sexta-feira, abril 17, 2026

Robert F. Kennedy Jr., apenas mais um maluco na Casa Branca

 

Não há um que se aproveite. Um grupo de engraxadores, vira-casacas, descerebrados, invertebrados, oportunistas, a lamber o rabo ao mais maluco de todos, o narcisista maligno que está demente.

Mas hoje vou falar do inacreditável Robert F. Kennedy Jr., conhecido como RFK Jr., que Trump colocou na Saúde. Na Saúde!

Por facilidade, pedi ao Gemini que me fizesse uma resenha do que tem sido a vida e a obra deste peculiar personagem. Aqui vai um excerto do que me facultou.

É uma das figuras mais polarizadoras da política americana contemporânea. Membro de uma das linhagens políticas mais prestigiadas do mundo — filho do antigo Procurador-Geral Bobby Kennedy e sobrinho do Presidente John F. Kennedy — a sua trajetória é marcada por um contraste profundo entre o ativismo ambiental de elite e uma vida pessoal repleta de episódios bizarros e teorias controversas.

RFK Jr. formou-se em Direito e destacou-se durante décadas como um advogado ambientalista de sucesso, lutando contra a poluição de grandes corporações no Rio Hudson. No entanto, o seu passado tem lados sombrios:

    • Consumo de Drogas: Durante cerca de 14 anos, Kennedy lutou contra a toxicodependência, particularmente o vício em heroína, que começou após a morte traumática do seu pai e do seu tio.
    • O Episódio da Sanita: Na sua biografia e em entrevistas, RFK Jr. admitiu comportamentos de risco extremo durante os anos 70 e 80. Ele confirmou que o seu vício era tão severo que chegava a consumir cocaína diretamente do tampo de sanitas em casas de banho públicas, ilustrando o quão fundo tinha chegado antes de recuperar a sobriedade em 1983.

A vida de RFK Jr. parece, por vezes, saída de um argumento surrealista. Alguns dos detalhes mais estranhos que ele próprio confirmou incluem:

    • O Verme no Cérebro: Em 2010, Kennedy sofreu de perdas de memória e "névoa mental". Os médicos inicialmente pensaram tratar-se de um tumor, mas ele revelou mais tarde que um médico concluiu que o problema era causado por um parasita (um verme) que entrou no seu cérebro, comeu uma parte dele e morreu lá dentro.
    • O Pénis do Guaxinim: Numa história que se tornou viral, RFK Jr. descreveu como, na juventude, recolhia animais mortos na estrada para os estudar. Numa ocasião específica, ele admitiu ter cortado o osso do pénis de um guaxinim morto para o guardar, um detalhe que ele conta como prova da sua curiosidade científica excêntrica, mas que muitos vêem como uma bizarrice perturbadora.
    • O Urso no Central Park: Recentemente, confessou também ter deixado a carcaça de um urso bebé (que encontrou morto na estrada) no Central Park, em Nova Iorque, encenando um acidente de bicicleta como se fosse uma partida.
A vida pessoal de Robert F. Kennedy Jr. é frequentemente descrita como um labirinto de tragédias e escândalos que rivalizam com as suas polémicas políticas. O seu historial matrimonial e a sua vida íntima têm sido alvo de grande escrutínio, especialmente devido à revelação de diários privados e relatos de comportamentos compulsivos.


O segundo casamento de RFK Jr., com Mary Richardson Kennedy, é o capítulo mais sombrio da sua vida pessoal. Casaram-se em 1994 e tiveram quatro filhos, mas a relação foi marcada por infidelidade e instabilidade.
    • O Divórcio e a Tragédia: Kennedy pediu o divórcio em 2010. Mary, que lutava contra a depressão e o alcoolismo, viu a sua saúde mental deteriorar-se severamente durante o processo litigioso. Em 2012, Mary suicidou-se por enforcamento no celeiro da sua propriedade em Bedford.
    • A "Batalha" Pós-Morte: Após o suicídio, gerou-se uma disputa legal amarga entre RFK Jr. e a família de Mary (os Richardson) sobre o local onde ela deveria ser enterrada, com a família dela a acusá-lo de ter contribuído para o seu desespero emocional.
Em 2013, o jornal New York Post teve acesso a um diário privado de RFK Jr. de 2001, que revelou detalhes íntimos sobre a sua vida paralela enquanto ainda era casado com Mary.
    • O Registo das Conquistas: No diário, Kennedy mantinha uma lista de mulheres com quem tinha tido encontros sexuais. Ele usava um sistema de códigos para classificar os encontros, atribuindo notas de 1 a 10 a cada mulher. Só num ano, o diário listava dezenas de mulheres.
    • Compulsão e Culpa: Nos escritos, ele referia-se à sua luxúria como o seu "defeito de caráter mais profundo" e descrevia a sua luta constante para resistir ao que chamava de "luxúria" ou "atividades sexuais", descrevendo-se quase como um dependente. Ele frequentemente escrevia sobre a culpa que sentia por trair a esposa e por não conseguir controlar os seus impulsos.
    • Casos Extraconjugais: Ao longo dos anos, o seu nome foi associado a várias figuras públicas e celebridades. Relatos sugerem que a sua compulsão sexual era conhecida nos círculos sociais de Nova Iorque, sendo descrita por conhecidos como uma faceta da sua "personalidade aditiva" (transferida das drogas para o sexo).
RFK Jr. tornou-se o rosto do movimento céptico em relação às vacinas a nível mundial. Através da sua organização, Children’s Health Defense, ele tem propagado diversas teorias sem base científica:

    • Autismo: Ele é um dos principais promotores da teoria (já amplamente refutada pela ciência moderna) de que as vacinas infantis causam autismo, devido à presença de timerosal (um conservante).
    • COVID-19: Durante a pandemia, afirmou que as vacinas de mRNA eram perigosas e comparou as medidas de confinamento ao regime nazi, o que lhe valeu críticas severas de membros da sua própria família.

Apesar de ter sido um democrata durante toda a vida, RFK Jr. suspendeu a sua candidatura independente à presidência em 2024 para apoiar Donald Trump. Em troca, Trump prometeu dar-lhe um papel influente na administração, especificamente na área da saúde.

O seu lema, "Make America Healthy Again" (MAHA), foca-se na crítica aos alimentos processados e aos químicos na agricultura. Contudo, a sua nomeação para cargos de saúde pública (como o CDC ou a FDA) causa pânico na comunidade científica, que teme que ele utilize o poder governamental para desmantelar programas de vacinação e minar a confiança nas instituições de saúde baseadas em evidências.

Resumo da Contradição: RFK Jr. é visto pelos seus seguidores como um herói que desafia a "Big Pharma" e a corrupção alimentar, enquanto os seus críticos o vêem como um propagador perigoso de desinformação cujas histórias pessoais bizarras são apenas a ponta do iceberg de um julgamento errático.

Mas nada como assistir à suculenta conversa entre Joanna Coles e Isabel Vincent. Um espanto tudo isto.

Segredos bizarros do capanga mais desvairado de Trump: Autor | Podcast do The Daily Beast

Isabel Vincent junta-se a Joanna Coles para analisar o seu novo livro sobre Robert F. Kennedy Jr., um retrato construído a partir dos seus próprios diários secretos, que foram obtidos pela sua falecida esposa, Mary Richardson Kennedy, durante o seu divórcio brutal.

O que emerge é um homem em conflito consigo próprio: movido pelo legado, consumido pela culpa e impulsionado por desejos — de poder, de mulheres, de redenção — que parece não conseguir controlar. 
Vincent traça o percurso desde um herdeiro Kennedy devastado pela dor até um ativista anti-vacinas e uma improvável força política, revelando os traumas familiares, a dependência e a ambição incessante que o moldaram.

Ao longo do caminho, analisam também o mito e os mecanismos da dinastia Kennedy e a inquietante questão no seu centro: como é que um homem que outrora escreveu sobre humildade, serviço e Deus se encontra agora a exercer influência sobre a saúde de milhões?

Para quem queira direitinho a algum ponto em particular, aqui está a indicação por tempos: 

00:00 - As Confissões Mais Negras de RFK Jr.
03:50 - Por Dentro dos Diários Secretos
07h40 - A Ética de Publicar a Sua Vida Privada
11:30 - Assombrado pelo Legado do Seu Pai
15h20 - Por Dentro do Caos da Família Kennedy
19:10 - Porque Se Candidatou à Presidência
23h00 - COVID, Vacinas e a Sua Ascensão Política
26h50 - Reação Negativa da Família e Lutas Públicas
30h40 - Vício, Casos Extraconjugais e Compulsão
34:30 - O Colapso do Seu Casamento
38h20 - A Morte de Mary Kennedy e as suas Consequências
42:10 - A Investigação Misteriosa
46:00 - Poder, Fama e Contradições Pessoais
49:50 - Pode Ele Escapar à Sua Própria História?
53h20 - Reflexões Finais Sobre o Futuro de RFK Jr.

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Desejo-vos uma bela sexta-feira 

quinta-feira, abril 16, 2026

A corrupção miúda


Tenho para mim que a corrupção miúda é uma das gangrena invisíveis que corrói a nossa sociedade. 

