segunda-feira, janeiro 12, 2026

Croniqueta de um domingo normal, bom

 

No exterior somos muito apologistas de iluminação solar mas andávamos com dificuldade em acertar: ou não davam a luz suficiente ou estragavam-se à primeira oportunidade. Até que vimos uns projectores na Amazon que nos pareceram promissores. E comprovou-se: até ver, acendem mesmo quando o dia está miseravelmente sombrio, detectam sempre o movimento e iluminam a longa distância. 

Por isso, resolvemos adquirir mais. Isto apesar de, por dentro, sentir sempre uma ferroada: estupor do Bezos. E depois há isto, o meu lado de auto-desculpabilização: penso que não é por eu ceder uma vez, de vez em quando, que estou a contribuir para a felicidade do estupor. Por isso, perdida por cem, perdida por mil, encomendámos também um candeeiro para dentro de casa. O meu marido andava a protestar com a luz fraca na zona em que habitualmente fazemos as refeições. No tecto, mantivemos o plafond dos anteriores proprietários. É um candeeiro de cristal que já era dos pais da senhora. Ela não quis desmontá-lo pois temeu que se desmanchasse todo. Como o acho bonito e reconheço o seu valor, deixei-o ficar. Mas não ilumina muito. Para compensar, temos um candeeiro de pé alto que dá uma luz quente, acolhedora. Mas, reconheço, não ajuda extraordinariamente, em termos de intensidade luminosa. Então, pôs-se ele a tentar descobrir um que lhe parecesse adequado. E descobriu. Este que encomendámos hoje. A ver se não desilude. Depois logo digo. Ou mostro.

Para o almoço não sabíamos o que haveria de ser. Como íamos jantar fora, estávamos com preguiça em puxar pela cabeça. Então, lembrei-me de fazer uma coisa adequada à preguiça que sentia. Cozi uma batata doce daquelas cor de laranja, uma batata normal, duas cenouras pequenas, um punhado de feijões verdes e dois ovos. E, numa frigideira, caramelizei duas cebolas roxas (às rodelas finas, claro). Depois juntei-as ao conduto. Comemo-lo com sardinhas de lata. E podem crer que nos soube bem, e olhem que não estou aqui para enganar ninguém.

Saímos de casa relativamente cedo pois o meu filho, que marcou o restaurante, disse que, se não fossemos cedo, aquilo ficaria muito cheio. Mas às sete e picos já estava cheio. E, quando saímos, por volta das nove, ainda mais cheio estava. Quando chegámos já lá estavam eles e já tinham uma sugestão de pedido. Tudo para partilhar. Quando ouvi a lista pareceu-me comida para um exército. O meu marido nestas coisas acha sempre que não é demais, pensa sempre que aquele pessoal, em especial o pessoal miúdo, é de muito alimento. De resto, o pessoal miúdo também já não é tão miúdo assim. E tinha razão pois, afinal, foi tudo, não sobrou nada. As travessas chegam e quase instantaneamente ficam vazias. E eu própria comi demais. A comida era gulosa e com estas coisas de picar, petiscar, provar e tal e coisa uma pessoa parece que perde um bocado a noção dos limites. Ainda por cima tenho sempre bom apetite. Mas parece que já estou um bocado desabituada de comer muito ao jantar. Agora estou a beber um chá a ver se a digestão se faz mais facilmente pois sinto que comi demais. Quem me manda a mim ser tão lambona, caraças? Amanhã ponho-me a pão e água a ver se compenso o exagero de hoje, que não quero retroceder na forma. Hoje vesti um casaco cintado, de veludo bordeaux, de que gostava muito, mas que já tinha ficado arrumado, a modos que arquivado, no roupeiro das boas memórias. Sem grandes esperanças, antes de sair, lembrei-me de o experimentar -- e até quase me comovi quando constatei que já cabia outra vez nele e que até conseguia abotoá-lo todo, todinho. Portanto, com muita disciplina e muito sentido de abnegação, haverei de manter-me bem comportadinha, afastada dos quilinhos a mais, retomando as minhas roupinhas pré menopausa (que eu, cá para mim, o aumento de dimensões aconteceu nessa altura).

E é isto. Nada mais de declarar.

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Desejo-vos uma boa semana

Saúde, harmonia, paz e alegria

domingo, janeiro 11, 2026

Como é possível termos batido tão fundo na saúde? Incompetentes e estúpidos!
-- Uma vez mais, a palavra ao meu marido --

 

Depois de ter havido 11 fatalidades durante a greve do INEM, depois de terem ocorrido dezenas e dezenas de partos em ambulâncias, na rua, na recepção de hospitais, ..., depois de mais três fatalidades devido à falta de ambulâncias, depois de tragédias de pessoas que estiveram nas urgências e foram mandadas para casa ou não foram atendidas no hospital por não chegarem de ambulância, depois de todas estes horrores e dos que não foram publicitados, quando parecia que já tínhamos batido no fundo foi hoje divulgada uma fotografia de uma senhora, doente oncológica em estado terminal, deitada no chão de um hospital em Coimbra. 

da SIC Notícias

Aflita, cheia de dores, no chão, sem qualquer conforto, sem respeito pela sua dignidade -- a imagem é chocante. 

Mas que porra de merda é esta? Não há um mínimo de respeito pelas pessoas? A dignidade humana não vale nada? Os serviços de saúde abandonam quem mais precisa? 

A situação nos hospitais está tão má que já estão a praticar uma medicina de catástrofe, e quem tem menos hipóteses é deixado à sua sorte? São tão insensíveis que não conseguem garantir o mínimo de conforto a uma doente certamente muito fragilizada e dependente? Não têm qualquer desculpa! São estúpidos e desumanos! Não há atenuantes! 

Tudo isto resulta certamente de uma tremenda falta de organização, de uma indesculpável falta de capacidade de gestão. Podem não fazer por mal mas, apenas, por incompetência. Os responsáveis são quem não percebe isto e não toma medidas. Isto merece punição, isto ofende os portugueses! 

O Montenegro prometeu que resolvia os problemas da saúde em meia dúzia de dias e, ao fim de dois anos, a saúde está um caos, pior que nunca. O Montenegro mantém a ministra, a ministra diz que não se demite e o Marcelo não exige a demissão desta tipa. A única coisa que a ministra fez foi arranjar lugar para os gajos do partido e estragar tudo o que mudou. No meio disto ainda vêm uns palermas do governo e do PSD como o Leitão Amaro, o Hugo Soares ou o Marques Mendes defender a ministra e tentar atirar areia para os olhos dos portugueses. 

São uns m... que não merecem qualquer tipo de respeito. Só uma pessoa burra e estúpida que nem um calhau não se demite numa situação destas. Um PM que recusa demitir uma pessoa assim, se tivesse um mínimo de honestidade intelectual e não fosse cínico também se demitiria, e um PR que sempre protegeu estas duas figuras pouco decentes seguiria o mesmo caminho. 

Deve-nos chocar a todos o que está a acontecer na saúde. Esta fotografia revela bem a situação a que chegámos. Os estúpidos que nos governam deviam ter vergonha. São nefastos para o país.

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Nota

Não temos tido disponibilidade para responder aos vossos comentários. Mas lemos, agradecemos e, globalmente, estamos de acordo.

sábado, janeiro 10, 2026

A doença incurável da Saúde chama-se Montenegro
-- De novo, a palavra ao meu marido --

 

Após terem, infelizmente, ocorrido mais três fatalidades por atraso na prestação dos cuidados médicos pelo INEM, o Montenegro foi ontem à AR com a sobranceria, o descaramento e a arrogância habituais tentar passar pelo meio dos pingos da chuva. Para resolver o problema, anunciou a compra de 275 ambulâncias que estariam disponíveis no Verão. Afinal, parece que os estúpidos que governam a saúde, embora alertados pelo sindicato dos técnicos de emergência médica, não perceberam que há medidas, imediatas e bem mais simples, que poderiam mitigar os problemas que originaram estas tragédias. Primeira: usar as macas que pertencem às ambulâncias inoperacionais; segunda: adquirir macas para os hospitais, para que nunca fiquem retidas macas das ambulâncias; terceira: deslocar para o sul alguns técnicos da zona norte onde "as equipas estão robustas". 

