sábado, março 14, 2026

Linha do tempo de um dia tranquilo

 

Geralmente é o meu marido que, de manhã, levanta a persiana do quarto. Levanta-se bem antes de mim, toma o pequeno-almoço, vai acordar o pobre do cão e arrasta-o até à rua, a seguir vai podar árvores, árvores e arbustos ou causar estragos que não lhe perdoo pois corta sempre demais e, quando já não sabe o que mais fazer, vai até ao quarto e pergunta-me se ainda não são horas. Isto para dizer que, quando levantou a persiana, vi que estava sol. Pensei: 'Vou mas é pôr já a roupa a lavar'. E assim fiz. Lençóis, toalhas, panos das mãos e o mais a que deitei a mão (compatível com temperaturas e cores, bem entendido), tudo para a barrela. 

Depois tomei o meu pequeno almoço. Laranja, depois um copo de kefir natural com sementes e latte dourado. A seguir um café.

Depois de estendermos a roupa, tarefa que dividimos, fomos para o ginásio. E, a propósito disso quero aqui deixar um apontamento: no outro dia, se calhar por causa duns stresses que vieram bater-me à porta (e de que já me livrei), estava com um torcicolo, acho que falei nisto aqui, o pescoço tolhido, a nuca apanhada e dorida. O meu marido pensou que eu não ia ao ginásio e, para dizer a verdade, ainda hesitei. Mas depois resolvi que ia na mesma. Não abusei muito, mas fiz o habitual, embora não tivesse puxado demais pelos ombros ou braços. Não piorei. E voltei. E pus-me boa. Sem tomar um comprimido. 

Aqui há algum tempo li um artigo científico em que se concluía que, para osteoartrites e inflamações de articulações e/ou artroses, o melhor remédio é o exercício. Não o repouso ou contenção de movimentos mas, justamente, o oposto, o exercício. Não sei se é para todas as situações, mas o que me tem parecido é que, pelo menos comigo, parece ser verdade. Em contrapartida, sinto que estar muito tempo sentada, andar pouco, fazer pouco exercício, isso é que dá cabo do corpo todo.

Bem.

Vindos do ginásio, tomámos banho, apanhámos a roupa e fomos almoçar. E não sei se foi a essa hora que ouvi a notícia que me pareceu a mais estúpida do dia. No meio das desgraças inomináveis das guerras absurdas e cruéis que estão em curso e de todas as implicações que já aí estão e as muitas mais que por aí virão, ouvi novidades da mais recente e espectacular operação da Polícia Judiciária, a Rigor Mortis: que as buscas à morgue do Hospital Santa Maria e às casas das pessoas, aparentemente, têm por base o facto de os funcionários da morgue receberem verbas entre 5 e 30 euros por cada corpo que preparam antes de os entregar às funerárias. Ouvi isto e só me apeteceu atirar um copo de água à cabeça do maluco que mobilizou investigadores da Judiciária para uma treta destas. É que não sei quem é que fica prejudicado com isto. Se os pobres coitados que têm como profissão lidar com mortos preparam minimamente os respectivos corpos e, com isso recebem uns trocos, que mal há nisso? O hospital fica prejudicado? Alguém fica prejudicado? E, mesmo que haja aqui qualquer coisa de vagamente ilícito, é caso para mobilizar tanta gente, tantos investigadores que custam caro, para uma coiseca destas? Não andariam melhor a apanhar traficantes de droga? Não andariam melhor a apanhar traficantes de armas de todo o tipo? Não andariam melhor a caçar pedófilos? Não andariam melhor a prestar atenção a bandidos que praticam violência doméstica e ameaçam as mulheres caso estas os denunciem? E a comunicação social também não tem neurónios? Que sentido dar tanto destaque uma notícia destas que nem se percebe que raio de notícia é? Não bastaria dar uma rabecada aos pobres coitados que, pelos vistos, ganham uns trocos indevidos? Era preciso tanto aparato? 

Bolas, só maluquices. Caraças.

Adiante.

Depois de almoço, estava um sol bastante jeitoso. Pensei que não era cedo nem era tarde: boa ocasião para a vitamina D. Vesti uns calçõezitos e uma tshirtezita e estendi-me numa espreguiçadeira. E senti-me abençoada por poder receber assim, em liberdade, um calorzinho tão bom. Ser reformada tem destas coisas: não ter horários nem obrigações, não ter que estar enfiada em escritórios de manhã à noite, a respirar ar condicionado e a resolver problemas e a aturar gente em contínuo, por telefone e em pessoa, sem possibilidade de pôr o pescoço de fora para curtir um raiozinho de sol.

Pois, pois. Foi mas foi sol de pouca dura. Veio uma nuvem e foi-se o verão. Logo depois estava frio. Tive que vir para dentro, mudar de farpela.

Tenho ainda a dizer que cá em casa praticamente não se comem doces: o meu marido não aprecia e eu aprecio mas, por cada 10 gramas de açúcar que ingiro, aumento 1 quilo. Além disso, não gosto de fazer sobremesas. Mas, de vez em quando, apetece-me. E o meu marido, volta e meia, diz: 'devia haver qualquer coisa que se comesse entre refeições, quando nos apetecesse, para não ser só frutos secos'. Pois bem. O Instagram tem-me trazido coisas com piada. No outro dia apareceu-me um japonês que dizia que se pode fazer um doce sem farinha e sem açúcar. 

E mostrava: esmaga-se batata doce cozida, mistura-se um ovo, leite de amêndoa e cacau em pó, bate-se e leva-se ao forno. E ficava com bom aspecto.  Então resolvi fazer. O pior é que não tinha quantidades. Tudo a olho. Não tinha leite de amêndoa mas tinha kefir. Pensei que, com o kefir, ainda deveria ficar menos doce. Então, antes de vazar a mistura para a forma, juntei algumas, poucas, tâmaras e nozes cortadas aos bocadinhos. Levei ao forno. 

E, se querem que vos diga, acho que ficou razoável. O meu marido não ficou extraordinariamente convencido e diz que com mais tâmaras talvez fique melhor pois assim parece que ficou com pouco sabor. É que, quando a gente vai comer um bolo -- e este fica macio, com um ar até a modos que apetitoso -- vai à espera de lhe saber a doce. E este doce, doce, não é. Para a próxima junto-lhe ou uma colherzita de mel ou mais tâmaras e talvez, até, algumas passas e arandos. Contudo, há pouco reparei que, apesar de lhe saber a pouco, até já comeu um bom bocado.

E depois fomos fazer uma caminhada e vi umas florzinhas amarelas muito lindas, lindas mesmo, um amarelo torrado, mais do que dourado, quase a querer alaranjar, mas tão perfeitas, tão harmoniosas, as pétalas quase translúcidas... Umas florzinhas ali, nascidas do nada. Nunca as tinha visto. Fiquei fascinada. 

A natureza é uma coisa repleta de mistérios. Tira-os da manga a toda a hora. Fotografei-as e filmei-as e depois coloquei o vídeo no instagram. Não sei se quem vê estas minhas platitudes pensa que, se não tenho nada de mais original para partilhar, mais valia estar quieta. Talvez. Mas, para mim, estas coisas não são vulgaridades, são, isso sim, verdadeiros milagres. E milagre que é milagre deve ser louvado e, se é para louvar, que o seja com testemunhas. Por isso, partilho.

O pior é que, quando estava a pôr aquilo no instagram, recebi uma chamada. Interrompi o processo, Quando acabou a chamada, carreguei na coisa de partilhar ou publicar ou lá o que é. E lá vai disto. Fui à minha vida. 

