segunda-feira, janeiro 19, 2026

No rescaldo da 1ª volta

 

Votei no Almirante, mas a preocupação que me levou a votar nele não foi partilhada pela maioria dos votantes pelo que, com pena minha, os portugueses não o levaram à 2ª volta.

E, em coerência com o que sempre disse, passando o Seguro e o Ventura, não hesito nem por um segundo: o meu voto vai, incondicionalmente, para o Seguro. 

Tenho muitas dúvidas na firmeza, na criatividade, no punch de Seguro como Presidente da República: não sei se é pessoa para fazer frente a Montenegro quando isso for preciso e tenho muitas dúvidas de que tenha capacidade, energia e autoridade para se impor como deve ser caso um dia venhamos a ter a infelicidade de Ventura chegar a 1º ministro. Mas as coisas são o que são. Step by step. O cenário agora é Seguro contra Ventura para Presidente da República. Portanto, sem hesitar, o meu voto só pode ser um: em Seguro.

Há uma linha vermelha muito clara: de um lado está a democracia, de outro está a anti-democracia, o populismo. Estarei sempre do lado da democracia, e estarei sempre com absoluta firmeza e convicção.

Portanto, tentando abstrair-me de que vejo o Tó Zé Seguro como o Menino da Lágrima com pose de Rainha de Inglaterra, vou concentrar-me nos seus aspectos positivos: é democrata, é humanista, é civilizado, é um homem sério -- e isso, para já, é o mais relevante. 

Na reacção aos resultados, Ventura, eufórico, ufano, já mostrou ao que vem: vem para a lama. Tentará enlamear Seguro e o que o rodeia. Voltaram as mentiras, os insultos, o apelo ao medo, voltou ao 'nós' contra 'eles', voltou ao 'nós, os puros, os portugueses de primeira', contra ' eles, os socialistas, os corruptos'. O discurso xenófobo, racista, divisionista, radical, não inclusivo, trumpista esteve ali bem presente. 

E eu só espero que quem votou no Almirante, no Marques Mendes ou em Cotrim rejeite isso e saiba posicionar-se a favor do País, da seriedade, da honestidade intelectual, do civismo, da democracia, da bondade e, mesmo que o seu coração penda mais para a direita e para o conservadorismo, dê primazia à decência e aos verdadeiros valores democráticos.

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Sobre Cotrim Figueiredo não tenho muito a dizer, a não ser que fiquei com a ideia de que ficou com vontade de fazer qualquer coisa com os votos que recebeu. Não sei o quê pois tenho para mim que os últimos dias o queimaram. Tendo uma conversa genericamente arejada, espalhou-se ao comprido ao dar a entender que poderia votar em Ventura (contra Seguro) e ao mostrar não ter estaleca para aguentar embates. Depois da notícia sobre o assédio e de ter visto o pasmo de muita gente com a sua não rejeição do voto em Ventura, foi-se completamente abaixo, mostrou-se arrasado, atirou em todos os sentidos de uma forma pouco estruturada. Com isso, mostrou não ter fibra para o cargo para que estava a candidatar-se.

Tirando este aspecto, há que registar o falhanço brutal da candidatura de Marques Mendes e do posicionamento de Montenegro, um falhanço em toda a linha. Com as suas opções e o seu apoio muito activo à candidatura fraquíssima de Marques Mendes, Montenegro derrapou à força toda, e derrapou para debaixo da pata de Ventura. Com isto, Ventura, o grande oportunista, o demagogo que funciona just-in-time, já veio apresentar-se como o líder da direita. Tempos agitados, estes próximos. Com um governo minoritário, com falhanços sucessivos e muito graves em áreas críticas como as da Saúde, da Habitação e da Segurança, Montenegro vai passar a caminhar no fio da navalha, sobre brasas. 

Outra candidatura cujo falhanço é também de registar é a de António Filipe, ou seja, do PCP. Claro que também a votação de Catarina Martins foi um desastre e, por acaso, tenho pena pois fez uma bela campanha. Mas o Bloco é um desastre pelo que desastre por desastre pouco adianta. A de Jorge Pinto, que, nos debates, mostrou estar muito bem preparado, foi outro disparate. Ao baralhar-se todo com o apoio ao Seguro, esvaziou completamente o seu eleitorado. Agora António Filipe, político experiente, esteve a fazer o quê? Qual a lógica do PCP? Mostrar à evidência que já não vale nada? Sendo um partido com um historial que merece respeito, qual a lógica de andarem a exibir uns desgraçados 1,6%? Não percebo. E, no discurso da noite eleitoral, aparecem com a mesma estafada conversa de que os portugueses podem continuar a contar com eles... Mas contar com eles para quê? Não percebem que já não riscam para coisa nenhuma? Não percebem que poucos mais votos tiveram que o Manuel João Vieira...? Caraças. Que pena que me dão. 

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Desejo-vos uma boa semana

domingo, janeiro 18, 2026

Komorebi

 

Acabei de ter uma grande alegria. Aprendi uma coisa e percebi que, na volta, não sou maluca de todo.

Vou contar-vos. 

Tenho um hábito, coisa muito minha, que me leva a ficar a olhar para os muros, para as paredes, para o chão, e que me deixa encantada. É como se o mundo dito real, palpável, se desdobrasse em vários outros, ao mesmo tempo efémeros e imarcescíveis. 

Se tenho comigo o telemóvel, fotografo. Senão, muitas vezes vou a correr buscá-lo. Dantes usava a máquina fotográfica, mas tantas se estragaram que desisti. O telemóvel serve bem. Então fotografo o que me encanta. 

Mesmo à noite, quando vamos passear com o cão, deixo-me ficar para trás para fotografar. Fotografo a sombra que a luz dos candeeiros projecta nos muros, fotografo as árvores contra o céu escuro, quase a sombra que as árvores nocturnas espelham no céu. 

Esta fotografei há pouco, achei-a linda

O meu marido apressa-me, não lhe parece bem que, à noite, as ruas vazias, e isto já para não falar no frio ou na chuva, eu atrase a marcha, me demore, me deixe ficar sozinha. Dantes perguntava o que é que eu estava a fotografar. Agora já se deixou disso. Quando perguntava, muitas vezes eu respondia: 'Nada'. E não era para ser antipática, era mesmo porque achava que ele não ia achar muito lógico se eu dissesse  que estava a fotografar sombras. 

Tenho incontáveis fotografias disso: a sombra que as coisas fazem. A sombra fugaz. Daí a instantes, a posição relativa das coisas face ao sol (ou ao foco de luz) estará diferente, as sombras estarão diferentes ou inexistentes. Ou se o vento agitar as coisas, a sombra perderá a sua nitidez. Adquirirá então movimento, tornar-se-á fluida, ainda mais lábil.

Não comentava com ninguém, ou até escondia, este meu encantamento. Achava que, se falasse nisso, as pessoas achariam que eu não era boa da cabeça e eu teria dificuldade em rebater, se calhar é mesmo pancada. Se me dissessem que eu estava a enaltecer uma coisa banal, uma coisa a que qualquer pessoa normal não atribuiria qualquer relevância, iria pôr-me a falar da beleza poética do que é imaterial, do que não deixa rasto? Estaria a enterrar-me ainda mais, não é?

Mas eis que agora me aparece um vídeo em que se dá um nome a isto. Komorebi. A luz do sol filtrando-se através das árvores. Ou seja, não apenas não é maluquice minha como até tem um nome. Adorei o vídeo: fala-se sobre o assunto, fala-se da beleza das sombras etéreas, intangíveis, móveis, belas, fala-se do que se pode contemplar em silêncio, do que se pode sentir dentro de nós. 

A beleza do Komorebi: como os japoneses veem a luz filtrada

Komorebi é uma palavra japonesa que descreve a luz solar a filtrar-se pelas árvores.

Neste vídeo, exploramos a beleza do komorebi e como os japoneses veem a luz filtrada não apenas como algo que vemos, mas como uma experiência serena de tempo, natureza e presença.

Das florestas e ruas da cidade à arquitetura, jardins de chá e vida quotidiana, o komorebi revela uma forma delicada de perceção do mundo. Ele lembra-nos que a beleza não exige atenção. Ela espera por ela.

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E bora lá votar.

E um belo dia de domingo

sábado, janeiro 17, 2026

Que polícias são estas? São piores que a maioria dos bandidos.
-- A palavra ao meu marido --

 

Não há muito tempo ficámos chocados e enojados com o comportamento inqualificável que vários GNR e um PSP tinham com imigrantes no Alentejo. Uma verdadeira máfia. 

Esta semana foram noticiados, com pormenor, os horrores que dois anormais que foram recrutados para a PSP faziam aos mais frágeis e desprotegidos. Como é costume, este tipo de anormais só consegue ser forte com os mais fracos. Não existe diferença entre o que estes dois energúmenos faziam e o que os PIDES faziam. Os PIDES prendiam e torturavam ao serviço do regime, estes dois merdas prendiam e torturavam provavelmente por prazer, seguramente ao "serviço" das redes sociais e com certeza "suportados" pelo discurso de ódio de uma extrema direita cada vez mais violenta.

Pior ainda! Hoje veio a público que as imagens eram partilhados com cerca de setenta outros agentes da PSP.  Que PSP é esta? Que tipo de gente é recrutada para as polícias? 

E, como sabemos, estes casos não são únicos. Já foram noticiadas outros casos semelhantes de violência sobre cidadãos indefesos, de desrespeito pela liberdades individuais, pelos direitos humanos e pela lei! 

O governo tem que responder rápida e claramente a várias perguntas. Como são recrutados os polícias? A que formação são sujeitos? Como são avaliados? A que controlo estão sujeitos? Qualquer anormal tipo besta pode ser incorporado nos quadros da PSP, da GNR, dos guardas prisionais ou do SEF? 

E outra questão, também pertinente, o que andam as chefias a fazer? São coniventes? Fecham os olhos? Ou andam distraídos? Não controlam os subordinados? 

