quinta-feira, fevereiro 12, 2026

Depois de um dia debaixo de água ('debaixo de água' salvo seja: 'apenas' com a cave e a garagem totalmente inundadas), acabo com coisas bonitas made in Portugal, mais concretamente em Azeitão

 

O dia foi uma complicação daquelas. Ainda estava a dormir quando o meu marido entrou no quarto a anunciar que a garagem e a cave estavam inundadas -- as mil coisas de toda a espécie e feitio, incluindo pertences da minha mãe e em que ainda não mexi, muitas telas pintadas, diversos móveis (talvez os melhores que temos e que deixámos lá em baixo por nos parecerem artilhados e requintados demais para o estilo que agora queremos na casa) -- tudo dentro de água, coisas a boiar.

Dito assim não é nada que se compare com o drama de tanta e tanta gente. Uma dor de alma ver, na televisão, tantas casas destruídas, tanto comércio e tantas pequenas empresas arrasadas, tantas estradas desfeitas, os rios a transbordarem para campos, ruas, estradas. Estragos e mais estragos. Comovo-me quando vejo as pessoas destituídas dos seus pertences, dos seus empregos, da sua mobilidade, da sua privacidade (quando alojados noutras casas ou em espaços colectivos). E tantas pessoas ainda sem eletricidade e sem água canalizada... Como é possível...?
Mas não é por o meu pequeno drama ser coisa de somenos que deixa de ser um problema que temos que resolver. 

O que nos aconteceu é que a água da chuva que passa pela caleira que está antes do portão da garagem não foi puxada para o tubo de esgoto das águas pluviais e, portanto, entrou, primeiro para a garagem, depois para a cave, e espraiou-se. 

Mais ou menos um palmo bem aberto de altura, até ao primeiro degrau da escada. 

A partir daí foram desencadeadas diversas acções. Quase todas infrutíferas: as empresas de desentupimento e esgotos e o canalizador que contactámos não tinham ninguém para vir cá hoje, o electricista que cá costuma vir e que talvez pudesse arranjar a bomba submersível que está dentro da caixa (poço) de esgoto que está em cima, no jardim, (pois o problema deve estar nessa bomba) só poderia vir para a semana. 

No Leroy, onde tínhamos ido ontem ao vermos a caleira perigosamente cheia, as bombas estavam esgotadas. O meu marido foi então comprar uma bomba a outra loja mas, azar, não tinham lá mangueira compatível (é uma mangueira larga e espessa, não é como as de rega). Foi, então, ao Leroy. Não tinham mangueiras dessas, estavam esgotadas. Foi a casa do meu filho buscar uma pequena bomba mas não tinha a peça de encaixe da mangueira. Foi, não sei onde, comprar a peça que, afinal, não serviu. Depois ia a outra loja ver se tinham mangueiras mas já estava fechada. Só às duas conseguiu comprar. Trouxe o último bocado de mangueira que lá tinham. Sorte. 

Chegado a casa, lá montou as coisas e, felizmente, tudo funcionou. Finalmente! 

Está há horas a despejar água e, nas primeiras horas, parecia que estava sempre na mesma, uma coisa estranhíssima.

Há bocado, quando fomos passear o cão, as ruas inundadas, vimos uma carrinha de desentupimento de esgotos. Liguei e consegui que cá viessem espreitar. Concluíram que a bomba deve ter estourado de tanto puxar água. Dizem que, com a que comprámos, nunca mais vamos conseguir tirar tudo pois é uma bomba fraca, de piscina. Talvez à noite, se conseguirem esvaziar outra cave, venham cá pôr uma bomba potente. Comentei que não se percebe de onde está a vir a água pois a bomba está há umas quantas horas a tirar água e parece que continua na mesma. Um deles respondeu: 'é as terras que já não engole mais, deita por fora, a senhora não tá vendo como tá tudo? a terra está jogando tudo fora...'. É brasileiro, claro. 

E acredito que seja isso pois o que chove não justifica que se mantenha como estava apesar de estar há horas a deitar água fora à força toda.

Também já percebemos que a parte da garagem está finalmente a dar mostras de querer a escoar, mas a cave está difícil, parece que a água não escorre para fora. E a altura de água que ficar não deve dar para que a bomba submersível funcione. Mas amanhã tentaremos resolver isso, nem que seja arrastando a água à vassourada. 

Claro que a seguir temos que tentar resolver o tema de forma estrutural, isto é, substituir a bomba que deve estar estragada por outra. Ainda não percebemos onde se faz a ligação à electricidade, mas uma uma coisa de cada vez.

Enfim. 

Pior, mil e mil vezes pior estão os pobres coitados que têm as casas destruídas. Nem imagino a aflição e o desespero de quem está nessas condições.

Mas para não falar só de desgraças, partilho um vídeo que me chegou via o instagram da Ana Marques para a SIC, e que vi com curiosidade. 

Depois disso, já visitei o site, Carved Wood, Handmade Design e, agora que sou dada a redes sociais, também a conta de Instagram. Segundo vejo, trata-se de marcenaria de autor, Arte e Desenho de Móveis, com atelier em Azeitão.

Uma história com piada. Segundo vi no vídeo que abaixo partilho, vindo de uma vida muito diferente, o André  resolveu mudar de vida e dedicar-se ao mister que o motivava, a marcenaria. Trabalhando com madeiras maciças, as peças são feitas à medida ou a feitio, outras vezes com design de sua lavra. Obras de autor, que, segundo vejo, são construídas com criatividade e versatilidade. 

As imagens com que ilustro o texto são, pois, obras suas. Não vêm a propósito do texto subaquático, bem sei, mas as fotografias que tirei à inundação cá de casa ficam para a Seguradora, caso se verifiquem danos substanciais. 

Achei que, para me nos tirar (ou, pelo menos, para me tirar a mim) deste estado cinzento, meio depressivo, em que tanta chuva e tanta humidade nos deixam meio zururus, mais valia espairecer a vista com peças interessantes e que nos dão vontade de as adquirir ou de mandarmos fazer qualquer coisa do género.



[Hoje, por aqui, não se fala do Montenegro e das suas ministrinhas e ministrinhos minions e desasados, muito menos do Epstein ou do Trump ou do Putin. Há que deixar entrar algum oxigénio nos nossos dias. E por pouco não falava também das tortas do Cego, também em Azeitão, ou das cerâmicas Fortuna, um pouco adiante, em Palmela. Ou dos vinhos da Ermelinda. Mas, se o tempo e as ocorrências (derrocadas, quebras de diques, inundações, e despautérios e descalabros políticos de toda a ordem) continuarem, na volta dedico-me é às nossas artes e ofícios. Pelo menos, acabo de escrever o post e estou bem disposta.]



E aqui a seguir está o vídeo em que a Ana Marques, para o seu programa na SIC, mostra a visita que fez à Carved Wood. 



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Desejo-vos dias felizes

quarta-feira, fevereiro 11, 2026

Montenegro - o estado a que a Saúde chegou, o artigo do Gouveia e Melo, as duas MAI que já lá vão e os atrasos no cumprimento das promessas do Luís
-- De novo, a palavra ao meu marido --

 

Saiu hoje um relatório da ACSS (Administração Central do Sistema de Saúde) sobre a atividade do SNS em 2025. 

Era difícil um governo conseguir piores resultados, a saber: a despesa aumentou, o número de profissionais contratados aumentou mas os resultados clínicos e os acessos ao SNS pioraram. 

Em concreto, verificou-se um aumento de 13% nos gastos operacionais (15.750 milhões de euros) e um reforço de recursos humanos, contudo, registou-se uma diminuição de 0,7% nas cirurgias (884.062) e uma queda na atividade dos cuidados primários, com mais de 1.000.000 de utentes a aguardar consultas e 264 mil esperavam por cirurgia no final de 2025. A nível preventivo o panorama é igualmente preocupante: verificou-se uma quebra de 10,3% nos rastreios do cancro da mama  O número de queixas dos utentes também aumentou, tendo diminuído a confiança dos utentes no sistema: 54,62% das queixas focam-se na falta de qualidade do atendimento clínico, apontando para uma “degradação humana e técnica” com a consequente erosão da confiança. 

Se o objetivo do governo é dar cabo do SNS parece que já está a conseguir. E não é apenas uma questão da Ministra da Saúde ser incompetentíssima. É o Montenegro que não tem capacidade de definir políticas globais para os vários setores nem capacidade para definir formas de atingir objetivos sendo, também ele, manifestamente incompetente. 

E o que me choca mais é que este relatório apenas traduz numericamente o que todos, o País inteiro, tem vindo a constatar ao longo dos meses: a degradação da Saúde em Portugal às mãos da ministra e de Montenegro. E volto a recordar que justamente a Saúde foi uma das bandeiras eleitorais da AD. Apregoou que ia resolver tudo num abrir e fechar de olhos. E o que aconteceu foi o oposto: yudo piorou. Um a um, correu com toda a estrutura de gestão dos serviços e hospitais, mesmo com os gestores manifestamente competentes, substituindo-os por carreiristas do PSD. Perante queixas, crises e mortes, Montenegro preferiu olhar para o próprio umbigo. É que o que os números deste relatório traduzem não é uma abstração: traduzem o sofrimento dos que esperam horas a fio nas urgências, dos que esperam meses a fio por uma consulta ou por uma cirurgia, dos que esperam horas a fio por uma ambulância, das que andam em bolandas, de um lado para o outro, até que apareça uma Urgência aberta para poderem ter um filho. Uma lástima.