Há bocado, fiquei perplexa: vi que publiquei duas vezes. Ou seja, quando recebi a chamada, sem querer devo ter publicado. Depois dupliquei a dose. Agora quero apagar um deles e não consigo pois têm ambos visitas. Quem vê deve achar que sou maluca, publicar duas vezes a mesma coisa. 

E, pronto, vou ficar por aqui, não vou pôr-me ainda a falar do jantar nem da minha magnólia -- que está espectacular, coberta de um manto de flores belíssimas -- nem da nova bebé da família, fofa, fofinha, fofésima, uma ternurinha, por sinal minha homónima, nem do meu tio que está cada dia mais confuso, o único sobrevivente daquela geração, nem de mais nada que isto já vai para aqui um lençol que não se aguenta.

[Nota: Dei o título de 'linha do tempo de um dia tranquilo' pois agora está na moda isto da linha do tempo: por tudo e por nada, lá sai a linha do tempo à cena. E eu embirro solenemente com estas coisas que viram virais e só tenho pena que a ironia não se perceba bem sem uma expressão facial de malícia ou desdém. E aqui, a escrever, e ainda por cima num título, sem verem que isto tem ironia à mistura,  penso que, sem eu acrescentar esta nota, não perceberiam que claro que isto não é nenhuma linha do tempo, é um simples desfiar de tarefas irrelevantes ao longo de um dia normal, bom mas normal.]

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Mas, antes de ir pregar para outra freguesia, toma lá mais esta, ó Chalamet, vê lá se percebes que meteste a pata na poça.

Jiří Kylián: Sechs Tänze

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Desejo-vos um belo sábado

sexta-feira, março 13, 2026

O Um Jeito Manso já ultrapassou os 9.000.000 (9 milhões!) de visualizações
Muito obrigada

 

E, quando dei por ela, já tinha, mais uma vez, deixado passar o marco que gostaria de ter assinalado em cima da hora. Só espero que, qualquer dia, não deixe também de dar conta do meu dia de anos. 

É que, à data e hora que escrevo, a número de visualizações já ultrapassa os 9.054.000. 

Há uns tempos tinha pensado que, quando chegasse aos 9 milhões, deveria festejar de alguma forma. De início, arranjava maneira de fazer qualquer coisa diferente mas agora, muito sinceramente, também não sei bem o que fazer para marcar este patamar. Gostava de ter uma ideia original e que fosse recebida por vós como um presente. Mas esta cabeça já não é o que era... E, ao fim de tanto tempo por aqui, o que posso fazer que ainda vos surpreenda...? Não sei...

Embora nas palavras de pesquisa que as pessoas colocam nos motores de busca para virem aqui dar continue a aparecer muito "Quem é a autora do blog Um Jeito Manso?', pergunta que tem acompanhado este blog desde sempre,  tenho para mim que não há muito mais a dizer. Sou uma pessoa normalíssima (pelo menos é o que acho; se calhar quem comigo convive bem como vocês que por aqui me aturam acham que sou doida varrida mas isso já não sei, cada um pensa o que quer)

Agradecer parece-me a única forma intrinsecamente devida de assinalar um número de visitas de que, confesso, sinto um certo orgulho -- agradecer-vos a companhia, agradecer-vos a paciência, agradecer o não se fartarem de mim. Ao fim de tanto tempo, continuo a receber um número assinalável de visitas e isso deixa-me feliz e, ao mesmo tempo, espantada. E é com humildade que vos digo que gostaria de continuar a contar com a vossa presença aí desse lado. 

De resto...

Recentemente, houve uma mudança aqui no blog: de vez em quando o meu marido tem escrito uns textos, e parece-me que há muitos Leitores que apreciam e partilham o que ele escreve pois, nesses dias, aumentam as visitas via facebook ou por entrada directa no que ele escreveu. Quando o ouvia a reclamar contra alguma coisa, frequentemente contra algumas políticas ou algumas atitudes do Montenegro, dizia-lhe: 'escreve isso, que eu publico'. Resistiu, dizia que não tinha pachorra. Mas depois cedeu, e ainda bem. Quando o vejo concentrado, agarrado ao telemóvel, num canto do sofá, já sei que lá vem bomba. O meu filho também escreveu uns textos de fundo que, igualmente, mereceram bastante atenção, e isso, naturalmente, deixa-me orgulhosa pois ele pensa bem e escreve bem (posso não ser isenta, mãe é mãe, mas, neste caso, penso que é mesmo verdade).

Se me debruçar mais detalhadamente sobre as estatísticas, e vou usar mais ou menos a terminologia do software de análise de dados, vejo que a taxa de retenção de leitores usuais é alta e a taxa de 'aquisição' de novos leitores é linearmente crescente. Obviamente não sei quem são mas o algoritmo lá deve saber. E isso traduz-se numa linha de visualizações crescente ao longo dos anos. Se os blogs estão em crise, tenho tido a sorte de me conseguir ir 'aguentando'. Naturalmente, Portugal continua a ser o país em que mais Leitores me visitam, seguido do Brasil. França, Alemanha, Espanha e, embora menos, o Reino Unido e os Países Baixos, contribuem também com números significativos. Os Estados Unidos, este ano, também se têm movimentado bem, presumo por eu tanto falar de Trump e de todas as suas infames trumpalhadas.

Outra estatística que vejo e que me parece um bom sinal é o tempo de permanência por página, ou seja, o tempo que cada Leitor, em média, demora desde que entra no blog até que muda de página, parecendo evidenciar que, quem entra, fica a ler ou a ver os vídeos, ou seja, não vem apenas espreitar.

Os textos mais vistos nos últimos 12 meses são os seguintes, podendo V. clicar em cada um, caso queiram tentar perceber porquê (retiro-os directamente da página das estatísticas, colocando apenas os que, à data, tiveram mais de 5.000 visualizações):

Posts

Ao todo, desde que o blog foi criado, já publiquei 8.510 posts e já recebeu um pouco mais de 25.000 comentários. 
E, por falar em comentários, tenho que me desculpar. Ultimamente não tenho respondido nem agradecido os comentários. Não sei bem porquê mas mantenho o estúpido hábito de apenas pegar no blog ao fim da noite. Quando trabalhava, percebia-se. Durante o dia obviamente não tinha tempo para tal. E chegava a casa e tomava banho e preparava o jantar, jantava, fazia telefonemas, espreitava as notícias e, com isso, já era tardíssimo quando conseguia debruçar-me sobre o blog, para escrever, para responder aos comentários. Por vezes, ficava até de madrugada. E levantava-me pouco depois, fresca para um dia de luto.
Contudo, parece que acumulei o sono de anos. Ou isso, ou a Covid. A minha capacidade de me aguentar sem dormir já não tem nada a ver. Como só escrevo no blog às tantas, quando acabo, já estou capaz de ir dormir. Acresce que, não sei explicar porquê, desde sempre os Leitores, a maioria, sempre preferiu um registo de maior proximidade através de mail. Portanto, tenho sempre mails para ler e aos quais vou tentando responder (mas, alguns, acabam por ir passando e, quando me lembro, já lá vai um ou dois meses ou mais....). E não me sobra tempo nem energia. Peço desculpa. Não é falta de interesse, é frequentemente mesmo uma incapacidade quase física.
E é isto. Comecei num dia à noite, in heaven, sem saber nada de blogs nem como se mexia nisto. Porque o meu marido tinha passado o dia a cantar 'o meu amor tem um jeito manso que é só seu...'  e eu, por tabela, também andava com essas palavras na cabeça, foi o nome que me ocorreu: Um jeito manso. Não sabia o que ia fazer com isto, se era divulgar pinturas ou livros de que gostava, falar dos tapetes de arraiolos que fazia, escrever sobre coisas de nada, divertir-me e provocar ou, apenas, desistir depois de perceber como funcionava isto. Mas fui ficando. Gostei. Gosto. Por vezes, antes de desligar isto, vou espreitar quem está. Não as estatísticas gerais (e por isso deixei passar os nove milhões...) mas as estatísticas do momento. Escolho, como horizonte temporal, 'now'. E está sempre alguém. Eu a escrever e, ligados a mim, através das minhas palavras, pessoas em todo o mundo. Acho isso fascinante. Gostava de conseguir mandar um 'olá', saber se estão bem, se gostam de ler o que escrevo. 

