quinta-feira, janeiro 22, 2026

O notável discurso de Mark Carney, Primeiro-Ministro do Canadá, em Davos

 

Presumo que já toda a gente tenha lido e/ou ouvido o discurso, escrito pelo próprio Mark Carney e que espantou toda a gente -- uma lufada de ar fresco, uma janela aberta para um mundo que pode ser melhor, um murro na mesa (ou na cara de Trump), um pensamento escorreito e uma escrita limpa -- mas, até para memória futura, faço questão de o ter aqui. 

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É um prazer — e um dever — estar convosco neste momento crucial para o Canadá e para o mundo. Hoje, vou falar sobre a rutura na ordem mundial, o fim de uma bela história e o início de uma realidade brutal, na qual as relações entre grandes potências se fazem sem quaisquer limites à sua atuação.

Mas também quero dizer-vos que os outros países, em particular as chamadas potências médias, como o Canadá, não são impotentes. Têm a capacidade de construir uma nova ordem que incorpore os nossos valores, como o respeito pelos direitos humanos, pelo desenvolvimento sustentável, a solidariedade, a soberania e a integridade territorial dos Estados. O poder dos menos poderosos começa com a honestidade.

Todos os dias alguma coisa nos lembra de que vivemos numa era de rivalidade entre grandes potências, que ordem mundial sustentada por regras está a desvanecer-se e que os fortes fazem o que querem, e os fracos sofrem o que têm de sofrer.

Este aforismo de Tucídides é apresentado como inevitável, apenas a lógica natural das relações internacionais a reassumir-se. E, perante esta lógica, há uma forte tendência para os países se acomodarem, de forma a evitarem problemas. Esperam que essa aceitação lhes traga segurança.

Mas não trará. Então, quais são as nossas opções?

Em 1978, o dissidente checo Václav Havel escreveu um ensaio chamado “O Poder dos Impotentes”. Nele, faz uma pergunta simples: como é que o sistema comunista se sustentava?

A resposta começa com um vendedor de hortaliças. Todas as manhãs, este merceeiro coloca um cartaz na sua montra: “Trabalhadores do mundo, uni-vos!” Ele não acredita naquilo. Ninguém acredita. Mas coloca o cartaz na mesma, para evitar problemas, para sinalizar conformidade, para se acomodar. E, porque todos os lojistas em todas as ruas fazem o mesmo, o sistema persiste.

Não apenas através da violência, mas através da participação de pessoas comuns em rituais que sabem, no seu íntimo, serem falsos.

Havel chamou a isto “viver dentro da mentira”. O poder do sistema não vem da sua verdade, mas da disposição de todos a representá-lo como se fosse verdade. E a sua fragilidade vem da mesma fonte: quando uma pessoa, uma pessoa que seja, deixa de representar, quando o vendedor de hortaliças retira o seu cartaz, a ilusão começa a quebrar-se.

Está na altura de empresas, países, retirarem os seus cartazes.

Durante décadas, países como o Canadá prosperaram sob aquilo a que chamávamos ordem internacional baseada em regras. Aderimos às suas instituições, elogiámos os seus princípios e beneficiámos da sua previsibilidade. Pudemos implantar políticas externas sob a proteção destas regras.

Sabíamos que a história desta ordem internacional era parcialmente falsa. Que os mais fortes se eximiriam quando lhes fosse conveniente. Que as regras comerciais eram aplicadas de forma assimétrica. E que o direito internacional se aplicava com rigor variado, dependendo da identidade do acusado ou da vítima.

Esta ficção foi útil, e a hegemonia americana, em particular, ajudou-nos a ter acesso a rotas marítimas abertas, um sistema financeiro estável, segurança coletiva, e apoiou organismos que se ocupariam da resolução de conflitos. E foi por isso que colocámos o cartaz na montra. Participámos nos rituais. E evitámos, em boa parte, apontar as lacunas entre retórica e realidade.

Este acordo já não funciona. Deixem-me ser direto: estamos a meio de uma rutura, não de uma transição. Nas últimas duas décadas, uma série de crises nas finanças, saúde, energia e geopolítica revelou os riscos da integração global.

Mais recentemente, as grandes potências começaram a usar a integração económica como arma: tarifas como vantagem negocial, a infraestrutura financeira como coerção, as cadeias de abastecimento como vulnerabilidades a serem exploradas.

Não se pode “viver dentro da mentira” de benefício mútuo através da integração quando a integração se torna a fonte da vossa subordinação.

As instituições multilaterais de que os poderes médios dependiam — a OMC [Organização Mundial do Comércio], a ONU, a COP [Conferência das Partes] — e a arquitetura de resolução coletiva de problemas estão muito diminuídas.

Como resultado, muitos países estão a tirar as mesmas conclusões, que devem desenvolver maior autonomia estratégica: em energia, alimentação, minerais críticos, nas finanças e cadeias de abastecimento. Este impulso é compreensível. Um país que não pode alimentar-se, abastecer-se ou defender-se a si mesmo tem poucas opções. Quando as regras já não vos protegem, é preciso que se protejam a vocês mesmos.

Mas sejamos realistas sobre o lugar onde isto nos leva: a um mundo de fortalezas, mais pobre, mais frágil e menos sustentável.

E há outra verdade: se as grandes potências abandonarem até a aparência de regras e valores pela busca desimpedida do seu poder e dos seus interesses, os ganhos do “transacionalismo” tornam-se mais difíceis de replicar. As potências hegemónicas não podem retirar lucros eternos das suas relações, e os aliados vão diversificar para se protegerem contra a incerteza: contrair seguros, multiplicar opções. E tudo isto traz de volta a soberania, só que é uma soberania que antes estava ancorada em regras, mas que estará, a partir de agora, cada vez mais ancorada na capacidade de resistir à pressão.

Como disse, esta gestão de risco clássica tem um preço, mas esse custo de autonomia estratégica, de soberania, também pode ser partilhado. Investimentos coletivos em resiliência são mais baratos do que cada a conta de cada um construir a sua própria fortaleza individualmente. Padrões partilhados reduzem a fragmentação, as complementaridades são de soma positiva.

A questão para as potências médias, como o Canadá, não é se devemos adaptar-nos a esta nova realidade. Devemos. A questão é se nos adaptamos simplesmente construindo muros mais altos, ou se podemos fazer algo mais ambicioso. O Canadá esteve entre os primeiros a ouvir o alerta, o que nos levou a modificar fundamentalmente a nossa postura estratégica.

Os canadianos sabem que a antiga e confortável suposição de que a nossa geografia e o nosso sistema de alianças conferiam automaticamente prosperidade e segurança já não é válida.

A nossa nova abordagem assenta no que Alexander Stubb [Presidente da Finlândia] chamou “realismo baseado em valores”, ou, por outras palavras, termos princípios e, ao mesmo tempo, sermos pragmáticos.

Devemos manter o princípio do nosso compromisso com valores fundamentais: soberania e integridade territorial, a proibição do uso da força exceto quando consistente com a Carta da ONU, respeito pelos direitos humanos. E devemos ser pragmáticos ao reconhecermos que o progresso é frequentemente incremental, que os interesses divergem, que nem todos os parceiros partilham os nossos valores. Podemos envolver-nos amplamente, estrategicamente, mas com os olhos abertos. Devemos participar ativamente no mundo com ele é, e não esperar por um mundo como desejamos que seja.

O Canadá está a calibrar as suas relações para que a profundidade das mesmas reflita os seus valores. Estamos a dar mais importância a um envolvimento amplo para maximizar a nossa influência, dada a fluidez da ordem mundial, os riscos que isto representa e o que está em jogo para o que vem a seguir.

Já não estamos dependentes apenas da força dos nossos valores, mas também do valor da nossa força. Estamos a construir essa força em casa.

Desde que o meu Governo tomou posse, cortámos impostos sobre rendimentos, mais-valias e investimento empresarial, removemos todas as barreiras federais ao comércio interprovincial e estamos a acelerar mil milhões de dólares de investimento em energia, inteligência artificial, minerais críticos, novos corredores comerciais e muito mais. Até 2023, vamos duplicar as nossas despesas na Defesa e estamos a fazê-lo de forma a desenvolver as nossas indústrias nacionais.

Estamos também a diversificar no estrangeiro, e recentemente acordámos uma parceria estratégica abrangente com a União Europeia, incluindo a adesão ao SAFE [Ação de Segurança para a Europa], os acordos europeus de aquisição e adjudicação de material de Defesa.

Assinámos outros doze acordos comerciais e de segurança em quatro continentes nos últimos seis meses. Nos últimos dias, concluímos novas parcerias estratégicas com a China e o Catar. Estamos a negociar pactos de comércio livre com a Índia, a ASEAN, a Tailândia, as Filipinas e o Mercosul.

Para ajudar a resolver problemas globais, estamos a prosseguir geometria variável: diferentes coligações para diferentes questões, baseadas em valores e interesses.

Na Ucrânia, somos um membro central da Coligação de Vontades e um dos maiores contribuintes per capita para a defesa e segurança do país.

Sobre a soberania do Ártico, estamos firmemente ao lado da Gronelândia e da Dinamarca e demos pleno apoio ao seu direito de determinar o futuro da Gronelândia. O nosso compromisso com o Artigo 5º é inabalável.

Estamos a trabalhar com os nossos aliados da NATO (incluindo os Nórdicos-Bálticos) para robustecer ainda mais os flancos norte e oeste da aliança, incluindo através dos investimentos sem precedentes em radares de longo alcance, submarinos, aeronaves e tropas no terreno. O Canadá opõe-se fortemente a impostos alfandegários sobre a Gronelândia e apela a conversações focadas em alcançar os nossos objetivos partilhados de segurança e prosperidade para o Ártico.

No comércio plurilateral, estamos a liderar esforços para construir uma ponte entre a Parceria Transpacífica e a União Europeia, criando um novo bloco comercial de 1500 milhões de pessoas.

