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segunda-feira, maio 05, 2025

Nem vale muito a pena falar nisto de ser Dia da Mãe. Todos os dias o são. Soa a banalidade mas é o que é.
Mas foi um feliz dia de domingo, lá isso foi.



Este domingo foi como devem ser todos os domingos: felizes. 

Entre nós dois decidimos o que seria a ementa e, como sempre, há um lado meu que puxa para a complicação. O resultado final parece simples mas a confecção é demorada. O que o meu marido fez, em contrapartida, é fácil e rápido. Com isto estive quase em contínuo das onze da manhã até às cinco da tarde a cozinhar, a preparar. Faço com gosto. 

Já agora, para não parecer que estou a fazer caixinha, digo o que fiz.

  • Canja (com carne desfiada, massinha de letrinhas e ovo)
  • Salada (com couve roxa, alface, maçã, bolinhas de mozarella)
  • Ovos recheados (foi o que o meu marido fez. Cozeu ovos, depois abriu ao meio, retirou a gema, misturou crème fraiche, sumo de limão e pickle e noutros, à gema misturou queijo cottage, filetes de salmão e sumo de limão. Com isso, voltou a encher a cavidade dos ovos)
  • Tortellini de ricotta e espinafre e de beringela e mozarela. Depois de temperado com azeite e vinagre balsâmico,  por cima, salmão fumado.
  • Cenoura à algarvia
  • Bola de carnes, segundo a minha receita mas não fiz só com frango do campo, juntei também rojões de porco, chouriço de carne e farinheira. Ficou enorme pelo que, no fim, levaram um bocado para as respectivas casas. 
  • Frutas diversas
  • Pasteis de nata (trazidos)

Depois, antes que chegassem, fui mudar de roupa, soltar o cabelo, pôr uma sombrazinha. E caí na asneira de pôr um puffzinho de perfume. O meu marido embirrou logo. Fui para a rua para arejar, a ver se não se dava muito por ela. Afinal a minha filha também se queixou. Portanto, fui mudar outra vez de roupa.

E, estando cá todos, depois de alguma convivência, passou-se à parte do repasto que é sempre uma festa, com muita conversa, muito apetite e boa disposição. Um dos meninos tinha vindo de ser apanha-bolas num jogo de futebol e ainda vinha com a pica toda. Outro tinha tido jogo de manhã. Outro tinha tido jogo no sábado à tarde. E o apanha-bolas tinha tido dois jogos no sábado de manhã. O mais novo, treino na sexta ao fim do dia. Portanto, como é bom de ver, o tema futebol está sempre muito presente. E sabem tudo o que há a saber: pontos, posições, opções do treinador, e não sei dizer mais o quê pois, quando o tema aprofunda, eu desligo.

A menina, também já mais alta que eu, não está nem aí para o futebol e trazia uns cadernos ou umas folhas ou uns moldes, uma coisa que, segundo ela, fui eu que lhe dei. Já não me lembro, já deve ter sido há bastante tempo. 

Fofos, mais lindos.

Quando se foram, eu e o meu marido fomos fazer uma pequena caminhada com o nosso cão. Ao regressarmos a casa, ele dirigiu-se imediatamente para o seu canto e foi dormir. Ele, o cão, claro.

Quanto ao meu marido, pôs-se a ver o Sporting, segundo disse o jogo era decisivo (aliás, dois dos meninos já me tinham dito isso) e eu fui para outro lado ver o debate... E, tiro e queda, ao fim de um bocado, adormeci. Depois lá consegui ir arrebitando -- intermitentemente -- mas sempre a querer deslizar para os braços do morfeu. 

Por isso, não será sério pôr-me aqui a tecer considerações sobre o desempenho dos debatentes. Do que vi melhor, gostei da frontalidade e das boas ideias do Rui Tavares e pareceu-me que o Raimundo estava invulgarmente claro e a dizer algumas acertadas. Da Mortágua não me lembro. Da Inês do PAN, do que vi, pareceu-me bem, sempre muito eficaz, sempre focada, mas se quiser aqui referir um tema apontado por ela, lamento, só me lembro da forma, não do conteúdo. Sinceramente não estou a lembrar-me da prestação do Pedro Nuno Santos nem do Montenegro. Do Rocha também nada me ficou. E, numa das vezes em que acordei, estava o Carlos Daniel à nora com o Ventura, que não se calava nem por mais uma.

Por isso, lamentavelmente perdi o único debate conjunto na televisão -- mas também não sei se me teria sido muito útil. Tudo muito chato. Falta na nossa política nacional gente com garra, gente ousada, verdadeiros líderes, gente que aponte ao longe e se atravesse por essas ideias, gente em quem a gente aposte e acredite de olhos fechados. Talvez por isso, o meu corpo aproveite para desligar o interruptor quando eles estão a falar.

Portanto, o que tenho a dizer é que já aqui temos uma nova semana. Parece que ainda não é desta que vamos ter bom tempo mas, se não estiver muito frio e muita chuva, se não houver vendaval, trovoada e granizo já me darei por contente. Espero que sejam dias felizes para todos.

quinta-feira, setembro 28, 2023

Vamos jogar tinta para cima de quem...? Vai uma sugestão...?

 

Hoje recebi um mail que, podendo não querer dizer nada, pode querer vir a dizer muito. Com a humildade de quem está a aprender a dar os primeiros passos, dou ouvidos a tudo e levo a sério o que para outros, talvez, não tenha qualquer significado.

E, assim sendo, deitei mãos à obra e trabalhei afincadamente quase todo o dia. A resposta acabou de seguir. 

Não sou fantasiosa pelo que não vou ficar toda excitada a acreditar que vai correr bem. Como sempre, atiro-me às coisas tentando conseguir chegar onde quero mas mentalmente precavida para não conseguir nada. 

Ou seja, não é fácil desanimar pois, de cada vez que não consigo, vou à volta, tento de outra maneira. Difícil para mim é desistir.

Com isto ainda conseguimos fazer uma caminhada à hora de almoço e ir um bocado à praia ao fim da tarde. Estava-se bem. Tarde bonita.

E, porque não tinha jantar, trouxemos um belo sushi. 

Portanto, como síntese, o dia foi produtivo e bom. Não disse mas acho que se depreende que, para os lados da minha mãe, as coisas estiveram mais calmas.

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Com este programa de festas, foi quase de raspão que vi a tinta verde que atiraram ao ministro do Ambiente e a tinta encarnada com que sujaram as paredes da FIL. E não ouvi o que o Marcelo disse mas ouvi o meu marido revoltado, dizendo que o Marcelo quase parecia estar a sancionar a forma de actuar dos jovens.

