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quarta-feira, janeiro 08, 2025

Filipe Silva, CEO da GALP, demitiu-se.
E eu só espero que os miseráveis que conseguiram a proeza de trazer um assunto tão íntimo para a praça pública se sintam roídos de arrependimento e de vergonha e se sintam alvo de desprezo por parte de quem saiba o que fizeram.

 

O que aconteceu a Filipe Silva parece-me do domínio do impensável. Estes tempos vão férteis em anormalidades. 

É o Musk a ingerir à cara podre na política europeia, é o Zuckerberg a prescindir nas suas plataformas da validação da veracidade das notícias que circulam, abrindo ainda mais as portas ao esgoto a céu aberto que são as calúnias que são despejadas nas redes sociais, é o Trump a querer comprar a Gronelândia e anexar o Canadá e a manifestar outras intenções obscenas... e é toda uma sucessão de parvoíces que há não muito tempo diríamos impossíveis.

Que Filipe Silva, vendo a sua vida devassada, se tenha sentido obrigado a demitir-se parece-me bem o sinal do que são estes tristes e perigosos tempos. Não o conheço nem faço a mínima ideia da natureza do envolvimento com a directora. Mas ou é coisa ligeira e ninguém deveria sequer perder 1 minuto a debruçar-se sobre isso ou é coisa séria (e, nesse caso, até pode ter sido uma situação emocionalmente complicada para ambos, algo do seu foro íntimo, pessoal e intransmissível) e deveria ser respeitado, algo que, a ser abordado, o deveria ter sido com bom senso e sensibilidade, sob total reserva.

Outra coisa, caso ambos ou algum deles seja casado será o impacto que isso terá no respectivo casamento. Mas sendo todos adultos e vacinados, lá se organizarão. E, sobretudo, ninguém, a não ser os próprios tem alguma coisa a ver com isso. Não é tema da empresa, muito menos do País.

O mais que, na GALP, alguém com tino poderia fazer, o Chairman por exemplo, seria falar com ele e indagar se o relacionamento interferia, de alguma forma, no desempenho profissional de ambos. Havendo garantias de que não, a coisa ficaria por aí. Eventualmente o que poderia ser feito, e lembro-me de uma situação assim numa das empresas em que trabalhei, em que, havendo envolvimento entre o presidente e a responsável por uma das áreas por si tutelada, houve um rearranjo de pelouros, tendo ela ficado a depender de outro administrador. Ambos, anos depois, viriam a casar-se. Mas isso nem vem ao caso. 

Agora expor Filipe Silva e a directora da forma como aconteceu é torpe, é vil, é imperdoável. E a Comunicação Social puxar o tema para as primeiras páginas e para notícias de abertura é outra miséria.

E só espero que quem enviou a denúncia à Comissão de Ética e, sobretudo, quem vazou isso para a Comunicação Social, fique com a consciência a roer-lhe a paz de espírito até ao fim dos seus dias. Quando a fofoca, a bisbilhotice, a coscuvilhice, a intrusão, a maldade, o voyeurismo e a falsa moralidade se torna em fanatismo vai mal a sociedade.

Quanto a Filipe Silva e quanto à directora desejo-lhes que consigam lidar com a situação com coragem, com calma. E que, da melhor maneira que consigam (ou juntos ou separados, conforme assim o entendam), sejam felizes. 

sexta-feira, julho 14, 2023

Quando a mulher chegou mais cedo, o marido foi apanhado nu mas disfarçou -- mas o pobre do Wellington teve que se atirar para debaixo da cama, ainda por cima vestido de Carla Perez

 

A minha vidinha, no que a certas tropelias diz respeito, é muito pacífica. Nunca fui apanhada pelo meu marido na cama com outro, nunca tive que esconder qualquer amante debaixo da cama ou dentro do roupeiro e, até ver, também nunca o apanhei a ele ou a alguma jeitosa a quem eu tivesse interrompido a farra em situação idêntica.

A bem dizer também não conheço ninguém a quem isso tenha acontecido.

O mais parecido com isso que pessoalmente conheço é uma pessoa da minha família que andava desconfiada com o marido (e nem ela sabia da missa a metade) e que, num dia em que lhe ligou para o emprego e lhe disseram que ele tinha metido um dia de férias, teve uma epifania e lembrou-se de uma tal a quem ele a tinha apresentado tempos antes tendo ela detectado ali um certo desconforto. Puxou pela cabeça, lembrou-se do nome, lembrou-se de ele ter dito onde é que ela trabalhava e, desenfreada, ligou para lá, dizendo-se amiga.

Informaram-na que a dita senhora estava de baixa pois, justamente nesse dia, era operada a não sei o quê (sei mas não vou dizer não vá o diabo tecê-las). Tão convincente deve ter sido que lhe disseram o nome do hospital (que era privado) onde a coisa se tinha dado.

Uma mulher ciumenta e que admite estar a ser traída fica com a inteligência aguçada e todas as barreiras mentais e psicológicas desaparecem. Fica um animal perigoso.

Portanto, completamente desencabrestada, meteu-se no carro, determinadamente avançou por Lisboa, entrou no hospital sem medir consequências, conseguiu saber o número do quarto e, num instante, completamente destemida, estava a abrir estrepitosamente a porta e a dar de caras com o casal de pombinhos, ela combalida e o extremoso namorado de mão dada com ela.

Quando viu a mulher a irromper por ali adentro adentro, o marido apanhou o susto da vida dele. Enquanto estava de boca aberta a tentar inventar uma desculpa, já a mulher estava a sair a correr, a meter-se no carro e, sabe-se lá porquê, a ir recolher os filhos.

Ele saiu a correr atrás dela mas já não a apanhou. Nesse dia toda a família sabia do acontecimento, uns a rirem com o divertido da cena, outros a dizer que estranhavam é que ela tivesse demorado tanto tempo a descobrir, outros a dizerem cobras e lagartos dele.

O caldo entornou-se, claro. Mas, por acaso, nessa altura, apenas temporariamente.

Mas, que me lembre, é o único caso em que alguém meu conhecido foi apanhado quase de calças na mão. Mas deve acontecer com alguma frequência pois é tema assaz referido.

Agora o vídeo aqui abaixo é hilariante. 

Wellington se escondeu embaixo da cama, vestido de Carla Perez! |Que História É Essa, Porchat? | GNT

O sonho de Wellington Pinheiro era ser e dançar como a Carla Perez, mas acabou a noite vestido como sua musa, escondido embaixo da cama de um homem casado! Como assim!? 😳


E tudo de bom
Saúde. Bom humor. Paz.

domingo, setembro 11, 2022

Amor, medo, noites sem dormir. O telefone ao lado da cama.

  



“É um triângulo impossível e todos se sentem magoados”, diz ela. “Algumas pessoas conseguem. Eu não. Foi uma situação destrutiva. É preciso coragem. Percebi perfeitamente o dano que isso pode causar. Para cada um de nós, foi doloroso. No entanto, não se consegue parar. É o que é. É como se tivéssemos que estar na frente de um dragão e tivéssemos que enfrentá-lo, sabe?” 

Porque é que não conseguia escolher entre os dois homens da sua vida? 

“Nós amamos de maneiras diferentes, acho que se pode dizer”, responde. “É como perseguir uma necessidade dentro de nós. Quando estamos no meio de uma situação destas, não percebemos porque é que acontece”

Penso no conselho que foi dado a Binoche aos 14 anos por uma amigo artista da sua mãe, quando ela não conseguia decidir entre atuar ou pintar. “Juliette: escolhe fazer tudo!”

