sábado, julho 20, 2024

Histórias de Vida:
a importância que ter uma bolsa tem na vida de tantas pessoas

 

Como vem sendo hábito nos últimos tempos, não li ou ouvi notícias até ter agora ligado a televisão (e é quase meia noite) e isto não é nada mau. Nem espreito no telemóvel nem vejo notícias durante o almoço. Abstinência quase absoluta.

Para além de idas às compras ou ter ido com o lovely dog ao tratamento e de termos feitos as nossas duas caminhadas diárias, e para além de preparar as refeições e etc. sobretudo estivemos de roda do jardim. Como estou numa onda libertina, receptiva a desbastar fortemente alguns arbustos, o meu marido está nas suas sete quintas. De forma inédita, temos estado alinhados na abordagem à coisa e a verdade é que, fruto disso, o jardim parece estar a ganhar uma nova vida. Estou encantada. Já olho para cima a ver se há mais que possa ser cortado. A quantidade de ramos e de grandes folhas (como, por exemplo, as do filodendro que está gigante) que têm sido cortadas é inenarrável. O jardim agora respira, há novos espaços, mais luz. 

A alegria que isso me dá é difícil de explicar.

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Agora, ao 'ligar' o youtube, apareceu-me o vídeo abaixo em que Lídia Jorge explica como uma bolsa que lhe foi atribuída pela Fundação Gulbenkian. Confesso que não sou fã da escrita de Lídia Jorge mas acho que é uma pessoa empenhada, franca. E a sua casa algarvia é bem bonita.

Mas, a seguir, ao pesquisar, fiquei a saber de outras histórias de vida em que a bolsa Gulbenkian foi identicamente determinante. Partilho convosco pois há assuntos dos quais nem sempre nos lembramos e, na verdade, como é relevante que quem tem uma vontade intrínseca e não tem meios para a cumprir possa receber uma ajuda. Uma bolsa, nestes casos, é uma alavanca que pode mudar uma vida.

Histórias de Vida: Lídia Jorge

A premiada escritora Lídia Jorge fala-nos da importância que a atribuição da Bolsa Gulbenkian teve no seu percurso pessoal e profissional, destacando as suas passagens por Angola e Moçambique, que influenciaram decisivamente a sua escrita.


Histórias de Vida: Pedro Tochas

A História de Vida do multifacetado ator, comediante, malabarista (e até palhaço!) português que, como Bolseiro Gulbenkian, foi estudar para a Academy of Circus Acts & Physical Theatre, em Bristol.

Histórias de Vida: Marcelino Sambé

Marcelino Sambe, bailarino principal no Royal Ballet, em Londres, conta-nos a sua História de Vida. Antigo bolseiro Gulbenkian, Sambé fala-nos do seu percurso pessoal e artístico e conta-nos como surgiu a Dança enquanto interesse profissional. Conheça neste vídeo esta fascinante história!


Histórias de Vida: Manuel Cargaleiro

A História de Vida de um dos mais reconhecidos artistas plásticos portugueses, em Portugal e no Mundo, também bolseiro Gulbenkian, que divide os seus dias entre Lisboa e Paris.

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Um bom sábado

sexta-feira, julho 19, 2024

A fera ferida

 

Tenho tido uns dias daqueles, já aqui contei. Mas há uma que ainda não contei. 

O nosso cãobeludo, temível fera que nos defende contra tudo e contra todos, é, na realidade, um serzinho que fica infeliz e altamente carente quando não está connosco. 

Estivemos fora, umas belas férias a sul, e deixámo-lo no que nos pareceu o melhor lugar possível e onde já tinha ficado quando estivemos no País Basco, por alturas da Páscoa. Na altura, não fomos nós que o levámos e parece que não correu mal de todo.

Desta vez, fomos levá-lo e ele, quando viu que ia lá ficar e que nós nos estávamos a ir embora, ficou num desconsolo, a atirar-se às redes, a chorar, um desatino.

De vez em quando, a dona do hotel canino mandava-nos vídeos a dizer que ele ainda estava tímido mas que estava bem. Mas o que eu via era um cãozinho triste, a olhar para o lado, sem interagir, ignorando a pessoa que falava com ele enquanto o filmava.