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O Gouveia e Melo escreveu um artigo no Público que causou alarido, tendo demonstrado de A a Z a incompetência do governo na gestão da catástrofe recente. Embora não tenha dito senão o que todos temos constatado, sistematizou bem o problema: o governo falhou no planeamento, na comunicação,  na cadeia de comando, na logística e  na organização -- enfim, tudo correu mal. Concordo.

Não é uma novidade que este PM e este governo não têm capacidade para gerir crises e ainda por cima não têm a humildade suficiente para aprender com quem sabe mais. Dizem que só os burros não aprendem!

Entretanto, a MAI demitiu-se. Não tinha outro caminho pela frente senão o da porta da saída. Contudo, aqui também não se pode atribuir a responsabilidade a uma senhora que manifestamente não tinha competências e perfil para a função. A responsabilidade de um erro de casting não é de quem é escolhido mas de quem não sabe fazer escolhas. Aliás, já é a segunda ministra da Administração Interna que Montenegro queima. Um bom líder tem que saber fazer escolhas e o Luís manifestamente não sabe. 

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É certo que as tempestades extremas e as consequências devastadoras dificilmente se conseguem travar. Mas tem que haver quem saiba responder às emergências. 

O PM, que já demonstrou várias vezes que não tem jeito ou capacidade para enfrentar problemas complexos, quando se vê apertado pensa que resolve tudo fazendo grandes promessas. Mas depois, na prática, as coisas não acontecem. Sessenta e três por cento das pessoas que deviam receber os subsídios prometidos devido aos incêndios de Agosto ainda não receberam o respetivo subsídio. Mais outra coisa que correu muito mal.

Havendo cada vez mais emergências desta natureza (violentos vendavais, chuvas intensas ou, por outro lado, secas prolongadas e grandes incêndios) seria importante termos um governo capaz, com gente séria, competente, experiente e com humildade para corrigir os erros e para aprender com quem sabe. Mas não temos.

Quando as avozinhas mostram o que é exercer a cidadania

 

Sempre que a democracia ou a liberdade são atacadas há quem considere que, por via das dúvidas, o melhor é não fazer ondas e aceitar o que o agressor quer. Há quem lhe chame querer a paz (ou a paz social) mas, na verdade, a isso chama-se cobardia. Geralmente uma cobardia hipócrita pois traveste-se de uma roupagem que pretende fazer-se passar por moderação, racionalidade ou coisa do género. Mas, pelo contrário, há quem considere que viver sem democracia e sem liberdade é uma porcaria, que isso não é viver nem é nada, que mais vale dar o peito às balas, lutar, lutar, lutar.

E pode lutar-se de muitas maneiras. Uma delas é a cantar. 

As senhoras que se juntaram e que, com o nome de Piedmont Raging Grannies, compõem letras que têm a ver com a actualidade e que, sobre músicas conhecidas, mostram que não se conformam e que o caminho é denunciar, reivindicar, mostrar que não têm medo nem se calam, são um exemplo notável de cidadania e de responsabilidade social.

Nas manifestações de Outubro, geralmente designadas por  #NoKings, aí estiveram elas. Para elas, lutar pela democracia e pela liberdade é uma festa. Grandes mulheres.

Não voltaremos atrás


terça-feira, fevereiro 10, 2026

Seguro & Montenegro
-- A palavra ao meu marido --

 

Votei no Seguro sem entusiasmo mas com convicção. Com o panorama que havia e com os erros cometidos pelo Gouveia e Melo na campanha seria um enorme pesadelo, com consequências de longa duração, termos uma segunda volta entre o Andrézito e o Cotrim ou Marques Mendes. Assim, pelo menos, não temos formalmente a direita em tudo o que é órgão de poder em Portugal. 

Mas é desanimador percebermos, que 50 anos após o 25 de Abril, o PR e o PM são dois indivíduos que, antes de chegarem a estes cargos, não se diferenciaram por quaisquer iniciativas, ideias ou ações. Antes pelo contrário: passaram mais ou menos despercebidos e, mesmo nos respetivos partidos, não eram tidos em grande conta nem considerados quadros com capacidades diferenciadoras. Mesmo quando foram eleitos secretário geral e presidente dos respectivos partidos não geraram grande emoção. Mas a verdade é que as circunstâncias ditaram a chegada ao poder destes indivíduos. 

No caso do Luís, um golpe da Procuradoria e os erros sucessivos da "sumidade" política que é o Pedro Nuno permitiram-lhe ganhar as eleições por uma unha negra. Os factos têm permitido constatar que não tem nem as qualidades nem as capacidades necessárias para exercer o cargo de PM. 

No caso do António José, conseguiu passar toda uma campanha eleitoral a fingir que não existia e aguardou, expectante, que os candidatos que lhe podiam dar cabo da eleição dessem cabo deles próprios. Assim, passou pelo meio dos pingos da chuva e, como teve o apoio unânime e a mobilização do PS, lá chegou a PR. Na realidade, revelou uma perseverança notável que não lhe conhecia. 

Ontem, o Montenegro, com a arrogância que lhe é conhecida, tentou marcar território e sair vencedor, apesar de ter sofrido uma enorme derrota. Em resposta, o Seguro mostrou-lhe o pau e a cenoura. Vamos ver quais são as cenas dos próximos capítulos. É certo que o Montenegro é mau PM. Vamos o que faz o Seguro como PR. Tenho poucas esperanças mas posso estar enganado.

Bella Figura


Ausência de palavras. Vagar. Olhar, apenas. Deixar que a música e o movimento dos corpos faça o seu lento caminho dentro de nós. Só isso.

Nederlands Dans Theatre (NDT) | Peça 'Bella Figura' de Jiří Kylián


A ideia de Bella Figura (1995) é uma parábola sobre a relatividade da sensualidade, da beleza e da estética. Em italiano, “Bella Figura” não significa apenas “bela figura”, mas também representa a resiliência das pessoas perante uma situação difícil, ou “manter a compostura”. Sobre esta obra, Kylián afirma: “Há muito que me pergunto: o que é uma performance e quem são os performers? Quando começa ou termina a performance? (...) Onde está a fronteira entre a arte e a artificialidade, entre a verdade e a mentira? Interesso-me por este mundo “entre”, pouco antes do início de uma performance, quando os bailarinos começam a transformar-se de pessoas comuns em performers. É um mundo em que todo o tipo de realidades se fundem de uma forma imprevisível e surreal.”

segunda-feira, fevereiro 09, 2026

Salve Seguro

 

Era o que faltava se agora aparecesse aqui aos saltos. Sabendo-se o que penso sobre as características da pessoa e sabendo-se que não votei nele na 1ª volta, só se fosse uma mariazinha desmiolada é que agora aqui me mostraria armada em cheerleader, a dançar, a fazer piruetas e a atirar balões ao ar.

Contudo, votei nele agora e votei com toda a convicção e votei desejando que tivesse uma votação que tirasse o tapete ao execrável Ventura.

Portanto, em coerência, aqui estou a declarar-me satisfeita com o resultado, inequivocamente satisfeita, certa de que os resultados que obteve legitimarão sobejamente a sua afirmação como Presidente da República.

Contudo, tenho que dizer que fiquei um bocado apreensiva com o número de votos que o Ventura obteve. Custa-me a perceber que haja tantos votantes que se revejam na hipocrisia, na mentira, na velhacaria, no incitamento ao ódio e à exclusão que Ventura protagoniza. E não apenas me custa a perceber como me parece preocupante. Não podemos estar orgulhosos nem viver descansados sabendo que existem em Portugal mais de 1.700.000 pessoas que se identificam com o que de pior pode existir numa sociedade. 

É certo que mais do dobro disso é gente que defende a democracia e o humanismo. Mas, numas legislativas, com esses quase 3.500.000 divididos por vários partidos e os 1.730.000 concentrados num único partido, há o risco sério de que um dia venhamos a ter uma pessoa maldosa, falsa e perigosa como primeiro-ministro.

Este tema deveria merecer uma séria reflexão por parte dos partidos democráticos.

Deveria também merecer reflexão a atitude de Montenegro ao longo da legislatura: ao vergar-se, com frequência, na direcção do Chega, o que tem conseguido é validar e reforçar as causas do Chega. Com essa atitude apenas está a fazer declinar o PSD e a engrossar as bases do Chega.

E deveria também merecer reflexão por parte da Comunicação Social, que continua a andar com o Ventura ao colo, esperando-o antes da missa, depois da missa, a carregar garrafinhas de água, com um gatinho ao colo, seguindo-o e entrevistando-o por tudo e por nada. Talvez fosse oportuno perceberem que dois terços dos votantes não querem, não gostam, não podem com o Ventura.

Enfim.

Tempos difíceis para o próximo Presidente da República, portanto. Tempos difíceis a nível interno e a nível externo. Fico tranquila por ser Seguro -- e não Ventura -- a ocupar o Palácio de Belém. E espero, francamente, que Seguro se aguente. Duvido que brilhe pois, pela sua personalidade, não me parece que a sua presidência venha a ser exultante, vibrante. Mas a gente vai-se habituando a tudo e, às tantas, resigna-se a não ter um PR brilhante. E, de resto, estou aberta a que venha a ser surpreendida. Tomara que Seguro se revele um lutador, um inspirador, uma mão firme e, ao mesmo tempo, habilidosa. Se isso acontecer, cá estarei para aplaudir e agradecer.

Seja como for, gostei do seu discurso de vitória. Esteve bem.  É certo que não estava à espera que trouxesse para ali temas estruturais, visionários. Por isso, talvez porque temia um discurso redondinho, acabei por gostar. Esteve bem. 

E tem uma família simpática. Parece gente de bem, uma família normal, pessoas agradáveis. A felicidade e o orgulho estavam espelhados nos seus rostos, e gostei de ver isso, em particular a candura da filha, tão contente que estava.

