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quinta-feira, julho 03, 2025

Quando vejo um cão assim só penso: 'porque é que o meu cãobeludo maluco não é só um bocadinho assim...?'

 

Quando cá temos animação à mesa, para ele não andar de roda de nós a fazer das dele, o meu marido arranja-lhe umas coisas para ele se entreter. No outro dia arranjou uma orelha -- mas, calma, uma orelha não humana (sei que é de um outro bicho mas não me lembro de qual). Uma orelha seca, creio que, a bem dizer, só a cartilagem.

Não ligou muito mas, por via das dúvidas, foi enterrá-la. 

Hoje desencantou-a. Estava mole, escura, com ar podre. Quando me aproximei para ver que porcaria era aquela que estava, todo lambão, a roer, parou e olhou-me fixamente, nitidamente numa daquelas: 'make my day'. 

Manda quem pode, obedece quem deve. Ou seja, desisti. 

E, de cada vez que eu me aproximava, parava de roer aquela coisa e olhava-me, não sei se com medo que eu fosse roubar aquela iguaria, se a preparar-se para defender o seu tesouro. Quando está assim, possessivo, mais vale não medir forças com ele.

Tivemos que usar o truque de tocar à campainha. Aí salta, vai a correr para o portão, para impedir que qualquer invasor ouse pôr o pé no jardim. Nessa altura, o meu marido foi resgatar aquela coisa, deitando-a fora, para bem longe.

Se fosse um cãozinho fofo, obedientezinho, deixava que lhe tirássemos os seus troféus. Mas não é. Sabemos, sabemos bem, que se atirará a quem o ousar. O professor que o treinou durante meses recomenda que o distraiamos, que não o enfrentemos pois ele é mais rápido que nós e o seu instinto falará sempre mais alto. Portanto, já percebemos: pode alguém ser quem não é? Mesmo que de um cão se trate.

Agora imagine-se como fico invejosa quando vejo um canito obediente como este aqui abaixo. 

Human and Dog Team STEAL THE SHOW | Britain's Got Talent

Witness the incredible bond and acrobatic power of Christian Stoinev & Percy as this dynamic human and dog team takes the Britain's Got Talent stage by storm! Their flawless routine combines amazing feats of agility and strength, leaving the judges in a spin and absolutely mesmerized. This unforgettable performance truly steals the show!


terça-feira, maio 07, 2024

Aretha is back...?

 

Há coisas do além. Há vozes do além. Por entre a banalidade e mediania por vezes erguem-se coisas ou pessoas que parecem ser de um outro mundo.

GOLDEN BUZZER for Taryn Charles' SENSATIONAL Aretha Franklin cover | Auditions | BGT 2024


quarta-feira, abril 19, 2023

Pie Jesu

 


Por vezes tenho vontade de não escrever pois sinto que as minhas palavras podem poluir um ambiente que se quer puro, imaculado.

[Vou apenas abrir um parêntesis para dar uma explicação. Num dia em que várias coisas deixaram de funcionar, uma delas foi o computador. Fiquei com ele avariado, inacessível, com todos os transtornos e perdas que, como é fácil imaginar, daí advieram. 

Algumas coisas estavam salvaguardadas mas as mais recentes, talvez do último mês, não. É imperdoável e uma insensatez da minha parte, bem sei. Num dos dias, quando saí, deixei uma cópia a fazer e, quando cheguei, à noite, vi que tinha havido um problema qualquer mas, nas minhas múltiplas e por vezes sobrepostas actividades e com a canseira com que tenho andado, pensei que tinha que ver, depois, o que se tinha passado... e nunca mais de tal me lembrei. Mas, na minha cabeça, a coisa ficou como se tivesse feito a cópia.

Portanto, creio que há algum trabalho de escrita que pode ter ido à vida. Ainda vou ver se há salvação mas, se houver, só o saberei daqui por algum tempo.

Isso causou-me uma alteração substancial de planos.

Mas não dramatizo. No esforço de recuperação que tenho andado a fazer, descobri coisas que julgava perdidas e outras que nem me lembrava de ter feito. Geralmente há em tudo um lado positivo e pode muito bem ter acontecido que este tenha sido um mal que veio por bem. E já fiz a agulha e já estou a reorganizar-me dentro desta nova realidade.