Nos minerais essenciais, estamos a formar grupos de compradores, ancorados no G7, para que o mundo possa diversificar-se da oferta concentrada.

Na inteligência artificial, estamos a cooperar com democracias para garantir que não seremos forçados a escolher entre empresas hegemónicos e hiperescaladores [fornecedor gere grandes redes de centros de dados, projetados para suportar computação, redes e armazenamento].

Isto não é multilateralismo ingénuo, nem é depender de instituições diminuídas, é construir as coligações que funcionam, questão por questão, com parceiros que partilham terreno comum suficiente para agirem em conjunto. Nalguns casos, será a grande maioria das nações. E é criar um teia densa de ligações através do comércio, investimento, cultura, nas quais nos podemos apoiar para futuros desafios e oportunidades.

As potências médias devem agir em conjunto, porque se não estão à mesa, estão no menu.

As grandes potências podem dar-se ao luxo de agir sozinhas. Têm mercado, capacidade militar, alavancagem para ditar termos. As potências médias não. Mas quando apenas negociamos bilateralmente com uma potência hegemónica, negociamos a partir da fraqueza. Aceitamos o que nos é oferecido. Competimos uns com os outros para sermos os que mais acomodam as suas exigências.

Isto não é soberania. É a representação de soberania enquanto se aceita a subordinação.

Num mundo de rivalidade entre grandes potências, os países no meio têm uma escolha: competir uns com os outros para cair “nas graças” ou unirem-se para criar um terceiro caminho, com impacto.

Não devemos permitir que a ascensão do poder nos cegue para o facto de que o poder da legitimidade, integridade e regras permanecerá forte se escolhermos exercê-lo em conjunto.

O que me traz de volta a Havel.

O que significaria para as potências médias “viver na verdade”?

Significa dizer as coisas como são na realidade. Parem de invocar a “ordem internacional baseada em regras” como se ainda funcionasse conforme anunciado. Chamem ao sistema o que ele é: um período de intensificação de rivalidade entre grandes potências, onde os mais poderosos prosseguem os seus interesses usando a integração económica como arma de coerção.

Significa agir consistentemente. Aplicar os mesmos padrões a aliados e rivais. Quando os poderes médios criticam a intimidação económica quando vem de um lado mas ficam em silêncio quando vem de outro, estamos a manter o cartaz na montra.

Significa construir aquilo em que alegamos acreditar. Em vez de esperar que a velha ordem seja restaurada, criar instituições e acordos que funcionem conforme o que fica escrito.

E significa reduzir a alavancagem que abre espaço à coerção. Construir uma economia doméstica forte deve ser sempre a prioridade de cada governo. A diversificação internacional não é apenas prudência económica; é a fundação material para uma política externa honesta. Os países ganham o direito a posições de princípio ao reduzirem a sua vulnerabilidade a retaliações.

O Canadá tem o que o mundo quer. Somos uma superpotência energética, temos vastas reservas de minerais, temos a população mais instruída do mundo. Os nossos fundos de pensões estão entre os maiores e mais sofisticados investidores do mundo. Temos capital, talento e um Governo com imensa capacidade fiscal para agir decisivamente. E temos os valores aos quais muitos outros aspiram.

O Canadá é uma sociedade plural que funciona, a nossa praça pública é barulhenta, diversa e livre. Os canadianos mantêm-se comprometidos com a sustentabilidade.

Somos um parceiro estável e fiável, num mundo que é tudo menos isso, um parceiro que constrói e valoriza relações a longo prazo.

O Canadá tem algo mais: reconhecemos o que está a acontecer e estamos determinados a agir em conformidade.

Compreendemos que esta rutura exige mais do que adaptação, exige honestidade sobre o mundo como ele é.

Estamos a retirar o cartaz da montra.

A velha ordem não vai voltar. Não devemos lamentá-la. Nostalgia não é uma estratégia. Mas a partir da fratura, podemos construir algo melhor, mais forte e mais justo. Esta é a tarefa dos poderes médios, que têm mais a perder com um mundo de fortalezas e mais a ganhar com um mundo de cooperação genuína.

Os poderosos têm o seu poder. Mas nós também temos algo, a capacidade de parar de fingir, de dizer as coisas como são, de construir a nossa força em nossa casa e de agir em conjunto.

Esse é o caminho do Canadá. Escolhemo-lo aberta e confiantemente.

E é um caminho amplamente aberto a qualquer país disposto a trilhá-lo connosco.

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Abaixo o vídeo. Não é exactamente o discurso integral pois falta a introdução, em francês, mas, enfim, está aqui mesmo quase tudo.

In full: Canadian Prime Minister Mark Carney's speech at the World Economic Forum in Davos

quarta-feira, janeiro 21, 2026

Anne Applebaum dixit

 

Gosto imenso de a ouvir e ler. É uma voz ponderada que fala de forma desajectivada, com uma racionalidade que se percebe vir do estudo e da compreensão exaustiva dos factos.

Para quem não a conhece, transcrevo a sua biografia do site da Bertrand: 

Anne Applebaum é historiadora e jornalista. Escreve sobre a Europa Oriental e a Rússia desde 1989, quando cobriu o colapso do comunismo na Polónia para a revista The Economist. Foi colunista do The Washington Post e editora-adjunta da revista The Spectator. É redatora da revista The Atlantic e senior fellow no Agora Institute da Universidade Johns Hopkins.

É autora de vários livros publicados pela Bertrand Editora, incluindo Gulag: Uma História, que ganhou o Prémio Pulitzer de não-ficção em 2004; A Cortina de Ferro, sobre a sovietização da Europa Oriental após a Segunda Guerra Mundial, distinguido com o Prémio Cundhill de Literatura Histórica de 2013; e Fome Vermelha, sobre a fome ucraniana de 1932-33, que fornece o pano de fundo para o conflito russo-ucraniano. Em 2020, publicou O Crepúsculo da Democracia, que analisava o carácter apelativo da autocracia para os intelectuais e políticos ocidentais.

Nestes dias em que a demência narcísica, compulsiva e descarada de Trump está ao rubro, é interessante ouvir o que ela pensa do que ela pensa ser a sua ausência de estratégia, o seu comportamento infantil, a sua eventual doença do foro mental.

Resta a questão: como se lida com isto? As forças militares mais poderosas do mundo e os códigos nucleares estão nas mãos de um doido varrido -- e ninguém parece saber como actuar.

A Ucrânia está debaixo de fogo russo, as pessoas congelando em casas sem aquecimento, e Trump, em vez de condenar Putin, convida-o para o absurdo e fantasmagórico Conselho da Paz onde ele (ele, Trump) será o presidente vitalício. Ninguém ousaria inventar um roteiro mais tresloucado para um filme tragicómico.

Vivemos tempos extraordinários, estamos a assistir a um momento crítico, subversivo, perigoso e surreal da história do mundo.

Trump Has ‘No Strategy’ On Greenland | Anne Applebaum

“Já ultrapassámos a fase da estratégia, e agora temos de falar da obsessão de um homem, talvez até da loucura.”

As ameaças de Donald Trump à Gronelândia reflectem “a obsessão de um homem” em vez de uma estratégia coerente de política externa, e correm o risco de desviar as atenções da intensificação da guerra da Rússia na Ucrânia, afirma a jornalista e historiadora norte-americana Anne Applebaum, vencedora do Prémio Pulitzer.

Anne Applebaum falou com John Pienaar no programa Times Radio Drive.

terça-feira, janeiro 20, 2026

Eleições
-- A palavra ao meu marido --

 

Depois da derrota humilhante deste domingo, Montenegro, demonstrando que é um democrata de pacotilha, não aconselhou o voto em Seguro na segunda volta. 

Dirão que, depois do erro que cometeu ao apoiar Marques Mendes -- que ampliou ao envolver tudo o que era ministro menos mal visto na campanha -- e da percentagem que o Marques Mendes obteve, não tinha saídas airosas. 

Eu repito o que já aqui escrevi. A democracia do Montenegro e de alguns dos atuais dirigentes do PSD, dos quais o Hugo Soares é o expoente máximo e a eminência parda (ou talvez pior que isso), não é assente em valores humanistas e de ética democrática. Não existem para eles linhas vermelhas relativamente ao populismo, à demagogia e à mentira. Confirma-se que  Montenegro escolheu o seu caminho, e esse caminho, ao que parece, passará pelas ideias e pela agenda do Ventura. 

Depois de apoucar e responsabilizar o PS, muitas vezes sem qualquer razão, por todos os males do mundo, a posição que tomou relativamente à segunda volta vai reforçar objetivamente o Ventura, porque, depois da lavagem ao cérebro que levaram, muitos militantes do PSD vão votar no Ventura apenas para não votarem em alguém do PS. 

Assim, o Montenegro vai trilhando, passo a passo, o seu caminho. E esse caminho tem um fim pré-anunciado. 

Nestas eleições percebeu-se claramente quem defende os valores da democracia ou quem se está marimbando para estes valores e tem com objetivo único caçar votos. 

Vamos ver como corre a segunda volta.

O Deus em que acredito

 

Em boa hora, em comentário abaixo que muito agradeço, uma mão generosa deixou-me o link para o vídeo que aqui partilho. Adorei. Revejo-me em cada palavra dita.

Transcrevo o texto que acompanha o vídeo, e, a seguir, porque cada palavra tem um significado que muito prezo, transcrevo a fala integral de Deus.

O Deus de Espinoza

Sempre que perguntavam a Einstein se ele acreditava em Deus, o grande físico respondia: "sim, no Deus de Espinoza".

Saiba o que diz o Deus do filósofo Baruch de Espinoza, pela voz de Javier Jiménez Lopez, um reconhecido músico barranquilero e grande intelectual. 