Depois disseram que ele estava com alergia no peito. Estranhámos. Alergia a quê?

Quando o fomos buscar fiquei impressionada pois vi logo que estava nervoso, ansioso, desfigurado, parecia que tinha os globos oculares para fora e as orelhas todas para trás, coladas à cabeça, parecia que estava sem orelhas.

Ficou doido de alegria ao ver-nos e, aos poucos, fisicamente normalizou. Mas estava reactivo, ansioso, diferente do habitual.

Ontem, por causa do estado em que tinha o peito, já fomos ao veterinário (horas! como em tudo nestes últimos dias, horas de espera, horas, horas, um desespero...!) e o que nos disse que é que deve ter sido stress, que deve ter ficado com o sistema imunológico reduzido, lambendo-se e criando sensibilidade e irritação na pele. E agora, como coça o peito, já está em ferida, e todo encarnado escuro.

E tem que aplicar um produto mas, reactivo como está, mal nos vê com o medicamento na mão, começa a rosnar, a fazer dentinhos, e, claro, foge. Se o queremos prender para lhe aplicar aquilo mostra com aviso sonoro e os enormes dentes que é prudente não nos arriscarmos. Portanto, não melhora.

O veterinário disse que tínhamos que lhe pôr um colar isabelino. Só que o problema maior agora é coçar-se e isso não vai resolver-se com o colar. E aquele funil de plástico enerva-o, incomoda-o, anda a bater com aquilo em todo o lado. Ora, com os stresses todos por que têm passado, não queremos estar a sujeitá-lo a ainda mais essa.

Como se não bastasse o pobre bichinho já andar stressado e incomodado com o peito em ferida, ontem de manhã, quando o meu marido foi caminhar com ele, foram surpreendidos com um cão gigante à solta que correu para cima da nossa ferinha. Tendo um tamanho muito maior que o nosso, saltou-lhe para cima e pô-lo de rojo pelo chão, a mordê-lo nas costas e no pescoço. O meu marido tinha-o pela trela e tentou separá-lo mas claro que teve a maior dificuldade. Gritou por socorro mas não apareceu ninguém e pensou que a besta gigante ia matar o nosso fofo bichinho. Depois, não tendo como afugentar o outro, que ladrava e rosnava e mordia o nosso, viu um contentor de lixo vazio e conseguiu dar-lhe um pontapé para cima do cão. Entretanto apareceu um senhor que abriu o portão para o meu marido entrar e, com o contentor ou com o facto de apareceu esse senhor e depois mais outro, o meu marido lá conseguiu puxar o nosso e fechar-se no jardim do senhor.

Finalmente o outro foi-se embora e o meu marido lá conseguiu sair e vir para casa. O meu marido vinha um bocado transtornado e o nosso cãobeludinho vinha encharcado da baba da outra fera horrível e vinha assustadíssimo. Deitou-se, encolhido, sem se mexer. Felizmente, e milagrosamente , não ficou ferido. Foi o pelo que o salvou. Com pelo curto, teria ficado desfeito. Mas se não ficou rasgado, ficou certamente dorido, traumatizado. 

Mas, portanto, se passou pelo stress de se ver abandonado pelos seus adorados donos, agora passou pelo stress de ser atacado por uma besta gigante.

Liguei para a polícia. Pensei que iriam tentar apanhar o cão. Contudo, passada para aí hora e tal, tocaram-nos à campainha. Três polícias armados, com a artilharia toda à cintura, perfumados e simpáticos. pediram a identificação do meu marido e a do cão com o respectivo boletim de vacinas. Quanto ao cão à solta, admitiram que já não o achariam e disseram que, se ainda estivesse à solta, teriam que resgatá-lo e que seria uma situação complicada. Portanto, lá se foram.

Hoje fomos comprar um bastão de caminhada para levarmos pois servirá, pensamos nós, para tentar afugentar um possível agressor. Claro que se eu estiver com eles, será mais fácil pois estar a segurar a trela de um cão a ser agredido tentando protegê-lo não deixa muita margem para, ao mesmo tempo, manobrar um bastão.

Mas, portanto, tem sido isto. 