Há uns anos, eu e uns amigos alinhámos numa deriva que, inevitavelmente, não correu bem. Metemos na cabeça criar uma empresa a sério. E não era daquelas empresas de consultorias, assessorias ou cenas mais ou menos imateriais que as pessoas nas nossas circunstâncias criariam. Não, era uma empresa que passava por criar e vender produtos, com um estabelecimento, empregados, etc. Claro que estando todos os sócios, menos um, a trabalhar a tempo inteiro, e eu e dois outros com trabalhos super absorventes, não tínhamos tempo para uma aventura daquelas.

De qualquer forma, quando tivemos essa ideia peregrina, imaginávamos que conseguiríamos compatibilizar tudo. Éramos jovens, cheios de boas ideias, de certa forma inocentes.

Para começar, tivemos que adquirir um edifício e adaptá-lo. Entregámos o assunto a uma empresa que se encarregou de tratar de tudo: projecto, licenciamento, alvarás, etc. Para além do dinheiro para isto e para aquilo, pediram dinheiro para algumas pessoas chave na Câmara. Foi o primeiro banho de realidade. Éramos puros. Jamais nos passaria pela cabeça uma coisa daquelas. 'Subornar'? Nem pensar. 'Luvas'?. Jamais. 'Dinheiro por debaixo da mesa'? Não, nem pensar. As pessoas que, na dita empresa, estavam a tratar do assunto espantavam-se com as nossas reacções. 'É assim que as coisas funcionam. Se não querem esperar não sei quanto tempo e andar com papéis para a frente e para trás, é assim.'. Uma luta. Uma triste descoberta do que era o país invisível. Não me lembro do que resolvemos. A minha memória, felizmente, é selectiva. 

Ao fim de algum tempo de a empresa funcionar, não sei quanto tempo, dois, três anos, talvez, resolvemos pôr fim a essa aventura. O mundo real das pequenas empresas, em especial, em início de processo, o mundo em que toda a gente parecia querer passar ao largo do fisco, o mundo em que a sobrevivência é quase sinónimo de fechar os olhos à ética, não era o nosso. 

Lembrei-me disso, embora nada tivesse a ver, ao ver a reportagem da SIC sobre a médica que recebia dinheiro por fora para que as suas clientes conseguissem reformas antecipadas, sem que, legalmente, tivessem direito a isso. Não consegui ver tudo, mudei de canal. Sinto-me muito revoltada quando assisto a coisas assim. Existirem coisas deste género, de gente que foge às regras, que acha que consegue subverter os esquemas sem temer as consequências, revela bem a forma endémica como a corrupção se infiltra de forma transversal na sociedade. A médica a receber mil euros por cada processo, mil euros por fora, os trabalhadores que, não tendo problemas que os impeçam de trabalhar, a pagarem para que emitam atestados falsos e consigam reformar-se antes de tempo -- uma coisa manhosa, uma corrupçãozinha rasteira. Coisa miúda, gente se calhar até humilde, várias pessoas a usurparem dinheiro indevido da Segurança Social, a delapidarem erário público E quantos mais casos destes haverá?

De cada vez que sei destas situações penso que a Justiça deveria ser bem mais ágil e ter mão mais pesada. Por exemplo, a médica corrupta deveria ser obrigada a devolver à Segurança Social todos os muitos mil euros que recebeu mais todo o valor das pensões de reforma indevidas que ajudou a conseguir. E as pessoas que a ela recorreram deveriam igualmente ser obrigadas a devolver toda a pensão que receberam indevidamente mais os mil euros que deram à médica. E, em cima de cada um destes totais, mais uma multa pesada. Não creio que devam ir para a cadeia pois estaríamos a sustentá-los e não vejo benefício para nenhum destes intervenientes numa pena que envolva detenção. Mas teriam que devolver tudo e, em cima disso, uma multa. E deveriam voltar ao activo, a terem que voltar a arranjar trabalho. E, ao mesmo tempo, deveriam ter que cumprir trabalho comunitário a sério, em especial trabalho que obrigue a exposição, para se sentirem envergonhados.

Ouvi também as notícias sobre o endurecimento da vigilância rodoviária, mais brigadas na estrada, mais radares, consequências mais a doer. Concordo. Não podemos ser os maiores infractores da Europa, ter tanta gente acidentada, tantas vítimas, tanto prejuízo a todos os níveis. 

Mas, ao mesmo tempo, pensei no sentimento de impunidade de tanta e tanta gente que por aí anda, quer nas pequenas localidades em que o máximo é 50 km e tanta gente passa a abrir ou nas autoestradas em que tanta gente passa nas horas, ou tanta gente ao telemóvel, ou tanta gente alcoolozidada ao volante.

E pensei também quando eu, nas idas e vindas para as reuniões no Norte, ia incomodada com a velocidade a que íamos, eu no lugar do morto e um acelera ao volante. Odiava. Tinha medo. Geralmente, a menos que não tivesse alternativa, em vez de ir a conduzir, colava-me para ir de boleia. Uma vez manifestei-me, disse que não gostava nada de ir a 180. O condutor riu-se: 'Mas já a vi a andar a mais de 200 e não protestar'. Neguei, nunca tinha andado a 200. Disse-me que tinha, sim, que na semana anterior, com um outro condutor, este que agora falava no banco de trás, tínhamos ido a mais de 200. Provavelmente, com a conversa eu nem tinha dado por isso. Mas, quando pensava nisso, protestava veementemente pois bastava que rebentasse um pneu, ou uma distracção, ou uma coisa qualquer na autoestrada, e íamos todos desta para melhor. Eles riam.

Alguns desses eram recorrentemente multados. Claro. E, no entanto, havia sempre alguém que 'tratava' do assunto. Falo agora nisto pois já foi há muito tempo, já prescreveu. 

Mas pergunto-me: em quantos locais em que se analisam os processos de infracções não haverá, ainda hoje, esquemas? Se há matéria em que a inteligência artificial pode dar uma ajuda é na identificação de multas emitidas, multas perdoadas, locais em que os perdões são concedidos. Todas essas pessoas deveriam ser pesadamente castigadas: os infractores deveriam ficar sem carta, deveriam pagar todas as multas e mais uma coima. Mas quem as perdoou deveria pagá-las também, tal como deveriam ser obrigados a devolver todo o dinheiro que receberam para aprovar os perdões. E, também aqui, deveriam ir todos fazer trabalho comunitário a sério. Com a falta de mão de obra que há, muito jeito daria.

Um outro aspecto que, de tão normalizado, já nem é considerado corrupto -- e, na realidade, face à legislação, não é ilegal -- e do qual muitas vezes já falei: a fuga ao fisco através do recurso a empresas unipessoais (ou quase unipessoais).

No outro dia soube que grande parte dos agentes imobiliários (grande parte... ou todos?) não são funcionários das respectivas agências. Não. Criam a sua própria empresa. Nessa empresa, a sua empresa, recebem o salário mínimo e, portanto, não pagam IRS. E nessa empresa colocam toda a espécie de despesas (o carro, o combustível, as portagens, as despesas da casa, provavelmente as rendas ou as prestações do banco, restaurantes, hotéis, viagens, etc). É essa empresa que recebe as comissões das vendas ou dos arrendamentos de imóveis, valores consideráveis. Mas esses valores são ensopados pelos custos e, portanto, o lucro é reduzido. Ou seja, provavelmente também não pagam IRC. Falaram-me de pessoas dessas que, sendo para as estatísticas trabalhadores que recebem o salário mínimo, têm várias casas, muitas delas arrendadas com contratos também por fora, ou seja, em que também não pagam impostos. Os inquilinos julgam que estão a ser beneficiados pois dizem-lhes que o valor da renda é aquele porque o contrato não está nas Finanças porque, se estivesse, o valor era superior. 

Ou seja, toda uma teia, todo um esquema. E, para mim, isto é corrupção. 

Mais uma vez, também aqui, a inteligência artificial desembaraçava este novelo em três tempos. Por vezes as minhas mãos fervilham com vontade de conceber modelos que façam varrimento de rendimentos e de património, cruzando empresas unipessoais que têm um único cliente com os pagamentos feitos por esse cliente, e varrendo a respectiva contabilidade. E parece-me que seria legítimo que fosse permitido levantar o sigilo bancário a todos quantos, não tendo rendimentos, têm património não compatível.

Leis justas que visam o bem comum, como pagar reformas justas a quem trabalhou o que é suposto, como impedir condução perigosa ou como ter impostos justos para todos e não isenção para quem não a merece e esbulho a quem é cumpridor, devem ser escrupulosamente cumpridas e todos os desvios não deveriam socialmente aceites. 

Facilitar, fechar os olhos, ser permissivo é contemporizar com a corrupção, pois, mesmo que miúda, se estiver disseminada, mina a confiança geral, distorce a justiça social e corrói o saudável desenvolvimento do País.

quarta-feira, abril 15, 2026

Temos a prova: Trump é o pior idiota da história.
-- É ele e o J.D. Vance, que já é visto como o novo gato Oscar... --

 

Depois dos passeios e lides no campo, 

-- e se me veem no Instagram (e já tenho 726 seguidores... -- dá para acreditar...?) --, 

estarão a acompanhar as minhas deambulações pelo meio das árvores, umas de pé, outras já cortadas às postas, pelo meio das silvas e etc., eis que agora, recolhida, tenho estado a ver uma dupla com que me divirto grandemente: conversar ou ouvir a conversa entre gente inteligente é outra coisa.