Claro que tive que comprar um novo e começar a ajustá-lo a mim, passo a passo. Não será a mesma coisa que desbastar um cavalo, bem sei. Mas quase.

Até há muito pouco tempo não tinha que me preocupar com nada disto, havia sempre alguém que se ocupava do assunto. Agora, embora pudesse recorrer a ajudas, não quero. Tenho que me tornar autónoma em muitas coisas e esta é uma delas.

De qualquer forma, tenho perdido tempo e tempo e tempo. 

Enfim, coisas que acontecem. E bola para a frente]

Mas, dizia eu, que há situações em que devemos abster-nos de palavras, de palmas, quase até de respirar. Tudo em nome de respeitar o silêncio para nos podermos genuinamente encantar com o que nos é dado ver ou ouvir. A voz de Malakai Bayoh, de 13 anos, é de outro mundo. Belíssima, belíssima. Claro que recebeu um Golden Buzzer. Mas mais do que a chuva de papelinhos dourados é a expressão emocionada e são as lágrimas de quem o escuta que melhor definem o momento de excepção a que ali se assiste.

Malakai Bayoh interpreta de forma superlativa e muito comovente  'Pie Jesu'


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Quanto à belíssima fotografia lá em cima, vencedora do prémio Sony, saberão certamente que não é uma fotografia. Nem as duas mulheres são duas mulheres. Tudo não passa de fruto da Inteligência Artificial. Por isso, Boris Eldagsen, seu presumível autor não aceitou o prémio e lançou o tema para a discussão. Quais os limites? Ou não existem limites? 

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Desejo-vos um dia bom
Saúde. Lucidez. Harmonia. Paz.

quarta-feira, abril 12, 2023

Manuel Beja, o pobre chairman, versus Mariana Mortágua, a inquisidora, e mais uns quantos -- para quê estas secas que não se aguentam?
Passo

 




Dia tranquilo e produtivo. Começo a pôr em marcha o que espero que venha a ser, em parte, a minha segunda vida. Estas fases em que começo a pôr-me em campo, a aquecer os motores e a estudar as pistas são muito motivantes para ti. Vibro agora como vibrava aos dez, aos vinte, aos trinta anos. Ainda sou aquela que gosta de avançar destemidamente em territórios desconhecidos.

Outro momento especial aconteceu quando, a meio do dia, calhou estar com uma pessoa que esteve a contar-me a sua vida. Aquele fenómeno que tanto me acontece, de uma pessoa que não me conhece e que chega ao pé de mim e começa a contar-me a sua vida -- os momentos mais marcantes, a descida aos labirintos mais profundos do desgosto e do medo --, voltou a acontecer. Fico sempre muito impressionada. E fiquei também muito impressionada com a capacidade de superação e com a forma inteligente e positiva como encara a vida.

Do que se tem passado por cá, no burgo, na política nacional, lamento dizer: nada me inspira. 

Vi há pouco um pobre homem a ser interrogado há mais de cinco ou seis horas numa comissão de inquérito. E parece que ainda dura. Uma aberração. 

O meu marido contou que viu a Mortágua a inquirir o senhor em moldes que lhe pareceram pidescos (com quem ele falou, o que disseram, etc), irrelevâncias que não se percebe em que contribuem para alguma coisa. 

Eu já não consigo. 

Aliás já nem percebo o que é que andam para ali a fazer, a fazer perder tempo a uns e outros. Alguma vez são precisos estes show-offs para se perceber que o Pedro Nuno Santos levava aquilo tudo pela rama, whatsapp e o escambau, delegando coisas importantes num esdrúxulo como o Huguinho? Precisa-se disto para se saber que na TAP sempre se viveu à tripa-forra, à grande e à francesa? Acho que não. Mesmo com a malta a ter que lá meter carcanhol para a empresa se aguentar, continuaram a tratar-se como nababos (grandes ordenados, grandes prémios, grandes indemnizações, grandes compras). Qual a novidade disto? Com verdinhos que têm como experiência profissional serem gente aparelhística ou académicos ingénuos, como querem que os que têm rabo pelado mudem um milímetro nas suas práticas? Como querem que estes verdinhos tenham competência para enquadrar gente experiente ou sabida ou para tratarem de assuntos complexos?

Impossível.