Quando vínhamos de comprar o bastão e de comprar umas coisas no Leroy, ainda parámos no supermercado para trazer um frango assado e taboulé pois já ando sem energia, já não me apetecia ainda pôr-me a cozinhar. 

E agora, ao estar aqui a escrever isto, adormeço de minuto a minuto. Dá ideia que estou a precisar de férias desta sucessão de maçadas, de não ter ralações em cima umas das outras, de poder estar sem nada em que pensar, sem ter que ir a lado nenhum. 

Mas adiante. 

O meu marido tem andado a dar volta ao jardim. Arrancou um arbusto seco, depois estivemos os dois a podar e a dar um jeito engraçado a um outro arbusto, estive a cortar ramos desnecessários num outro. Agora o jardim está mais amplo, mais arejado, mais bonito. Dá ideia que finalmente o jardim está a ficar mais a nosso jeito, e isso agrada-me muito, nada que se compare com quando cá andavam os pseudo-jardineiros. 

No meio de tudo há sempre momentos bons e isso é que é preciso.

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Maria Bethânia - "Fera Ferida"

[Nada a ver com o tema do post]

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Dias felizes

quinta-feira, julho 18, 2024

O estado da nação aqui por casa
(aqui por casa e não só...)

 

Pois é. Continuo cheia de afazeres e, em todo o lado, a ter que esperar horas para ser atendida. Chego a um sítio e está um cliente com um funcionário em cada balcão ou secretária. E assim ficam, os mesmos, por mais de meia hora, se não mesmo uma hora. Não sei se as pessoas andam carentes e vão confraternizar para os espaços de atendimento ao público. Fico possessa, apetece-me ir mandar vir, insultar, desafiar as pessoas a irem conversar para outra banda. Depois respiro fundo, interiorizo que não ganho nada em estar enervada, forço-me a ser zen. O tempo passa, ninguém se despacha, sinto-me a desesperar e eu nada, caladinha. Por vezes penso que, em situações assim, seria normal que alguém se passasse, desatasse aos berros, aos pontapés, puxasse pelos cabelos os clientes que se sentam a conversar na maior das calmas. Avalio se poderia acontecer isso comigo. Concluo que não, sou demasiado atada para dar escândalo, não tenho voz para gritar de forma que imponha respeito. Ainda me saía um gritinho de falsete que pusesse toda a malta a rir à gargalhada.

Hoje, antes de mim, entrou  uma figura. Primeiro estive sem perceber se era um binário ou uma não-binária. Não estou a gozar, estou a falar a sério. O ser estava vestido de uma forma bizarra. Tudo em branco, uns calções largos abaixo do joelho, uma blusa branca, larga, de alças, com uma abertura nas costas e com um capuz. E um penteado que não dá para acreditar, empeçado, ripado, uma ponta para cima, outra para baixo, outras para o lado, cada ponta de seu tamanho, e como se contivesse carradas de laca ou, então, sujidade. Quando se virou, pareceu-me que seria um homem novo ou, então, uma mulher jovem em processo de transição. Ou vice-versa. Ou poderia não ser nada disso e estar simplesmente maquilhad@ ou, então, nem sei bem dizer. Uma figura que, vistas bem as coisas, até tinha a sua graça. E tinha uma argola no nariz e piercings variados numa das orelhas. E por todos os braços, costas, peito e pescoço, tatuagens de monstros, caras assustadoras como se a gritar, de boca aberta, algumas com sangue a escorrer dos dentes. Quando ficou, de novo, de costas para mim vi que tinha tatuada no pescoço a palavra humanoid. Tinha um ar infeliz. Fiquei intrigada. O que estava aquele ser a fazer ali? Claro que não se pode concluir nada pela aparência mas, fazer o quê?, uma pessoa, mesmo sem querer, tem preconceitos. Quando se virou de novo, fiquei com a impressão que é alguém conhecido aí do mundo artístico. Ou, quiçá, do mundo dos influencers. 

Quando chegou a vez, dele temi que fosse uma alma atormentada à procura de amparo e que tão cedo não desamparasse dali. Afinal não, nem um minuto, pelos vistos tinha ido ali ao engano. Lá se foi, cabeça baixa. 