Joanna Coles solta gargalhadas de gosto, e eu com ela, e, quando David Rothkopf afirma que o morto que Jesus Trump tenta acordar do seu leito de morte não é outro senão Jeffrey Epstein, por pouco não projecta todo o chá que tinha na boca. 

E eu, que tenho estado a beber um belo chá de curcuma, por pouco não fiz o mesmo. O Jon Stewart achou que era ele e, de facto, assim de lado, quase poderia ser. Mas, vendo bem, parecido, parecido mesmo, o morto é bem capaz de ser o Epstein. 


E isso torna a maluquice ainda mais disparatado, mais insólito. 

Outro momento delicioso, embora de humor negro, é quando J.D. Vance é comparado ao gato Oscar, o célebre gato que quando se deitava ao pé de uma pessoa no lar em que vivia, pouco depois a pessoa estava morta. Por mais de 100 vezes, isso aconteceu. Andava por ali a vaguear e, de vez em quando, entrava num quarto e aconchegava-se ao pé da pessoa. De duas a quatro horas depois, já estava, a pessoa quinava. Por fim, a família já corria com o gato, chega para lá, ó urubu. Punham-no fora do quarto, fechavam a porta. Mas o gato não se afastava, ficava à porta a miar.

Ora acontece que o J. D. Vance foi visitar o Papa Francisco e, hélas, pouco depois, o Papa morreu. Agora foi pôr-se ao lado de Órban e, ups, Órban levou uma banhada monumental, incrementada pelo efeito J.D. Vance.

Mas, enfim, é ver porque aqui fala-se de tudo. Por exemplo, estará a base MAGA a desmoronar-se? E o que dizer da derrota da Hungria,  do desastre do Irão?

I've Got the Proof: Trump Is History's Worst Idiot | The Daily Beast Podcast

David Rothkopf, correspondente principal de assuntos globais do Daily Beast, junta-se a Joanna Coles para explicar porque está convencido de que a história vai julgar Donald Trump como o idiota mais poderoso e o maior idiota de sempre. Numa conversa abrangente e dinâmica, Rothkopf e Coles analisam os crescentes conflitos de Trump — do Vaticano ao Irão — juntamente com o espetáculo surreal das suas publicações autoproclamadas como "divindade" e as consequências globais das suas decisões. Exploram também as repercussões políticas nos Estados Unidos e no estrangeiro, incluindo a surpreendente derrota de Viktor Orbán e o que isso sinaliza para o futuro do populismo de direita. É uma análise perspicaz e provocadora sobre o poder, a instabilidade e a realidade cada vez mais bizarra que molda a política global.


terça-feira, abril 14, 2026

Um medicamento extraordinário contra o cancro que é tão caro que ou o SNS se afunda ou milhares de pessoas ficam sem tratamento...? É isto....?

 

Desde que comecei a votar que o meu sentido é o mesmo. Identifico-me com as sociais democracias, em especial com as do norte da Europa, estáveis, tranquilas, assentes no bem de toda a população, no desenvolvimento, na felicidade.

Nunca me identifiquei com o comunismo nem nunca me identifiquei com as chamadas doutrinas sociais da igreja, conservadoras e reaccionárias, muito menos com os movimentos de direita e, mais recentemente, com os populismos.

Nunca diabolizei a iniciativa privada nem nunca defendi que, mesmo em alguns serviços que entendo que devem ser disponibilizados gratuitamente à população, a gestão tem forçosamente que ser desempenhada pela Administração Pública.

Trabalhei para empresas do Estado, nacionalizadas, trabalhei para empresas estatais mas geridas como se fossem privadas e trabalhei para empresas privadas. Conheço bem as regras de umas e outras. Como sou avessa a generalizações não vou catalogar umas e outras quanto à qualidade da gestão. 

Tenho para mim que a saúde, a educação, a segurança pública, por exemplo devem ser públicas, de acesso universal. Mas, no caso da Saúde, em que se movimentam muitos milhões e em que a componente da gestão é fulcral, não tenho dúvidas em dizer que os problemas são de gestão, que quem gere a maioria das unidades não faz ideia do que está a fazer e que a incompetência começa na ministra. Não digo que a gestão da Saúde deve ser privada mas afirmo, sem margem para dúvida, que deve ser gerida com a mentalidade de um gestor profissional. Ao contrário do que muito ignorante pensa, a gestão privada não visa apenas o lucro. O lucro em si tem perna curta. Tem que haver qualidade, apreço por parte de todos os que se movimentam dentro e em redor (o que, em linguagem de gestão, se designa por stakeholders). Se houver apreço por parte de todos, cria-se a fidelização, desenvolve-se a motivação, estimula-se a criatividade que é o motor para se encontrarem boas soluções. O lucro será a consequência de tudo o resto, perifericamente, funcionar bem.

Sei bem o que eu faria e sei que, se eu pudesse pôr em práticas as medidas que vejo como críticas e prioritárias, em três ou quatro anos, o SNS estaria disponível a muito mais gente, em muito mais valências, com índices de qualidade muito acima dos actuais, com filas de espera mínimas, com tempos de atendimento decentes, e com um gasto geral no mínimo inferior em 10 a 20% ao actual. Se fosse o caso, isto é, se eu fosse convidada para isso e aceitasse -- o que obviamente duplamente não acontecerá -- eu própria definiria estes objectivos e eu própria definiria que, se não os atingisse, seria liminarmente despedida.

E é que não se exige muito, apenas experiência e alguma competência em gestão e vontade de fazer a coisa certa. Estou certa que, tal como eu, se o mesmo desígnio fosse proposto a qualquer outro profissional experiente e competente e tivesse a cobertura de um pacto de regime que permitisse actuar a sério, se revolucionaria verdadeiramente a forma como hoje se trabalha. E quando falo em revolucionar, garanto que revolução seria a palavra certa. Poderes e poderzinhos, compras descentralizadas, negociações descentralizadas, corporativismos de toda a espécie, centralizações absurdas sem qualquer benefício -- tudo isso acabaria. E acabaria num abrir e fechar de olhos. Nestas coisas não sou adepta de ir devagarinho, sou mais na base do one time shot. Como sei o que faço não haveria risco de me atirar para fora de pé pois sei que sei nadar.

Dito isto, e continuando no domínio da Saúde, falo agora de uma notícia que verdadeiramente me perturbou e que me fez questionar se não deveríamos, enquanto sociedade, repensar algumas abordagens, deixarmos de ser tão passivos ou tão individualistas como somos.

A notícia diz o seguinte: "Merck transformou medicamento contra o cancro num êxito de vendas, mas é tão caro que poucos o podem pagar"

Pensei: o capitalismo no seu máximo expoente. Mesmo quando está em causa a vida de tantas pessoas, prevalece o endeusamento do lucro de algumas empresas. Eu bem sei que o valor das patentes financia a investigação e etc e tal. Mas quando se trata de produtos vitais à sobrevivência ou à qualidade e dignidade da vida humana, há que equacionar prioridades e abordagens. Que sentido faz, vender uma embalagem por milhares de euros quando há tantas pessoas que beneficiariam brutalmente desse medicamento? E como pode o SNS providenciar esse tratamento quando o valor é insustentável?

Fui informar-me: enquanto em Portugal os preços altos são mantidos por longos períodos devido à proteção de patente na UE, na China, o Estado exerce um controlo mais direto sobre o preço final e incentiva a produção de alternativas locais mais baratas (ou superiores) para substituir o medicamento de marca, limitando a margem de lucro dos originais.

E nos países nórdicos? Informei-me. Ao contrário de Portugal, que negoceia individualmente através do Infarmed, os países nórdicos uniram forças para aumentar o seu poder de mercado. Dinamarca, Noruega e Islândia realizam concursos públicos conjuntos para medicamentos hospitalares, forçando as farmacêuticas a oferecer descontos maiores para garantir o mercado de três países de uma só vez.

Claro que me parece que a abordagem chinesa é a que melhor defende os interesses da população e não tenho dúvidas que é o caminho certo. Mas a China tem uma dimensão que permite uma força que não está ao alcance de todos. Além disso estão formatados (e bem) para o pensamento estratégico e para a persistência. Estamos, infelizmente, um bocado longe disso. (Não vou aqui falar da liberdade de expressão, dos direitos humanos, etc. -- isso são outras vertentes que não são objecto do que aqui estou a escrever)

A Europa deveria agir desta forma, ser como a China, juntar os países nas grandes negociações. Se o fez para as vacinas Covid, deveria fazê-lo para todos os medicamentos inovadores e de grande interesse público. Esse é o caminho. Mas, enquanto isso ainda não é possível, Portugal deveria juntar-se pelo menos com Espanha e, desejavelmente, com mais uns quantos países e enveredar por esta via. Não apenas se poupariam largos milhões ao erário público como se traria maior esperança de vida a milhares de pessoas.

