quarta-feira, abril 01, 2026

A democracia não é um substantivo, é um verbo

 

Vou ao supermercado e, quando vejo a conta, fico sempre espantada, a admitir que alguma coisa passou várias vezes ou com o preço muito errado. E, quando verifico, confirmo: aqueles preços estão todos errados, altos demais. De uma semana para a outra verifico que alguns produtos deram um salto. Não compro artigos de luxo ou desnecessários e, no entanto, a conta é exorbitante. Só penso nas pessoas com famílias grandes a seu cargo, nas pessoas com fracos rendimentos. A vida vai tornar-se mais difícil. Quando atestamos o depósito, o valor assusta. Poderíamos usar menos o carro, claro. É a recomendação inteligente da UE e de toda a gente que antevê o que ainda aí vem. Mas nem sempre os transportes vão onde queremos ou, se vão, podemos levar uma hora ou mais em mudanças de autocarro pois daqui não há transportes directos para os lugares que frequentamos habitualmente e, de carro, são quinze minutos. De qualquer forma, seria inteligente que o nosso governo começasse a fazer campanhas vigorosas  para incentivar o uso de transportes públicos. Poderá haver uma altura em que, em algumas famílias, o comodismo terá que ser posto de lado em favor do equilíbrio financeiro.

O tema da inflação e do ajustamento das taxas de juro vai ser um garrote para muita gente e, tanto mais, quanto mais esta crise durar e, ainda mais, para quem tem compromissos bancários em curso. Ainda ontem, no texto que escreveu, o meu marido referiu que grande parte dos empréstimos bancários contraídos nos últimos tempos implicam uma taxa de esforço da ordem dos 40 a 50%. Aumentando a taxa de juro, ainda mais difícil será o dinheiro chegar para a prestação e para o resto. Já para não falar em que a maioria dos empréstimos entalam os contraentes até aos 70 anos. Um disparate. É com endividamentos assim que, de vez em quando, ao subirem as taxas de juro, rebenta a bolha imobiliária e muita gente fica apeada, sem casa.

Vamos ver como vai o governo ajudar as famílias. Para já, muito aquém do que Pedro Sanchéz fez.

Trump meteu-se numa ratoeira sem saber ao que ia. Um idiota à solta, cheio de poder e rodeado de idiotas lambe-cus é um perigo maior do que se pode imaginar.

Ao fim de um mês, dizem que está farto da guerra, que já não tem saco para aquilo. Era para ser uma excursão de poucos dias, chegava lá, atirava uns tiros, sacava o Ayatola, e já estava. Segunda obliteração. Sucesso fantástico, o maior sucesso de sempre. Afinal, pelo contrário, percebe que aquilo está tudo ensarilhado, os generais a quererem explicar-lhe coisas... e ele sem pachorra. Não tem paciência para se manter muito tempo agarrado ao mesmo assunto, muito menos de gaitadas que dão para o tordo, fica furioso, enraivecido com os vídeos que os iranianos todos os dias soltam a gozar com ele, chamam-lhe looser, falam nas suas fraldas, riem das suas mentiras ridículas. Ora ele não quer ouvir isso, quer é falar do salão de baile, janelas muito grandes, cortinados dourados, tudo dourado, ou pôr-se velhacamente a caminho de Cuba, mais um país conquistado, mais um sucesso, ou mostrar o projecto megalómano da agora inventada torre-biblioteca Trump em Miami, gigante, vidros, dourados, o nome dele em dourado a quase toda a altura. 

Entretanto, para ver se pega, e junto dos broncos da MAGA pega com certeza, agora diz que já mudou o regime do Irão, que já matou uma rodada deles, depois outra rodada, que já não há lá ninguém que mande, que assim é que ele gosta, e que já obliterou a armada, a artilharia, a aviação, tudo obliterado. Todo um regime que, segundo ele, já foi à vida. E que também não precisa do Estreito de Ormuz para nada, quem precise de petróleo que lá vá buscá-lo, que ele se está bem a caguar para isso (note-se: caguar, com u, que sou moça fina). Nem precisa da NATO, a NATO é um tigre de papel, diz que é ele e o seu bro Putin a acharem isso. Portanto, NATO também ao fundo, e ainda poupa dinheiro que se farta. Portanto, por ele está feito. Só vitórias. Vitórias duplas, triplas, huge vitórias, vitórias nunca vistas

Só que não. 

Só que vai ter uma surpresa: os iranianos vão deixar barato o estrago que ele fez. O que ele destruiu levará anos a ser reconstruído. E os iranianos querem que seja ele a pagar. E, depois, o fluxo de mercadorias, incluindo o petróleo, foi interrompido de forma crítica. Vai levar tempo a repor a normalidade da situação. É como depois de resolvido um acidente: passado muito tempo ainda o trânsito não escoou. O efeito de acumulação é tramado (a matemática dá uma ajuda a explicar isso). E depois há as mortes que o Irão já anunciou que vai querer vingar. Mártires para serem vingados é o que agora não falta. Portanto, mesmo que o idiota cante vitória e dê de frosques, as coisas continuarão ensarilhadas, a diversos níveis, por muito tempo.

E depois, ao mesmo tempo que dá mostras de se querer pirar de qualquer maneira, Trump, só para baralhar um pouco mais, ameaça que vai praticar toda a espécie de crimes de guerra, destruindo instalações indispensáveis à vida. Não tem vergonha na cara, não tem respeito pelos tratados internacionais (que nem conhece, acho eu), não tem tino. E, pior, não há gente com cabeça que o puxe para a razão -- secou tudo à sua volta, só restaram idiotas, tarados, radicais musculados e descerebrados, bêbados, tóxicómanos.

Ou seja, não há dia em ele não prove à saciedade que é um idiota que alguém deveria enfiar numa camisa de forças e levá-lo, à força, para uma qualquer casa de doidos. 

Antes desta estúpida ofensiva do idiota Trump, o Estreito de Ormuz estava aberto, os mercados estavam estáveis. Depois de milhares de mortes e de uma destruição tresloucada, tudo se estragou. Foi o que o idiota conseguiu.

E depois há Israel. Netanyahu sabe que andou a cutucar a fera com vara curta. O que fez, vai sair-lhe caro. Israel vai querer fazer ao Irão o que está a fazer em Gaza e ao Líbano, varrer tudo, não deixar pedra sobre pedra. Quem é que o vai parar?

Pode ser que um punhado de pessoas inteligentes e bem intencionadas, decentes, não corruptas, não egocêntricas, se junte e engendrem uma solução de compromisso para tentar recompor minimamente o que foi tão estragado. Só me ocorrem aquelas anedotas: um chinês, um alemão e um alentejano juntam-se e ... (e é sempre o alentejano que tem a saída mais prosaica embora aparentemente mais parva). Adiante. É que o drama é que, falando a sério, não se está a ver bem quem, como, quando. Mas era bom.