Portanto, resumindo, foi uma boa noite eleitoral.

Parece que está a enviar um beijinho, não parece?
(mas de todas as fotografias que tirei à televisão esta foi a melhor)

Desejo que Seguro tenha saúde e sorte e que o seu desempenho, enquanto PR, seja exemplar e o melhor possível para Portugal, que não nos envergonhe, que nos represente, a todos, de forma decente e abnegada, que saiba puxar pelo melhor de nós, que saiba olhar para o futuro e consiga fazer a interpretação correcta das ansiedades e das ambições dos portugueses, de todos os portugueses, que não ceda ao facilitismo nem receie o murro na mesa se algum dia o tiver que dar.

domingo, fevereiro 08, 2026

E porque é que os monstros ainda andam à solta? Porquê?!

 

Ainda não cheguei ao ponto a que chegou Ana Kasparian mas, tal como ela, estou para além de revoltada, incomodada, enojada. Aquilo que tenho sabido vai para além do que a minha capacidade de entendimento julgava possível. Se antes me tivessem falado das coisas que tenho lido e visto, afastar-me-ia a sete pés, acharia que a pessoa que assim falasse era demente, demoníaca, possuída. Odeio teorias da conspiração, odeio tudo o que me soe a rituais, a macacadas. Não sou capaz de ler livros ou ver filmes de horror.

E, no entanto, o que as imagens contidas nos ficheiros já disponibilizados e os testemunhos e os mails e os relatórios mostram vai para além de tudo o que eu julgaria possível. Diria que só uma mente doente, muito doente, poderia inventar tais absurdos. E, no entanto, ali está tudo. Aconteceu. Milhares e milhares de documentos comprovam-no.

E está tudo, há anos, nas mãos do FBI. 

E os criminosos, os sádicos, as indesculpáveis e malignas criaturas continuam à solta. Não foram levados à Justiça, não estão a pagar pelas inúmeras monstruosidades que levaram a cabo.

Porquê? Porquê, caraças? Porquê?

Sofro pelos horrores que aquelas crianças sofreram. Aparentemente várias foram torturadas até à morte. Não pode haver perdão para coisas tão horríveis.

Todos os que participaram deveriam ser expostos, julgados, condenados, apodrecer na cadeia.

Epstein Files -- As vítimas foram BRUTALIZADAS

O diário de uma vítima autista de Epstein, de 16 anos, alega que o poderoso financeiro Leon Black a brutalizou. Cenk Uygur e Ana Kasparian discutem o assunto no The Young Turks.


A psicologia das pessoas que têm um forte apego aos seus cães

 

O meu filho repreende-me: 'Não fales com ele como se fosse um bebé. Não é. É um cão.'. Bem sei. Mas é também um serzinho dependente de nós, um serzinho que precisa de atenção e de mimo. Claro que depois também é independente, por vezes barulhento, por vezes desaustinado. Mas também nos divertimos com isso. 

E, se o carteiro deixa qualquer coisa, eu sei logo. E, se vem alguém e não ouço a campainha, ele não se cala até eu perceber que alguém está ao portão. E se vou na rua e me cruzo com alguém que, noutra situação, me atrofiaria um pouco, com ele ao meu lado sinto-me segura. 

E a ternura que sinto quando se senta todo encostado a mim e deita a cabeça na minha perna ou quando faz uma habilidade e se vira a olhar para mim enquanto dá ao rabo e todo ele parece rir, isso não tem explicação.

Por isso, no seguimento do post de ontem, não levem a mal se reincido mas gostava que vissem este vídeo:

A psicologia das pessoas que estão profundamente apegadas aos seus cães vai para além da simples amizade. É uma necessidade biológica. Este vídeo explora a neurociência da ligação humano-cão, explicando porque é que o seu cão não é apenas um animal de estimação, mas um "guardião" do seu sistema nervoso.

Se se sente mais seguro com o seu cão do que com a maioria das pessoas, não está sozinho. Neste ensaio visual, mergulhamos nos conceitos de "Corregulação", "Testemunha Silenciosa" e porque é que os cães são essenciais para a estrutura da saúde mental. Discutimos como os cães ajudam a lidar com a ansiedade, a depressão e a solidão, ancorando-nos no momento presente.

sexta-feira, fevereiro 06, 2026

E hoje uma coisa completamente diferente

 

Não vou falar das árvores que nos caíram, o que tanto desgosto me dá, não vou falar da preocupação, essa sim baseada em dramas de outra dimensão -- por tantas pessoas terem ficado sem casa, tantas empresas terrivelmente danificadas, tantas pessoas ainda sem eletricidade e sem água canalizada, tantas estradas colapsadas, tantas árvores arrasadas, tantas casas completamente alagadas com prejuízos incalculáveis -- nem vou falar de guerras, de escândalos, da miséria moral de tanta gente que deveria ter um comportamento exemplar e que, afinal, como os ficheiros Epstein tão cruamente revelam, são sórdidos, cruéis. Não vou falar de nada que me perturbe.

Poderia falar das presidenciais já que isso não me perturba. 

Não vou votar com entusiasmo, o Seguro nunca me pareceu um personagem inspirador, não me parece que motive alguém. Mas a alternativa é imprestável pelo que se o Ventura fosse a votos com um calhau eu votaria no calhau, se fosse a votos com um buraco negro eu votaria no buraco negro. Por isso, claro que vou votar no Seguro. É decisão tomada. Na primeira volta votei no Almirante e na segunda, obviamente, voto no Seguro (e, claro, que estou a conter-me para não o tratar por ToZé). Esteja frio, chuva ou ventania, claro que vou sair de casa e vou votar. Portanto, isso nem sequer já é tema.

Mas também não é das presidenciais que vou falar.

Vou falar de uma coisa completamente diferente. 

Vou falar de cães. Quando comecei este blog, estava eu ainda no período de luto pela nossa doce cãzinha, a boxer mais querida e mais amiga do mundo, que nos enchia o coração de amor. Toda a família se derretia com ela.

Tal o desgosto com a sua partida que tinha resolvido, em definitivo, não voltar a ter outro cão. Durante anos mantive-me firme. O meu marido também. Ele que tanto gosta de cães, estava também em luto profundo.

Mas, já aqui nesta casa, com os meninos todos a quererem um cão, de repente senti que o meu coração se abria. Enfrentando ainda a resistência do meu marido, fui abrindo caminho. Depois das peripécias para adoptar um cão abandonado e de termos constatado a maluquice que é aquilo, desistimos.

Até que fomos até a um monte alentejano ver um cão bebé, de um pastor. E foi amor à primeira vista. Peguei logo ao colo aquele pequeno tufo de pelo. E ele aninhou-se em mim. Adoptámo-nos instantaneamente. O meu marido enterneceu-se, rendeu-se.

Tornámo-nos inseparáveis.

É um cão temperamental, teimoso, vigoroso, territorial, possessivo, e excelente guardião. Mas meigo, amigo, muito brincalhão, inteligentíssimo. Não passamos sem ele e ele sem nós. 

E estou a falar nisto pois vi um vídeo que me comoveu. Já tinha visto vídeos com esta forma de adopção, em que são os cães que escolhem os seus futuros donos. Mas este é especial. 

Este cão de abrigo rejeitou todas as famílias... e então fez algo que partiu o coração de todos.

Durante oito meses, Max viu famílias passarem em frente ao seu canil. 

Grande demais. Energético demais. Não tem o tamanho ideal. 

Mas a verdade era mais simples: Max não estava à espera de uma família. Ele estava à espera de uma pessoa. Este vídeo conta a história real de um cão de abrigo que recusou todas as adoções, de um menino que teve que ir embora e da promessa que nenhum dos dois esqueceu. Às vezes, os cães entendem a lealdade melhor do que nós. E às vezes, as melhores coisas da vida valem a pena esperar.

AVISO: O vídeo foi feito com o auxílio de inteligência artificial, mas retrata uma situação que realmente aconteceu de uma forma emocionante.


Desejo-vos um bom sábado

Até tu Noam Chomsky, até tu...?

 

Já aqui o tenho referido: sou céptica por formação académica e talvez, até, por deformação profissional. Para mim, nada pode ser dado como certo até que possa ser objectivamente verificado. Só falo numa coisa se antes me tiver certificado que sei do que estou a falar. 

Agora que passamos o dia juntos, o meu marido refere muitas vezes que quando me interesso por uma coisa, me torno obsessiva. Mas não é obsessão e o que for não é de agora, é desde sempre.

Por isso, se vejo uma notícia, tento cruzá-la através de outras fontes. E, nas redes sociais, se vejo qualquer coisa que não tenho como validar, por mais extraordinária que seja e por mais que me impressione, não falo nela.

Por exemplo, nesta hecatombe que são os ficheiros Epstein (os que foram divulgados, apesar de, em significativa parte, conterem muitas componentes ocultadas) não me faço eco de coisas bárbaras e difíceis de aceitar como verdadeiras enquanto não as vejo referidas por diversas fontes que me parecem credíveis. De tudo o que circula sobre rituais satânicos, sacrifícios de crianças e coisas piores (se é que pode haver uma escala de horror em matérias tão devastadoramente cruéis) não falarei enquanto não tiver a certeza de que há veracidade nos testemunhos e nos documentos divulgados. E, mesmo nessa altura, terei que me encher de coragem pois a minha mente parece que se recusa a deter-se em horrores para além do que humanamente suportável. Mas há outros aspectos talvez até acessórios, pelo menos muito menos dolorosos, que me agrediram e que achei por bem não falar no assunto por achar que talvez fosse alguma coisa por validar. Parecia-me inacreditável. Isto é: não dava para acreditar. Aliás, tudo ali é assim: não dá para acreditar. Mas dizerem-me que o Noam Chomsky também era amigo de Epstein parecia-me até ridículo.