Baruch Spinoza, ou Espinoza ou Espinosa, nasceu no ano de 1632, em Amsterdan, foi um dos grandes racionalistas e filósofos do século XVII dentro da chamada Filosofia Moderna, juntamente com René Descartes e Gottfried Leibniz. De família judia portuguesa (daí a confusão de formas na escrita do sobrenome),  o grande filósofo holandes faleceu em 1677, em Haia.


Fala de Deus:
Pára de ficar rezando e batendo o peito! O que eu quero que faças é
que saias pelo mundo e desfrutes de tua vida.
Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que
Eu fiz para ti.

Pára de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo
construíste e que acreditas ser a minha casa.
Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas
praias. Aí é onde Eu vivo e aí expresso meu amor por ti.
Pára de me culpar da tua vida miserável: Eu nunca te disse que há
algo mau em ti ou que eras um pecador, ou que tua sexualidade
fosse algo mau.

O sexo é um presente que Eu te dei e com o qual podes expressar teu
amor, teu êxtase, tua alegria. Assim, não me culpes por tudo
o que te fizeram crer.
Pára de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver
comigo. Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem,
no olhar de teus amigos, nos olhos de teu filhinho... Não me
encontrarás em nenhum livro!

Confia em mim e deixa de me pedir. Tu vais me dizer como fazer meu trabalho?
Pára de ter tanto medo de mim. Eu não te julgo, nem te critico, nem
me irrito, nem te incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor.
Pára de me pedir perdão. Não há nada a perdoar. Se Eu te fiz... Eu te
enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos,
de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio. Como posso te
culpar se respondes a algo que eu pus em ti?

Como posso te castigar por seres como és, se Eu sou quem te fez? Crês
que eu poderia criar um lugar para queimar
a todos meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da
eternidade? Que tipo de Deus pode fazer isso?
Esquece qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei; essas são
artimanhas para te manipular, para te controlar, que só geram culpa em
ti.
Respeita teu próximo e não faças o que não queiras para ti. A única
coisa que te peço é que prestes atenção a tua vida, que teu estado de
alerta seja teu guia.

Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho,
nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso.
Esta vida é o único que há aqui e agora, e o único que precisas.
Eu te fiz absolutamente livre. Não há prêmios nem castigos. Não há
pecados nem virtudes. Ninguém leva um placar.
Ninguém leva um registro.

Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno.
Não te poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso te dar um
conselho. Vive como se não o houvesse.
Como se esta fosse tua única oportunidade de aproveitar, de amar, de
existir. Assim, se não há nada,
terás aproveitado da oportunidade que te dei.

E se houver, tem certeza que Eu não vou te perguntar se foste
comportado ou não. Eu vou te perguntar se tu gostaste,
se te divertiste... Do que mais gostaste? O que aprendeste?
Pára de crer em mim - crer é supor, adivinhar, imaginar. Eu não quero
que acredites em mim. Quero que me sintas em ti.
Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada, quando agasalhas
tua filhinha, quando acaricias
teu cachorro, quando tomas banho no mar.

Pára de louvar-me! Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu
seja? Me aborrece que me louvem. Me cansa que agradeçam.
Tu te sentes grato? Demonstra-o cuidando de ti, de tua saúde, de tuas
relações, do mundo.
Te sentes olhado, surpreendido?... Expressa tua alegria! Esse é o
jeito de me louvar.

Pára de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te
ensinaram sobre mim. A única certeza é que tu estás aqui,
que estás vivo, e que este mundo está cheio de maravilhas. Para que
precisas de mais milagres?
Para que tantas explicações?
Não me procures fora! Não me acharás. Procura-me dentro... aí é que
estou, batendo em ti.

segunda-feira, janeiro 19, 2026

No rescaldo da 1ª volta

 

Votei no Almirante, mas a preocupação que me levou a votar nele não foi partilhada pela maioria dos votantes pelo que, com pena minha, os portugueses não o levaram à 2ª volta.

E, em coerência com o que sempre disse, passando o Seguro e o Ventura, não hesito nem por um segundo: o meu voto vai, incondicionalmente, para o Seguro. 

Tenho muitas dúvidas na firmeza, na criatividade, no punch de Seguro como Presidente da República: não sei se é pessoa para fazer frente a Montenegro quando isso for preciso e tenho muitas dúvidas de que tenha capacidade, energia e autoridade para se impor como deve ser caso um dia venhamos a ter a infelicidade de Ventura chegar a 1º ministro. Mas as coisas são o que são. Step by step. O cenário agora é Seguro contra Ventura para Presidente da República. Portanto, sem hesitar, o meu voto só pode ser um: em Seguro.

Há uma linha vermelha muito clara: de um lado está a democracia, de outro está a anti-democracia, o populismo. Estarei sempre do lado da democracia, e estarei sempre com absoluta firmeza e convicção.

Portanto, tentando abstrair-me de que vejo o Tó Zé Seguro como o Menino da Lágrima com pose de Rainha de Inglaterra, vou concentrar-me nos seus aspectos positivos: é democrata, é humanista, é civilizado, supostamente é um homem sério -- e isso, para já, é o mais relevante. 

Na reacção aos resultados, Ventura, eufórico, ufano, já mostrou ao que vem: vem para a lama. Tentará enlamear Seguro e o que o rodeia. Voltaram as mentiras, os insultos, o apelo ao medo, voltou ao 'nós' contra 'eles', voltou ao 'nós, os puros, os portugueses de primeira', contra ' eles, os socialistas, os corruptos'. O discurso xenófobo, racista, divisionista, radical, não inclusivo, trumpista esteve ali bem presente. 

E eu só espero que quem votou no Almirante, no Marques Mendes ou em Cotrim rejeite isso e saiba posicionar-se a favor do País, da seriedade, da honestidade intelectual, do civismo, da democracia, da bondade e, mesmo que o seu coração penda mais para a direita e para o conservadorismo, dê primazia à decência e aos verdadeiros valores democráticos.

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Sobre Cotrim Figueiredo não tenho muito a dizer, a não ser que fiquei com a ideia de que ficou com vontade de fazer qualquer coisa com os votos que recebeu. Não sei o quê pois tenho para mim que os últimos dias o queimaram. Tendo uma conversa genericamente arejada, espalhou-se ao comprido ao dar a entender que poderia votar em Ventura (contra Seguro) e ao mostrar não ter estaleca para aguentar embates. Depois da notícia sobre o assédio e de ter visto o pasmo de muita gente com a sua não rejeição do voto em Ventura, foi-se completamente abaixo, mostrou-se arrasado, atirou em todos os sentidos de uma forma pouco estruturada. Com isso, mostrou não ter fibra para o cargo para que estava a candidatar-se.

Tirando este aspecto, há que registar o falhanço brutal da candidatura de Marques Mendes e do posicionamento de Montenegro, um falhanço em toda a linha. Com as suas opções e o seu apoio muito activo à candidatura fraquíssima de Marques Mendes, Montenegro derrapou à força toda, e derrapou para debaixo da pata de Ventura. Com isto, Ventura, o grande oportunista, o demagogo que funciona just-in-time, já veio apresentar-se como o líder da direita. Tempos agitados, estes próximos. Com um governo minoritário, com falhanços sucessivos e muito graves em áreas críticas como as da Saúde, da Habitação e da Segurança, Montenegro vai passar a caminhar no fio da navalha, sobre brasas. 

Outra candidatura cujo falhanço é também de registar é a de António Filipe, ou seja, do PCP. Claro que também a votação de Catarina Martins foi um desastre e, por acaso, tenho pena pois fez uma bela campanha. Mas o Bloco é um desastre pelo que desastre por desastre pouco adianta. A de Jorge Pinto, que, nos debates, mostrou estar muito bem preparado, foi outro disparate. Ao baralhar-se todo com o apoio ao Seguro, esvaziou completamente o seu eleitorado. Agora António Filipe, político experiente, esteve a fazer o quê? Qual a lógica do PCP? Mostrar à evidência que já não vale nada? Sendo um partido com um historial que merece respeito, qual a lógica de andarem a exibir uns desgraçados 1,6%? Não percebo. E, no discurso da noite eleitoral, aparecem com a mesma estafada conversa de que os portugueses podem continuar a contar com eles... Mas contar com eles para quê? Não percebem que já não riscam para coisa nenhuma? Não percebem que poucos mais votos tiveram que o Manuel João Vieira...? Caraças. Que pena que me dão. 

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Desejo-vos uma boa semana

domingo, janeiro 18, 2026

Komorebi

 

Acabei de ter uma grande alegria. Aprendi uma coisa e percebi que, na volta, não sou maluca de todo.

Vou contar-vos. 

Tenho um hábito, coisa muito minha, que me leva a ficar a olhar para os muros, para as paredes, para o chão, e que me deixa encantada. É como se o mundo dito real, palpável, se desdobrasse em vários outros, ao mesmo tempo efémeros e imarcescíveis. 

Se tenho comigo o telemóvel, fotografo. Senão, muitas vezes vou a correr buscá-lo. Dantes usava a máquina fotográfica, mas tantas se estragaram que desisti. O telemóvel serve bem. Então fotografo o que me encanta. 

Mesmo à noite, quando vamos passear com o cão, deixo-me ficar para trás para fotografar. Fotografo a sombra que a luz dos candeeiros projecta nos muros, fotografo as árvores contra o céu escuro, quase a sombra que as árvores nocturnas espelham no céu. 

Esta fotografei há pouco, achei-a linda

O meu marido apressa-me, não lhe parece bem que, à noite, as ruas vazias, e isto já para não falar no frio ou na chuva, eu atrase a marcha, me demore, me deixe ficar sozinha. Dantes perguntava o que é que eu estava a fotografar. Agora já se deixou disso. Quando perguntava, muitas vezes eu respondia: 'Nada'. E não era para ser antipática, era mesmo porque achava que ele não ia achar muito lógico se eu dissesse  que estava a fotografar sombras. 

