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terça-feira, maio 20, 2014

Alguns dos meus últimos livros [Das vidas instáveis ao desenhar nuvens, talvez coisa da cegueira dos pintores. Ou Portugal, nação rebelde em queda com a Europa, esse projecto cheio de ironia. E outros amores e coisas de mulheres e, ainda, lições da vida - de tudo um pouco]


No post a seguir a este, podemos ver o verdadeiro casal-maravilha, Cristiano Ronaldo e a namorada Irina, posando para a revista Vogue Espanha sob a especialíssima lente de Mario Testino. Sedução e beleza, intimidade e ousadia. O vídeo com o making of mostra a sessão, as sombras, as luzes. Junto ainda um vídeo com as proezas futebolísticas do Imperador Ronaldo (conforme me foi enviado por um Leitor a quem agradeço).

Mais abaixo ainda mostro um vídeo com um menino prodigioso. Não sei o seu nome, mas o que é um nome perante a grandeza da pessoa? Vale a pena ver.

Aqui, agora, a conversa é outra. Livros. Uma vez mais, livros.







Alguns dos meus Leitores escrevem-me e contam-me as suas vidas difíceis. Mas não precisariam de o fazer para que eu saiba bem o que é a vida difícil de quem vive contando os euros e tendo que abdicar de pequenos prazeres para que o dinheiro chegue para as necessidades. Sei bem disso, sinto-me solidária e, na minha vida pessoal, profissional e social, luto contra as políticas cegas que ignoram as pessoas. Luto contra as políticas que causam recessão porque a solução para o que quer que seja nunca pode nascer da desgraça de parte da população. Luto a favor de uma política de desenvolvimento porque sei que é daí que nasce o crescimento da economia e o florescimento de condições de vida melhores para todos, em especial para os sectores mais desfavorecidos. Luto na medida do que posso e sei. 

O meu conhecimento e a minha experiência profissional têm-me mostrado ao longo de anos que uma empresa vinga se apostar no crescimento (vendendo mais, produzindo mais, dando mais formação às pessoas, zelando por melhores condições de trabalho, procurando ter produtos e serviços melhores) e não apenas no corte de custos (já que, por essa via, apenas se conseguirá atrofiar a empresa, conduzindo-a à morte). É assim nas empresas, é assim na sociedade. O mundo avança no sentido da expansão e não do declínio. Todas as políticas que contrariem esta tendência são contra-natura, malévolas.

Mas eu quando luto, não luto por mim porque, já aqui o confessei tantas vezes, eu não me posso queixar. Bem mais de metade do que ganho é-me sonegado à partida. Sendo trabalhadora por conta de outrem, quando recebo o meu ordenado, tento nem olhar para o recibo para não ficar estarrecida. Grande parte vai-se sem que eu lhe ponha os olhos em cima. Acresce, claro, o IMI, o IVA e todos os outros impostos. Trabalho para mim talvez uns quatro meses por ano, nem sei. O resto é-me levado pelo Estado. E tudo estaria bem se fosse para ser bem usado e não para pagar a financeiros agiotas.

Mas, ainda assim, sou uma privilegiada.

Aqui tento ser cuidadosa quando falo de mim, tento ser sempre parcimoniosa na descrição dos meus hábitos de vida para não incomodar os que me lêem e que fazem uma tremenda ginástica com o pouco que ganham.

No entanto, não vou ser mentirosa ou hipócrita. O que ganho permite-me, ainda assim, viver bem e manter algumas extravagâncias. E a maior delas, já todos aqui o sabem, são os livros. Viciada, viciada em livros. Vejo a conta e penso: estou a gastar em livros que talvez nem chegue a ler o que algumas pessoas tanto precisam para viver. Penso isto com pesar. Mas são pensamentos inconsequentes. A vida é o que é e há mesmo diferenças e o importante é que os que têm mais sintam que serão mais felizes se os outros também puderem vir a tê-lo em vez de centrarem a sua vida em terem mais e mais, esquecendo os outros.

Vem isto a propósito dos meus últimos livros. Fotografei-os para vos mostrar mas depois pus-me a pensar: querem lá as pessoas saber dos meus livros? Aqueles que andam às voltas a ver se os cem euros que têm até ao fim do mês lhes chegam, até devem ficar chocados com a facilidade com que eu gasto cem euros em livros.

Por isso, estou a escrever isto e ainda sem saber se vou levar este post até ao fim ou se, como às vezes faço, desisto, apago e escrevo sobre outra coisa qualquer.

A favor de falar de livros tenho o argumento de que, quem não tem possibilidade de ter, nem por isso deixará de gostar de saber ou de ver. Eu não posso viver num palácio veneziano e, no entanto, adoro ver fotografias deles. Ou coisas assim. Ou não tenho onde ir aperaltada com belos vestidos Armani e, no entanto, o que eu gosto de ver esses vestidos. Não sinto qualquer inveja do que vejo, sinto apenas curiosidade. E gosto de ver.