Seja como for, numa salganhada destas, com um caldo entornado desta boa maneira, vai levar muito tempo a repor a anterior normalidade. E há muitos danos colaterais. Por exemplo, a Rússia a ganhar pipas de massa com o aumento do preço do petróleo fica com folga orçamental para continuar a massacrar a Ucrânia. Ou Israel, no meio desta confusão toda, aproveita para se radicalizar ainda mais, voltando à pena de morte, desta vez selectiva. Uma cambada desencabrestada.

Pasmamos com tudo, isto pois, pelo menos eu, na minha inocência, sempre julguei que as democracias tinham mecanismos de defesa. Não têm. Em pouco tempo, Trump demonstrou que pode fazer o que quer sem que ninguém o consiga impedir.

Tal como Putin o fez. Tal como Netanyahu. Fazem o que querem. O mundo assiste, impotente. A democracia é frágil. Não é um bem adquirido. Tem que ser regada, alimentada, cuidada, protegida, defendida. Quando se descura isso, é o que se vê: abre-se a caixa de Pandora de onde saltam monstros, demónios, bicheza maligna de toda a espécie.

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Mais uma vez, Joanna Coles conversa com quem conhece por dentro a sociedade e os meandros do poder americano, David Rothkopf. É muito interessante e elucidador ouvi-los. Com a graça de que, como inteligentes que são, têm um sentido de humor delicioso.

Recomendo, vivamente, que vejam o vídeo.

Eu sei porque Trump continua a cometer erros: Rothkopf | Podcast do The Daily Beast

David Rothkopf e Joanna Coles analisam uma semana de crescente tensão global e caos político, desde protestos em massa nos Estados Unidos à perspectiva muito real das tropas norte-americanas em solo iraniano, enquanto os especialistas alertam que a situação pode agravar-se rapidamente. Rothkopf oferece uma avaliação mordaz do estilo de liderança de Trump — guiado pela perceção em detrimento da estratégia — enquanto Coles destaca os riscos de rodear o poder de inexperiência e ego. Juntos, ligam os pontos entre a história, a realidade militar e as decisões perigosas que se desenrolam em tempo real, expondo porque é que as ameaças isoladas raramente funcionam e como este momento pode remodelar o papel dos Estados Unidos no palco mundial. É uma conversa perspicaz, com um humor ácido e profundamente sóbria, que culmina numa conclusão arrepiante sobre o que pode acontecer a seguir.


Como o vídeo é um pouco longo, caso queiram ouvir alguns pontos em específico, deixo o link (nos minutos) para esse ponto, directamente no youtube.

00:00 - Abertura Brutal: “Gabinete de Idiotas”
03:03 - Protestos Massivos e um Alerta para a Democracia
06:08 - Porque é que a Democracia é “Um Verbo”
08:02 - Trump, a Verdade Social e as Ameaças do Irão
11:05 - O Perigoso Plano do Urânio Explicado
14:45 - Porque é que os Especialistas Temem uma Guerra com o Irão
18:04  - Corrupção, Acordos e Questões sobre Kushner
21:05 - Religião, Guerra e a Controvérsia de Hegseth
24:17 - Porque é que Trump Promove a Incompetência
27:03 - Trump é Realmente Estratégico?
30:30 - O caos no FBI e o ataque hacker a Kash Patel
33:06  - "Vermes Cerebrais" e críticas ao Gabinete
35:12 - Riscos Globais e o Estreito de Ormuz
36:41 - Americanos reais a sentir o impacto
39:04 - Sinais de alerta económico aumentam
41:15 - China, IA e os EUA a ficarem para trás
42:34 - A expansão extravagante da Casa Branca de Trump
45:10 - Bilionários, poder e influência
47:19 - A vida depois de Trump: o que se segue
49:09 - Agradecimento aos ouvintes e comunidade
50:43  - Porque é que este podcast ressoa
51:24 - Considerações finais e o que vem aí

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Desejo-vos um dia bom

terça-feira, março 31, 2026

Os enormes equívocos das políticas do Montenegro ou a enorme componente ideológica da politica do governo
-- A palavra ao meu marido --

 

É certo e sabido que as políticas do governo não são suportadas em factos nem em  informações fidedignas. Vão a reboque do Andrézito ou são motivadas por opções ideológicas que em muitos casos são estupidamente próximas das opções da direita revanchista e retrógrada. 

Vamos a factos. 

Lei da Imigração aprovada com o Chega cujo defensor mais intransigente foi o "Lentão" Amaro de parceria com o Luís. Os imigrantes davam cabo do País, viviam de subsídios e eram os responsáveis pelos piores crimes. 

  • A parte dos crimes o atual MAI encarregou-se de a desmentir quando era diretor da PJ. 
  • Quanto ao resto foi desmentido pelo relatório do Banco de Portugal de Março, a saber: 
    1. os imigrantes passam muito menos tempo a receber subsídios que os nacionais e os que mais subsídios recebem são russos, ucranianos, moldavos e brasileiro (azar não são asiáticos!), 
    2. os imigrantes contribuem com 4,1 mil milhões de euros para a segurança social sendo o saldo líquido positivo de 3,2 mil milhões, 
    3. os imigrantes são responsáveis por 5% do PIB e, se não estivessem a trabalhar em Portugal, o valor médio dos impostos dos nacionais teria de passar de 35% para 43%. 
Foi nisto que resultou a política de "bar aberto" que o Chega de braço dado com o governo tanto criticaram e que os comentadores também apoucaram e apoucam. Eu diria que ainda bem que ofereceram as bebidas, pode ter havido algumas bebedeiras, o que era inevitável, mas no cômputo geral foi muito positivo e não se percebe a urgência da lei da imigração a não ser por opções políticas e apropriação da agenda do Andrézito. 

Outra palhaçada é a Lei da Nacionalidade. Só o Chega e o anquilosado CDS tinham este assunto na agenda. O Luís e seus muchachos viram uma oportunidade para se juntarem à extrema direita,  desviarem as atenções da inoperacionalidade do governo e cavalgaram a onda e cá vai disto. Felizmente a lei aprovada na AR foi chumbada pelo Constitucional. Os dados mais recentes, que deveriam servir de base a estas opções políticas e são pura e simplesmente obliterados (estúpida palavra que Trump tornou omnipresente) referem que apenas 7% dos pedidos de nacionalidade são de naturais do Paquistão, do Nepal e de países vizinhos. Ao contrário do que apregoava o Andrezito e o governo, apenas 2.700 cidadãos destes países pediram a nacionalidade portuguesa. "Ganda" problema não é Luís, "Lentão" e quejandos? É deveras preocupante: sendo tantos, ainda vão dar cabo dos outros dez milhões. É o governo a cobrir-se de ridículo com este tipo de opções. 

Outra política também reveladora da inteligência de quem governa foram as medidas destinadas á Habitação. Como resultado das políticas do governo, os preços das casas aumentaram como nunca se tinha visto e 28% dos contratos celebrados por jovens demonstram  representar um taxa de esforço entre 40 e 50% o que está manifestamente acima do recomendado, senão mesmo no limiar do risco de incumprimento. Com o panorama atual, com se vão safar estes jovens com as taxas de juro a aumentarem, a inflação a crescer e provavelmente o valor da casa a diminuir? Acreditaram na política do governo e vão ficar tramados durante alguns, senão muitos anos. Não me parece que vão ser motivo de preocupação para o Luís, o problema vai ser deles. 

