da democracia. E, pelo que tenho observado -- vendo-os a usar os argumentos mais insanos e vendo a agressividade que usam na sua argumentação -- até admito que seriam capazes de denunciar aos russos todos os que não se vendessem ou não fossem alistar-se nas milícias pró-russas.

Caraças. 

Como é que não percebi antes que era gente capaz de tanto ódio à liberdade e tanta submissão perante a tirania?

Desonram o seu passado. Desonram os que deram a vida pela liberdade. 

Não serão todos, acredito. Acredito que muitos se desliguem do partido. Acredito que muitos, por honrarem o seu passado, se demarcarão do que o PCP hoje representa.

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Os desgraçados que se vêem nestas fotografias são os belicistas desta história? São!? 

Vejam bem, demorem o tempo de que precisarem, e depois respondam. Mas respondam ao espelho, a olharem-se nos olhos.









Fotografias da Reuters: A city destroyed: Scenes of devastation in besieged Mariupol

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No vídeo abaixo, Putin dá ordem ao seu Ministro da Defesa de não deixar passar nem uma mosca num local onde estão, isoladas, milhares de pessoas (militares e civis), decretando assim que morram à sede e à fome, sem água, sem luz, sem comunicações.

Mas Putin não está a dar ordens para o seu Ministro actuar dentro das fronteiras do seu próprio país: não, está a esmagar, a pulverizar um outro país, condenando ao êxodo os que conseguem sair e condenando à morte os que não conseguem. 

É isto que o PZP defende?

São belicistas os ucranianos que ficam sem casa, sem familiares, que se refugiam seja onde for e que, em alguns casos, são deportados para campos (de concentração?) na Rússia? São belicistas os que lutam até à morte?

Que vergonha, senhores comunistas, que vergonha, que vergonha tão grande. 

Russian troops to blockade Mariupol 'so that a fly can’t get through' says Putin


É isto que defendem, senhores e senhoras que não são capazes de condenar Putin?

Pela parte que me toca, quando agora vejo alguém do PCP na televisão a pôr-se ao lado de ditadores, criminosos e facínoras, mudo de canal. É mais forte que eu: sinto-me nauseada com as suas palavras, não aguento.

domingo, abril 14, 2019

A propósito do sósia do Vuvu


A sensação que se tem ao confirmar que há pessoas iguais é uma sensação estranha. Já aqui contei como já me aconteceu alguém confundir outra pessoa comigo. A última foi na Gulbenkian e foi, uma vez mais, bizarra, talvez até desconfortável. Duas pessoas estavam certas que eu era outra pessoa, não tiravam os olhos de mim. E diziam que era o aspecto físico, era a cor dos olhos, era a forma de sorrir, era a voz. Não percebiam que pudesse ser possível eu não ser a outra. Assim mesmo tinha acontecido em Espanha, com uma jovem incrédula, arrepiada, não acreditando: eu era tal e qual a tia e, à medida que eu ia falando, explicando que não, que nem era espanhola, mais ela ficava aterrada, jurando que eu falava tal e qual a tia, que o cabelo, os olhos e até a forma como me vestia eram dela.

Pois hoje aconteceu-me a mesma coisa com outra pessoa. O homem estava a fumar, sentado junto ao alpendre de entrada do restaurante. Sendo muito magro, cruzava as pernas como os homens muito magros as cruzam. Falava também ao telefone. Eu nem queria acreditar: tal e qual o João César Monteiro.

Nós entrámos, sentámo-nos. Passado um bocado, o homem entrou e juntou-se a quem estava na mesa redonda, grande, perto da nossa. Estava de frente para mim. Rosto fechado, de cada vez que falava, toda a gente desatava a rir. Quando uma das comensais, uma loura bem fornecida e com um vestido solto com muitas aberturas, se levantou para fotografar o grupo, veio recuando, quase para cima do meu marido que, se encolheu, divertido com a cena. Tão absorta estava na escolha do ângulo certo que nem deu pelo quase abalroamento. O sósia do João Vuvu manteve-se inalterado mas mal a fotografia aconteceu disse qualquer coisa, com a voz também igual, e a mesa rompeu em gargalhadas.

Perto do fim do nosso almoço, voltou a levantar-se. Quando saímos estava no mesmo sítio, de novo a fumar. Até nisso, igual, igualzinho, ao outro. 