Tenho incontáveis fotografias disso: a sombra que as coisas fazem. A sombra fugaz. Daí a instantes, a posição relativa das coisas face ao sol (ou ao foco de luz) estará diferente, as sombras estarão diferentes ou inexistentes. Ou se o vento agitar as coisas, a sombra perderá a sua nitidez. Adquirirá então movimento, tornar-se-á fluida, ainda mais lábil.

Não comentava com ninguém, ou até escondia, este meu encantamento. Achava que, se falasse nisso, as pessoas achariam que eu não era boa da cabeça e eu teria dificuldade em rebater, se calhar é mesmo pancada. Se me dissessem que eu estava a enaltecer uma coisa banal, uma coisa a que qualquer pessoa normal não atribuiria qualquer relevância, iria pôr-me a falar da beleza poética do que é imaterial, do que não deixa rasto? Estaria a enterrar-me ainda mais, não é?

Mas eis que agora me aparece um vídeo em que se dá um nome a isto. Komorebi. A luz do sol filtrando-se através das árvores. Ou seja, não apenas não é maluquice minha como até tem um nome. Adorei o vídeo: fala-se sobre o assunto, fala-se da beleza das sombras etéreas, intangíveis, móveis, belas, fala-se do que se pode contemplar em silêncio, do que se pode sentir dentro de nós. 

A beleza do Komorebi: como os japoneses veem a luz filtrada

Komorebi é uma palavra japonesa que descreve a luz solar a filtrar-se pelas árvores.

Neste vídeo, exploramos a beleza do komorebi e como os japoneses veem a luz filtrada não apenas como algo que vemos, mas como uma experiência serena de tempo, natureza e presença.

Das florestas e ruas da cidade à arquitetura, jardins de chá e vida quotidiana, o komorebi revela uma forma delicada de perceção do mundo. Ele lembra-nos que a beleza não exige atenção. Ela espera por ela.

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E bora lá votar.

E um belo dia de domingo

sábado, janeiro 17, 2026

Que polícias são estas? São piores que a maioria dos bandidos.
-- A palavra ao meu marido --

 

Não há muito tempo ficámos chocados e enojados com o comportamento inqualificável que vários GNR e um PSP tinham com imigrantes no Alentejo. Uma verdadeira máfia. 

Esta semana foram noticiados, com pormenor, os horrores que dois anormais que foram recrutados para a PSP faziam aos mais frágeis e desprotegidos. Como é costume, este tipo de anormais só consegue ser forte com os mais fracos. Não existe diferença entre o que estes dois energúmenos faziam e o que os PIDES faziam. Os PIDES prendiam e torturavam ao serviço do regime, estes dois merdas prendiam e torturavam provavelmente por prazer, seguramente ao "serviço" das redes sociais e com certeza "suportados" pelo discurso de ódio de uma extrema direita cada vez mais violenta.

Pior ainda! Hoje veio a público que as imagens eram partilhados com cerca de setenta outros agentes da PSP.  Que PSP é esta? Que tipo de gente é recrutada para as polícias? 

E, como sabemos, estes casos não são únicos. Já foram noticiadas outros casos semelhantes de violência sobre cidadãos indefesos, de desrespeito pela liberdades individuais, pelos direitos humanos e pela lei! 

O governo tem que responder rápida e claramente a várias perguntas. Como são recrutados os polícias? A que formação são sujeitos? Como são avaliados? A que controlo estão sujeitos? Qualquer anormal tipo besta pode ser incorporado nos quadros da PSP, da GNR, dos guardas prisionais ou do SEF? 

E outra questão, também pertinente, o que andam as chefias a fazer? São coniventes? Fecham os olhos? Ou andam distraídos? Não controlam os subordinados? 

Tudo isto é gravíssimo e contribui para cada vez para um maior desconforto e completa descrença dos portugueses nas instituições. Se tivéssemos no governo e nos postos de comando gente com alguma ética, a ministra e o comandante da PSP já se tinham demitido. Mas, se o Montenegro mantém a ministra da saúde no governo depois de tudo o que já aconteceu, é pouco provável que agora tomem uma atitude que revele um mínimo de decência. Virem dizer que estes polícias não representam a generalidade dos polícias é pouco, é irrelevante, e mostra mais uma vez que não respeitam os portugueses e que não sabem honrar os cargos que ocupam. 

Há muito que se diz que as polícias estão infiltradas pela extrema direita. Tenho para mim que esta gente, se por acaso vota, vota no Ventura. O discurso do Ventura alavanca este tipo de comportamentos. 

Porque a democracia é diferente da barbárie, estes dois anormais devem ter um julgamento justo e, se provados os factos, devem ser sujeitos a penas exemplares, sem qualquer dó nem piedade! 

Como é possível que um número tão grande de polícias tenha ou aprove estes comportamentos? As polícias estão mesmo doentes e precisam de uma terapia de choque!

sexta-feira, janeiro 16, 2026

Ai... se o ridículo matasse...

 

Só agora vou almoçar. Liguei a televisão enquanto o meu marido não chega aqui. 

E vi o impensável: o Marques Mendes, o facilitador que toda a vida andou colado ao PSD e que agora se enfiou no bolso do Montenegro, anda na campanha eleitoral a apregoar que, se Seguro for eleito, não vai fazer frente ao Governo... 

Tem razão, eu digo o mesmo. O nome do meio do Tozé é Perna-Aberta. Aliás, se o Tozé for a PR (oh ironia... oh desgraça...), não tenho dúvidas que o Tozé, qual Rainha de Inglatera, vai manter a pose com que já está de ser uma figura decorativa, simpática, com cara de menino da lágrima se a coisa não lhe agradar lá muito, ou com cara de amigo de reformados e desvalidos se o momento for de ternura. 

Mas ser o Marques Mendes a vir dizer isto é que é de ir às lágrimas... 

Claro que o Tozé dar um murro na mesa, mandar o Montenegro ou o Ventura irem dar banho ao cão, chamar a atenção a sério, mostrar cartão amarelo -- ou encarnado, se necessário for --, isso claro que o Tozé inSeguro jamais fará. Jamais. Por isso mesmo vou votar no Almirante. Ou alguém acredita que, se um dia Ventura for a primeiro-ministro, o Tozé é menino para se impor...? Está bem, está... Jamais. Mas, claro que nem ele nem o Marques Mendes.

Mas Marques Mendes não se ficou por aí. Com aquele complexozinho de inferioridade que o caracteriza, em que até compara a sua altura com o António Vitorino e, imagine-se, até com a Maria de Belém😅😆😅, agora, para não se ficar atrás do Cotrim, anda a dizer que quem sofreu um golpe de assassinato de carácter foi ele, o maior de todos, um golpe de todo o tamanho, golpe maior nunca ninguém viu. Vamos ver se até ao fim do dia não vai apregoar que a pilinha dele é maior que a dos outros.

Ai, que coisinha mais caricata que para aí anda pelas ruas a querer ser presidente... 

Um mundo de doidos...
Porque é que o fato de treino usado por Nicolás Maduro fez disparar as vendas da Nike?

 

De repente, parece que há cada vez mais coisas que não fazem sentido. 

Bem, se calhar não foi de repente, se calhar tudo isto era fácil de antever. Vamos fechando os olhos a isto, depois àquilo, depois fartamo-nos de ser tão cépticos e vamos dando o benefício da dúvida, vamos olhando para o lado, fazendo de conta que não vemos, temos mais que fazer... até que um dia damos por nós e estamos metidos num molho de brócolos, o mundo que conhecíamos de pantanas.

No outro dia ouvi uma pessoa dizer que Trump está a destruir em meia dúzia de meses o que a civilização levou para cima de um século a conseguir.

Li o artigo cujo título está lá em cima, a encabeçar este post. Revejo-me nele. Por isso, permito-me transcrever a maior parte dele. 

Nicolás Maduro com calças de fato de treino da Nike no porta-aviões USS Iwo Jima, após a sua captura. Fotografia publicada a 3 de janeiro pelo presidente Donald Trump nas redes sociais. @realDonaldTrump


A foto de Maduro em fato de treino, publicada por Donald Trump e relativa à sua detenção, tornou-se viral, e a peça em questão tornou-se muito desejada. Hilariante? Chocante? Apavorante?

Não sei quanto a vocês, mas nos últimos meses tenho-me sentido como se estivesse a viver num mundo irreal, numa série distópica da Netflix ou num programa de burlesco a solo. O mundo tornou-se confuso, insano; as redes sociais inundam-nos com imagens de um presidente americano a dançar ao som de YMCA, a fazer caretas e a dobrar sketches que provocam tanto risos como consternação. O líder do país mais poderoso do mundo aparece diariamente nos nossos ecrãs através de imagens que são reais ou geradas por inteligência artificial — é difícil de distinguir. Até onde vai este show do Trump?

Um fato de treino cinzento que se tornou viral

Esta surpreendente extravagância invadiu recentemente o mundo da moda. A última alucinação? Ou melhor, o maior espanto? A história de um simples fato de treino cinzento que, através de um "Trumpismo", esgotou após uma fotografia partilhada pelo próprio Donald Trump na sua rede social Truth Social para ilustrar a detenção do presidente venezuelano Nicolás Maduro. Um breve resumo para aqueles que possam ter adormecido e ainda estejam meio adormecidos desde 3 de janeiro. Nesse dia, o presidente norte-americano publicou uma fotografia de Maduro, algemado, vendado e de auscultadores a bordo do navio de guerra USS Iwo Jima. O homem que seria julgado nos Estados Unidos por conspiração narcoterrorista vestia um fato de treino cinzento da Nike, composto por um casaco e calças da linha Nike Tech Fleece.