Só pessoas absolutamente impreparadas, sem competência nem experiência não teriam optado por medidas tão simples que parece já terem sido postas em prática em anos anteriores. É o resultado do governo nomear dirigentes apenas pelo cartão partidário, que estão completamente desajustados nos cargos que exercem e que, pelos vistos, nem dois dedos de testa têm. 

Relativamente à compra das ambulâncias, qualquer pessoa que conheça minimamente os processos de contratação pública percebe que é materialmente impossível em seis meses preparar o caderno de encargos, lançar o concurso, obter as propostas, fazer a análise das mesmas, preparar e celebrar os contratos com o fornecedor e este fabricar, equipar, testar e entregar esta quantidade de ambulâncias. O Montenegro estaria a tentar enganar os mais incautos como sempre faz. Mas afinal o Montenegro não estava apenas a tentar enganar os incautos, o Montenegro estava, como é costume, a mentir descaradamente. Estava a mentir com quantos dentes tem na boca como já fez no  caso Spinumviva, com a redução de impostos, com as promessas para a saúde, com a aquisição de carros para a polícia ... . A compra das ambulâncias tinha sido decidida pelo governo do António Costa em 2023 -- o governo que não pôde concretizar a aquisição destes equipamentos devido ao golpe do ministério público. O papel do Montenegro neste processo foi apenas o de atrasar a aquisição dos veículos, assim, originando mais problemas no funcionamento do INEM. 

Hoje veio o "Lentão" Amaro tentar "limpar" a mentira do chefe. Foi pior a emenda que o soneto. O "Lentão" poderá ser aproveitado para técnico auxiliar do pré-escolar, parece-me que o seu perfil se adequa à função. A forma como fala e o que diz estão adaptados a esta faixa etária. Para ministro não serve, a não ser que nunca fale em público e não tome decisões, isto é, sirva apenas de papel de embrulho. E das duas uma: ou o tipo é retardado ou despreza os portugueses, julgando que temos uma idade mental de cinco anos. A forma como tenta explicar o inexplicável dá pena. Em conclusão, a medida anunciada pelo Montenegro destinada a resolver o problema das ambulâncias tinha sido tomada em 2023 pelo governo do António Costa e o governo do Montenegro não deu andamento a esta aquisição, emperrou o processo, sendo responsável pela falta de ambulâncias e pelas as trágicas consequências que daí resultaram. 

Mas o Montenegro também afirmou que mantinha a ministra. Já aqui escrevi que, na minha opinião, só um lobby fortíssimo de apoio à ministra no interior do PSD permite que ela se mantenha no cargo. No entanto, tenho para mim que qualquer dirigente que não seja burro prefere ter a gerir as áreas que supervisiona pessoas competentes, conhecedoras da área e com experiência de gestão em vez de calhaus com dois olhos que "não dão uma para a caixa". Neste caso o  PM, tendo em conta os resultados obtidos, parece ter optado pelo calhau. 

Entretanto, veio o Marcelo secundado pelo "Facilitador Mor," também conhecido por "Leva e Traz" dizer que é preciso o governo dar explicações para sossegar  a populaça. Já chega de hipocrisia. Não é verdade, o que é preciso é apurar responsabilidades, definir objetivos e verificar os resultados.  Explicações são treta para inglês ver. Poderá parecer que o Montenegro, o Marcelo e o "Leva e Traz" são burros encartados. Não são, são é cínicos e hipócritas que só pensam neles e nos votos, marimbando-se para os portugueses. Do Marcelo ver-nos-emos livres em breve, a ministra também dificilmente aguentará muito tempo, e pior parece ser impossível. O Montenegro, a ver vamos. 

Quem more na margem sul está, certamente, apreensivo quanto à capacidade de haver uma atuação atempada da emergência médica em caso de necessidade. Nunca imaginei que o SNS chegasse a este estado. Será que não é de propósito para alavancar o setor privado da saúde?

Nota: espero que o Trump, tendo conhecimento do estado da saúde em Portugal, planeie uma "intervenção benigna" para fazer a extração da Ana Paula Martins. Ficaríamos finalmente livres da moça. E, en passant, mais uma observação: como é possível termos um ministro dos negócios estrangeiros que, com aquele seu ar apertadinho, consegue dizer um disparate tão grande?  

O governo não tem ponta por onde se pegue!

sexta-feira, janeiro 09, 2026

Luís e Luizinho: o ventríloquo e seu boneco amestrado

 

Peço desculpa, mas não consegui fazer melhor. Tentei, tentei mas não consegui aprimorar as feições. Por acaso, Luisinho, o bonequito que o cínico joker manobra, até saiu favorecido, mais compostinho e mais bonitinho do que o é na realidade. O meu receio é que nem o identifiquem. 

Mas, enfim, espero que percebam a ideia. 

Se as imagens estão tão pouco realistas que não servem de caricatura e não transmitem a situação que pretendo ilustrar, sugiro que pesquisem as afirmações do facilitador encartado. Verão que é uma corrente de transmissão do Spinum, mas é uma corrente de transmissão que não acrescenta um pêlo a coisa alguma. Especializado em ser um leva e traz, em abrir portas e em telefonar para este e para aquele e, ao domingo, em ir para a televisão dizer coisas, quando largado por sua conta, prova que não existe. Um boneco só existe quando manobrado pelo mestre. Agora que anda pelas ruas, aos caídos, com um sorriso amarelo, parece uma marioneta abandonada. Claro que ainda tem esperança de ir para Belém para ser o porta-voz do seu dono. Mas comigo jamais contará.

E queiram, por favor, continuar a descer para verem o Trump chinês. Uma graça.

O Trump chinês

 

Como tenho referido muitas vezes -- e não sou criativa ao dizê-lo, toda a gente deve pensar o mesmo --, apesar de ter vários crimes às costas, Trump tem um lado caricatural que nos dá vontade de rir. Se o fulano está mesmo demente e tudo o que anda a fazer resulta de ser uma pessoa mentalmente perturbada, se calhar é chato ser parodiado. Mas a verdade é que, apesar de demonstrar à saciedade que é cruel, mal educado, egoísta, aldrabão, corrupto, má pessoa, desrespeitador, sádico e tudo o que se possa dizer, Trump é tão exagerado e tão descarado em tudo o que faz que dá vontade encará-lo como um actor de um filme cómico.

E, claro, dá vontade imitá-lo.

E se carradas de americanos o fazem, a piada deste vídeo é que é um chinês a imitá-lo.

Imitador de ‘Trump chinês’ viraliza no Pacífico

quinta-feira, janeiro 08, 2026

Que governo é este que esfrangalha tudo onde mexe...?
-- A palavra ao meu marido --

 

Hoje soubemos de mais uma fatalidade causada pela inoperância do INEM. Parece que resultou da falta de ambulâncias e/ou dos novos procedimentos que o novo presidente do INEM implementou, apregoando que eram suficientes para resolver os problemas do INEM. Pelos vistos falhou redondamente, e causou mais uma tragédia. 

Ouvi agora nas notícias que estão setenta e três ambulâncias paradas nos hospitais (só no Garcia de Orta, 20 ambulâncias retidas). 

Ouvi há bocado, também na notícias, que em várias regiões do país habitualmente não há ambulâncias disponíveis e que quem tiver um problema grave tem muitíssimo menos hipóteses de se safar por causa deste caos. Um desastre! 

O governo que primeiro resolvia o problema da saúde em 60 dias e depois em seis meses, a única coisa que fez ao fim de dois anos foi agravar muitíssimo os problemas, criando o verdadeiro caos com as medidas que tomou na saúde. 