Por isso, que carnaval é este destas comissões de inquérito? Serve para quê? Só se for para épater les bourgeois ou, mais portuguesmente falando, para entreter o pagode.

Não tenho pachorra. 


Só me apetece é deslocar-me para a minha nova actividade que tanto anda a absorver-me e que tanto prazer me dá. 

Isso e, ao fim da tarde, ir regar. O urso cabeludo arrancou (e escavou em volta) vários aspersores da rega automática. Por isso, pego na mangueira e rego eu as zonas que não levam água da rega. Adoro andar ali, quase ao pôr do sol, a regar, a ouvir e a ver os pássaros. 

A pessoa de quem acima falei esteve a contar-me sobre as suas múltiplas actividades e sobre os seus passeios. Um dia destes vai para Barcelona para assistir a um evento e, quando se aproximar o verão, larga amarras e vai fazer praia para a beira do Mediterrâneo ao longo de um ou dois meses. Sente que está na hora de gozar a vida, livre de peias e obrigações. Contei-lhe que, desde que deixei de trabalhar, tive um joelho inflamado, covid, a minha mãe internada, e que, agora, tenho que acompanhá-la em médicos e exames. Por isso, a única coisa que me apetece é estar sossegada, desfrutar a casa, os momentos de quietude, de tranquilidade, coisas simples. Lá virá o tempo em que voltarei a ter vontade de sair por aí, de viagem. Agora fico feliz com o que houver de mais simples.
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Lá em cima, Maxwell Thorpes tem uma incrível actuação no Britain's Got Talent

As pinturas são, respectivamente, de Anna Ancher, Sunlight in the blue room, Summer evening at Skagen de Peder Severin Krøyer e Waterlilies Morning with Weeping Willows de Claude Monet
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Um dia bom
Saúde. Serenidade. Paz.

quarta-feira, maio 11, 2022

Aquela que me fez ter pensamentos abstrusos
-- e outras sorridentes derivações

 

Enquanto tento manter-me acordada, vou vendo vídeos. Queria falar de uma coisa mas não me obedecem os dedos. E os olhos pesam-me. 

Estávamos aqui a ver, com razoável desatenção, um debate e, às tantas, o meu marido disse que uma que ali estava era parecida com uma conhecida nossa, a M.J.. Olhei e achei que não tinha nada a ver. Disparate. Esta usa daqueles penteados em que a franja está no topo da testa, usa óculos do século passado, é uma papagaia. 

Ele insistiu: 'Até os óculos são iguais'. 

Eu retifiquei: 'Mas a M.J. nem usa óculos'. 

E desliguei do assunto. Pus-me a prestar atenção ao que estava a ler no computador. Mas, então, ao ouvir a voz da participante no programa, achei que era igual à da M.J. Olhei. Fazia o mesmo trejeito com a boca. Disse: 'A voz, sim. A boca, ao falar, se calhar também.'

O meu marido marcou um ponto: 'Não te disse? Tal e qual.' 

Ri-me, a troçar: 'Tal e qual... em especial no cabelo...'. É que nada a ver. A M.J. geralmente usa rabo de cavalo.

E ele, trocista, olhando-a com atenção: 'Mas o que é que esta fez ao cabelo? Será que, de vez em quando, lhe vai dando tesouradas?' 

Olhei. Achei que sim, só podia. 

E, então, ocorreu-me uma coisa. Disse: 'Se um dia nos deixarmos e arranjarmos novos parceiros, estou a ver-nos a chegarmos à festa de anos de um dos miúdos. Eu muito bem acompanhada e tu com uma igual a esta. E eu perdida de riso. E os filhos, atrapalhados, a tentarem que eu me controlasse e eu varada de riso de ter ver com uma assim. E tu, conhecendo-me bem, sabendo que, quando começo com estes ataques de riso, não consigo parar, também já atrapalhado, imaginando que a tua namorada ia perceber, quase suplicando que eu olhasse para outro lado ou me afastasse. E eu já a chorar a rir'. 

E, enquanto lhe contei este pensamento, claro que já ria que nem uma perdida. E ele, lacónico: 'Tinha que ser. Tinhas que imaginar uma situação assim'. 

E fez zapping.