Mas com isto e com aquilo, a verdade é que, nos últimos três dias, tenho saído de casa de manhã, regresso de tarde, e hoje, como havia outros compromissos, ainda foi pior. Eram para aí umas oito e tal, talvez nove da noite, enfiei-me na banheira para um duche a pensar que estava mesmo a precisar de me refrescar e de me sentar a descansar. Eis senão quando o meu marido apareceu à porta a perguntar se íamos fazer uma caminhada. A minha vontade foi dizer que nem pensar, que não conseguia. Mas depois lembrei-me que ainda não tinha andado, que se calhar até me saberia bem caminhar ao lusco-fusco. 

E assim foi. Soube-me bem, sim senhores.

Conclusão: jantei às dez da noite. E, para vossa informação, o meu jantar foi:

Salada de alface, cenoura ralada, um pêssego cortado aos bocadinhos, sementes daquelas que se compram para saladas, queijo fresco de cabra, tudo temperado com orégãos e com azeite. E fiquei bem. Para sobremesa, um pequeno quadrado de chocolate preto.

Portanto, como poderão compreender, não tenho nada a dizer sobre o Montenegro, sobre o Estado da Nação, sobre a legionella que se alojou na Presidência ou sobre a covid que veio atrapalhar ainda mais o Biden. E não tenho nada a dizer simplesmente porque não tenho informação, só tenho sono.

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E como, uma vez mais, o post padece desta pobreza franciscana, para tentar que não vão daqui com vontade de reclamar o preço do bilhete, partilho uma conversa que tem bolinha no canto não porque o tema seja cabeludo mas porque aquele ali não levou pimenta na língua quando era pequeno.

Mas, agora que escrevi que o tema não é cabeludo, estou aqui a pensar que é cabeludo, sim. Aliás é, até, chifrudo. 

Vade retro Satana.

Antonio Tabet tentou SALVAR a Jéssica na entrevista de emprego! 
| Que História É Essa, Porchat?| GNT


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Dias felizes

quarta-feira, julho 17, 2024

Vítima de bots, de burocratas e da prepotência de incertos.
Salvou-se uma bela caldeirada de sardinha (receita incluída) e os trabalhos de jardinagem

 

Continuo nas minhas aventuras burocráticas. Uma amiga, quando teve que tratar de assuntos resultantes do falecimento primeiro dos pais e depois da sogra, chegou a um ponto em que, de cada vez que tinha que ir a repartições, conservatórias ou afins, dava-lhe vontade de chorar. Sentia-se impotente, à mercê, derrotada.

Assim estou quase eu. 

Pela terceira vez de ir ao mesmo sítio, primeiro porque a pessoa, a única habilitada a tratar daquilo, não estava, segundo porque, tendo eu levado todos os documentos que li nas instruções, segundo a dita pessoa entendida, ainda faltava mais um. Hoje lá me apresentei de novo carregada de todos os documentos possíveis e imaginários. De facto estava tudo mas, azar, a minha situação não estava actualizada no sistema pois estou reformada e ainda não o tinha actualizado lá (pois não fazia a mínima ideia que tinha que fazê-lo). E, para a dita pessoa proceder a essa actualização, tinha que ter um comprovativo. Podia ser a declaração de rendimentos para efeito de IRS. Ora como é que eu ia ali ter isso comigo...? Não tinha, não é?

Comecei por me sentir rasteirada, agredida. Mas não me deu para chorar, deu-me para ficar furiosa. 

Depois de grande e assertiva negociação, lá consegui que avançasse com o processo, garantindo-lhe eu que lhe enviaria o documento por mail. Não queria, não podia fazer uma coisa sem ter ali o comprovativo, e isso bloqueava todo o processo.

Horas, horas, horas.

Segundo ela são regras novas para garantir isto e aquilo e aqueloutro e que também há cada vez menos pessoas, anda toda a gente pressionada, com muito trabalho, não conseguem ter cabeça para ajudar as pessoas como deve ser. 

Uma desgraça. Para tudo o que não é banal e que não se consegue fazer online (porque há coisas que têm que ser presenciais), estamos no mato.

Por fim, lá acreditou que lhe enviaria o documento mal chegasse a casa e lá avançou com o assunto.

Um desgaste...