O PR é cúmplice desta situação porque, ao contrário do que antes fazia, nunca criticou a situação, deixando que o Montenegro e a ministra tomassem o freio nos dentes e tomassem medidas que destruíram o que podia não funcionar exemplarmente, mas que, pelo menos, funcionava e garantia uma assistência atempada aos portugueses. 

Há três responsáveis por este estado de coisas: o Montenegro, a ministra e o PR. Deviam pedir desculpa por tantos erros... e, no mínimo, a ministra devia ir já para casa! 

Aliás, tudo o que este governo tentou mudar ficou pior. 

No domínio da habitação, as medidas que tomou originaram um enorme aumento no preço das habitações, estão a dar cabo do pequeno mercado de arrendamento que existe e, como seria de esperar, porque este governo está-se nas tintas para quem tem menos recursos, o governo não tomou medidas para garantir habitação condigna à população com menos recursos, incluindo aos imigrantes. 

Relativamente ao controlo da imigração, ninguém sabe o que se passa porque não existem estatísticas nem dados publicados. Provavelmente, o governo ufana-se do que não conseguiu. Mas soube-se com espanto que o governo campeão da segurança conseguiu acabar com o controlo de fronteiras. Parece que o sistema pifou (palavras da ministra) e admito que a dita (ministra) também tenha pifado. 

Pelo meio ainda conseguirem dar cabo da paciência aos estrangeiros que nos visitam, contribuindo para dar uma má imagem do País. Mais uma área onde estiveram "bem ". 

É certo que o governo acalmou os polícias, os GNR e o pessoal das FA, despejando dinheiro em cima destes sectores profissionais. Mas, para além de despejar dinheiro, o governo nada fez nestas áreas e fez bem porque pelo menos continuam a funcionar. 

Temos um governo que estraga tudo em que toca e que desbarata os recursos que irão ser necessários mais tarde ou mais cedo. A incompetência é notória. Será que o governo também pifou? 

O Marcelo bem se pode "orgulhar" da herança que deixa, resultado da instabilidade que criou. É certo que o País ficou laranja em todo o lado, o que lhe deve agradar. Mas não é menos certo que a extrema direita espreita o poder, que o governo é populista e segue a agenda da extrema direita e que os principais problemas dos portugueses se agravaram. 

Boa Marcelo, "ganda" legado! De facto foi o pior presidente dos últimos cinquenta anos!

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Nota à margem: Tenho curiosidade em saber que passos vai o Xi Jinping dar para tentar fazer frente à política da Administração americana.

quarta-feira, janeiro 07, 2026

Notas sobre o grande debate

 

O grande perdedor da noite: zero em termos de conteúdo, zero do sentido de não ter qualquer conteúdo, zero em termos de ideias, e não é uma pontuação subjectiva, não, é mesmo que não tem uma única ideia.  E, ao descontrolar-se, mostrou que tem zero de compostura. Muito mau. E depois a palavra ordinarice, que soltou ao dirigir-se a Gouveia e Melo, soou ali muito mal; penso que é palavra que lhe ficará colada. Refiro-me, é claro, a Marques Mendes. Se houvesse a pouca sorte de chegar à 2ª volta com o Ventura, acho que nem assim votarei em Marques Mendes.

Confirmação: é igualmente um zero em termos de conteúdo e um zero em termos de ideias. Em termos de compostura, já se porta como se já fosse PR. Mas um PR daqueles que não acrescenta ponta de corno. Peço desculpa pela expressão, mas a criatura tira-me do sério. Se já encarnou uma bafienta personagem, imagine-se se tivermos a pouca sorte de ele lá chegar. Um horror. Se for à 2ª volta com o Ventura, com muito desconforto e até muitas e severas dúvidas, votarei nele, nele Seguro. Mas ficarei arreliada até à segunda casa. Que burrice a do Pedro Nuno ter falado no nome da criatura. Há quem o gabe por ter estado 12 anos sem dizer nada, como se isso fosse uma virtude. Não é, é apenas a sua idiossincrasia: não tem nem nunca teve nada para dizer.

Almirante: na realidade ainda não adquiriu a tarimba que nestas coisas dá um certo jeito. E tem algumas saídas um bocado fora da mãe, dá ideia que vai muito ensaiado e muito ensinado e isso retira-lhe alguma naturalidade e, mesmo, algum discernimento. Contudo, continuo a achar que talvez seja a melhor opção.

Ventura: tenho que reconhecer que, no debate, não esteve mal de todo. E não é burro nenhum. Percebe-se que atraia o voto de tanta gente. O pior é que, para além de não ser sério, isto é, intelectualmente honesto, e de jogar no bota abaixo, e de ter valores opostos aos meus, não é confiável. Portanto, é para esquecer.

Cotrim: o ganhador da noite. Esteve muito bem. De todos, foi quem melhor revelou ter ideias e, ao mesmo tempo, ter atitude. Está a subir nas sondagens e isso percebe-se. Acredito que, se por acaso lá chegasse, seria um presidente digno. Acredito também que saberia ser razoavelmente isento face às suas ideias políticas. Provavelmente seria a minha segunda opção.

Antonio Filipe: respeitável e cordato como sempre. Mas não acrescenta, é sempre mais do mesmo. Contudo, calma, em termos de conteúdo e de atitude, 10 a 0 a Marques Mendes e a Seguro. O pior mesmo é o quadro mental em que se move. Mas, quando o vejo, penso sempre que é uma fofésima criatura, uma simpatia.

Catarina: esteve bem no debate e tem feito uma campanha muito capaz. Mas.

Jorge Pinto: esteve bem mas, infelizmente, aquela coisa de não se perceber se está numa de desistir, baralhou tudo.

André Pestana: é o sindicalista do STOP e foi isso que revelou no debate.

Humberto Correia: de vez em quando aparecem pessoas assim, não se percebe bem o que pretendem, mas vê-se que é bem intencionado e, de resto, é um direito que felizmente a malta tem, meter-se em alhadas destas.

Manuel João: de certa forma, alguma desilusão. Estava à espera que fosse mais polémico, mais irreverente. Mostrou ser um peixe fora de água. Com tantos candidatos armados em políticos a sério, o Manuel João não encontrou o seu palco, e teve alguma dificuldade em ser fluente. Mas a felicidade é uma coisa importante, é mesmo, e até me parece bem que esteja na Constituição. Se isto tudo não for para a malta ser feliz, então é para quem? 

Carlos Daniel: fantástico. Um grande moderador. O melhor de todos. Cinco estrelas. Das grandes.

É isto, não é?

 

A vossa atenção para a intervenção de Trump. Dizem que saiu dos carris, que, mais uma vez, desorbitou. 

Pelo que se vê no vídeo abaixo, vagueou por territórios onde se sente como peixe na água: a troça. Uma palhaçada.

Num momento em que supostamente se afadigaria a explicar aos republicanos a golpada venezuelana e o day after e, não menos relevante, tentaria que os seus correligionários o secundassem e ajudassem a mitigar o desagrado que começa a fazer estalar a base MAGA, eis que, mais uma vez, se desviou e se perdeu, enlevado com o riso que despertava. É que se a intenção era a de uma intervenção política, rapidamente se esqueceu disso. Dir-se-ia que estava num espalhafatoso número de stand up. 

Vejam: é isto o Presidente dos Estados Unidos que deitou a mão ao petróleo da Venezuela, e há-de deitar a mão ao lítio e às terras raras, é isto o parvo que está a ameaçar tomar a Gronelândia, se preciso for à força. É isto. Em vez de estar a receber tratamento, está à solta.

Trump imita halterofilista transgênero, gozando da política democrata num encontro republicano na Câmara.