E o que tenho a dizer é que:

1 - A crise climática é um motivo sério, dramático, e é para nos preocuparmos, mesmo. Que não haja dúvida: é assunto que deve ser levado muito a sério. E não é um tema português: é, sim, um tema mundial. E tem diversas vertentes pelo que tem que ser visto numa perspectiva integrada. Não é simples, pois acabar com uma actividade poluente (a aviação, por exemplo) alteraria o modo de vida das populações de todo o mundo, acarretaria despedimentos, implicaria vultuosos investimento em actividades alternativas, levaria anos a ser posta em prática. Não se pode acabar, de caras, com nada. Pensar isso é ter uma visão simplista e errada sobre o funcionamento da vida real. Mudar o modelo económico do mundo actual requer visão, estratégia, planeamento, recursos, capacidade de execução apesar dos escolhos, muito esforço, infinitos sacrifícios.

2 - Contudo, apesar de tudo, há que operar a transformação. Levará tempo, implicará compromissos, imporá acordos transversais. Penso que, mais ou menos, todos os países civilizados estão empenhados nisso. Claro que quem gere os países são os políticos (eleitos) e sabemos como tantas vezes se elegem políticos que estão na política a servir interesses que não os dos que, ingenuamente, os elegeram.

3 - Para lidar com a urgência das medidas e com a resistências que políticos impreparados ou a soldo, há que ter inteligência.

4 - O processo que os jovens portugueses moveram no Tribunal Europeu dos Direitos do Homem contra 32 países, entre os quais, Portugal, parece-me uma iniciativa inteligente. 

5 - As iniciativas inteligentes são as que constroem soluções ou apontam caminhos

6 - Neste domínio, as iniciativas ineficazes, pouco inteligentes, censuráveis e, até, criminosas são as que resultam da ameaça, do insulto, da destruição, do arremesso seja do que for contra pessoas ou património

7 - Nos casos em que há crime (e não sei se arremessar tinta ao Ministro ou às paredes de um edifício é apenas uma estúpida e inútil falta de respeito ou se é crime), devem os acusados ser julgados.

8 - As lutas justas devem ser travadas com lisura, respeito pelo outros e pela lei, civismo e, claro, inteligência. 

9 - Se Marcelo não percebe isto, estamos mal. Ou seja, a ser verdade que o nosso Presidente não se demarcou e não censurou muito claramente a forma infantilóide, desrespeitadora e absurda com que os jovens actuaram, vamos de mal a pior.

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Yo-Yo Ma, Kathryn Stott - The Swan (Saint-Saëns)


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Desejo-vos uma boa quinta-feira
Saúde. Bom senso e razão. Paz.

sábado, novembro 12, 2022

Kherson e o tudo o mais que dificilmente compreendo

 


Há muitos assuntos relevantes, cada um em seu patamar. E eu não sei bem em que patamar hoje quero estar. E este 'querer' não tem a ver com afinidade mas com capacidade. Poderia até ter vontade de me abeirar de vários. Mas sei que não iria conseguir. 

Longe vão os tempos em que ficava bem com meia dúzia de horas de sono e, se falo em meia dúzia, até estou a pecar por excesso. Não há muito ia pelo menos uma vez por mês passar o dia em reuniões nas instalações da empresa a norte. Levantava-me às cinco e tal, saía de casa às seis depois de me ter deitado à uma ou duas. E, muitas vezes, com receio de não acordar com o despertador, quase não conseguia pregar olho nas escassas horas de cama. E, no entanto, estava fresca e aguentava um dia inteiro de reuniões, coffee breaks, almoço, viagens. Chegava a casa tarde, voltava a deitar-me tarde e no dia seguinte já estava fresca e a pé às sete e tal e pronta para outro dia.

Agora já não é bem assim. Nos últimos meses passei duas noites no hospital com a minha mãe (felizmente, saindo ela de lá bem) e, em ambos os casos, longas horas a pé (prefiro estar cá fora a andar de um lado para o outro do que estar no meio da apinhada sala de espera). E fiquei francamente cansada. Comparando com a minha resistência dos tempos dos esticões aquando das idas do meu pai às urgências não há comparação. Agora o meu corpo vai-se mais abaixo. Fico a sentir-me quase de gatas.

Ou seja, sinto necessidade de descansar, tenho vontade de ficar a dormir até mais tarde. 

E, por isso, chego a esta hora ou ao fim da semana e sinto que me falta a energia para falar de muitos assuntos. 

- As alterações climáticas e a nossa cultura e a nossa organização enquanto sociedade que nos leva a fazer uma vida assente no consumo de produtos produzidos a milhas, em viagens de avião a preço de uva mijona, em espaços industriais ou de serviços que se situam longe das zonas residenciais, em hábitos que são pouco saudáveis -- seria um dos temas em que hoje gostaria de falar sobretudo porque não vejo que estejamos colectivamente conscientes da inflexão que tem que ser feita, sobretudo porque não estou a perceber bem o rumo que isto está a levar.

- O Twitter, essa plataforma que meio mundo utiliza, nomeadamente políticos, empresários e tutti quanti foi tomada de assalto por um maluco encartado que despediu uns milhares e depois disse que os ia readmitir, depois que ia cobrar a certificação das contas verdadeiras e que ia fazer e depois desfazer,  montes de ideias ideias peregrinas, agora, perante a debandada geral, está nas bocas do mundo pelo risco de falência -- e esse seria outro dos temas sobre o qual também gostaria de falar. 

[A day of chaos brings Twitter closer to the brink]

[Two weeks after Elon Musk completed his acquisition of Twitter, the future of the company has never looked less certain. In the past week alone, one of the world’s most influential social networks has laid off half its workforce; alienated powerful advertisers; blown up key aspects of its product, then repeatedly launched and un-launched other features aimed at compensating for it; and witnessed an exodus of senior executives]

Sobretudo porque há em tudo isto muita coisa que não percebo, a começar naquilo que, pelos vistos, não oferece dúvidas aos milhões que tuitam. 

- Claro que também me apeteceria falar dos milhares de despedimentos do Facebook/Instagram e do que um dia aí virá para desgosto de quem se viciou na exposição pública da vida privada. Sobretudo porque um dia será muito claro que, para além dos fenómenos de adição ou de depressão, estas plataformas são um risco real para a democracia.

- Marcelo e as gaffes diárias (ou será horárias?) e a sua compulsiva necessidade de comentar tudo, seja de que natureza for, a qualquer hora, em qualquer contexto levando aos seus cada vez mais frequentes excessos, enganos, tons inapropriados, palavras deslocadas e/ou escusadas, tiradas infelizes, ideias trocadas e gatadas -- seria outro tema a que gostaria de deitar mão, em especial num dia em que, uma vez mais, se saiu com uma que logo mereceu reparos, correcções e sorrisos. Sobretudo não percebo se o senhor não está bem de vez ou se é achaque passageiro.

- Ou Matt Hancock, o bacano ex-ministro da Saúde inglês, demitido depois de ser apanhado abraçado e a apalpar o rabo a uma colega numa altura em que o distanciamento era obrigatório, e agora deputado, que está agora a participar num reality show, deixando os ingleses divertidíssimos e os conservadores em estado de rebuçado -- e disso eu apetecia-me mesmo falar. Sobretudo porque não percebo bem qual a dele e porque, para dizer a verdade, gostava de ver como reagiríamos se um qualquer nosso ex ministro e ainda deputado se metesse numa destas, a comer insectos e a conviver com cobras.