Neste momento, estão estas pessoas:


Sobretudo através dos mails que recebo, vou sabendo que há quem sinta que lhes faço companhia, já houve quem me dissesse que sou a família que não têm, já houve quem me dissesse que nos momentos mais difíceis de um período de doença fui a presença alegre que ajudava a afastar as nuvens mais escuras. Palavras assim sensibilizam-me muito. Jamais as esquecerei. Tenho recebido desabafos, confissões, pedidos de ajuda. Tenho-me sentido muito próxima de quem me escreve e não sei se por vezes não fiquei aquém do que de mim esperavam. E tenho saudades de pessoas que deixaram de me contactar. Não sei se estão boas, se estão vivas ou se, simplesmente, desistiram de esperar por uma palavra mais acolhedora da minha parte.

A todos agradeço do mais fundo do meu coração.

E espero que nos vamos continuando a encontrar por aqui. No mínimo, será sinal de que estamos vivos. 
😜

quinta-feira, março 12, 2026

Trump compra sapatos para os seus totós amestrados e eles têm medo de não os usar, incluindo o Mark Rubio a quem os sapatos ficam a chinelar

 

Não foram os mortos, os estropiados, os deportados, os que ficam sem casa e sem família, os que ficam desempregados, os que ficam sem apoios a nível social ou de saúde ou de alimentação e todos os demais que se incluem entre as inúmeras vítimas da crueldade e da estupidez exacerbada de Trump, e tudo isto poderia ser um filme cómico.

Já tinha visto nas redes sociais mas, como sempre que vejo coisas parvas demais, desconfio que sejam fake news e mantenho-me de bico calado. Infelizmente, nestes desgraçados tempos, a realidade anda a ultrapassar a ficção pela esquerda, pela direita, por cima e por baixo.

Quando o Guardian confirma, eu rendo-me: é mesmo verdade. Transcrevo:

Segundo os relatos, Trump presenteia os membros do gabinete e os visitantes da Casa Branca com sapatos Florsheim.

Alguns funcionários do governo queixam-se de ter de usar calçado de qualidade inferior em vez dos seus modelos de luxo favoritos.

Sentado atrás da secretária Resolute, Donald Trump fixou o olhar nos pés de JD Vance e de Marco Rubio. “Marco, JD, vocês têm uns sapatos s—xy”, disse o presidente dos EUA, consultando um catálogo e perguntando o número que calçavam. Rubio disse 11,5 e Vance 13. Trump recostou-se na cadeira e comentou: “Dá para perceber muita coisa sobre um homem pelo número do sapato.”

A história é relatada numa reportagem do jornal The Wall Street Journal que conta como responsáveis, conselheiros e aliados visitantes estão discretamente a adquirir sapatos de couro oferecidos por Trump, que lhos apresenta com o entusiasmo de um vendedor ambulante.

Reuniões do gabinete, almoços e passagens pelo Salão Oval podem transformar-se subitamente em conversas sobre calçado.

“Recebeste os sapatos?”, pergunta ele aos colegas, segundo várias pessoas familiarizadas com o ritual citadas pelo jornal. Alguns chegaram mesmo a experimentá-los no Salão Oval.

Uma funcionária da Casa Branca comentou com ironia: “Todos os rapazes os têm.” Outra acrescentou: “É hilariante, porque toda a gente tem medo de não os usar.” (...)

Donald Trump, agora com 79 anos, terá começado no ano passado a procurar algo mais confortável para usar durante os longos dias de trabalho no cargo. Depois de se decidir pelos sapatos da Florsheim, começou também a encomendar pares para outras pessoas. Segundo a Casa Branca, ele paga os sapatos do próprio bolso.

Marco Rubio e JD Vance receberam os seus Florsheim depois de uma reunião em dezembro no Salão Oval. Membros do governo como Pete Hegseth e Howard Lutnick também passaram a fazer parte do “clube”, assim como os comentadores conservadores Sean Hannity e Tucker Carlson e o senador republicano Lindsey Graham.

Diz-se que um membro do governo se queixou em privado de que o presente presidencial o obrigou a aposentar os seus sapatos preferidos da Louis Vuitton — embora poucos pareçam dispostos a arriscar ofender o chefe deixando os Florsheim por usar.

O presidente desenvolveu até um pequeno truque de salão: adivinhar o número de sapato das pessoas. Quando fica satisfeito com o palpite, instrui um assessor a fazer a encomenda. Uma semana depois, chega à Casa Branca uma caixa castanha, por vezes com uma assinatura ou uma breve nota de agradecimento de Donald Trump, relata o The Wall Street Journal.

O hábito tornou-se tão rotineiro que alguns assessores dizem que agora existe uma pequena pilha de caixas de sapatos num gabinete próximo, cada uma com o nome do destinatário. (...)


Tão ridículo, tão, tão ridículo, caraças. Não dá para acreditar

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E são estas mesmas araras descerebradas que estão a lançar o caos e a destruir o Irão, a afundar submarinos cheios de gente, a bombardear uma escola cheia de meninas, a desestabilizar uma dúzia de países, a fazer desacreditar na viabilidade da lei e da ordem baseadas no direito internacional.

Eu sei porque é que a guerra de Trump está em desordem: Wolff | Dentro da cabeça de Trump

Michael Wolff e Joanna Coles discutem a guerra de Trump contra o Irão em tempo real, revelando um comandante-chefe que parece conduzir a guerra da mesma forma que conduz um comício: improvisando a cada instante. Do bizarro regresso da antiga ameaça de Trump de "fogo e fúria" às declarações contraditórias sobre a vitória, rendição e bombardeamento do Irão "de volta à Idade da Pedra", Wolff explica porque é que fontes internas afirmam que não há um plano, apenas improvisação. Entretanto, o Secretário da Defesa, Pete Hegseth, esforça-se por explicar uma estratégia que pode nem existir, os republicanos entram em pânico com o aumento dos preços da gasolina em vésperas de eleições intercalares, e o próprio Trump parece entusiasmado com o espectáculo. À medida que a retórica se intensifica e os objectivos da guerra permanecem indefinidos, Wolff e Coles expõem o caos, as contradições e os riscos políticos por detrás de um conflito que poderá terminar amanhã ou tomar um rumo imprevisível em Washington.