No Kennedy Center, Trump gesticulou, imitando um halterofilista transgénero. De caminho também comentou que a primeira-dama Melania Trump não gosta dos seus habituais números de dança.


terça-feira, janeiro 06, 2026

Baby Trump

 

Trump não é só um psicopata, um narcisista maligno, um mentiroso compulsivo: ele é também um personagem surreal, um personagem cómico, um personagem exagerado que ninguém levaria a sério. Imagino que, num futuro não muito distante, se farão séries e filmes, talvez alguns trágicos mas, na maioria, cómicos, daqueles disparatadamente cómicos.

O pior é que antes que lhe dê um fanico ou que o retirem de cena não vai parar de fazer mal. A contabilidade do que ele já destruiu não deve ser fácil de fazer pois é tudo caótico, simultâneo, atropelado. Tem feito um mal generalizado a instituições e a pessoas. Tem ferido, esperemos que não de morte, a democracia. O rasto de arbitrariedades e de injustiças é imenso, irracional.

O que está agora a fazer com a Venezuela, tendo atacado as instalações em que Maduro e a mulher pernoitavam, arrancando-os da cama e raptando-os, e anunciando que agora são os Estados Unidos que mandam na Venezuela, é do domínio dos filmes de acção de série D, daqueles no gozo. E agora já estendeu a ameaça a Cuba, à Colômbia e ao México. 

E os cobardolas dos líderes europeus, que, exibindo a sua condição de castrados, vieram com conversinhas de virgens encardidas, todos sonsos e palermas, mostrando ter medo de enfrentar o fora de lei cor de laranja, hoje levaram pela cara com a reiterada ameaça em relação à Gronelândia. Ainda não perceberam que um bully só amocha se alguém lhe fizer frente. Um bully é um cobarde que aposta no medo dos outros. Se os outros o mandarem bugiar e lhe mostrarem que se estão nas tintas para as suas ameaças, o bully recua, arrepia caminho. 

Em contrapartida, enquanto os líderes europeus se mantiverem encolhidos, sorriso parvo, a deixarem que o bully os grab by the pussy, tê-lo-emos a gabar-se do mesmo que se gabou quando foi acusado de violar uma mulher: 'Ela gostou. E se ela gostou, não é crime.'. 

Entretanto, vejamos o bebé Trump a dizer as barbaridades que vamos ouvindo ao bully Trump.

Baby Trump: Raptei o Presidente e assumi o controlo da Venezuela

O Bebé Trump está de volta… e ele tem uma GRANDE novidade! 😳💥 Hoje, o Bebé Trump diz que roubou a presidência… isso mesmo… Maduro já foi! 👶🇻🇪 E agora o Bebê Trump está assumindo o controle da Venezuela como um chefe! 🍼💣

Assista ao Bebé Trump a fazer seu anúncio maluco, caótico e totalmente infantil 🍼🗣️💥 Será que ele vai governar o país melhor que os adultos? Quem sabe… mas vai ser hilariante 😂🤯


Que o mal não dure muito mais -- é o que eu desejo

segunda-feira, janeiro 05, 2026

E se aquilo de os Estados Unidos irem 'tomar conta' da Venezuela tiver sido mais uma maluquice do Trump... uma maluquice que lhe ocorreu no decurso da própria conferência de imprensa...?

 

Este domingo mostrou-se afável como há muito não via os dias. Nem vento nem chuva nem frio. Um solzinho algo tímido mas, ainda assim, bem agradável. Consegui andar a varrer as folhas, consegui andar cá fora sem ter que me desviar da chuva nem andar encasacada. Bem bom.

E fizemos umas boas caminhadas. Cruzámo-nos com mais pessoas do que é costume, em especial pais com crianças pequenas a andar ou a aprender a andar de bicicleta. O meu marido disse que devem ser bicicletas recebidas pelo Natal. Também várias pessoas a passearem os cães. Os campos verdes de dar gosto. Daqui por algum tempo o verde será erva alta mas, por enquanto, parece relva e musgo, um tapete fofo por onde apetece andar.

Felizmente comprámos, há semanas, um dispositivo para secar sapatos, umas coisas elétricas que se enfiam dentro dos sapatos. Por isso, quando chego a casa costumo descalçar-me, incluindo as meias, e pôr os sapatos a secar. Andar no meio da erva molhada dá nisto. Claro que poderia usar uns ténis impermeáveis mas prefiro andar com uns muito confortáveis, maleáveis (que são porosos). Comprei há tempos uma espécie de meias de uma espécie de latex que se calçam por cima dos sapatos. E funcionou lindamente, um ovo de colombo. Mas isto de andar no meio da erva e do mato não dá saúde a coisas assim. Sem querer, em especial de noite, piso pedras, paus. Portanto, aquela espécie de botinhas elásticas já não funciona, já estão furadas, já deixam entrar a água. Mas pronto, foram baratas e já cumpriram a sua missão.

Bem. Queria eu dizer que o dia foi tranquilo. 

Ao fim da tarde, como ando incomodada com a tumpalhada da Venezuela, pus-me a ouvir várias opiniões sobre o assunto. Toda a gente converge na ilegalidade, na inconstitucionalidade, na gravidade. Claro.

Mas agora ouvi a opinião de Michael Wolff, que o conhece bem e conhece bem a sua entourage e o staff da Casa Branca, e ri-me com ele e com Joanna Coles. A opinião de Michael Wolff, baseada na sua intuição e em informações recolhidas, é que aquilo de os Estados Unidos irem tomar conta da Venezuela foi uma que lhe saiu ali, no decurso da conferência de imprensa, fruto da sua mania das grandezas e da sua demência. Segundo Michael Wolff, aos poucos todos tentarão ir chutando para canto ou fingindo que estão a fazer alguma coisa nesse sentido mas, na prática, não fazendo nada -- não têm como, não têm pessoas para deslocar para lá com conhecimentos para tomar conta do que quer que seja na Venezuela, não têm autorização do congresso para se meterem em despesas, não têm nada planeado. Ou, igualmente provável, 'tomar conta da Venezuela' na cabeça de Trump não passe de conseguir, ele, a família e os amigos, sacarem de lá o mais que puderem, o mais rapidamente possível, e não o que se poderia interpretar, levando à letra o que ele disse.

Mas, digo eu, sabe-se lá. De um descarado, prepotente, narcisista, sem escrúpulos, ainda por cima demente, o que se pode esperar...? Esperar-se-ia, isso sim, que as instituições funcionassem, que a democracia e o mundo desenvolvido tivessem mecanismos de defesa. Têm mas são tão frágeis que um único maluco pode acabar com tudo em menos de nada. Na prática, a nossa condição é a de indefesos. E isto sou ainda eu a dizer.

Mas convido-vos a ver o vídeo abaixo. Como sempre, a conversa dos velhos amigos, Joanna Coles e Michael Wolff, é bastante interessante. E traz-nos o lado pessoal do que geralmente vemos analisado sob o ponto de vista político. 

E se, mais do que uma bem pensada jogada geo-estratégica, tudo isto deve é ser ser visto como um cocktail de motivações erráticas, mais irracionais do que racionais...? Veja-se: o medo do que aí vem com a revelação de mais ficheiros Epstein em que inevitavelmente virão provas comprometedoras para Trump, o medo do que será a reacção colectiva das pessoas quando virem que o que vão pagar do seguro de saúde vai ser o dobro do que era e, em alguns casos, o triplo; isto a par da pressão das petrolíferas, do real state e das big tech para irem para lá sacar petróleo, terras raras, lítios e etc e irem construir hotéis, casinos, arranha-céus; e mais as provocações de Maduro a dançar e a mostrar que não tem medo dele -- tudo isto deve ter atirado aquele narcisista megalómano e demente para a frente, no que foi secundado por um grupo de palermas. Claro que os militares, que ainda não têm a coragem de não acatar ordens ilegais, executaram as ordens. 

JD Vance, calculista, a preparar-se para se chegar à frente mal surja a oportunidade, e que é um isolacionista, Maga puro e duro, America first e os outros que se lixem, não apareceu na conferência de imprensa. Poderá invocar gripe ou coisa do género mas só os tolos engolirão a desculpa.