Mas, infelizmente, também é verdade. Os mails que escreveu ao amigo Epstein aí estão para o comprovar. Aconselhava Epstein. E, ao contrário de alguns que dizem que se relacionavam com ele antes de ele ter sido preso a primeira vez e, portanto, não sabiam do seu historial de pedofilia, aqui o que há são mails recentes e referem-se mesmo a como Epstein poderia reagir à censura social de que se sentia vítima. 

E se isto pode parecer inócuo face à miséria e à desgraça moral de todos quantos frequentavam as casas (e o rancho e a ilha e os aviões privados) de Epstein, a verdade é que me parece o cúmulo da degradação moral de uma certa elite (elite a nível económico ou financeiro, a nível académico, a nível político, a nível empresarial e, até, a nível intelectual) ter o Chomsky a ser amigo de Epstein. 

Muitas vezes referido como um exemplo de clarividência democrática, Noam Chomsky, para mim, reunia três características raras quando em simultâneo: lucidez crítica, coerência ética e compromisso permanente com o cidadão comum — mesmo quando isso o tornava profundamente incómodo. Sempre apreciei a forma como incansavelmente fez a apologia de que os cidadãos devem compreender os sistemas que os governam e sempre alertou para o facto de que a apatia política é cultivada deliberadamente, sendo que o poder sempre mostrou preferir populações desmobilizadas. Mas apreciava também a sua coerência: Chomsky sempre criticou todos os poderes, não apenas os adversários ideológicos, criticou os EUA quando era impopular fazê-lo e criticou regimes autoritários, mesmo quando isso desagradava à esquerda, e, além disso, recusou privilégios e cargos que lhe dessem conforto institucional.

E agora... afinal... era amigo de Epstein? Como...? Porquê...? Alguém me explica...?

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O e-mail de Noam Chomsky para Jeffrey Epstein vai deixá-lo doente

Noam Chomsky tranquilizou Jeffrey Epstein quando este enfrentava acusações de abuso e tráfico humano

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quinta-feira, fevereiro 05, 2026

Será que ninguém tem seguro?
-- Quem o pergunta é o meu marido --


Provavelmente este post não vai ser muito popular, mas penso que devemos ser sempre racionais, sobretudo em situações de catástrofe. 

O governo, após a catástrofe, fez aquilo que já tinha feito em situações anteriores identicamente catastróficas: prometeu distribuir dinheiro a todos. 

O governo já tinha demonstrado antes e voltou a demonstrar agora que não tem capacidade para atuar nem preventiva nem atempadamente nestas situações. Os ministros ficam umas baratas tontas sem saber o que fazer; e, finalmente, convocam um conselho de ministros e anunciam que vão dar dinheiro a quem pedir. 

Estou completamente de acordo que seja entregue dinheiro, a fundo perdido, às pessoas que perderam os suas casas ou outros equipamentos e que não têm recursos para recuperarem a dignidade que merecem. Vimos muitos exemplos na televisão. Mas o governo dar indiscriminadamente dinheiro a quem pedir, dizendo que o vai utilizar a recuperar a casa, parece-me pouco avisado, senão, disparatado. 

Embora saiba que a maioria das vezes os anúncios do governo não corresponde à prática, não me parece razoável que um português, talvez, médico, advogado ou dono de uma empresa, receba o mesmo valor que um reformado com uma pensão de reforma miserável. Quem tem capacidade aquisitiva tem disponibilidade financeira para contratar um seguro multirriscos para a habitação, seguro esse que suportará, em princípio, os danos. A anunciada contribuição deve ser dada a quem, de facto, precisa -- e o rendimento colectável não pode ser o fator discriminatório. Todos sabemos que existem portugueses com rendimentos elevadíssimos que declaram ninharias para não pagar impostos. Estes, por exemplo, não devem ser ajudados sob pena do governo estar a promover a injustiça social. 

Eu sei que este governo não tem capacidade para pensar, mas é absolutamente necessário promover a necessidade das pessoas contratarem seguros para estarem protegidas em caso de catástrofe. 

No caso das pessoas que não têm manifestamente capacidade para contratar um  seguro, talvez pudesse haver uma espécie de "seguro social", suportado pelo Estado, que seria acionado em situações semelhantes e que seria utilizado para resolver as situações das pessoas sem recursos. 

E o caso das empresas é semelhante. Uma coisa é o Estado suportar custos com trabalhadores ou disponibilizar financiamento em condições vantajosas  quando as empresas estão impedidas de produzir devido à catástrofe. Totalmente diferente é o Estado (ie, todos nós) suportar custos de recuperação de equipamentos e imóveis de empresas que não têm seguros ou têm seguros desadequados. Esta última situação não é admissível. Veremos no que estas ações impensadas e avulsas do governo vão dar.

Dois outros assuntos interligados. 

  • Os ministros e o PM cada vez que falam dizem asneiras. Hoje a ministra do ambiente veio dizer "que havia toda uma logística associada aos geradores" que impedia que eles chegassem atempadamente onde são necessários. Que surpresa, ficámos a saber que os geradores não se movimentam sozinhos. Quem diria! Não seria nada surpreendente se num ataque de igual "lucidez" a ministra dissesse,  como disse o ministro da economia quando foi o apagão, que estavam a estudar a hipótese de pôr os motoristas do governo e respetivos carros a fazer o transporte dos geradores. Podemos esperar tudo destes tipos. 
  • Outro que também já não surpreende é o Marcelo com as suas tiradas. Dizer pela enésima vez que é "preciso apurar o que correu mal" como já disse todas as vezes, e foram muitas, que este governo "meteu a pata na poça" é o repetir de uma piada sem graça. Alguém sabe o que resultou do "apuramento" das asneiras anteriores e que medidas foram tomadas? Felizmente estamos a pouco tempo de nos vermos livres do pior PR dos últimos cinquenta anos.

quarta-feira, fevereiro 04, 2026

O grande polvo russo

 

O tema está na ordem do dia e meio mundo tenta juntar as pontas. Mais do que um pedófilo, um traficante de crianças e um charmoso manipulador, Epstein era também um espião? Um agente da Mossad? Ou um agente ao serviço da Rússia? Ou de ambos? Ou também da CIA?

Ou era um agente especializado em Krompomat -- material comprometedor ou documentos incriminadores; expressão originária do russo (abreviação de komprometiruyushchy material), refere-se a informações, fotos ou documentos obtidos para chantagear, desacreditar ou manipular figuras públicas, políticos ou empresários -- que depois alguém, pessoas ou instituições, usariam quando conveniente?

Estarão agora os russos com meio mundo 'ocidental' na mão (políticos, empresários, investigadores -- americanos, europeus e mais uns quantos) bem como com planos de tudo e mais alguma coisa na mão?

Parece que sim. Uma extensão insólita, impensável.

E a verdade é que Alexander Dugin (ou Aleksandr Dugin), o estratega russo, o grande defensor da reconstrução imperial da sonhada Eurásia, já começou a querer recolher dividendos. E, claro, os burros do costume já começaram a divulgar as suas ideias. Já recebi um comentário, que obviamente não publiquei, remetendo para um artigo publicado no blog pró Rússia do costume com um artigo dessa criatura.

Aliás, há não muito tempo, Putin, ele mesmo, fez um comentário que na altura soou a ameaça mas que parecia algo encriptada. Agora percebe-se. E usou expressões que Alexander Dugin agora usa. Estava a avisar, portanto. Trump certamente compreendeu-o pois está a obedecer-lhe caninamente.

Parece que depois de financiarem Epstein e incentivarem a depravação dos ricos, poderosos e bem-pensantes 'ocidentais', depois de recolherem provas e de os terem na mão, os russos agora vêm saltar em cima e hipocritamente denunciar a podridão 'ocidental'.

Claro que existe essa podridão, claro que é uma podridão que enoja, que revolve as entranhas, claro que todos esses tarados, perversos e e nojentos merecem punição, uma punição severa, merecem repúdio absoluto, rejeição social incondicional -- mas são eles, eles e só eles, eles e os que os protegeram. Não é toda a sociedade ocidental. E a sociedade russa (e a israelita) têm tanta fruta podre como a ocidental. Não se pode julgar uma sociedade no seu todo pela fruta podre que há no cesto.

Portanto, caros Comentadores do costume não venham para aqui tentar divulgar a cartilha russa pois aqui não serão bem acolhidos. Já deveriam sabê-lo.

De resto, creio estarmos perante a maior e mais extraordinária operação de espionagem jamais urdida e jamais levada a cabo. Só falta mesmo vir a confirmar-se que Epstein está vivo.

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A título de exemplo:

Epstein estava 'efetivamente envolvido no crime organizado russo' | Christopher Steele

“Rastrearam as atividades e operações de Epstein até à década de 1970.”

O antigo chefe da divisão da Rússia do MI6, Christopher Steele, afirma que, na sua opinião, já na década de 1970, Epstein estava “efetivamente envolvido com o crime organizado russo”.

O Montenegro não presta
-- Quem o diz é o meu marido --

 

Já aqui escrevi várias vezes que a maioria dos ministros deste governo não têm nem conhecimentos nem capacidade para exercerem as funções que ocupam. A notória, manifesta e indecente incapacidade do governo para gerir crises bem o demonstra. 

Os expoentes máximos desta incompetência são a ministra da saúde, o ministro da defesa, o ministro da presidência e a antiga e atual ministras da administração interna. 