Um mundo que atravessa tempos para esquecer

quarta-feira, março 11, 2026

Este aqui faz-me lembrar imenso um colega que tive, jovem, elegante, bonito, muito certinho, muito competente, muito racional, que só dizia coisas acertadas, que até conseguia defender posições inconvenientes... mas sempre com ar de quem não partia um prato

 

O circo permanentemente armado em que Trump se sente bem e em que, simultaneamente, é o mestre de cerimónias, o palhaço, o ilusionista, o tipo que vende os bilhetes, o patrão e, ao mesmo tempo, o que não resiste a meter parte do dinheiro ao bolso, faz com que meio mundo tente interpretar os seus actos e as suas palavras ou as suas verdadeiras motivações. Pouca coisa bate certo nele. O que diz no início da frase pode ser oposto ao que diz no fim, o que faz pode ser dissonante face ao que anuncia. Desconcerta, causa repulsa e, ao mesmo tempo, atrai atenções.

Tenho visto o que diz a sobrinha, o biógrafo, o antigo colaborador, jornalistas experientes, congressistas batidos -- e uma coisa é comum a todos: sempre que falam, a emoção envolve o raciocínio. As pessoas mostram-se chocadas, horrorizadas, outras vezes quase divertidas. 

Mas não Jake Auchincloss, congressista, democrata, com um CV irrepreensível e, ao contrário de grande parte dos congressistas democratas que estão quase a cair da tripeça, apenas com 38 anos. 

Como escrevi no título, Jake Auchincloss faz-me imenso lembrar um colega. Depois de ter saído, para a reforma, o director experiente e altamente confiável que o antecedeu, a empresa recrutou uma empresa internacional de head hunters para arranjar alguém a quem se pudesse entregar uma área muito crítica e que fosse bem aceite pelos colegas, gente muito sénior e experiente que formavam uma equipa coesa.

Apareceram-nos com um 'puto'. Menino bem, diríamos que beto, alto, magro, bonito, elegante, sóbrio até dizer chega, certinho da cabeça aos pés, sempre com aquele ar muito lavadinho de quem acabou de sair do banho. Olhámos para ele um pouco cépticos. Fosse qual fosse o assunto, mesmo em situações em que o antecessor ferveria, usaria metáforas ou exigiria que rolassem cabeças, este mantinha a frieza, o vocabulário íntegro e bem alinhado, o tom de voz inalterado. Sorria mas era um sorriso educado, bem comportado. Não dizia piadas nem se exaltava. Ouvíamo-lo até enervados, tal a contenção, à espera que um dia lhe saltasse a tampa. Nunca saltou. Pelo menos, enquanto lá estive isso nunca aconteceu.

Aqui passa-se o mesmo. Joanna Coles bem puxa por ele. Mas Jake Auchincloss não se desalinha. Responde a tudo com exemplar racionalidade, com uma frieza de análise que quase passa ao lado do facto de Trump ser um lunático, um demente, um narcisista fora do prazo de validade. E, no entanto, não foge a nenhuma questão, nem se pode dizer que seja estritamente politicamente correcto. Um fantástico exercício de contenção, é o que é.

Eu sei qual é a próxima artimanha doentia que Trump tem na manga | Podcast do The Daily Beast

O deputado Jake Auchincloss junta-se a Joanna Coles para abordar o caos em torno dos ataques de Donald Trump ao Irão, alertando que o presidente pode estar a travar uma guerra sem uma estratégia clara e sem a aprovação do Congresso. O ex-fuzileiro questiona a liderança do secretário da Defesa, Pete Hegseth, pede a demissão do secretário da Saúde, Robert F. Kennedy Jr., por alegados conflitos de interesses e explica porque é que os democratas já se estão a preparar para a possibilidade de Trump tentar minar as eleições intercalares de 2026. A conversa abrange desde a luta do Partido Democrata para resgatar o patriotismo e definir a sua mensagem económica até ao poder político de titãs da tecnologia como Elon Musk e a ameaça à segurança nacional representada pelo TikTok, antes de terminar com perguntas persistentes sobre os Arquivos Epstein.


terça-feira, março 10, 2026

Será que o To Zé é mesmo um falso sonso* que nos vai surpreender...?
-- A palavra ao meu marido --

 

A partir de hoje vamos estar formalmente livres do Marcelo. Já aqui escrevi que na minha opinião foi um mau Presidente da República. 

Prometeu que vai ficar calado, mas temo que não consiga ficar longe dos holofotes mediáticos por muito tempo e que ainda tenhamos que aturar, com maior ou menor frequência, a incontinência verbal que o caracteriza. 

Devo confessar que tenho uma enorme dificuldade em associar a personagem To Zé Seguro ao cargo de  PR, não encaixa. Ver a imagem do Seguro na televisão e ouvir o locutor chamar-lhe Presidente obriga-me, embora tenha votado nele nas duas voltas da eleição, a um esforço cognitivo não despiciente para conseguir ajustar o cargo á pessoa. 

Há seis meses parecia impossível não só a mim como, julgo eu, a uma boa parte do País que fosse eleito PR. 

Conseguiu, mostrou resiliência e perseverança para atingir o objetivo. Merece aplausos e felicitações. Vamos ver como corre, e desejo que corra bem. 

Contudo, parece-me que estas ideias de que a estabilidade é um valor em si mesma e de que os consensos são o Alfa e o Ómega para o nosso desenvolvimento são, no limite, castradoras da democracia e potenciadoras do crescimento do Chega que se poderá posicionar como a única oposição capaz de agregar descontentamentos mais ou menos fundamentados. 

Também vai ser curioso ver como é que o Montenegro, até agora muito pouco dado a consensos, sem respeito pelo papel da oposição e gerador de conflitos, se vai posicionar neste novo contexto. Dobra a cerviz ou estampa-se contra a parede? 

Não me parece que o Seguro tenha muito tempo para mostrar o que vale. A Saúde e a legislação laboral são dois testes muito importantes para vermos se mudou e amadureceu ou continua como há dez anos atrás. 

Boa sorte. Dou-lhe naturalmente o benefício da dúvida, que espero seja infundada.

* - Falso sonso como no domingo foi descrito pelo Ricardo Araújo Pereira no Isto é gozar com quem trabalha

Embora hoje já não seja Dia da Mulher, aqui fica uma análise muito inteligente feito por uma mulher inteligente a propósito de duas mulheres, uma inteligente e outra que talvez também seja

 

Não dou uma casca de caracol furada pelo chamado Dia da Mulher. Não faz sentido haver um dia da mulher. Dizer vacuidades ou verdades requentadas ou repisar no que já toda a gente sabe não acrescenta um pelinho ao assunto. E em vez de pelinho ficava bem era outra palavra menos mimosa mas, como este é um lugar que se quer bem frequentado, vou manter o vocabulário devidamente decantado.

Por exemplo, ao ver como Teresa Morais tentou pôr os arruaceiros do Chega na ordem, pensei que fez mais sobre os direitos e a força das mulheres do que muitos discursos ou manifestações apregoando palavras regurgitadas e mil vezes remastigadas. Mostrou, na prática, quão mais destemidas e frontais e capazes são muitas mulheres do que muitos cacafónicos homens. 

Tinha pensado o mesmo quando, o ano passado ouvi o discurso do 10 de junho da Lídia Jorge. 

Uma mulher de fibra é sempre um monumento. Há vários exemplos disso. Por exemplo, nos Estados Unidos várias mulheres se têm levantado, corajosamente, para defender as suas ideias, a sua interpretação do que é a democracia e a lei e a ordem contra a ignorância e a malvadez dos esbirros de Trump. Liz Oyer é uma delas. 