Tudo isto é gravíssimo e contribui para cada vez para um maior desconforto e completa descrença dos portugueses nas instituições. Se tivéssemos no governo e nos postos de comando gente com alguma ética, a ministra e o comandante da PSP já se tinham demitido. Mas, se o Montenegro mantém a ministra da saúde no governo depois de tudo o que já aconteceu, é pouco provável que agora tomem uma atitude que revele um mínimo de decência. Virem dizer que estes polícias não representam a generalidade dos polícias é pouco, é irrelevante, e mostra mais uma vez que não respeitam os portugueses e que não sabem honrar os cargos que ocupam. 

Há muito que se diz que as polícias estão infiltradas pela extrema direita. Tenho para mim que esta gente, se por acaso vota, vota no Ventura. O discurso do Ventura alavanca este tipo de comportamentos. 

Porque a democracia é diferente da barbárie, estes dois anormais devem ter um julgamento justo e, se provados os factos, devem ser sujeitos a penas exemplares, sem qualquer dó nem piedade! 

Como é possível que um número tão grande de polícias tenha ou aprove estes comportamentos? As polícias estão mesmo doentes e precisam de uma terapia de choque!

sexta-feira, janeiro 16, 2026

Ai... se o ridículo matasse...

 

Só agora vou almoçar. Liguei a televisão enquanto o meu marido não chega aqui. 

E vi o impensável: o Marques Mendes, o facilitador que toda a vida andou colado ao PSD e que agora se enfiou no bolso do Montenegro, anda na campanha eleitoral a apregoar que, se Seguro for eleito, não vai fazer frente ao Governo... 

Tem razão, eu digo o mesmo. O nome do meio do Tozé é Perna-Aberta. Aliás, se o Tozé for a PR (oh ironia... oh desgraça...), não tenho dúvidas que o Tozé, qual Rainha de Inglatera, vai manter a pose com que já está de ser uma figura decorativa, simpática, com cara de menino da lágrima se a coisa não lhe agradar lá muito, ou com cara de amigo de reformados e desvalidos se o momento for de ternura. 

Mas ser o Marques Mendes a vir dizer isto é que é de ir às lágrimas... 

Claro que o Tozé dar um murro na mesa, mandar o Montenegro ou o Ventura irem dar banho ao cão, chamar a atenção a sério, mostrar cartão amarelo -- ou encarnado, se necessário for --, isso claro que o Tozé inSeguro jamais fará. Jamais. Por isso mesmo vou votar no Almirante. Ou alguém acredita que, se um dia Ventura for a primeiro-ministro, o Tozé é menino para se impor...? Está bem, está... Jamais. Mas, claro que nem ele nem o Marques Mendes.

Mas Marques Mendes não se ficou por aí. Com aquele complexozinho de inferioridade que o caracteriza, em que até compara a sua altura com o António Vitorino e, imagine-se, até com a Maria de Belém😅😆😅, agora, para não se ficar atrás do Cotrim, anda a dizer que quem sofreu um golpe de assassinato de carácter foi ele, o maior de todos, um golpe de todo o tamanho, golpe maior nunca ninguém viu. Vamos ver se até ao fim do dia não vai apregoar que a pilinha dele é maior que a dos outros.

Ai, que coisinha mais caricata que para aí anda pelas ruas a querer ser presidente... 

Um mundo de doidos...
Porque é que o fato de treino usado por Nicolás Maduro fez disparar as vendas da Nike?

 

De repente, parece que há cada vez mais coisas que não fazem sentido. 

Bem, se calhar não foi de repente, se calhar tudo isto era fácil de antever. Vamos fechando os olhos a isto, depois àquilo, depois fartamo-nos de ser tão cépticos e vamos dando o benefício da dúvida, vamos olhando para o lado, fazendo de conta que não vemos, temos mais que fazer... até que um dia damos por nós e estamos metidos num molho de brócolos, o mundo que conhecíamos de pantanas.

No outro dia ouvi uma pessoa dizer que Trump está a destruir em meia dúzia de meses o que a civilização levou para cima de um século a conseguir.

Li o artigo cujo título está lá em cima, a encabeçar este post. Revejo-me nele. Por isso, permito-me transcrever a maior parte dele. 

Nicolás Maduro com calças de fato de treino da Nike no porta-aviões USS Iwo Jima, após a sua captura. Fotografia publicada a 3 de janeiro pelo presidente Donald Trump nas redes sociais. @realDonaldTrump


A foto de Maduro em fato de treino, publicada por Donald Trump e relativa à sua detenção, tornou-se viral, e a peça em questão tornou-se muito desejada. Hilariante? Chocante? Apavorante?

Não sei quanto a vocês, mas nos últimos meses tenho-me sentido como se estivesse a viver num mundo irreal, numa série distópica da Netflix ou num programa de burlesco a solo. O mundo tornou-se confuso, insano; as redes sociais inundam-nos com imagens de um presidente americano a dançar ao som de YMCA, a fazer caretas e a dobrar sketches que provocam tanto risos como consternação. O líder do país mais poderoso do mundo aparece diariamente nos nossos ecrãs através de imagens que são reais ou geradas por inteligência artificial — é difícil de distinguir. Até onde vai este show do Trump?

Um fato de treino cinzento que se tornou viral

Esta surpreendente extravagância invadiu recentemente o mundo da moda. A última alucinação? Ou melhor, o maior espanto? A história de um simples fato de treino cinzento que, através de um "Trumpismo", esgotou após uma fotografia partilhada pelo próprio Donald Trump na sua rede social Truth Social para ilustrar a detenção do presidente venezuelano Nicolás Maduro. Um breve resumo para aqueles que possam ter adormecido e ainda estejam meio adormecidos desde 3 de janeiro. Nesse dia, o presidente norte-americano publicou uma fotografia de Maduro, algemado, vendado e de auscultadores a bordo do navio de guerra USS Iwo Jima. O homem que seria julgado nos Estados Unidos por conspiração narcoterrorista vestia um fato de treino cinzento da Nike, composto por um casaco e calças da linha Nike Tech Fleece.

Alguns especialistas em canais de televisão protestaram de imediato, condenando a humilhação máxima: certamente que as autoridades americanas poderiam pelo menos ter deixado o ex-presidente venezuelano vestir-se e não se expor ao mundo com um velho fato de treino cinzento fechado. Claramente, não compreenderam o mundo moderno. Porque apenas algumas horas depois da exibição, este momento altamente geopolítico já tinha migrado para outra arena: o mundo da moda. A 4 de janeiro, a imagem espalhou-se como fogo em plataformas para adultos como o TikTok e o Instagram, gerando uma infinidade de memes, fotomontagens e paródias irónicas. Maduro de fato de treino, a nova estrela do TikTok?

Frenesi Comercial

A história podia ter terminado aí. Mas da histeria mediática ao digital e, depois, ao comercial, tudo aconteceu em termos de cliques. Após a explosão de pesquisas no Google por "Nike Tech" e "Nike Tech Fleece", como evidenciado pelos dados do Google Trends, o casaco e as calças desportivas Nike de Maduro esgotaram-se como água em poucos minutos. Vários tamanhos, especialmente os maiores, desapareceram quase instantaneamente do stock online. O preço das ações da Nike também acompanhou este frenesim. As suas ações na Bolsa de Nova Iorque saltaram de 63,33 dólares no fecho do dia 2 de janeiro para quase 65 dólares por volta das 17h00 do dia 5 de janeiro. Será que Trump se vai gabar em breve de ter provocado, graças à sua espetacular intervenção na Venezuela, uma escassez global de ações da Nike? É fácil imaginá-lo a dar alguns passos de dança em frente à câmara enquanto canta "Just Do It" (o famoso slogan da Nike).

(...)

Mas será que não conseguimos encontrar algo mais inspirador para o nosso guarda-roupa atual do que um fato de treino cinzento e sem graça usado por um ditador bigodudo e fotografado por um presidente caricato?

[Transcrição quase integral de Pourquoi le jogging porté par Nicolás Maduro a-t-il fait exploser les ventes de Nike ?, de Marion Dupuis, no Madame le Figaro]

quinta-feira, janeiro 15, 2026

Coisas que os ricos nunca compram e a que os pobres não resistem

 

Há um canal no youtube intitulado Warren Advices que se apresenta com a imagem de Warren Buffett e, supostamente, com a sua voz. Contudo a voz é gerada por inteligência artificial e o que é dito, na realidade, não foi dito, pelo menos com aquele fraseado, por ele. Há um disclaimer em que isso é explicitado. Os autores dizem que os vídeos têm intuitos educativos e, aparentemente, coligem um conjunto de afirmações ou conselhos que Buffett ao longo da sua vida tem divulgado.

Estive a ouvir o vídeo que aqui abaixo partilho e, de facto, são conselhos sensatos e o que aqui é dito faz genericamente sentido. E, se eu não me incluo no grupo dos ricos, a verdade é que, como já aqui referi algumas vezes, conheço algumas pessoas muito ricas e posso testemunhar que praticam muito do que aqui se diz. 

Esta distinção entre ricos e pobres pode parecer classista, redutora e, até, absurda. Mas, pondo de lado esse aspecto, a verdade é que os há, os ricos e os pobres. E também há mil explicações para cada afirmação que se faça. Mas também me vou abstrair disso pois o objectivo deste post é apresentar as ideias que um dos homens mais ricos do mundo supostamente professa. Se ouvirem o vídeo, saberão que há uma ideia base: os pobres pensam sobretudo no aqui e agora, querem uma coisa e fazem de tudo para obtê-la, custe o que custar, sem pensar muito no médio/longo prazo. Gostam de ostentar e acham que a ostentação vale o preço que for. Os ricos (os muito ricos) não gostam de ostentar e, antes de gastarem dinheiro, pensam no que podem poupar se não comprarem o que se lhes apresenta.