E quem diz isto, diz agir desta mesma forma a muitos outros níveis. 

Não podemos é continuar a pensar pequeninamente, a desbaratar milhões e milhões e a não conseguir entregar os cuidados e os serviços de que a população necessita. 

Não sou contra o capitalismo (quando é regulado e decente), sou é contra a falta de visão, a falta de ambição e de energia, a falta de definição de prioridades.


segunda-feira, abril 13, 2026

Um domingo com árvores abatidas, com a feliz vitória da democracia e da liberdade europeia na Hungria, com o impasse na estúpida guerra que Trump desencadeou contra o Irão e com Israel a continuar a mostrar que é quem manda nos Estados Unidos

 


O domingo amanheceu muito cedo, cedo demais, e logo depois já se ouvia o barulho em contínuo da serra elétrica. Começaram a ser cortadas as árvores que tombaram ou que estão em vias disso na sequência da tumultuosa Kristin. Aliás, hoje ventava de tal forma que, sempre que passava sob as agitadas copas, me interrogava sobre a minha segurança e a de quem por ali andava a serrar os tão amados troncos. Mesmo os cedros e pinheiros que secaram, provavelmente por terem estado tanto tempo com as raízes encharcadas, também já começaram a ser abatidos. Onde havia árvores grandes e frondosas há agora espaço vazio e, ao olhar para esse espaço sem nada, sinto tristeza..

E ainda faltam as árvores maiores, os cedros gigantes, os que estavam dispostos em lugares estratégicos e que maiores dificuldades vão colocar ao seu abate e remoção. Temos mais uns fins de semana destes pela frente.

Tento colocar o coração ao alto. Os paisagistas que cá estiveram foram consensuais: nesta terra pedregosa mais vale contentar-nos com árvores autóctones do que alimentar o sonho de ter belas árvores que, aqui, serão sempre vulneráveis. Os cedros gigantes enraízam superficialmente, sobretudo em terrenos pedregosos. Por isso, quando estão muito grandes, se o vendo os faz flectir, por pouco que seja, o seu centro de gravidade não é sustentado por um enraizamento profundo. E tombam, levantando por completo as raízes. Com os pinheiros não é a mesma coisa, creio que, por um lado, é o mal que lhes dá. Ou a vulnerabilidade face ao excesso de água. Não sei. Não caíram, simplesmente secaram. Mas isso aconteceu sobretudo com os bravos. Os pinheiros mansos estão bem e os outros, de que não consigo lembrar-me do nome, também.

E as azinheiras e as aroeiras e as figueiras bem estão. Portanto, festejo o que está bem e tento aceitar com naturalidade que o ciclo de vida das outras chegou ao fim.

E, como esteve muito frio, estive mais tempo dentro de casa. E até fiz um chá e tudo. Só não acendemos a lareira porque, afinal, psicologicamente já nos estávamos a sintonizar com uma primavera quente. Este retrocesso climático não deverá levar-nos ao saudosismo da lareira.

Além disso, a madeira dos cedros e dos pinheiros não é boa para as lareiras, tem resina de mais.

Enfim, adiante.

Sobre o que por aí se vai passando um ou dois apontamentos:

Hungria

A derrota de Orbán é uma boa notícia para a União Europeia, para a Ucrânia, para a democracia. Ouvir uma multidão, em festa, a aplaudir Péter Magyar e a gritar a uma só voz Europa, Europa, é qualquer coisa de emocionante. A Europa é o berço, o refúgio, o chão e o tecto de quem, por estas nossas bandas, defende a democracia, o humanismo, o desenvolvimento, a liberdade, o Estado de Direito, a paz, a ética, a verdade. Que a Europa, livre e democrática, nos acolha, nos abrace, nos defenda, nos ampare.

Ao mesmo tempo, a derrota de Orbán é uma derrota para Putin, para Trump e para o oportunista e vira-casacos J. D. Vance, é uma derrota para Ventura e para todos os populistas de extrema direita que têm vindo a pulular na Europa à garupa do que julgavam ser a tendência vencedora Trump/Órban.

A caguada quase galáctica armada pelo idiota do Trump

 (nb: caguada com u para não ser um nome feio)

Ele não quer que se lhe chame guerra pois, para ser guerra, tinha que ter sido aprovada pelo Congresso. Como vai muito para além de uma operação especial ou de uma pequena excursão, como ele se lhe refere, prefiro chamar o que é, uma caguada em três actos.

O burro meteu-se nesta alhada, a reboque do outro que o tem na mão, e agora não tem como sair. Ele bem quer pirar-se de qualquer maneira, deixar tudo ensarilhado, e, como se fossemos todos tão burros e malucos como ele, dizer que ganhou. Só que o outro, o que o tem na mão, diz que espera lá aí: não sais, não senhor. E, para provar que não sai, não senhor, continua a bombardear tudo e mais alguma coisa, sobretudo o sacrificado Líbano, mesmo enquanto duram umas pretensas negociações com o Irão.

Para essas negociações, enquanto para representar o Irão, foi um grupo de homens feitos, com formação e experiência, para representar os Estados Unidos foi a tropinha fandanga do costume, a saber: o sinistro genro, o tipo de imobiliário e o totó do J.D. Vance. Enquanto para negociações similares em circunstâncias muito menos limites, outros levam meses ou anos, mas, vá lá, dada a urgência, no mínimo semanas, aqui julgavam que iam conseguir chegar a acordo em 21 horas. Como não conseguiram, vieram-se embora. E o paspalhão-mor, o doente Trump, ameaçou bloquear o bloqueado Estreito de Ormuz que, antes da monumental caguada, estava aberto. Uma tragicomédia que vai paa lá de ópera-bufa, mais parece um teatreco desconchavado engendrado por malucos internados num hospício para dementes encartados.

Qualquer dia nem é uma questão de ninguém conseguir pagar o combustível, é mesmo que não há. Escassez pura e dura.

Não se sabe qual a saída para isto. Airosa não há, mas mesmo que pouco airosa, não se vislumbra.

No meio disto, a esfíngica Melania veio fazer aquela conferência solene que, até hoje, ninguém conseguiu descodificar. Dizem que  uma ex-amiga dela, dos tempos de Epstein, ex-mulher de um grande amigo e apoiante de Trump, ameaçou pôr a boca no trombone e fazer revelações que vão mostrar o que é a verdadeira escumalha, e que, para se antecipar e mostrar que a escumalha não é ela mas, sim, o pato cor de laranja, Melania se antecipou. Mas há também quem diga que foi a Melania que já não pode com o marido e resolveu apertá-lo onde a ele lhe dói mais. Mas também há quem diga que foi Israel, que tem o casal na mão, que a obrigou a ela a ir pregar um susto ao marido para ele perceber que Israel é que manda e que, se ele quiser agora mijar fora do penico, ai ai, que eles pegam no material incriminatório que têm e o põem na prisão em três tempos. Who hnows...?

Um dia, presumo que não longínquo, teremos documentários, dramas e comédias sobre este período rocambolesco da história do mundo. E, muito provavelmente, em todos teremos o venal e idiota Trump retratado como estando simultaneamente nas mãos da Rússia, da China, de Israel e de Melania. Todos com material mais que suficiente para o chantagearem e o levarem a fazer todas as borradas a que vamos assistindo. Claro que tudo devidamente condimentado com o seu narcisismo e a sua demência. Ou seja, um filme.

Seja como for, por crime grosso de envolvimento com menores ou por desencadear uma guerra não autorizada, ou por estar a dar cabo da vida dos americanos ou por muitos outros motivos, parece que reina a agitação entre os republicanos. Preveem que não tarda se vão ver livres dele e já anda cada um para seu lado a ver se se organiza face ao tão esperado day after. Uns andam a arranjar maneira de o tirar rapidamente da Casa Branca, outros aguardam que a solução chegue por outra via: como vaticina um médico americano, esperam que um dia destes ele se engasgue de vez com um hamburguer ou, então, cometa um erro tão grave, tão grave, que tenham que interná-lo à força.

Eu, por mim, só mais modesta, gostava mesmo é que o mundo voltasse a ser como o era nos tempos em que a Rússia ainda não tinha invadido a Ucrânia, que Israel ainda não tinha destruído Gaza e agora o Líbano, em que Trump não tinha tido a sua 2ª e inexplicável vitória. Será que é pedir muito?

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Amanda Ungaro ameaça expor as ligações ocultas de Melania Trump nos arquivos de Epstein

A modelo brasileira Amanda Ungaro ganhou destaque nos media internacionais depois de alegadamente ter ameaçado "expor" informações relacionadas com Melania Trump, na sequência da negação pública da modelo de qualquer ligação a Jeffrey Epstein.

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Desejo-vos uma boa semana

domingo, abril 12, 2026

Peace over war!

 

O Boss entra e, com o seu vozeirão, grita as palavras que unem os que resistem ao crescente e demencial fascismo de Trump. 