Mesmo enquanto Sara está a planear encontros com François, ela convence Jean de que não há nada em andamento, que ela e ele foram feitos um para o outro. Porquê submeter os dois a essa tortura? "Tem que ser", diz Binoche decisivamente. “Ela está perante uma necessidade em si mesma, um apelo sexual, como uma onda de calor, talvez de amor. Tem que ser vivido. Ela tem que perceber o que é. Se ela não fizer isso, ela estaria a colocar-se entre parênteses, ou... no frigorífico! É o que a torna humana e verdadeira.”

 “Permitir-se passar por isso é incrível porque muitos de nós diriam: ‘Não, é muito destrutivo’ ou ‘vou perder o que já tenho’. Tornam-se conservadores antes mesmo de começar. Mas quando uma onda tão grande está a chegar, é difícil não dizer sim, eu acho. Ela pede para ter essa liberdade de ser ela mesma, sem saber qual será o resultado. Isso é tão corajoso. E terrível! Eu sei o quão doloroso e perigoso pode ser.”

Tradução livre do artigo: ‘I fell in love with two men – it was unbearable!’: Juliette Binoche on love triangles and ‘little boy’ Gérard Depardieu. A propósito do filme Both Sides of the Blade


Porque há Leitores que me acompanham há muito tempo não vou entrar em pormenores ao voltar a recordar os épicos tempos em que vivi uma situação de intenso triângulo amoroso. Durou três, quatro meses, não mais, mas foi o que Juliette tão bem descreve: amor, medo, noites sem dormir. 

E é tanto mais difícil quanto se decide expor a situação aos envolvidos. Pretendia ser franca, pensava eu, mas no fundo talvez esperasse que ambos aceitassem a situação. Melhor: nem sei bem o que esperava quando contei ao mais recente que eu já namorava, namoro firme, intenções de casamento já em andamento e quando contei ao legítimo namorado que achava que tinha conhecido o homem da minha vida. Não sei o que esperava quando me despedia de um dizendo que ia passar o fim de semana com o outro ou quando, ao domingo, me despedia deste dizendo que me ia encontrar com o outro no dia seguinte.

Claro que, se o 'intruso' começou por aceitar bem a situação, pois ele é que estava a entrar em terreno ocupado, já o outro aceitou pessimamente desde o início. E digo que aceitaram pois não podiam impedir-me e, portanto, deram por eles a viver essa situação. E claro que o 'intruso' ao fim de algum tempo também já não aceitava bem que eu me despedisse dele para me ir encontrar com o outro. Uma situação que se complicava de dia para dia.

E claro que, por fim, por defesa pessoal e também deles, eu já não podia ser completamente sincera. E não ser sincera dava cabo de mim. E claro que, por fim, já andava era sempre com medo que se cruzassem e que a coisa desse para o torto. Aliás, uma vez quase deu.

Não é fácil. Mas é o que Juliette Binoche diz: quando acontece parece que não há volta a dar, a tentação fala mais forte.

Até que um dia, inevitavelmente, há que tomar uma decisão, fazer uma escolha. 

No entanto, tenho para mim que a escolha só tem que acontecer porque os homens são muito territoriais. Se fossem menos picuinhas, talvez a convivência fosse pacífica. Para quê tanto drama?



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Já agora, e porque Juliette Binoche também pinta e são suas as pinturas que aparecem no filme Words and Pictures também referido no artigo acima citado, aqui fica o trailer desse filme em que contracena com um dos meus xodós, Clive Owen.


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E é verdade, Lucy, Juliette Binoche é uma das mulheres que aos 58 anos continua belíssima e sem problemas em mostrar a idade que tem. Belíssima, sedutora, fantástica actriz.

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A todos um bom dia de domingo
Saúde. Vontade de viver. Paz.

segunda-feira, janeiro 03, 2022

A difícil vida dos escritores

 

Gostava muito de ver o filme de que abaixo mostro a apresentação. Não sei se vem para Portugal nem sei se ganharei confiança para me enfiar durante hora e tal numa sala fechada a respirar o ar saturado, expirado pelas outras pessoas. Claro que há que acreditar que os sistemas de climatização dos espaços públicos estão configurados e mantidos para não comportarem riscos para a saúde pública, em especial em época de contágios pelas vias respiratórias. Mas, ainda assim, como nas relações um pouco saturadas, acho que prefiro dar um tempo.

No entanto, confesso que, apesar do cheiro e do ruído mandibular associado às pipocas, ainda acho que há uma mística em assistir a filmes no escurinho da sala de cinema. Além disso, como frequentemente ia ver filmes que não atraíam muito público, era bafejada pela sorte de ter salas com pouca gente e, sobretudo, por partilhar o filme com gente silenciosa, respeitadora.

Seja como for, para garantir que o via, a verdade é que gostava que o filme passasse na Netflix ou na HBO. Tromperie|Deception

Gosto bastante da Léa Seidoux, em geral gosto de filmes franceses; e ser baseado numa obra de Philip Roth é um plus que não deve ser negligenciável.

Ao ver a apresentação, ocorreu-me que uma das dificuldades para quem tem uma vida sentimental e sexual muito movimentada e uma escrita confessional deverá ser o risco de reacção de quem se sente retratado e, para os que são casados, o receio de que o/as respectivo/as tentem tirar a limpo se o que é ali retratado tem fundo de verdade.

[Alimento a esperança de ainda vir a ter tempo para me dedicar, de alguma forma, à escrita. Se me puser a escrever memórias, creio que terei alguns episódios interessantes para reportar. Mas tenho para mim que mais do que apontamentos que possam ter algum interesse do ponto de vista da petite histoire associada à história dos dias, teriam graça os episódios anedóticos ou atrevidos. Mas... e se os envolvidos o lêem e não acham graça nenhuma? Perdoar-me-iam que os expusesse daquela forma?

Será mais seguro ficcionar. Mas como ficcionar na íntegra, escrever na base de uma imaginação bacteriologicamente pura, quando a vida é tão rica e supera em densidade, divertimento ou picante a ficção?]

E pode um escritor ficcionar uma história de adultério, descrevendo ao milímetro as aventuras, os cenários e os momentos de amor, sedução ou prazer, descrever os riscos incorridos, descrever as perplexidades, os sustos, descrever a adrenalina, descrever as combinações em segredo... e o cônjuge não desconfiar que aquilo não é ficção coisa nenhuma, que aquilo é confissão pura e dura?

E como reage um escritor quando é confrontado com essas desconfianças? Ou com acusações de deslealdade por parte de quem, em segredo, viveu esses amores encobertos?

Nega? Confessa? Pede desculpa? Ou, no íntimo, está-se nas tintas e quer é viver situações extremas para ter o que contar?

Tromperie | Deception (2021) | Realizado por Arnaud Desplechin
An American novelist living for a time in London converses with his wife, his mistress, and other female characters he may have dreamed up.
Arnaud Desplechin returns with a powerful, haunting story of sex and loyalty, love and deceit. Adapted from Pulitzer Prizewinner Philip Roth’s bold autobiographical novel exploring the world of adulterous intimacy.

E, ao que parece, Léa Seydoux, 36 anos, assina mais uma memorável representação.

Estou danadinha por vê-la a beijar as palavras

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Percebi que começaram os debates para as Legislativas. Não vi. Sei bem em quem vou votar. Não é com trocas de galhardetes em formato de condensado televisivo que vou mudar de opinião. 