Vários exemplos insignificantes se poderiam apontar. Uma pessoa pode tomar o pequeno almoço na rua, acha que não é por isso que vai ficar mais pobre. Como tomo sempre o meu em casa, nem faço ideia de quanto pode custar tomar o pequeno almoço fora. Vamos admitir que 3 euros. O que são 3 euros? Nada, pensará quem tem esse hábito. Mas um rico pensa de outra maneira. Vou falar no meu caso concreto: ao pequeno almoço, como uma laranja e a seguir kefir, natural, sem açúcar, de marca branca, com algumas sementes e canela. A seguir bebo um café. Se calhar, no conjunto, custa-me 1 euro. Façamos as contas. Poupo 2 euros por dia face a um pequeno almoço fora. Dois euros não é nada. Mas 2 euros vezes 30 dias por mês, são 60 euros por mês. 60 euros vezes 12 meses são 720 euros por ano. Ao fim de 10 anos, dá 7.200 euros. Com os juros anuais, em especial se capitalizarem, dará mais qualquer coisa. 

Ou os almoços fora. Claro que, quando se trabalha, muitas vezes é impossível não almoçar fora. Mas, admitindo que há alternativa, pensemos num exemplo. Uma pessoa, podendo almoçar comida feita em casa, opta por ir ao restaurante. Admitamos que é um restaurante económico e gasta, digamos, 15 euros. Um bom preço, não é? E se for só duas vezes por semana, também não é nada de mais. Contudo, um rico se calhar pensa de outra maneira. Se comesse em casa, provavelmente gastaria o mesmo por 5 euros. Ou seja, pouparia 10 euros de cada vez que não comesse no restaurante. 10 euros duas vezes por semana, seriam 20 euros poupados por semana. Vezes 4 semanas por mês, já a poupança iria em 80 euros por mês. 960 euros por ano. Ao fim de 10 anos, 9.600 euros, fora os juros.

E só nestas duas insignificâncias, já estaríamos a falar de 7.200 + 9.600 = 16.800 euros, fora os juros.

Não é muito...? Não. Mas poupando um pouco aqui, mais um pouco ali, e, se calhar, se quiser comprar uma televisão nova ou um carro ou qualquer coisa dessas, em vez de comprar a crédito por não ter qualquer poupança, pode comprar a pronto e evitar a enormidade que são os juros das compras a crédito de curto prazo que arruínam muita gente pobre.

Abro aqui um parêntesis para contar uma história verídica: uma vez, entrou-me no gabinete um funcionário da empresa, dizendo que queria sair da empresa e negociar a saída, ou seja, receber uma indemnização por saída antecipada. Espantei-me. Era novo de mais para se reformar e velho de mais para arranjar outro trabalho. Quis saber a razão. Desatou a chorar. Tinha arranjado uma namorada, tinha querido impressioná-la, foram passear e as viagens foram a crédito, tinha comprado uma televisão grande, a crédito, iam jantar fora muitas vezes e isso saía caro e tinha pedido um crédito pessoal, e depois não tinha conseguido pagar o empréstimo e tinha pedido outro... e depois mais outro... e já não sabia o que fazer, já andava a viver de dinheiro que pedia emprestado aos pais octogenários que viviam de reformas baixas. E chorava. Tentei que não fosse adiante com essa ideia pois iria usar o dinheiro da indemnização para pagar os empréstimos e, no fim, ia ficar 'liso' e sem trabalho. Disse que ia viver do subsídio de desemprego e que ia para a província tentar arranjar trabalho onde calhasse. Implorou-me que autorizasse. Tivemos uma reunião com a Direcção de Recursos Humanos. Muitas, muitas dúvidas. Mas acabámos por aceder. 

E não foi caso único. Foi talvez o mais dramático pois o total das dívidas já era brutal. Mas era frequente eu receber pedidos de autorização para se pagar antecipadamente os subsídios de férias ou natal a este ou àquele, ou para receberem antecipadamente parte do ordenado e, muitas vezes, quando eu falava com as pessoas para perceber o que se passava e para saber se precisavam de ajuda, concluía que se metiam em despesas absurdas sem acautelarem o que se passaria a seguir. E via como continuavam a gastar um dinheirão em tabaco, que é caríssimo (isto, sem falar, no malefício para a saúde), ou noutras despesas que facilmente poderiam ser suprimidas.

Mas, se estive a falar de 'trocos', a verdade é que, depois, há as grandes despesas como, por exemplo, comprar um carro novo. Uma pessoa rica (refiro-me aos ricos a sério, que fazem contas) nunca compra um carro novo. Compra um carro com poucos anos e poucos quilómetros. Comprar um carro 0 kms a crédito é um erro, um absurdo, um sugadouro.

Enfim. 

Quando fiz voluntariado numa escola situada numa das zonas mais carenciadas do país, um dos tópicos que abordava com os miúdos, que já eram crescidos, relacionava-se com isto: com a necessidade de fazer contas, de planear o futuro, de não pensar apenas no curto prazo, de não gastar dinheiro inútil que poderia vir a ser útil numa situação futura.

Calo-me já e passo ao vídeo. 

Os ricos NUNCA compram estas 5 coisas (mas os pobres compram diariamente)

Automóveis zero quilómetros: O ativo que mais deprecia, perdendo valor exorbitante assim que sai do concessionário.

Casas que não pode pagar: Endividar-se até ao limite não deixa nada para investir e prende-o a décadas de prestações.

Artigos de luxo para impressionar os outros: Marcas de luxo, relógios caros e símbolos de status que destroem património em nome das aparências.

Coisas a crédito que perdem valor: Pagar 20% de juros sobre ativos que depreciam é suicídio financeiro.

Opiniões alheias: Tomar decisões de despesa com base no que os outros pensam, em vez de pensar no que constrói património. 


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Abaixo há um vídeo, também de Inteligência Artificial mas num outro registo.

E um dia feliz

Belo... apesar de tudo

 

As redes sociais transbordam de imagens e vídeos feitos com recurso a inteligência artificial, umas vezes para parodiar a realidade, outras para distorcer os factos, outras para nos transportar para outas dimensões. 

Gosto de espreitar o que vai estando disponível mas, quando me aventuro, sai-me tudo aborrecidamente amador, abonecado, piroso, tudo muito ao contrário do meu próprio gosto. Não tenho paciência para aprender técnicas ou processos que estão em permanente evolução, uso ferramentas básicas e sai o que sair. 

Mas há quem domine as técnicas e consiga imagens tão perfeitas que não apenas parecem reais como, de facto, mais perfeitas que as reais. E quando conseguem que o movimento que as anima seja elegante, subtil, com um pendor estético que emula um bailado, então há que reconhecer o lado virtuoso destas coisas.

Partilho o vídeo abaixo não porque seja mais encantador do que muitos outros que me aparecem mas, apenas, porque foi o último. É bonito, tem um lado poético.

Because It Was Beautiful | AI Animated Video Art | Mamta B. Herland

Ao longo de um limiar frágil entre o cuidado e a posse, persiste a memória de uma liberdade outrora intocada. O que é aproximado pelo amor também é alterado pelo ato de desejar — revelando como a beleza, quando conquistada, pode carregar uma ternura entrelaçada com uma dor silenciosa.


quarta-feira, janeiro 14, 2026

ALERTA VERMELHO para a malta da Margem Sul:
Nada de precisarem de uma viatura de emergência médica durante a noite!

 

Se bem que, segundo o novo presidente do INEM, isso não é grave. Afinal, segundo ele, que falta fazem as viaturas de emergência médica durante a noite? A noite é para a malta dormir e para estar ilesa e saudável, ou não?

E, se pensam que estou a ironizar, esclareço já: não estou. O ridículo já chega a este ponto.

Transcrevo do Expresso: 

"Almada sem viatura de emergência médica durante a noite", 

Escala de janeiro tem nove turnos sem equipa para assegurar a VMER do Hospital Garcia de Orta, em Almada. Presidente do INEM diz ao Expresso que “só não é crítico, porque é no período noturno”. A primeira noite sem socorro é já desta terça para quarta-feira (...)

Está bonito isto. 

Mas ainda bem que o leva-e-traz, de sua graça MM, e o seu guru, o catavento MRS de cujas selfies estamos quase a ver-nos livres, apoiam a grande ministra que, segundo o seu chefe, Mentenegro, Duque de Spinumviva, está a fazer um grande trabalho na Saúde. Benza-os a AD!

terça-feira, janeiro 13, 2026

O nariz (perfeito) de Scaramucci.
E, de novo, a afirmação inequívoca do meu voto no próximo dia 18

 

O ano amanheceu ainda mais perigoso do que estava em 2025. Se antes os riscos decorriam do poder desavergonhado de imperialistas, tarados, psicopatas sanguinários, agora junta-se a isso o desconhecido risco de termos a nação mais poderosa do mundo nas mãos de um doido varrido. Mas podia ser um doido varrido normal. Só que não é. Trump é um narciscista maligno, um mentiroso compulsivo, um sádico, um ganancioso, um desavergonhado, uma pessoa sem pudor nem filtros de qualquer espécie, uma pessoa destituída de compaixão ou empatia.

Se está de facto demente, como vários médicos afiançam, se apenas tem todos os seus defeitos elevados a um expoente até agora ainda não experimentado isso não sei. Só sei é que a verdade é que, ao mesmo tempo, se detecta que há uma inteligência perversa por detrás de tudo o que ele faz. 

Sou levada a crer que há gente interessada em muito do que ele procura, gente interessada em regressar ao país de onde foram levados a sair e que querem regressar, vingar-se, investir em força, gente que quer garantir terras raras a custo quase zero,  gente que quer ter lítio assegurado a preço de chuchu para os próximos anos, gente que quer assegurar petróleo adquirido a preço de saldo, misturada com gente que tem uma visão geo-estratégica de um mundo dividido em três blocos. Provavelmente há um caldo de gente que fervilha e manobra nos bastidores para que tudo isso se consiga. E, dando corda a toda essa gente e vendo o que, para si próprio, pode retirar -- comissões, dividendos, bónus, presentes, parte nos negócios --, está ele, o bufão, o grande corrupto, o negociante que despede aprendizes na televisão, o grande animador que procura share nas televisões, que se baba por primeiras páginas, que se alimenta da atenção que recebe dos outros.

Implacavelmente, Trumpe hostiliza, ofende, humilha, ameaça, despede, persegue, esmaga quem lhe faz frente. E, no entanto, ele aí está, eleito pela segunda vez, as suas grandes mesas e salões de baile sempre repletos. Ao contrário do que a decência recomendaria, muita gente não lhe vira as costas. Pelo contrário, bajulam-no, lambem-lhe o rabo, deitam-se no chão para que ele passe por cima.