No capítulo da Defesa, em que impera outro crânio, parece que o governo autorizou a montagem do drone MQ-9 nos Açores. Veremos se não se trata de mais uma opção política completamente errada que nos pode trazer problemas futuros de segurança.

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Nota: este fim de semana foi o congresso do PS e tudo o que é analista e comentador encartado aproveitou para bater "no ceguinho". O costume, mas, de facto, faltou alguma chama e apresentação de propostas mobilizadoras e diferenciadoras. Parece-me que o José Luís Carneiro é inteligente e honesto, conhece os dossiers, acredita na solidariedade social e tem uma ambição legítima de governar e melhorar Portugal. Como não tem um grande carisma, tem que fazer um esforço de afirmação, com uma agenda própria e diferenciadora, não se focando tanto na cooperação com o governo, mas, antes,  apresentando-se como verdadeira opção ao governo. Espero que consiga ser uma opção segura e credível para os portugueses.

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E queiram, caso estejam para aí virados, continuar a descer. As últimas de Trump são cada vez mais perturbadoras. Já se referem a ele como um presidente delirante e acho que é isso, um doido varrido.

Todos os dias uma novidade... e cada uma mais maluca que a anterior...

 

Não estou obcecada, estou é preocupada. Os preços a dispararem, e não se sabe até que níveis, e não se sabe se não vai haver mesmo escassez, os juros a subirem, muita gente com a corda na garganta... e sem perspectivas de até quando e sem se conseguir antever o nível de gravidade que tudo isto pode atingir.

Não me parece razoável que alguém se mantenha alheado do que está a passar-se.

Imagine-se que os jovens que Trump quer enviar não se percebe para quê, se para ocupar a ilha de Kharg se para lá ir roubar petróleo (e qualquer das situações se traduzirá numa matança), são da nossa família, os nossos filhos, os nossos netos. Gostaríamos que, à nossa volta, as pessoas se mantivessem indiferentes? 

E o grave não serão apenas os mortos: será a violência dos ataques seguintes e as consequências cada vez mais brutais.

E isto seria mau se fosse o plano de um estratega, de um imperialista racional. Agora imagine-se o que é isto nas mãos de um maluco que devia estar internado.

Hoje soube que os briefings diários de Trump, levados a cabo pelos militares constam de vídeos de cerca de dois minutos em que, basicamente, se vêm coisas a irem pelos ares.

E ele, ao ver aquela 'fúria épica', delira e fica furioso por a comunicação social não se fazer eco de tantos feitos.

Hoje também ouvi um editor do Finantial Times falou com ele ao telefone e que ele lhe perguntou se devia invadir a ilha ou ficar-lhes com o petróleo. O jornalista disse que não lhe competia a ele dizer mas que achava que não ia ser fácil, ao que Trump respondeu que não, que ia ser fácil. Assim, toma aquele maluca as decisões.

Uma loucura.

As autoridades norte-americanas dizem que Trump recebe informações sobre a guerra com o Irão através de montagens de vídeos de ataques

Três responsáveis ​​norte-americanos em funções e um antigo funcionário afirmam que as Forças Armadas dos EUA compilam montagens de vídeo de ataques a alvos iranianos para apresentar ao presidente Donald Trump. Courtney Kube, da NBC News, relata como estes vídeos preocupam alguns aliados de Trump, que temem que este não esteja a receber uma visão completa da operação.

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Trump admite secretamente que seu principal capanga 'é louco' | Dentro da cabeça de Trump

Michael Wolff e Joanna Coles exploram um período caótico em que os impulsos de Donald Trump colidem com consequências globais, revelando um presidente movido menos por estratégia e mais por instinto, ego e controle da narrativa. Desde contradizer abertamente sua própria posição sobre o voto por correspondência até colocar seu nome na nota de dólar, Wolff e Coles identificam um padrão de comportamento que prioriza domínio e atenção em vez de consistência.

À medida que a guerra com o Irão entra em uma fase volátil sem um objetivo claro, Wolff argumenta que nunca houve um plano real — apenas improvisação que agora se transforma em risco — enquanto Coles investiga se existe uma lógica oculta nos bastidores ou apenas confusão disfarçada de bravata.

A conversa se aprofunda na dependência de Trump em contar histórias para sobreviver a danos políticos, sua fixação em ressentimentos com a aproximação das eleições de meio de mandato e as fissuras crescentes em seu círculo íntimo, desde a instabilidade de RFK Jr. até dúvidas crescentes sobre figuras-chave responsáveis por executar políticas.

segunda-feira, março 30, 2026

Parem tudo!
Eis as fórmulas inteligentes para lidar com gente estúpida

 

Começo por sacudir a responsabilidade pelo que é dito no vídeo que abaixo partilho. Não fui eu que o fiz e, além do mais, não tenho conhecimentos para avaliar se há rigor científico no que se diz ou se as referências filosóficas respeitam o espírito da letra de quem as proferiu.

Não tendo aqui nenhum filósofo à mão de semear, e querendo pelo menos o conforto de que o aqui apresento não seja um total barrete, submeti-o à apreciação do chatgpt. Disse-me que sim, que as referências não são inventadas nem despropositadas, ou seja, que não se pode dizer que seja uma banhada, mas que, enfim, é uma coisa na base do mais ou menos, ou seja, de facto existiram mesmo as afirmações, não são falsas as referências, mas, segundo o chatgpt, estão um pouco enroupadas à luz das tendências actuais, mormente o léxico e as preocupações, que é daqueles vídeos self não sei quê, cheios de ensinamentos e coiso e tal. Compreendido.

Seja como for, gostei. Direi mesmo: bacteriologicamente correcto ou não, a mim faz-me muito sentido. Digo mais: é daquelas que já deveria ter aprendido há anos e anos pois, se eu tivesse percebido e interiorizado isso, muitas maçadas me teriam sido poupadas.

Sei que não sou a última coca-cola do deserto, muito longe disso, mas também sei que não serei a mais burra da turma, seja qual for a turma. E toda a minha vida, toda, toda, t-o-d-a, foi passada a tentar explicar o que me parece ser correcto, a defender as ideias que acho certas, a tentar desmontar argumentos falaciosos. Um desgaste. Percebo agora a burra que tenho sido. Aliás, implicitamente já o sabia, mas agora, vendo-o assim explicitado, ainda mais claro fica.