Enfim. Um mundo entregue a gente doida. Um perigo temperado pela mais absoluta imprevisibilidade.

No outro dia ouvi um terapeuta que trabalha em lares onde trata de idosos com demência a dizer que acha que Trump só deve ter mais um par de meses em que possa fazer de conta que está funcional pois rapidamente o seu estado se deteriorará a ponto de terem que o retirar de cena. Veremos. 

O vídeo abaixo só começa aos 3'28". Dá para colocar tradução automática.

Michael Wolff & Joanna Coles discutem o tema Trump & Venezuela

Michael Wolff e Joanna Coles discutem a declaração de Trump de que os Estados Unidos vão assumir o controle da Venezuela após a captura do líder autocrático Nicolás Maduro.

Numa conferência de imprensa tumultuada em Mar-a-Lago, Trump também revelou planos para se apoderar das reservas de petróleo do país e alertou que "não temos medo de enviar tropas terrestres" como parte da tomada de poder.


Desejo-vos uma boa semana

domingo, janeiro 04, 2026

Isto não está a começar bem...
E não sei se o que me incomoda mais é o crime de Trump se é a cobardia dos Europeus

 

Não simpatizo com Maduro, nada mesmo. Tenho sempre muita pena dos povos que não vivem em democracia, que não têm o privilégio de viver em plena liberdade, que não têm a sorte, que toda a gente deveria ter, de viver num país desenvolvido, humanista, inclusivo, moderno. Teria ficado muito mais animada se, em eleições livres, os venezuelanos escolhessem um verdadeiro democrata.

Contudo, nem de longe nem de perto, apoio ou percebo ou justifico a criminosa acção militar dos Estados Unidos de atacar alguns alvos e raptar Maduro e a mulher, indo buscá-los à cama e depois, algemando-o, vendando-o, transportando-o para os Estados Unidos, humilhando-o de forma vil, expondo-o ao mundo nessa condição de preso, vendado e humilhado.

Pelo contrário, revolta-me as entranhas saber que alguém pode fazer isto, que um país resolva promover uma acção destas para, de forma prepotente e desrespeitadora, pegar no presidente de um país e levá-lo à força para ser julgado num país estrangeiro.

Revolta-me o que, antes, Trump e o gang de anormais que o rodeia andaram a fazer, disparando mísseis contra barquinhos, matando as pessoas que lá iam. Não sei se transportavam droga se não. Mas, se suspeitavam que os barquinhos transportavam droga para os Estados Unidos, então que apreendessem os barcos e prendessem os seus tripulantes para que se averiguasse se era isso mesmo. Nunca, por nunca, que, sem mais, matassem as pessoas. Isso são crimes que a comunidade internacional deveria ter condenado veementemente.

Revolta-me a desfaçatez de Trump e da corja que o apoia que declaram às escâncaras que a partir de agora vão mandar na Venezuela. Revolta-me isso até mais não. Revolta-me que, sem se dar ao trabalho de disfarçar (por exemplo nem se deram ao trabalho de dizer que vão restaurar a democracia), confesse que vai explorar o petróleo venezuelano, que vai ficar com o que calhar à conta de uma qualquer compensação. É abjecto. Uma ladroagem à descarada.

Revolta-me, ou melhor, enoja-me, a descrição que Trump fez, dizendo que a operação parecia uma série de televisão e que foi uma acção espectacular, rápida e violenta, e reforçando a palavra violenta como se ser violento fosse uma boa coisa, e dizendo que não se via uma coisa assim desde a II Guerra Mundial, e incomoda-me que tenha feito acompanhar o vídeo do ataque de uma música, absurda e despropositada naquele contexto -- tudo ridículo, abastardado, sem noção. Revolta-me a palhaçada que é tudo o que Trump faz e diz. 

Mas revolta-me também muito, muito, muito, a reacção hipócrita e cobarde dos países europeus (do que ouvi, talvez com excepção para Espanha). 

Que cara, que voz, que coerência podem os europeus mostrar na defesa da Ucrânia contra o invasor Putin quando, perante Trump, se calam? E escrevo calam quando o que me apetece é dizer que abrem as pernas. Mas não digo. O que digo é que, perante um demente, um aldrabão compulsivo, um narcisista maligno, o que se tem visto aos europeus é fecharem os olhos, apaparicarem, passarem-lhe a mão pelo pelo. bajularem. Será uma atitude estratégica. Sei que sim. Mas sei também que a cobardia tem perna curta e, pior que isso, a cobardia é sinónimo de se pôr a jeito. 

Foi certamente com o engodo da Venezuela que Putin deu a volta a Trump com a Ucrânia, tal como é com a ganância e a sem-vergonhice, e, logo, com a conivência de Putin e Trump que Xi Jinping conta para um dia ficar com Taiwan. Parece que, de repente, constatamos que o fim da lei e da ordem é um facto, é o novo mundo, parece que este é o tempo dos chacais. E nós todos presas fáceis, insignificantes poeiras.

Raios os partam. 

Esquecem-se é de uma coisa, é que não há mal que sempre dure.

sábado, janeiro 03, 2026

Imaginação

 

Como se costuma dizer, sou insuspeita. 

De Francisco Louçã creio que ninguém poderá dizer que sou suspeita de ser sua fã, sua adepta, sua seguidora, sua admiradora. Zero. Não quer dizer que nunca concorde com ele pois claro que, por vezes, concordo. Mas, em geral, não é a minha praia.

Portanto, um livro escrito por ele não me faz ir a correr para a livraria, física ou virtual. Zero. E, contudo, aqui o tenho. Surpreendeu-me o título, o subtítulo e a capa. Surpreendeu-me o texto da badana da contracapa, abaixo transcrito. Abri o livro e folheei. E não está a desiludir. Direi mesmo: a surpresa mantém-se. 

Einstein, no auge da sua fama, afirmou «sou suficientemente artista para me basear livremente na minha imaginação. A imaginação é mais importante do que o conhecimento. O conhecimento é limitado, a imaginação cerca o mundo» – é dela que trata este volume. Ao percorrer a revolução cromática com os sóis sobre sóis de Van Gogh e o quilo de verde de Gauguin, o ensolarado sorriso azul de Proust e o verde-ouro de Frida Kahlo, encontram-se vislumbres de harmonia em mundos devastados pelas tragédias. É sempre a imaginação que anuncia a sua libertação, como através dos percursos pelo desconhecido, como as mentiras de Preste João, o deslumbramento de Marco Polo e Ibn Battuta, as poderosas ideias religiosas, as fantasias da Itália romântica e do Oriente sensual, ou ainda como as viagens mais fascinantes, o amor e a sexualidade, que concluem este livro. O que assim se estuda é como imaginamos.


Transcrevo a primeira página e parte da segunda. Poderão ajuizar. Como a mim é tema que me interessa, vou continuar a surpreender-me. E, se continuar como até aqui, continuarei agradada.
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INTRODUÇÃO

A invenção vem da imaginação e a imaginação é um labirinto em que o difícil não é a saída, é a entrada.

Rubem Fonseca

Com a sua peça Sonho de Uma Noite de Verão, William Shakespeare encenou uma comédia amorosa em que os seus personagens se desencontravam numa floresta encantada, onde elfos e fadas lhes confundiram a razão e uma poção mágica lhes trocou as paixões. Há ainda dentro daquele Sonho o ensaio de uma representação teatral para uma boda, e os diversos níveis da história vão-se entrelaçando em sucessivos equívocos. Teseu, duque de Atenas, cidade onde decorre a peça, queixou-se deste jorro de imaginação que permitia tudo o que perturbava a ordem: «Os amantes e os loucos têm cérebros tão fervilhantes, e fantasias tão criativas, que captam mais do que à fria razão é dado apreender. O lunático, o amante e o poeta são compostos só de imaginação».¹ Este desdém era obviamente uma paródia sobre o choque entre a imaginação, designada como loucura, e o poder. No entanto, o próprio Teseu reconhecia que a imaginação chega mais longe do que a razão. Essa ideia é um dos pontos de partida deste livro, que retomará temas do mesmo Sonho, como o ímpeto carnavalesco, a afirmação do amor e, sobretudo, o imaginário como linguagem da esperança e da felicidade.