Custa a perceber. Mas é isto que acontece.

Só que são factores desconcertantes a mais: não se consegue prever qual a sua jogada seguinte, qual o próximo golpe, qual a afronta que se vai seguir.

Joanna Coles tenta perceber como funciona a sua cabeça e como funciona o círculo de serventes que o rodeia. A entrevista a Scaramucci é interessantíssima. Recomendo-a vivamente.

É isto que o ganancioso Trump está realmente tramando com o petróleo

This Is What Greedy Trump's Really Up To With Oil | The Daily Beast Podcast

Anthony Scaramucci junta-se a Joanna Coles para uma conversa franca sobre o que Donald Trump está realmente fazendo na Venezuela — e por que o caos é o objetivo. Scaramucci argumenta que a ação na Venezuela é motivada menos pela democracia ou segurança do que pelo petróleo, dinheiro e enriquecimento pessoal, e é moldada por teorias da conspiração e pressão política. Ele também analisa o apetite de Trump pela crueldade e pelo espetáculo, os sinais de alerta na escalada da violência do ICE, o afastamento silencioso de aliados como Marco Rubio e JD Vance, e por que republicanos que sabem mais ainda se alinham a ele. A conclusão: Trump não está a descontrolar-se — ele está focado, transacional e cada vez mais disposto a destruir instituições para se manter no poder.


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Quanto às presidenciais, volto a dizer: para PR voto em função do que que antevejo que seja a personalidade, o carácter, a atitude da pessoa e a forma como se move dentro do quadro de valores que me parece fundamental para assegurar um desempenho conforme com a Constituição e com os tempos presentes.

Assim, na primeira volta:
  • não votarei em pessoas que não gostam da democracia nem respeitam os nobres valores republicanos, 
  • não votarei em quem nunca fez mais nada na vida senão ser um videirinho, um leva e traz, 
  • não voto em quem sempre se revelou uma amiba -- sem coluna vertebral, sem punch, sem cérebro (e portanto, sem ideias),
  • não voto em quem ainda está agarrado à morta e enterrada ideia de amanhãs que cantam, 
  • não voto em quem apenas votarei se passar à 2ª volta com o 1º que aqui referi
  • não voto em quem não tem qualquer hipótese de coisa alguma. 
Votarei, pois, em Gouveia e Melo pois, embora não o conheça bem (enquanto aos outros conheço o suficiente para os enquadrar no que acima referi), intuo que tem coluna vertebral, que tem ideias razoavelmente alinhadas com as minhas, que tem uma consistente capacidade de acção e reacção dentro do quadro constitucional, e que conseguirá não nos envergonhar no desempenho das suas funções.

Isto, como referi, na 1ª volta. 

Como, a partir das sondagens, parece claro que haverá uma 2ª volta, nessa altura avaliarei as hipóteses em cima da mesa e decidirei.

segunda-feira, janeiro 12, 2026

Croniqueta de um domingo normal, bom

 

No exterior somos muito apologistas de iluminação solar mas andávamos com dificuldade em acertar: ou não davam a luz suficiente ou estragavam-se à primeira oportunidade. Até que vimos uns projectores na Amazon que nos pareceram promissores. E comprovou-se: até ver, acendem mesmo quando o dia está miseravelmente sombrio, detectam sempre o movimento e iluminam a longa distância. 

Por isso, resolvemos adquirir mais. Isto apesar de, por dentro, sentir sempre uma ferroada: estupor do Bezos. E depois há isto, o meu lado de auto-desculpabilização: penso que não é por eu ceder uma vez, de vez em quando, que estou a contribuir para a felicidade do estupor. Por isso, perdida por cem, perdida por mil, encomendámos também um candeeiro para dentro de casa. O meu marido andava a protestar com a luz fraca na zona em que habitualmente fazemos as refeições. No tecto, mantivemos o plafond dos anteriores proprietários. É um candeeiro de cristal que já era dos pais da senhora. Ela não quis desmontá-lo pois temeu que se desmanchasse todo. Como o acho bonito e reconheço o seu valor, deixei-o ficar. Mas não ilumina muito. Para compensar, temos um candeeiro de pé alto que dá uma luz quente, acolhedora. Mas, reconheço, não ajuda extraordinariamente, em termos de intensidade luminosa. Então, pôs-se ele a tentar descobrir um que lhe parecesse adequado. E descobriu. Este que encomendámos hoje. A ver se não desilude. Depois logo digo. Ou mostro.

Para o almoço não sabíamos o que haveria de ser. Como íamos jantar fora, estávamos com preguiça em puxar pela cabeça. Então, lembrei-me de fazer uma coisa adequada à preguiça que sentia. Cozi uma batata doce daquelas cor de laranja, uma batata normal, duas cenouras pequenas, um punhado de feijões verdes e dois ovos. E, numa frigideira, caramelizei duas cebolas roxas (às rodelas finas, claro). Depois juntei-as ao conduto. Comemo-lo com sardinhas de lata. E podem crer que nos soube bem, e olhem que não estou aqui para enganar ninguém.

Saímos de casa relativamente cedo pois o meu filho, que marcou o restaurante, disse que, se não fossemos cedo, aquilo ficaria muito cheio. Mas às sete e picos já estava cheio. E, quando saímos, por volta das nove, ainda mais cheio estava. Quando chegámos já lá estavam eles e já tinham uma sugestão de pedido. Tudo para partilhar. Quando ouvi a lista pareceu-me comida para um exército. O meu marido nestas coisas acha sempre que não é demais, pensa sempre que aquele pessoal, em especial o pessoal miúdo, é de muito alimento. De resto, o pessoal miúdo também já não é tão miúdo assim. E tinha razão pois, afinal, foi tudo, não sobrou nada. As travessas chegam e quase instantaneamente ficam vazias. E eu própria comi demais. A comida era gulosa e com estas coisas de picar, petiscar, provar e tal e coisa uma pessoa parece que perde um bocado a noção dos limites. Ainda por cima tenho sempre bom apetite. Mas parece que já estou um bocado desabituada de comer muito ao jantar. Agora estou a beber um chá a ver se a digestão se faz mais facilmente pois sinto que comi demais. Quem me manda a mim ser tão lambona, caraças? Amanhã ponho-me a pão e água a ver se compenso o exagero de hoje, que não quero retroceder na forma. Hoje vesti um casaco cintado, de veludo bordeaux, de que gostava muito, mas que já tinha ficado arrumado, a modos que arquivado, no roupeiro das boas memórias. Sem grandes esperanças, antes de sair, lembrei-me de o experimentar -- e até quase me comovi quando constatei que já cabia outra vez nele e que até conseguia abotoá-lo todo, todinho. Portanto, com muita disciplina e muito sentido de abnegação, haverei de manter-me bem comportadinha, afastada dos quilinhos a mais, retomando as minhas roupinhas pré menopausa (que eu, cá para mim, o aumento de dimensões aconteceu nessa altura).

E é isto. Nada mais de declarar.

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Desejo-vos uma boa semana

Saúde, harmonia, paz e alegria

domingo, janeiro 11, 2026

Como é possível termos batido tão fundo na saúde? Incompetentes e estúpidos!
-- Uma vez mais, a palavra ao meu marido --

 

Depois de ter havido 11 fatalidades durante a greve do INEM, depois de terem ocorrido dezenas e dezenas de partos em ambulâncias, na rua, na recepção de hospitais, ..., depois de mais três fatalidades devido à falta de ambulâncias, depois de tragédias de pessoas que estiveram nas urgências e foram mandadas para casa ou não foram atendidas no hospital por não chegarem de ambulância, depois de todas estes horrores e dos que não foram publicitados, quando parecia que já tínhamos batido no fundo foi hoje divulgada uma fotografia de uma senhora, doente oncológica em estado terminal, deitada no chão de um hospital em Coimbra. 

da SIC Notícias

Aflita, cheia de dores, no chão, sem qualquer conforto, sem respeito pela sua dignidade -- a imagem é chocante. 

Mas que porra de merda é esta? Não há um mínimo de respeito pelas pessoas? A dignidade humana não vale nada? Os serviços de saúde abandonam quem mais precisa? 

A situação nos hospitais está tão má que já estão a praticar uma medicina de catástrofe, e quem tem menos hipóteses é deixado à sua sorte? São tão insensíveis que não conseguem garantir o mínimo de conforto a uma doente certamente muito fragilizada e dependente? Não têm qualquer desculpa! São estúpidos e desumanos! Não há atenuantes! 

Tudo isto resulta certamente de uma tremenda falta de organização, de uma indesculpável falta de capacidade de gestão. Podem não fazer por mal mas, apenas, por incompetência. Os responsáveis são quem não percebe isto e não toma medidas. Isto merece punição, isto ofende os portugueses! 

O Montenegro prometeu que resolvia os problemas da saúde em meia dúzia de dias e, ao fim de dois anos, a saúde está um caos, pior que nunca. O Montenegro mantém a ministra, a ministra diz que não se demite e o Marcelo não exige a demissão desta tipa. A única coisa que a ministra fez foi arranjar lugar para os gajos do partido e estragar tudo o que mudou. No meio disto ainda vêm uns palermas do governo e do PSD como o Leitão Amaro, o Hugo Soares ou o Marques Mendes defender a ministra e tentar atirar areia para os olhos dos portugueses. 

São uns m... que não merecem qualquer tipo de respeito. Só uma pessoa burra e estúpida que nem um calhau não se demite numa situação destas. Um PM que recusa demitir uma pessoa assim, se tivesse um mínimo de honestidade intelectual e não fosse cínico também se demitiria, e um PR que sempre protegeu estas duas figuras pouco decentes seguiria o mesmo caminho. 

Deve-nos chocar a todos o que está a acontecer na saúde. Esta fotografia revela bem a situação a que chegámos. Os estúpidos que nos governam deviam ter vergonha. São nefastos para o país.