Muitas vezes, para meu desgosto, chegava à conclusão que, em determinados meios, o que é mais apreciado é o que é mais básico, menos valioso, mais irrelevante. Já o referi anteriormente. Na minha vida profissional, várias vezes fiquei chocada ao ver que alguns projectos inovadores, revolucionários, fracturantes, verdadeiramente relevantes, eram incompreendidos e pouco valorizados enquanto alguns, que nem à categoria de projectos deveriam ascender de tão básicos que eram, acabam por ser louvados, enaltecidos e até premiados. E sempre cheguei à mesma conclusão: se quem apreciava os assuntos era gente de pouca cabeça, só percebiam os temas que eram elementares, que não requeriam nem grandes conhecimentos nem grandes discernimentos para serem entendidos. Tudo o que fosse mais complexo já era chinês para eles e, para não darem parte de fracos, preferiam mostrar pouco interesse.

Também já contei que, algumas vezes, ao ver projectos que eram apresentados como extraordinários, que envolviam investimentos de milhões, que eram divulgados em jornais de referência e que eram visitados pelo governo ou, até, pelo presidente da república, eu dizia de caras: um bluff, um fiasco, um saco cheio de nada, nunca na vida vai dar em alguma coisa, a ideia inteligente é abortar já. E, ao sustentar esta posição, era olhada de lado como uma céptica, uma pessoa do contra, alguém desalinhado, olhada até com algum temor não fosse eu falar alto de mais ou onde não devia. Desfazia-me a tentar demonstrar o que para mim era óbvio, cristalino, a tentar evitar o desperdício de milhões ou estar-se a contratar carradas de pessoas altamente especializadas para uma coisa que jamais teria pernas para andar. Nunca consegui. Custava-me aquilo, parecia-me um embuste disfarçado de ideia grandiosa, sabia que ia trazer prejuízos avultados, geral imparidades de se lhes tirar o chapéu. Fui derrotada, era a única a tentar ir contra a corrente. Quando, anos depois de milhões e milhões jogados para o lixo e de tentar arranjar novas funções para os que, para aquilo para que foram contratados, já não teriam trabalho, eu me lamentava: 'Se alguém me tivesse dado ouvidos...', um colega e amigo dizia-me: 'Sabe, tão grave como não ter razão é ter razão antes de tempo.'. Não têm conta as lutas que travei para tentar demonstrar erros, linhas estratégicas erradas, decisões sem nexo. E para quê? Para nada.

Há pessoas que não querem ouvir a verdade. Ou não a compreendem. Há que saber aceitar isso: não vale a pena tentar avisar quem não quer ser avisado. Ou tentar explicar a quem é incapaz de compreender.

Uma das que me marcou, e aqui uso o verbo marcar no sentido de chatear, mas chatear profundamente de tão estúpida que foi, aconteceu numa sessão de avaliação, ao ser avaliada por um que estava na empresa há poucos meses e que mal me conhecia, no item 'trabalho de equipa' -- área em que sempre tive pontuação máxima pois gosto de trabalhar em equipa, nunca fui individualista, acredito piamente na convergência de esforços --, numa escala de 1 a 5, me atribuiu um 3. E justificou assim: 'É muito inteligente e as pessoas têm medo de si'. Fiquei a olhar para ele certamente com espanto mas, acredito, sem conseguir disfarçar que achava que só um tipo muito burro poderia avaliar-me com um 3 apresentando tal justificação. Tive vontade de lhe perguntar se era o caso dele, se tinha medo de mim. Com o passar do tempo, percebi que tinha. Não percebia nada do que eu dizia e ficava deveras aflito, tentava desviar-se, tentava evitar-me. Quando o confrontava, eu percebia que, a ele, só lhe apetecia fugir. Como não podia, desviava o assunto, contava histórias, elogiava-se, contava-me façanhas que, para mim, eram ridículas mas que ele descrevia como se fosse o maior, tudo para não ter que se debruçar sobre o tema profissional que eu queria discutir.

Em contrapartida, sempre que trabalhei com pessoas inteligentes ou em empresas ou em momentos em que as administrações eram globalmente inteligentes, que motivante foi, que desafiante, que entusiasmante. Ou conduzir equipas de pessoas inteligentes, que bom, que bom que é.

Politicamente é a mesma coisa: quantas vezes tive discussões escusadas pois estive a tentar demonstrar a vacuidade ou a inconsequência de propostas junto de pessoas que se recusaram a ouvir os meus argumentos e que persistiam em defender posições erradas à luz da lógica e da razão.

Devia ter visto este vídeo antes. Querer demonstrar um raciocínio lógico junto de quem não é capaz de o acompanhar é como querer instalar a última versão de um sistema operativo numa máquina de escrever. Não vale a pena. 

Mas vejam o vídeo e ajuízem se vos parece ou não interessante. É relativamente longo mas vale a pena. Claro que os ignorantes, que não sabem que o são, pensarão que encaixam na categoria dos inteligentes. Mas isso, já sabemos, é o costume. 

É como o Trump: acha-se o maior e vá lá alguém tentar convencê-lo que as suas ideias são fantasiosas, estúpidas, ridículas. Aliás, é difícil ver e ouvir este vídeo sem pensar em como realmente se aplica a tantas situações reais da nossa vida e, em particular, da realidade política actual.

Mas, enfim, é o que é. O mundo é assim mesmo e a gente tem é que aprender a posicionar-se.

E se os filósofos a sério que por aqui passem acharem que tudo isto é uma pepineira, pois muito bem, cá estou, receptiva para aprender com quem sabe. É dizerem de vossa justiça.

Como as pessoas inteligentes lidam com as pessoas estúpidas — Schopenhauer

Arthur Schopenhauer compreendeu aquilo que a maioria das pessoas se recusa a aceitar: a lógica é impotente contra a ignorância deliberada. Neste vídeo, exploramos a filosofia implacável de Schopenhauer sobre como as mentes inteligentes se podem proteger dos efeitos psicologicamente desgastantes de lidar com pessoas irracionais, tolas e deliberadamente ignorantes. (...)

Aqui poderá aprender:

— Porque é que discutir com um tolo é suicídio intelectual

— Como utilizar o absurdo como arma, utilizando a redução ao absurdo (reductio ad absurdum)

— O método da quarentena psicológica para proteger a sua mente

— O Dilema do Porco-Espinho de Schopenhauer e o distanciamento estratégico

— A Estratégia da Submissão: Como Sima Yi derrotou um poderoso tolo

— Porque é que a sua empatia está a alimentar a ilusão deles

— Como fazer a transição da inteligência para o verdadeiro poder

Não se trata de arrogância. Trata-se de estratégia. A sua energia mental é finita. Deixe de a desperdiçar com pessoas comprometidas com a sua própria ignorância.

Referências e Pesquisa:

📚 "A Arte de Ter Razão" — Arthur Schopenhauer

📚 "Rápido e Devagar: Duas Formas de Pensar" — Daniel Kahneman

📚 "A Armadilha da Inteligência: Porque é que as Pessoas Inteligentes Cometem Erros Burros" — David Robson

Relembro que poderão optar por legendas (automáticas) em português. 