Não sei como acontecem fenómenos destes, absolutamente improváveis. Se eu sou igual a outras pessoas que não conheço, é uma sensação um pouco estranha mas, creio eu, muito menos do que se eu conhecesse as outras de quem sou a réplica. Mas um homem que é igual a outro de quem há imensos registos e que pode ver-se ao espelho sendo a imagem de um outro deve sentir-me mesmo incomodado. Digo eu... Ou então, a maneira de ser deste é igual à do outro e diverte-se à brava com isso.

No caminho para casa, vindo a falar na insólita semelhança absoluta, lembrei-me da aula dada pelo Vuvu na escadaria da Assembleia da República e pu-la para  meu marido ouvir. Enquanto eu me ri à gargalhada, ele apenas sorriu. É muito contido. Mas, entretanto, já reprocessou o que ouviu e já me fartei de rir com as derivações e parvoíces que já disse. E tentei descobrir o da madre superiora mas não encontrei para lhe mostrar. Mas agora fui à procura e já aqui está. Uma cantiguina deliciosa.

A Isabel e outros Leitores bem comportados que me perdoem mas já sabem que, não sendo eu vernacular na forma como habitualmente me exprimo, não me choco com o vernáculo alheio especialmente quando vem servido com elegância, destemero e humor. E, no caso do João César Monteiro, esse ganda maluco com toda aquela dose de absurdo, aquele surrealismo tresloucado diverte-me mesmo.












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Agora ainda vou ver se o vídeo que fiz hoje ficou alguma coisa que se aproveite ou se é outra vez para esquecer. 

Amanhã, para além do vídeo (caso não esteja tão impróprio para consumo como os da semana passada) também tenho uma questão para formular ao nosso ubíquo presidente. 

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E um belo dia de domingo.

quarta-feira, janeiro 30, 2019

Are they in love or what?
[Lady Gaga - Shallow (Live) WITH BRADLEY COOPER - Full Video]


Eu cá não sou de intrigas mas que lá que parece que alguma coisa rola ali entre eles, lá isso parece. E se não rola, pinta. Ou, se não é 'pintar' que se diz, que seja qualquer outra palavra que queira dizer que entre aqueles dois parece que se soltam faíscas. Ou, se não são faíscas, são borboletas. E, se não são borboletas, são luzinhas azuis. Ou whatever.

O som do vídeo não é bom e a imagem também não é espectacular. Mas, não me perguntem porquê, gostei de ver. 

Eu, se fosse à Irina, ex-putativa menina Aveiro, acho que ficava um bocadinho apreensiva. Certo que tem um narizinho mais pequenino do que o de Stefani Joanne Angelina Germanotta, aka Lady Gaga. Mas a questão é que não sei se, nestas coisas, o tamanho de nariz importa.

Lady Gaga e Bradley Cooper - ao vivo e a cores


sexta-feira, novembro 11, 2016

Trump, Trump, Trump
- o humor contra a legião da palhaçada
[E não me peçam que analise a coluna vertebral dos que já estão a ver virtudes no Trump ou a acharem que estúpidos são os que ficam desiludidos. Farta de cataventos e de lambe cus já eu estou até à raiz dos cabelos.]

E memória de 'O amor dos lobos ao raiar da alba'


Isto de passar o dia noutro planeta tem o seu lado bom. Apenas sei do que se passa no mundo quando aqui me sento à noite e, ainda assim, é passeio, é vol d'oiseau, é coisa pouca.

Neste momento tenho na televisão um rangélico todo galinhético a ser acusado de mentiroso pelos outros. Ouço-o durante um instante a fazer interpretações esguinchadas sobre a vitória do Trump e não aguento. As coisas escaganifobéticas que ele invoca... Não tenho paciência para coisas destas. Um coiseco destes, com uma visão atrofiada e destrambelhada, é a personificação do rebotalho que se alapou na política e que afasta eleitores. Não aprendam a lição estes partidos que, em geral, já não são senão calhambeques carregados de míopes, avençados e poucachinhos... Não aprendam, não. Cambada.