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Nota

Não temos tido disponibilidade para responder aos vossos comentários. Mas lemos, agradecemos e, globalmente, estamos de acordo.

sábado, janeiro 10, 2026

A doença incurável da Saúde chama-se Montenegro
-- De novo, a palavra ao meu marido --

 

Após terem, infelizmente, ocorrido mais três fatalidades por atraso na prestação dos cuidados médicos pelo INEM, o Montenegro foi ontem à AR com a sobranceria, o descaramento e a arrogância habituais tentar passar pelo meio dos pingos da chuva. Para resolver o problema, anunciou a compra de 275 ambulâncias que estariam disponíveis no Verão. Afinal, parece que os estúpidos que governam a saúde, embora alertados pelo sindicato dos técnicos de emergência médica, não perceberam que há medidas, imediatas e bem mais simples, que poderiam mitigar os problemas que originaram estas tragédias. Primeira: usar as macas que pertencem às ambulâncias inoperacionais; segunda: adquirir macas para os hospitais, para que nunca fiquem retidas macas das ambulâncias; terceira: deslocar para o sul alguns técnicos da zona norte onde "as equipas estão robustas". 

Só pessoas absolutamente impreparadas, sem competência nem experiência não teriam optado por medidas tão simples que parece já terem sido postas em prática em anos anteriores. É o resultado do governo nomear dirigentes apenas pelo cartão partidário, que estão completamente desajustados nos cargos que exercem e que, pelos vistos, nem dois dedos de testa têm. 

Relativamente à compra das ambulâncias, qualquer pessoa que conheça minimamente os processos de contratação pública percebe que é materialmente impossível em seis meses preparar o caderno de encargos, lançar o concurso, obter as propostas, fazer a análise das mesmas, preparar e celebrar os contratos com o fornecedor e este fabricar, equipar, testar e entregar esta quantidade de ambulâncias. O Montenegro estaria a tentar enganar os mais incautos como sempre faz. Mas afinal o Montenegro não estava apenas a tentar enganar os incautos, o Montenegro estava, como é costume, a mentir descaradamente. Estava a mentir com quantos dentes tem na boca como já fez no  caso Spinumviva, com a redução de impostos, com as promessas para a saúde, com a aquisição de carros para a polícia ... . A compra das ambulâncias tinha sido decidida pelo governo do António Costa em 2023 -- o governo que não pôde concretizar a aquisição destes equipamentos devido ao golpe do ministério público. O papel do Montenegro neste processo foi apenas o de atrasar a aquisição dos veículos, assim, originando mais problemas no funcionamento do INEM. 

Hoje veio o "Lentão" Amaro tentar "limpar" a mentira do chefe. Foi pior a emenda que o soneto. O "Lentão" poderá ser aproveitado para técnico auxiliar do pré-escolar, parece-me que o seu perfil se adequa à função. A forma como fala e o que diz estão adaptados a esta faixa etária. Para ministro não serve, a não ser que nunca fale em público e não tome decisões, isto é, sirva apenas de papel de embrulho. E das duas uma: ou o tipo é retardado ou despreza os portugueses, julgando que temos uma idade mental de cinco anos. A forma como tenta explicar o inexplicável dá pena. Em conclusão, a medida anunciada pelo Montenegro destinada a resolver o problema das ambulâncias tinha sido tomada em 2023 pelo governo do António Costa e o governo do Montenegro não deu andamento a esta aquisição, emperrou o processo, sendo responsável pela falta de ambulâncias e pelas as trágicas consequências que daí resultaram. 

Mas o Montenegro também afirmou que mantinha a ministra. Já aqui escrevi que, na minha opinião, só um lobby fortíssimo de apoio à ministra no interior do PSD permite que ela se mantenha no cargo. No entanto, tenho para mim que qualquer dirigente que não seja burro prefere ter a gerir as áreas que supervisiona pessoas competentes, conhecedoras da área e com experiência de gestão em vez de calhaus com dois olhos que "não dão uma para a caixa". Neste caso o  PM, tendo em conta os resultados obtidos, parece ter optado pelo calhau. 

Entretanto, veio o Marcelo secundado pelo "Facilitador Mor," também conhecido por "Leva e Traz" dizer que é preciso o governo dar explicações para sossegar  a populaça. Já chega de hipocrisia. Não é verdade, o que é preciso é apurar responsabilidades, definir objetivos e verificar os resultados.  Explicações são treta para inglês ver. Poderá parecer que o Montenegro, o Marcelo e o "Leva e Traz" são burros encartados. Não são, são é cínicos e hipócritas que só pensam neles e nos votos, marimbando-se para os portugueses. Do Marcelo ver-nos-emos livres em breve, a ministra também dificilmente aguentará muito tempo, e pior parece ser impossível. O Montenegro, a ver vamos. 

Quem more na margem sul está, certamente, apreensivo quanto à capacidade de haver uma atuação atempada da emergência médica em caso de necessidade. Nunca imaginei que o SNS chegasse a este estado. Será que não é de propósito para alavancar o setor privado da saúde?

Nota: espero que o Trump, tendo conhecimento do estado da saúde em Portugal, planeie uma "intervenção benigna" para fazer a extração da Ana Paula Martins. Ficaríamos finalmente livres da moça. E, en passant, mais uma observação: como é possível termos um ministro dos negócios estrangeiros que, com aquele seu ar apertadinho, consegue dizer um disparate tão grande?  

O governo não tem ponta por onde se pegue!

sexta-feira, janeiro 09, 2026

Luís e Luizinho: o ventríloquo e seu boneco amestrado

 

Peço desculpa, mas não consegui fazer melhor. Tentei, tentei mas não consegui aprimorar as feições. Por acaso, Luisinho, o bonequito que o cínico joker manobra, até saiu favorecido, mais compostinho e mais bonitinho do que o é na realidade. O meu receio é que nem o identifiquem. 

Mas, enfim, espero que percebam a ideia. 

Se as imagens estão tão pouco realistas que não servem de caricatura e não transmitem a situação que pretendo ilustrar, sugiro que pesquisem as afirmações do facilitador encartado. Verão que é uma corrente de transmissão do Spinum, mas é uma corrente de transmissão que não acrescenta um pêlo a coisa alguma. Especializado em ser um leva e traz, em abrir portas e em telefonar para este e para aquele e, ao domingo, em ir para a televisão dizer coisas, quando largado por sua conta, prova que não existe. Um boneco só existe quando manobrado pelo mestre. Agora que anda pelas ruas, aos caídos, com um sorriso amarelo, parece uma marioneta abandonada. Claro que ainda tem esperança de ir para Belém para ser o porta-voz do seu dono. Mas comigo jamais contará.

E queiram, por favor, continuar a descer para verem o Trump chinês. Uma graça.

O Trump chinês

 

Como tenho referido muitas vezes -- e não sou criativa ao dizê-lo, toda a gente deve pensar o mesmo --, apesar de ter vários crimes às costas, Trump tem um lado caricatural que nos dá vontade de rir. Se o fulano está mesmo demente e tudo o que anda a fazer resulta de ser uma pessoa mentalmente perturbada, se calhar é chato ser parodiado. Mas a verdade é que, apesar de demonstrar à saciedade que é cruel, mal educado, egoísta, aldrabão, corrupto, má pessoa, desrespeitador, sádico e tudo o que se possa dizer, Trump é tão exagerado e tão descarado em tudo o que faz que dá vontade encará-lo como um actor de um filme cómico.

E, claro, dá vontade imitá-lo.

E se carradas de americanos o fazem, a piada deste vídeo é que é um chinês a imitá-lo.

Imitador de ‘Trump chinês’ viraliza no Pacífico

quinta-feira, janeiro 08, 2026

Que governo é este que esfrangalha tudo onde mexe...?
-- A palavra ao meu marido --

 

Hoje soubemos de mais uma fatalidade causada pela inoperância do INEM. Parece que resultou da falta de ambulâncias e/ou dos novos procedimentos que o novo presidente do INEM implementou, apregoando que eram suficientes para resolver os problemas do INEM. Pelos vistos falhou redondamente, e causou mais uma tragédia. 

Ouvi agora nas notícias que estão setenta e três ambulâncias paradas nos hospitais (só no Garcia de Orta, 20 ambulâncias retidas). 

Ouvi há bocado, também na notícias, que em várias regiões do país habitualmente não há ambulâncias disponíveis e que quem tiver um problema grave tem muitíssimo menos hipóteses de se safar por causa deste caos. Um desastre! 

O governo que primeiro resolvia o problema da saúde em 60 dias e depois em seis meses, a única coisa que fez ao fim de dois anos foi agravar muitíssimo os problemas, criando o verdadeiro caos com as medidas que tomou na saúde. 

O PR é cúmplice desta situação porque, ao contrário do que antes fazia, nunca criticou a situação, deixando que o Montenegro e a ministra tomassem o freio nos dentes e tomassem medidas que destruíram o que podia não funcionar exemplarmente, mas que, pelo menos, funcionava e garantia uma assistência atempada aos portugueses. 

Há três responsáveis por este estado de coisas: o Montenegro, a ministra e o PR. Deviam pedir desculpa por tantos erros... e, no mínimo, a ministra devia ir já para casa! 

Aliás, tudo o que este governo tentou mudar ficou pior. 

No domínio da habitação, as medidas que tomou originaram um enorme aumento no preço das habitações, estão a dar cabo do pequeno mercado de arrendamento que existe e, como seria de esperar, porque este governo está-se nas tintas para quem tem menos recursos, o governo não tomou medidas para garantir habitação condigna à população com menos recursos, incluindo aos imigrantes. 

Relativamente ao controlo da imigração, ninguém sabe o que se passa porque não existem estatísticas nem dados publicados. Provavelmente, o governo ufana-se do que não conseguiu. Mas soube-se com espanto que o governo campeão da segurança conseguiu acabar com o controlo de fronteiras. Parece que o sistema pifou (palavras da ministra) e admito que a dita (ministra) também tenha pifado. 

Pelo meio ainda conseguirem dar cabo da paciência aos estrangeiros que nos visitam, contribuindo para dar uma má imagem do País. Mais uma área onde estiveram "bem ". 