Ao fazer zapping vi que começou outro Big Brother, desta vez com a Madame Brega in action, gritando como uma capada. Na sala das anedotas, um bando de gente de aspecto suspeito, incluindo o Bruno de Carvalho. Não conheci ninguém a não ser ele. Pelo aspecto do que vi, parece que sacaram um bando de desocupados nalguma casa de alterne. Curiosamente, parece que chamam a esta edição a dos Famosos. A TVI na sua trajectória descendente, a bater no fundo. 

Quanto aos outros canais não tenho ideia. Estive a ver a Terapia com o Gabriel Byrne (e daqui vai, de novo, o meu obrigada pela dica!). 

Não estamos a começar bem o ano, televisivamente falando.

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Desejo-vos uma boa segunda-feira

domingo, junho 27, 2021

Olha... o ministro, esse poor man, demitiu-se...
Diz que não pode pedir distanciamento social aos outros e, ao mesmo tempo, andar a beijar e a apalpar o rabo da assessora...
Ora bolas para o corona que já nem deixa a malta pular a cerca à vontade...
Mas a qu
estão não é essa, a questão é outra. E não tem nada a ver com o corona.

 

Há uma coisa que me causa espanto: onde estava a câmara que apanhou o ministro naquele ângulo? No próprio gabinete não deveria estar senão eles teriam tido cuidado. Li que foram as câmaras de vigilância que os apanharam e que alguém as 'sacou' e, ou para sacanear o ministro ou para ganhar algum dinheiro, as fez chegar ao Sun. A sensação de que há sempre, algures, um Big Brother a espiar toda a gente deve estar bem presente não apenas neles e em quem trabalha em locais vigiados como, progressivamente, em cada um de nós.

Partilho aqui o vídeo pois não apenas eu partilhar ou não partilhar é mais do que irrelevante como isto é também mais do que público. Mas este vídeo é uma daquelas devassas que não sei como daqui pode não se partir para uma queixa contra quem permitiu esta absoluta invasão de privacidade. É certo que são figuras públicas em locais de trabalho mas é inadmissível que alguém julgando estar a actuar em privado, ainda por cima, em momento de grande intimidade, se veja exposto desta maneira.

Claro que, pelos contornos do que se passou, poderá fazer-se de conta que é outra coisa e vir dizer-se que se expôs um momento de contradição entre as regras públicas e as práticas privadas mas dizer isso é de uma insuportável hipocrisia pois sabe-se bem que o que se pretende é expor o momento de infidelidade entre Matt e Gina. A humilhação a que o jovem ministro e a sua assessora foram expostos é brutal.


Ainda há poucos dias a Rainha se referia a Matt Hancock como 'poor man'. E, na realidade, ele como todos os outros ministros da Saúde que tenham apanhado com a batata quente da covid são merecedores do nosso apreço... e compaixão. Não se deseja a ninguém que esteja no governo na altura em que rebenta uma pandemia. A pressão, a preocupação, a total disponibilidade, a incompreensão alheia, o cansaço, o receio de falhar, a responsabilidade sem rede -- tudo coisas que não têm preço e que jamais agradeceremos o suficiente.

Mas, se Matt Hancock estava nos títulos dos jornais ingleses pela forma carinhosa e condoída com que a Rainha o tratava, logo a seguir veio a bomba largada pelo Sun. E, a seguir, veio a graça de ele vir desculpar-se por... ter infringido as regras de distanciamento social que ele próprio propôs e muito intensamente defendeu.

E eis que, um dia depois, se demite. A comunicação de saída vai no mesmo comprimento de onda -- e bem -- desviando o foco do affair, que é matéria privada, para aquilo que tem a ver com os outros: a quebra do distanciamento social.

Entretanto, Gina Coladangelo também já se demitiu. Obviamente. Era assessora de um ministro que já não é pelo que o lugar quase que automaticamente se extinguiu.


Do que li, Matt e Gina foram colegas de universidade e são amigos de longa data. Quanto ao resto, nomeadamente ao que se passa em casa deles é outra conversa. Estará, certamente, em curso um terramoto nas suas vidas. Já transpirou para a comunicação social que Matt já disse à mulher que se separa dela. 

É uma história igual a milhares de outras histórias.

Para já, Matt sai e um outro entra para Health Secretary: Sajid Javid. 

E mais um tablóide britânico mostrou como o respeito pela dignidade alheia é assunto para que não está nem aí. Tomara que o Correio da Manhã nunca desça tão baixo e que não apareça um dia algum pasquim que venha a servir o que de mais baixo a sociedade produz.

quarta-feira, dezembro 09, 2020

Ela, a mais bela, talvez não tenha companhia pelo Natal

 




Talvez haja quem pense que se escolhe. Não, não se escolhe. Os grandes, grandes amores não se escolhem. Os grandes amores não aparecem quando se procura. Nem aparecem quando se precisa. Não. Os grandes, grandes amores aparecem quando não se espera, sem aviso prévio. Aparecem muitos vezes quando e como não devem. Não obedecem a um cahier des charges

Se eu pudesse ter escolhido, nem pensar em escolhê-lo a ele. Não vale a pena atirarem-me pedras porque sou a primeira a achar que não devia, sobretudo porque, nisto, sou quem mais perde, quem mais sofre.

Depois de ter passado pelo que já passei, tantos sonhos frustrados, tanta indiferença sentida na pele, tanto abandono quando mais sentia necessidade de um abraço, tudo o que não precisava era dele.

Nos últimos anos, tantas ilusões caídas por terra, tantas noites de solidão e intranquilidade. Eu e a gata, duas tristes, ela rondando pela casa ou dormindo horas a fio no cadeirão aqui em frente, eu rondando pelo mundo em busca de uma possibilidade. Tantas horas, tantos dias, tantos meses. Tanto tempo que parece uma eternidade

Amigos e amigos. Centenas. Visto-me e arranjo-me e estico o braço e fotografo-me e, de volta, recebo sorrisos, corações, likes, elogios. Que estou linda, que as cores são lindas, que o cabelo está óptimo, que a gata é uma fofa, que não sabem qual a felina mais misteriosa, se eu, se ela, brincadeiras, trocadilhos e fúteis agrados. E quantas noites passadas nos chats desta vida, tantas vezes em que parece haver um caminho, almas gémeas, tantos gostos coincidentes, tantas vezes em que exclamamos que o mundo é pequeno, promissoras afinidades -- tantas ilusões que se alimentam de palavras, de equívocos, de meias verdades. E tantos blind dates, tantos jantares com homens aborrecidos, vazios, cheios de si próprios, inúteis. Tantas situações desagradáveis. Tantas vezes em que tentei, em que me esforcei por acreditar, em que me forcei a iludir-me, forjando um entusiasmo que, por dentro, não sentia. Tantas frustrações. 

Sempre a correr para o ginásio, sempre a correr para arranjar cabelo, mãos e unhas, sempre à procura do vestido mais elegante, dos sapatos que melhor definem a silhueta, sempre a ver ao espelho qual o melhor ângulo, a melhor pose, e sempre a combinar jantares, bares, copos, tretas. E tantas noites em casa, em silêncio, a ver o tempo a passar. 

A gata vem, percebe-me os humores, olha-me com aqueles olhos que sentem antes de verem e eu desvio o olhar para que ela não testemunhe o que quero esconder.