E, enquanto escrevo, imagino o que seria se ele vivesse com uma mulher que falasse pelos cotovelos, um bocado belfa, a tender para uma espécie de sopinha de massa, com ar esperto e espevitado, franjinha à intelectual, óculos bem definidos, armação de massa.... Haveria de andar sempre cansado, intelectualmente esgotado. E, de certeza, haveria de escondê-la de mim para eu não desatar a rir.

Enfim. Maluqueiras.

Enquanto acordo e não acordo, vou mas é partilhar já dois vídeos que me divertiram. 



E ainda mais este, que me deixa muito levezinha e bem disposta. 


E agora vou ver se acordo como deve ser para ver se consigo escrever sobre aquilo que tinha em mente, um passo que hoje dei e que acho que pode ser o primeiro de muitos.

terça-feira, abril 19, 2022

Há um planeta B...?
Quando destruirmos este e nos destruirmos a nós próprios, se tivermos a sorte de ter sobrado um homem e uma mulher (... e uma flor...), será que há um outro planeta onde se possa começar tudo de novo?

[Com o apelo de Aneeshwar Kunchala de 7 anos]

 

Se uma guerra é justificada por outras, nunca vai deixar de haver guerra. Se os erros passados vão sempre justificar erros futuros, nunca aprenderemos a ser melhores.

Se aceitamos que haja quem cruelmente cave a dor no peito dos outros, não nos admiremos que o desejo de vingança se metastize pelos sobreviventes.

Se, perante a destruição, arranjamos razões que desculpem o agressor, novos agressores irão germinar como térmitas em madeira prestes a virar pó.

Se, para acabar com a agressão e com o terror, advogamos a rendição, os terroristas sentir-se-ão livres para continuar a espalhar o horror -- e os próximos a ser agredidos, violados e mortos somos nós.

Se condescendemos em que as cidades sejam transformadas em escombros, que as árvores sejam queimadas, os pássaros reduzidos a uma longínqua memória, que as pessoas sejam dizimadas como inúteis objectos, que se exterminem todas as formas de vida -- que mundo estaremos a deixar para o último homem, para a última mulher, para a última flor? Um mundo feito de pó, de negrume, de solidão?

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Aneeshwar Kunchala é um mini David Attenborough e o que ele diz e a forma como o diz são comoventes


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sexta-feira, abril 24, 2020

You taught me what love is



Há pessoas que fazem parte da minha vida mesmo sem eu nada saber delas. Alguns Bloggers, alguns Leitores, por exemplo. São para mim como se fossem gente de carne e osso. Imagino-as como pessoas de verdade. Tem graça, isso. Sei que não são mas, aqui confinada, à mercê do devir, entretenho a mente com pensamentos peregrinos, ideias sem substância. Estão por aí, seres sem tangibilidade, vagueando pelo mundo, se calhar fingindo de gente a ler num telemóvel ou num computador, fazendo de conta que arregalam os olhos a ler isto ou fingindo que sorriem. É ou não é? Bem vos vejo. Mas não me enganam.

E eu, que aqui estou convosco, gostava que acreditassem que também sou de carne e osso. Não interessa se sou um robot de escrita automática, se sou uma réplica clonada de uma qualquer figura mediática da era vitoriana, sesou um travesti com múltiplas personas inside, se sou uma pessoa de quem gosto bastante e com quem volta e meia sou confundida, apesar de ser do sexo oposto e de fazer dois de mim e mais não digo, se sou gata ronronando na noite, se loba azul deslizando por entre a misteriosa penumbra. Não interessa porque nada disso interessa para nada. Sou um fio que se liga a quem me lê, sou palavras que se escrevem sozinhas. Imaterial, sem carne, sem osso, sem sangue, só palavras que por aí andam pelas clouds, pelos éteres, palavras invisíveis, voando pelo meio dos pássaros, pelo meios de anjos inexistentes.

E nem sei porque estou a dizer isto porque escrever é coisa de responsabilidade, escreve-se fica escrito, quem escreve desnuda-se disse-me um dia um advogado amigo que me aconselhava a ter cuidado com o que escrevia. Por isso, imagine-se a minha absoluta nudez com tanto que para aqui escrevo.

E para quê? Que nudez tão escusada.

Passo é para uma canção bonita. Já sabem: ao fim do dia, quando a noite é mais minha, quando os seres normais recolhem ao ninho preparando-se para regressarem à vida diurna, eu, que ando ao contrário e gosto é de entrar acordada até ao fundo da noite, cirando por aí, pelos caminhos em que descubro isto e aquilo, coisas de nada, coisas de tudo.