Mas hoje trago aqui um vídeo em que Joanna Coles, a cujas conversas gosto sempre de assistir, fala de duas mulheres: Melania Trump e Hillary Clinton. Uma análise interessante, um vocabulário inteligente, sobre duas mulheres muito diferentes mas que, na realidade, partilham qualquer coisa de desconfortável. 

A coisa devastadora que Hillary Clinton e Melania Trump têm em comum | Vídeo de Opinião

Numa semana surreal de teatro político, Melania Trump subiu ao palco das Nações Unidas para proferir um discurso sobre paz, crianças e a promessa da inteligência artificial, apenas alguns dias depois de Donald Trump ter ordenado um ataque contra o Irão. Entretanto, Hillary Clinton compareceu perante a Comissão de Supervisão da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, negando com firmeza qualquer ligação a Jeffrey Epstein, mesmo enquanto a longa sombra das ligações de Bill Clinton a Epstein continua a pairar. O resultado pareceu um erro de guião: Clinton, defensora ao longo da vida dos direitos das mulheres, a responder a perguntas sobre Epstein, enquanto Melania, que circulava no mesmo mundo social de elite que Epstein cultivava, dava lições de paz a líderes mundiais. Por baixo do espetáculo encontra-se uma verdade familiar da vida política: ambas as mulheres, de formas muito diferentes, continuam a encontrar-se em palco a encobrir os seus maridos


segunda-feira, março 09, 2026

Ça va san dire, que é o mesmo que dizer que that goes without saying

 

Não dormi nada bem. A meio da noite, ou melhor, da madrugada, vendo que a coisa não ia, por si só, a bom porto, levantei-me e fui tomar meio comprimido daqueles que cá tenho, acho que é de raiz de valeriana. Não me faz logo efeito mas, quando faz, para aí daí por uma hora, finalmente caio no sono. E já sei que, durante uma semana ou duas, vou dormir como uma santinha. Foi o médico de família que me receitou há algum tempo. Tenho ideia que cada caixa tem para aí uns 20 comprimidos e dá-me, à vontade, para 1 ano. 

Mas, por causa disso, acordei tarde. E com mais dor no pescoço. Agora, de vez em quando é isto, torcicolo. Na sexta-feira já me doía um pouco e fui ao ginásio na mesma, não quero dar mole. E, enquanto der, continuarei a ir, mesmo puxando pesos e fazendo aquelas forças que, ao que parece, me garantem a longevidade eterna. Só que, não sei a que propósito, também acordei com dor de garganta. Tenho cá para mim que, quando pinta um stress, o meu corpo reage, inflama, manifesta-se. Estou a virar um vidrinho, é o que é.

Por exemplo, no último ano de vida da minha mãe, em que andei permanentemente debaixo de uma enorme pressão, com ela a queixar-se de tudo e mais alguma coisa mas tudo de forma errática, ilógica, aparentemente nada correlacionado, e em que eu julgava que ela estava num estado descontrolado de hipocondria e já não sabia o que havia de fazer, andei constantemente com inflamações ora num joelho, ora num pé, ora num braço. Ora andava meio manca, ora completamente de perna no ar com canadianas, ora de braço ao peito. Quando ia com ela ao médico ou ao hospital, ela ia lesta e eu toda lesionada. Tenho para mim que o stress me afogava em cortisol e o cortisol amarfanhava-me de todas as maneiras possíveis e imaginárias.

Depois meteu-se o pesadelo de esvaziar a casa, meses e meses, infindáveis meses, de stress. E a ter que carregar com sacos e caixas e toda feita dondoca, a deixar o esforço todo para os outros, em especial para o meu marido, pois continuei aleijadinha de todo e qualquer carga fazia exacerbar ainda mais a inflamação nas articulações. Só visto.

E dormir mal também me atrofia toda. Dantes, quando trabalhava, dormia seis horas, por vezes menos que isso, e andava fresca e arrebitada todo o dia, um mimo. Agora, se durmo menos que sete, já fico com alguma coisa a tender para o disfuncional. 

Seja como for, para já, nem o torcicolo nem a dor de garganta são por aí além. Por isso, fomos na mesma passear à praia. Não estava bom tempo. Mas estava um movimento do caneco, os estacionamentos inexistentes. Tivemos que andar por ali e pelas redondezas à procura de agulha no palheiro. Não íamos almoçar lá mas queríamos comprar sushi para almoçarmos em casa. Tudo cheio, a deitar por fora, tudo com montes de gente à porta. Não estávamos a perceber o que era aquilo. Vi uma mulher com uma roupa meio estranha e por um instante ainda pensei que, na volta, o carnaval se tinha estendido no tempo. Depois vi várias com flores. ainda me ocorreu que fosse dia dos namorados mas depois lembrei-me que isso já tinha sido. Antecipação do 25 de abril não porque não eram cravos. O meu marido também não estava a perceber. Pensei que se calhar era dia da mãe. Depois, porque gosto de confirmar as minhas suposições, perguntei ao gemini. Dia da Mulher. Só me apeteceu pensar que se calhar mais valia passar a chamar-se dia do restaurante.

Fomos passear à beira mar. Como sou míope, vi ao longe uma criatura pequena e gorda a rodopiar com os braços ao alto e um objecto na mão. Comentei: 'Até já as miúdas pequenas se auto-filmam em poses parvas. Em vez de olhar para o mar, olha ali aquela miúda a filmar-se a ela própria como se o mar fosse um mero pano de fundo. Caraças'. O meu marido respondeu: 'Qual miúda?'. Com o queixo apontei. Ele, sempre parco de palavras, apenas perguntou: 'Achas que é uma miúda?'. Pus-me a fotografá-la naquelas poses inestéticas, irracionais e despropositadas. Quando cheguei perto, vi que, afinal, criança era coisa que ela já não era,  era uma mulher baixa e gorda de calças muito justas, o volumoso rabo e as pequenas e gordas pernas a quererem estraçalhar aquelas calças todas. Num banco perto, uma criança à espera que a mãe se cansasse de fazer aquelas tristes figuras. Depois lá foram, à nossa frente. Fotografei-as: a criança mais alta que a mãe e, aparentemente, mais sensata, vestida mais normalmente. Só não ponho aqui as fotografias que tirei não vá a senhora descobrir e ficar furibunda. Afinal estou a descrevê-la como estou enquanto ela se vê, tenho a certeza, como uma nova Raquel Welch. E se já não há por aí a ler-me uma alma que saiba de quem estou a falar, então muito me contam. Serei a mais idosa ou a menos desmemoriada de entre todos os que por aqui passam? -- E ok, ok, façam o favor de fazer a caridade de não me responderem.

O que sei é que, à medida que ia andando, ia pensando: é este o mundo que temos pela frente. Não a perguntar mas a afirmar.

Mas, para não dar a viagem por perdida, ainda lá fiz dois pequenos vídeos que publiquei no Instagram. E, entretanto, ao telefone, a minha filha já manifestou, mais uma vez, a sua estranheza e incompreensão: não sabe o que é aquilo, o mar faz muito barulho, a minha voz mal se ouve, não falo de nada que interesse, e teme que ande, eu também, a fazer figurinhas tristes. Sosseguei-a: estava num sítio em que não havia mais ninguém. E são uns segundos, aponto o telemóvel, digo o que me ocorre dizer naquele instante e já está. Deveria editar ou ter o discernimento de me deixar estar quieta, bem sei. Mas se acho piada a fazer aquilo, porque não hei-de fazer, ora essa? E depois há coisas bizarras. Na quinta-feira à tarde fui passear à beira rio e vi um barquinho quase todo afogado. O barquinho chamava-se Faisão. Apontei o telemóvel e disse: 'Olha... o faisão foi ao banho...'. Pois bem, acreditam que ontem vi que aquilo já tinha sido visto mais de 3.800 vezes? Achei fantástico. E incompreensível. Claro que 3.847 é coisa nenhuma, zero vezes zero quando comparado com os milhões que as influencers de sucesso alcançam. Mas eu sou uma simples anónima, de voz sumida, que não diz coisa que se aproveite. Porque é que as pessoas veem? Será que acham que é uma coisa tão descabida que veem para tentar perceber se há ali alguma mensagem subliminar? Se é, lamento desapontar mas é mesmo só falta de jeito e, se calhar, também de tino.