Navego pela net, a ver se vejo coisa boa mas é com cada analisezeca... Tento perceber se quem começa a bandear-se é do bando dos direitolas ou simplesmente gente parva. Capaz de ser um mix mas com prevalência da parvoíce.

Por todo o lado vou, pois, vendo gentinha que se abestalha para se encostar à linha Trump ou que já disserta sobre o quão positivo é que Trump e outros palhaços rebentem com o sistema e que distraídos e ingénuos são os que ainda se incomodam com o advento desta política de reality show. Este é o pasto do populismo e gente que assim se acapacha é o chão que os demagogos e oportunistas gostam de ver pela frente. Podem pisar que o terreno é macio.

De resto, pouco mais tenho a dizer. Não sei o que aí vem mas antevejo que os próximos tempos têm tudo para ser tempos bastardos. Trump & Putin numa aliança espúria contra a Europa & China? Talvez. Uma outra guerra fria? Perigos reais ou uma real palhaçada? Não faço ideia.


Imagino que o aparelho republicano deve estar a organizar-se para ver como neutralizar as cavalices de Trump e talvez em parte bloqueiam as suas anormalidades. No entanto, não se está livre de decisões tomadas pelo Donald quando em roda livre ou dos maus ambientes e crises que desperte em contexto externo.


É tudo tão incerto e tão badameco, e é tão mau ver algumas tendências da cambada tuga já a dar ao rabo a ver se conseguem cavalgar a onda trumpista -- que, está bom de ver, é uma onda a fingir como tudo nele é a fingir -- que me falta a paciência para isto.

Perceberão, pois, que me refugie no humor. Os cartoons proliferam -- e não há melhor antídoto contra os porcos que teimam em querer triunfar do que o humor.

Ah, humor, humor meu, nunca me abandones.


(Nas expressões faciais, Trump até me faz lembrar o nosso - salvo seja - Alberto João.
Será que todos os países têm o seu Alberto João?)


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Os amigos de Trump - FBI, Putin e o KKK







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Mudo de registo

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Estava com vontade de escrever outra coisa, não sei o quê, qualquer coisa que me levasse para territórios onde reinasse algum encantamento. E comecei a escrever e já estava fora de mim (naquele hipnótico estado em que me sinto tão bem), sem saber que mãos conduziam as minhas ou que suaves sombras eram aquelas onde o meu corpo se escondia, expectante. 

No entanto, a meio, apeteceu-me ir escolher uma música e umas imagens e, nessa deambulação, ao passar pelo painel do blog, vi um elevado número de visitas a uma certa mensagem. Fui ver o que era. E, como tantas vezes me acontece, fiquei surpreendida. As coisas que eu escrevo. Não me lembrava. E a música é bonita. Porque será que hoje estão tantas pessoas a ler isto, uma coisa que escrevi há mais de um ano? Não sei como descobrem. E será que partilham? Farão como? Colocam o link no facebook? Não faço ideia. Nem sei o que acham. 


Por vezes, há Leitores que me desafiam a publicar um livro. Talvez estejam apenas a ser simpáticos mas, seja como for, não imagino sequer como poderia eu seleccionar os textos. Só aqui, no Um Jeito Manso (porque há também o Ginjal) já publiquei até hoje 4478 posts. Impossível ler tudo para fazer uma escolha. Se falo nisso ao meu marido, que ele poderia fazer uma monda, ele diz que estou maluca. Compreendo-o. É dose a mais para um simples humano. A incapacidade em deitar mão a tão hercúlea tarefa é atenuada por pensar que também não se perde nada. Só há uma coisa que quase lamento: é que gostaria de escolher a capa, o grafismo, a paginação. Mariquices, talvez. Mas para mim isto é importante. Para mim um livro não são apenas as palavras, é também o objecto que as transporta. E há outra coisa. Se eu um dia publicasse um livro, iria pedir a alguns bloggers para escreverem uma coisa para mim. Há alguns bloggers que escrevem muito bem e que, com as suas palavras, iluminam alguns momentos dos meus dias. Sou-lhes grata e gostaria muito de retribuir, de alguma forma, o prazer que me proporcionam com a sua escrita. Mas paciência. 

E, além disso, convém não esquecer, publicar livros deve ser deixado aos escritores e ser escritor não está ao alcance de qualquer um.