Hoje foi isto, uma jovem enfermeira com uma voz doce e meiga e comovente. E eu, que aguento de tudo durante o dia, chego a esta hora e sinto-me como se fosse de carne e osso e até, volta e meia, sinto que uma ou outra lágrima teima em fingir que quer aparecer.

Saudades, talvez. 

Ou seja, tudo o que escrevo são coisas que não fazem sentido. Mas isto deve ser fruto dos tempos. Pouca televisão vejo, poucos jornais leio, até poucos blogs leio. E livros só ao fim de semana. Mas, tirando os livros, quase tudo o resto me parece meio alterado, meio desfasado do rumo das coisas, parece que o mundo vai para um lado e as pessoas para outro. Muita coisa tocada pela loucura, daquelas loucuras mansas, sem propósito. Cada vez mais me parece que os pássaros e os gatos e os animais invisíveis que sei que por aqui vagueiam é que andam a passo certo com a vida de verdade. O resto são vultos, quimeras, seres sem rosto, sem nome.

E isto para dizer que estive a ouvir esta canção e gostei da voz que a cantou e da pessoa que a compôs. Beth Porch.


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As imagens são de uma pessoa que diz: My name is Kerem, I'm a 19-year-old from Istanbul. I create  photo manipulations and transform my dreams into creative designs.

E agora vou ver se descubro outras coisas. Inté.

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domingo, maio 20, 2018

Ai flores, ai flores do meu heaven, sabedes porque cresceis tanto?






Portanto, acabámos por chegar aqui, in heaven, já bem ao finzinho da tarde. Já nem abri as portadas, daí a nada estava a anoitecer. Só abri as de dentro, de vidro, para arejar. E, de máquina fotográfica ao peito, fui logo laurear.

Estava um fim de dia todo ele doçura. Uma luz dourada, suave, os pássaros cantando, as flores despontando por todo o lado, tantas, de todas as cores, perfeitas, lindas, perfumadas. 


E as árvores assombrosamente altas. Muitas, no sítio onde as podámos, têm agora tufos de rebentos.


Olho-os com encantamento porque estou a testemunhar a força imbatível da natureza, não se rendendo, reinventando-se.

O meu marido não: diz que, ao ver aquilo, pensa que mais vale desitir, que nunca vamos conseguir domar aquela força.

Compreendo-o. Muitas vezes penso o mesmo. Mas não o verbalizo porque parece que tenho medo que a terra me ouça e nunca mais faça de conta que está a deixar alindar-se às minhas mãos. É um dos casos em que prefiro iludir-me.


Como sempre, quando chegamos já fora de horas e os pássaros estão convencidos de que não aparecerá alguém para os perturbar, quando passo ouço a agitação que se forma no meio da folhagem até que se libertam, arreliados por terem sido incomodados com a minha presença. Hoje, de dentro da azinheira grande, até penas eu vi caírem quando umas rolas esvoaçaram de lá de dentro. 

E, no entanto, vou silenciosa, andando devagar enquanto olho o prodigioso crescimento dos arbustos e das árvores desde a semana anterior. Como é que desta terra pedregosa sai tanta vida? Espanto-me. Não me canso de me espantar.

Olho o rosmaninho, os oregãos que já estão a ficar grandes, o tojo que o meu marido cortou e que já está a rebentar de novo, verdinho, arrebitado, o alecrim que está viçoso, enorme. Apanho um ramo de alecrim para o jantar.


Os arbustos de madressilva estão enormes, carregados de flores. Trepam pelas aroeiras, enfeitam-nas, perfumam-nas. Ocorre-me a palavra luxuriante mas talvez sejam inocentes demais para esta adjectivação que associo a alguma sofisticação na exuberância e estas florzinhas são tão bonitas e simples que mais parecem ser próprias para um idilíco paraíso do que para uma selva tropical. 

Depois, vim para casa. O meu marido continuou lá fora, nas suas lidas. Gosta quase tanto de cá estar quanto eu. Ou, na volta, tanto quanto eu mas, como é pouco expansivo na exibição das suas emoções, não o demonstra de forma tão expansiva quanto eu.