Enquanto aquela peça era apresentada, nos finais do século XVI, pensa-se que na festa de um casamento aristocrático, Miguel de Cervantes escrevia em Castela as suas novelas e algum teatro. Passada uma década sobre a estreia do Sonho, deu à estampa o Dom Quixote. Nesse mesmo virar do século, o frade dominicano Giordano Bruno, ensaísta, matemático e filósofo, foi condenado por heresia e morto na fogueira em Roma; o médico e cientista William Gilbert publicou o seu livro sobre o magnetismo da Terra e Galileu Galilei leu-o com entusiasmo, enquanto estava a observar o firmamento e a aperfeiçoar o telescópio; e Johannes Kepler completou os seus estudos sobre o heliocentrismo, ao mesmo tempo que escrevia em segredo sobre o sonho de uma viagem à Lua. A literatura moderna é contemporânea tanto da emergência da ciência quanto da invenção ou da difusão de novas tecnologias, que, com a bússola, a impressão com tipos móveis, a pólvora e o telescópio, mudaram os sistemas de autoridade. Foi igualmente o tempo do início da colonização do Novo Mundo, da Reforma protestante e de guerras no Centro da Europa e no Mediterrâneo (Cervantes combateu contra a marinha otomana em Lepanto, onde foi ferido e perdeu o uso de uma mão, e Kepler foi frequentemente forçado a fugir das refregas entre príncipes católicos e protestantes). Deveriam assim acrescentar-se à lista de Shakespeare e à de Cervantes novos personagens, pois, além das fantasias de poetas e amantes, ou do Cavaleiro da Triste Figura, seguir-se-iam outros portadores de imaginação fervilhante, que eram os cientistas, os dissidentes religiosos, os viajantes e os soldados dos impérios.

Poder-se-ia perguntar, como Shakespeare sugeriu pela voz do duque de Atenas, se a vida é uma tensão entre o que imaginamos, com a nossa cultura e paixões, e o entendimento.

[Excerto de "Imaginação - Cores, Deuses, Viagens e Amores" de Francisco Louça] 

sexta-feira, janeiro 02, 2026

Abrir as hostilidades lendo as mentes

 

Neste momento já não é o primeiro dia do ano e, portanto, escuso de fazer um post muito alinhado. Pensei fazer um post sobre a natureza, sobre uma extraordinária borboleta, ou sobre o que ler faz ao cérebro, e claro que só faz bem, ou sobre acontecimentos marcantes ou sobre os avisos, que se sucedem, sobre os riscos da Inteligência Artificial.

Mas o meu dia foi muito bom, mas com a primeira metade um pouco cansativa. Nestes dias, ponho o despertador para me levantar cedo e, de imediato, entro em erupção criativa a nível culinário. Só me apetece fazer coisas, um buffet completo. O meu marido entra em stress, diz que é um disparate, que eu deveria simplificar. E pergunta-me o que vou fazer. Digo que só sei quando fizer. Ele pensa que estou a desconversar mas não é. é mesmo. Faço sem antes ter pensado no que ia fazer. Pergunta-me: 'Mas nunca fizeste isso. Leste em algum sítio?'. Não. É tudo, ou quase tudo, na base do improviso. E tudo na base de muitas etapas preparativas. Tudo feito com grande prazer. Mas, como é para muita gente, a coisa complica-se. Por exemplo, fiz um lombos de salmão em papelotes com puré de batata e ovo e espinafres salteados, o peixe pincelado com uma emulsão de mostarda, sumo de lima e sal. Várias etapas: cozer as batatas (normais e doces) e os ovos, saltear os espinafres, fazer o molho, e depois dispor tudo nas folhas de papel vegetal. Muitas. A bancada de um dos lados ficou toda ocupada, até com papelotes sobrepostos. Depois tudo para o forno. Mas isto foi uma das coisas. Uma de muitas. Até fiz uma pizza. Tudo. E foi bem apreciada. Acho que nem a provei. Fiquei foi com vontade de fazer mais. Pode ser que depois conte. Hoje não.

A tarde foi tranquila, boa. Uns jogam, outros veem televisão, tudo tranquilo e animado, um ou outro com uma pancada de sono tal o reveillon, mas, enfim, a alegria do costume. 

Mas o que eu quero dizer é que hoje não estou numa de falar nem de coisas sérias, nem de coisas fofas nem de assuntos que merecem respeito. Estou é capaz de ir dormir.

Por isso, vou abreviar e vou antes partilhar um vídeo com aquele fulano que parece ter dons extraordinários. Supostamente não são dons, são habilidades. Mas é uma coisa que parece do outro do mundo de tal forma é do caraças. 

Fico super curiosa, gostava de perceber como é que uma coisa destas é possível. E, pelo que se vê, deixa estupefactas pessoas habituadas a ver e ouvir de tudo, como é o caso, por exemplo de Anderson Cooper. E é com isto, com estas cenas mentalistas, que, aqui no blog, abro as hostilidades em 2026.

O mentalista Oz Pearlman impressiona Andy e Anderson | CNN Véspera de Ano Novo 2026

"O quê?! Como isso é possível?" O mentalista Oz Pearlman aparentemente lê as mentes de Anderson e Andy ao vivo na Times Square na véspera de Ano Novo.


Desejo-vos, de novo, um bom 2026

E um dia feliz, este de hoje e todos os que se seguirem

quinta-feira, janeiro 01, 2026

Feliz Ano Novo!
Venha daí esse 2026 que cá estaremos para o receber de baços abertos.

 


Como dizia um amigo, que não percamos nada do que nos é relevante. Nada nem ninguém. E, se o ano for assim já não será mau,

Poderia especificar mais alguns votos: que tenhamos saúde, saúde é tão importante, que sintamos alegria e motivação, que nos sintamos amados, reconhecidos, que nos sintamos em paz connosco e com os outros, que saibamos ver a beleza que nos rodeia, que saibamos reconhecer os gestos de generosidade e que nunca nos esqueçamos de os agradecer, que saibamos receber e retribuir o afecto, que saibamos ser justos e firmes na exigência de justiça, que saibamos ser verdadeiros e exigir a verdade, que saibamos fazer boas escolhas e percebamos que só nós somos responsáveis pelas nossas escolhas. E que aqueles que amamos ou, simplesmente estimamos, se mantenham bem e perto de nós.
E mais. E mais. Tudo de bom.

E vai daqui um abraço.

Feliz 2026!

🎇🎉🎉🎊🎊🎇

quarta-feira, dezembro 31, 2025

Montenegro & Ventura - a dupla de circunstância ou o controlo de fronteiras
-- Na despedida de 2025, de novo a palavra ao meu marido --

 

Conforme planeado (ironia, claro!) e em linha com a política seguida, o governo, superiormente "governado" pelo Luís, decidiu, pelo menos nos próximos três meses, deixar de utilizar o sistema informático de controlo de entradas de extra comunitários. A EU não gostou. Pudera! E eu não percebi. 

O que me surpreende é que, a ao contrário do que faria há dois ou três anos, o Luís não ande por aí a gritar aos quatro ventos contra esta medida, que o "Lentão" num ataque de histeria não se insurja contra esta decisão, que o Hugo Soares não vocifere com a má-criação habitual, acrescentando uma boa dúzia de palavrões, contra esta desorientação e que last but not least a D. MAI não seja despedida com justa causa. 