Quem vê a actual ministra na televisão com ar de pânico a dizer parvoíces aos jornalistas pode imaginar o que será esta mulher a dirigir uma reunião em que têm que ser tomadas decisões acertadas e urgentes. Um zero à esquerda. Apostaria que cada vez que é preciso tomar uma decisão se levanta para ir ao WC para não ter que opinar. 

Mas acima desta gente temos o Montenegro, e aí a coisa é diferente. O Montenegro é um tipo "fino", que, como já aqui escrevi várias vezes, se está absolutamente nas tintas para a populaça e só pensa nos votos que o podem manter no governo e, assim, defender os interesses próprios e daqueles que o suportam no partido e nos vários setores da economia (por exemplo, acredito que a ministra da saúde só é mantida no cargo porque nomeou laranjas que não acabam e porque defende os setores privados da saúde -- e que se lixe se criou o caos no sistema de saúde). 

A forma como se desviou da verdade em diversos assuntos (o caso Spinumviva é exemplar), as leis que aprovou como a lei dos estrangeiros e a lei da nacionalidade ou as que tenta aprovar como o novo código do trabalho revelam que o que interessa é seguir a vontade dos populistas e dos grupos económicos mais retrógrados, sem olhar aos interesses da maioria dos portugueses. 

Mas, na crise atual, o Montenegro ultrapassou os limites. Na declaração que fez, a forma como abordou os acidentes e fatalidades que ocorreram é nojenta. Na minha opinião não o fez porque se enganou. Proferiu aquelas palavras porque é realmente o que pensa e, num momento de stress, não conseguiu, ao contrário do que é costume, dizer o que convinha e não o que pensa. Uma vergonha! No mínimo devia pedir desculpa. Só falta vir agora o Marcelo tentar desculpá-lo. Espero tudo do secretário do Montenegro em Belém que, por acaso,  é o pior presidente dos últimos cinquenta anos. 

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Um mero exemplo



terça-feira, fevereiro 03, 2026

Será possível...?

 

Agora que frequento o Instagram aparecem-me, por vezes, cenas de cuja veracidade duvido. Tento apenas acompanhar contas que julgo serem credíveis mas não estou livre de que me sejam mostradas outras. Quando desconfio mas me parece ser coisa interessante ou minimamente credível vou investigar. Se me parece duvidoso, passo adiante. 

Neste caso, pareceu-me tão absurdo que não liguei. Adiante. Mas a coisa tem continuado a aparecer pelas mais diversas vias. Agora apareceu, sem comentários, sem alusões, apenas como tendo sido algo de insólito. E, como é a Forbes, admito que possa ter algum fundo de verdade. A Forbes não é sensacionalista. Portanto, talvez tenha mesmo havido coisa.

E a coisa é a seguinte -- e passo-a pelo valor facial com que se me apresentou. 

Desde há muito que corre, nos bastidores, que Trump usa fralda e que, por vezes, não se consegue estar ao pé dele. Não sei se é verdade, mas é boato recorrente.

Pois, numa das últimas cenas na Sala Oval, daquelas cenas em que faz aquele ridículo número de assinar ordens executivas rodeado de toda a espécie de gente e tendo, à frente, a comunicação social e em que a seguir responde a perguntas, aconteceu o nunca visto: os funcionários da Casa Branca, como se estivessem aflitos ou atrapalhados, corriam de um lado para o outro, a tirar toda a gente dali a toda a pressa. 

Há quem diga que se ouviu a descarga, há quem diga que não se podia com o cheiro. Não faço ideia. Mas que qualquer coisa de insólito deve ter acontecido lá isso parece que sim.

Trump Does Not Take Reporters' Questions After Signing Executive Order In The Oval Office

Depois de assinar uma Ordem Executiva para a "Grande Iniciativa de Recuperação Americana" no Salão Oval, o Presidente Trump não respondeu às perguntas dos jornalistas.

segunda-feira, fevereiro 02, 2026

Para fechar um dia de festejo aquariano, Jen conversa com Joanna e é um gosto ouvi-las a comentar a petite histoire que se esconde por detrás da História
(no caso, a História em tempo real)

 

Cheguei aqui com vontade de falar da canção incrível que um dos meninos compôs para surpreender o avô, e que até me comoveu. O destinatário, que não é de grandes arroubos, também ficou sensibilizado, Claro que quando digo que o menino compôs é uma forma de expressão. Uma forma de expressão um pouco assustadora, confesso. Ele fez a letra, uma letra certeira, divertida, amorosa. Mas, depois, recorreu à Inteligência Artificial para a música e a para a interpretação. A minha filha sugeriu que apelasse ao género Zeca Afonso. Ficou perfeito. Se não tivessem dito, julgaríamos que alguém tinha composto a música e alguém, pessoas de verdade, tinham tocado a música e cantado. Incrível.

[Qual o impacto que isto terá no futuro nem sei avaliar. Quando alguém quiser uma banda sonora para um filme ou para uma novela ou para o que for, imagine-se a diferença, a nível de orçamento...]

O restaurante tinha uma televisão gigante que os meninos pediram para pôr creio que na Sport TV. Por superstição (tema, aliás, abordado na letra da canção), o avô não viu. Mas sofreu, quando a ala benfiquista festejou, e animou-se quando a ala sportinguista festejou, em especial, no final do jogo em que um deles, justamente o autor da canção, soltou um grito digno de um verdadeiro leão.

Escuso de dizer que o jantar foi a animação e a festa de sempre. 

Depois de chegarmos a casa, recebemos uma outra canção, um dos outros meninos enviou uma outra canção, um verdadeiro hino benfiquista sobre o jogo do outro dia e sobre o golo do Turbin. E francamente é a mesma sensação: está incrível, parece que uma banda interpreta a sério uma canção feita de propósito para festejar o jogo do outro dia, jogo que ele e o pai viram, ao vivo, no Estádio da Luz. Claro que a letra é obra do inspirado menino mas o resto é obra da AI. Se ouvissem, podem crer que ficariam admirados.

Mas, se vinha para aqui conversar sobre isto, a verdade é que ao ligar o computador, a realidade impôs-se. E nem falo das consequências da Kristin e do que se teme com a subida das águas e com a chuva que não para. Falo agora das trumpalhadas que têm andado a infernizar a vida a meio mundo.

...   ...   ...   ...   ...

Não tenho dúvida que estamos a viver tempos que ficarão para a História. Tal como Mark Carney frisou no seu memorável discurso de Davos, este não é um momento de transição mas sim um momento de ruptura. Como uma falha tectónica que se acentua, de dia para dia, levando ao afastamento de umas placas e à aproximação de outras, assim as fissuras políticas que afastam os que antes eram aliados e que agora se comportam como adversários levando a inesperadas aproximações. E o que tomávamos por adquirido revela-se, de súbito, inexplicavelmente frágil. Os paradigmas caem ao mesmo ritmo a que se assiste a insólitas ameaças, a perigosos atentados à liberdade e à integridade dos cidadãos.

Se tudo isto se deve a uma demencial avalancha de decisões aleatórias, destinadas a desviar as atenções de crimes ainda mais graves, ou se isto tem por origem um caso extremo de narcisismo maligno e cruel ou se é apenas o caso de um velho demente que está a ser manipulado por forças 'poderosas', umas ideológicas outras meramente corruptas, não sei. Talvez seja uma mistura de tudo. Mas tudo vem em catadupa, uma permanente avalanche difícil de acompanhar. As televisões, os jornais, os podcasts chamam analistas políticos, historiadoras, comentadores de economia, finanças, geo-estratégia, psicólogos, médicos -- de tudo um pouco. As justificações dividem-se, multiplicam-se... mas conclusão que a todos convença isso nem pensar.

Se Joanna Coles é uma daquelas conversadoras que dá gosto acompanhar pois ri com espontaneidade, tem apartes oportunos ou divertidos, mostra uma curiosidade muito pessoal, não deixa escapar uma deixa, Jennifer Welch é uma das podcasters a quem meio mundo presta cada vez mais atenção. Sabe escolher os convidados, tem um sentido crítico apurado e uma acutilância que, em minha opinião, condiz com o seu fácies.

Nesta conversa (relembro que poderão escolher a opção da legendagem e, aí, na autotradução, escolher a língua portuguesa), elas conversam sobre grande parte dos temas da actualidade mas fazem-no de forma livre, com observações que não é por serem engraçadas que são menos relevantes.

Why Thin-Skinned Trump Is Just Like a Teenage Girl: Welch | The Daily Beast Podcast

Trump, tão sensível, é como uma adolescente

Jennifer Welch, do podcast de sucesso "I've Had It", junta-se a Joanna Coles enquanto as notícias se descontrolam completamente — da detenção de Don Lemon e do que Welch chama um caso de teste assustador para silenciar jornalistas independentes, à súbita enxurrada de arquivos de Epstein, às manobras jurídicas do Departamento de Justiça e à profunda vingança de Trump contra a imprensa, que dura há décadas. Welch disseca o mito da masculinidade no cerne do movimento MAGA, a adoração submissa ao homem forte que o sustenta e a cultura evangélica que ignora o abuso enquanto prega a autoridade moral. Ao longo do caminho, Welch liga a exploração, o ressentimento e a repressão num único sistema operativo que alimenta o trumpismo — e levanta a questão que paira sobre tudo isto: se esta é a fase de teste autoritário de Trump, o que virá a seguir quando as proteções finalmente cederem?