Em dias assim trago para fazer para o jantar uma coisa simples, que se faz rapidamente e que se come sempre bem: lombos de salmão congelados. Claro que, apesar de virem num saco térmico, já estavam descongelados.

Para acompanhar só cá tinha batatas, das normais e das doces. Se, na vila, o pequeno supermercado estivesse aberto quando por lá passámos, teria comprado tomate para fazer arroz de peixe ou, então, salmão em tomatada para acompanhar com arroz branco. Mas claro que já não havia onde comprar nada. Portanto, um jantar mais minimalista.

Liguei o forno. Quando quente, coloquei um pequeno tabuleiro com azeite no fundo, uns raminhos de alecrim, os dois lombos com um pouco de sal, mais alecrim e reguei-os a azeite. Ao colocar o tabuleiro, reduzi a temperatura para 160º. Entretanto, pus algumas batatas a cozer. Quando estavam já a amolecer, tirei-as do tacho e coloquei-as no tabuleiro, ao lado do salmão. Rebolei-as no azeite e no alecrim. Depois, para dar um ar da minha graça, pus um pouco de vinagre de Modena por cima. Voltou tudo ao forno para alourar e uniformizar sabores.

Acompanhámos com alface. Estes ares saudáveis abrem-nos o apetite.

As nêsperas já estão amarelinhas mas ainda precisam de ganhar mais doçura. Como sempre, já começou o despique com os pássaros. As mais doces já eles lá andaram a debicar. Sempre isto. 


Amanhã vou à horta buscar morangos. Cá de cima, vi que já lá estão encarnadinhos. Por entre os ramos das couves que se puseram gigantes e floridas, lá estão eles.

Os figos ainda estão muito no início, só lá para o Verão estarão carnudos e doces. As uvas ainda são apenas uns pontinhos minúsculos e verdes agrupados em cachos. Ainda falta até que estejam roxas e doces. 

As transformações da natureza maravilham-me. São metamorfoses mágicas. Milagres. Nestes milagres eu acredito: vejo-os, cheiro-os, como-os.


Só os figos da figueira brava estão desenvolvidos. Não são figos a sério. Por dentro nada têm que comer. Caem cedo. Mas a figueira está perto da casa e no verão dá uma sombra fresca, boa e cheirosa. 

Não quero cortá-la. O vizinho assusta-nos, diz que esta árvore é traiçoeira, deita raízes que se infiltram dentro de casa, que vêm agarrar-se aos canos. Diz que podem levantar o chão de uma casa. Sei que é verdade. Quando fizémos obras na cozinha, havia uma teia de raízes entre a parede e o armário e, de facto, tinham vindo enlear-se na canalização. O meu marido, que tem sentido prático, já disse que, se calhar, o melhor é mesmo cortá-la. Eu não quero nem ouvir falar nisso, prefiro arriscar. A árvore é magnífica e a sua sombra -- que me traz os cheiros do Algarve, de quando eu era pequena e ia ficar nas terras da minha avó, onde se secavam figos, amêndoas e aflarrobas -- é preciosa. 


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E, por agora, é isto. Mas, antes de me ir, deixem que partilhe convosco o vídeo abaixo. Ouçam a voz deste jovem, vejam a sua emocionante actuação, vejam como o seu sonho se trasforma numa assombrosa realidade. 

Gruffydd Wyn interpreta Nessun Dorma 


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E, caso tenham agora chegado aqui e ainda não tenham estado na praia comigo, queiram descer, talvez até para colherem algumas das florzinhas que lá crescem no areal.

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sábado, maio 12, 2018

Enquanto decorrem as votações... uma pequena surpresa


Porque os meus dias são sempre o que são, quando aqui cheguei à sala já o desfile das canções estava quase a acabar. Depois, pôr e não pôr a roupa a lavar e demais domésticos afazeres e mais um ou outro telefonema e isto, aquilo e o outro, e chego ao sofá, ligo a televisão e, por sorte, apanho o Salvador, primeiro com a canção nova e depois com o mano Caetano. Muito bom. E agora já se vota. Portugal fraquinho, fraquinho e à frente a Áustria -- que, por acaso, daquele resumo que passaram há bocado, me pareceu mesmo a melhor -- e a Catarina Furtado e a Daniela Ruah aos comandos.

Bem.