- E tantos mais temas... 

Mas não dá. O corpo está a pedir-me caminha.

Contudo, ainda assim, para que a vossa visita a esta vossa casa não seja completamente em vão, vou tentar falar de Kherson. Um bocadinho, que não dá para mais. E falo contente, claro. Como não...? Claro que fico contente. As imagens de felicidade dos ucranianos, a jovem a tocar violino na curva da estrada... Claro que tenho que me sentir contente. São momentos épicos.

Desde o dia um, quando -- petrificada e revoltada -- caí na real e constatei que a Rússia tinha mesmo invadido a Ucrânia, tive para mim que Putin não estava apenas a assassinar muitos inocentes e a arrasar um país, estava também a cavar a sua própria sepultura. 

Putin manda destruir prédios, pontes, escolas, teatros, hospitais, manda chacinar uma população e eu olho para o que a comunicação social mostra e o que vejo é a derrocada do regime corrupto e ditatorial de Putin, o que vejo é um perdedor, um desgraçado. E vejo também a incrível força anímica do povo ucraniano, um povo necessariamente vitorioso. 

Contudo, o que se passou com Kherson é qualquer coisa que não entendo bem. É uma vitória ucraniana, certamente. Mas se isso corresponder ao que parece, uma pesada e humilhante derrota russa, a situação será ainda mais caricata. Custa-me a crer que as forças do Kremlin sejam tão nabas e estejam tão desgovernadas como parece porque, se o que está a acontecer é mesmo o que se vê, então tudo isto será mesmo fruto de um delírio absurdo de um homem maluco e de uns quantos cobardes que vivem à sua sombra. No terreno, no dito teatro de guerra, o que parece é que tudo não passa de bandos de patifes deixados à solta, de bandidos descomandados, violadores, ladrões, esfomeados, ou simplesmente jovens espantados e desnorteados, sem uma estratégia que os guie. E, se assim é, como se explica que o mundo assista estarrecido a este circo bárbaro sem ser capaz de impedir o assassino de prosseguir?

A partir daqui, será que é a isto que se vai assistir: debandada geral dos russos, deixando tudo para trás, maquinaria, munições (para além de rastos de barbaridade)? Um dia, mais cedo do que pensamos, acordaremos com a notícia do fim do regime de Putin? Acordaremos, em breve, felizes com a notícia de paz na Ucrânia?

Ou isto não é exactamente o que parece...? Poderemos ainda ser surpreendidos com alguma outra cartada de violência e destruição?

Que Putin vai ser apeado e que a Ucrânia sairá vitoriosa e será reconstruída e será um dos mais felizes países europeus disso não tenho dúvida. O que não sei é se será em breve ou se, até lá, ainda muito mais sofrimento vai acontecer. Isto de Khersen deixa-me um bocado confundida. 

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Ilustrações, de novo, de Pawel Kuczynski na companhia de Nicolas Altstaedt que interpreta Bach/ Cello Suite nr. 1 in G – Sarabande

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Um bom sábado

Saúde. Tudo de bom. Paz.

segunda-feira, agosto 29, 2022

Breve crónica de um dia in heaven com receita de ossobuco dentro.

E citações inteligentes de Einstein, só porque sim

 


Os esquilos estão certamente habituados ao silêncio, ao canto dos pássaros, ao sino que toca ao longe. 

Agora, quando aqui estamos, como não estamos só os dois, há muito ruído, os meninos falam muito alto, há sempre alguém à procura de alguém, alguém a chamar alguém. 

De manhã, varremos no lado da casa perto da fonte e da pedra grande. Vários carrinhos de mão cheios de folhas secas, de bolotas, de caruma, de pinhas roídas. Toda a gente a trabalhar. O meu marido lá por baixo desbastando árvores e nós todos, cá em cima, varrendo. Em alguns sítios já só lá vai de ancinho, que a caruma ganhou altura e se mistura com terra.

De esquilos nem sinal. Devem estar abrigados, intrigados, no alto dos cedros ou dos pinheiros, esperando que chegue a noite para virem cá a baixo tentar perceber o que se passa. Mas devem andar na zona mais baixa do terreno, que foi onde o meu marido viu o último. Já devem ter percebido que aqui em cima há arraial todo o santo dia.

O dia esteve muito bom, não excessivamente quente. À tarde a luz está dourada. Tenho tirado poucas fotografias pois, quando estivemos no Algarve, levava quer o cão quer a máquina para a praia. Colocava a máquina dentro do cesto. Mas foi naqueles dias de calores excessivos. O urso felpudo, encalorado, coitado, escavava freneticamente até encontrar areia molhada para nela se deitar. Nesse exercício de escavação, atirava areia pelos ares a uma velocidade e distância consideráveis. Muita dessa areia entrou para a cesta, mais concretamente para cima da máquina fotográfica. Resultado: o zoom não funciona, deve ter grãos de areia no mecanismo. Ora tirar fotografias sem usar a objectiva é coisa contranatura, não dá.

Os figos ressentiram-se com os calores excessivos. Não cresceram. Estão muito pequenos embora doces. As folhas estão a cair como se estivéssemos no fim do verão. Há vários cachos de uvas que também sofrem do mesmo mal. Os bagos pequenos, já quase secos. Não chove.

Para o jantar de ontem fiz douradas assadas e uma salada de choco com tinta. Acompanhou-se com batatas roxas cozidas com casca e, no final, temperadas com azeite, alho picado e coentros. Para o almoço de hoje, voltei a fazer uma salada de verão. Para o jantar fiz ossobuco.

Fiz assim o ossobuco:

De manhã, no tacho (um dos maiores que tenho), coloquei azeite, vinho tinto, cebolas cortadas grosseiramente, dentes de alho, folhas de louro, um pouco de alecrim e um pouco de sal. Tapei para a carne ficar a marinar. Eram várias rodelas assaz grandes de osso com carne em volta. Perto das quatro da tarde, juntei salsa, coentros, 2 alhos franceses, mais cebola, e liguei o lume. Depois de levantar fervura, baixei. Ficou até às sete e tal a cozinhar em lume fraquíssimo. Depois desliguei o lume e ficou a repousar.

Perto da hora de jantar, escorri o líquido do molho, juntei uma pinga de água para ficar a ser o dobro da quantidade de água. Juntei duas cenouras aos bocadinhos, salsa. Deixei que fervesse um bocado para amaciar a cenoura. Juntei uma maçã aos cubinhos (para cortar a gordura do molho) e juntei o arroz. Depois de ferver, baixei o lume e deixei a cozinhar até o arroz absorver todo o caldo.