Com todo o seu eletrizante power, o Boss solta as palavras que todos querem ouvir, o grito que traz a esperança de que o bem vingará sobre o mal, de que os tempos felizes avançarão sobre estes tempos de chumbo. Quando, no fim, grita que a paz vencerá sobre a guerra é uma descarga de adrenalina que incendeia a multidão. 

Trump, naqueles seus posts nocturnos, quando a demência aperta e os filtros desaparecem, incitou ao boicote aos seus concertos, apelidou Bruce Springsteen de medíocre, de perdedor, de ameixa seca e de toda a espécie de parvoíces que a sua bílis decadente verteu. 

Claro que isso motiva ainda mais o Boss e os muitos que se reveem no seu grito de guerra ao fascista, ao pretenso rei cor-de-laranja, ao demente que, a um ritmo alucinante, tem vindo a minar a democracia americana e a lançar o mundo num estado caótico. É como se todos fossem um só corpo a afirmar a força da resistência.

Gostava muito de estar num daqueles concertos para também poder gritar a plenos pulmões: 

Democracia sobre o autoritarismo

Estado de direito sobre a ilegalidade

Ética sobre corrupção

Resistência sobre a complacência

Verdade sobre a mentira

Humanidade sobre a divisão

Paz sobre a guerra

 

Bruce Springsteen & The E Street Band   -- Introdução e War

sábado, abril 11, 2026

O Tó Zé Seguro, o SNS, o Governo e o Rutta
-- E cá está o meu marido, outra vez, a varrer o terreiro a varapau --

 

Segundo o Expresso, Belém (será que continua a existir a fonte de Belém?) vai preparar um relatório sobre a Presidência aberta do Seguro. Admito que será uma espécie de caderno de encargos para o governo, referindo o que tem que ser feito. Como é relatado pelas populações e autarquias, à verborreia habitual do governo, prometendo ajudas com enorme rapidez, não corresponderam ações efetivas sendo os atrasos na chegada das ajudas mais do que muitos. 

E não são só os atrasos nas ajudas. Pelo que se vem ouvindo, parece que nada foi feito de relevante para mitigar o que aconteceu. Sabermos pelo Seguro que ninguém no governo se tinha preocupado com o enorme problema que é a quantidade de combustível existente nos terrenos. Ora isto só revela uma coisa: a enorme incapacidade do governo para tomar decisões e para actuar com competência. 

Aposto que, quando sair o relatório/caderno de encargos, o Montenegro, engolindo o elefante, vai dizer, com aquele ar de sacana que o caracteriza, que o documento "assenta que nem uma luva na política do governo". 

Já aqui o recordei e vou voltar a isso: ao  SNS. É urgente que o Seguro volte ao assunto porque os indicadores sobre o SNS são cada vez piores, é preciso pôr o dedo na ferida, tentar minimizar as dores e dinamizar soluções. 

Tenho para mim que os principais problemas do SNS são:

  • a ministra e os lobbies que a suportam e que querem privilegiar os privados, 
  • a Ordem dos Médicos com as suas atitudes super corporativistas 
  • e a falta da qualidade dos gestores que estão nos postos chave do SNS. 

As chefias são nomeadas pelo cartão do partido e não pela competência e capacidade de gestão. E esta questão da gestão é tão problemática que o SNS manda para entidades privadas, para frequentarem cursos de gestão que custam milhares de euros, dezenas e dezenas de chefias que, de cada vez que abrem a boca, revelam um completo desconhecimento do que é o b-a-bá da gestão e a única coisa que sabem fazer é queixar-se de não terem autonomia para fazer nada. 

Em resumo, o dinheiro dos contribuintes também é esbanjado na formação de recursos que podem ter jeito para muita coisa mas não têm, seguramente, jeito para gerirem serviços no SNS e só são nomeados pelo cartão partidário. É necessária acabar com este forrobodó. 

Pior que o Rangel a apostar que os americanos cumprem estritamente o tratado das Lajes (provavelmente só ele e Montenegro é que acreditam -- uma vergonha a posição do governo sobre a guerra do Irão) foi o que o Rutta disse ontem sobre a posição do Trump e dos países da NATO na guerra do Irão. Este tipo de parvos bajuladores sem espinha dorsal ainda não perceberam que só consegue vencer o Trump quem lhe faz frente e o que se passa com a guerra no Golfo é um bom exemplo. São estúpidos e covardes. É uma vergonha exercerem as funções que exercem.

Não menos vergonhosa é a posição que a direita tem sobre a tudo o que envolve a identidade de género, nomeadamente a recente polémica sobre as terapias de conversão. As provas científicas contrariam a opção destes gajos e as ordens dos médicos e dos psicólogos são absolutamente contra as opções da direita. Cada vez mais a direita portuguesa (de que o actual PSD não é capaz de se distanciar) se aproxima dos membros do culto MAGA defendendo posições revanchistas, reaccionárias, sem qualquer fundamento científico e estupidamente desrespeitadoras das opções individuais. Provavelmente acham que devem pôr padres abusadores a aconselhar menores sobre as respetivas orientações sexuais. É difícil descer mais baixo. 

Será que ainda existem sociais democratas no PSD e, se existirem, o que pensam sobre este tipo de retrocesso civilizacional?

sexta-feira, abril 10, 2026

Se Trump foi dar cabo do Irão, atrás de Netanyahu, para ver se a malta se esquecia dos ficheiros Epstein, será que, agora que a guerra deu para o torto e já não sabe onde se meter, arranjou maneira de sacar dos ficheiros Epstein para a malta se esquecer da guerra do Irão... e cravou a Melania para lhe fazer esse frete?
ou
A Melania, percebendo que o marido está nas últimas, antes que perca a imunidade de ser Primeira-Dama, resolveu já demarcar-se dele e de toda a porcaria que o envolve?
ou
Isto é mesmo um ninho de cucos e estão todos a ver se dão com todos em malucos?

 

No meio do salsifré do so called cessar-fogo que nasceu do nada sem acordo sobre coisíssima alguma, em que ninguém sabe quais os pontos sobre os quais era suposto estarem de acordo, no meio dos violentos bombardeamentos ao Líbano e enquanto parece que veio a Netanyahu uma suposta vontadezinha de abrandar de escaqueirar tudo, até que não reste pedra sobre pedra, e negociar um mini-mini cessar fogo com Beirute, e em que Trump continua com as suas estafadas e tresloucadas investidas e em que vai intercalando ameaças letais ao Irão com remoques e chantagens sobre a NATO e com parvoíces e insultos aos seus antes amigos MAGA influencers e ex-Fox (Tucker Carlson, Megyn Kelly, Alex Jones ou Candace Owens), eis que, do nada, sem que na Casa Branca aparentemente ninguém soubesse de nada, aparentemente sem que o próprio Trump soubesse de nada, do alto do púlpito onde o marido costuma dirigir-se às massas, sozinha, a esfíngica Primeira Dama (também descrita como assalariada de Trump, paga para ser sua mulher), que nunca antes tal coisa fez, apareceu a dizer que nunca foi vítima ou íntima de Epstein, que não foi ele que a apresentou a Trump, que apenas esteve ao mesmo tempo que ele e que o marido em algumas festas e rebéubéu pardais ao ninho, que o que as fotografias e os mails mostram não é nada, que o que não falta por aí são cenas fake para todos os gostos, e que, pasme-se, deve ser dada voz às vítimas para que esclareçam o que há para esclarecer.

Isto mesmo.

Não dá para acreditar, pois não?

Não mesmo. Mas aconteceu. 

Mais uma vez, uma improbabilidade materializou-se. Do nada. 

Quando os republicanos têm feito de tudo para abafar o caso, quando é nomeado Todd Blanche, ex advogado pessoal de Trump, para Procurador Geral, que diz que não há mais nada para dizer sobre o caso, aparece esta a falar no assunto e a dizer que se ouçam as vítimas no Congresso...?

Estranho...

Claro que no meio da confusão reinante, 

  • depois de nas vésperas se ter estado à beira do fim da civilização persa, quiçá do fim do mundo, 
  • quando se discute se: 
    • os mercados vão arrefecer ou esquentar-se ainda mais, 
    • se o preço do petróleo vai disparar para níveis nunca vistos ou se o dito não vai mesmo escassear com as consequências daí advenientes, 
    • se as taxas de juro vão disparar e, consequentemente, enforcar parte dos devedores aos bancos, 
  • ou quando é denunciado o que andavam os submarinos russos a fazer ao largo do Reino Unido e que motivaram que a Marinha britânica mais a norueguesa e não sei quem mais tivessem que sair à cena e dizer a Putin que o vemos e sabemos o que anda a tramar, escoltando-os de volta,
  • ou quando sabemos que os terroristas da Casa Branca ameaçaram o Papa (o Papa!),
  • ou, ainda, quando observamoso oportunista J.D. Vance, esse vira-casacas alimentado à colher pelo perigoso Peter Thiel, por aí andar feito palhaço ambulante, ora a imiscuir-se nas eleições húngaras em defesa desse Órban que mais parece um ogre fedorento, ora agora a caminho do Paquistão para fazer o seu habitual papel de urso, 

aparecer a Melania, num aparente total despropósito, a falar de um tema que estava meio esquecido face às tormentas bélicas em que o marido se lançou, tema esse que o mesmo marido anda permanentemente a querer que seja posto para trás das costas, é daquelas coisas que deixa toda a gente de queixo caído e olhos arregalados. 