Está a chegar o natal, esse dia horrível. Pode ser bom para quem tem famílias grandes, crianças. Mas é um horror para quem quase não tem família e, pior, para quem não se dá com os poucos que sobraram. Enquanto isso, ele lá vai estar numa casa cheia de enfeites de natal, bacalhau com todos, a trinchar um peru fumegante, e todos em volta da mesa, mulher, filhos, pais. Tinha-me dito que, por causa disto, não iam estar os irmãos, só eles e os pais. Um dos irmãos e família ficariam com a véspera e o outro com a noite do dia. Mas tinha-me garantido que na véspera à tarde viria cá a casa. Isto já há mais de um mês. Parece impossível mas há já mais de um mês que não o vejo. Estúpido. Mil vezes estúpido. Todos os dias a aguardar que haja tempo para uma visita, um telefonema, um gesto. 

Não se escolhe, é o que tantas vezes digo. 

Se, naquele dia, a minha mãe não tivesse tido que ir às urgências, se uma semana depois também não, se não tivesse sido ele das duas vezes, se não o tivesse visto uns dias depois na livraria, se... se... se aquele blusão de cabedal não lhe ficasse a matar, se aquela barba não o tornasse ainda mais irresistível, se o livro que tinha na mão não fosse tão inesperado que me tivesse impelido a dirigir-lhe a palavra... se... se... o café que logo ali tomámos, ele porque estava mesmo a precisar e eu porque parecia tomada por um absurdo coup de foudre, se... E se eu, tão louca, não tivesse dado o meu número e se ele não me tivesse ligado logo a seguir e se eu, sempre tão carente, não tivesse caído de quatro, caída, caída, feita parva, apaixonada, cheia de esperança... e se... e se.... 

Até ao dia em que me disse que queria ser sincero e eu já a tremer de medo, a adivinhar o que ele ia dizer, e depois a querer desistir de tudo, um homem casado não, tudo menos isso. E os dois abraçados, abraçados, com medo do que estava a passar-se, sem saber bem como lidar com isso. E depois a vir cá para termos onde estar, sempre escondidos, ele sempre com pressa, um amor que não podia existir. E a minha família ofendida, a cortar relações, a rejeitar-me como se fosse uma perdida, uma destruidora de lares, alguém que ainda irá meter-se em trabalhos, tu vais ver as vergonhas por que vais passar, deixa a mulher dele descobrir... 

Mas ele sempre tão carinhoso: quando eu lhe dizia que eu era a outra, a sem nome, a ela, a dizer-me que não, que eu não era a ela, era, sim, a mais bela. Era assim que me tratava, a mais bela. Fotografava-me e eu gostava que ele me fotografasse. Entregava-me à sua lente, ao seu olhar, ao seu corpo.

Até que isto começou, porcaria do corona, raios partam o corona, e aí tudo começou a complicar-se. Não tinha tempo, sempre ocupado, sempre a trabalhar, sempre a receber e a fazer chamadas, sempre em stress, sempre a fugir. Agora já nem sei o que existe, se é que ainda existe. Tento compreender, claro que sim, não sou estúpida. Mas, bolas, nunca como agora fui tanto a outra, a descartável, a que se sente um estorvo.

Ah... não se escolhe. 

E agora, se ele está doente, em casa, como falar com ele...? Impossível. Nem para saber se está bem. Sei lá se a mulher está ao pé, sei lá. 

Vai chegar o natal e vai ser o mais triste de todos. Não tenho dúvidas. Nem dúvidas, nem presentes, nem companhia, nem nada, nada. Nem ninguém para ver como a mais bela está elegante, bem penteada, cheirosa. Ah, se se pudesse escolher...


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Marion Cotillard foi fotografada por Mikael Jansson e vem ao som de If you love me por Melody Gardot

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Um dia feliz.
Saúde.

terça-feira, março 03, 2020

Vidas duplas


Para que o único dia de férias parecesse uma big semana de férias foi encostado ao fim de semana e foi aproveitado até à medula.
Pelo meio aconteceu um contratempo mas bola para a frente, coração ao largo, e o mantra de que tudo se resolve e há coisas piores sempre presente. Não era um detail que ia manchar os tão desejados dias felizes.
Hoje o dia já foi de regresso. Se conseguir ainda mostro o sítio tão lindo que hoje conheci. Uma livraria como nunca vi igual.

Mas, para já, abro um intervalo para ir directa aos finalmentes. A cena é que, turismo degustado com o espanto de quem vê maravilhas naturais pela primeirissimamente vez, eis-nos de regresso a casa. Mas antes das máquinas de roupa, da panela de sopa, do estufado, das arrumações e demais obrigações domésticas e quotidianas, vamos mas é curtir as vacances até à última gota. Bora ao cinema. 

E lá fomos: uma sala com meia dúzia de pessoas, ausência de pipocas, um filme sem perseguições, sem monstros, sem tiros, sem brigas, sem sangue. Um filme civilizado, bem representado, actual, simpático, divertido. E com a Binoche, luminosa como toujours. Livros em papel ou e-books, o mundo da edição num mundo digital, e escreve-se mais e melhor apesar de ninguém tem paciência para ler?, algoritmos a condicionar o gosto dos leitores, escrita autobiográfica ou autoficcionada, verdades ou meia verdades, hipocrisia ou savoir faire, inteligência conjugal e social e etc. E isto em casas bem decoradas, ambientes simpáticos. E amores não tão clandestinos quanto isso. E falado em francês que, a seguir ao italiano, é a língua em que melhor se diz e faz o amour.

Ou seja, um filme bom de ver com umas fantásticas cenas e música finais, à laia de cerise sur le gateau. Pâtisserie e da fina. 

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Depois viemos para a casa e foi non stop até há pouco. Vou agora ver as fotografias para tentar organizar-me para vos mostrar pelo menos dois sítios que acho que merecem uma visita.

quarta-feira, agosto 01, 2018

Traição
[Caíu um dentinho à Catarina? Ou o Robles traíu a Catarina? Ou aos Beatos de Esquerda caíu-lhes uma nódoa no bibe?]


Ora aí está outra coisa que dá bom romance, lapidar tragédia, lágrima no canto do olho, cabelo branco fora de hora, engulho. Traição. Uma dor para quem a tem. Dizem que se aloja no corno. Mas coisa cheia de adrenalina, isso da traição. Melhor ainda se for traição às claras, confessa, descarada. Les plus grands secrets se cachent dans la lumière. Trair quem merece ser traído. Trair com uma ganda pintarola. Do melhor que há. Ou trair pelo prazer de desafiar ou pelo prazer de pisar o risco.

O pior é quando a coisa não tem classe nem dá gozo. Trair por pura burrice. Trair a mão que alimenta. Trair princípios, trair causas. Armar-se em bom apenas porque se acha que fica bem quando se vê ao espelho. Trair por fanfarronice. Por deslumbramento. Trair e dizer que não, aparecer a desculpar-se, trair a aparecer feito betinho a dizer que não, que não é o que parece. 

E ainda mais patético quando o cornudo aparece em público a defender o traidor. Cabala, cabala -- dizem às vezes os cornudos, as catarininhas. Pois, pois. 

Pode ser um amor a três, um par às claras, outro às escondidas, uma coisa na base do homem-mulher-homem ou mulher-homem-mulher. O banal. Pode ser mais infrequente: homem-homem-homem ou mulher-mulher-mulher. Aí, já a coisa, quando observada de fora, pode ter um certo picante, e a malta diverte-se com as coisas picantes.