Entretanto, tirei as rodelas de carne para fora do tacho, tirei o pauzinho do alecrim e as folhas de louro e, com a varinha, triturei as cebolas, a salsa e os coentros, os alhos franceses. Ficou um molho espesso. Juntei um pouco de vinagre balsâmico e mexi bem. Voltei a colocar a carne no tacho, agora mergulhada no molho espesso.

Acompanhou a carne quer o arroz, quer salada de alface a canónigos quer metades de pera em calda.


Só mais um pormenor: não são apenas os esquilos que estranham o barulho. Penso que o urso felpudo também se ressente um pouco do movimento que agora há cá em casa. Habitualmente, na maior parte do tempo, estava apenas com os donos que estão a trabalhar, por vezes não presentes. E, se estão, não correm, não brincam o tempo todo, e deixam-no gozar a sua vidinha como muito bem lhe apetece. Agora, por estes dias, há sempre qualquer coisa a acontecer aqui em casa e ele anda de um para outro, brinca com um, brinca com outro, feliz, feliz da vida. Ou, então, é o permanente desafio de guardar a casa: sai a correr de cada vez que algum som lhe chega do lado da estrada. Hoje de tarde, por exemplo, o som de uns cavalos deixou-o ao rubro. Correu, correu, ladrou, um frenesim. Pois não sei se por tudo isso, agora à noite, certamente cansado, foi deitar-se atrás do sofá, quase entalado entre as costas do mesmo e a parede. O meu marido há bocado passou por aqui, muito intrigado que não o via em lado nenhum. Pudera. Ali ninguém o incomoda de certeza absoluta. Encontrou ali um refúgio, provavelmente a ver se tem sossego. Fofo.

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E agora cheguei ao Youtube e tinha um vídeo com citações interessantes do Einstein. Não vêm a propósito mas isso não me parece grave até porque raciocínios inteligentes vêm sempre a propósito. O Einstein é aqui sempre muito bem vindo, às horas que lhe apetecer aparecer. 

Quotes Of Albert Einstein _ An Intelligent Person Avoids 3 Things

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Fotografias feitas aqui, in heaven

Gautier Capuçon interpreta o O oboé de Gabriel do filme  "A Missão" (Ennio Morricone)


NB: A tecla do H continua renitente em colaborar. Por isso, se derem por falta da letra já sabem do que é: mais uma greve de verão.

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Desejo-vos uma boa semana a começar já nesta segunda-feira

Saúde. Serenidade. Paz.

quinta-feira, agosto 18, 2022

7 sinais de genuína inteligência que não se conseguem fingir

[E a forma bizarra como Madonna se apresenta nos seus 64 aninhos]



Já fiquei mais descansada. Em alguns dos mais banalizados testes de QI aparecem aquelas figuras de triângulos dentro de quadrados, em que a disposição dos triângulos brancos e pretos vai evoluindo e é preciso descobrir qual a sequência que se segue. Outras vezes são sequências numéricas ou outras. Não sei porquê o meu cérebro rejeita tudo isso de forma tão liminar que se recusa a olhar e a pensar. Sou tentada a responder ao calhas. É que poderia esforçar-me e falhar em toda a linha. Mas não, é pior que isso, é rejeição absoluta. Por algum motivo, acho aquilo tão absurdo para provar o que quer que seja que a pachorra se me evapora instantaneamente ainda antes de começar. E, por esta séria lacuna, sempre pensei que a minha inteligência tinha certamente uma falha fatal.

Agora, ao ver o vídeo que abaixo partilho, não concluo que não tem mas concluo que a falha não se deve, forçosamente, à incapacidade em resolver aqueles irritantes testes.

Felizmente nunca tive que fazer um teste daqueles para arranjar emprego senão não tinha passado da porta de entrada. 

Fiquei também confortada ao ver confirmada uma opinião que tenho sempre que ouço alguém, muito satisfeito consigo próprio, tantas vezes referindo-se a uma decisão questionável que, em tempos, tomou, dizer qualquer coisa como isto: 'A prova que na altura tomei a decisão correcta é que, se fosse hoje, tomá-la-ia outra vez, exactamente igual '. É que até pode ser mas, caraças, o que é que aquilo prova a não ser que quem o diz é uma pessoa algo limitada? Que raio de raciocínio é aquele? As circunstâncias mudam, nós mudamos, os outros mudam. Então porque é que é axiomaticamente acertado tomar exactamente a mesma decisão tempos depois? 

Em minha opinião, os sinais de inteligência de uma pessoa são vários e eu, já aqui o confessei tantas vezes, tenho grande admiração por pessoas inteligentes. A meus olhos, uma pessoa inteligente cintila. 

Em contrapartida, a burrice encanita-me cá de uma maneira... 

Mesmo aqui na blogosfera, não consigo deixar de rosnar entredentes quando vejo coisas que tresandam a burrice. Eu a ler coisas que quem escreveu acha, certamente, o máximo e eu, cá para mim, 'Ca ganda burra. Chiça penico...!'.

Tem razão o Mestre com quem tenho trocado umas ideias ao alertar para os perigos que a inteligência por vezes acarreta. E, concordo, é bem verdade que alguns seres inegavelmente inteligentes foram (ou são) uns estupores encartados. Mas, por outro lado,  se conseguirmos despir-lhes a identidade, o que fica da sua inteligência ilumina a nossa existência.

Claro que, se com a inteligência, vier a bondade, a tolerância, a afectuosidade, a graça e todas essas características que deveriam ser intrínsecas a todos os seres humanos, melhor, mil vezes melhor. Senão, a gente tem cuidado, guarda distância e fica só com o produto que nasce do estafermo, seja palavras, pintura, música -- o que for.

Agora que escrevo isto penso num colega que tive. Sempre que tinha algum trabalho complicado em mãos, algum relatório mais cabeludo para concluir, algum projecto mais crítico para lançar, era de fugirmos dele. Intratável. Rude, cafajeste. Outras vezes, na reuniões, saía-se com coisas que deixavam toda a gente gelada, incomodada. Era de uma franqueza desabrida. Creio que lhe faltava inteligência emocional. Mal o stress passava, era de uma pessoa se deliciar com as piadas, com a ironia oportuna e implacável. Tinha ainda uma particularidade: tinha uma colecção infinita de música. LPs e CDs, milhares. De cada obra tinha todas as derivações que conseguia descobrir: maestros, intérpretes, gravações em estúdio e ao vivo. Para gerir a colecção tinha uma base de dados que mantinha actualizada e que permitia pesquisar por cada um dos parâmetros que, para ele, fazia a diferença. Tinha quse tnto orgulho n bse de ddos quanto na colecção. Agora que os suportes físicos estão a cair em desuso não sei como estará a completar o seu tesouro. Sendo uma pessoa com competências reconhecidas na sua área de trabalho, tinha depois esse seu lado de melómano que o fazia virar outro quando disso falava. Eu gostava imenso de conversar com ele. Tinha sempre uma perspectiva diferente e interessante das coisas e eu aprendia sempre com ele. 