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Nota: as duas imagens que juntei ao texto foram geradas através de Inteligência Artificial

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Desejo-vos uma boa semana

domingo, março 29, 2026

Diz-me o que tens dentro da tua mala e dir-te-ei quem és
[NB: Mala em versão popular, carteira em versão beta ou tia]

 

Há pequenas coisas, insignificantes. E, no entanto, ficam. Por exemplo, lembro-me de estar no meu gabinete, ocupada, provavelmente a atender um telefonema, e estando lá dois colegas, amigos, ao precisar de alguma coisa, pedir a um deles que me desse uma coisa que estava dentro da minha carteira (carteira, no sentido de malinha de mão). Para meu espanto, recusou-se. Eu intrigada. Porque não? 'Tenho sempre medo do que se pode encontrar dentro de uma mala de uma senhora.'. O outro disse o mesmo. Fiquei com imensa vontade de rir mas compreendi.

O meu marido, se precisa de alguma coisa que esteja dentro da minha pequena malita (e vou dizer assim para não se confundir com a carteira de moedas ou documentos), também se recusa a procurar. Por mais que eu insista, recusa-se. Não sei se também tem medo.

Durante muito tempo, provavelmente durante a maior parte da minha vida profissional, usava carteiras grandes. Isto é, malas grandes. Ou de mão ou de usar ao ombro. Na altura não havia Parfois ou afins. Ou, se havia, eu não as frequentava. Usava malas de pele. Tinha a preocupação que fossem de boa qualidade, que tivessem compartimentos, que fossem grandes. Cabia lá tudo.

Contudo, frequentemente interrogava-me se não seria era peso a mais. A minha mãe pegava nelas e ficava espantada, dizia que era um disparate, que forçosamente me faria mal às costas. Mas não me parecia possível reduzir a sua capacidade com tanto que lá tinha que colocar dentro.

Uma vez, tinha ido à loja das lãs comprar material para os meus tapetes de Arraiolos. A lã era vendida a peso. A senhora, para acomodar as meadas, pegou na minha mala, que eu tinha colocado no balcão, ao lado da balança, e, no acto, soltou uma exclamação. 'Ai, credo! Que é que tem aqui...?!'. E, divertida, pediu: 'Posso pesar? Já agora, só para ver...'. Já não me lembro, não sei se seriam uns quatro quilos, tenho ideia disso mas não garanto que não fosse até mais. A senhora riu-se: 'Ah pois, logo vi... E consegue andar todos os dias a carregar esse peso...?'. Sim, conseguia, não me fazia diferença.

Mas, daquela vez, fiquei mesmo a pensar naquilo. 

E acabei por me declarar vencida.

A partir do momento em que me rendi à necessidade de ser mais criteriosa e a ter que fazer, de vez em quando uma limpeza, repesquei uma que tinha, de pele, redondinha, pequenina, em tom pérola, com uma rosinha também em pele. Na altura, tinha-a comprado para a levar a um evento qualquer, uma pequena bolsinha. 

Pelo meio já usei várias outras, coloridas, brincalhonas, vistosas. Mas regresso sempre a esta. Parece-me o modelo, a dimensão e a cor ideal.

Ainda a uso. Mas tenho que me despedir dela, está a ficar velhinha, já está a ficar quase acinzentada, o fecho, de vez em quando, já se abre, o fechinho já não está grande coisa. Mas gosto imenso dela. Contudo, continua a andar bem pesada. O que contém é para lá do que se pode imaginar. No outro dia, esvaziei-a para reduzir o peso e fiquei, como sempre fico, espantada com o que lá encontrei. Por exemplo, uma molinha dourada do cabelo que julgava que tinha perdido. Por exemplo, um batom de que gostava imenso e que também tinha dado por perdido. E ganchinhos e elásticos para o cabelo. E uma amostrinha de perfume para um just in case. E um balm para os lábios. E um pequeno creme para as mãos. E uma pequena lanterna de manivela. Tudo escondido,  lá para o fundo, debaixo de outras pequenas carteiritas, umas para documentos, outras para moedas. E lápis e canetas e chaves, algumas nem sei bem de onde. Uma miríade de coisas. E estou a falar de uma malinha que terá de diâmetro pouco mais que um palmo aberto. Não me perguntem como lá cabe tudo. Mas cabe. Um fenómeno. 

Não sei como há quem tenha poucas coisas, tudo organizado. Metem a mão e encontram à primeira. Admiro pessoas assim. Invejo-as. São tudo o que eu gostava de ser. Eu nem pouco mais ou menos. Se quero uma coisa, enfio a mão, dou uma volta às cegas e, se não encontro, desisto. Ou estou em casa e posso esvaziar tudo em cima da cama ou do sofá para uma inventariação a preceito ou dou por causa perdida. E o dramático é que nunca consegui arranjar uma solução para este problema. Não sei o que é que isto diz sobe mim ou sobre as pessoas que são o meu oposto mas, de certeza, diz qualquer coisa. E temo que não seja bom para mim.

Se calhar, é por isso que acho tanta graça a ver os vídeos em que pessoas conhecidas revelam o que têm dentro das suas malas. Sinto-me menos caótica. Ou melhor, penso que não sou a única a não conseguir evitar o caos numa situação aparentemente tão fácil de ultrapassar. Quando vejo o meu marido com uma única carteira (neste caso refiro-me a carteira mesmo carteira, para documentos e notas), e, ainda por cima, super arrumada, que fecha sem problemas, e a não sentir falta de mais nada, interrogo-me como é possível. Mas, pelos vistos, é.

Dentro da mala Hermès Birkin de Dua Lipa | Dentro da Bolsa | Vogue

A cantora e atriz Dua Lipa abre, em exclusivo, a sua Birkin alegremente decorada para a Vogue. Entre molho picante, o seu diário, um patinho pequenino, uma câmara digital, furikake e muito mais, cada item conta uma história. A vencedora do Grammy ainda fala sobre “Two-Dollar Steve”, explica por que ama fones com fio e partilha as aventuras da sua divertida viagem honky-tonk a Austin, Texas.


Desejo-vos um feliz dia de domingo

sábado, março 28, 2026

Mulheres palestinianas e israelitas descalças, de mão dada, pedindo a paz -- para que os seus filhos não matem nem sejam mortos
E que este sábado, 28 de Março, as ruas americanas transbordem de millions and millions a protestar contra Trump

 

Todos os países que desencadeiam guerras são governados por homens. Não que todos os homens sejam belicistas, claro, claro que não. Muito menos se pode inferir que todos os homens têm tendências imperialistas, que são insensíveis ao sofrimento, que são assassinos. Nem pensar. Tenho a certeza que, felizmente, são uma minoria. Mas, nos que pertencem a essa minoria, há com certeza alguma correlação entre terem esses traços e a testosterona. Putin, Netanyahu, Trump -- são disso exemplo, e só para referir casos recentes, cujos actos bélicos estão a desestabilizar o mundo.

No meio deste ambiente frenético em que os mísseis e os drones cruzam os céus, com tanta gente a morrer e tantas cidades a serem destruídas, com a economia alterada e o futuro ameaçado, quase nos esquecemos que a maioria da população é feminina. 