Mas ainda é mais surpreendente que o Andrézito não fale agora de política de "portas escancaradas" e de "bar aberto", que não contrate mais dez seguranças para garantir que não é violado por um extra comunitário e que, no mínimo, não tenha um, senão, dois fanicos. Aposto que ainda vem dizer que os "bandidos" vão respeitar a decisão e não vão ousar pôr cá os pés. Será que existe um plano de cessar fogo secreto entre o Luís e o Andrézito que foi mediado pelo Trump e relativamente ao qual este último ainda vai dizer que foi mais uma guerra com que acabou? É pena é que quem vota ainda não tenha verdadeiramente topado esta malta que nos governa. Haja dó para tanta incompetência e desfaçatez!

O Montenegro, o PGR e as Presidenciais
-- A palavra ao meu marido --

 

Num País em que o PM apresenta como exemplo para a populaça um jogador de futebol (boa Luís! viva o populismo!) que foi capaz de ir bajular o Trump, que trabalha para um "patrão" que não sabe o que é democracia, que promove um país em que as liberdades e os direitos individuais são uma miragem e ao qual nunca se viu a mais pequena defesa de causas relevantes. 

Num País onde o PR promulga a concessão dos casinos do grupo que pagava ao PM porque o PM estava de férias quando a decisão foi tomada (boa Marcelo, então estando o Luís de férias tinha lá alguma hipótese de influenciar a decisão... nunca!). 

Num País em que o governo campeão do controlo de fronteiras suspende a utilização de sistema informático que permite um controlo eficiente das fronteiras durante três meses (boa "Lentão", boa D. MAI, o sistema só serve para "chatear... Isto é que é trabalhar como deve ser, não há dúvidas!). 

Num País em que o MP, mais uma vez, se veio meter na campanha eleitoral só para lançar lama para cima de um dos candidatos e, assim, proteger outro,  "Maques" Mendes de seu nome (boa Amadeu, é claro que o que fizeram agora ao Almirante não tem nenhuma semelhança com o que aconteceu com o caso da averiguação ao Pedro Nuno Santos quando a Spinumviva começava a ser difícil de conter e é claro também que o MP não é dominado pelo PSD e que é pura coincidência aparecerem casos semelhantes aos que incomodam a rapaziada do PSD contra malta de outros quadrantes políticos -- "honi soit qui mal y pense"). 

Num País em que o candidato mais lobista de que há memória se finge de virgem ofendida e a propósito do Conselho de Estado nos quer fazer de parvos (boa 'Maques", a malta sabe que pautas a tua atuação pela transparência). 

... Neste País, ainda parece haver alguém que sabe o que diz e que se percebe que conhece bem e tem ideias definidas sobre problemas que nos afetam cada vez mais, nomeadamente, a nível internacional. 

Ouvi ontem a entrevista do Gouveia e Melo no NOW, e gostei bastante. Tem um registo completamente diferente de outros profissionais da politica cujos expoentes máximos no caso das presidenciais são o Andrézito e o Mendes, e percebe-se que do ponto de vista da politica internacional, da Europa e da geopolítica mundial tem conhecimentos que poderão ser muito úteis a um PR nos tempos que se avizinham. Dá 10 a 0 (zero) a qualquer dos outros candidatos. Também sobre os maiores problemas do País defendeu posições que me parecem adequadas. 

Por estas e por outras é possível que o Gouveia e Melo seja o candidato em quem deveremos votar.

terça-feira, dezembro 30, 2025

O que querem? Sou humana, chateio-me com porcarias, o que é que posso fazer...?

 

Há um problema de infiltrações e entupimentos, não aqui onde estou agora mas num lugar em que somos nós, eu e o meu marido, que temos que responder. Mil vezes penso que não era mau de todo quando tínhamos em quem delegar. Aqui não dá. 

Tenho até andado enervada pois não se vê solução que seja boa. Todas são complexas e muito dispendiosas e cada uma pior que a outra. Acordei com mensagens e vídeos do canalizador e só pensava que queria que me tirassem do filme de terror em que me estou a ver metida.

Claro que, quando falo com o meu filho, ele desvaloriza, diz que já não me lembro de quando tinha problemas a sério. Lembro-me. Mas as responsabilidades, por serem a nível da empresa, eram, digamos, colectivas. Ou partilhadas. Aqui somos só nós os dois. As decisões temos que ser nós a tomá-las e os custos temos que ser nós a arcar com eles.

Optimista como sou, de vez em quando pensava que o telefonema ou a mensagem seria a dizer que a origem do problema estava detectada, a resolução seria simples. Mas não. Em crescendo de pioria. E depois uma coisa que me enerva. Uma vez inclinava-se para uma coisa, na vez seguinte já era o contrário. Parece que o raciocínio analítico não funciona muito por ali. E eu, nestas coisas, sou cartesiana, lógica, coerente. Desnorteio-me quando me levam a pensar que a origem do problema é uma e portanto é preciso partir tudo ali e acolá e, meia hora depois, já não é isso, o problema deve estar noutra coisa qualquer e tem que se partir noutro lado completamente diferente.

E foi ao longo de todo o santo dia. 

A culminar, já ao fim do dia, veio a indicação dos custos do trabalho do dia, na prática quase todo inconclusivo. Eu estava preparada para que fosse caro e para que não se tivesse andado muito. Só que não se andou praticamente nada e foi para aí quatro vezes mais caro do que o que eu e o meu marido antecipávamos. Um inusitado balúrdio. Usou uma máquina cujo uso implica custos da ordem das muitas centenas de euros. Mas quando disse que a ia usar não avisou. Fiquei, por uns momentos, calada. Incapaz de falar. Não ia insultá-lo, não é a minha maneira de ser, não ia dizer para ir roubar para outro lado. O meu marido tem uma outra reacção. Acha que não é no fim que se discute o valor, se fez e diz que é aquilo, é pagar. Eu torço-me. Não fez orçamento porque não sabia o que ia encontrar, usou uma máquina que não disse que tem custos astronómicos, e no fim é pagar sem protestar? Enfim, fico doente. Protestei, claro. Disse que poderia arranjar outra pessoa, que não levaria a mal. O pior é que não arranjo.

Uma situação que me faz sentir a modos que impotente. O problema tem que ser resolvido, as condicionantes são mais que muitas, não consigo controlar as coisas a ponto de conseguir arranjar alternativas. Tudo coisas que detesto. 

E isto foi só o princípio. 

Não quero pensar agora, nem ficar a pensar que o ano poderia acabar melhor. E que o próximo ano escusava de começar com isto. Mas já estão coisas combinadas para o início do mês que vem. Por isso, o ano vai mesmo começar com chatices que odeio.

Bem sei que há coisas piores, por exemplo aquela velha máxima de que pelo menos não parti uma perna. Claro. Pode um tsunami avançar sobre uma terra e engolir mil e oitocentas pessoas que se pode sempre dizer que pior era se fosse em época alta, a praia estivesse cheia e tivesse engolido duzentas e oitenta mil. Claro. Bem sei. A gente pode vestir a pele da santinha, da optimista compulsiva, e, por mais chatices que tenha, sorrir e mostrar que até está agradecida por ser aquilo e não um meteorito a cair-nos na cabeça. Mas, caraças, às vezes só apetece mesmo é espingardar.

A minha filha compreende a chatice mas também tenta relativizar, diz que estas coisas acontecem. Pois. Sei de tudo isso. Mas sintonizei-me para ter uma vida zen, na maior tranquilidade, longe de problemas, sem contratempos maçadores e dispendiosos, e agora fico desconfortável, incomodada, parece que me estão a puxar para zonas de desconforto em que não quero estar.

Enfim.

Mas olhem, relevem, ok? Não tem jeito nenhum estar a maçar-vos com problemas de entupimentos, esgotos, canalizações, sifões que deveriam existir e que não existem, caixas de esgotos que ninguém encontra, danos progressivos, fugas de origem desconhecida e sei lá que mais. Amanhã tentarei falar de alguma coisa mais interessantes.