Contudo, sempre que eu falava dele, quase toda a gente se torcia e fazia um esgar de desagrado: 'Esse traste' ou 'Um mal-educado' ou 'Um tipo perigoso'. 
Aqueles ataques de franqueza desassombrada de que por vezes parecia possuído causaram problemas a muito boa gente. Diziam que desferia golpes baixos quando menos se esperava. Nunca me pareceu que o fizesse premeditadamente ou para ajustar contas com alguém. Sempre me pareceu que era simplesmente desligado das conveniências sociais ou de preocupações em relação aos outros.

Outras vezes, quando se queriam referir a ele, diziam-me: 'O seu amigo' pois, de facto, acho que eu era a única pessoa que o suportava. E, ainda por cima, gostava dele. Desculpava-lhe os maus humores.


Mas isto para dizer que, vendo que o Psych2Go me caiu no goto, o menino algoritmo do youtube saiu-se com mais um vídeo daqueles em que se dizem coisas com piada e bem pensadas (textos de Max Gustavo) com uns bonequinhos fofos (feitos por Rose Lam), ditos por uma menina que tem uma vozinha soft e que fala das coisas num tom convincente e empático (Amanda Silvera de seu nome). 

Desta vez, o tema é a inteligência e sinais impossíveis de forjar e que evidenciam que ela está presente.

7 Genuine Signs of Intelligence You Can't Fake

Are you truly intelligent? Intelligence is a coveted thing, and we’re encouraged to “fake it til we make it” with things. But some things in life can’t be faked and real intelligence is one of them.

Here is a short list of the subtle signs of genuine intelligence. See if you can identify these traits in yourself. 

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A propósito de inteligência ou se calhar não tendo nada a ver, já que estamos na silly season, apetece-me agora mostrar a forma estranha como a Madonna está a ganhar idade (e digo assim e não a envelhecer pois a palavra envelhecer parece-me engelhada, mal amanhada). Fez 64 anos e, de facto, não tem rugas nem flacidez no rosto. Mas está inchada, desfigurada e, agora, tem tanta tralha na boca que nem sei o que me parece. E que ande a festejar os seus verdes anos dando beijos de língua a quem se senta ao seu lado só me faz sentir afortunada por nunca me ter acontecido tal golpe de pouca sorte.

Madonna Shows Off Her Custom Birthday Grillz and Reveals What Almost Killed Her Career



Madonna TONGUE KISSES Friends During Italian Birthday Celebration



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Pinturas de Jean-Paul Riopelle na companhia de Sheku Kanneh-Mason, Isata Kanneh-Mason que interpretam Song without Words, Op. 109 de  Mendelssohn

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Desejo-vos uma boa quinta-feira
Saúde. Boa disposição. Paz.

terça-feira, agosto 16, 2022

Uma conversa em família sobre deuses e outras crenças.

[E, no meio disto tudo, o que Michio Kaku acha do nosso futuro também não me deixa lá muito consolada]

 


Hoje, dia feriado, durante a tarde, estávamos todos juntos cá fora quando os meninos começaram na brincadeira. O mais velho, um refilão do mais refinado que existe, queria ir comprar um jogo que não dava para encomendar online. Preparando o terreno para a persuasão, começou, então, a derreter-se em simpatias com a mãe. Creio que foi nessa altura que a conversa divina começou. Tenho ideia que já dizia que a mãe era uma deusa. O mais novo dizia que antes estava eu, a mãe da deusa.

Dizia ele, o mais crescido, que era um contrassenso ter sido batizado e não acreditar em deus. 

[A propósito do batizado surgiu, então, a conversa dos padrinhos. A minha filha lembrou que o pai é o padrinho do neto. O avô ficou muito admirado. E eu também, já não tinha nem ideia disso. Ela explicou que, na altura, tinha querido que fosse o irmão mas que, como o irmão não é batizado, o padre disse que, se era o que ela queria, então na prática era como se fosse... mas que oficialmente tinha que ser alguém batizado. Ela, então, quis que fosse o pai. Com esta explicação, lembrei-me. É verdade, tinha sido isso.

Mas lembrei-me só de metade pois, nessa altura, ela recordou-me que também eu embarquei numa assim: ou seja, sou a madrinha do mais novo. Também não me lembrava. Ela explicou que, nessa altura, a ideia é que fosse a prima a madrinha do menino. Mas a madrinha era quase tão bebé como o bebé a batizar. Tem uns quantos meses a mais. Para além disso também não é batizada. Portanto, neste caso avancei eu. Mas avancei nesse dia e nunca mais de tal me lembrei. Ou seja, quer eu quer o meu marido somos uns padrinhos desnaturados.

Isto dos batizados foi coisa do pai das crianças. Já o casamento foi pela igreja para ele e, para a minha filha, na igreja. Uma nuance que faz a diferença. Ele fez questão e ela não se importou. A mesma coisa com as famílias. A família dele é praticante e a nossa não está nem aí. Excepção talvez para a minha mãe que não frequenta a igreja mas tem a sua fé e faz as suas orações. Aliás, não sei se foi no casamento da neta ou num dos batizados dos bisnetos que, para minha surpresa, foi comungar. Perguntei-lhe se se tinha confessado antes. Na minha cabeça, a confissão era premissa indispensável para a comunhão. Respondeu-me que não tinha pecados. Lembro-me que o sogro da minha filha ouviu a conversa e achou muita graça, tendo-me dito: 'Pois, certamente que não tem'].

E tenho a impressão que foi nessa altura que a conversa derivou para a metafísica pura e dura. O menino mais crescido, catorze anos recém-feitos, já todo peludo, com voz grossa e dúvidas existenciais, perguntou-me se eu acreditava em deus. Disse-lhe que há muitos deuses, cada um acredita no seu deus ou no que quiser, que há quem queira encontrar uma explicação para as coisas e que eu acredito na natureza, na superioridade da natureza. Desatou a rir. Pôs-se a imitar-me, disse que ainda viro uma avozinha hippie, que qualquer dia chega lá, in heaven, e estou eu, toda peace and love, a adorar a natureza, numa caravana, a enrolar uns charros, envolta em cheiro a erva. Claro que o avô, ao ouvir isso, derivou para a paródia e, portanto, uma conversa que tinha tudo para ser elevada degenerou na gozação do costume.

Mas eu, gozem ou não comigo, curvo-me perante a beleza, a magia e a inteligência da natureza, mesmo nas suas mais ínfimas manifestações. Por exemplo, maravilho-me com a existência de esquilos nos nossos pinheiros e azinheiras. Não sei como lá apareceram mas o facto de lá terem aparecido parece-me milagre do melhor que há. Haver tantos pinheirinhos a nascerem a partir daqueles que o meu pai plantou há dezenas de anos é também daquelas que me faz sentir abençoada. E não sei se sou eu ou se é a terra que é abençoada mas para o efeito tanto dá. Ou que as árvores e os arbustos resistam a tanta secura, tanto tempo sem chover, parece-me outro fantástico milagre. 