Depois, à tarde, em casa, ao querer fazer uma operação bancária banal e que requeria códigos e tretas e que me enviariam mais um código por mensagem no telemóvel, não recebi a mensagem. Depois de várias tentativas (com a sessão a ir abaixo de cada vez que passavam mais uns minutos, por razões de segurança), liguei para o número que lá indicavam. Fui atendida por uma voz que se anunciou pelo nome, uma assistente virtual. Pediu que eu dissesse o que queria. Disse devagar mas a gaja (vou chamá-la assim pois a burra deu-me conta do juízo) percebeu outra coisa. Várias tentativas, em que fui dizendo de maneiras diferentes ('Não recebo mensagem no telemóvel', 'não recebo código por mensagem', etc) e a estúpida a perceber tudo ao lado. Por fim, em novo telefonema, resolvi outra abordagem: 'Quero falar com um funcionário'. E ela 'Não percebi o seu pedido, diga outra vez'. Repeti. Desta vez a gaja teve outra abordagem 'Digite o NIF'. Lá digitei e ela 'agora diga devagar o que pretende'. E eu: 'Falar com pessoa'. E de cada vez que me pedia que repetisse eu dizia: 'Falar com pessoa'. Por fim, lá disse que ia transferir para um assistente. Quando me apareceu um ser humano do outro lado senti uma alegria que não imaginam. O problema é que as mensagens estavam a ir para o spam das mensagens de telemóvel e o rapaz lá me disse como confirmá-lo e como des-spamizar aquele número. Simples... mas o que desesperei para que me aparecesse uma pessoa de verdade para me ajudar...

Eu não sei para onde é que estamos a caminhar mas pode acontecer que um dia tudo ou quase tudo esteja entregue a bots e a tretas que nos façam a vida negra. Queremos que alguém nos ajude a fazer uma coisa simples e não conseguimos chegar a esse alguém porque, pelo meio, temos uma máquina que nos barra o caminho e nos leva ao desespero.

Tirando isso, só posso dizer que, ao pé disto, andar a fazer de ajudante de jardineiro é uma felicidade. O meu marido anda com a máquina corta-relvas e eu vou recolhendo a relva cortada que se junta no depósito e levo-a para a horta. Até lhe disse que poderíamos começar a oferecer os nossos serviços de jardinagem à vizinhança. Ele ocupava-se dos trabalhos mais pesados que requerem maquinaria mais pesada (cortar a relva, serrar ramos de árvores, desbastar sebes) e eu do trabalho menos nobre e mais miúdo, varrer, despejar lixo, amparar as trepadeiras. Não achou graça.

E ainda houve outro aspecto positivo. Pensava que de manhã, levando a papelada todíssima, me despacharia cedo. Como surgiu toda aquela confusão, acabei por me despachar tarde. No caminho para casa pensei que o melhor era irmos comprar qualquer coisa para o almoço. Ele ficou no carro e eu fui numa corrida. Vi umas sardinhas vivinhas da costa e não lhes resisti. Mas depois pensei que ir assá-las talvez não. Então lembrei-me de fazer caldeirada de sardinhas. Bolas... que bem cheirava... Ficou mesmo boa.

Fiz assim: 

Comecei por escamar bem as sardinhas. Não pode haver escamas numa caldeirada. Não tirei as tripas pois acho que ajudam a dar um sabor mais encorpado.

Descasquei batatas daquelas de casca roxa. Lavei tomates. Descasquei cebolas e cenouras.

Num tacho largo coloquei no fundo as duas cebolas grandes às rodelas grossas. Por cima, coloquei tomate maduro, talvez uns cinco. Por cima, duas cenouras grandes às ripas (Usei cenouras pois as cenouras cortam a eventual acidez dos tomates). Por cima, as batatas às rodelas grossas. Coloquei um pouco de sal. Por cima as sardinhas. Por cima destas, uns bons bocados de pimentos. Depois, mais dois tomates maduros às rodelas. E, para finalizar, salsa em quantidade generosa. E mais um bocadinho de sal. No fim, tudo bem regadinho por azeite. 

Tacho tapado e lume ao máximo. Quando começou a ferver, baixei o lume. Passado um bocado (não sei bem quanto, no mínimo uma meia hora) espetei as batatas. Já estavam macias. Desliguei e deixei o tacho tapado, a apurar.