Mas dizia eu que um post com mais de um ano está a receber hoje um número invulgar de visitas. Chamei-lhe O amor dos lobos ao raiar da alba. Se quiserem ler, serão bem vindos. 


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Desejo-vos a todos, Caros Leitores, uma boa sexta-feira.
Be happy.


E um sentido So Long a Cohen, tantas vezes aqui presente


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segunda-feira, dezembro 07, 2015

Para as mulheres que gostam de se sentir "sexy, fortes, poderosas e belas (tudo ao mesmo tempo)*" se inspirarem. Eu, por exemplo, fico com vontade de me tornar prendada.



As minhas avós tinham máquina de costura Singer e a minha mãe, que sempre foi muito habilidosa, quando queria fazer alguma costura, usava a máquina de uma delas. Mais tarde apareceu uma máquina em nossa casa. Não sei se era da minha avó paterna que nunca usava a dela nem era nada dada a lavores, se foi a minha mãe que comprou. 

Agora que escrevo isto, penso que deve mesmo ter comprado pois creio que a da minha avó foi para o apartamento que os meus pais adquiriram depois para, ao fim de semana ou nas férias, estarem mais perto de nós, em especial dos netos. É isso: na varanda fechada para a qual dá o quarto dos meus pais é que está a máquina da minha avó. A da minha outra avó e uma outra que era de uma tia do meu marido foram transformadas pelo meu pai em mesas. O pé foi todo limpo e restaurado por ele e pela minha mãe e em cima tem um tampo com azulejos pintados e com um vidro por cima, isso feito pelo meu pai. Estão as duas in heaven e já aqui as mostrei** pois gosto imenso delas não apenas por terem sido de pessoas de que muito gostei mas também pelo trabalho de recuperação e transformação ao qual os meus pais se entregaram com tanta dedicação.

Entretanto, a minha mãe adquiriu uma máquina eléctrica, pequena, muito mais prática. É nela que faz tantos trabalhos. Ainda no outro dia lhe levei umas calças minhas com que já não gostava de me ver, tinha as pernas um bocado largas. Ajustou-as e agora assentam-me às mil maravilhas e têm um look bem mais a meu gosto.

A mim nunca me deu para a costura. Claro que bainhas ou pregar botões ou coser alguma coisa que se descosa isso faço. Mas fazer arranjos profundos, de descoser tudo, ajustar e voltar a coser, ou fazer peças de vestuário de raiz, isso nunca tentei.

Quando era miúda, queria aprender a usar a máquina e a minha mãe ou as minhas avós tentavam ensinar-me. Dava-se ao pedal, com a mão dava-se balanço na roda de lado e aquilo engatava e seguia, sempre dando ao pedal. No entanto, não sei porquê, parece que eu não dava o balanço suficiente porque aquilo, às tantas, andava para trás e a minha mãe gritava para eu parar antes que enleasse a linha ou partisse a agulha. E quer ela, quer eu, desatávamos a rir com a minha incapacidade para manobrar  o bicho. Por isso, acabei por me desinteressar da costura. Mas sempre me ficou a vontade por experimentar. Gostava de ainda vir a tentar fazer peças a meu gosto, com tecidos bonitos, macios, veludos, sedas, vestidos com um desenho incomum, coisas assim, capas com o seu quê de exótico.

O contacto com os tecidos, o imaginar a obra feita, a escolha dos adereços, as 'provas', tudo isso sempre foi, para mim, uma coisa fascinante.