É certo que o governo acalmou os polícias, os GNR e o pessoal das FA, despejando dinheiro em cima destes sectores profissionais. Mas, para além de despejar dinheiro, o governo nada fez nestas áreas e fez bem porque pelo menos continuam a funcionar. 

Temos um governo que estraga tudo em que toca e que desbarata os recursos que irão ser necessários mais tarde ou mais cedo. A incompetência é notória. Será que o governo também pifou? 

O Marcelo bem se pode "orgulhar" da herança que deixa, resultado da instabilidade que criou. É certo que o País ficou laranja em todo o lado, o que lhe deve agradar. Mas não é menos certo que a extrema direita espreita o poder, que o governo é populista e segue a agenda da extrema direita e que os principais problemas dos portugueses se agravaram. 

Boa Marcelo, "ganda" legado! De facto foi o pior presidente dos últimos cinquenta anos!

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Nota à margem: Tenho curiosidade em saber que passos vai o Xi Jinping dar para tentar fazer frente à política da Administração americana.

quarta-feira, janeiro 07, 2026

Notas sobre o grande debate

 

O grande perdedor da noite: zero em termos de conteúdo, zero do sentido de não ter qualquer conteúdo, zero em termos de ideias, e não é uma pontuação subjectiva, não, é mesmo que não tem uma única ideia.  E, ao descontrolar-se, mostrou que tem zero de compostura. Muito mau. E depois a palavra ordinarice, que soltou ao dirigir-se a Gouveia e Melo, soou ali muito mal; penso que é palavra que lhe ficará colada. Refiro-me, é claro, a Marques Mendes. Se houvesse a pouca sorte de chegar à 2ª volta com o Ventura, acho que nem assim votarei em Marques Mendes.

Confirmação: é igualmente um zero em termos de conteúdo e um zero em termos de ideias. Em termos de compostura, já se porta como se já fosse PR. Mas um PR daqueles que não acrescenta ponta de corno. Peço desculpa pela expressão, mas a criatura tira-me do sério. Se já encarnou uma bafienta personagem, imagine-se se tivermos a pouca sorte de ele lá chegar. Um horror. Se for à 2ª volta com o Ventura, com muito desconforto e até muitas e severas dúvidas, votarei nele, nele Seguro. Mas ficarei arreliada até à segunda casa. Que burrice a do Pedro Nuno ter falado no nome da criatura. Há quem o gabe por ter estado 12 anos sem dizer nada, como se isso fosse uma virtude. Não é, é apenas a sua idiossincrasia: não tem nem nunca teve nada para dizer.

Almirante: na realidade ainda não adquiriu a tarimba que nestas coisas dá um certo jeito. E tem algumas saídas um bocado fora da mãe, dá ideia que vai muito ensaiado e muito ensinado e isso retira-lhe alguma naturalidade e, mesmo, algum discernimento. Contudo, continuo a achar que talvez seja a melhor opção.

Ventura: tenho que reconhecer que, no debate, não esteve mal de todo. E não é burro nenhum. Percebe-se que atraia o voto de tanta gente. O pior é que, para além de não ser sério, isto é, intelectualmente honesto, e de jogar no bota abaixo, e de ter valores opostos aos meus, não é confiável. Portanto, é para esquecer.

Cotrim: o ganhador da noite. Esteve muito bem. De todos, foi quem melhor revelou ter ideias e, ao mesmo tempo, ter atitude. Está a subir nas sondagens e isso percebe-se. Acredito que, se por acaso lá chegasse, seria um presidente digno. Acredito também que saberia ser razoavelmente isento face às suas ideias políticas. Provavelmente seria a minha segunda opção.

Antonio Filipe: respeitável e cordato como sempre. Mas não acrescenta, é sempre mais do mesmo. Contudo, calma, em termos de conteúdo e de atitude, 10 a 0 a Marques Mendes e a Seguro. O pior mesmo é o quadro mental em que se move. Mas, quando o vejo, penso sempre que é uma fofésima criatura, uma simpatia.

Catarina: esteve bem no debate e tem feito uma campanha muito capaz. Mas.

Jorge Pinto: esteve bem mas, infelizmente, aquela coisa de não se perceber se está numa de desistir, baralhou tudo.

André Pestana: é o sindicalista do STOP e foi isso que revelou no debate.

Humberto Correia: de vez em quando aparecem pessoas assim, não se percebe bem o que pretendem, mas vê-se que é bem intencionado e, de resto, é um direito que felizmente a malta tem, meter-se em alhadas destas.

Manuel João: de certa forma, alguma desilusão. Estava à espera que fosse mais polémico, mais irreverente. Mostrou ser um peixe fora de água. Com tantos candidatos armados em políticos a sério, o Manuel João não encontrou o seu palco, e teve alguma dificuldade em ser fluente. Mas a felicidade é uma coisa importante, é mesmo, e até me parece bem que esteja na Constituição. Se isto tudo não for para a malta ser feliz, então é para quem? 

Carlos Daniel: fantástico. Um grande moderador. O melhor de todos. Cinco estrelas. Das grandes.

É isto, não é?

 

A vossa atenção para a intervenção de Trump. Dizem que saiu dos carris, que, mais uma vez, desorbitou. 

Pelo que se vê no vídeo abaixo, vagueou por territórios onde se sente como peixe na água: a troça. Uma palhaçada.

Num momento em que supostamente se afadigaria a explicar aos republicanos a golpada venezuelana e o day after e, não menos relevante, tentaria que os seus correligionários o secundassem e ajudassem a mitigar o desagrado que começa a fazer estalar a base MAGA, eis que, mais uma vez, se desviou e se perdeu, enlevado com o riso que despertava. É que se a intenção era a de uma intervenção política, rapidamente se esqueceu disso. Dir-se-ia que estava num espalhafatoso número de stand up. 

Vejam: é isto o Presidente dos Estados Unidos que deitou a mão ao petróleo da Venezuela, e há-de deitar a mão ao lítio e às terras raras, é isto o parvo que está a ameaçar tomar a Gronelândia, se preciso for à força. É isto. Em vez de estar a receber tratamento, está à solta.

Trump imita halterofilista transgênero, gozando da política democrata num encontro republicano na Câmara.

No Kennedy Center, Trump gesticulou, imitando um halterofilista transgénero. De caminho também comentou que a primeira-dama Melania Trump não gosta dos seus habituais números de dança.


terça-feira, janeiro 06, 2026

Baby Trump

 

Trump não é só um psicopata, um narcisista maligno, um mentiroso compulsivo: ele é também um personagem surreal, um personagem cómico, um personagem exagerado que ninguém levaria a sério. Imagino que, num futuro não muito distante, se farão séries e filmes, talvez alguns trágicos mas, na maioria, cómicos, daqueles disparatadamente cómicos.

O pior é que antes que lhe dê um fanico ou que o retirem de cena não vai parar de fazer mal. A contabilidade do que ele já destruiu não deve ser fácil de fazer pois é tudo caótico, simultâneo, atropelado. Tem feito um mal generalizado a instituições e a pessoas. Tem ferido, esperemos que não de morte, a democracia. O rasto de arbitrariedades e de injustiças é imenso, irracional.

O que está agora a fazer com a Venezuela, tendo atacado as instalações em que Maduro e a mulher pernoitavam, arrancando-os da cama e raptando-os, e anunciando que agora são os Estados Unidos que mandam na Venezuela, é do domínio dos filmes de acção de série D, daqueles no gozo. E agora já estendeu a ameaça a Cuba, à Colômbia e ao México. 

E os cobardolas dos líderes europeus, que, exibindo a sua condição de castrados, vieram com conversinhas de virgens encardidas, todos sonsos e palermas, mostrando ter medo de enfrentar o fora de lei cor de laranja, hoje levaram pela cara com a reiterada ameaça em relação à Gronelândia. Ainda não perceberam que um bully só amocha se alguém lhe fizer frente. Um bully é um cobarde que aposta no medo dos outros. Se os outros o mandarem bugiar e lhe mostrarem que se estão nas tintas para as suas ameaças, o bully recua, arrepia caminho. 

Em contrapartida, enquanto os líderes europeus se mantiverem encolhidos, sorriso parvo, a deixarem que o bully os grab by the pussy, tê-lo-emos a gabar-se do mesmo que se gabou quando foi acusado de violar uma mulher: 'Ela gostou. E se ela gostou, não é crime.'. 

Entretanto, vejamos o bebé Trump a dizer as barbaridades que vamos ouvindo ao bully Trump.

Baby Trump: Raptei o Presidente e assumi o controlo da Venezuela

O Bebé Trump está de volta… e ele tem uma GRANDE novidade! 😳💥 Hoje, o Bebé Trump diz que roubou a presidência… isso mesmo… Maduro já foi! 👶🇻🇪 E agora o Bebê Trump está assumindo o controle da Venezuela como um chefe! 🍼💣

Assista ao Bebé Trump a fazer seu anúncio maluco, caótico e totalmente infantil 🍼🗣️💥 Será que ele vai governar o país melhor que os adultos? Quem sabe… mas vai ser hilariante 😂🤯


Que o mal não dure muito mais -- é o que eu desejo

segunda-feira, janeiro 05, 2026

E se aquilo de os Estados Unidos irem 'tomar conta' da Venezuela tiver sido mais uma maluquice do Trump... uma maluquice que lhe ocorreu no decurso da própria conferência de imprensa...?

 

Este domingo mostrou-se afável como há muito não via os dias. Nem vento nem chuva nem frio. Um solzinho algo tímido mas, ainda assim, bem agradável. Consegui andar a varrer as folhas, consegui andar cá fora sem ter que me desviar da chuva nem andar encasacada. Bem bom.

E fizemos umas boas caminhadas. Cruzámo-nos com mais pessoas do que é costume, em especial pais com crianças pequenas a andar ou a aprender a andar de bicicleta. O meu marido disse que devem ser bicicletas recebidas pelo Natal. Também várias pessoas a passearem os cães. Os campos verdes de dar gosto. Daqui por algum tempo o verde será erva alta mas, por enquanto, parece relva e musgo, um tapete fofo por onde apetece andar.