Desejo-vos uma boa semana

domingo, fevereiro 01, 2026

Depois dos ridículos discursos dos ministros, o discurso sonso do Marcelo
-- Mais uma vez, a palavra ao meu marido --

 

Ontem foram o "Lentão" e a D. MAI que nos brindaram com discursos ridículos. Hoje veio o PR brindar-nos com um discurso sonso, a rondar o patético. Qual Karoline Leavitt (porta-voz da Casa Branca,  seguidora acéfala e defensora feroz do Trump), veio o Marcelo fazer de porta voz do governo e, depois de várias banalidades sem préstimo, referiu que o Luís estava "muito preocupado com a situação".

Recordo que o Marcelo também disse que o Luís estava "preocupado" com o estado da Saúde, e as coisas continuaram a piorar de dia para dia. 

Suponho que, por muito mal que pensem do Luís, os portugueses julgam que ele se preocupa, pelo menos os mínimos, com estas duas catástrofes. No entanto, há que dizer ao Marcelo, que felizmente acaba em breve o mandato do pior PR dos últimos cinquenta anos, que os portugueses se borrifam para os estados de alma do Luís e para aquilo que o Marcelo acha dos mesmos. O que os portugueses querem é decisões rápidas e acertadas e informação coerente sobre os assuntos importantes. Os portugueses precisam é de um PR isento, que não aja em função da cor política do governo e que, quando necessário, critique o governo. 

É certo que os portugueses não precisam nem querem um secretário do governo na Presidência como demonstraram na primeira volta das presidenciais ao não votarem no Marques Mendes. No entanto, desde que Montenegro foi eleito, o Marcelo tem exercido as funções de secretário de estado do governo em Belém. Com todo o amadorismo e incompetência que o governo tem demonstrado, este é o tipo de PR de que certamente o País não precisava. 

Já agora dois assuntos conexos. 

1 - Os geradores não chegam onde são precisos porque o governo, à semelhança do que aconteceu no apagão, pretendeu que fossem os motoristas dos ministros a levá-los e depois perceberam que não cabiam nos carros? 

2 - O comentário mais estúpido e cretino que ouvi sobre a devastação causada pela tempestade foi feito pela Clara Ferreira Alves no Eixo do Mal. Mais uma vez, torna-se evidente que fala por falar sem conhecer minimamente os fatos. Dizer que Lisboa e Porto passaram pela tempestade sem estragos porque são cidades ricas e que Leiria sofreu uma enorme devastação porque é uma cidade pobre é estúpido e não tem qualquer aderência à realidade.

O que também é extraordinário é que os "colegas" de programa não lhe tenham explicado que, embora a tempestade tenha atravessado todo o território continental, o seu centro de impacto e os danos catastróficos concentraram-se na Região Centro, particularmente no distrito de Leiria. A Clara, no Eixo do Mal, consegue frequentemente dizer uma coisa e o seu contrário e revela uma falta de preparação  assustadora relativamente aos assuntos sobre os quais opina. 

Deve haver uma razão escondida para a manterem a comentar. Qual será?

sábado, janeiro 31, 2026

Dou razão à Mariana da IL. O Governo ainda não percebeu que o tempo para estágios já acabou há muito.
-- De novo, a palavra ao meu marido --

 

A passagem de um "comboio" de ministros pelas regiões mais afetadas pelas depressões e as declarações que fizeram mostraram mais uma vez que não estão à altura das circunstâncias. São incompetentes, não dizem uma que jeito tenha e são absolutamente incapazes de tomar decisões atempadas e acertadas. 

Ouvir a MAI dizer que é altura de "fazer uma reflexão" e que "é tempo de aprendizagem" é tão ridículo como triste. 

Quem escolheu esta senhora para ministra da Administração Interna tem um jeito 'enorme" para escolher equipas, certo Luís? 

Senhora ministra, saiba que é altura de decidir e agir -- coisas que nem a senhora nem a maioria (senão, todos) os membros do governo têm ideia do que seja. Se quer refletir, vá tirar um curso de filosofia ou entre para as carmelitas descalças. Para ministra é que não serve! 

Mais ridículo ainda, se tal é possível, do que a ministra foi o "Lentão" Amaro. Era difícil mas o "Lentão" conseguiu. Não só as declarações que fez, como por exemplo, sobre a ausência da ministra da Saúde atentam contra a sanidade mental dos portugueses como a ideia de fazer um vídeo a roer as unhas é de um ridículo, provavelmente, nunca ultrapassado na política portuguesa. É até insultuoso para os portugueses.

Já agora também é um bocado ridículo, sempre que aparecem vários ministros, aparecer a ministra da cultura que também aparece sempre a rir-se atrás do Luís sem se perceber porquê ou de quê. Nesta visita, a cultura estava representada porque não tinham mais ninguém para mandar? Ou a cultura fazia parte da comitiva porque a comunicação do governo acha que a ministra fica bem na televisão? 

A malta da comunicação do governo deve ter ficado um bocado chateada, primeiro porque devem ter proibido a ministra da Administração Interna de falar e ela desobedeceu e falou. Claro que saiu asneira da grossa. Em segundo lugar  tiveram aquela ideia peregrina do vídeo do "Lentão" e o povoléu, ingrato, não achou piada. Só atrasados mentais achariam oportuno fazer um vídeo daqueles. Saiu-lhes o tiro pela culatra. 

É provavelmente a primeira vez que concordo com a Mariana Leitão, a maioria dos ministros do governo são estagiários. E vão chumbar nos estágios. Hoje, como sempre, o País precisa no governo de gente conhecedora, experiente e com capacidade de decisão. Manifestamente não é o caso dos ministros que temos atualmente! Como é possível que sabendo antecipadamente da chegada das depressões o governo não tenha tomado uma única medida antecipadamente e, posteriormente, tenha ficado paralisado? 

Não servem!

Por vezes é uma canção que une e exprime a comoção das multidões.
Talvez seja o caso de Streets Of Minneapolis de Bruce Springsteen.

 

Debaixo das intempéries, resistindo à invasão das tropas que mais parecem tropas nazis às ordens do louco, corrupto e cruel Trump, a corajosa população de Minneapolis ajuda os 'vizinhos', protege-os como pode da violência cega das milícias, vem para as ruas e protesta, protesta mesmo sabendo que, do outro lado, está gente impreparada, violenta, instruídos para espalharem o terror. 

De entre os mortos, emerge a morte à queima roupa, à vista de todos, tiros disparados sem razão e sem compaixão, de Renée Good e Alex Petti, dois inocentes cidadãos americanos. Mas que fossem chilenos, mexicanos, chineses, guineenses ou de qualquer outra nacionalidade. Nenhuma morte assim tem perdão.

E, no meio dos protestos e dando voz à tristeza e à revolta de todos, eis que Bruce Springsteen corporiza numa canção o que todos sentem. Um hino de coragem e resistência.

Bruce Springsteen - Streets Of Minneapolis (Official Lyric Video)

Through the winter's ice and cold
Down Nicollet Avenue
A city aflame fought fire and ice
'Neath an occupier's boots
King Trump's private army from the DHS
Guns belted to their coats
Came to Minneapolis to enforce the law
Or so their story goes

Against smoke and rubber bullets
In the dawn's early light
Citizens stood for justice
Their voices ringin' through the night
And there were bloody footprints
Where mercy should have stood
And two dead, left to die on snow-filled streets
Alex Pretti and Renée Good

Oh our Minneapolis, I hear your voice
Singing through the bloody mist
We’ll take our stand for this land
And the stranger in our midst
Here in our home they killed and roamed
In the winter of ’26
We’ll remember the names of those who died

On the streets of Minneapolis


sexta-feira, janeiro 30, 2026

Onde é que está o governo? Onde é que anda o Marcelo?
-- A palavra ao meu marido --

 

O País atravessa uma enorme catástrofe e o governo, como já tinha acontecido com os incêndios e com o apagão, mostra-se incapaz de gerir a crise, pôr em prática as ações que são necessárias e manter os portugueses devidamente informados -- como é seu dever. 

A atual MAI, como a anterior, não existe. Uma ministra que, numa noite em que o IPMA prevê a passagem pelo País de uma depressão que muito provavelmente provocaria, como provocou, uma catástrofe, manda o chefe de gabinete para a Proteção Civil em vez de estar presente no Centro de Operações, não tem o mínimo de perfil para o cargo que ocupa. Mas isto não é novidade, já o tinha demonstrado em situações anteriores. 

O Montenegro também não consegue acertar uma e, quando aparece, não diz nada que valha a pena ouvir. 

Este governo não tem capacidade para enfrentar situações de crise. Como acima referi e repito, já o tinha demonstrado nos fogos e no apagão. Não têm conhecimentos nem capacidade para tomar decisões em situações de crise e isso é preocupante. 

O Marcelo, tão ativo em épocas anteriores, agora não tuge nem muge. Será que já não é presidente? Ou não intervém porque não fala de nenhum assunto que corra mal ao governo? Os milhares de pessoas que estão a sofrer não merecem um afeto? Lá se foi também o "presidente dos afetos"! 

Por todas as razões e mais uma e para bem de todos, esperemos que não chova demais e que a água comece a descer. Uma coisa é certa: em situações de crise, o governo não serve para nada.

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Nota: 

Agora um assunto bem menos importante. Como julgo que já foi aqui referido várias vezes, sou do Sporting! 

Ontem, o Sporting e o Benfica derrotaram de forma mais ou menos brilhante os adversários na Champions. Foi uma grande noite para o futebol português. 

-- O Sporting ficou em sétimo lugar, fez 16 pontos em 24 possíveis e vai diretamente para os oitavos de finais, ficando à frente de equipas como o City, o PSV, ... .
-- O Benfica ficou em vigésimo quinto lugar, somou 9 pontos e apurou-se para os play-off com um golo no último minuto. 