Mas a ménage a trois também pode ser capitalismo-especulação-esquerdismo e aí a coisa já soa a infantilidade, a burrice, a tendência para o populismo. 

Ou pode ser apenas a segunda derivada da intersecção entre amores impossíveis e realidade virtual.

E, calma, isto que acabam de ler são apenas palavras. Words. Paroles. Palabras. 话. λέξεις. слова. 言葉. vortoj.
[Não são indirectas ao Bloco de Esquerda nem ao Bloco do Robles nem aos Beatos da Especulação nem aos BE's em geral nem a nada disso -- que isso, a bem da verdade, pouco é mais do que uma simples ficção].

Tal como nos dois posts abaixo, esta ilustração também é de Stephan Schmitz

terça-feira, maio 08, 2018

Fernanda Câncio e a tragédia de Sócrates:
ou quando uma mulher usa a sua condição de jornalista para ajustar contas com o ex-namorado


Faz dois anos escrevi aqui sobre os escritos de Fernanda Câncio sobre Sócrates. Dizia, então, que sentia alguma (genuína) pena dela e aconselhava-a a seguir em frente, não ficando enredada nas memórias e nas justificações face ao que sabia ou deixava de saber sobre o ex-namorado.

É certo que Sócrates congrega ódios e paixões pelo que não me custa a imaginar que uma mulher como Fernanda Câncio, toda ela igualmente temperamental, depois da rotura amorosa, possa ter passado da paixão ao ódio. Mas, lembrava-a eu, nessa altura, há sempre mais vida para além da morte de um relacionamento e que o melhor é seguir com a bola para a frente. Ressentimentos e desejos de vingança nunca foram bons conselheiros.

Ainda há dias voltei a ouvir a divulgação pública de telefonemas seus para Sócrates e imagino como se sente ridícula e arrependida daquelas conversas. Todas as brincadeiras, meiguices ou malandrices são permitidas na intimidade de uma conversa a dois mas, quando expostas fora de contexto, facilmente podem ser apenas patéticas. Eu sentir-me-ia humilhada se fossem minhas aquelas palavras.

Mais: tendo namorado com aquele homem poderoso, carismático e de raciocínio ágil, imagino como se sentiu ela ao descobrir que, afinal, pouco sabia daquele homem. Mais ainda: como mulher, imagine-se a perplexidade ao saber como Sócrates não apenas já estava de namorada nova como também ajudava financeiramente outras mulheres. Facilmente uma mulher que se sente enganada se sente furiosa e com vontade de se vingar. Imagine-se, então, uma mulher como Fernanda -- do que lhe tenho visto, facilmente se transformará numa irascível gata em telhado de zinco quente  pelo que dela tudo se poderá esperar.

Imagino-me, eu, no seu lugar. Imagine-se se, ao ligar a televisão, ouvia a minha voz dengosa falando com ele, querendo convencê-lo a comprar uma casa caríssima, ou ouvia alguém a relembrar as minhas férias com ele, referindo que frequentávamos belíssimos restaurantes, e eu, tonta ingénua, na altura, convencida de que ele nadava em dinheiro. Imagino quão ridícula e parva me sentiria agora, ouvindo isso. Eu a querer uma casa cara e ele a chamar-me à razão, eu, ivozinha infantilóide, a dizer 'buraco és tu...'. Ah, quanta raiva. Como teria podido ser tão burra, tão inconsciente a ponto de não ter percebido nada....? Como? E a ouvir a cumplicidade dele para com a mãe dos filhos.... Ah, quantos ciúmes.

Imagino a mágoa, a incredulidade, a vontade de lhe atirar à cara mil impropérios. 
Então, afinal, não eras rico? Então vivias às custas de um amigo...? Mas onde, à superfície da terra, alguém nos dias de hoje vive às costas de alguém...? Filho da mãe que não confiaste em mim, que não me contaste nada! Um pelintra sem ter onde cair morto e, veja-se bem, armado em bom,  a dispensar pagamentos, como se tudo aquilo fosse dinheiro da mãe ou de empréstimos. Falso, falso! E, se foste falso a esse ponto, quem garante que não foste corrupto e que tudo em ti não é um logro? Alguma vez me amaste? Alguma vez me falaste verdade? Como foste capaz? Como deixaste que eu me expusesse, defendendo-te, quando não passas de um vulgar mentiroso? Odeio-te, odeio-te, odeio-te agora e na hora da tua morte. Safado, sacana, filho da mãe! E eu que gostei tanto de ti... Como pudeste fazer-me isto, Zé...?
E Fernanda, sentindo pena de si própria, as lágrimas escorrendo-lhe no rosto, sentindo a raiva a crescer-lhe dos dentes, varada de ódio e ciúme, não podendo deitar as unhas de fora e arranhá-lo de alto a baixo, atira-se ao computador e, com a força das suas palavras, mentalmente chamando-lhe bandido, aldrabão, sacana da pior espécie, e jurando a pés juntos que nunca mais na vida lhe dirige a palavra e que, se se cruzar com ele, virará a cara e fingirá que não o conhece, vai escrevendo:
(...) Urdiu uma teia de enganos. Mentiu, mentiu e tornou a mentir.
Mentiu ao país, ao seu partido, aos correligionários, aos camaradas, aos amigos. E mentiu tanto e tão bem que conseguiu que muita gente séria não só acreditasse nele como o defendesse, em privado e em público, como alguém que consideravam perseguido e alvo de campanhas de notícias falsas, boatos e assassinato de caráter (que, de resto, para ajudar a mentira a ser segura e atingir profundidade, existiram mesmo). (...)
Chocante, porém não surpreendente. De alguém com uma tal ausência de noção do bem e do mal, que instrumentalizou os melhores sentimentos dos seus próximos e dos seus camaradas e fez da mentira forma de vida não se pode esperar vergonha. Novidade e surpresa seria pedir desculpa; reconhecer o mal que fez. Mas a tragédia dele, que fez nossa, é que é de todo incapaz de se ver.
Fernanda é, ao escrever estas palavras, não uma isenta jornalista, mas uma mulher ferida. Uma mulher que usa o púlpito do Diário de Notícias para ferir José Sócrates tanto quanto ele a feriu a ela. 

E eu, no fundo, tenho pena dela e dele. Estão unidos pela mesma tragédia.


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Cecilia Bartoli interpreta "Sposa son disprezzata" de Vivaldi
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domingo, fevereiro 25, 2018

O correcto e o justo


Dois juízes encontram-se no estacionamento de um motel e, constrangidos, reparam que cada um está com a mulher do outro. 

Após alguns instantes de silêncio, mas mantendo a compostura própria dos magistrados, em tom solene e respeitoso, um diz ao outro:
Nobre colega, não obstante este fortuito imprevisível, sugiro que desconsideremos o ocorrido, crendo eu que o correcto seria que a minha mulher venha comigo, no meu carro, e a sua mulher volte com Vossa Excelência, no seu.
Ao que o outro respondeu:
Concordo plenamente, nobre colega, que isso seria o correcto, sim. No entanto não seria justo, levando-se em consideração que vocês estão saindo e nós estamos entrando.
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A  propósito do juíz que consome ramalho eanes, Leitora que muito prezo e, não por acaso, ilustre jurista, enviou-me o supra relato de que eu, em tempos, já aqui tinha dado a devida nota. Contudo, dado que juízes, respectivas mulheres e ex-mulheres andam mediáticos de fazer inveja a muito socialite, vai de novo que nunca é demais a gente perceber a importância do sentido de justiça e das palavras a tal associadas segundo o douto conceito dos digníssimos magistrados.