Alguns especialistas em canais de televisão protestaram de imediato, condenando a humilhação máxima: certamente que as autoridades americanas poderiam pelo menos ter deixado o ex-presidente venezuelano vestir-se e não se expor ao mundo com um velho fato de treino cinzento fechado. Claramente, não compreenderam o mundo moderno. Porque apenas algumas horas depois da exibição, este momento altamente geopolítico já tinha migrado para outra arena: o mundo da moda. A 4 de janeiro, a imagem espalhou-se como fogo em plataformas para adultos como o TikTok e o Instagram, gerando uma infinidade de memes, fotomontagens e paródias irónicas. Maduro de fato de treino, a nova estrela do TikTok?

Frenesi Comercial

A história podia ter terminado aí. Mas da histeria mediática ao digital e, depois, ao comercial, tudo aconteceu em termos de cliques. Após a explosão de pesquisas no Google por "Nike Tech" e "Nike Tech Fleece", como evidenciado pelos dados do Google Trends, o casaco e as calças desportivas Nike de Maduro esgotaram-se como água em poucos minutos. Vários tamanhos, especialmente os maiores, desapareceram quase instantaneamente do stock online. O preço das ações da Nike também acompanhou este frenesim. As suas ações na Bolsa de Nova Iorque saltaram de 63,33 dólares no fecho do dia 2 de janeiro para quase 65 dólares por volta das 17h00 do dia 5 de janeiro. Será que Trump se vai gabar em breve de ter provocado, graças à sua espetacular intervenção na Venezuela, uma escassez global de ações da Nike? É fácil imaginá-lo a dar alguns passos de dança em frente à câmara enquanto canta "Just Do It" (o famoso slogan da Nike).

(...)

Mas será que não conseguimos encontrar algo mais inspirador para o nosso guarda-roupa atual do que um fato de treino cinzento e sem graça usado por um ditador bigodudo e fotografado por um presidente caricato?

[Transcrição quase integral de Pourquoi le jogging porté par Nicolás Maduro a-t-il fait exploser les ventes de Nike ?, de Marion Dupuis, no Madame le Figaro]

quinta-feira, janeiro 15, 2026

Coisas que os ricos nunca compram e a que os pobres não resistem

 

Há um canal no youtube intitulado Warren Advices que se apresenta com a imagem de Warren Buffett e, supostamente, com a sua voz. Contudo a voz é gerada por inteligência artificial e o que é dito, na realidade, não foi dito, pelo menos com aquele fraseado, por ele. Há um disclaimer em que isso é explicitado. Os autores dizem que os vídeos têm intuitos educativos e, aparentemente, coligem um conjunto de afirmações ou conselhos que Buffett ao longo da sua vida tem divulgado.

Estive a ouvir o vídeo que aqui abaixo partilho e, de facto, são conselhos sensatos e o que aqui é dito faz genericamente sentido. E, se eu não me incluo no grupo dos ricos, a verdade é que, como já aqui referi algumas vezes, conheço algumas pessoas muito ricas e posso testemunhar que praticam muito do que aqui se diz. 

Esta distinção entre ricos e pobres pode parecer classista, redutora e, até, absurda. Mas, pondo de lado esse aspecto, a verdade é que os há, os ricos e os pobres. E também há mil explicações para cada afirmação que se faça. Mas também me vou abstrair disso pois o objectivo deste post é apresentar as ideias que um dos homens mais ricos do mundo supostamente professa. Se ouvirem o vídeo, saberão que há uma ideia base: os pobres pensam sobretudo no aqui e agora, querem uma coisa e fazem de tudo para obtê-la, custe o que custar, sem pensar muito no médio/longo prazo. Gostam de ostentar e acham que a ostentação vale o preço que for. Os ricos (os muito ricos) não gostam de ostentar e, antes de gastarem dinheiro, pensam no que podem poupar se não comprarem o que se lhes apresenta.

Vários exemplos insignificantes se poderiam apontar. Uma pessoa pode tomar o pequeno almoço na rua, acha que não é por isso que vai ficar mais pobre. Como tomo sempre o meu em casa, nem faço ideia de quanto pode custar tomar o pequeno almoço fora. Vamos admitir que 3 euros. O que são 3 euros? Nada, pensará quem tem esse hábito. Mas um rico pensa de outra maneira. Vou falar no meu caso concreto: ao pequeno almoço, como uma laranja e a seguir kefir, natural, sem açúcar, de marca branca, com algumas sementes e canela. A seguir bebo um café. Se calhar, no conjunto, custa-me 1 euro. Façamos as contas. Poupo 2 euros por dia face a um pequeno almoço fora. Dois euros não é nada. Mas 2 euros vezes 30 dias por mês, são 60 euros por mês. 60 euros vezes 12 meses são 720 euros por ano. Ao fim de 10 anos, dá 7.200 euros. Com os juros anuais, em especial se capitalizarem, dará mais qualquer coisa. 

Ou os almoços fora. Claro que, quando se trabalha, muitas vezes é impossível não almoçar fora. Mas, admitindo que há alternativa, pensemos num exemplo. Uma pessoa, podendo almoçar comida feita em casa, opta por ir ao restaurante. Admitamos que é um restaurante económico e gasta, digamos, 15 euros. Um bom preço, não é? E se for só duas vezes por semana, também não é nada de mais. Contudo, um rico se calhar pensa de outra maneira. Se comesse em casa, provavelmente gastaria o mesmo por 5 euros. Ou seja, pouparia 10 euros de cada vez que não comesse no restaurante. 10 euros duas vezes por semana, seriam 20 euros poupados por semana. Vezes 4 semanas por mês, já a poupança iria em 80 euros por mês. 960 euros por ano. Ao fim de 10 anos, 9.600 euros, fora os juros.

E só nestas duas insignificâncias, já estaríamos a falar de 7.200 + 9.600 = 16.800 euros, fora os juros.

Não é muito...? Não. Mas poupando um pouco aqui, mais um pouco ali, e, se calhar, se quiser comprar uma televisão nova ou um carro ou qualquer coisa dessas, em vez de comprar a crédito por não ter qualquer poupança, pode comprar a pronto e evitar a enormidade que são os juros das compras a crédito de curto prazo que arruínam muita gente pobre.

Abro aqui um parêntesis para contar uma história verídica: uma vez, entrou-me no gabinete um funcionário da empresa, dizendo que queria sair da empresa e negociar a saída, ou seja, receber uma indemnização por saída antecipada. Espantei-me. Era novo de mais para se reformar e velho de mais para arranjar outro trabalho. Quis saber a razão. Desatou a chorar. Tinha arranjado uma namorada, tinha querido impressioná-la, foram passear e as viagens foram a crédito, tinha comprado uma televisão grande, a crédito, iam jantar fora muitas vezes e isso saía caro e tinha pedido um crédito pessoal, e depois não tinha conseguido pagar o empréstimo e tinha pedido outro... e depois mais outro... e já não sabia o que fazer, já andava a viver de dinheiro que pedia emprestado aos pais octogenários que viviam de reformas baixas. E chorava. Tentei que não fosse adiante com essa ideia pois iria usar o dinheiro da indemnização para pagar os empréstimos e, no fim, ia ficar 'liso' e sem trabalho. Disse que ia viver do subsídio de desemprego e que ia para a província tentar arranjar trabalho onde calhasse. Implorou-me que autorizasse. Tivemos uma reunião com a Direcção de Recursos Humanos. Muitas, muitas dúvidas. Mas acabámos por aceder. 

E não foi caso único. Foi talvez o mais dramático pois o total das dívidas já era brutal. Mas era frequente eu receber pedidos de autorização para se pagar antecipadamente os subsídios de férias ou natal a este ou àquele, ou para receberem antecipadamente parte do ordenado e, muitas vezes, quando eu falava com as pessoas para perceber o que se passava e para saber se precisavam de ajuda, concluía que se metiam em despesas absurdas sem acautelarem o que se passaria a seguir. E via como continuavam a gastar um dinheirão em tabaco, que é caríssimo (isto, sem falar, no malefício para a saúde), ou noutras despesas que facilmente poderiam ser suprimidas.

Mas, se estive a falar de 'trocos', a verdade é que, depois, há as grandes despesas como, por exemplo, comprar um carro novo. Uma pessoa rica (refiro-me aos ricos a sério, que fazem contas) nunca compra um carro novo. Compra um carro com poucos anos e poucos quilómetros. Comprar um carro 0 kms a crédito é um erro, um absurdo, um sugadouro.

Enfim. 

Quando fiz voluntariado numa escola situada numa das zonas mais carenciadas do país, um dos tópicos que abordava com os miúdos, que já eram crescidos, relacionava-se com isto: com a necessidade de fazer contas, de planear o futuro, de não pensar apenas no curto prazo, de não gastar dinheiro inútil que poderia vir a ser útil numa situação futura.

Calo-me já e passo ao vídeo. 

Os ricos NUNCA compram estas 5 coisas (mas os pobres compram diariamente)

Automóveis zero quilómetros: O ativo que mais deprecia, perdendo valor exorbitante assim que sai do concessionário.

Casas que não pode pagar: Endividar-se até ao limite não deixa nada para investir e prende-o a décadas de prestações.

Artigos de luxo para impressionar os outros: Marcas de luxo, relógios caros e símbolos de status que destroem património em nome das aparências.

Coisas a crédito que perdem valor: Pagar 20% de juros sobre ativos que depreciam é suicídio financeiro.

Opiniões alheias: Tomar decisões de despesa com base no que os outros pensam, em vez de pensar no que constrói património. 


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Abaixo há um vídeo, também de Inteligência Artificial mas num outro registo.

E um dia feliz

Belo... apesar de tudo

 

As redes sociais transbordam de imagens e vídeos feitos com recurso a inteligência artificial, umas vezes para parodiar a realidade, outras para distorcer os factos, outras para nos transportar para outas dimensões. 