What the fuck...? 

Provavelmente ao longo desta sexta-feira saber-se-á alguma coisa mais desta desconcertante aparição: 
  • ou está para sair alguma novidade que a envolve e ela pensa que, com isto, neutraliza a questão, 
  • ou já percebeu que o marido -- na espiral de loucura desorbitada em que anda, ou por alguma notícia que vai sair que o vai incriminar de vez, e, por uma coisa ou por outra, ou pelas duas -- não vai aguentar-se por muito mais tempo e já está a querer demarcar-se dele, 
  • ou sabe, que mais dia menos dia, as vítimas de Epstein vão ser ouvidas no Congresso e, pelo sim, pelo não, está já a dizer que não é vítima pelo que nem passe a ninguém pela cabeça chamá-la a depor,
  • ou, então, em conluio com o desconchavado marido (embora digam que ele não sabia e que está desnorteado com isto), para ver se a malta se distrai do caldinho da guerra e da insubordinação que parece ameaçar as hierarquias militares, resolve desenterrar um assunto que sabe que inflama as redes sociais e distrai de tudo o resto, 
  • ou, então, é tão maluca como ele,
  • ou, na volta, está pelos cabelos com o estafermo do marido e resolveu, de propósito, enfernizada de todo, marafada até à raiz dos bem tratados cabelos, fazer uma coisa que o vai deixar em polvorosa,
  • ou, então, tudo ali está a descarrilar a grande velocidade e não há quem não se atraiçoe às claras e às escuras e quem não desembainhe espadas e facalhões contra uns e outros e contra quem calhar, e ela está já a dar o exemplo espetando uma naifada na aspirinada pança do maridinho,
  • ou, então, a malta alucinou toda de vez e já não há uma coisa, uma única, que faça sentido.
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'PORQUÊ é que ela disse estas coisas?': Nicolle reage ao discurso CHOCANTE de Melania Trump sobre Epstein

Depois de ter convocado a imprensa da Casa Branca esta tarde, Melania Trump fez um discurso inesperado negando qualquer relação com Jeffrey Epstein e apelando a uma audiência pública para as vítimas do financeiro desonrado. Para a análise, juntaram-se a Nicolle Wallace: Jackie Alemany, que acabou de falar com Trump, Luke Broadwater e o deputado Robert Garcia.


Nicolle sobre o discurso surpreendente de Melania: "Não acredito nisso... ela não se pronuncia sobre nada."

Nicolle Wallace comenta o discurso surpresa de Melania Trump sobre Jeffrey Epstein na Casa Branca, hoje de manhã. Charlie Sykes e Angelo Carusone participam na análise do Deadline White House.

Tenham uma boa sexta-feira, ok? 
E não fiquem também malucos com esta maluqueira toda que nos rodeia, está bem?

quinta-feira, abril 09, 2026

Sobre o que o estúpido que tem a memória e a cor de um peixe dourado e a sua turma de estúpidos andam por aí a fazer

 

Não há qualquer racional em nada do que se passa. Qualquer. Bola. Zero.

Durante uns tempos, nas empresas, estava na moda o 'racional'. Qual é o racional? Era a pergunta que se fazia. Não havia apresentação que não se estruturasse em torno do racional. Claro que, só por ser moda, já eu fugia a sete pés de usar a expressão. 

Mas agora, ao ver o desconchavo permanente, só me apetece dizer que aquilo a que se assiste é a coisa mais irracional a que já alguma vez se assistiu. Por muitas perspectivas pelas quais se olhe, não há qualquer racional.

Um fulano que nunca foi bom da cabeça e que agora, em cima do fraco intelecto e da distorção de personalidade, está demente ser o presidente dos Estados Unidos é daquelas coisas que, se fosse ficção, seria delirante.

Mas é verdade. Não é ficção. 

E tão perturbante como ver a democracia a ser destruída naquele país e o mundo a ser sugado por um buraco negro é ver como ainda há anormais, tão ou mais estúpidos que ele, que, por lá, por cá e por onde calha, continuam a apoiá-lo. E os que não o apoiam, republicanos não MAGA, mas que não mexem uma palha, por cobardia ou receio de perderem o poder, são igualmente deploráveis. Hoje vi que agora até ameaçaram o Papa. Como o Papa o tem criticado, estão furiosos e, como sempre, não param para pensar- Mas ameaçar o Papa? Onde é que já vamos? É que tantas fazem que já nem dá para acreditar. 

Esta história do cessar fogo que não é cessar fogo coisa nenhuma, é um arremedo de coisa em forma de assim, um conjunto de medidas que o Irão impôs e que o palhaço cor de laranja aceitou -- certamente sem sequer saber o que estava a aceitar, deserto que estava por sair da saia justa em que a sua cabeça desgovernada o tinha metido -- é mais um episódio da fantochada circense que aqui está armada. É que ainda poderia parecer que aquilo era uma coisa assim a modos que mais ou menos. Isto se nos abstrairmos do curioso facto de agora ser o agredido a mostrar que é quem manda, e o agressor, feito caniche que já só quer é ver se consegue abocanhar algum bocado de osso, por exemplo uma percentagem das portagens no estreito de Ormuz, a andar a toque de caixa. Foi à monda e saiu mondado. O pior é o criminoso Netanyahu, que vive de espalhar sangue e que se alimenta do pó da destruição, que não consegue parar de atirar mísseis. Não sei de onde lhe vem tanto dinheiro para tanto material de guerra nem sei como consegue manter-se incólume no meio da desgraça que tem trazido àqueles territórios -- mas isso são outros quinhentos, como sói dizer-se. Mas, portanto, enquanto uns quererem fazer crer que se deu um belo passo a caminho não se sabe bem de quê, está aquele assassino a mostrar que se está bem a marimbar para tudo o que não seja escaqueirar tudo à sua volta a ver se abocanha mais um bocado de terra. Um gémeo separado à nascença de Putin.

Mais uma vez, onde ouço as análises mais interessantes para o caos e para o bailinho que está globalmente armado é nas conversas entre Joanna Coles e o muito bem informado Michael Wolff. Esta conversa foi gravada na terça feira antes de Trump ter, de novo, e neste caso ainda bem, demonstrado que TACO. Mas toda a conversa é actual e muito reveladora de como tudo aquilo funciona.

O que é mais em cima do acontecimento e igualmente imperdível é a reacção de Jimmy Kimmel, gravada já depois de Trump ter enfiado o rabo entre as pernas (vamos ver por quanto tempo, que aquilo ali, bicho maluco, cruel e desencabrestado, nunca será de fiar). Divertido, certeiro, implacável, assim é sempre Jimmy Kimmel. Não admira que Trump o odeie. Mas com as raivinhas de Trump pode ele bem. Começo por partilhar a sua intervenção sobre o Dia-D de Trump, D de Demência, claro.

Trump acobarda-se (chickens out) depois de ameaçar toda uma civilização com a morte, e até os lunáticos o acham louco.

Hoje foi o prazo final dado por Trump para o Irão abrir o Estreito de Ormuz ou ser bombardeado. Publicou esta manhã que, se não concordassem, "uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser trazida de volta". Felizmente, era terça-feira de tacos e ele decidiu não abandonar a chalupa durante pelo menos mais duas semanas. Ninguém parece fazer ideia de qual é o plano dele. Alguns membros proeminentes da comunidade de lunáticos estão a pedir a sua remoção através da 25ª Emenda. Lindsey Graham participou no programa de Hannity para dar o seu total apoio à guerra. Bill Gates e Howard Lutnick foram intimados a depor perante a Comissão de Supervisão da Câmara sobre Epstein. O Procurador-Geral interino, Todd Blanche, falou sobre se gostaria ou não do cargo a tempo inteiro. Trump falou com a tripulação da Artemis II e o congressista Tim Burchett disse ao TMZ que viu provas de vida extraterrestre. E JD Vance tem aprimorado as suas capacidades de oratória e comédia!

E agora o Daily Beast, a impagável dupla Joanna Coles e Michael Wolff, Dentro da Cabeça de Trump

O verdadeiro motivo pelo qual Trump nunca irá recuperar: Wolff | InsideTrump's Head

Michael Wolff junta-se a Joanna Coles enquanto Donald Trump intensifica o seu bluff mais perigoso até à data, ameaçando a destruição a uma escala nunca vista desde a Segunda Guerra Mundial, encurralado por uma guerra que prometeu nunca iniciar. As ameaças tornam-se mais elevadas à medida que as opções diminuem: o Irão aperta o cerco ao estreito de Ormuz, a instabilidade global do petróleo aumenta e o presidente do "não às guerras intermináveis" vê-se preso na guerra que ele próprio iniciou. Wolff defende que o caos é agravado por um círculo cada vez mais reduzido de apoiantes leais, desprovidos de poder de decisão, um nervoso JD Vance a estar discretamente posicionado para absorver a culpa e um mundo pró-Trump já a preparar-se para as consequências políticas. Wolff sugere que este é provavelmente o início do seu fim: um presidente que intensifica as ameaças porque está encurralado e uma base dividida a clamar por rebelião.
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E, se vos apetecer desanuviar, aconselho-vos a descer um pouco mais. 
Quando duas mulheres inteligentes se põem à conversa o melhor a fazer é ficar a ouvir

Receita anti-Trump

 

Não consigo ter disponibilidade anímica para aceitar que o mundo inteiro fique em suspenso das decisões de um demente que deveria estar internado, e que não faça nada. Milhares de pessoas assassinadas, uma destruição tresloucada e absurda, o mundo atirado para uma instabilidade descontrolada, os combustíveis em preços loucos o que vai puxar todos os preços para cima, a ver se ainda não nos vemos enterrados numa recessão, a vida a andar para trás, os terroristas a parecerem sensatos e os supostos civilizados a mostrarem-se uns terroristas do pior que há -- e aparentemente parece que ninguém consegue fazer nada de útil para nos salvar desta gaiolas de malucos.