E, enquanto ainda dura a chacina que se verifica em Gaza (e que não vai acabar enquanto Israel não dispuser do território limpo para poder começar a construir a Riviera idealizada por Trump, Jared Kushner e amigos, e, com tudo devidamente higienizado e produtivo, anexado a Israel), eis que mulheres da Palestina e de Israel se juntam em Roma e, descalças, marcham e cantam pela paz.


Seria bom que em todo o mundo -- em todo o mundo, repito -- houvesse manifestação de mulheres pela paz. As mulheres todas na rua, marchando pela paz. Milhões de mulheres. Para que os nossos filhos não matem nem sejam mortos. Sem bandeiras, sem símbolos territoriais ou religiosos. Apenas as mulheres, com vestes simples, com uma echarpe que simbolize a harmonia e a união entre os povos. 

Não sei quem pode convocar manifestações assim mas penso que seria importante que alguém conseguisse fazê-lo. Aqui fica o meu humilde apelo. Contra o belicismo de uns e a cobardia de outros, que as mulheres descessem à rua e fizessem ouvir a sua voz.

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Mães israelitas e palestinianas marcham descalças por Roma num apelo conjunto à paz

As mães israelitas e palestinianas caminharam lado a lado por Roma, na terça-feira, num poderoso apelo conjunto à paz, liderado pelas nomeadas para o Prémio Nobel da Paz, Yael Admi e Reem Al-Hajajreh. Centenas de pessoas juntaram-se à marcha descalça, atravessando o centro da cidade, desde o Ara Pacis até ao Terraço do Pincio.

A "Caminhada Descalça: Apelo das Mães pela Paz" contou com o apoio da administração da cidade de Roma, com uma apresentação coral realizada na Piazza del Popolo. Admi disse que as mães de Israel, Palestina, Líbano e Irão partilham uma exigência: que os seus filhos não morram nem matem.

As duas activistas deverão reunir-se com o Papa Leão XIII na quarta-feira, no âmbito da sua visita a Roma, acrescentando uma importante dimensão diplomática à sua missão de paz.


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Já agora:

Desejo também que, nos Estados Unidos, este sábado seja marcado por uma enchente nunca vista, muitos milhões de pessoas nas ruas de todas as cidades (mais que os 7 milhões da última manif), na manifestação NO KINGS


E cá está o Boss, Bruce Springsteen, a fazer o apelo. E com que intensidade o faz. Vejam até ao fim, ok? 


E vejam também o grande Robert de Niro, o respeitabilíssimo Robert de Niro, a fazer o mesmo apelo

Robert De Niro convoca o maior protesto da história americana para 28 de março: "NO KINGS"


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Um bom sábado

Saúde. Paz.

sexta-feira, março 27, 2026

Canetas e etc. -- temas que verdadeiramente interessam ao Presidente dos Estados Unidos a meio de uma guerra absurda que está a dar cabo do mundo



Penso que Michael Wolff é dos que melhor interpreta o que está a passar-se: tudo se passa dentro da cabeça de Trump, uma cabeça demente. Incoerente, não-sequencial, sem-filtro, inarticulado, em suma, um idiota -- assim ele descreve Trump. 


Trump, o representante dos estúpidos, aquele em quem os estúpidos se reveem, aquele que, segundo os estúpidos, diz o que tem a dizer. Claro que só diz coisas estúpidas mas isso é o que os estúpidos compreendem.

Portanto, tratando-se de um idiota e, ainda por cima, demente, nada faz sentido para as pessoas que se colocam num plano lógico e racional. Tudo o que ele faz é função do que lhe apetece naquele instante, e, sobretudo, do que ele acha que pode beneficiá-lo. Além disso, a sua grande motivação é conseguir a atenção sobre si próprio, é garantir audiências, é um entertainer. Acontece que, além disso, é um narcisista, facilmente adulado e, logo, manipulado. Isto para não falar que, com o seu historial, deve haver infinitas provas cabeludas contra ele e, logo, deve haver muito menino que o tem na mão, que o chantageia sempre que convém. 

Portanto, haver um presidente dos Estados Unidos com estas características é um problema gigante para o mundo. Uns dias diz uma coisa, a seguir diz o oposto, não ouve ninguém a não ser os que o adulam, não se informa, não tem paciência para briefings ou relatórios, chegam a duvidar que consiga ler mais que duas linhas de seguida, mete-se nas coisas sem saber ao que vai, a coisa dá para o torto e ele parece nem perceber que o que correu mal é fruto dos seus actos, ofende e humilha e depois acusa os ofendidos e humilhados de não acorrerem ao que ele pede quando, além disso, ele não pede, ele exige, ele ameaça, ele insulta. E tudo como se não fosse nada com ele. Se o palco o permite dá o espectáculo do costume, engrossa a voz, diz mentiras, lança insinuações, volta aos temas pelos quais é obcecado, diz mal de Biden, diz que o roubaram nas eleições de 2020, diz mal de Gavin Newson, e, daí, passa para o salão de baile, e, desta vez, na reunião geral do Gabinete, passa para o magno tema da caneta. Uma caneta fantástica. Acresce que, geralmente, quase tudo o que diz é mentira. E, en passant, insulta Jerome Powell por quem tem um ódio monumental. Poderia ser um filme cómico mas ninguém acreditaria num personagem tão demente.

Trump diverte o gabinete com uma digressão épica sobre canetas Sharpie, canetas de mil dólares e Jerome Powell.

Durante uma reunião de gabinete, Trump começou subitamente a contar uma história bizarra sobre canetas — como quando se tornou presidente, as canetas custavam mil dólares, mas trocou-as por canetas de 5 dólares. Desde marcadores Sharpie a anedotas presidenciais, isto é o Trump clássico em ação.

quinta-feira, março 26, 2026

Bora lá dar uma curva...?

 

Há pouco tempo fomos desafiados para irmos, em grupo, numa viagem muito bonita, a uma cidade gigante que não conheço e gostava de conhecer. Ficámos balançados. Um bocado longe, uma viagem longa. O meu marido não adora andar de avião mas, dado o lugar que era e que a companhia não podia ser melhor, estava tentado a aderir. Por essas alturas andava o Trump com a conversa das negociações com o Irão e com ameaças pouco veladas. Como sempre, eram os seus pontas de lança para a facturação em terras estrangeiras, o genro, o sinistro Jared Kushner, e o pato bravo Steve Witkoff, que lá andavam a fazer de conta. Por um lado, à luz da lógica e do direito internacional, os Estados Unidos não cairiam na tentação de se meterem numa aventura suicida. Mas, por outro lado, com um doido varrido sentado na Casa Branca nunca se sabia. Ao conversar com a minha filha, lembro-me de comentar: 'vamos lá ver se o maluco do Trump não se mete numa grande confusão e não dá cabo da viagem'. 

Com a hesitação, não demos o passo em frente. E, nos dias seguintes, foi o que se sabe, a deriva, o desvario de Trump. Arrastado por Netanyahu e sem avaliar o que ia fazer ao mundo, o maluco avançou de peito feito, julgando que era a mesma coisa que tirar o Maduro da cama.