Gosto de espreitar o que vai estando disponível mas, quando me aventuro, sai-me tudo aborrecidamente amador, abonecado, piroso, tudo muito ao contrário do meu próprio gosto. Não tenho paciência para aprender técnicas ou processos que estão em permanente evolução, uso ferramentas básicas e sai o que sair. 

Mas há quem domine as técnicas e consiga imagens tão perfeitas que não apenas parecem reais como, de facto, mais perfeitas que as reais. E quando conseguem que o movimento que as anima seja elegante, subtil, com um pendor estético que emula um bailado, então há que reconhecer o lado virtuoso destas coisas.

Partilho o vídeo abaixo não porque seja mais encantador do que muitos outros que me aparecem mas, apenas, porque foi o último. É bonito, tem um lado poético.

Because It Was Beautiful | AI Animated Video Art | Mamta B. Herland

Ao longo de um limiar frágil entre o cuidado e a posse, persiste a memória de uma liberdade outrora intocada. O que é aproximado pelo amor também é alterado pelo ato de desejar — revelando como a beleza, quando conquistada, pode carregar uma ternura entrelaçada com uma dor silenciosa.


quarta-feira, janeiro 14, 2026

ALERTA VERMELHO para a malta da Margem Sul:
Nada de precisarem de uma viatura de emergência médica durante a noite!

 

Se bem que, segundo o novo presidente do INEM, isso não é grave. Afinal, segundo ele, que falta fazem as viaturas de emergência médica durante a noite? A noite é para a malta dormir e para estar ilesa e saudável, ou não?

E, se pensam que estou a ironizar, esclareço já: não estou. O ridículo já chega a este ponto.

Transcrevo do Expresso: 

"Almada sem viatura de emergência médica durante a noite", 

Escala de janeiro tem nove turnos sem equipa para assegurar a VMER do Hospital Garcia de Orta, em Almada. Presidente do INEM diz ao Expresso que “só não é crítico, porque é no período noturno”. A primeira noite sem socorro é já desta terça para quarta-feira (...)

Está bonito isto. 

Mas ainda bem que o leva-e-traz, de sua graça MM, e o seu guru, o catavento MRS de cujas selfies estamos quase a ver-nos livres, apoiam a grande ministra que, segundo o seu chefe, Mentenegro, Duque de Spinumviva, está a fazer um grande trabalho na Saúde. Benza-os a AD!

terça-feira, janeiro 13, 2026

O nariz (perfeito) de Scaramucci.
E, de novo, a afirmação inequívoca do meu voto no próximo dia 18

 

O ano amanheceu ainda mais perigoso do que estava em 2025. Se antes os riscos decorriam do poder desavergonhado de imperialistas, tarados, psicopatas sanguinários, agora junta-se a isso o desconhecido risco de termos a nação mais poderosa do mundo nas mãos de um doido varrido. Mas podia ser um doido varrido normal. Só que não é. Trump é um narciscista maligno, um mentiroso compulsivo, um sádico, um ganancioso, um desavergonhado, uma pessoa sem pudor nem filtros de qualquer espécie, uma pessoa destituída de compaixão ou empatia.

Se está de facto demente, como vários médicos afiançam, se apenas tem todos os seus defeitos elevados a um expoente até agora ainda não experimentado isso não sei. Só sei é que a verdade é que, ao mesmo tempo, se detecta que há uma inteligência perversa por detrás de tudo o que ele faz. 

Sou levada a crer que há gente interessada em muito do que ele procura, gente interessada em regressar ao país de onde foram levados a sair e que querem regressar, vingar-se, investir em força, gente que quer garantir terras raras a custo quase zero,  gente que quer ter lítio assegurado a preço de chuchu para os próximos anos, gente que quer assegurar petróleo adquirido a preço de saldo, misturada com gente que tem uma visão geo-estratégica de um mundo dividido em três blocos. Provavelmente há um caldo de gente que fervilha e manobra nos bastidores para que tudo isso se consiga. E, dando corda a toda essa gente e vendo o que, para si próprio, pode retirar -- comissões, dividendos, bónus, presentes, parte nos negócios --, está ele, o bufão, o grande corrupto, o negociante que despede aprendizes na televisão, o grande animador que procura share nas televisões, que se baba por primeiras páginas, que se alimenta da atenção que recebe dos outros.

Implacavelmente, Trumpe hostiliza, ofende, humilha, ameaça, despede, persegue, esmaga quem lhe faz frente. E, no entanto, ele aí está, eleito pela segunda vez, as suas grandes mesas e salões de baile sempre repletos. Ao contrário do que a decência recomendaria, muita gente não lhe vira as costas. Pelo contrário, bajulam-no, lambem-lhe o rabo, deitam-se no chão para que ele passe por cima.

Custa a perceber. Mas é isto que acontece.

Só que são factores desconcertantes a mais: não se consegue prever qual a sua jogada seguinte, qual o próximo golpe, qual a afronta que se vai seguir.

Joanna Coles tenta perceber como funciona a sua cabeça e como funciona o círculo de serventes que o rodeia. A entrevista a Scaramucci é interessantíssima. Recomendo-a vivamente.

É isto que o ganancioso Trump está realmente tramando com o petróleo

This Is What Greedy Trump's Really Up To With Oil | The Daily Beast Podcast

Anthony Scaramucci junta-se a Joanna Coles para uma conversa franca sobre o que Donald Trump está realmente fazendo na Venezuela — e por que o caos é o objetivo. Scaramucci argumenta que a ação na Venezuela é motivada menos pela democracia ou segurança do que pelo petróleo, dinheiro e enriquecimento pessoal, e é moldada por teorias da conspiração e pressão política. Ele também analisa o apetite de Trump pela crueldade e pelo espetáculo, os sinais de alerta na escalada da violência do ICE, o afastamento silencioso de aliados como Marco Rubio e JD Vance, e por que republicanos que sabem mais ainda se alinham a ele. A conclusão: Trump não está a descontrolar-se — ele está focado, transacional e cada vez mais disposto a destruir instituições para se manter no poder.


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Quanto às presidenciais, volto a dizer: para PR voto em função do que que antevejo que seja a personalidade, o carácter, a atitude da pessoa e a forma como se move dentro do quadro de valores que me parece fundamental para assegurar um desempenho conforme com a Constituição e com os tempos presentes.

Assim, na primeira volta:
  • não votarei em pessoas que não gostam da democracia nem respeitam os nobres valores republicanos, 
  • não votarei em quem nunca fez mais nada na vida senão ser um videirinho, um leva e traz, 
  • não voto em quem sempre se revelou uma amiba -- sem coluna vertebral, sem punch, sem cérebro (e portanto, sem ideias),
  • não voto em quem ainda está agarrado à morta e enterrada ideia de amanhãs que cantam, 
  • não voto em quem apenas votarei se passar à 2ª volta com o 1º que aqui referi
  • não voto em quem não tem qualquer hipótese de coisa alguma. 
Votarei, pois, em Gouveia e Melo pois, embora não o conheça bem (enquanto aos outros conheço o suficiente para os enquadrar no que acima referi), intuo que tem coluna vertebral, que tem ideias razoavelmente alinhadas com as minhas, que tem uma consistente capacidade de acção e reacção dentro do quadro constitucional, e que conseguirá não nos envergonhar no desempenho das suas funções.

Isto, como referi, na 1ª volta. 

Como, a partir das sondagens, parece claro que haverá uma 2ª volta, nessa altura avaliarei as hipóteses em cima da mesa e decidirei.

segunda-feira, janeiro 12, 2026

Croniqueta de um domingo normal, bom

 

No exterior somos muito apologistas de iluminação solar mas andávamos com dificuldade em acertar: ou não davam a luz suficiente ou estragavam-se à primeira oportunidade. Até que vimos uns projectores na Amazon que nos pareceram promissores. E comprovou-se: até ver, acendem mesmo quando o dia está miseravelmente sombrio, detectam sempre o movimento e iluminam a longa distância. 

Por isso, resolvemos adquirir mais. Isto apesar de, por dentro, sentir sempre uma ferroada: estupor do Bezos. E depois há isto, o meu lado de auto-desculpabilização: penso que não é por eu ceder uma vez, de vez em quando, que estou a contribuir para a felicidade do estupor. Por isso, perdida por cem, perdida por mil, encomendámos também um candeeiro para dentro de casa. O meu marido andava a protestar com a luz fraca na zona em que habitualmente fazemos as refeições. No tecto, mantivemos o plafond dos anteriores proprietários. É um candeeiro de cristal que já era dos pais da senhora. Ela não quis desmontá-lo pois temeu que se desmanchasse todo. Como o acho bonito e reconheço o seu valor, deixei-o ficar. Mas não ilumina muito. Para compensar, temos um candeeiro de pé alto que dá uma luz quente, acolhedora. Mas, reconheço, não ajuda extraordinariamente, em termos de intensidade luminosa. Então, pôs-se ele a tentar descobrir um que lhe parecesse adequado. E descobriu. Este que encomendámos hoje. A ver se não desilude. Depois logo digo. Ou mostro.

Para o almoço não sabíamos o que haveria de ser. Como íamos jantar fora, estávamos com preguiça em puxar pela cabeça. Então, lembrei-me de fazer uma coisa adequada à preguiça que sentia. Cozi uma batata doce daquelas cor de laranja, uma batata normal, duas cenouras pequenas, um punhado de feijões verdes e dois ovos. E, numa frigideira, caramelizei duas cebolas roxas (às rodelas finas, claro). Depois juntei-as ao conduto. Comemo-lo com sardinhas de lata. E podem crer que nos soube bem, e olhem que não estou aqui para enganar ninguém.