Bem, isto vai longo e eu, quando comecei vinha era com ideia de falar de um dos livros em particular e, com estes meus pruridos todos, já é tão tarde que estou a ver que já não vou conseguir.

Vou mostrar. Já me decidi.

Não sei se alguns já tinha mostrado antes. Creio que não, mas não ponho as mãos no fogo.



Vidas instáveis - António Mega Ferreira com pinturas de João Queiroz da Editora Abysmo
Da cegueira dos pintores - Júlio Pomar, edição do Atelier Museu Júlio Pomar e Câmara de Lisboa
* De Mulher para Mulher - Mónica Campos da Editorial Estampa
* A mulher certa - Sándor Márai da D. Quixote
* O Amor Louco - André Breton da Editorial Estampa
* À mesa do amor - Joaquim Pessoa da Litexa Editora
* Morte no Verão - Yukio Mishima da Editorial Estampa


Os livros marcados com * foram comprados em saldo, a 5 euros cada



Portugal na queda da Europa - Viriato Soromenho Marques da Editora Temas e Debates
A ironia do projecto europeu - Rui Tavares da Editora Tinta da China
Portugal, A economia de uma Nação rebelde - José Manuel Félix Ribeiro da Editora Guerra e Paz
Jorge Coelho, o Todo-Poderoso - Fernando Esteves da Editora Esfera dos Livros
Às terças com Morrie - Mitch Albom da Editora Sinais de Fogo
Desenhar Nuvens - José Manuel Castanheira da editora Caleidoscópio com o apoio da Câmara de Almada



Destes, há livros que são uma beleza só ao toque como o último, Desenhar Nuvens. Que livro maravilhoso! Tirei algumas fotografias também ao interior porque é uma preciosidade mas não mostro já porque quero saboreá-lo com tempo e depois logo vos conto e mostro. E há um, de que ouvi falar faz tempo ao querido Leitor dbo e que só hoje descobri, o Às terças com Morrie, de que até já tinha aqui o post idealizado na minha cabeça. E há outros que folheei e que me parecem apelativos. E há as palavras de Júlio Pomar e eu adoro ler conversas ou ideias de pintores. Estava a pensar transcrever aqui um bocadinho mas alonguei-me tanto com as minhas hesitações que agora daria para muito tarde. Fica para outro dia. E o do Viriato que deve ser muito bom porque dali nunca nada desilude mas que o meu marido já daqui mo surripiou e já o começou a ler. Depois a ver se vos consigo falar dele. (Peço ao meu marido para fazer um resumo...)

E, com isto, fico com a sensação que mais valia ter estado calada e falar logo dos livros em si em vez de me pôr sem saber se havia de falar ou não. Agora tenho que me ir deitar e vocês devem ficar a achar que sou mas é maluca e que as minhas hesitações não interessam para nada, o que interessava mesmo era o que estava dentro dos livros e de que nem falei.

Ai.

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A música é Possibility por Lyke Li

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Relembro: Cenas escaldantes entre o Cristiano e a menina Irina e cenas de bradar aos céus da autoria do Imperador CR7 são já a seguir. E um puto que dança que dá gosto é ainda um bocado mais abaixo.

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E eu, por agora, por aqui me fico. Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa terça feira.


domingo, março 23, 2014

'Silêncio que se vai pagar a dívida. Chiu...', escreve Pedro Santos Guerreiro. 'Um Estado Imoral', diz Maria Filomena Mónica. 'Portugal desceu de divisão', explica José Félix Ribeiro. [Apesar de algumas nulidades que lá escrevem, o Expresso ainda nos dá a ler coisas interessantes]


Os temas que aqui vos trago não serão do mais sexy que há, eu sei. Um domingo à noite pede mais do que dívidas imensas, impossíveis de pagar durante o tempo que dura uma vida, pede mais do que falar de um Estado imoral ou de um País que desceu de divisão e que não se respeita.

Mas, para que aqui fiquem registados alguns gritos de alma, faço questão de deles me fazer eco. São textos acutilantes, sérios, preocupados com a realidade que nos cerca. Lê-los ajuda-nos a perceber o que se passa e é uma forma de sentirmos que ainda há quem conserve a faculdade de ver as coisas com limpidez e o dever de cidadania de as divulgar.

No entanto, acredito que a alguns de vós apeteça mais um acorde, um cesto de cores, um perfume no ar. Por isso, para tentar que não se afastem já do texto, introduzo aqui o Martial Solal Trio, uma beleza.

E, vejam só, para tentar oferecer-vos a tal cor e, também, para enfeitar o texto (e desculpem-me a piroseira da palavra 'enfeitar' mas acho que as palavras ganham outra força se houver junto a elas um sopro de oxigénio - é sabido que o oxigénio favorece a combustão), acompanho-as com fotografias que fiz há pouco, in heaven.