Gracias, JV. Valeu!

quinta-feira, janeiro 25, 2018

A vingança de Melania


Quando o mundo, ao fim do 1º ano de estupidez pegada -- uma estupidez extremada antes impensável -- se interrogava sobre o fenómeno Trump e por que raio de carga de água um palhaço daqueles ainda consegue aguentar-se como Presidente dos USA, eis que a sinuosa Primeira Dama publica um intrigante post no Twitter. Diz a FLOTUS que foi um ano cheio de bons encontros, que viveu momentos maravilhosos e, para o ilustrar, em vez de se mostrar ao lado do marido, mostra-se de braço dado com um homem mistério que ninguém consegue identificar. 


Os comentários não se fizeram esperar: que teve bom gosto, que o cavalheiro é bem mais giro que o marido, etc. Dela nada, nenhuma explicação. Na verdade, um silêncio que fala tanto quanto a escolha da fotografia e das palavras que escolheu para comemorar um ano de Trump na presidência. 

Imagino, nela, apenas um mal disfarçado sorriso rancoroso -- porque para uma qualquer mulher é quase impossível que, ao fim de anos de trumpices e traumpalhadas, não sinta por um tamanho estupor um certo rancor.

Entretanto, supostamente por razões de agenda, não foi a Davos. Coincidência ou talvez não, soube-se  recentemente que Trump terá pago uma boa quantia a Stormy Daniels, uma actriz porno com quem terá tido uma relação um ano depois de se ter casado com Melania. Um adultério que estava bem escondidinho e que agora saltou para a ribalta.


Donald e Stormy

Depois da notícia ser pública, Melania já faltou a dois jantares oficiais promovidos pelo marido e meio mundo espera as cenas do próximo capítulo.

Portanto, pode ser que a songamonga da Melania ainda venha a surpreender-nos. Eu gostava. Tinha graça.

Depois de todas as broncas (o discurso absurdamente plagiado a partir do discurso de Michelle Obama, por exemplo) e depois de todos os destratos a que sistematicamente é sujeita pelo troglodita do Trump, havia de ter graça que, por vingança, fosse justamente ela, gozando com o Donald à cara podre, que começasse a cavar o chão debaixo dele, dando início ao fim do perigoso POTUS.

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E queiram, por favor, descer para ver se sabem responder à adivinha do post seguinte.

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domingo, fevereiro 05, 2017

Quadrangle
Memórias de amores clandestinos. Ou era apenas sexo e desfastio?
Ou um vendaval, uma estranha força?


Podia ter escrito quadrado. Quadrado amoroso. Mas quadrado é sinónimo de espírito convencional, de caixa fechada. Aqui é mais a extensão do triângulo, acrescentando-lhe o quarto vértice.

Não tenho experiência mas acho que deve ser uma coisa boa. Se toda a gente estiver para ir virada, todos com uma mente aberta, ausência de ciúmes e, provavelmente, se tiver antes inalado algum desinibidor, acredito que seja uma experiência agradável.

Mas não sou de inalar, pelo que.

De qualquer forma, talvez porque as premissas que referi não tivessem estado presentes, no caso que abaixo verão, o quadrado não se aguentou.

Seja como for, não falo mais do que não sei e passo directamente ao filme. Espero que se entendam com a língua deles (enfim, neste contexto, isto soa até dúbio).


QuadrangleUma curta de Amy Grappell




A documentary about two 'conventional' couples that swapped partners and lived in a group marriage in the early 70s, hoping to pioneer an alternative to divorce and pave the way for how people would live in the future.


terça-feira, novembro 08, 2016

Nem Web Summit nem Trump nem Hillary
O Um Jeito Manso não é mainstream nem social mainstream.
A cena aqui hoje é outra: Second love
Uma aventurinha simples, um flirtezinho gostoso, um romancinho à toa, uma fantasia sexual com nada de mal?
Um chameguinho bom de tão clandestino? Uma dentadinha no fruto proibido...?


- Cuidado! Muito cuidado! Comprove primeiro que a sua cara-metade não é um pinguim.


Nem vou agora entrar em detalhes. Nem interessa se é alguém do trabalho, do café, amigo da prima, casado com a vizinha, leitor dilecto do blog, amigo do facebook, mãe do colega do filho, dono do cão do prédio ao lado, ou se alguém que se encontrou no Second Love, esse curioso site que se anuncia como um site de relacionamentos para homens e mulheres, à procura de um caso, algo extra ou uma aventura.

[Deixem-me os cépticos incluir uma nota breve para atestar as vantagens de aderir a um site destes. Com vossa licença, vou transcrever as referências de alguns clientes. 
     
          Diz a Ana de 43 anos e que é de Coimbra: 
Para ser honesta o meu casamento após 14 anos, esmoreceu. Depois do Second Love o meu casamento teve uma segunda oportunidade.
            Ou a Mariana que tem 32 e é de Lisboa: 
Totalmente incrível, muito obrigada! Fiz uma série de contatos agradáveis ​​e ainda há alguns em seguimento! hahaha .... Fantástico! saudações ! 
ps. segui a recomendação de um amigo ao inscrever-me.]

Mas que seja um segundo amor ou um terceiro ou o que for -- tanto faz. O que importa é, antes de passar aos factos, ter alguns cuidados.

Poderia enunciar uns quantos. Mas penso que já toda a gente os sabe. O que alguns talvez não saibam é que é altamente recomendável confirmar que o seu consorte não é um pinguim. 

É que, meus Caros, um pinguim com ciúmes vira uma fera. Não se aguenta.

Veja-se o caso deste que abaixo vos mostro e que, ao regressar a casa, encontrou a mulher com outro. O espectáculo que ele dá, senhores. Que incivilizado, credo. Em vez de se juntar à festa ou, vá, de sair de fininho para não incomodar o romance, não se senhor. 

Armado em animal das cavernas, arma um cagarim que só visto. Ó animalzinho mais destituído de inteligência emocional. Puxa vida, pouca sorte a da pinguina que se vê com um chato destes à perna.

A falta de feeling para o erotismo do sujeitinho deu numa guerra feia: tareia, sangue e, no fim, uma humilhação escusada. Mas, enfim, cada um sabe de si.

O que vos digo é que é ver para crer. 

Male penguin viciously attacking a love rival after returning home - bloody fight between a penguin's


Watch 'Homewrecker' Penguin Defend His New Abode


National Geographic Penguin Fight. "You was my baby!"



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Quanto às eleições nos Estados Unidos, só desejo que Trump tenha uma derrota humilhante. Mas, palhaço e ordinário como é, não vai estar nem aí. E, de resto, Trumps há muitos. Não é só este animal, o Donald, que tem que ser derrotado: são todos os Trumps desta vida, todos os palermas encartados que, perante as pulhices daquela cavalgadura, ainda se dão ao desplante de atacar Hillary Clinton.

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E, quanto ao Web Summit, só espero é que haja muito negócio a bombar, muita start up a florescer, muita coisa boa a correr, meninos e meninas a saltar, noitadas para não esquecer -- e tudo isso. Tudo de bom e peace and love for all. É o que eu desejo.

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E, ainda no reino do insólito, queiram descer para me dizerem se devo ou não recorrer a um especialista em photoshop.