Saímos de casa relativamente cedo pois o meu filho, que marcou o restaurante, disse que, se não fossemos cedo, aquilo ficaria muito cheio. Mas às sete e picos já estava cheio. E, quando saímos, por volta das nove, ainda mais cheio estava. Quando chegámos já lá estavam eles e já tinham uma sugestão de pedido. Tudo para partilhar. Quando ouvi a lista pareceu-me comida para um exército. O meu marido nestas coisas acha sempre que não é demais, pensa sempre que aquele pessoal, em especial o pessoal miúdo, é de muito alimento. De resto, o pessoal miúdo também já não é tão miúdo assim. E tinha razão pois, afinal, foi tudo, não sobrou nada. As travessas chegam e quase instantaneamente ficam vazias. E eu própria comi demais. A comida era gulosa e com estas coisas de picar, petiscar, provar e tal e coisa uma pessoa parece que perde um bocado a noção dos limites. Ainda por cima tenho sempre bom apetite. Mas parece que já estou um bocado desabituada de comer muito ao jantar. Agora estou a beber um chá a ver se a digestão se faz mais facilmente pois sinto que comi demais. Quem me manda a mim ser tão lambona, caraças? Amanhã ponho-me a pão e água a ver se compenso o exagero de hoje, que não quero retroceder na forma. Hoje vesti um casaco cintado, de veludo bordeaux, de que gostava muito, mas que já tinha ficado arrumado, a modos que arquivado, no roupeiro das boas memórias. Sem grandes esperanças, antes de sair, lembrei-me de o experimentar -- e até quase me comovi quando constatei que já cabia outra vez nele e que até conseguia abotoá-lo todo, todinho. Portanto, com muita disciplina e muito sentido de abnegação, haverei de manter-me bem comportadinha, afastada dos quilinhos a mais, retomando as minhas roupinhas pré menopausa (que eu, cá para mim, o aumento de dimensões aconteceu nessa altura).

E é isto. Nada mais de declarar.

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Desejo-vos uma boa semana

Saúde, harmonia, paz e alegria

domingo, janeiro 11, 2026

Como é possível termos batido tão fundo na saúde? Incompetentes e estúpidos!
-- Uma vez mais, a palavra ao meu marido --

 

Depois de ter havido 11 fatalidades durante a greve do INEM, depois de terem ocorrido dezenas e dezenas de partos em ambulâncias, na rua, na recepção de hospitais, ..., depois de mais três fatalidades devido à falta de ambulâncias, depois de tragédias de pessoas que estiveram nas urgências e foram mandadas para casa ou não foram atendidas no hospital por não chegarem de ambulância, depois de todas estes horrores e dos que não foram publicitados, quando parecia que já tínhamos batido no fundo foi hoje divulgada uma fotografia de uma senhora, doente oncológica em estado terminal, deitada no chão de um hospital em Coimbra. 

da SIC Notícias

Aflita, cheia de dores, no chão, sem qualquer conforto, sem respeito pela sua dignidade -- a imagem é chocante. 

Mas que porra de merda é esta? Não há um mínimo de respeito pelas pessoas? A dignidade humana não vale nada? Os serviços de saúde abandonam quem mais precisa? 

A situação nos hospitais está tão má que já estão a praticar uma medicina de catástrofe, e quem tem menos hipóteses é deixado à sua sorte? São tão insensíveis que não conseguem garantir o mínimo de conforto a uma doente certamente muito fragilizada e dependente? Não têm qualquer desculpa! São estúpidos e desumanos! Não há atenuantes! 

Tudo isto resulta certamente de uma tremenda falta de organização, de uma indesculpável falta de capacidade de gestão. Podem não fazer por mal mas, apenas, por incompetência. Os responsáveis são quem não percebe isto e não toma medidas. Isto merece punição, isto ofende os portugueses! 

O Montenegro prometeu que resolvia os problemas da saúde em meia dúzia de dias e, ao fim de dois anos, a saúde está um caos, pior que nunca. O Montenegro mantém a ministra, a ministra diz que não se demite e o Marcelo não exige a demissão desta tipa. A única coisa que a ministra fez foi arranjar lugar para os gajos do partido e estragar tudo o que mudou. No meio disto ainda vêm uns palermas do governo e do PSD como o Leitão Amaro, o Hugo Soares ou o Marques Mendes defender a ministra e tentar atirar areia para os olhos dos portugueses. 

São uns m... que não merecem qualquer tipo de respeito. Só uma pessoa burra e estúpida que nem um calhau não se demite numa situação destas. Um PM que recusa demitir uma pessoa assim, se tivesse um mínimo de honestidade intelectual e não fosse cínico também se demitiria, e um PR que sempre protegeu estas duas figuras pouco decentes seguiria o mesmo caminho. 

Deve-nos chocar a todos o que está a acontecer na saúde. Esta fotografia revela bem a situação a que chegámos. Os estúpidos que nos governam deviam ter vergonha. São nefastos para o país.

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Nota

Não temos tido disponibilidade para responder aos vossos comentários. Mas lemos, agradecemos e, globalmente, estamos de acordo.

sábado, janeiro 10, 2026

A doença incurável da Saúde chama-se Montenegro
-- De novo, a palavra ao meu marido --

 

Após terem, infelizmente, ocorrido mais três fatalidades por atraso na prestação dos cuidados médicos pelo INEM, o Montenegro foi ontem à AR com a sobranceria, o descaramento e a arrogância habituais tentar passar pelo meio dos pingos da chuva. Para resolver o problema, anunciou a compra de 275 ambulâncias que estariam disponíveis no Verão. Afinal, parece que os estúpidos que governam a saúde, embora alertados pelo sindicato dos técnicos de emergência médica, não perceberam que há medidas, imediatas e bem mais simples, que poderiam mitigar os problemas que originaram estas tragédias. Primeira: usar as macas que pertencem às ambulâncias inoperacionais; segunda: adquirir macas para os hospitais, para que nunca fiquem retidas macas das ambulâncias; terceira: deslocar para o sul alguns técnicos da zona norte onde "as equipas estão robustas". 

Só pessoas absolutamente impreparadas, sem competência nem experiência não teriam optado por medidas tão simples que parece já terem sido postas em prática em anos anteriores. É o resultado do governo nomear dirigentes apenas pelo cartão partidário, que estão completamente desajustados nos cargos que exercem e que, pelos vistos, nem dois dedos de testa têm. 

Relativamente à compra das ambulâncias, qualquer pessoa que conheça minimamente os processos de contratação pública percebe que é materialmente impossível em seis meses preparar o caderno de encargos, lançar o concurso, obter as propostas, fazer a análise das mesmas, preparar e celebrar os contratos com o fornecedor e este fabricar, equipar, testar e entregar esta quantidade de ambulâncias. O Montenegro estaria a tentar enganar os mais incautos como sempre faz. Mas afinal o Montenegro não estava apenas a tentar enganar os incautos, o Montenegro estava, como é costume, a mentir descaradamente. Estava a mentir com quantos dentes tem na boca como já fez no  caso Spinumviva, com a redução de impostos, com as promessas para a saúde, com a aquisição de carros para a polícia ... . A compra das ambulâncias tinha sido decidida pelo governo do António Costa em 2023 -- o governo que não pôde concretizar a aquisição destes equipamentos devido ao golpe do ministério público. O papel do Montenegro neste processo foi apenas o de atrasar a aquisição dos veículos, assim, originando mais problemas no funcionamento do INEM. 

Hoje veio o "Lentão" Amaro tentar "limpar" a mentira do chefe. Foi pior a emenda que o soneto. O "Lentão" poderá ser aproveitado para técnico auxiliar do pré-escolar, parece-me que o seu perfil se adequa à função. A forma como fala e o que diz estão adaptados a esta faixa etária. Para ministro não serve, a não ser que nunca fale em público e não tome decisões, isto é, sirva apenas de papel de embrulho. E das duas uma: ou o tipo é retardado ou despreza os portugueses, julgando que temos uma idade mental de cinco anos. A forma como tenta explicar o inexplicável dá pena. Em conclusão, a medida anunciada pelo Montenegro destinada a resolver o problema das ambulâncias tinha sido tomada em 2023 pelo governo do António Costa e o governo do Montenegro não deu andamento a esta aquisição, emperrou o processo, sendo responsável pela falta de ambulâncias e pelas as trágicas consequências que daí resultaram. 

Mas o Montenegro também afirmou que mantinha a ministra. Já aqui escrevi que, na minha opinião, só um lobby fortíssimo de apoio à ministra no interior do PSD permite que ela se mantenha no cargo. No entanto, tenho para mim que qualquer dirigente que não seja burro prefere ter a gerir as áreas que supervisiona pessoas competentes, conhecedoras da área e com experiência de gestão em vez de calhaus com dois olhos que "não dão uma para a caixa". Neste caso o  PM, tendo em conta os resultados obtidos, parece ter optado pelo calhau. 

Entretanto, veio o Marcelo secundado pelo "Facilitador Mor," também conhecido por "Leva e Traz" dizer que é preciso o governo dar explicações para sossegar  a populaça. Já chega de hipocrisia. Não é verdade, o que é preciso é apurar responsabilidades, definir objetivos e verificar os resultados.  Explicações são treta para inglês ver. Poderá parecer que o Montenegro, o Marcelo e o "Leva e Traz" são burros encartados. Não são, são é cínicos e hipócritas que só pensam neles e nos votos, marimbando-se para os portugueses. Do Marcelo ver-nos-emos livres em breve, a ministra também dificilmente aguentará muito tempo, e pior parece ser impossível. O Montenegro, a ver vamos. 

Quem more na margem sul está, certamente, apreensivo quanto à capacidade de haver uma atuação atempada da emergência médica em caso de necessidade. Nunca imaginei que o SNS chegasse a este estado. Será que não é de propósito para alavancar o setor privado da saúde?

Nota: espero que o Trump, tendo conhecimento do estado da saúde em Portugal, planeie uma "intervenção benigna" para fazer a extração da Ana Paula Martins. Ficaríamos finalmente livres da moça. E, en passant, mais uma observação: como é possível termos um ministro dos negócios estrangeiros que, com aquele seu ar apertadinho, consegue dizer um disparate tão grande?  