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Desejo-vos uma terça-feira feliz

segunda-feira, dezembro 29, 2025

Solidão

 

No tema das doenças mentais há várias vertentes, qual delas a mais interessante e, talvez, a mais complexa. Como leiga, direi: misteriosa. 

De um lado há as causas, muitas vezes ocultas, da doença. E, num outro lado, há os meios para as descobrir ou controlar. De forma mais material, de um lado estão as pessoas que têm os problemas e de outro estão as pessoas que conseguem tratar as primeiras.

Se nem sempre é fácil a quem tem ataques de pânico ou sofre de depressão ou de uma qualquer outra patologia perceber o que origina as crises também não será menos verdade que também não é fácil encontrar o terapeuta que acerta na abordagem ou que consegue despertar a confiança virtuosa junto de quem precisa de apoio.

Tenho aqui partilhado diversos vídeos sobre o tema e fica claro que estes domínios não são da ordem da ciência exacta. E fica também claro que o tempo dos estigmas ou dos tabus deve ser do passado. Tem que ser do passado. Ninguém está livre de ter um problema destes ou de ter que lidar com quem esteja afectado. E é importante que todos estejamos sensibilizados para esta temática seja por nós seja para podermos compreender e apoiar quem disso precisar.

Mas se as causas profundas destes distúrbios são misteriosos, também o são os vínculos entre médico/psicólogo/terapeuta e o doente, ou a forma como o terapeuta tem que se despir de si próprio para conseguir alcançar o paciente.

Já falei várias vezes de uma amiga psiquiatra que é das pessoas com a vida mais problemática que conheço. Perdi-lhe, entretanto, o rasto pois divorciou-se e éramos amigos do casal e algo se desmoronou depois dos inúmeros conflitos que ensombraram o fim do casamento. O meu marido chegou a um ponto em que, de cada vez que estávamos com eles, me dizia: 'Não tenho paciência para aturar esta maluca'. E chegava a sair da sala em que ela estava de tal forma ficava exasperado. Sendo fisicamente uma bela mulher e aparentemente normal, era, de facto, uma mente perturbada. No entanto, a nível profissional, parece que era muito competente. Chegou a directora do serviço num grande hospital. E depois deixei de saber dela. Com isto das redes sociais, descobri, no outro dia, que é amiga de um amigo meu. E vive no estrangeiro. Hei-de saber dela. Mas o que me espanta é como é que uma pessoa com forte pancada consegue ajudar os doentes de foro mental a encontrarem equilíbrio quando ela é, na sua vida pessoal, completamente desequilibrada.

Conheço também uma psicóloga, embora não tão bem como a psiquiatra. Mas, do que lhe conheço, também lhe detecto aqui e ali uns pontos que me colocam alerta. No outro dia estava com duas amigas que a conhecem muito bem e que se referiram a ela como alguém com alguns desequilíbrios. E, no entanto, profissionalmente, é conceituada e reconhecida. Portanto, há nisto também um certo mistério.

O vídeo abaixo é muito interessante. Sem meias palavras, com muita objectividade, Henrique Dias descreve o surgimento dos primeiros sinais e guia-nos pelos caminhos da sua ansiedade, da sua depressão, dos tratamentos, da procura do terapeuta que, finalmente, conquistou a sua confiança e conseguiu conduzi-lo para fora dos labirintos onde o negrume imperava.

Diz ele que quem tem problemas de ansiedade ou depressão muitas vezes não o partilham. Talvez  por amor aos mais próximos, para não os preocuparem. Talvez por incapacidade. Talvez caiba, pois, a quem está bem a responsabilidade por estender a mão. Não deixemos que os que se sentem sós no seu sofrimento, por dificuldade em sair da solidão, não possam contar com a ajuda de quem poderia ser, de alguma forma, uma boia de salvação.

Henrique Dias, depressão e ansiedade. “Há uma solidão tremenda nas doenças mentais”

Foram precisos 12 anos, a partir do diagnóstico, para encontrar o psiquiatra certo para ele e a terapia que o pôs no caminho onde está hoje. Henrique Dias, guionista, autor de inúmeros textos no teatro e na televisão e um dos criadores da série “Pôr do Sol”, da RTP, era um jovem de 22 quando teve o primeiro ataque de pânico. No Labirinto — Conversas sobre Saúde Mental, fala do percurso entre o diagnóstico, o internamento num hospital psiquiátrico e a descoberta da psicanálise.


Desejo-vos uma boa semana

domingo, dezembro 28, 2025

Nabinho entrevista Manuel João Vieira

 

Já disse em quem vou votar, no Almirante. De todos parece-me o mais confiável e quem melhor desempenhará as funções de PR numa altura tão complexa. Não dá para brincar em serviço. Não será com artolas e com videirinhos que lá vamos. Tem que ser com quem não tenha o rabo preso, não tenha medo de ferir amigos e amigalhaços e seja capaz de dar um murro na mesa quando isso for necessário. Portanto, dito isto, e estando claro que, para a primeira volta a decisão está tomada, tenho que confessar que, se o contexto fosse outro e houvesse um circuito paralelo em que a gente pudesse votar em quem queria ver e ouvir mais vezes, o meu voto iria para o only and only Candidato Vieira.

O país politicamente cinzento em que os candidatos que se destacam nas sondagens, tirando o Almirante, são uma Aberração Taberneira, um Totó Inseguro e um Chico-Espertinho de fraquíssima craveira, e em que o Primeiro-Ministro faz um apelo a que tentemos ser o Cristiano Ronaldo, 

(não ouvi, claro, cá em casa praticamos uma certa higiene, mas os salpicos do disparate chegaram até mim), 

necessita de oxigénio, de gente que pense fora da caixa, com sentido de humor e irreverência. Ouvir uma pessoa como o Manuel João Vieira é fechar a porta à estreiteza mental em que vogam grande parte dos políticos do mainstream e comentadores avençados, e, em contrapartida, a abrir a porta a um mundo em que apetece participar ou escutar as conversas.

Miguel Nabinho, conceituado galerista, é bom de conversa, faz entrevistas com piada.

O vídeo é longo e, neste tempo do toca e foge em que apenas temos tempo para o imediato, é coisa em contramão. Mas a mim soube-me estar a ouvir as recordações e as opiniões do fabuloso Candidato Vieira.

Para quem se assuste com hora e tal de conversa, aqui ficam as pistas para os short cuts.

00:00:00 Introdução 00:01:06 Percurso Académico 00:06:44 Banda desenhada 00:08:06 Início da Pintura 00:11:40 Aulas de desenho 00:12:45 Introdução à música 00:14:08 Fazer uma rádio 00:14:40 A banda almôndega 00:15:16 Campo de Ourique 00:17:46 A desilusão 00:18:09 A mudança na política 00:18:59 Eco nas artes plásticas 00:20:05 Consciência ideológica 00:23:55 "Wokismo" 00:29:38 Machismo 00:32:14 Candidatura à presidência da República 00:33:53 Filme candidato Vieira 00:36:46 Nascimento do candidato Vieira 00:37:20 Quem vai escrever 00:37:58 Qual o objectivo 00:39:47 Candidato Vieira vs Trump 00:41:12 Ficção vs Realidade 00:42:25 Em quem votar? 00:47:10 Seriedade vs brincadeira 00:47:43 Artista na presidência 00:49:24 Humor institucionalizado 00:51:29 Originalidade e o belo 00:52:25 Experimentação 00:52:43 Dar a volta 00:54:08 Falta de capacidade na arte 00:54:42 Fim do modernismo 00:55:06 Arte Nazi e arte soviética 00:57:44 Primeira medida como Presidente 00:58:25 Conselheiros 00:59:11 Narrativa do discurso 01:01:36 "Vieirópolis" 01:03:06 Mais propostas 01:10:28 Melancolia no percurso artístico 01:11:47 Política portuguesa

Desejo-vos um bom dia de domingo