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quarta-feira, outubro 19, 2016

Cartas para Anne
- 1218 cartas de um grande amor (clandestino)
François Mitterrand, o louco amante de Anne Pingeot


Chegarão cá e eu, que gosto tanto de cartas, lê-las-ei.

Para já, vou sabendo que a escrita culta, de sumptuosa gramática, transbordante de paixão e toda ela revelando cumplicidade e amor, mostram um François Miterrant completamente enamorado por uma outra mulher. A outra. Não Danielle, a sorridente legítima, mas a outra, a que todos desconheciam. Depois a que todos fingiam desconhecer. Anne Pingeot.




Na inauguração do Musée d'Orsay,
Anne é a cicerone vestida de branco,
com uma flor branca no cabelo e capa vermelha,
que acompanha a visita à área de escultura
com Miterrand e outros

Casado com Danielle, François, então com 47 anos, caíu de amores por uma jovem de 20. Era bela, culta, filha de uma família conservadora, gostava de arte. Ele o seu tutor, ansioso por ensiná-la. Ela a jovem cativa.

O amor durou até François morrer e encontra-se expresso nas imensas cartas que escreveu a Anne, sua namorada, sua amante clandestina. 


Formada em História de Arte, foi à escultura que Anne, a mulher-sombra, se dedicou, trabalhando no  Louvre e no Musée d'Orsay.


Vimo-la com um véu, tristíssima, no dia em que o mundo a conheceu, no dia em que o seu amor foi a enterrar. Era ela, a mulher que trouxe preso o coração de um dos homens mais importantes da Europa recente, a mãe de uma filha nascida fora do casamento oficial de François. Vimo-la, então, consolando a filha de ambos, a menina de seu pai, a jovem Mazarine. Muito perto, aceitando a situação, Danielle, a legítima com os filhos.

Então como depois, as fotografias mostram que Anne é uma mulher bela, uma estatura elegante, uma beleza serena e distinta. 

Discreta durante a vida do seu amor e discreta depois do seu amor se ir, Anne não deu entrevistas, não procurou o perdão da sociedade mais conservadora que tanto censurou o adultério de Miterrand, não procurou a luz da ribalta.

Até que agora cedeu ao pedido e mostrou que, aos olhos do seu enamorado, ela não era sombria mas luminosa. Anne aceitou agora revelar a imensa paixão que François nutriu por ela ao longo de tantos anos. Não sabe se fez bem ou mal ao fazê-lo. Esperou que Danielle também se fosse, não quis dar-lhe mais esse desgosto. Esperou. 

E, lendo excertos de algumas cartas das cartas de amor de Miterrand, enterneço-me.

No amor, no amor grande, todas as pessoas são iguais.
Frágeis, carentes, inseguras, ternas, exageradas, infantis, generosas, delicadas, arrebatadas -- assim são sempre as pessoas que muito se querem, que desenham caminhos de luz que só elas vêem, que se aproximam em pensamento mesmo quando os corpos estão longe, que se sentem docemente dependentes uma do outra, que anseiam por uma palavra, por um gesto, que vivem para o momento em que, de uma qualquer maneira, conseguem sentir-se próximas.
Transcrevo excertos de cartas que obtive na Elle francesa e no Le Figaro e, porque não saberia traduzir mantendo a intensa toada das palavras de amor tal como foram pensadas, peço-vos desculpa mas deixo-as em francês:

« Vous êtes pour moi la vie, la mort, le sang, l'esprit, l'amitié, la paix, l'espoir, la joie, la peine. Tout cela cogne, fait mal, ou bien émerveille et purifie »

« J'aime mes mains qui ont caressé ton corps, j'aime mes lèvres qui ont bu en toi, j'aime le goût de ton être mêlé de soleil et de lumière, avant de m'endormir j'ai évité de frotter la journée de mon corps à grande eau comme je fais toujours pour garder ta trace, ton parfum, ta présence vivante sur lui. » 

Ela, a quem ele chama Anne Chantilly, Nannon, Nannour ou Animour, retribui:

« Que j'aime ces merveilles que tu n'écris que pour moi ! » 

« J'aime toutes tes folies, toutes celles qui arrachent d'un gluant quotidien. Avec toi, on ne se laisserait pas faire par ce qu'on ose appeler 'la vie'. Ô mon créateur de joie, je vous aime. » 

Nas últimas cartas, dirigidas a Anne em 1995, um anos antes de morrer, François escreve: « Mon bonheur est de penser à toi et de t'aimer. Tu m'as toujours apporté plus. Tu as été ma chance de vie. Comment ne pas t'aimer davantage ? »

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Mas são muitas as cartas, muitos os excertos que a imprensa já divulgou:

O olhar cúmplice do amante secreto

«J'ai, moi, dépassé le point du non-retour.»

(…) Mais je veux que tu saches aussi ceci: j'ai, moi, dépassé le point du non-retour. Merci ô mon Anne d'être celle par qui j'atteins le sommet de ma course: jamais plus je ne reviendrai en arrière. Je suis à toi, comme hier, aussi intensément mais par mon âme et non mon corps quand je t'écris ceci: depuis toi je ne puis qu'aller et regarder devant moi.

(Nevers, samedi 25 juillet 1964)


«Je t'aime.»

Anne, mon amour,

Voilà, c'est fait, après de longues méditations, de longues hésitations et maintenant la certitude d'une lourde charge: j'ai fait connaître ce soir, à 6 heures, à l'issue de la conférence de presse du général de Gaulle, que j'étais candidat à la présidence de la République. Les moments d'hier soir et de ce matin ont été intenses, parfois dramatiques. Defferre, Maurice Faure, Mollet, beaucoup d'autres… le Parti socialiste a fait bloc pour me demander de mener ce combat… Bref j'en suis là. (…)

Sais-tu que je pense à toi et que c'est merveilleusement utile qu'il y ait l'amour Anne-François? Je t'adore Anne et je porte en moi la hâte de tes bras, de tes lèvres, de ta tendresse, de ta paix. Anne, mon Anne, à demain.

Je t'aime.


(Jeudi 9 septembre 1965, 17h30)

«Ô mon amour de vie profonde»

C'est une vague de fond, mon amour, elle nous emporte, elle nous sépare, je crie, je crie, tu m'entends au travers du fracas, tu m'aimes, je suis désespérément à toi, mais déjà tu ne me vois plus, je ne sais plus où tu es, tout le malheur du monde est en moi, il faudrait mourir mais la mer fait de nous ce qu'elle veut. Oui, je suis désespéré. Le temps de reprendre souffle et pied? Ô mon amour de vie profonde j'ai pu mesurer un certain ordre des souffrances. Ce sera peut-être le seul mot tranquille de cette lettre: je t'aimerai jusqu'à la fin de moi, et si tu as raison de croire en Dieu, jusqu'à la fin des temps. (…)

(3 juillet 1970)

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A quem se aventure pela língua francesa, recomendo:


ou


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quinta-feira, agosto 11, 2016

António Horta-Osório, o banqueiro perfeito, Ana, a amada mulher, e Wendy Piatt (ex-conselheira de Tony Blair), o suposto love affair
-- ou quando o gestor-modelo e marido-perfeito é apanhado com a boca na botija, despertando a fúria da City.
Por uma vez: LOL