Felizmente comprámos, há semanas, um dispositivo para secar sapatos, umas coisas elétricas que se enfiam dentro dos sapatos. Por isso, quando chego a casa costumo descalçar-me, incluindo as meias, e pôr os sapatos a secar. Andar no meio da erva molhada dá nisto. Claro que poderia usar uns ténis impermeáveis mas prefiro andar com uns muito confortáveis, maleáveis (que são porosos). Comprei há tempos uma espécie de meias de uma espécie de latex que se calçam por cima dos sapatos. E funcionou lindamente, um ovo de colombo. Mas isto de andar no meio da erva e do mato não dá saúde a coisas assim. Sem querer, em especial de noite, piso pedras, paus. Portanto, aquela espécie de botinhas elásticas já não funciona, já estão furadas, já deixam entrar a água. Mas pronto, foram baratas e já cumpriram a sua missão.

Bem. Queria eu dizer que o dia foi tranquilo. 

Ao fim da tarde, como ando incomodada com a tumpalhada da Venezuela, pus-me a ouvir várias opiniões sobre o assunto. Toda a gente converge na ilegalidade, na inconstitucionalidade, na gravidade. Claro.

Mas agora ouvi a opinião de Michael Wolff, que o conhece bem e conhece bem a sua entourage e o staff da Casa Branca, e ri-me com ele e com Joanna Coles. A opinião de Michael Wolff, baseada na sua intuição e em informações recolhidas, é que aquilo de os Estados Unidos irem tomar conta da Venezuela foi uma que lhe saiu ali, no decurso da conferência de imprensa, fruto da sua mania das grandezas e da sua demência. Segundo Michael Wolff, aos poucos todos tentarão ir chutando para canto ou fingindo que estão a fazer alguma coisa nesse sentido mas, na prática, não fazendo nada -- não têm como, não têm pessoas para deslocar para lá com conhecimentos para tomar conta do que quer que seja na Venezuela, não têm autorização do congresso para se meterem em despesas, não têm nada planeado. Ou, igualmente provável, 'tomar conta da Venezuela' na cabeça de Trump não passe de conseguir, ele, a família e os amigos, sacarem de lá o mais que puderem, o mais rapidamente possível, e não o que se poderia interpretar, levando à letra o que ele disse.

Mas, digo eu, sabe-se lá. De um descarado, prepotente, narcisista, sem escrúpulos, ainda por cima demente, o que se pode esperar...? Esperar-se-ia, isso sim, que as instituições funcionassem, que a democracia e o mundo desenvolvido tivessem mecanismos de defesa. Têm mas são tão frágeis que um único maluco pode acabar com tudo em menos de nada. Na prática, a nossa condição é a de indefesos. E isto sou ainda eu a dizer.

Mas convido-vos a ver o vídeo abaixo. Como sempre, a conversa dos velhos amigos, Joanna Coles e Michael Wolff, é bastante interessante. E traz-nos o lado pessoal do que geralmente vemos analisado sob o ponto de vista político. 

E se, mais do que uma bem pensada jogada geo-estratégica, tudo isto deve é ser ser visto como um cocktail de motivações erráticas, mais irracionais do que racionais...? Veja-se: o medo do que aí vem com a revelação de mais ficheiros Epstein em que inevitavelmente virão provas comprometedoras para Trump, o medo do que será a reacção colectiva das pessoas quando virem que o que vão pagar do seguro de saúde vai ser o dobro do que era e, em alguns casos, o triplo; isto a par da pressão das petrolíferas, do real state e das big tech para irem para lá sacar petróleo, terras raras, lítios e etc e irem construir hotéis, casinos, arranha-céus; e mais as provocações de Maduro a dançar e a mostrar que não tem medo dele -- tudo isto deve ter atirado aquele narcisista megalómano e demente para a frente, no que foi secundado por um grupo de palermas. Claro que os militares, que ainda não têm a coragem de não acatar ordens ilegais, executaram as ordens. 

JD Vance, calculista, a preparar-se para se chegar à frente mal surja a oportunidade, e que é um isolacionista, Maga puro e duro, America first e os outros que se lixem, não apareceu na conferência de imprensa. Poderá invocar gripe ou coisa do género mas só os tolos engolirão a desculpa.

Enfim. Um mundo entregue a gente doida. Um perigo temperado pela mais absoluta imprevisibilidade.

No outro dia ouvi um terapeuta que trabalha em lares onde trata de idosos com demência a dizer que acha que Trump só deve ter mais um par de meses em que possa fazer de conta que está funcional pois rapidamente o seu estado se deteriorará a ponto de terem que o retirar de cena. Veremos. 

O vídeo abaixo só começa aos 3'28". Dá para colocar tradução automática.

Michael Wolff & Joanna Coles discutem o tema Trump & Venezuela

Michael Wolff e Joanna Coles discutem a declaração de Trump de que os Estados Unidos vão assumir o controle da Venezuela após a captura do líder autocrático Nicolás Maduro.

Numa conferência de imprensa tumultuada em Mar-a-Lago, Trump também revelou planos para se apoderar das reservas de petróleo do país e alertou que "não temos medo de enviar tropas terrestres" como parte da tomada de poder.


Desejo-vos uma boa semana

domingo, janeiro 04, 2026

Isto não está a começar bem...
E não sei se o que me incomoda mais é o crime de Trump se é a cobardia dos Europeus

 

Não simpatizo com Maduro, nada mesmo. Tenho sempre muita pena dos povos que não vivem em democracia, que não têm o privilégio de viver em plena liberdade, que não têm a sorte, que toda a gente deveria ter, de viver num país desenvolvido, humanista, inclusivo, moderno. Teria ficado muito mais animada se, em eleições livres, os venezuelanos escolhessem um verdadeiro democrata.

Contudo, nem de longe nem de perto, apoio ou percebo ou justifico a criminosa acção militar dos Estados Unidos de atacar alguns alvos e raptar Maduro e a mulher, indo buscá-los à cama e depois, algemando-o, vendando-o, transportando-o para os Estados Unidos, humilhando-o de forma vil, expondo-o ao mundo nessa condição de preso, vendado e humilhado.

Pelo contrário, revolta-me as entranhas saber que alguém pode fazer isto, que um país resolva promover uma acção destas para, de forma prepotente e desrespeitadora, pegar no presidente de um país e levá-lo à força para ser julgado num país estrangeiro.

Revolta-me o que, antes, Trump e o gang de anormais que o rodeia andaram a fazer, disparando mísseis contra barquinhos, matando as pessoas que lá iam. Não sei se transportavam droga se não. Mas, se suspeitavam que os barquinhos transportavam droga para os Estados Unidos, então que apreendessem os barcos e prendessem os seus tripulantes para que se averiguasse se era isso mesmo. Nunca, por nunca, que, sem mais, matassem as pessoas. Isso são crimes que a comunidade internacional deveria ter condenado veementemente.

Revolta-me a desfaçatez de Trump e da corja que o apoia que declaram às escâncaras que a partir de agora vão mandar na Venezuela. Revolta-me isso até mais não. Revolta-me que, sem se dar ao trabalho de disfarçar (por exemplo nem se deram ao trabalho de dizer que vão restaurar a democracia), confesse que vai explorar o petróleo venezuelano, que vai ficar com o que calhar à conta de uma qualquer compensação. É abjecto. Uma ladroagem à descarada.

Revolta-me, ou melhor, enoja-me, a descrição que Trump fez, dizendo que a operação parecia uma série de televisão e que foi uma acção espectacular, rápida e violenta, e reforçando a palavra violenta como se ser violento fosse uma boa coisa, e dizendo que não se via uma coisa assim desde a II Guerra Mundial, e incomoda-me que tenha feito acompanhar o vídeo do ataque de uma música, absurda e despropositada naquele contexto -- tudo ridículo, abastardado, sem noção. Revolta-me a palhaçada que é tudo o que Trump faz e diz. 

Mas revolta-me também muito, muito, muito, a reacção hipócrita e cobarde dos países europeus (do que ouvi, talvez com excepção para Espanha). 

Que cara, que voz, que coerência podem os europeus mostrar na defesa da Ucrânia contra o invasor Putin quando, perante Trump, se calam? E escrevo calam quando o que me apetece é dizer que abrem as pernas. Mas não digo. O que digo é que, perante um demente, um aldrabão compulsivo, um narcisista maligno, o que se tem visto aos europeus é fecharem os olhos, apaparicarem, passarem-lhe a mão pelo pelo. bajularem. Será uma atitude estratégica. Sei que sim. Mas sei também que a cobardia tem perna curta e, pior que isso, a cobardia é sinónimo de se pôr a jeito. 

Foi certamente com o engodo da Venezuela que Putin deu a volta a Trump com a Ucrânia, tal como é com a ganância e a sem-vergonhice, e, logo, com a conivência de Putin e Trump que Xi Jinping conta para um dia ficar com Taiwan. Parece que, de repente, constatamos que o fim da lei e da ordem é um facto, é o novo mundo, parece que este é o tempo dos chacais. E nós todos presas fáceis, insignificantes poeiras.

Raios os partam. 

Esquecem-se é de uma coisa, é que não há mal que sempre dure.

sábado, janeiro 03, 2026

Imaginação

 

Como se costuma dizer, sou insuspeita. 

De Francisco Louçã creio que ninguém poderá dizer que sou suspeita de ser sua fã, sua adepta, sua seguidora, sua admiradora. Zero. Não quer dizer que nunca concorde com ele pois claro que, por vezes, concordo. Mas, em geral, não é a minha praia.

Portanto, um livro escrito por ele não me faz ir a correr para a livraria, física ou virtual. Zero. E, contudo, aqui o tenho. Surpreendeu-me o título, o subtítulo e a capa. Surpreendeu-me o texto da badana da contracapa, abaixo transcrito. Abri o livro e folheei. E não está a desiludir. Direi mesmo: a surpresa mantém-se. 