Ao contrário de quem nos desafiou, que compraram as viagens todas, para cá e para lá e para os percursos intermédios, não chegámos a avançar e, por isso, não ficámos com os bilhetes na mão. Os aeroportos em causa não estão fechados pelo que não há lugar ao reembolso mas, estando toda a região e redondezas sob uma instabilidade total e perigosa, não é seguro ir para aquelas bandas.

Durante os últimos anos, desde que o meu pai teve o AVC, ou seja, talvez há uns 17 ou 18 anos, deixámos de fazer passeios grandes. Creio que o último foi a Amesterdão e a Paris, em que estando o meu pai já doente, nos pareceu que eram destinos relativamente perto e que, numa emergência, facilmente arranjaríamos voos de volta. Tirando isso, que me lembre, só por Espanha e isso fomos várias vezes, sobretudo adoro San Sebastian, ou, a França, só quase de raspão. Começámos a gostar de descobrir Portugal. Ah, não. Ainda fomos até ao sul de França e até Itália, já nem me lembrava. Mas o facto é que não me sentia bem, indo para longe. Nesse período também os pais do meu marido estiveram mal, internados, em tratamentos complicados, a ter que ir a consultas. E o meu pai tinha o seu estado a deteriorar-se inexoravelmente. Depois foi a minha mãe que foi operada ao cólon, também com um cancro. Tudo me tolhia. De vez em quando, algum ia para as urgências, ficava na corda bamba, e custava-me pensar que não conseguiria andar descansada a passear longe do país, quando a todo o momento a coisa poderia descambar. Quando todos se foram e ficou só a minha mãe, que eu julgava que era saudável, pensei que finalmente poderíamos sentir-nos livres para fazermos o que quiséssemos. Mas aí foi ela que derrapou, todos os dias tinha qualquer coisa, sempre como se estivesse muito mal mas sem dar pistas que dessem para perceber o que tinha. De médico em médico mas, segundo ela, nenhum acertava. E era sempre uma urgência, uma crise grave. Nessa altura obviamente não era possível irmos para longe. Aliás, até irmos para o campo era uma crise. Chegava a não lhe dizer nada pois parecia-me que já era psicológico, se sabia que eu ia, mostrava-se ainda mais ansiosa, temia que eu não chegasse a tempo para a levar para as Urgências. Uma vez tivemos que regressar à pressa, eu num sufoco, pois ela achava que estava muito mal, tinha que ir para o hospital, e, naquelas suas decisões, recusou-se a chamar uma ambulância, quis que eu fosse buscá-la a casa e eu a pensar que poderia não chegar a tempo. 

Agora que já não há ninguém que nos prenda, há outra coisa: mudámos. Já não somos os mesmos. E há o cão. O pobre coitado sofre imenso quando está longe de nós. Custa-nos deixá-lo durante muito tempo. Mas nem é o cão. Somos nós. Talvez nos tivéssemos tornado comodistas. Talvez nos custe afastar-nos muito de casa. E depois também parece que já não há aquele interesse em ir ver o que nunca se viu. Dantes, quando fazíamos uma viagem, tínhamos os guias Michelin, tínhamos os livros de viagens, planeávamos o que iríamos ver recorrendo a isso. Íamos de facto descobrir o que não conhecíamos, Agora é diferente. Se tenho curiosidade em saber como é alguma coisa, pesquiso, está tudo disponível. 

É como quando eu ia a Madrid: adorava. As exposições, as ruas, os parques, as lojas. Tudo me parecia novidade, diferente. Agora já tudo me parece déjà vu. Mesmo aquele estímulo que eu tinha, de andar produzida, de descobrir lojas boas com modelos que não encontrava cá, agora já não tenho. Não só não preciso de mais roupa como já há cá praticamente todas as lojas que há lá.

Contudo, admito que seja uma fase. Talvez esteja a curtir o momento, aquela fase boa em que posso estar em casa, em que posso não ter horários, em que posso existir ouvindo os pássaros, olhando o jardim, lendo um livro, indo passear até à beira-mar, olha as ondas. Talvez que dentro de algum tempo pense: 'pronto, agora também já chega, bora lá passear.'. Pode ser. A vida é feita de mudança.

Mas, até lá, aqui estão quarenta lugares considerados belos de mais para não serem conhecidos. Bora lá vê-los...?

40 Patrimónios Mundiais da UNESCO que tem de visitar antes de morrer 
- Vídeo de Viagem em 4K

Descubra as maravilhas mais deslumbrantes do mundo no nosso vídeo: “40 Patrimónios Mundiais da UNESCO que Precisa de Visitar Antes de Morrer”. Estes marcos icónicos e tesouros escondidos representam a cultura, a história e a natureza na sua melhor forma. De cidades antigas a paisagens naturais de cortar a respiração, esta lista vai inspirar a sua próxima aventura!

Quer seja um viajante, um amante de história ou alguém que procura riscar itens da sua lista de desejos, estes destinos são imperdíveis. 

 

Caso queiram ir direitinho a algum destino, aqui ficam os links para o ponto do vídeo (directamente no youtube):

00:00  – Introdução
01:09 – Calçada dos Gigantes, Irlanda do Norte
02:10 – Alhambra, Espanha
03:27 – Baía de Ha Long, Vietname
04:37 – Capadócia, Turquia
05:48 – Mont-Saint-Michel, França
06:54 – Chichen Itza, México
08:02  – Parque Nacional do Serengeti, Tanzânia
09:13 – Machu Picchu, Peru
10:23 – Grande Muralha da China, China
11:29 – Petra, Jordânia
12:34 – Parque Nacional de Yellowstone, EUA
13:38  – Taj Mahal, Índia
14:40 – Templos de Quioto, Japão
15:48 – Cataratas do Iguaçu, Argentina/Brasil
16:54 – Angkor Wat, Cambodja
18:00  – Terraços de Arroz de Banaue, Filipinas
19:07 – Costa Amalfitana, Itália
20:36 – Ilhas Galápagos, Equador
22:01 – Grande Barreira de Coral, Austrália
23:13 – Veneza, Itália
24:14 – Meteora, Grécia
25:49 – Bagan, Myanmar
27:04 – Lagos de Plitvice, Croácia
28:35 – Ilha da Páscoa, Chile
29:38 – Santorini, Grécia
31:01 – Parque Nacional de Banff, Canadá
32:07  – Cidade Velha de Dubrovnik, Croácia
33:30  – Parque Nacional de Yosemite, EUA
35:02 – Pirâmides de Gizé, Egito
36:03 – Stonehenge, Inglaterra
37:07 – Great Smoky Mountains, EUA
38:14 – Mesquita Azul, Turquia
40:01 – Cataratas Vitória, Zâmbia/Zimbabwe
41:02 – Bora Bora, Polinésia Francesa
44:18 – Louvre e Paris Histórica, França
45:55 – Floresta Amazónica, África do Sul América
47:39 – Alpes Suíços, Suíça
53:34 – Antártida
55:40 – Aurora Boreal (Luzes do Norte)
57:13  – Pamukkale, Turquia
01:00:07 Considerações Finais