Os cedros, os ciprestes, os pinheiros, as aroeiras estão verdes, verdes, como se a seiva corresse fresca nas suas veias. Os verdes guardam a memória das chuvas e parecem preservar-se até que elas regressem. Acho isto uma coisa superior. Já para não dizer 'do além'.

Mas alguns arbustos estão com pouco viço, as figueiras daqui a nada estão a deixar cair as folhas, muitas florzinhas estão secas, a terra está ressequida, uma dor de alma. Tenho esperança que, mal venha o outono e comece a cair alguma chuva ou comecem a descer as primeiras névoas matinais, a terra se volte a cobrir de musgos e os cogumelos voltem a rebentar do chão.

Mas claro que estes calores e estas secas continuadas me preocupam. Como não? 

Quando aquele terreno era apenas pedra e mato ralo e rasteiro, imaginava que conseguiria transformá-lo nom bosque onde os meus filhos e os filhos dos meus filhos e os filhos dos filhos dos meus filhos (e por aí afora) haveriam de passear e desfrutar as delícias das sombras das árvores e dos cheiros campestres.

Nessa altura não se falava nas alterações climáticas nem na situação de emergência em que iríamos entrar. Nessa altura jamais me ocorreu que, anos mais tarde, eu haveria de estar preocupada com as condições de vida na terra para os meus filhos, para os filhos dos meus filhos, para os filhos dos filhos dos meus filhos... E, no entanto, estou.

As notícias que chegam de todo o lado não podem deixar ninguém tranquilo. 

E, claro, as previsões de Michio Kaku não me sossegam. Pode ser que o futuro da humanidade resida nos outros planetas. Mas quando? Mesmo que, até que isso seja possível, sobrevivam os exemplares suficientes para se reproduzirem em condições mais viáveis... o que acontecerá a tantos milhões de outros...?

E isto, claro, se até lá um asteroide qualquer não nos mandar a todos desta melhor ou o planeta não secar, não mirrar, não ficar murcho e irrelevante.

Preocupações...

Michio Kaku: The laws of physics doom Planet Earth

Humans won’t survive if we stay on Earth. Michio Kaku explains.

On Earth, extinction is the norm: 99.9% of species eventually go extinct. Even worse, the laws of physics have destined our planet for destruction. Whether it be from a planet-killing asteroid or the death of our Sun, Earth is doomed.

Humanity needs an insurance policy. Ultimately, if we want to survive long-term, we need to inhabit other planets. 

We are entering a new Golden Age of space exploration, but there are obstacles we must overcome.


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Fotografias feitas in heaven na companhia de Gautier Capuçon que interpreta Après un rêve de Fauré
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Desejo-vos um dia bom
Saúde. Paz.

quinta-feira, julho 14, 2022

A desmontagem da história da carochinha (ie, da nato e dos nazis) e a explicação de como chegámos até aqui, se calhar ao início de uma diferente maneira de vermos as coisas

 


Na verdade, a canalhice de Putin foi um separar de águas. É pena que tantos mortos, tanta destruição, tanta expatriação, tantas vidas destroçadas tivessem que acontecer para que olhássemos o mundo e uns aos outros de uma outra maneira.

Alguns, avessos à clareza, virão falar das muitas sombras, para as diferentes tonalidades de cinzento. Há quem não queira ver o branco e o preto, apenas os cinzentos.

E depois há os outros, nos quais me incluo, que vêem os cinzentos mas também, e muito claramente, o branco e o preto. Há coisas que são inequívocas. Quem começou a guerra. Quem invadiu outro país. Quem, tendo invadido outro país, o está a destruir. Inequívoco. 

Virão os que gostam de se pôr do lado dos agressores, dos violadores. Dizem que os ucranianos se puseram a jeito: não quiseram ceder território à Rússia, quiseram ter a protecção da Nato, querem ser europeus de pleno direito.

Como se essas razões:

1 - não fossem legítimas (... e são!)

2  - fossem o motivo para que Putin levasse a cabo os crimes (... e não foram)

Pois bem. Todas as evoluções recentes desmontaram essa torpe e cobarde narrativa. A Rússia já veio dizer que não está nem aí para que a a Suécia e a Finlândia entrem para a Nato tal como há muito que deixou cair a história da carochinha nazi. Desde há muito que a Rússia o diz com todas as letras: quer alargar o seu território à Ucrânia, quer refazer-se da desonra da quebra da União Soviética. Desde há muito que Putin o diz à boca cheia: o que a move são os seus ímpetos imperialistas.

E é este ditador, protector de oligarcas, imperialista e criminoso que ainda tem quem o defenda. Podem sentir algum rebuço e, então, disfarçam-se de pacifistas. Mas, ainda assim mostram-se como pacifistas tendenciosos pois, para que haja paz, não defendem que Putin pare a guerra que começou. Não, querem que o povo ucraniano se renda, capitule, aceite ser russo. 

Contudo, no meio da desgraça podem vislumbrar-se alguns aspectos positivos. 

Fica mais claro quem defende a liberdade, a democracia, o respeito pelo direito internacional e quem, pelo contrário, defende tiranos, ditadores, corruptos, dementes, mentirosos, atrasos de vida.

Fica mais claro quem defende a paz. A paz baseada no respeito pela liberdade, pela democracia. Fica mais claro como a Europa é um conceito e um lugar de liberdade, de democracia.

A Europa tem defeitos? Tem. E tem, por isso, um longo caminho de melhorias a conquistar. 

A Europa fica fortalecida com a barbárie de Putin.

Fica também claro que é importante que os estados livres e democráticos tenham meios efectivos para se defenderem de intuitos criminosos e, claro, não apenas de intuitos mas, sobretudo, de actos criminosos.

Há a China, há a Índia? Claro que sim e de que maneira. Alguém ignora a relevância destes pesos pesados? Claro que não. Mas a forma como as peças agora se jogam no grande tabuleiro da geopolítica agora é outra. E cada vez o será mais.

O vídeo que aqui partilho é, em minha opinião, bastante bem feito, muito claro. Ian Bremmer fala sobre o assunto em mais um vídeo da Big Thing. 

How Russia’s war in Ukraine is birthing a new global order | Ian Bremmer

“This is much deeper than just ‘let’s figure out how we can get both sides to get along.’”


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As pinturas não têm nada a ver com nada. Escolhi-as apenas porque sim. São da autoria de Lee Jung Seob.

Sheku Kanneh-Mason interpreta Elégie, Rachmaninov

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Desejo-vos um dia bom
Saúde. Abertura de espírito. Paz.

terça-feira, fevereiro 01, 2022

O passeio de domingo, a reconstituição da vida do Pina.
E os homens que vivem em barcos.

 



De domingo para segunda deitei-me tardíssimo para acompanhar os resultados, as reacções e os exercícios acrobáticos dos jornalistas de stand up e dos avençados a metro. Ainda por cima acordei muito mais cedo do que tinha previsto com o urso a atirar-se à maluca contra a porta do quarto. 