E, para que vejam bem o grau de desorientação em que esta minha cabeça anda -- na volta porque o pescoço que a sustém está repuxado e a garganta dorida -- tenho que confessar que, quando abri o computador, vinha com a ideia de aqui desabafar um bocado a propósito do animal, do estupor, do infame e cruel cavalgadura que anda a desaustinar o mundo inteiro. Mas distraí-me e, depois, não me apeteceu arrepiar caminho.

Portanto, não levem a mal que eu não tenha feito mais nada senão por aqui ter andado na converseta, sem acrescentar nada que valha a pena... Mas, para que não fiquem a pensar que já estou mesmo maluca de todo e que, com a divagação pegada para a qual derrapei, me esqueci da abestalhada figura, aqui vai o cartoon que a Ella Baron fez para o Guardian

Finalmente, aqui chegada, e vou já dar a faena por encerrada, não faço ideia do nome que hei-de colocar lá em cima, como título deste post. Só me faltava mais esta, já meio a dormir e sem encontrar um denominador comum no que escrevi...

A guerra de Trump e Netanyahu no Irão: As novas roupas do Imperador 


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Desejo-vos uma boa semana

domingo, março 08, 2026

E, agora, uma boa notícia...

 

O dia teve uma componente muito boa, com a família reunida. Os meninos estão naquela fase meio volátil da adolescência e pré adolescência em que, tirando o mais novo, já todos entraram na altura da vida em que já estão a deixar para trás a pele da infância mas em que ainda não ganharam a segurança e independência da vida adulta, e em que todo aquele bulício e confusão de antes está a dar lugar a grupos de interesses distintos ou a que uns se isolem para falar com os seus amigos. Já lá estivemos, sabemos como é. O tempo vai passando e a vida tem que saber ir apanhando o comboio das idades que vão mudando.

Mas o dia, já à noite, teve uma componente desagradável, factores externos que, independentemente da nossa vontade, vieram-nos bater-nos à porta. Já tentámos enxutá-los e só espero que fiquem definitivamente bem longe de nós. A vida também tem destas coisas, sobressaltos, inconveniências. E nós, que tanto gostamos de paz e descanso, que não causamos problemas a ninguém, temos que estar preparados para saber reagir a contratempos que, sem se saber bem como, parece que querem bater-nos à porta. Mas, enfim, a vida nem sempre se apresenta com a suavidade angélica do céu na terra - isto admitindo que o céu é o lugar de paz que se imagina e não o espaço que, por vezes, é atravessado por bombas, mísseis e drones.

Portanto, adiante.

Entretanto, na tentativa de reencontrar a paz de espírito, vim espreitar o youtube. Notícias, não. Não quero ver mais ataques, ouvir sirenes, ver nuvens de fumo, prédios destruídos, gente sem casa ou em fuga. Tudo terrível de mais. Não é bom alhearmo-nos pois o sofrimento ou as injustiças alheias devem merecer-nos atenção, respeito e preocupação. Mas é tanta coisa má, tanta, por todo o lado, a toda a hora, que chego a um ponto e penso: chega, já não consigo mais. 

E, como se soubesse que eu estava a precisar de coisas fofas, eis que o algoritmo me presenteia com o vídeo que aqui partilho.

A história é simples. Um dia, num hospital, a anestesista foi ao encontro da criança que ia ser operada ao coração. Para sua surpresa, a criança, pequena, estava sozinha. Era um menino que estava institucionalizado e, por qualquer motivo, nenhum adulto o tinha acompanhado. Enquanto olhava o menino que estava a ser operado, foi-se formando uma ideia na cabeça da médica. Mal acabou, ligou ao marido. Apesar de já terem 6 filhos, resolveram adoptar o menino. Só que o menino tinha irmãos, cinco... Então convenceu familiares e amigos e vizinhos e cada um adoptou um dos irmãos. Agora todos convivem e, na verdade, é tudo de uma ternura tocante. A bondade por vezes encontra o seu espaço, abre caminhos, transforma vidas.

Médico adota menino que chegou sozinho à clínica e depois arranja lares para os 5 irmãos

Quando um rapazinho apareceu sozinho para um procedimento importante no Nebraska, uma anestesiologista interveio. Como relata Steve Hartman, ela não se ficou por aqui


Desejo-vos um feliz dia de domingo

sábado, março 07, 2026

Leibovitz. Annie Leibovitz

 

Sempre gostei imenso de fotografar e, nos meus anos áureos, com as minhas boas machines, era sempre a aviar. Não conseguia parar. Milhares, resmas, paletes de fotografias. 

Disseram-me uma vez, ao verem as minhas fotografias, que eu tinha um 'eye for detail', e eu gostei de ouvir isso. Descobrir o pormenor que faz a diferença, é isso que sempre procurei. Fotografar, para mim, não é só ver uma coisa bonita, apontar a lente e lá vai disto. Isso é o banal, não acrescenta, não vale a pena. Para mim, fotografar é captar o apontamento, o momento, a luz fugaz, a expressão ou o movimento, a sobreposição de imagens, o reflexo, o irrepetível.

E gostava sobretudo de fotografar pessoas quando elas não estavam a fazer pose ou, de preferência, quando nem reparavam que eu estava a fazer das minhas. Posições descontraídas, instantes de partilha, um olhar perdido, um grupo a conversar. Isso, sim.

Quando vejo aqueles grupos de pessoas em que todas riem, algumas abrem desmesuradamente a boca ou mostram a língua, e ninguém parece estar como é na realidade, penso que é o tipo de fotografia que a mim jamais me interessaria. Mas agora parece que é só disso que se consome. Quando passeio na praia, toda a gente se fotografa e toda a gente faz o mesmo tipo de poses. Presumo que todas essas se exibam da mesma maneira nas redes sociais. Como o algoritmo já percebeu que me interessa sobretudo política, sobretudo política internacional, ou arte em geral, ou dança, ou fotografia ou arquitectura, ou temas japoneses, decoração japonesa, por vezes culinária, outras vezes decoração, frequentemente jardinagem, adoro tudo o que tenha a ver com jardinagem, é disso que me dá a manjar. Não me aparecem majorettes, podcasters da treta, influencers de meia tigela, coisas assim. Por isso, quando vejo aquelas vedetas na praia a levantarem a perna, a alçarem o braço, a porem a cabeça para trás ou a fazerem biquinho de beijoca ou a abrirem a goela, penso que é para se mostrarem no Insta ou no Tik Tok... mas não tenho provas do que digo.

Nos antípodas de tudo isso estão os grandes fotógrafos. Uma das grandes fotógrafas de pessoas, especializada em gente conhecida, é Annie Leibovitz. Desde há muito sou sua admiradora. Tenho livros dela que guardo como peças de estimação. Ver a vida através de uma lente. Conheço essa sensação, embora, agora que uso telemóvel e não máquina a sério, isso seja uma recordação remota. O telemóvel não permite a intimidade de espreitar pela lente e dar-lhe zoom, aproximarmo-nos à socapa, chegar até muito perto, quase à intrusão na alma de quem estamos a querer desvendar.