Guardo as melhores recordações das tardes no atelier da 'vizinha modista' ou das tardes em que a minha mãe ia a casa da mãe do meu grande amigo Tó, que era modista, mais moderna que a 'vizinha', menos prepotente (a minha mãe queixava-se que a 'vizinha modista' acabava sempre por levar a dela avante), e a quem a minha mãe levava revistas e com quem dialogava, vendo modelos, vendo também as revistas que ela lá tinha, e falavam de tudo, eram tardes de conversa, a mãe do Tó mais silenciosa, a minha mãe mais bem disposta. Lembro as tardes de tagarelice entre aquelas duas, trocando confidências, intenções, vivências. Eram amigas de sempre, de infância, e assim se mantiveram vida fora. Na adolescência, a minha mãe continuou a estudar ao passo que ela se ficou pela antiga Escola Comercial e, mesmo assim, não tentou arranjar emprego, ficou em casa - eram outros tempos, isso era normal. Como, nas férias, tinham andado a aprender costura na 'vizinha modista', ela resolveu depois não se limitar a ser dona de casa. E, como toda a gente lhe reconhecia arte, passou a exercer a sua actividade de forma regular mas apenas para meia dúzia de pessoas, se tanto. E nunca arranjou empregadas, era só ela, mais como um hobby. A mãe do Tó, embora tivesse uma pele muito branca, recordo-a pálida, tinha olhos pretos e um cabelo também preto, sempre muito arranjado, muito lustroso; a minha mãe era o oposto dela: loura, muito loura, olhos muito azuis. Se vejo fotografias delas, dessa altura, vejo-as elegantíssimas, sempre com vestidos muito bonitos, jovens, bonitas, quase poderiam ser artistas de cinema daquela época.

Mais tarde, a minha mãe foi dar aulas para outra escola e eu entrei no liceu, longe da escola que era ao pé da casa da minha avó (e do Tó). Por isso, passámos a ir a casa da minha avó apenas ao fim de semana e a minha mãe arranjou uma outra modista, a Bia.

A Bia era solteira e vivia com uma tia doente e com o irmão, também solteiro, uma figura típica da cidade que confidenciava com a irmã as 'cenas' em que andava sempre metido, em especial quando tripulava o barco de uns tais debochados, um dos quais, mais tarde, um bocado mais velho que eu, claro, veio a ser meu colega, mantendo-se ainda um bom malandro, um sedutor militante, namoradeiro como só ele.

As sessões na casa da Bia eram outra maravilha. As mãos dela eram mãos de artista. Os trabalhos que saíam das mãos dela eram sempre perfeitos. Com alfinetes, com agulha e linha de alinhavar, ela cingia a roupa ao meu corpo, ela percebia as ideias e conseguia traduzi-las em peças de vestuário de que eu me orgulhava.

Vem tudo isto a propósito do vídeo da colecção Chanel 2015/2016 que abaixo vos mostro. Vejo as imagens e dá-me vontade de ir a uma loja de tecidos, escolher um belo tweed, um veludo a condizer para mandar forrar botões (será que ainda há quem forre botões?), uma seda ou uma viscose para fazer uma blusinha com pedras coloridas aplicadas, uma renda para fazer uma gola flutuante em volta de um decote generoso. Gostava de chegar a casa com os tecidos, abri-los em cima desta mesa, desenhar a giz o sítio por onde cortaria, depois talhar, depois alinhavar. Depois iria pôr-me ao espelho a ver se me estava a cair bem. Claro está que não sei se, mesmo que conseguisse fazer alguma coisa de jeito, sozinha conseguiria provar a roupa a mim própria e ver os ajustes a fazer. Mas, enfim, sonhar não custa. Pode ser que, quando, daqui por mil anos, me reformar (que a idade da reforma é um alvo móvel e acho que, quando chegar a minha vez, terei talvez já uns noventa e cinco anos e três meses), me encha de coragem e me atire de cabeça a essa arte. Até lá vou vendo estes vídeos e sonhando.


Também pode acontecer que, para me treinar, em vez de começar por fazer roupa para mim, faça para o meu modelo privativo. Roupa de homem é coisa complicada mas não sou moça de me sentir atrofiada perante desafios bicudos. Camisolas e pullovers já lhe fiz, dúzias, na altura em que, em vez de fazer rendas, bordados, tapetes de arraiolos, pintar ou estar aqui a maçar-vos, me dedicava ao tricot. Agora camisas e calças... Não sei. Não estou a ver-me a fazer trabalhos de alfaiataria. Bem, talvez comece por fazer-lhe um avental, coisa simples.
Quando ele amanhã ler isto vai achar que não devo estar boa da cabeça. Já estou a ouvi-lo a dizer com ar de quem já nem sabe o que fazer perante tanta maluquice: Avental...?! Para mim?! Para quê? Não cozinho nem sou maçon.
Pois. Se calhar avental também não. Olhem, faço um avental para mim: um aventalinho todo sexy. Deve ser fácil e é sempre útil.