De manhã -- ou melhor, praticamente de madrugada -- o meu marido vai dar uma volta com ele. Mal entra em casa, o meu marido diz que ele corre e tenta abrir a porta do quarto. Deve querer saber se lá estou dentro. A porta fica encostada e, como o chão, que é de madeira, faz atrito, só com força se consegue empurrar. A porta não pode ficar aberta senão ele entra e, num salto, vai para cima da cama. Vindo da rua, não se pode dizer que venha com as patas muito limpas. Portanto, fica a porta encostada. Não fica fechada pois faz-me impressão, receio não ouvir alguma coisa que deva ser ouvida. Mas a verdade é que acordo sobressaltada com os encontrões que dá na porta. 

De manhã pensei que, com sorte, talvez pudesse passar pelas brasas logo a seguir ao almoço. Estava mesmo a precisar. Afinal apeteceu-me tentar recompor o livro que, no outro dia, a fera tentou devorar. Dezenas de bocadinhos de folhas. Com uma paciência chinesa pus-me a tentar encontrar, nas folhas esburacadas, o espaço para cada bocadinho. Por bizarro que possa parecer, gosto de fazer coisas assim. É tal e qual como fazer um puzzle. E eu não tenho paciência para fazer puzzles pois não tenho paciência para fazer coisas que não servem para nada. Neste caso, como o objectivo não era lúdico mas muito objectivo, tentar conseguir ler as folhas despedaçadas, tive paciência. 

Tenho esta coisa muito arreigada em mim: não desperdiçar tempo com coisas que não servem para nada. Claro que escrever aqui, a bem dizer, também não serve para nada. Mas, enfim, tenho esperança que sirva para fazer companhia a quem me lê, enquanto me lê. Enfim, não interessa. Gosto de escrever, seja ou não útil. Acho que é a única excepção. Isso ou fotografar. 

Bem, mas pus-me a tentar reconstituir as folhas. E quase consegui. Subsistiram alguns buracos em algumas páginas. Concluí que não apenas o pequeno monstro felpudo rasgou várias folhas como deve ter comido parte delas. É que apanhei cada bocadinho que encontrei na relva, não sobrou nada. Portanto, deve ter devorado, literalmente, parte da biografia do Pina.

O que é curioso é que, enquanto estive nesta actividade, ele esteve deitado ao meu lado, com o queixo em terra, como quando está expectante ou a fazer-se de morto a ver se passa despercebido. Ora costuma andar de roda de mim, pôr as patas em cima da mesa para ver o que estou a fazer, a tentar mexer naquilo em que estou a mexer. Desta vez nem pó. Cá para mim, lembrou-se que aquele livro já foi motivo de desentendimento sério entre nós e nem se arriscou a puxar assunto...

Portanto, como de seguida tive que me ir aprimorar para uma reunião, não consegui descansar. Resultado: agora estou que não posso. Daqui a nada tenho que ir dormir.

Ontem não contei como foi o dia mas posso contar agora. Em casa do meu filho, um após outro, foram todos ficando com covid. Os cinco. Sintomas variáveis mas, felizmente, pouco graves. Estão confinados há para aí umas duas semanas. Por isso, no domingo, depois de termos ido votar, só estivemos com o bando da minha filha. Almoçámos no jardim e depois fomos passear. Ela andava há algum tempo a querer ir passear para ali -- o que teve que ser muito regateado com os filhos, em especial com o mais velho que queria treinar defesas na praia.

A tarde estava boa, amena, uma luz suave, um ambiente muito agradável. É muito bom passear com o tempo assim, o mar tão bonito, a vista tão longa e delicada, todos tranquilos. O ursinho felpudo fica feliz com a família, salta e brinca e corre e derrete-se com eles. 

Faz tanta falta a chuva. Assustam-me as secas. Nem quero pensar que vamos ter falta de água antes de se ter descoberto como dessalinizar as águas do mar em larga escala e a baixo custo ou como forçar a formação de nuvens. Mas, se me abstrair dessa preocupação, é tão bom o tempo assim...

........

E, nesta dança de dia após dia, o primeiro mês do ano já se foi. Anda rápido, o tempo. De manhã, quando estava a tomar o pequeno almoço, abri a porta e abeirei-me do jardim. Estava uma rola a passear na relva. Tentei manter o silêncio mas não devo ter conseguido pois ela deu uma corridinha, depois bateu as asas com força e voou. São bonitas, um platinado quase branco. Mas ariscas. Nunca me deixam chegar perto, muito menos tocar-lhes.

Quando estava a ter a reunião da tarde, tentando resolver uns problemas recorrentes e tentando anular a hostilidade de alguns contra uns outros, reparei que, lá fora, de entre a ramagem da trepadeira ao pé da janela, estava a soltar-se uma outra rola. Fiquei com pena de não a ter visto senão quando voou. 

Há um lado transitório e efémero em tudo isto, na passagem do tempo, no voo de um pássaro, nas brincadeiras de um cachorro que, não tarde, será adulto, na ternura dos meninos que, não tarda, estão grandes e independentes, em mim que talvez perca a vontade de aqui escrever fora de horas. Ainda se ao menos estivesse a escrever num caderno, em papel, se estivesse a compor um livro. Um livro sempre tenta contrariar a efemeridade disto tudo. Agora assim, a soltar palavras ao vento, palavras mais ariscas que as rolas do jardim, fico com o quê? 

Vou mas é dormir que esta conversa já não está com nada.


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Mas, antes de me mandarem bugiar, não querem ver este vídeo que aqui tenho?

É interessante e, de certa forma, tocante. Fala de quem prefere viver à margem da sociedade, abdicando de conforto e segurança, para poder sentir todos os dias o gosto da liberdade. São pessoas que vivem em barquinhos mas sabem que um dia alguém não tolerará a perturbação na harmonia do status quo e acabará com a sua forma de viver.

Living Rent-Free Next to Millionaires

For decades, the “anchor-outs” have enjoyed living in rent-free boat homes in the Bay Area. Their boats, anchored just north of the Golden Gate Bridge, float illegally in the sightline of one of the country’s wealthiest zip codes. But now, as enforcement ramps up, their way of life could be coming to an end.


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Peço muita desculpa mas não vou conseguir responder aos vossos comentários. 
Estou já mais para lá do que para cá.
Sorry.

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As fotografias foram feitas neste domingo e estão aqui na companhia de Yo-Yo Ma - Bach: Cello Suite No. 3 in C Major, Bourrée I and II

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Desejo-vos um dia feliz e luminoso.
Boa sorte. Bola para a frente. Para a frente é que é caminho.

segunda-feira, outubro 25, 2021

Agora que Outubro caminha para o fim, aproveitámos este domingo de sol para estarmos juntos e para tentarmos escapar aos desencabrestados ímpetos do little baby bear

 


Entramos, pois, na última semana de outubro. O mês rubro começa a despenhar-se nos dias curtos e escuros. Quando aqui chegamos sinto sempre uma certa nostalgia. E não sei se nostalgia é a palavra certa mas não me apetece usar a palavra certa.