Annie Leibovitz tem conseguido grandes retratos, daqueles que ficam para a posteridade. Ela consegue teatralizar o ambiente para que a alma da pessoa surja em todo o seu esplendor, ou em toda a sua candura, ou bravura, encarnando a persona que parece viver dentro dela. Annie Leibovitz é a anti-banalidade por excelência.

Este vídeo fala um pouco disso. 

Annie Leibovitz partilha momentos dos bastidores das suas sessões fotográficas com algumas das mulheres mais influentes do mundo

Ao longo da sua carreira, Annie Leibovitz fotografou mulheres influentes, incluindo a juíza do Supremo Tribunal Ketanji Brown Jackson, a Rainha Isabel e a ex-presidente da Câmara dos Representantes Nancy Pelosi. Ela falou com Anthony Mason sobre os momentos por detrás das fotos e os seus planos para o futuro. 


Desejo-vos um sábado feliz

sexta-feira, março 06, 2026

Ah... aqueles que sabem sempre tudo...

 

No outro dia, um comentário -- que muito agradeço -- dizia: "E a proposito de desgraças e malvadez ou percepção delas, em linha com o comentário que deixei há uns minutos.." e deixava o link para o vídeo que aqui partilho.

Ao ouvir, lembrei-me também, de 'O escândalo do século'. Para quem não leu, o conto, que não é bem um conto pois assenta numa situação real que Gabriel García Márquez relatou, do princípio ao fim, quando ainda era “apenas” jornalista — mas já com o olhar agudo que viria a marcar toda a sua obra.

Tudo começa com a morte de uma jovem encontrada numa praia. Quase de imediato, a comunidade, a imprensa e a opinião pública começam a tecer teorias: suspeita-se do namorado, inventam-se motivos, surgem ligações a interesses obscuros, fala-se de política, de drogas, de conspirações. Em poucos dias, o caso deixa de ser uma tragédia pessoal para se tornar um escândalo nacional — com versões cada vez mais elaboradas, cada vez mais seguras de si mesmas, mas cada vez mais afastadas dos factos.

A investigação prolonga-se, desmontando lentamente as certezas precipitadas. O que se descobre, no fim, é muito mais simples — e muito menos sensacional — do que aquilo que todos tinham decidido acreditar. A morte não correspondia a nenhuma das histórias que tinham sido repetidas com tanta convicção.

O relato mostra como, antes mesmo de qualquer tribunal, já todos tinham julgado, condenado e explicado o caso. E expõe a facilidade com que a reputação de uma pessoa — viva ou morta — pode ser destruída pela soma de boatos, preconceitos e pela necessidade colectiva de encontrar culpados.

Mais do que um mistério, é uma reflexão sobre a sede de punição e sobre a ilusão de certeza que tantas vezes domina a opinião pública — como se a verdade pudesse ser substituída por versões repetidas com suficiente convicção.

O protagonista do vídeo que partilho é sobejamente conhecido e a história é recente. De qualquer forma relembro-a. 

Em 2017, o ator Kevin Spacey passou de um dos nomes mais respeitados de Hollywood a uma figura praticamente banida da indústria. Surgiram várias acusações de assédio e agressão sexual feitas por diferentes homens, muitas delas relativas a factos que alegadamente teriam ocorrido décadas antes, num contexto marcado pela vaga de denúncias associada ao movimento #MeToo.

Um dos casos mais mediáticos foi o do ator Anthony Rapp, que afirmou que Spacey o teria abordado de forma sexual em 1986, quando ele tinha 14 anos. O caso deu origem a um processo civil nos Estados Unidos. No Reino Unido, também surgiram várias acusações relacionadas com alegados incidentes entre 2001 e 2013, período em que Spacey dirigia o teatro Old Vic, em Londres.

Antes mesmo de qualquer decisão judicial, a reação pública e mediática foi imediata e avassaladora. Kevin Spacey foi afastado da série “House of Cards”, cortado de projetos em curso e substituído no filme “All the Money in the World”. Na prática, foi julgado e condenado na praça pública muito antes de qualquer tribunal se pronunciar. Durante anos, para grande parte da opinião pública, a culpa parecia já estar decidida.

Contudo, quando os casos chegaram efetivamente aos tribunais, os resultados foram diferentes. Em 2022, um júri em Nova Iorque decidiu que Kevin Spacey não era responsável pelas alegações apresentadas por Anthony Rapp. Em 2023, num tribunal de Londres, foi considerado inocente das nove acusações de agressão sexual que enfrentava.

Independentemente das opiniões pessoais sobre o actor, o caso suscitou uma questão importante sobre o poder da comunicação social e da opinião pública: até que ponto alguém pode ser social e profissionalmente condenado antes de existir um julgamento e uma decisão da justiça?

A presunção de inocência — o princípio de que, em caso de dúvida, não se deve condenar um inocente — é um dos pilares do Estado de direito. O caso de Kevin Spacey recorda como esse princípio pode tornar-se frágil quando o julgamento passa primeiro pela praça pública.

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O vídeo tem uma leitura interessante e um twist inesperado no final. Por isso, sugiro que o vejam na íntegra. 

De novo, relembro que, na rodinha dentada do vídeo, em baixo, podem escolher que tenha legendas e, depois, no auto-translate, seleccionar a língua portuguesa

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Vencedor por duas vezes de um Oscar, Kevin Spacey discursa na Oxford Union

Segundo se lê na apresentação da Oxford Union, trata-se da sociedade de debates mais prestigiada do mundo, com uma reputação inigualável por trazer convidados e oradores internacionais a Oxford. Desde 1823 que a Union promove o debate e a discussão não só na Universidade de Oxford, mas em todo o mundo.


Desejo-vos uma happy friday
[Quando trabalhava, o meu colega britânico, chegava ao fim da semana e, todo feliz da vida, ia espreitar ao meu gabinete para se despedir: TGIF! (thank god it´s friday)]

quinta-feira, março 05, 2026

Há quem os tenha no sítio
-- Quem o dia é o meu marido --

 

De quando em vez um ou outro comentador de direita da nossa televisão diz mal do Pedro Sánchez. Não conheço o suficiente da politica espanhola para me pronunciar mas há pelo menos duas coisas que sei. A economia espanhola é das que mais cresce na UE e o PM espanhol, ao contrário do que acontece com o governo português, não faz fretes ao Trump e não verga a espinha à administração americana. Eu sei que é difícil a Europa falar a uma só voz e que há líderes europeus que não aprendem, mas as declarações que têm sido feitas por estes lados são verdadeiramente irritantes e diminuem o papel que UE devia ter na cena internacional. 

Não aprenderam que a única vez que a Europa mostrou alguma união e fez frente ao Trump, refiro-me á Gronelândia,  o tipo TACO (Trump always chickens out). Não percebem ou não querem perceber que estes actos da administração americana, que toma medidas despóticas, irracionais, que não respeitam o direito internacional e fortalecem objetivamente as posições dos russos e dos chineses têm que ser criticados e a que UE não pode ser complacente com eles. O que vale é a lei do mais forte e, se a UE fosse firme, poderia fazer das fraquezas forças e começar a contar na política mundial.