O governo não tem ponta por onde se pegue!

sexta-feira, janeiro 09, 2026

Luís e Luizinho: o ventríloquo e seu boneco amestrado

 

Peço desculpa, mas não consegui fazer melhor. Tentei, tentei mas não consegui aprimorar as feições. Por acaso, Luisinho, o bonequito que o cínico joker manobra, até saiu favorecido, mais compostinho e mais bonitinho do que o é na realidade. O meu receio é que nem o identifiquem. 

Mas, enfim, espero que percebam a ideia. 

Se as imagens estão tão pouco realistas que não servem de caricatura e não transmitem a situação que pretendo ilustrar, sugiro que pesquisem as afirmações do facilitador encartado. Verão que é uma corrente de transmissão do Spinum, mas é uma corrente de transmissão que não acrescenta um pêlo a coisa alguma. Especializado em ser um leva e traz, em abrir portas e em telefonar para este e para aquele e, ao domingo, em ir para a televisão dizer coisas, quando largado por sua conta, prova que não existe. Um boneco só existe quando manobrado pelo mestre. Agora que anda pelas ruas, aos caídos, com um sorriso amarelo, parece uma marioneta abandonada. Claro que ainda tem esperança de ir para Belém para ser o porta-voz do seu dono. Mas comigo jamais contará.

E queiram, por favor, continuar a descer para verem o Trump chinês. Uma graça.

O Trump chinês

 

Como tenho referido muitas vezes -- e não sou criativa ao dizê-lo, toda a gente deve pensar o mesmo --, apesar de ter vários crimes às costas, Trump tem um lado caricatural que nos dá vontade de rir. Se o fulano está mesmo demente e tudo o que anda a fazer resulta de ser uma pessoa mentalmente perturbada, se calhar é chato ser parodiado. Mas a verdade é que, apesar de demonstrar à saciedade que é cruel, mal educado, egoísta, aldrabão, corrupto, má pessoa, desrespeitador, sádico e tudo o que se possa dizer, Trump é tão exagerado e tão descarado em tudo o que faz que dá vontade encará-lo como um actor de um filme cómico.

E, claro, dá vontade imitá-lo.

E se carradas de americanos o fazem, a piada deste vídeo é que é um chinês a imitá-lo.

Imitador de ‘Trump chinês’ viraliza no Pacífico

quinta-feira, janeiro 08, 2026

Que governo é este que esfrangalha tudo onde mexe...?
-- A palavra ao meu marido --

 

Hoje soubemos de mais uma fatalidade causada pela inoperância do INEM. Parece que resultou da falta de ambulâncias e/ou dos novos procedimentos que o novo presidente do INEM implementou, apregoando que eram suficientes para resolver os problemas do INEM. Pelos vistos falhou redondamente, e causou mais uma tragédia. 

Ouvi agora nas notícias que estão setenta e três ambulâncias paradas nos hospitais (só no Garcia de Orta, 20 ambulâncias retidas). 

Ouvi há bocado, também na notícias, que em várias regiões do país habitualmente não há ambulâncias disponíveis e que quem tiver um problema grave tem muitíssimo menos hipóteses de se safar por causa deste caos. Um desastre! 

O governo que primeiro resolvia o problema da saúde em 60 dias e depois em seis meses, a única coisa que fez ao fim de dois anos foi agravar muitíssimo os problemas, criando o verdadeiro caos com as medidas que tomou na saúde. 

O PR é cúmplice desta situação porque, ao contrário do que antes fazia, nunca criticou a situação, deixando que o Montenegro e a ministra tomassem o freio nos dentes e tomassem medidas que destruíram o que podia não funcionar exemplarmente, mas que, pelo menos, funcionava e garantia uma assistência atempada aos portugueses. 

Há três responsáveis por este estado de coisas: o Montenegro, a ministra e o PR. Deviam pedir desculpa por tantos erros... e, no mínimo, a ministra devia ir já para casa! 

Aliás, tudo o que este governo tentou mudar ficou pior. 

No domínio da habitação, as medidas que tomou originaram um enorme aumento no preço das habitações, estão a dar cabo do pequeno mercado de arrendamento que existe e, como seria de esperar, porque este governo está-se nas tintas para quem tem menos recursos, o governo não tomou medidas para garantir habitação condigna à população com menos recursos, incluindo aos imigrantes. 

Relativamente ao controlo da imigração, ninguém sabe o que se passa porque não existem estatísticas nem dados publicados. Provavelmente, o governo ufana-se do que não conseguiu. Mas soube-se com espanto que o governo campeão da segurança conseguiu acabar com o controlo de fronteiras. Parece que o sistema pifou (palavras da ministra) e admito que a dita (ministra) também tenha pifado. 

Pelo meio ainda conseguirem dar cabo da paciência aos estrangeiros que nos visitam, contribuindo para dar uma má imagem do País. Mais uma área onde estiveram "bem ". 

É certo que o governo acalmou os polícias, os GNR e o pessoal das FA, despejando dinheiro em cima destes sectores profissionais. Mas, para além de despejar dinheiro, o governo nada fez nestas áreas e fez bem porque pelo menos continuam a funcionar. 

Temos um governo que estraga tudo em que toca e que desbarata os recursos que irão ser necessários mais tarde ou mais cedo. A incompetência é notória. Será que o governo também pifou? 

O Marcelo bem se pode "orgulhar" da herança que deixa, resultado da instabilidade que criou. É certo que o País ficou laranja em todo o lado, o que lhe deve agradar. Mas não é menos certo que a extrema direita espreita o poder, que o governo é populista e segue a agenda da extrema direita e que os principais problemas dos portugueses se agravaram. 

Boa Marcelo, "ganda" legado! De facto foi o pior presidente dos últimos cinquenta anos!

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Nota à margem: Tenho curiosidade em saber que passos vai o Xi Jinping dar para tentar fazer frente à política da Administração americana.

quarta-feira, janeiro 07, 2026

Notas sobre o grande debate

 

O grande perdedor da noite: zero em termos de conteúdo, zero do sentido de não ter qualquer conteúdo, zero em termos de ideias, e não é uma pontuação subjectiva, não, é mesmo que não tem uma única ideia.  E, ao descontrolar-se, mostrou que tem zero de compostura. Muito mau. E depois a palavra ordinarice, que soltou ao dirigir-se a Gouveia e Melo, soou ali muito mal; penso que é palavra que lhe ficará colada. Refiro-me, é claro, a Marques Mendes. Se houvesse a pouca sorte de chegar à 2ª volta com o Ventura, acho que nem assim votarei em Marques Mendes.

Confirmação: é igualmente um zero em termos de conteúdo e um zero em termos de ideias. Em termos de compostura, já se porta como se já fosse PR. Mas um PR daqueles que não acrescenta ponta de corno. Peço desculpa pela expressão, mas a criatura tira-me do sério. Se já encarnou uma bafienta personagem, imagine-se se tivermos a pouca sorte de ele lá chegar. Um horror. Se for à 2ª volta com o Ventura, com muito desconforto e até muitas e severas dúvidas, votarei nele, nele Seguro. Mas ficarei arreliada até à segunda casa. Que burrice a do Pedro Nuno ter falado no nome da criatura. Há quem o gabe por ter estado 12 anos sem dizer nada, como se isso fosse uma virtude. Não é, é apenas a sua idiossincrasia: não tem nem nunca teve nada para dizer.

Almirante: na realidade ainda não adquiriu a tarimba que nestas coisas dá um certo jeito. E tem algumas saídas um bocado fora da mãe, dá ideia que vai muito ensaiado e muito ensinado e isso retira-lhe alguma naturalidade e, mesmo, algum discernimento. Contudo, continuo a achar que talvez seja a melhor opção.

Ventura: tenho que reconhecer que, no debate, não esteve mal de todo. E não é burro nenhum. Percebe-se que atraia o voto de tanta gente. O pior é que, para além de não ser sério, isto é, intelectualmente honesto, e de jogar no bota abaixo, e de ter valores opostos aos meus, não é confiável. Portanto, é para esquecer.

Cotrim: o ganhador da noite. Esteve muito bem. De todos, foi quem melhor revelou ter ideias e, ao mesmo tempo, ter atitude. Está a subir nas sondagens e isso percebe-se. Acredito que, se por acaso lá chegasse, seria um presidente digno. Acredito também que saberia ser razoavelmente isento face às suas ideias políticas. Provavelmente seria a minha segunda opção.

Antonio Filipe: respeitável e cordato como sempre. Mas não acrescenta, é sempre mais do mesmo. Contudo, calma, em termos de conteúdo e de atitude, 10 a 0 a Marques Mendes e a Seguro. O pior mesmo é o quadro mental em que se move. Mas, quando o vejo, penso sempre que é uma fofésima criatura, uma simpatia.

Catarina: esteve bem no debate e tem feito uma campanha muito capaz. Mas.

Jorge Pinto: esteve bem mas, infelizmente, aquela coisa de não se perceber se está numa de desistir, baralhou tudo.

André Pestana: é o sindicalista do STOP e foi isso que revelou no debate.

Humberto Correia: de vez em quando aparecem pessoas assim, não se percebe bem o que pretendem, mas vê-se que é bem intencionado e, de resto, é um direito que felizmente a malta tem, meter-se em alhadas destas.

Manuel João: de certa forma, alguma desilusão. Estava à espera que fosse mais polémico, mais irreverente. Mostrou ser um peixe fora de água. Com tantos candidatos armados em políticos a sério, o Manuel João não encontrou o seu palco, e teve alguma dificuldade em ser fluente. Mas a felicidade é uma coisa importante, é mesmo, e até me parece bem que esteja na Constituição. Se isto tudo não for para a malta ser feliz, então é para quem? 

Carlos Daniel: fantástico. Um grande moderador. O melhor de todos. Cinco estrelas. Das grandes.