Mas, então, vocês olhem lá: alguma vez eu sou ou fui puritana?! Pois com certeza que não. Quero cá eu saber da vida de cada um. Mas é que nem pouco mais ou menos. Nunca.
Num prédio grande como aquele que morei quando me casei, o entra e sai dos apartamentos impedia que alguém tentasse sequer meter-se na vida de quem quer que fosse. Ao meu lado morava um fulano que, durante anos, me fartei de ver na televisão. Ocupava um cargo importante. A mulher era uma querida, daquelas na base do peace and love. Usava saias compridas, calçava sandálias, volta e meia fazia tranças. Tinham umas gémeas amorosas. Quando ela não estava, nem as miúdas, volta e meia chegava ele com uma namorada. Passado um bocado ouvia-se o piano. Tinham um piano grande, branco. Ele tocava lindamente mas só tocava para as namoradas. Acontecia eu ir no elevador com ele e a namorada, eu ir para a minha porta, ele para a porta ao lado. Não se torcia nem se amolgava, cumprimentavamo-nos com a naturalidade habitual. Outras vezes íamos no elevador: eu, ele, as miúdas. Um casal feliz. E quem diz este caso, diz sei lá eu quantos mais.
E numa empresa grande? Tudo é normal. Uma colega minha dizia-me no outro dia a propósito de uma outra de lá: marcha tudo, novos, velhos, casados, doutores, motoristas e até miúdos estagiários. Ela dizia isso com naturalidade, apenas constatando, e eu ouvi-a também com naturalidade. Um outro, fisicamente nada de especial, já lá teve não sei quantas namoradas. Era casado, descasou-se, foi viver com uma colega, pelo meio, não sei como, engravidou outra vez a ex-mulher, deixou a colega, voltou para a ex-mulher, começou a namorar com outra colega, deixou outra vez a ex-mulher e agora já vive com uma outra também colega. Um espanto. Mas, sinceramente, nada a dizer. Cada um sabe de si.
Na política ou no futebol ou na televisão a mesma coisa: se este é gay e vive com aquele, se o outro vive com a cunhada do não-sei-quantos, se a deputada namora com aquela muito conhecida ou se não sei quem gosta de ir às saunas não sei onde -- o que é que eu tenho a ver com isso? Nada. Zero. Bola.
António Horta-Osório ,
o devoto marido de Ana

Mas já me faz uma certa erisipela que um daqueles maravilhosos executivos 
-- daqueles que são ouvidos pela deslumbrada imprensa portuguesa como se fossem uns deuses, que ganham impudicos milhões e mais outros tantos de bónus, que gostam de vir, de vez em quando, oferecer umas postas de pescada à lusa plebe, pronunciando-se a desfavor da subida do salário mínimo ou de outras benesses aos pobrezinhos que podem desconjuntar a economia -- 
quando lhe permitem que fale de si, arranje maneira de louvar o apoio fantástico que recebe da devota mulher, e de caminho a trate pelo nome próprio, como se todo o país devesse também estar agradecido à Ana pelo apoio que lhe permite a ele ser tão bom, tão lá em cima, tão nos píncaros da beautiful people do mundo do dinheiro.

Executivozinhos, perfeitinhos, muito bons alunozinhos da Católica, depois daí para o Insead e tão bons, tão bons, daí para a Goldman Sachs -- toda a escola da sacanagem, portanto -- todos muito focadinhos, todos eles goals e achievments, e todos muito trabalhadorezinhos, a vida dedicada ao trabalho, e a família sempre na rectaguarda e a esposazinha sempre sorridente e bem vestida, sempre presente, sempre a apoiar. E daí para o Lloyds, o nosso orgulho, o nosso homem na City, o nosso banqueiro estofado em tweeds britânicos, a sobrancelha vaidosa e o sorriso de muitos milhões e agradecido à Ana e os jornalistas a emoldurarem o sorriso e a pose --- e eu agoniada.
? Fazer o quê se eu com gente destas é que eu não vou mesmo à bola?
Horta-Osório e Wendy Piatt
E eis que agora, o maridinho exemplar, saltou para as páginas dos jornais e não foi por ser o melhor banqueiro de todos os tempos. Agora o special one Horta-Osório virou o adúltero e aproveitador, e os ingleses a espetarem-lhe na cara o código de conduta, e a mostrarem ao mundo o namoradinho a tirar fotografias à namoradinha e que ela foi vista a entrar e sair do quarto dele e que andaram a passear a fazer turismo durante uma viagem de trabalho e que andou a usar dinheiro do Lloyds para andar de lua de mel com a namoradinha e que se vá mas é embora que na City é tudo gente da mais elevada moral e respeito pelos bons costumes, não querem cá destas confusões.

Toma e embrulha, ó Tony.


António Horta-Osório tira uma fotografia a Wendy

O jornal britânico, The Sun diz que o banqueiro português está a ser pressionado para deixar a liderança executiva do Lloyds Bank depois de, alegadamente, ter utilizado dinheiro da instituição para usufruir de tempo de lazer com Wendy Piatt, antiga conselheira de Tony Blair com a qual, segundo a mesma publicação, mantém um envolvimento fora do casamento.


O The Sun dá conta de encontros num hotel em que Horta Osório estava instalado numa viagem de trabalho à Ásia paga pelo banco. Encontros que põem a reputação do banqueiro em causa, depois do mesmo jornal noticiar vários jantares que se sucederam ao dito encontro no quarto do luxuoso hotel Mandarin Oriental em Singapura. Um local que também era palco de uma conferência sobre banca em que Horta Osório era orador.


Tony e Wendy, o in love casalinho curtindo o passeio

O jornal britânico diz ainda que teve acesso à conta do hotel do banqueiro, que ganhou cerca de 12,8 milhões de euros em 2014. Uma conta de quase 4.000 libras (4.687 euros) que incluiu tratamentos no luxuoso spa do hotel.

O Lloyds já reagiu oficialmente. O banco garante que não houve "nenhuma violação" da política de gastos da instituição e que o caso é uma "questão pessoal” do presidente executivo.

No Daily Mail também pode ler-se:

The £8.5million smoothie loves to play the family man: Lloyds boss accused of 'affair' took eight weeks off work to spend time with his wife and children

  • Lloyds boss Antonio Horta-Osorio met Dr Wendy Piatt at a London club
  • Married banker, 52, is accused of having a long-running affair with her
    Têm as duas longos cabelos louros mas esta é a Ana,
    a esposa que tanto tem apoiado o extraordinaire Horta-Osório

  • He took 8 weeks off work for 'exhaustion' and to spend time with family 


E eu, que não sei da vida privada de cada um, não posso deixar de achar graça que, depois de ter andado a dar uma de maridinho-lindo, Ana para aqui, Ana para acolá, o vaidosão do António ande agora escarrapachado nas páginas dos jornais e seja objecto de gozo mostrando-o ora com a esposa dedicada Ana ora com a namorada Wendy.

Na volta, com aquele ar de betinho que não parte um pratinho, o que ele é é um zezé camarinha.

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O fantástico triângulo: António Horta-Osório, Ana e Wendy. 

Já o estou a ver com as duas, sobrolho alçado, dentinho malandro, corrente de ouro branco com crucixo sobre o peito peludo, a oferecer-se todo às duas: 'I'm your man', faço o que as meninas quiserem. 


[Agora é que era boa altura para o homem dos negócios do Expresso, o diligente João Vieira Pereira,  o ir entrevistar outra vez. Vá lá....] 



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E queiram descer, por favor, porque agora a seguir é que há temas que valem a pena, nomeadamente onde se fala do homem branco daquela fotografia.

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