Já espreitei os onlines e parece que o que se passou de mais curioso no dia de hoje foi mesmo um engraçado que conseguiu furar a segurança e chegar ao palco enquanto cantava a representante do Reino Unido. Também mais uma coisa terrível em Paris mas disso acho que o melhor é a gente nem falar porque não há muito a dizer e porque quando menos se publicitar melhor.

E, tirando isso, para já mais nada de que me apeteça falar. Portanto, fui ver que presentinhos tinha o menino algoritmo do YouTube para me agradar. E, pimbas, desta vez resolveu fazer negaças à Eurovisão e mostrar-me uma cena do Britain Got Talent que está a dar. E logo uma coisa das boas. Uma surpresinha.

Um trio fantástico, Miss Tres, interpretando Sex Bomb. Ora vejam. E não se fiquem pela apresentação, ouçam-nas a cantar.


domingo, abril 29, 2018

Na verdade, nada de especial
(excepto um "The lucky ones" que valeu um Golden Buzzer e 9 conselhos para não morrer infeliz)





Enquanto escrevo, ouço a chuva a cair copiosamente. Choveu muito hoje. Por volta das sete da tarde houve uma aberta e fomos à nossa faena. Discordamos na abordagem. O meu marido aborrece-se um bocado comigo porque diz que quero tratar o mato como um jardim e que os meus critérios são de ordem estética e não prática. Eu acho que não, que é podando criteriosamente os ramos de árvores e arbustos que limparemos melhor o terreno, não cortando tudo a eito. Então ele desforra-se, fazendo à maneira dele quando me apanha ao largo. Como é madrugador, quando estamos aqui, geralmente quando acordo e vou abrir as portadas do quarto, ouço o barulho da máquina ao longe e já sei que é ele que anda a cortar mato lá para baixo. Quando estou ao pé dele, tento que ele se alinhe com a minha maneira de ver e que seja criterioso: os ramos junto ao chão e os oblíquos da aroeira, os rebentos ladrões e os ramos baixos das azinheiras. Por exemplo. Como sempre, eu corto os mais finos e levo o mato para o 'campo de futebol', ele serra os ramos mais grossos e mais altos.


Com isto, nem démos pelo tempo a passar. O prazer que sinto em andar no campo -- no meio das árvores, ouvindo o chilreio dos pássaros, sentindo o perfume intenso do alecrim, do rosmaninho, da terra molhada, da madeira cortada de fesco, da ramagem das árvores, sentindo a terra fofa e fértil sob os pés -- é difícil de descrever. Só sei que, nestas alturas, me sinto verdadeiramente feliz.

Quando regressámos a casa eram oito e meia e ainda não era bem de noite. Mas tinha estado a choviscar e já estávamos meio molhados e, sobretudo, o ombro e braço do meu marido já estavam a doer-lhe mais.


Tivemos que mudar de roupa. Pus a minha a secar no aquecedor e os ténis ainda estão ao pé da salamandra. 

A sala está quentinha, acolhedora. De tarde, para além de pôr a roupa a lavar e, depois, a secar e de me ocupar com outras pequenas tarefas domésticas, estive a ler e, como sempre nos últimos tempos, o mesmo delicioso livro que, ou porque adormeço ou porque me forço a consumir em doses homeopáticas, próprias para uma boa degustação, vai rendendo, rendendo. No outro dia comentei isso com quem mo ofereceu que, naturalmente, ficou contente por eu estar a apreciar o seu presente: é cheio de subtilezas, disse eu. Ele disse: cheio de observações, cheio de ironia. E é mesmo. Livro bom. Boa história, boa escrita, bons personagens, tudo de bom. Dá vontade de reler cada passo acabado de ler. Vou assinalando bocadinhos, penso que gostava de partilhar convosco. Mas, na hora de os transcrever, não o faço, temo menorizar o livro reduzindo-o a excertos desgarrados dos quais nem seria possível perceber a riqueza dos sub-entendidos ou das alusões, por terem sido extirpados do contexto.


E é isto. Na verdade, hoje e sempre, não tenho nada de especial para dizer. Sou dada a coisas simples, sem história, sem complexidades. Não quero saber sobre coisas que não interessam, não tenho ambições impossíveis, não guardo rancores, não peço nada, agradeço tudo. E quando estou aqui, in heaven, entregue às coisas simples da existência, sinto que estou no meu habitat natural.