Não há dúvidas que o Sporting fez uma prova muito melhor que o Benfica. Pois, se ouvíssemos os comentadores desportivos nos vários canais diríamos que foi exatamente o contrário. Endeusam quem teve pior prestação e dizem umas coisinhas simpáticas sobre quem se revelou ser melhor nesta prova. Também no futebol, a comunicação social está longe de ser imparcial.

quinta-feira, janeiro 29, 2026

Temos é que nos ir aguentando até que todas as muitas inovações médicas estejam disponíveis para todos

 

Num ano e numa altura em que as estatísticas em Portugal nos trazem números nada tranquilizadores quanto ao aumento da mortalidade, talvez seja difícil antever quando é que os benefícios das fantásticas inovações técnicas se traduzem em melhores tratamentos.

De facto, se o governo da Saúde continuar enredado em partidarites dificilmente o que investigadores e técnicos desenvolvem chegarão até ao grande público. E faço notar que, em medicina, o que acaba em 'ite' remete para inflamação e, como se sabe, as inflamações estão na base de grande parte das doenças, incluindo as fatais. Nomeadamente, se os hospitais públicos continuarem a ser geridos por agentes partidários e não por gestores competentes, tudo continuará ensarilhado, tudo continuará a ser um sorvedouro de dinheiro, dinheiro mal gasto -- e a disponibilidade para o estudo, para a aplicação de inovações continuará relegado para segundo plano.

Há, claro, as instituições privadas. Mas essas apenas estão ao alcance de quem tem bons seguros de saúde. Ora, sabendo-se que é na terceira idade que as células começam a dar de si e que as doenças começam a aparecer, as Seguradoras ou não fazem seguros de saúde para quem tem mais de 65 anos ou tornam-nos proibitivos. Os funcionários públicos terão a ADSE, mesmo após a reforma. Mas quem não estava abrangido pela ADSE ou paga e paga bem ou batatas. 

Seja como for, há que reconhecer que a medicina tem avançado incrivelmente. Muitas doenças que há uns anos eram sentença de morte ou de declínio inexorável agora são tratáveis ou curáveis, havendo hoje incontáveis sobreviventes. Há uns anos seriam memórias. Hoje estão para as curvas.

Lembro-me de quando a minha mãe, há uns anos, teve cancro no cólon. Fizeram-lhe três insignificantes buraquinhos na barriga e salvo erro ao segundo dia saiu do hospital pelo seu próprio pé, bem disposta, a andar normalmente, sem qualquer desconforto, como se nada se tivesse passado. E, no entanto, um bom pedaço de intestino e tecidos adjacentes tinha-lhe sido retirado. E ficou boa. É certo que isto se passou num hospital privado mas se calhar o mesmo se teria passado num hospital público.

São os equipamentos de diagnóstico que são mais avançados, são os equipamentos de intervenção, tratamento e os medicamentos que são mais eficazes.

Mas a inteligência artificial está a dar um empurrão fantástico e isso é um lado bom que deve ser bem aproveitado. E há cada vez mais investigação cruzada, juntando médicos, biólogos, físicos, engenheiros. E tudo isto é muito promissor.

O que agora é preciso é transformar isso em soluções adoptadas pelos serviços públicos e levadas à prática o mais rapidamente possível. 

O vídeo abaixo da BBC é muito interessante, e está legendado. Fala quem sabe.

As novas inovações médicas que podem mudar tudo

 - The Engineers, BBC World Service

Três engenheiros de renome discutem os mais recentes avanços na engenharia do corpo humano.

A engenharia inovou como nunca, chegando ao interior do corpo. Em neurociência, os implantes cerebrais podem proporcionar uma comunicação "psíquica" a pessoas com síndrome de encarceramento. Na área médica, uma nova tecnologia visa administrar quimioterapia e outros medicamentos diretamente às partes do corpo que deles necessitam, através de bolhas na corrente sanguínea. E estão a ser desenvolvidos dispositivos eletrónicos ingeríveis para combater doenças, enviando mensagens que direcionam os anticorpos diretamente do intestino para o cérebro.

A BBC e a Comissão Real para a Exposição de 1851 uniram-se para apresentar um evento especial: Os Engenheiros: Explorando o Humano.

Três engenheiros biomédicos, na vanguarda das suas profissões em todo o mundo, juntam-se à apresentadora Caroline Steel para discutir os seus trabalhos pioneiros e responder a perguntas do público na Royal Geographical Society, em Londres.

Convidados:

Tom Oxley (Austrália) – Neurologista e inovador em implantes cerebrais. Professor Associado da Faculdade de Medicina de Melbourne. CEO da Synchron.

Eleanor Stride, OBE (Grã-Bretanha) – Engenheira Biomédica e inovadora em tecnologia de bolhas. Professor de Biomateriais na Universidade de Oxford

Khalil Ramadi (Emirados Árabes Unidos) – Nanorrobótico, inovador em eletroceuticos ingeríveis, Diretor do Laboratório Ramadi de Neuroengenharia Avançada e Medicina Translacional em Abu Dhabi. Professor Assistente de Bioengenharia na Universidade de Nova Iorque.

Para quem não queira ver tudo mas queira ter conhecimento de algum tópico, aqui fica o horário das intervenções

00:00 Introdução

02:20 Primeira experiência de um doente com síndrome de encarceramento

03:53 Utilização de bolhas para administrar medicamentos dentro do corpo

05:21 Eletrónicos ingeríveis

06:13 Implantação de um "stentrode" no cérebro

07:54 Influenciar o cérebro através do sistema digestivo

09:27 Introduzir oxigénio nas bolhas na corrente sanguínea

11:21 Testes em humanos para uma interface de computador implantada no cérebro

12:19 Direcionando as bolhas para diferentes partes do corpo

13:13 O que acontece aos dispositivos eletrónicos ingeríveis no organismo

14:15 Testes em humanos com a tecnologia de bolhas

15:09 Diferentes condições que estas tecnologias poderiam tratar

18:06 Questões éticas

21:44 As três tecnologias poderiam funcionar em conjunto?

23:32 Poderiam ser utilizados implantes neurais para jogos de realidade virtual?

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Desejo-vos dias felizes

quarta-feira, janeiro 28, 2026

O Ressentimento faz a força

-- Um poderoso texto do meu filho --

 

Se observarmos a História da humanidade e a evolução das diversas civilizações, encontramos dois elementos que surgem recorrentemente: o conflito e o progresso. É provável que estejam interligados. O progresso nasce do desejo de alcançar mais e melhor, e é essa mesma vontade que está na raiz de inúmeros conflitos.

A nossa história é marcada por ciclos de mudança e por grandes disrupções: pragas, descobertas, obras colossais e destruições massivas provocadas por guerras. Periodicamente, surgem transformações profundas que criam novas eras — a queda de impérios, revoluções tecnológicas, ou a criação de armas cujo poder supera tudo o que as antecedeu.

A mudança, porém, não é necessariamente benéfica. O progresso, por definição, implica melhoria; a mudança, não. Uma inovação tecnológica pode acarretar custos ambientais tão elevados que os prejuízos ultrapassam largamente os benefícios. Um novo império guiado por ideologias de ódio pode destruir muito mais do que é capaz de criar. A história recente já nos ofereceu exemplos de ambos os casos.

Há nestes dias o acordar da consciência coletiva para uma nova fase da humanidade. 

Por alianças, proximidades geográficas e culturais e por interesses partilhados, o mundo organizou-se em blocos. Nas últimas décadas, o Bloco Ocidental liderou a ordem internacional e concentrou uma parte significativa dos recursos globais. Sem juízos de valor sobre os méritos ou falhas desse Bloco, é inegável que, para os povos que o compõem — em especial os nativos deste espaço — essa configuração de poderes foi, em geral, favorável. Foram, de forma recorrente, vencedores de conflitos, acumuladores de riqueza e beneficiários de um estilo de vida mais confortável do que a maioria da população mundial.

Hoje, esse Bloco revela fraturas profundas, que colocam em causa qualquer resquício de unidade. O fenómeno parece mais uma implosão do que um confronto externo — forças internas comprimidas numa câmara de pressão que já não suporta a crescente intensidade das tensões.

O risco para todos os povos do mundo é que esta desagregação produza uma mudança profunda, mas não um verdadeiro progresso para a Humanidade. Esta suposição contém um certo grau de arrogância (na qual na realidade nunca me revi): a ideia de que o mero funcionamento deste Bloco gera mais benefícios do que prejuízos para o mundo.

É perfeitamente concebível imaginar, num cenário contrafactual, uma ordem global diferente — mais equilibrada entre povos, menos dependente de hegemonias, mais cooperativa, mais solidária no desenvolvimento e menos assente na apropriação de recursos pela força, militar ou económica.

Mas é igualmente plausível, noutro cenário contrafactual, emergir algo pior: guerras destrutivas e globais, isolacionismo e egoísmo que aceleram a catástrofe ambiental, migrações massivas provocadas pela fome e pela seca, um retrocesso civilizacional nas liberdades e nos direitos.

Se este for, de facto, um momento de charneira, o risco é escolhermos o cenário contrafactual errado — empurrados pela cegueira de poder de elementos agitadores que exploram o Ressentimento Histórico do Homem Branco Nativo, que se vê como o “herdeiro legítimo” do Bloco Ocidental, mas que hoje se sente traído e contrariado no seu forte sentido de entitlement, de direito adquirido.