Behind the Scenes Film - Paris in Rome 2015/16 Métiers d’Art show - CHANEL


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* Usei no título deste post aquilo que uma das convidadas do desfile disse da moda Chanel: que é para mulheres que gostam de se sentir sexy, strong, powerful and beautiful at the same time

** Aqui vos deixo o link para um texto antigo onde se pode ver uma dessas minhas mesas que resulta da transformação de uma máquina de costura.
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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela semana a começar já por esta segunda-feira.

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sexta-feira, novembro 13, 2015

Difíceis podem ser os percursos - mas para a frente é que é caminho. E, de resto, se fosse fácil que graça é que isto tinha?


Não estão fáceis os caminhos para o centro-decente e para a esquerda. Tudo parece cheio de escolhos, tudo minado. Olha-se na direcção por onde se quer ir e parece tão difícil, nem sequer se sabe se vai ser permitido iniciar a caminhada.

Esta gente que aguarda autorização para avançar e assim olha o futuro com vontade e esperança é, em geral, gente com sentido de ética, que gosta de falar com verdade, pouco dada a arruaças, a golpadas, a trampolinices. Gente assim muitas vezes não sabe lidar com os que sem pingo de vergonha insultam, mentem, distorcem, escamoteiam, aldrabam, vigarizam, ameaçam, difamam... e, videirinhamente, conseguem sair de fininho.

Os media estão imparáveis: aparecem cenários catastrofistas, fazem-se contas não confirmadas e pela metade que tentam demonstrar que as contas socialistas conduzirão ao abismo, levam-se aos balcões da SIC ou da TVI as confederações patronais que falam, de forma arrogante e anti-democrática, mostrando a sua falta de apoio a um possível governo de esquerda, e, como gafanhotos histéricos, saltando de balcão em balcão, os comentadores multiplicam-se como uma praga.

É desconcertante o baixo nível de aculturação democrática de parte do País. Se nos compararmos com o que acontece, com naturalidade, nos países em que a democracia está sedimentada, verificamos que quase parece que acabámos de sair de um regime totalitário onde grande parte dos cidadãos ainda não está habituada a lidar com a liberdade democrática.

Pois bem. solidária que estou com os que querem romper com este atraso de vida -- e habituada que estou, nos meios que frequento, a ouvir argumentos falaciosos, distorcidos, quase assutadores -- o que eu tenho a dizer é que só espero que os que votaram no PS ou nos partidos à sua esquerda se mantenham firmes, determinados, com energia e motivação para lutar.

Difíceis são por vezes os caminhos, difíceis. Mas, quando se quer, quando se quer mesmo, faz-se das tripas coração, cerram-se os dentes -- e para a frente é que é caminho. Contra ameaças, sustos, medos ou riscos, por mais sérios que sejam, não se olha para trás: olha-se para a frente, cerram-se fileiras e segue-se em direcção ao destino que se quer alcançar.

Há quem se meta a caminho em circunstâncias bem piores e não desista. Dou três exemplos.


Caminhar no meio de um mar revolto

O vídeo abaixo foi feito no dia que se seguiu a uma tempestade que causou estragos consideráveis. Esta estrada, a Atlantic Road, que foi construída entre 1983 e 1989, é uma estrada muito frequentada por turistas que visitam a Noruega.




Caminhar sem chão 

Percurso na Montanha de Tianmen, Zhangjiajie, China
(inclui um caminho de vidro)



Caminhar sobre o abismo


Estrada de Killar em Pangi Valley, Himachal Pradesh para Kishtwar


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E chegam onde querem.
Assim chegarão os que estão prestes a iniciar o seu caminho.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela sexta-feira.

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quinta-feira, abril 02, 2015

Uma campanha em forma de graffiti a favor da protecção contra a SIDA. Protejam-se.


Não sei se no seguimento dos pénis de aviário, Leitor a quem agradeço enviou-me um vídeo pedindo-me desculpa se eu achasse forte mas que lhe parecia importante em termos de mensagem. Estou de acordo. No outro dia li que um número impressionante de jovens desconhece os riscos de contágio e nem pensa sequer em usar preservativo. É, pois, de Sida que se fala.




Portanto, é com todo o gosto que aqui divulgo este vídeo que é criativo e bastante sugestivo, o tipo de mensagem que chega aos jovens..




Campanha  da TBWA France

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