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Desejo-vos um belo dia

quarta-feira, março 25, 2026

Hábitos simples, vida melhor
[Inclui uma receita de galinha com massa e não só]

 

Durante quase toda a minha vida tive a sensação de que andava sempre de um lado para o outro. Enquanto estudava na universidade, quando, chegado o fim de semana, tantas vezes tinha vontade de ficar na grande cidade, sem nada que fazer, só passear e ir ao cinema, mal chegava a tarde de sexta-feira aí estava eu a ir para casa. E só vinha na segunda de manhã. Levava e trazia roupas, livros. Sempre carregada. Depois comecei a trabalhar e ia para a escola onde dava aulas, ia para a faculdade, ia para a casa onde morava, ia para casa dos meus pais. Depois casei e praticamente mantive a mesma rotina pois, sendo tão novinha, receava que os meus pais sentissem a minha falta e ia lá todos os fins de semana. E depois mudei de emprego e tinha que apanhar vários meios de transporte para lá, para cá. Saía muito cedo, regressava muito tarde. Vieram os filhos e tinha que os levar ou a casa da avó ou à creche e ir trabalhar e o recíproco à tarde, e, ao fim de semana, ir visitar os meus pais. Depois comprámos a casa no campo e, mal chegava a sexta à noite ou o sábado de manhã, lá íamos carregados para lá, regressando no domingo à noite. Pelo meio, durante muitos anos, com frequência passávamos o sábado ou o domingo com amigos e, também durante algum tempo, íamos para a noite, os miúdos ficavam com os meus pais, e só regressávamos de madrugada. E passava o fim de semana e sentia que mal tinha descansado.

Depois, com as doenças de sogros e, depois, dos pais, todos os fins de semana tinham que esticar para haver tempo para lá ir, muitas vezes com compras que tinham que ser feitas previamente. 

E sempre foi isto, de um lado para o outro, sacos e mais sacos, o tempo escasso, mil coisas para fazer.

Pelo meio havia as deslocações em serviço, as saídas e, quando os miúdos cresceram, passámos a ir umas cinco ou seis vezes por ano para fora, muito recorrentemente a Madrid, cidade de que gostamos muito.

Mas, quando vinham as férias 'grandes', tudo o que me apetecia era ficar quieta, em casa. Mas íamos para o Algarve ou sul de Espanha, também, embora menos, para sul de França, e íamos para o campo, íamos todos os dias para a praia, e, sempre, a apetecer-me estar sossegada, a desfrutar a casa. Os caranguejos são bichos caseiros.

Estou agora a desfrutar. Mas sei que tenho que ter cuidado para não ficar eremita militante. Contudo, como várias vezes aqui o confesso, tenho finalmente a vida tranquila que, ao longo dos anos, tanto desejei. 

Acordar e abrir as janelas, ir para o terraço, olhar o céu, fazer festas ao cão, cozinhar*, jardinar, arrumar, caminhar, praticar actividade física, ler, escrever, fotografar, observar a natureza, ouvir os pássaros, respirar ao sol, conversar, saber que os meus estão bem, que têm os seus planos, que fazem o que gostam, que têm a sua vida realizada e motivação para ir atrás das suas vontades - tudo isso me acalma, me faz feliz. Foi por isto que tanto esperei.

Agora à noite, ao ver o youtube, um dos meus prazeres, apareceu-me, mais uma vez, um daqueles vídeos sobre os hábitos japoneses com que tanto me identifico. O vagar, o prazer das coisas simples, os hábitos tranquilos, a compreensão de que apenas o que é natural -- natural no sentido do contacto e respeito pela natureza -- me deixa verdadeiramente feliz.

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Gosto de cozinhar, em especial quando tenho a casa cheia. Mas, quando isso acontece, a verdade é que lamento sempre não ter um fogão e um forno maiores, pois cozinhar para muita gente é muito condicionador. Se a tachada é grande demais, por vezes não é fácil apurar, ou, se é no forno, não cabe tudo ao mesmo tempo, tem que ser por etapas, e isso complica a fluência, a sequência, que se quer ágil e ininterrupta.

Cozinhar só para nós dois permite-me fazer cozinhados feitos à nossa medida. Não tenho que pensar em pratos de que todos gostem, incluindo a malta miúda, e isso nem sempre é fácil pois uns não apreciam isto, outros não acham muita graça àquilo. Só para nós dois é simples.

Por exemplo, hoje fiz galinha com massa. E foi assim:

Num tacho, coloquei azeite, duas cebolas grandes. Dourei. Juntei uns quantos dentes de alho, duas folhas de louro fresco. Juntei, então, bocados de galinha. A galinha do campo, que tem carne mais rija, é bem mais saborosa que o frango. Envolvi e selei durante um bocado. Juntei uma cerveja mini e um pouco de sal. Ficou ali a cozinhar um bocado. Depois juntei um alho francês e salsa. Envolvi e deixei cozinhar em lume brando. 

Quando a carne já estava quase macia, juntei três cenouras aos bocadinhos, uma punhado de feijões verdes aos bocados e 2 beringelas (com casca, bem entendido) também aos bocados. Juntei mais um copo de água a ferver. Ficou a cozinhar. Quando a beringela já mal se via, juntei penne integral. Quando estava já cozinhado, juntei um pouco de vinagre de maçã e envolvi. 

Ficou a modos que caldoso, mas um caldo espesso, muito saboroso. Os legumes estavam desfeitos, a carne super macia e tudo envolvido em creme saboroso, quase como se tivesse levado natas. Mas, claro, nada de natas. A textura das beringelas desfeitas agrada-nos muito. O caldo, no fundo, é só legumes e tudo sempre cozinhado em lume branco, slow cooking.

E, ao passo que, quando trabalhávamos, jantávamos sempre às nove e tal quando não às dez, agora jantamos às oito ou mesmo um pouco antes. E é bom. Daqui a nada os dias estarão maiores e jantaremos de dia, e isso é muito agradável.

Mas adiante. Que venham os hábitos japoneses que são simples e, segundo consta, também saudáveis.

10 hábitos japoneses gratuitos para se manter jovem e energético

"Envelhecer é inevitável, mas a ferrugem não." No Japão, a longevidade é tratada como uma arte refinada — um efeito colateral natural do equilíbrio, e não uma batalha contra o tempo. Descubra 10 rituais atemporais, desde o movimento matinal do "Asa Taiso" até o propósito profundo do "Ikigai", que podem adicionar não apenas anos à sua vida, mas vida aos seus anos.

Neste vídeo, exploramos como alinhar seus ritmos diários com a natureza para alcançar clareza, mobilidade e paz. É hora de parar com a correria e começar a cultivar um estilo de vida onde a vitalidade surge da simplicidade.


Desejo-vos um dia feliz