Na realidade, a Europa dividida e minada por duas ou três toupeiras, não é suficientemente forte e muitos dos países da UE não contam para este campeonato. O Macron, de vez em quando, tenta pôr-se em bicos dos pés e o Merz dá mais no cravo que na ferradura. Por exemplo, na terça-feira, na Casa Branca, quase fez figura de urso.

No caso português, ninguém os tem no sítio. A entrevista do Paulo Rangel na CNN para justificar o injustificável relativamente às Lajes foi ridícula. Nem coragem têm para assumir o que aconteceu. Estou convencido que, se o Pedro Sanchez fizesse alguma escola, a Europa era mais respeitada e o eixo transatlântico não ia ao fundo, antes pelo contrário. Felizmente, esta quarta-feira, o Costa mostrou solidariedade com Espanha o que é relevante.

Tenhamos esperança, mas não estou suficientemente confiante que as midterms tragam grandes mudanças nos Estados Unidos. O Trump é tão nocivo como o Putin e a sua eleição foi uma verdadeira catástrofe planetária.

O Trump é um grande problema, mas, o problema enorme são aqueles que o rodeiam e que tudo manobram para conseguirem os votos dos grunhos e demais acéfalos. Será que vão conseguir continuar a manobrar a esta gente em Novembro? 

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Uma nota final: A conferência de imprensa do Peter Hegseth e a forma como falou do afundamento do navio iraniano revelam bem a boçalidade da administração americana. Ao elogiar empolgadamente a forma como, com um torpedo, o navio foi afundado, esquecendo-se que a bordo estavam quase duzentas pessoas, revela a crueldade e a falta de respeito pela vida humana da administração Trump.

quarta-feira, março 04, 2026

O novo eixo do mal é um belicista aventureiro? Ou não passa de um grande e gordo motor de impulso laranja?

 

 Tinha identificado uns quantos candidatos a serem sucessores de Ali Khamenei mas o ataque foi tão bem sucedido que morreram todos. 

Isto foi dito por Trump. 

Não é de loucos? Eu ouço isto e não consigo conter uma gargalhada. Não parece uma anedota? Mata um para pôr uns que ele lá sabe e, afinal, mata-os a todos? Se não fosse trágico, não era de ir às lágrimas?

É como aquela outra maluquice. Perante as crescentes vozes de que não havia quaisquer evidências de que nos próximos anos o Irão representasse qualquer risco, o fofo Marco Rubio, sempre com aquela sua boquinha de folhos e ar meio perdido, veio dizer que a coisa tinha sido assim: os americanos tinham sabido que Israel -- que se está nas tintas para as negociações que os dois artolas, o genro e o outro totó também do imobiliário, andavam a ter com o Irão -- tinha descoberto uma cena que era uma janela de oportunidade e que iam avançar à bomba sobre o dito Irão. E que pensaram que, se isso ia acontecer, os iranianos, furiosos, iriam retaliar e ainda iam fazer mal aos americanos. Portanto, antes que isso acontecesse, apanharam a boleia de Israel e lá foram dar cabo deles.

Perante a candura desta confissão, a casa veio abaixo: uns a rebolar a rir, outros de boca aberta. Então foi essa a grande razão para avançarem para uma guerra destas que está a desestabilizar o mundo? Então é mesmo verdade que o Bibi é que manda nos Estados Unidos?

Face a esta revelação que pôs o mundo a dar cambalhotas para trás e para a frente, meio mundo perplexo e desconcertado e o outro meio sem sabe se rir ou chorar, Trump, para remediar a barracada, veio contradizer o Marquito: não, não nada disso, não foi bem assim, ele é que forçou a mão de Israel. Só que ninguém acredita numa palavra que ele diz.

Enquanto estou a escrever, estou a ver televisão. E de novo aqui está ele. Confirma que mataram todos os que pensaram que poderiam suceder a Khamenei mas que vão lançar uma onda de ataques ainda mais ofensiva e que, provavelmente, vão matar outros que talvez também pudessem servir. E como, se calhar, a seguir haverá outra onda de ataques ainda mais destrutiva, se calhar depois já lá não conhecem ninguém. 

Ouço isto e penso: mas isto não será para os Apanhados? Isto não será uma comédia? É que é tudo uma maluquice tão grande que é impossível encontrar aqui algum racional.

Também o ouvi a dizer que vai proibir todo o comércio contra Espanha e que, se quiser, usa as bases que (o corajoso e, aparentemente, dos poucos adultos na sala) Pedro Sánchez diz que ele não pode usar. Que não precisa mas, se precisar, os aviões vão para lá e sempre quer ver quem é que o vai proibir. 

Ouço isto e penso que é preciso respirar fundo. Um palhaço destes armado em ditador, em imperador de meia tigela... 


Mais um dilema para Trump
(da autoria de Ben Jennings para o The Guardian)


E não sei se este voluntarismo é bazófia, se é loucura, se é um destemperamento provocador e inconsequente, se é ganância, ou se é demência pura e dura. Sobretudo penso que um estupor destes está é a precisar de uma lição.

E, o que mais me tira do sério, é que, ao lado dele está Merz... a apoiá-lo... Porquê? Como se ouve uma coisa destas e se fica a apoiar? Como!? Não deveria interrompê-lo, não deveria dizer que cada país é soberano e que ninguém se pode sobrepor a isso e, mostrando que não está para alimentar a sede imperialista do bufão laranja, não deveria levantar-se e sair da sala?

Enfim... Um mundo pantanoso em que uns quantos espantalhos se levantam para roubar, vilipendiar e matar os indefesos que esbracejam, tentando salvar-se.

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No vídeo abaixo fala-se numa coisa que me parece muito verdade: se pensarmos em líderes que desencadeiam guerras ilegais, cruéis criminosos de guerra que causam muitas mortes absurdas, então, ao lado de Putin, haverá que colocar Donald Trump e Benjamin Netanyahu.

Claro que, ao falar-se em líderes, David Rothkopf torce-se todo e questiona-se sobre se Trump é mesmo um líder ou, até mais do que um belicista aventureiro, não é senão um grande e gordo motor de impulso laranja. 

E, com isto, já estão a perceber que, uma vez mais, escolho quem quero ouvir sobre o que se passa. Fonte sempre muito bem informada, David Rothkopf, aqui no vídeo ainda não tinha ouvido a confissão de Rubio e as parvoíces de Trump que se lhes seguiram já que a conversa com Joanna Coles foi gravada na 2ª feira de manhã. Mas é sempre uma voz que se ouve de gosto (relembro que nas definições do vídeo podem seleccionar legendar e, aí, seleccionar a auto-tradução para português)

Como a guerra de Trump desencadeou um novo eixo do mal | Podcast do The Daily Beast

David Rothkopf junta-se a Joanna Coles para defender que a guerra de Donald Trump contra o Irão revela um presidente que acredita governar como um rei, e não como um comandante-chefe constitucional. Rothkopf, colunista imperdível do The Daily Beast e fundador da DSR Network, apresenta os argumentos de que se trata de uma guerra ilegal, iniciada sem a aprovação do Congresso, com apenas 21% de apoio público, sem um processo coerente do Conselho de Segurança Nacional e com baixas iniciais que já agravam o caos. Relaciona o ataque impulsivo de Trump aos incentivos políticos de Benjamin Netanyahu, ao risco de escalada regional, aos choques petrolíferos em vésperas de eleições intercalares e à perigosa fantasia de que a mudança de regime resultará de alguma forma em democracia em Teerão.


Desejo-vos um diz tão feliz quanto possível