Este Homem Branco, nativo do Bloco Ocidental, não pertence às classes altas nem aos vencedores do capitalismo liberal que moldou o Bloco. Não integra a elite política nem a burocrática. Não faz parte dos ricos nem dos privilegiados. Pertence, isso sim, à classe trabalhadora — na melhor das hipóteses à middle working class assalariada, com rendimentos próximos ou abaixo da média. Cumpre a lei, paga impostos e tem opiniões. Recebeu educação, mas não chegou à universidade. Tem um emprego, mas não uma carreira. Viveu sempre no mesmo ambiente cultural e racial, partilhou com os seus vizinhos tradições semelhantes, interesses futebolísticos, religiosos e sociais.

É esta classe que está a aumentar a pressão dentro da câmara. 

Esta classe sente-se ressentida. Ressentida pela perda de poder de compra; pela nostalgia de um tempo que nunca viveu, mas que lhe foi prometido pelas gerações anteriores — a convicção de que o futuro seria melhor do que o presente e muito melhor do que o passado. A promessa de que, cumprindo as suas obrigações e trabalhando com afinco, proporcionaria aos seus filhos uma vida superior à sua. Hoje, essa promessa soa-lhes irrealista, e não têm evidências de que alguma vez venha a concretizar-se. 

O liberal económico argumentará que a oportunidade existe: “trabalharás, e chegarás lá”. Mas será mesmo assim? Será essa a realidade para a maioria? Existem oportunidades infinitas numa economia real, capaz de absorver todos os que se esforçam? E acordar cedo, trabalhar oito ou nove horas, perder duas em deslocações, trabalhar cinco ou seis dias por semana sem pausa, desempenhando bem a sua função — não é esforço suficiente esperado? A verdade é que, para muitos, não é.

A evolução do Bloco Ocidental está a gerar um conflito que parece cada vez mais insanável. À medida que o Estado reduz o seu papel de intervenção económica e se desvalorizam as políticas de redistribuição, solidifica-se uma camada de vencedores, criando-se um sistema progressivamente viciado. Como é próprio da natureza humana, essas classes vencedoras criam mecanismos para preservar a sua posição e ampliar a distância em relação aos seus competidores naturais. Assim tem sido desde os primórdios da humanidade.

Deste desequilíbrio nasce o ressentimento da classe trabalhadora, que cumpriu o contrato social que lhe foi proposto, mas não recebeu o retorno que lhe tinha sido implícita ou explicitamente prometido.

É verdade que este Homem Branco dispõe de um certo conforto material: possui um carro, uma casa nos subúrbios — quase sempre associada a uma dívida duradoura, faz férias ocasionais, tem SportTV e pequenos prazeres do quotidiano. Não vive a miséria extrema que atinge muitos povos do Hemisfério Sul ou amarguras da guerra, os verdadeiros derrotados da ordem global. O seu ressentimento nasce mais de um sentimento de abandono do que de desespero.

Este ressentimento é alimentado também pela degradação dos serviços públicos, financiados pelos seus impostos, que se deterioram a uma velocidade inversamente proporcional à expansão dos serviços privados por natureza elitistas e orientados para os vencedores do sistema. O fenómeno manifesta-se igualmente na educação, na saúde e na justiça, pilares fundamentais da democracia que lhes foi prometida. Quando estas instituições se degradam, desmorona-se, aos olhos desta classe, a própria perceção de que o sistema democrático funciona.

E são percebidos como perdedores — não porque estejam pior do que há cinquenta anos, mas porque estão estagnados há vinte, mergulhados num ambiente generalizado de degradação e desânimo. São as escolas sem professores, os hospitais a transbordar ou com as urgências encerradas, os comboios paralisados ou sobrelotados, o preço esmagador das casas, a inflação nas compras mensais e na energia, os processos nos tribunais que se arrastam, uma perceção generalizada de insegurança.

Ressentimento também por motivos culturais. Uma sociedade multicultural, com bairros étnicos, com muitas culturas e línguas, como se observa em Londres, é o que Homem Branco espera para a terra onde nasceu, cresceu e sempre viveu? O sistema de imigração deve exclusivamente dar resposta às necessidades vorazes do mercado de trabalho liberal?

O Homem Branco não está pronto para uma transformação cultural tão acelerada. Em alguns casos poderá ser Racismo e Xenofobismo ideológico, mas em muitas situações será um humano receio da mudança. A dificuldade em assimilar que tudo muda menos ele. A dificuldade em lidar com vizinhos diferentes, com comportamentos que não compreende, com línguas que não fala. A nostalgia de outros tempos, que pelo menos eram fáceis de entender.

É um Ressentimento cultural real.

O ressentimento nasce também da perceção — ainda que abstrata — de que quem governa pertence à Classe dos Vencedores, em oposição à Classe dos Perdedores. Alimenta-se a ideia de que o poder político age sobretudo em benefício próprio, sem um verdadeiro compromisso com o Serviço Público.

A esta pressão interna soma-se um elemento adicional que funciona como catalisador, tal como acontece em tantas reações físicas: neste caso, os partidos situados nos extremos do espectro político. São eles que veem nesta insatisfação profunda uma oportunidade para avançar com a sua própria transformação, oferecendo respostas simples para problemas complexos e capitalizando a frustração acumulada.

Com a queda do Muro de Berlim caiu por terra a promessa e atração do Socialismo Real. Com a ascensão do Donald Trump, das Redes Sociais e dos fenómenos migratórios de muito larga escala, num panorama estéril de promessas transformadoras, emergiram os Partidos da Direita Radical, herdeiros do fascismo do século passado. 

Os grandes atores políticos da atualidade — apoiados por estrategas experientes em propaganda e marketing, utilizadores hábeis das redes sociais e sem pudor em recorrer à mentira, à difamação e a técnicas de manipulação de massas — tornaram-se os verdadeiros vencedores políticos do nosso tempo. São os orquestradores de uma nova era que receamos poder ser pior do que a anterior: uma era em que prosperam aqueles que mais beneficiam do retrocesso, da destruição e da divisão. Emergindo do caos e do ódio, da gritaria e da acusação, das fake news e da demagogia, constroem um futuro com estas características e moldado pelo ambiente em que melhor sobrevivem. Uma simbiose perfeita entre o organismo e o meio.

As redes sociais funcionam, neste contexto, como um acelerador sem precedentes. Permitem uma comunicação direta, desintermediada e sem filtros entre o Agitador e o Ressentido — uma combinação altamente inflamável. Este canal imediato facilita a provocação e a mobilização, apelando às emoções mais primárias de indignação e ódio, ao mesmo tempo que oferece o conforto da desculpa: a sensação de que afinal ninguém está sozinho, de que esses sentimentos têm legitimidade, de que há uma razão plausível para a raiva. Alimenta-se assim a motivação para “mudar” — seja para o que for, desde que não seja isto.

O dilema para a sociedade torna-se, assim, evidente e deve ser recordado em cada eleição. Combater a força da direita radical através das ferramentas da política tradicional revela-se uma estratégia condenada ao fracasso junto da sua base eleitoral mais fiel — aquela parte da população que já não acredita no valor das propostas dos partidos convencionais. Para este eleitorado marcado pelo ressentimento, a frustração é tão profunda que prefere derrubar o sistema para ver o que daí resulta, em vez de persistir no caminho que considera estagnado, mesmo que não haja propostas ou projetos de mudança reais.

A única forma de transformar este momento de mudança em algo melhor — no espírito do que Mark Carney defendeu no seu discurso — é devolver esperança aos que se sentem ressentidos, através de propostas concretas e credíveis. Um futuro baseado na justiça, na confiança e na inclusão; um mundo em que ninguém fica para trás. Um mundo em que o fosso entre ricos e os remediados se estreita, em que as relações entre países se constroem sobre acordos justos e não sobre a exploração dos mais fracos pela força dos mais poderosos.

À escala de um país como o nosso, isso implica um plano de longo prazo, sustentado por um amplo consenso entre os partidos que partilham princípios democráticos. Um plano orientado para recuperar os pilares fundamentais da sociedade; para reforçar o elevador social; para criar um mercado verdadeiramente justo, que valorize e premie o trabalho e não apenas o capital.

Implica também uma gestão responsável e transparente da imigração, com políticas claras de aceitação e integração.

E aponta para um futuro em que os pais possam acreditar que os filhos terão uma vida digna e estável: com acesso a creches de qualidade, boas escolas, boas universidades, bons empregos com salários justos e habitação paga de forma sustentável; com cuidados de saúde que respondam às suas necessidades. Este era — e continua a ser — o sonho da convergência europeia e da globalização no seu melhor sentido. Era o sonho de uma ordem internacional baseada no direito e nos direitos humanos. 

A construção desse futuro não tem de gravitar na órbita dos Estados Unidos. Pode assentar num quadro multilateral, baseado em pontos de aproximação e numa interdependência pragmática entre diferentes regiões e parceiros. 

Não estamos condenados à guerra e conflito. Da cooperação pode vir uma paz longa e duradora. Da cooperação conciliada com a autonomia, do progresso aliado à justiça, pode resultar uma sociedade melhor. 

Neste cenário alternativo ao ressentimento — um cenário de esperança — o Estado tem um papel real, não pela força do seu peso, mas pela força da sua capacidade de promover mudança e transformação, em conjunto com os demais setores da sociedade. Um projeto que inclua todos, sem exceção, garantindo que ninguém fica para trás.

Não haverá sucesso nesta jornada se não se compreender e enfrentar a verdadeira origem do Ressentimento. Ignorar ou desvalorizar a parte da população que agora aderiu à Direita Radical seria um erro histórico.

Num momento tão transformador como o que vivemos, cabe às forças impulsionadoras da mudança encarar o desafio de frente e reescrever o futuro comum, com o propósito claro de transformar o ressentimento em esperança. E promover a mudança positiva em cada Eleição.