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Curiosamente, quando fui à procura de uma música que fizesse pendant com o que tinha escrito, a minha alma gémea -- o algoritmo do YouTube -- tinha para me mostrar não apenas o duo pai e filho, Jack and Tim Goodacre, a quem Simon Cowell concedeu o Golden Buzzer no Britain Got Talent deste sábado com uma maravilhosa canção composta por eles, The lucky ones, mas também um outro vídeo que vi de gostei bastante, concordando com cada palavra. Não está legendado mas a boa fluência facilita a compreensão. Espero que também gostem.



Don't Die Unhappy - learn these 9 life lessons | Tim Minchin



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As fotografias foram feitas este sábado, in heaven

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quarta-feira, setembro 06, 2017

Ah agora é a Microsoft que leva as pessoas a passear...? A Seattle...? Não... não acredito...
[Deixem-me, antes, ficar com a Sarah Ikumu]


Já aqui perguntei, quando foi da Oracle ou da NOS ou da GALP e tenho ideia de também outra, se seriam só essas empresas a levar a malta a passear. 


Pergunta retórica já que, na altura, dizia eu que todas as grandes empresas (tecnológicas ou não-tecnológicas) têm por hábito obsequiar os clientes, fazendo-os sentirem-se importantes, proporcionando-lhe experiências agradáveis (idas ao estrangeiro, bons hotéis, bons programas, por exemplo). E, na altura, disse que os exemplos são às mãos cheias. Não há cão nem gato que não conheça meio mundo à borla. Caímos numa mesa redonda aí numa cena qualquer e, quando chega o momento da conversinha auto-promocional, toda a gente gosta de se mostrar viajado. É ver todo o mundo a falar, com alguma displicência para disfarçar a cagança, de quando foi aqui e acolá -- e eu a perceber: foi levado pela empresa A, depois pela empresa B, etc. 

Read my lips: digo-o com conhecimento de causa apesar de eu nunca ter aceitado nenhum dos diversos convites que, ao longo da minha vida profissional, tenho recebido.

Ouvi dizer que agora as atenções estão centradas na Microsoft. Ui. Se forem ler as listas de convidados desta ou de outras empresas do género vão ter muitas primeiras-páginas. 


E mais não digo. Até porque não há muito a dizer. Havendo quem queira agradar (ou olear os circuitos de decisão) e havendo quem goste de receber agrados, o que não faltam são circunstâncias em que as vontades se encontram de forma virtuosa. Ou deveria, antes, dizer viciosa...?

É o que vos digo: a ida à bola do Secretário de Estado Rocha Andrade é um insignificante amendoim no meio deste arreigado hábito.

E digo-vos ainda outra vez o que já disse antes: não é pior se for um elemento da Administração Pública a ir passear (ou almoçar ou a ir à Luz ou a Alvalade ou ao Dragão ou ao NOS Alive ou whatever) à borla. Se vamos por aí, a coisa é a mesma seja o aproveitador alguém que trabalha para o Estado ou para empresas privadas. 


Mas, enfim, não tenho pachorra para falar mais disto até porque fico com a sensação que a maior parte das pessoas vive num mundo ilusório, desconhecendo o que se passa no mundo real onde tudo se compra e se vende e fazendo grande filmes quando descobrem banalidades, confundindo a árvore com a floresta, e só contribuindo para a poluição intelectual que entorpece o pensamento global.

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Em dia ainda mais atípico que muitos outros que me tem sido dado experienciar, não tenho disposição para relatar as múltiplas parcelas que o compuseram.

Assim, depois do desabafo acima, nada mais me apetece aqui trazer senão os vídeos que aqui partilho.

Num, Sarah Ikumu, uma menina de 15 anos revela ter uma espantosa potência vocal.
Vejam, por favor, pois é notável.


E continua...


Ouviremos falar dela

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Quanto ao outro vídeo que aqui tinha, nada a ver com música ou concursos, acabei de me arrepender. Vou, antes, fazer um post autónomo sobre ele.

Ou ainda hoje -- se acordar -- ou amanhã. Se amanhã, gostava de conseguir até à hora de almoço mas não sei se consigo. Logo se vê.


terça-feira, novembro 05, 2013