Ora deixa cá ver sobre o que é que eu vou escrever hoje…
Ora bem...
1. Sobre o fim dos dois feriados escolhidos pelo nosso
fantástico governo – o 1º de Dezembro,
dia da Restauração da Independência, e o 5 de Outubro, dia da Implantação da República – tenho a
dizer que não me espanta.
Duvido que o Coelho Doce, o Sonso Gaspar, o Alvy del
Nata e o Rasteiro Relvas saibam o significado desses dias. História,
patriotismo, orgulho nacional, valores democráticos, e outras mariquices do
género, cá para mim, é coisa que não lhes assiste.
Cá para mim, quando se
encontram para tratar do futuro do País, é tudo na base do ‘vão trabalhar malandros!’ e, a seguir, vão para a
troika, mascarados de meninos marrõezinhos ou cãezinhos amestrados, e, no meio
de dedinhos no ar e béu-béus à mistura, devem dizer ‘agora vamos acabar com estes
dois feriados e quando já nem se lembrarem que são portugueses acabamos com o
resto, e até com o descanso ao domingo, contem connosco. Béu-béu’.
2. Claro que nada disto resolve coisa nenhuma porque em casa
desgovernada, tudo o que seja feito ad hoc, descontextualizadamente, sem
nenhuma estratégia de desenvolvimento por trás, é o mesmo que nada. Portugal, no que se refere a feriados está em linha com os restantes países europeus e não é por reduzir 2 feriados que o país se vai tornar competitivo. Poupem-nos.
O País está num desgoverno que assusta, o desemprego a disparar, e o Governo, em vez de atender ao problema sério que existe, entretém-se a brincar às guerrinhas parvas, desatando aos tiros na História.
Hoje ia no carro à hora de almoço e ouvi uma notícia na TSF - o Governo tinha reconhecido o estado de emergência no sector da construção civil, tinha ido de encontro ao pedido das empresas. Respirei. Até que enfim vão fazer qualquer coisa, pensei. Mas logo a seguir veio o balde de água fria. A vontade que iam fazer era, afinal, deixar as empresas despedir trabalhadores para além dos limites estabelecidos por lei. Despejar trabalhadores borda fora, é isto que o Governo vai permitir. E o responsável pela associação do sector dizia que não há trabalho, que não vai haver trabalho e e que a situação é dramática.
A este drama o Governo responde com palermices que são autênticas provocações a quem ama o seu País, a quem tem orgulho e respeito na sua História.
A cruz que as pessoas têm que carregar por estes caminhos desertos de esperança, não é coisa que preocupe o Governo.
3. Sobre a nova subida de juros (mais de 20% a 5 anos!!!!!), coisa que
é de meter medo até ao mais destemido faquir, recomendo que façam o favor de
descer até ao post seguinte para ler o comentário do meu leitor JHMP, a quem agradeço de novo, e que explica muito bem os termos e os contornos da situação financeira do País relativamente à crise da dívida pública e de que forma isso acaba por influenciar a economia.
4. Sobre o artigo de Matthew Lynn que alerta para o risco de incumprimento português, o qual, por sua vez, pode precipitar o fim do euro, não vou aqui transcrever as suas previsões mas recomendo que o leiam - não que vos queira assustar mas porque é bom que se perceba a gravidade da situação.
Felizmente, começa a ser consensual que é errada e muito perigosa a trajectória que está a ser seguida. Quanto mais o garrote é apertado, mais a recessão alastra e, como mais recessão significa menos riqueza, cada vez é menos provável que se consiga alguma vez pagar a dívida e, assim sendo, menos acreditam em nós, e logo, mais os juros aumentam, e mais aumenta a dívida e ... só não continuo para não parecer uma velha gagá a repetir mil vezes a mesma coisa. Mas é a isto que se chama círculo vicioso e os círculos viciosos, quando aceleram, tornam-se numa espiral recessiva e as espirais recessivas desgraçam um país.
E também já aqui falei tanto disto que vocês já devem estar a suspirar... Mas enquanto isto não for interrompido, a desgraça a caminho da miséria não vai parar.
5. De qualquer forma, apesar da desgraça em que estamos e que tende a agudizar-se, tenho a dizer-vos que acho que isto, não tarda, dá uma volta. Cá em Portugal, os disparates são tantos e tão básicos, a impreparação total, total, desta gente é de tal monta que, ao fim de poucos meses, já pouca gente os defende e, em breve, não sei como, não me perguntem, serão postos daqui para fora.
Entretanto, um pouco por todo o lado, desde os órgãos da UE, às cúpulas do FMI, toda a gente começa a reconhecer que esta política que está a ser seguida está a estrangular a Europa e a causar danos em cadeia e que, pelo contrário, o que há a fazer é estimular o crescimento, reanimar a economia, combater o desemprego.
Além disso, estou confiante e já aqui o disse, que, com as eleições em França, um novo equilíbrio europeu está para nascer. Até a Merkel já anda, de rabinho (rabinho...?) entre as pernas, a dizer que defende a Europa e que se tem que estimular a economia (pudera, a crise dos outros dá-lhes cabo das exportações!).
6. Por isso, meus amigos - mesmo que agora andem sem esperança, preocupados com as vossas economias, com a vossa reforma, com o vosso futuro - vamos lá a arrebitar, vamos lá dar a volta por cima.
6. Mas, já agora, antes de me ir, deixem-me fofocar: e que tal a demissão do espião maçon Jorge Silva Carvalho da Ongoing? Diz que se demite só durante um bocadinho para se defender mas que, depois, regressa. Pelos vistos foi apanhado com fichas individuais de centenas de figuras públicas no telemóvel (fala-se em milhares... mas há assim tanta gente interessante neste país...?), o malandro...
Também não me vou alongar porque já falei várias vezes do cocktail perigoso: espião, maçon e dirigente de uma empresa de comunicação social...! Assustador.
Demitiu-se, queixando-se que a sua vida tem sido devassada. Tem graça. Uma coisa destas dita pelo chefe dos espiões... Tem graça. E que está a ser o cordeiro inocente de uma guerra entre a Impresa e a Ongoing, the poor one. Mas tantas são as coisas estranhas nesta história, que a gente já não acredita em nada. Vamos acompanhando de longe, mas bem de longe.
7. E é isto. Vou descansar um pouco que daqui a nada já tenho que estar a pé.
Mas, para que não fiquem vocês agora com sono, aqui vos deixo este filme educativo, A book at bedtime. Vejam por favor.
Thanks God, it's friday! Enjoy!
(Nota: Todas as fotografias são, é claro, de Bettina Rheims excepto a dos caezinhos amestrados que é minha)













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