Einstein, no auge da sua fama, afirmou «sou suficientemente artista para me basear livremente na minha imaginação. A imaginação é mais importante do que o conhecimento. O conhecimento é limitado, a imaginação cerca o mundo» – é dela que trata este volume. Ao percorrer a revolução cromática com os sóis sobre sóis de Van Gogh e o quilo de verde de Gauguin, o ensolarado sorriso azul de Proust e o verde-ouro de Frida Kahlo, encontram-se vislumbres de harmonia em mundos devastados pelas tragédias. É sempre a imaginação que anuncia a sua libertação, como através dos percursos pelo desconhecido, como as mentiras de Preste João, o deslumbramento de Marco Polo e Ibn Battuta, as poderosas ideias religiosas, as fantasias da Itália romântica e do Oriente sensual, ou ainda como as viagens mais fascinantes, o amor e a sexualidade, que concluem este livro. O que assim se estuda é como imaginamos.


Transcrevo a primeira página e parte da segunda. Poderão ajuizar. Como a mim é tema que me interessa, vou continuar a surpreender-me. E, se continuar como até aqui, continuarei agradada.
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INTRODUÇÃO

A invenção vem da imaginação e a imaginação é um labirinto em que o difícil não é a saída, é a entrada.

Rubem Fonseca

Com a sua peça Sonho de Uma Noite de Verão, William Shakespeare encenou uma comédia amorosa em que os seus personagens se desencontravam numa floresta encantada, onde elfos e fadas lhes confundiram a razão e uma poção mágica lhes trocou as paixões. Há ainda dentro daquele Sonho o ensaio de uma representação teatral para uma boda, e os diversos níveis da história vão-se entrelaçando em sucessivos equívocos. Teseu, duque de Atenas, cidade onde decorre a peça, queixou-se deste jorro de imaginação que permitia tudo o que perturbava a ordem: «Os amantes e os loucos têm cérebros tão fervilhantes, e fantasias tão criativas, que captam mais do que à fria razão é dado apreender. O lunático, o amante e o poeta são compostos só de imaginação».¹ Este desdém era obviamente uma paródia sobre o choque entre a imaginação, designada como loucura, e o poder. No entanto, o próprio Teseu reconhecia que a imaginação chega mais longe do que a razão. Essa ideia é um dos pontos de partida deste livro, que retomará temas do mesmo Sonho, como o ímpeto carnavalesco, a afirmação do amor e, sobretudo, o imaginário como linguagem da esperança e da felicidade.

Enquanto aquela peça era apresentada, nos finais do século XVI, pensa-se que na festa de um casamento aristocrático, Miguel de Cervantes escrevia em Castela as suas novelas e algum teatro. Passada uma década sobre a estreia do Sonho, deu à estampa o Dom Quixote. Nesse mesmo virar do século, o frade dominicano Giordano Bruno, ensaísta, matemático e filósofo, foi condenado por heresia e morto na fogueira em Roma; o médico e cientista William Gilbert publicou o seu livro sobre o magnetismo da Terra e Galileu Galilei leu-o com entusiasmo, enquanto estava a observar o firmamento e a aperfeiçoar o telescópio; e Johannes Kepler completou os seus estudos sobre o heliocentrismo, ao mesmo tempo que escrevia em segredo sobre o sonho de uma viagem à Lua. A literatura moderna é contemporânea tanto da emergência da ciência quanto da invenção ou da difusão de novas tecnologias, que, com a bússola, a impressão com tipos móveis, a pólvora e o telescópio, mudaram os sistemas de autoridade. Foi igualmente o tempo do início da colonização do Novo Mundo, da Reforma protestante e de guerras no Centro da Europa e no Mediterrâneo (Cervantes combateu contra a marinha otomana em Lepanto, onde foi ferido e perdeu o uso de uma mão, e Kepler foi frequentemente forçado a fugir das refregas entre príncipes católicos e protestantes). Deveriam assim acrescentar-se à lista de Shakespeare e à de Cervantes novos personagens, pois, além das fantasias de poetas e amantes, ou do Cavaleiro da Triste Figura, seguir-se-iam outros portadores de imaginação fervilhante, que eram os cientistas, os dissidentes religiosos, os viajantes e os soldados dos impérios.

Poder-se-ia perguntar, como Shakespeare sugeriu pela voz do duque de Atenas, se a vida é uma tensão entre o que imaginamos, com a nossa cultura e paixões, e o entendimento.

[Excerto de "Imaginação - Cores, Deuses, Viagens e Amores" de Francisco Louça] 

sexta-feira, janeiro 02, 2026

Abrir as hostilidades lendo as mentes

 

Neste momento já não é o primeiro dia do ano e, portanto, escuso de fazer um post muito alinhado. Pensei fazer um post sobre a natureza, sobre uma extraordinária borboleta, ou sobre o que ler faz ao cérebro, e claro que só faz bem, ou sobre acontecimentos marcantes ou sobre os avisos, que se sucedem, sobre os riscos da Inteligência Artificial.

Mas o meu dia foi muito bom, mas com a primeira metade um pouco cansativa. Nestes dias, ponho o despertador para me levantar cedo e, de imediato, entro em erupção criativa a nível culinário. Só me apetece fazer coisas, um buffet completo. O meu marido entra em stress, diz que é um disparate, que eu deveria simplificar. E pergunta-me o que vou fazer. Digo que só sei quando fizer. Ele pensa que estou a desconversar mas não é. é mesmo. Faço sem antes ter pensado no que ia fazer. Pergunta-me: 'Mas nunca fizeste isso. Leste em algum sítio?'. Não. É tudo, ou quase tudo, na base do improviso. E tudo na base de muitas etapas preparativas. Tudo feito com grande prazer. Mas, como é para muita gente, a coisa complica-se. Por exemplo, fiz um lombos de salmão em papelotes com puré de batata e ovo e espinafres salteados, o peixe pincelado com uma emulsão de mostarda, sumo de lima e sal. Várias etapas: cozer as batatas (normais e doces) e os ovos, saltear os espinafres, fazer o molho, e depois dispor tudo nas folhas de papel vegetal. Muitas. A bancada de um dos lados ficou toda ocupada, até com papelotes sobrepostos. Depois tudo para o forno. Mas isto foi uma das coisas. Uma de muitas. Até fiz uma pizza. Tudo. E foi bem apreciada. Acho que nem a provei. Fiquei foi com vontade de fazer mais. Pode ser que depois conte. Hoje não.

A tarde foi tranquila, boa. Uns jogam, outros veem televisão, tudo tranquilo e animado, um ou outro com uma pancada de sono tal o reveillon, mas, enfim, a alegria do costume. 

Mas o que eu quero dizer é que hoje não estou numa de falar nem de coisas sérias, nem de coisas fofas nem de assuntos que merecem respeito. Estou é capaz de ir dormir.

Por isso, vou abreviar e vou antes partilhar um vídeo com aquele fulano que parece ter dons extraordinários. Supostamente não são dons, são habilidades. Mas é uma coisa que parece do outro do mundo de tal forma é do caraças. 

Fico super curiosa, gostava de perceber como é que uma coisa destas é possível. E, pelo que se vê, deixa estupefactas pessoas habituadas a ver e ouvir de tudo, como é o caso, por exemplo de Anderson Cooper. E é com isto, com estas cenas mentalistas, que, aqui no blog, abro as hostilidades em 2026.

O mentalista Oz Pearlman impressiona Andy e Anderson | CNN Véspera de Ano Novo 2026

"O quê?! Como isso é possível?" O mentalista Oz Pearlman aparentemente lê as mentes de Anderson e Andy ao vivo na Times Square na véspera de Ano Novo.


Desejo-vos, de novo, um bom 2026

E um dia feliz, este de hoje e todos os que se seguirem

quinta-feira, janeiro 01, 2026

Feliz Ano Novo!
Venha daí esse 2026 que cá estaremos para o receber de baços abertos.

 


Como dizia um amigo, que não percamos nada do que nos é relevante. Nada nem ninguém. E, se o ano for assim já não será mau,

Poderia especificar mais alguns votos: que tenhamos saúde, saúde é tão importante, que sintamos alegria e motivação, que nos sintamos amados, reconhecidos, que nos sintamos em paz connosco e com os outros, que saibamos ver a beleza que nos rodeia, que saibamos reconhecer os gestos de generosidade e que nunca nos esqueçamos de os agradecer, que saibamos receber e retribuir o afecto, que saibamos ser justos e firmes na exigência de justiça, que saibamos ser verdadeiros e exigir a verdade, que saibamos fazer boas escolhas e percebamos que só nós somos responsáveis pelas nossas escolhas. E que aqueles que amamos ou, simplesmente estimamos, se mantenham bem e perto de nós.
E mais. E mais. Tudo de bom.

E vai daqui um abraço.

Feliz 2026!

🎇🎉🎉🎊🎊🎇

quarta-feira, dezembro 31, 2025

Montenegro & Ventura - a dupla de circunstância ou o controlo de fronteiras
-- Na despedida de 2025, de novo a palavra ao meu marido --

 

Conforme planeado (ironia, claro!) e em linha com a política seguida, o governo, superiormente "governado" pelo Luís, decidiu, pelo menos nos próximos três meses, deixar de utilizar o sistema informático de controlo de entradas de extra comunitários. A EU não gostou. Pudera! E eu não percebi. 

O que me surpreende é que, a ao contrário do que faria há dois ou três anos, o Luís não ande por aí a gritar aos quatro ventos contra esta medida, que o "Lentão" num ataque de histeria não se insurja contra esta decisão, que o Hugo Soares não vocifere com a má-criação habitual, acrescentando uma boa dúzia de palavrões, contra esta desorientação e que last but not least a D. MAI não seja despedida com justa causa. 

Mas ainda é mais surpreendente que o Andrézito não fale agora de política de "portas escancaradas" e de "bar aberto", que não contrate mais dez seguranças para garantir que não é violado por um extra comunitário e que, no mínimo, não tenha um, senão, dois fanicos. Aposto que ainda vem dizer que os "bandidos" vão respeitar a decisão e não vão ousar pôr cá os pés. Será que existe um plano de cessar fogo secreto entre o Luís e o Andrézito que foi mediado pelo Trump e relativamente ao qual este último ainda vai dizer que foi mais uma guerra com que acabou? É pena é que quem vota ainda não tenha verdadeiramente topado esta malta que nos governa. Haja dó para tanta incompetência e desfaçatez!