Se calhar daqui a nada ainda mostro um ou outro vídeo em que se fala sobre o assunto, mas, para já, não tenho saco. Chega a uma altura em que só me apetece dar um murro na mesa: já chega. Já chega de tanto estúpido. Já chega de tanta depravação. Caraças, já chega. 

No Instagram mostro os meus passeiozinhos pelo campo, falo de coisinhas nenhumas, e só me apetece alhear-me dos ventos insalubres que nos assolam. Ando pelo meio do verde, à chuva e ao vento, outras vezes ao sol, a varrer em fato de banho, e estou na maior. Aqui nem me apanha, penso eu, como se fosse um refúgio à prova de todo o mal do mundo.

Agora, por exemplo, entretenho-me de gosto a ver o encontro de duas mulheres incomuns. Meryl Streep já interpretou Anna Wintour e, quando se encontram, não apenas revelam uma cumplicidade quase enternecedora, uma afinidade de percepções, como mostram que se admiram. E é bom a gente deter-se em momentos assim. Eu, pelo menos, assim acho. Ou melhor, preciso de coisas assim.

Caraças, haja alguma serenidade, algum gosto em conversar, em partilhar experiências.

Meryl Streep encontra-se com Anna Wintour na Vogue

A dupla tem uma conversa franca e abrangente, repleta de humor e perspicácia. Muitos assuntos são revelados, desde os Papéis do Pentágono e a investigação de Mueller, o assédio sexual e o empoderamento feminino, até ao que Meryl e as filhas conversam à mesa de jantar.


quarta-feira, abril 08, 2026

Conhecemo-nos...?

 


Um encontro casual no elevador entre Anna Wintour e Miranda Priestly

(Afinal, iam fazer a capa da Vogue)


Helló, helló Magyarország!

 


Helló, helló Magyarország! Elfogadod, hogy egy olyan bolond, mint J.D, Vance, kioktat, megmondja, kire kellene szavaznod? Azt hiszi, tudja, mi a jó Magyarországnak? Méltó arra, hogy betessze a lábát az országodba egy olyan kormányzat alelnöke, amelyik nem tiszteli a törvényeket, a demokráciát, a nemzetközi jogot vagy az emberi jogokat? Nem fogsz tudni megszabadulni Orbántól, aki csak a diktátoroknak tud hízelegni, és megveti az Európai Uniót, amely teljes szívvel üdvözli őket? Kérdezem.

terça-feira, abril 07, 2026

A presidência aberta do Seguro e a típica posição do Montenegro, acima da maltinha
-- A palavra ao meu marido --

 

Já aqui referi bastas vezes que tenho a opinião de que o Montenegro tem a mania que está um pouco acima do resto da malta e que não tem que se sujeitar às mesmas regras que se aplicam à maralha. Vem isto a propósito de, num fim de semana em que a sinistralidade rodoviária foi chocante e assustadora, o Montenegro publicar um vídeo em que ele, confirmadamente, e o motorista, possivelmente, viajavam numa viatura sem cintos de segurança. Diria que não foi um acaso, diria que o Luís, com a mania que é uma excepção as regras e à lei (o caso Spinumviva confirma-o), habitualmente não usa cinto. Teve azar porque se esqueceu que aparecer a viajar num carro sem cinto pode ser um problema, que é maior ainda quando as coisas são tão más nas estradas. Resta uma pergunta, o que esperam a PSP ou a GNR para emitirem a respectiva contra ordenação? A prova existe (o vídeo) e, tanto quanto sei, embora às vezes não pareça, a lei que se aplica à maralha também se aplica ao Luís. Veremos se realmente se aplica.

O Seguro começou hoje uma presidência aberta. Tem havido bastas queixas sobre os atrasos nos apoios como resultado da incompetência do governo. Aguardam-se as conclusões do Seguro,  para vermos se temos o mesmo Tó Zé do antigamente ou se cresceu, ganhou coragem e tem uma posição assertiva sobre o que corre mal, mesmo que isso implique confrontar o governo. Já agora, durante a campanha eleitoral, resolver os problemas na Saúde era a prioridade das prioridades do Seguro. Desde que tomou posse não disse uma única palavra sobre o assunto. Como a situação da Saúde continua a piorar, era bom sabermos se está esquecido do problema ou se ainda pensa que é preciso resolver urgentemente a situação nesta área. Mais um assunto em que vamos ver se continua o Tó Zé do antigamente ou se, entretanto, já passou à idade adulta.

Instintos

 

Se cada um de nós é uma improbabilidade, um milagre, o que acontece à nossa volta não o é menos. Como as células se dividem, multiplicam, agregam, ajeitam, e, no fim, surpresa, surpresa, sai um patinho, um peixinho, uma baleiazinha -- milagres. E como, uma vez nascidos, logo começam a respirar, a alimentar-se, a movimentar-se. E como se fazem à vida e, logo depois, se reproduzem e continuam o ciclo vital. Milagres.

E o mesmo, mais coisa menos coisa, com flores, árvores. Tudo se reproduz, tudo se alimenta, tudo sabe como sobreviver.

O vídeo que abaixo partilho é daqueles que, de tão simples, poderia servir para contar uma história infantil. Os patinhos-bebés que falam entre si mesmo antes de nascerem, a mamã pata que sabe que tem que arriscar e levar os seus filhos a aprender, a procurar comida, os filhotes que se inquietam quando a mamã-pata os deixa, e como, percebendo que têm que se afoitar, se atiram do precipício para a procurar. Tudo muito belo, muito comovente. O instinto da maternidade e da sobrevivência aqui, de forma cristalina -- instintos vitais.

A vida começa depressa para estes nove patinhos

segunda-feira, abril 06, 2026

Somos o acontecimento mais raro do universo e somos, ao mesmo tempo, o universo a observar-se a si próprio

 

Não vou falar de política, Isabel. Nem vou falar dos dementes que, com as mãos sujas de sangue, tentando iludir os ignorantes, invocam o nome de Deus para justificar os crimes que cometem. Não vou falar deste mundo que, em parte, parece estar esquecido das conquistas da humanidade, ameaçando a paz e a sustentabilidade do planeta e de tantas vidas, humanas e não só.

Hoje vou apenas falar da bênção de existirmos, nós, ocorrências improváveis.


Vivemos num universo de dimensões quase incompreensíveis. As estimativas actuais apontam para cerca de 2 biliões de galáxias, cada uma com centenas de milhares de milhões de estrelas. No total, isso significa algo entre 10²² e 10²⁴ estrelas no universo observável. Uma dimensão que vai para além de qualquer entendimento humano.

Foi neste cenário vastíssimo que tudo começou, há cerca de 13,8 mil milhões de anos, com o Big Bang.

Mas há um facto ainda mais surpreendente: somos feitos de matéria estelar. Os elementos químicos que compõem o nosso corpo — carbono, oxigénio, ferro — foram forjados no interior de estrelas e espalhados pelo espaço quando essas estrelas morreram em explosões como supernovas. Como disse o astrofísico Neil deGrasse Tyson, baseado na ideia inicial de Carl Sagan, somos poeira de estrelas que ganhou consciência.

Agora, consideremos a (im)probabilidade de estarmos aqui. Cada um de nós resulta de uma cadeia contínua de eventos:

  • Milhares de milhões de anos de evolução da vida na Terra
  • A sobrevivência através de extinções em massa
  • A formação da Terra a partir da matéria que orbitava o Sol, a uma distância adequada para a existência de água líquida
  • E, mais recentemente, a sucessão contínua de gerações que tornou possível a nossa existência

Centrando-me especificamente no nível humano, a improbabilidade cresce rapidamente. Cada pessoa nasce de uma combinação genética única entre dois progenitores. Recuando gerações, o número de possíveis combinações de ancestrais cresce exponencialmente, ultrapassando largamente o número de estrelas da Via Láctea.