Pois digo-vos que estava mesmo saborosa. Colocámos umas fatias de pão de Rio Maior no prato e servi a caldeirada por cima, com o caldo. Não pus água nenhuma, o caldo era só os sucos dos próprios ingredientes.

Mas, com tudo isto, não tenho conseguido pegar num livro nem escrever nem sequer tirar um cochilinho. Mas, pronto, todos os males fossem estes. Haja saúde. E boa disposição. 

Bola para a frente. 

terça-feira, julho 16, 2024

Tornar-me jardineira e agricultora ou... nem por isso...?

 

Hoje o dia foi daqueles. Muita a coisa a tratar, muita burocracia, os serviços lentos, reduzem-se pessoas, tudo fica complicado, perdem-se horas. Cansam-me estas coisas. Almocei perto das 5 da tarde e não fiz algumas coisas que, para mim, eram prioritárias. 

E acresce que estamos na era dos caranguejos. Dantes era o meu pai que começava. Agora já sou eu, É verdade, Filo, é verdade. O tempo passa e a gente soma e segue. E, enquanto for assim, está-se bem. Venham eles que a gente cá está para os pegar de frente. 

A seguir a mim vem o meu filho e depois vem um dos meus netos. E logo de seguida chega uma avalancha de leões. 

E isto é a vertente boa, convivial e festiva. 

Mas depois, no meio de tudo, deixámos de ter jardineiro. Era uma luta que eu travava. Só faziam o que queriam e não percebiam patavina de jardinagem. A missão deles, na óptica deles, era limpar as folhas secas e aparar a relva. Ponto. Porque eu lhes pedia, podavam uma sebe de buganvílias mas faziam-na à bruta, sem pitada de competência, ou seja, de uma maneira que nunca conseguia florir. Quando lhes pedia para apararem a cameleira não faziam ideia do que era a cameleira 'É melhor a senhora vir dizer qual é para não ter como errar". Quando pedia para cortarem os rebentos ladrões de um arbusto, perguntavam: 'Ah é? Quer, é? Então, sim, a gente corta.'. Se eu não dissesse, por eles não viam o que tinham que fazer. Ramos velhos que mereciam corte, era coisa que não lhes despertava qualquer interesse. Trepadeiras a avançarem para cima do telhado, correndo o risco de levantarem as telhas era matéria transcendente que parecia não lhes despertar a mínima preocupação. Para eles, isso não estava dentro do âmbito. E, se faziam uma coisa, já não faziam outra. Depois era semanas em que iam de férias e se, na semana seguinte, o dia calhasse a um feriado e, ao todo, na prática ficassem 1 mês sem cá pôr os pés, por eles não havia problema. E a gente a pagar. E o ano passado quiseram um aumento de 20%. Protestei, a inflação não era nada disso. Este ano, vieram com aumento de 10%. Protestei outra vez. A inflação nem 5% é, como um aumento de 10%? Respondeu que não se fiava nos números da televisão, que ele é que sabia o preço das coisas e os aumentos que os 'meninos' pediam, não eram cá os da televisão, mas, se não quiséssemos, não haveria problema, ficávamos amigos. E clientes não lhe faltam. Não gostámos. Estávamos fartos e aqueles modos foram a gota de água.

Portanto, o assunto agora está connosco. Mas parece que até está melhor. Aquela sebe de buganvília está linda, toda florida, nunca a tinha visto assim. 

Mas tivemos que ir comprar um corta-relvas. E já combinei que amanhã temos que levar o escadote lá para fora pois há uma trepadeira cujas guias estão soltas em vez de seguirem por onde devem. O meu marido protesta, claro. Por vontade dele, cortava tudo a eito pois é quase como os jardineiros-estouvados que se estavam nas tintas para tudo o que é jardinagem propriamente dita. E o filodendro, gigante, está com os troncos descaídos tal o peso, temos que pôr uns paus a segurá-los. O meu marido diz que aquilo é um peso grande demais para nós dois conseguirmos fazer isso. Mas acho que temos que tentar.