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The Last Time I Saw Paris - Body & Soul - Begin the Beguine





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Somos o sexto país do mundo com maior peso de dívida mo PIB e temos dos mais medíocres registos de crescimento económico. O problema é que nem que a UE nos perdoasse os quase 50 mil milhões de euros que nos emprestou (o resto veio do FMI) ficaríamos tranquilos. Os termos da nossa equação ainda não mudaram. Temos saldo primário dependente de cortes de salários e pensões, não de uma transformação do Estado.

Chiu?

Pois é, chiu. O chinfrim sobre a dívida pública deixa sempre de fora o endividamento privado: são 280 mil milhões de euros e, lamento dizê-lo, também não serão pagos na totalidade.

Há plano para a dívida pública mas não para a privada. Talvez o Estado se financie às taxas anteriores à crise. Mas uma PME paga 6,5% por um empréstimo, quase o dobro do que paga uma concorrente alemã. Para compensar o sobrecusto do capital (e, já agora, da energia), as empresas cortam... salários.

Chiu? Mesmo?


Excertos de 'Silêncio que se vai pagar a dívida' do lúcido e honesto Pedro Santos Guerreiro (tomara que assim se mantenha; lê-lo é um sopro de ar fresco)



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O Presidente da República acaba de aprovar o orçamento rectificativo de 2014, que inclui, entre outras coisas, novos cortes das reformas. 

E que vejo eu?

O Governo entrega dinheiros públicos a escolas privadas, o serviço nacional de saúde corre o risco de perder qualidade e os tribunais deixam prescrever processos de gente tão poderosa quanto os administradores do BPN, do BPP e do BCP. Mais: a fim de salvar as chafaricas que dirigiam, o Estado já gastou cinco mil milhões de euros com aqueles patriotas: para nós, os velhos, não há dinheiro, mas ele existe para Oliveira Costa, João Rendeiro , Jardim Gonçalves & associados.

Por natureza frugal, a reforma dava-me para viver. Pensei que se manteria igual até à minha morte. Afinal, o Estado dera-me a sua palavra de honra, não dera?

Enganava-me.

Dou um salto até Espanha, um país governado por gente com quem não tenho afinidades, mas que trata os seus cidadãos melhor do que Portugal.

A minha irmã Isabel vive ali há cinquenta anos Eis o início da carta que, a 3 de Janeiro deste ano, recebeu:

"Estimado/a Pensionista: 

Após um ano, de novo entro em contacto consigo para lhe dar informações sobre a revalorização da sua pensão durante o ano fiscal de 2014. A 1 de Janeiro, a sua pensão aumentou 0,25%. Quero ainda informar que entrou em vigor uma nova fórmula de revalorização das pensões e subsídios do sistema público da Segurança Social, que garanta que as pensões subirão todos os anos seja qual for a situação económica e que nunca serão congeladas".

Assina Fátima Báñez Garcia, Ministra del Empleo y de Seguridad Social.

No que me respeita, tudo quanto recebo são papeluchos da Caixa Geral de Aposentações, onde, em várias colunas, aparecem 'abonos' e 'descontos'.

Continuando a olhar para os números, verifiquei que metade da minha reforma reentra imediatamente nos cofres públicos e que, desde 2007, o corte fora, em termos líquidos anuais, de 30%.

Há tempos, o primeiro-ministro declarou que afinal os cortes 'provisórios' eram 'definitivos'. Alguém protestou? Não. Portugal é um país de mortos.


In 'Um estado imoral' de Maria Filomena Mónica (excertos)



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Como se enfrentam todos estes desafios com a perspectiva de ter 20 ou 30 anos de austeridade?

Acho uma loucura dizer que vamos ter 20 anos de austeridade. (...) O euro foi criado com características que não o preparavam para ser uma moeda internacional em turbulência. As pessoas pensavam que era um avião mas era um planador.

Fomos apanhados na tempestade?

Quando os mercados perceberam que era um planador, começaram a disparar para a parte mais frágil que éramos nós e os gregos. Durante um ano e meio aguentámos os tiros. Além disso, quando houve a crise de 2008 do Lehman Brothers a ordem de Bruxelas foi para fazer despesa à vontade.

Mas nós fomos longe de mais.

Com uma ordem vinda de cima. Depois, de repente, as mesmas pessoas vêm dizer para pôr tudo em ordem em três anos. Há de haver um momento para ajustar contas com a europa.

Diz que Portugal só será um país periférico se continuar centrado na Europa. Devemos mudar o foco?

A crise do euro está a mudar a Europa. A Alemanha não tem nem condições económicas para gerir o euro nem condições políticas para liderar a Europa. Faz algum sentido o primeiro-ministro português ir saber o futuro pós-troika a Berlim e não a Bruxelas?


In 'Portugal desceu de divisão', excerto da entrevista de João Silvestre e Pedro Lima a José Félix Ribeiro, economista e ex-director do Departamento de Prospetiva e Planeamento.



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Os textos em itálico são excertos de artigos publicados no Expresso de dia 22 de Março de 2013.

O Martial Solal Trio é composto por:  Martial Solal - piano; François Moutin - baixo; Louis Moutin - bateria

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