Do ponto de vista genético, a improbabilidade é ainda mais extrema:

  • O corpo humano tem cerca de 30 a 70 biliões de células
  • Cada célula contém cerca de 3 mil milhões de pares de bases de ADN
  • A combinação específica que resulta em cada um de nós é essencialmente irrepetível

Algumas estimativas populares sugerem que a probabilidade de um indivíduo específico existir pode ser algo como 1 em 10²⁶⁸⁵⁰⁰⁰ — um número tão vasto que ultrapassa o total de átomos no universo observável (cerca de 10⁸⁰). Embora este valor seja ilustrativo e não exacto, ele transmite bem a ideia defendida por Neil deGrasse Tyson: a nossa existência é extraordinariamente improvável.

E ainda assim, aconteceu.

Num universo com um número imenso (possivelmente infinito) de eventos e combinações, até acontecimentos com probabilidades quase nulas podem ocorrer. Não porque sejam prováveis — mas porque há tempo e tentativas suficientes para que aconteçam.

Nós somos um desses acontecimentos.

Somos o resultado de estrelas que viveram e morreram, de átomos que viajaram pelo cosmos, de uma cadeia contínua de vida que nunca foi interrompida durante milhares de milhões de anos. Tudo isto teve de alinhar-se com uma precisão extraordinária para que estivéssemos aqui, neste momento.

Por isso, do ponto de vista científico, há uma ideia difícil de ignorar: temos uma sorte imensa em existir.

Num universo onde a nossa existência é tão improvável, o facto de estarmos conscientes, de podermos pensar, sentir e observar o mundo, torna-se algo profundamente raro.

E talvez por isso não devamos desperdiçar essa oportunidade.

Durante um intervalo extremamente breve — uma fração mínima na escala do cosmos — temos a possibilidade de experimentar a vida tal como a conhecemos: ver, aprender, amar, questionar e compreender, ainda que parcialmente, o universo que nos deu origem.

Tal como Sagan o interpretou e eu acho a ideia belíssima, somos o universo a observar-se a si próprio.

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Para mais informação e considerações sobre o tema recomendo os vídeos em que Neil deGrasse Tyson fala sobre o assunto. Este aqui abaixo é apenas um deles.

Um dos factos mais espantosos  -   Neil deGrasse Tyson

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As fotografias foram feitas in heaven
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Desejo-vos uma boa semana

domingo, abril 05, 2026

Renascimento

 

Dias de labuta, apetece-me dizer. Mas não digo, não gosto de exagerar. Nem gosto de apresentar como obra feita o que é, sobretudo, um desejo. Para onde olhe, vejo coisas que precisam de ser feitas.

Longe vão os tempos em que, ao contrário da maioria das pessoas e, em particular, a minha família, eu estava bem era com obras. Adorava idealizar, ter cá o senhor das obras, mostrar-lhe as minhas ideias, os meus desenhos que ele não percebia e fazia-os ele, à sua maneira, com um bocado de tijolo riscando o cimento ou um pau riscando a terra. E depois ver a evolução, montes de areia e brita, sacos de cimento, pilhas de tijolos. Era a minha praia.

E chegávamos ao fim de semana, depois de uma intensa semana de trabalho, e depois de um bocado a dormir (a bateria descarregava, ia abaixo, mas dormia um par de horas a mais e, num instante estava recarregada), varrer, lavar, sacudir tapetes e cobertas e colchas, e, à noite, pintar ou fazer de arraiolos até ser quase de manhã. 

Agora está bem, está... Olho para o muito que há para fazer e penso que não tenho energia nem para um décimo. É que, ainda por cima, dantes a natureza ainda estava a desenvolver-se, era vê-la a crescer. Agora desenvolveu-se, avança, cresce, e há que arranjar, abrir espaço, cortar, limpar. Tudo muito mais que antes. Ou seja, é um misto disso e da minha genica que já não é a mesma que antes.

Fomos almoçar fora. Descobrimos uma tasquinha simpática numa aldeia não muito longe. Come-se bem. Para começar, havia uma tacinha de azeitonas temperadas e uma cesta de pão variado. Num ápice voou tudo. Adoro pão com azeitonas. Depois pedimos uma entrada de ovos com farinheira. Óptima. Ovos macios, cremosos, pouca farinheira, salsa picadinha. A seguir mandámos vir bochechas assadas, uma dose para cada. Mas, nessa altura já apenas consegui comer duas, e eram pequenas, com salada, um arroz soltinho e umas batatas estaladiças. O meu marido, salvo erro, ficou-se por três. Pedi que pusessem o remanescente numa caixinha. Ainda dá uma refeição para um, nas calmas. Depois um petit gateau de chocolate do Dubai, quentinho, com gelado de pistaccio. Bem bom. 

Resultado: ao jantar apenas comi um pouco de iogurte grego natural, a que misturei sementes e um kiwi com um pouco de burrata. Mas, ainda assim, sinto que engordei cinco quilos. No mínimo.

Quando chegámos do almoço, fomos estender a roupa que eu tinha deixado a lavar.

A seguir, deitei-me debaixo da meia sombra da figueira e quase adormeci. Um dos lençóis estava estendido na corda que vai de um ramo da figueira até a um gancho no telheiro e, por isso, a aragem trazia-me o perfume bom do lençol lavado.

Mas foi sol de pouca dura pois sabia que havia muito trabalhinho à minha espera. Não apenas estava só a ouvir chegar mensagens como não queria deixar passar a tarde.

Varri, varri, varri. Bolotas secas, folhinhas secas de azinheira, caruma, pinhas roídas e secas. Mais a terra que se junta. Não sei quantos carrinhos de mão enchi e transportei e despejei. 

Parei já era quase de noite, e parei não porque já estivesse tudo feito mas porque receei que amanhã não conseguisse mexer-me.

Mas olho e vejo árvores que precisam de ser desbastadas, arbustos que rebentam demais, caminhos a precisarem de ser limpos. E dentro de casa há rodapés que, em algumas zonas, deveriam ser retocados. Sei lá. Sempre coisas para fazer. 

Ontem, quando se ligou a luz da cozinha, disparou o quadro elétrico. Percebemos, depois, que a lâmpada do candeeiro que está sobre a mesa, se tinha fundido. Mas pior, o casquilho parece que derreteu e não se conseguia tirar de lá. De cada vez que se ligava, o disjuntor disparava. Eu com uma lanterna e o meu marido em cima de uma cadeira a ver se conseguia sacar aquilo. Não conseguiu. Teve que tirar o candeeiro do tecto. Provavelmente com as humidades dos dias de muita chuva aconteceu alguma coisa. Agora, à noite, estamos à meia luz. Teremos que ir ver se encontramos uma peça que sirva de casquilho e se adapte àquele candeeiro. Ou seja, insignificâncias -- mas o pior é que, insignificâncias ou não, há sempre qualquer coisa mais para fazer.

E este domingo, logo de manhã, vem cá um senhor para dar um orçamento para tirar os cedros gigantes que tombaram ou caíram ou estão em vias disso e mais os pinheiros e mais roçar o tojo e etc. Não dá muito jeito, na manhã de domingo de páscoa, mas parece que é quando lhe dá jeito; por isso, muito bem, que venha. 

Nem quero pensar que me vou despedir de árvores que plantei, mínimas, e que agora têm muitos metros de altura e que não têm salvação possível. Uma dor de alma. 

E não sei se o excesso de água não continua a fazer estrago pois há mais um cedro e dois pinheiros completamente secos. Imagine-se: água como nunca se viu e as árvores secas. E mesmo um eucalipto gigante está com ar stressado, meio ressequido. A natureza tem coisas... Há que compreender e respeitar, bem sei. Mas o problema é que há coisas que custam a compreender. 

De qualquer forma, talvez para me consolar, penso que outras árvores crescerão, que a vida continuará como sempre continua, renascendo todos os dias.

E, enfim, é o que é. Os pássaros estão em festa, cantam, cantam. Esquilos é que nem sinais deles. Sempre gostava de saber onde é que, de vez em quando, se metem.

E eu chego a esta hora com sono. Mais uma vez não vou agradecer os comentários, um a um. Agradeço aqui colectivamente. É uma e tal da manhã e amanhã tenho que pôr a carne no forno cedo, para assar de vagar. E estar pronta quando vier o senhor. E o que me custa já levantar-me cedo...

O meu marido, há bocado, esteve a falar-me de umas coisas interessantes da Arte da Guerra, de Sun Tsu. Perguntou-me se eu sabia há quantos anos foi escrita. Respondi que talvez para aí há uns mil e tal anos. Não, foi escrita há mais de 2500 anos. Estava a fazer um paralelismo, por contraste, com os idiotas que agora não sabem causar outra coisa senão destruição e morte. Perguntei-lhe se não queria escrever um post sobre isso pois parecia-me bastante interessante (e eu, confesso, estava com preguiça de escrever, apetecia-me continuar a reler o Louvor da Terra de Byung-Chul Han). 

Mas ele também teve preguiça, também estava com sono, já foi dormir... E, por isso, aqui estou eu. Não tenho nada de interessante a reportar, só isto mesmo, mas a vida no campo também é um bocado isto, as pequenas coisas que vão surgindo todos os dias ou as pequenas conversas que se vão tendo.

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Desejo-vos um belo domingo

Que renasça a esperança em melhores dias, que renasça a paz onde hoje há guerra

Que a vida nos sorria a todos