Mas hoje o dia ainda esteve bonito. Um solinho ameno, brando, dourado, um calorzinho a querer despedir-se mas, entre vai e não vai, ainda gostoso de se sentir.

Agora, já o dia a dobrar, aqui no sofá, quase a dormir enquanto via o final do filme sobre o Madoff, reparei que estava a sentir-me apertada. 

Olhei para mim para perceber de onde vinha a sensação e só depois de perceber que não vinha da roupa visível é que me lembrei que ainda estou com o soutien vestido. Mas agora não o dispo senão esqueço-me dele aqui e ainda acontece o que aconteceu no outro dia. Vi o ursinho de peluche muito entretido num canto. Pareceu-me que estava com qualquer coisa preta na boca mas como todo ele é um tufo quase preto, não prestei a devida atenção, pensei que era uma falsa impressão minha. Mas, depois, pensei que, just in case, deveria validar. E nem queria acreditar. Estava todo entretido com o meu lindo soutien de renda preta, uma copa na boca, creio que tentando desacoplar uma alça. Fiquei passada. Assim de repente nem encontrei explicação para ele estar na sala a brincar com o meu soutien. Só depois me lembrei que eu, na véspera, em idêntica situação, me tinha desacoplado dele.

Se estamos apenas nós em casa, ando na maior liberdade de movimentos. Mesmo as reuniões remotas são feitas sem soutien. A liberdade de movimentos motiva a liberdade de espírito. 

Por isso, quando o tenho vestido parece que me sinto amarrada. Certamente ainda amarrada à memória de uma realidade que já foi a minha. 

Até corpete de renda, com mil colchetes nas costas já usei, um quase-espartilho em renda rosa e branco-pérola, lindo de morrer, que comprei no Soleil Sucrê em Bayonne. Já aqui contei e penso que, se estiverem para aí virados, merece ser relido pois prova bem a velha máxima de que o que tem que ser tem muita força.

Até as minhas caminhadas são, pois, quase sempre na total desportiva, o mais possível a l'aise.

Mas hoje foi casa cheia e, portanto, noblesse oblige, soutienzinho com ela. Só que, com a fera desencabrestada, excitada com tanta brincadeira, ao contrário do que era costume ao ver-me sozinha, hoje nem me lembrei de tirar todos os arreios.

A endiabrada criatura -- que toda a tarde correu, saltou, rebolou. arranhou, mordiscou, driblou, quis comer cogumelos frescos e cocós antigos e simulou actos indecorosos com algumas pernas que achou mais inspiradoras -- agora, aqui no chão, dorme o sono dos justos ao pé do sofá onde o dono faz o mesmo.

Os meninos gostam todos deste nosso novo familiar. Apenas a minha menininha mais linda ainda não se chega muito. Tem um certo receio. Eu era assim. Lembro.me de ver os meus filhos com a nossa cãzinha ao colo, na maior descontração, e eu incapaz de lhe pegar ou de me chegar muito. Tinha medo que se virasse a mim, que me mordesse, nem sei bem. Depois passou-me, claro. Mas foi um receio que tive que vencer. E a minha menininha também haverá de vencer os seus receios. Mas se todos gostam e todos têm ternura e grande à-vontade com ele, de todos é o mais novo da minha filha que mais brinca, mais se dedica a este endiabrado monte de pelo. Gosta mesmo, mesmo muito dele. E a pequena fera retribui-lhe o afecto. A ele e, de forma exuberante, à minha filha. Quando a viu ia-a devorando, tanta a alegria. Teve que trocar a mini-saia por umas leggings que lhe emprestei para não ficar com as pernas todas arranhadas. 

O mano do meio do meu filho trata-o por puto. E o que posso dizer do puto é que é uma ternura não doseada. E irrequieto, irrequieto, maluco, maluco.

Fotografei-o em plenas refregas mas tão escurinho é e tão depressa corre e salta que as fotografias ficam sempre pouco nítidas. Só fica bem quando está cansado e o pessoal aproveita para o ter ao colo. E aí é a ternura que se vê. Quentinho, fofinho, maciinho, um peluchinho que apetece ter aninhado no nosso colo.

Para além disso e do lanche e dos jogos e das conversas, tivemos, como sempre, os velhos números de luta livre. 

Desta vez, dois primos uniram-se para derrubar o pai de um e tio de outro, coisa que invariavelmente acaba com eles todos transpirados. Um deles, então, acaba sempre a escorrer. Também já têm acabado com algumas nódoas negras. Eu, se fosse comigo, ficava sem me mexer. Mas eles voam, saltam, dão cambalhotas e levantam-se sempre prontos para outra.

O teenager já não se envolve nisso, está grande, com o buço a despontar e preocupado com os seus testes, com os resultados dos jogos e com outros temas próprios dos 'crescidos'. A menininha mais linda ajuda na cozinha, ajuda a pôr a mesa, salta à corda, joga ao limbo e deixa-se estar deitada na relva, indiferente à batalha campal que ali vai, mesmo por cima dela. 

Estava com umas calças minhas pois as jardineiras que trazia não a deixavam ter a flexibilidade necessária para jogar ao limbo. O que vale é que a minha roupa dá para todos os números.

E o mais novo, o caçulinha mais lindo, sempre na boa, alinha com as brincadeiras de um e de outro, provoca a fera, atira-se do balouço e curte a feliz despreocupação da sua inocência.



Para além disso, posso ainda acrescentar outra coisa.

Temo os dias escuros, húmidos, frios, curtos -- o que é sabido. Prefiro que seja dia até ser tarde, andar ao sol, ver as flores resplandecentes de luz. Mas tudo tem um lado bom e, por isso, já estive a inventariar as pinhas que estão perto de casa para quando acendermos a lareira. Gosto muito de estar ao pé da lareira: gosto do quentinho aconchegante e bom, gosto da luz do fogo. Gosto. Portanto, vou tentar não me queixar mais por Outubro estar a chegar ao fim pois não tarda poderei estar a trabalhar ao pé de uma lareira acesa e isso, caraças, também é bom demais. 

Daqui a nada, também irei assar castanhas e o perfume das castanhas assadas também também vem com a minhas boas recordações ao colo. 

Num outro mundo, comprava-as na rua e recebia-as num cartucho feito com jornal ou com uma página das páginas amarelas. E sabiam-me pela vida. Não sei para onde foi esse mundo ou para onde foi a minha vida que nunca mais comi castanhas assadas na rua. 

Mas castanhas assadas a la maison e comidas à beira de uma lareira acolhedora também é coisa boa, daquelas que têm o sabor bom da saison. Reza a lenda que deveriam ser acompanhadas com uma água pé mas isso não, obrigada. Talvez um medronho ou uma ginjinha de Óbidos. On verra.


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Desejo-vos uma bela semana a começar já por esta segunda-feira