Também tinha uns vasos que estavam raquíticos. Claro que regar vasos ou tratar das flores dos vasos era coisa totalmente fora do radar dos pretensos jardineiros. Podiam os vasos estar com plantas secas ou cheios de folhas velhas que eles não estavam nem aí. Comprei adubo líquido e tenho posto na água do regador e a verdade é que já começaram a espevitar.

No outro dia, quando estive a falar com a anterior proprietária da casa, constatei que ela já tinha despachado os jardineiros dela, diz que de jardineiros não tinham nada, que o marido se passou com eles, que agora é o marido que trata sozinho do jardim. Não eram os mesmos que os que vinham cá mas pela descrição pouco diferiam. 

Mas, enfim, é mais um trabalho. No outro dia, na piscina, uma colega sugeria que eu fizesse uma horta, que plantasse legumes, dizia-me ela que os tomates, as alfaces, as cenouras, etc, que consome são todos da sua horta. E já nem falo no meu filho que, volta e meia, sugere que tenhamos capoeira com galinhas. Mas nem pensar. Galinhas que têm que ser alimentadas todos os dias e que nos impediriam de sair de cá e uma horta a cuidar, regar, apanhar ervas daninhas e caracóis...? Em abstracto é lindo. Legumes e ovos e tudo biológico... Mas qualquer dia estávamos escravos de afazeres em cima de afazeres em cima de afazeres. Não... Quero sossego. Ambiciono algum descanso. Ando com vontade de escrever... mas querem acreditar que há não sei quanto tempo que não tenho tempo...?

Quando me perguntam o que é que tenho feito até fico sem saber o que dizer pois a verdade é que toda a gente pensa que os reformados são gente ociosa, sem nada que fazer, velhinhos especados em frente da televisão. Mas a verdade é que eu não paro, parece que não tenho tempo para nada. Hoje saí de casa de manhã, regressei perto das cinco, esgalgada de fome. Depois tomei banho, passeámos o cão, voltámos a sair, regressámos tarde. Ontem à noite tinha pensado que de tarde conseguiria sentar-me em frente ao computador e conseguiria escrever qualquer coisita. Sim, sim. Népias.

Que coisa mais inexplicável, não é?

E, pronto, é isto. 

segunda-feira, julho 15, 2024

Dias felizes

 

Devo dizer que tenho vivido dias felizes. Com os que me são mais queridos juntos, todos bem dispostos, a conversa a fluir de gosto, todos em volta da mesa, com a casa cheia, com a maluqueira nocturna que me fez rir de gosto, com o madrugar bem mais cedo do que me é habitual, com a alegria de todos... sinceramente, a nível pessoal, não posso querer mais. 

De vez em quando lembro-me do que disseram e dou por mim a rir sozinha. 

Todos têm a sua vida pessoal e profissional (ou escolar), certamente todos terão, de quando em vez, os seus contratempos e preocupações. Mas, como por magia, quando nos encontramos todos, parece que os problemas perdem relevância e a ninguém lembra falar de maçadas.

Estou boa do meu pé. Quase boa. A nível visual está praticamente normal. Claro que, quando olham, ficam um bocado enjoados pois acham-no esquisito. O dedão (e arredores) está a perder a pele. Mas a mim isso não me incomoda nada. Também ainda tem umas manchinhas escuras mas nada de mais. Também já mexo razoavelmente o dedo. Dói-me ainda um pouco mas já não me tira o sono e, na maior parte do tempo, nem me lembro de tal coisa. E da tendinite do ombro que me causou rigidez também já estou quase a cem por cento. Vou eu fazendo uns exercícios e a coisa está a ir ao sítio. Só aqui é que me ponho a falar nisso. Quando estou com a minha turma nem me lembro das chatices que tive nem do que ainda sobra delas. 

Claro que, no meu íntimo, sinto saudades da minha mãe e faz-me muita impressão que tenha sido uma presença tão constante na minha vida e que, como que por artes mágicas, em pouco tempo, se tenha despido de matéria. Era alguém tão presente e agora é apenas memória. E já passaram quase seis meses. Por vezes, parece-me impossível. E no outro dia o meu pai faria anos e, no entanto, ao mesmo tempo, parece que já não existe há imenso tempo, quase como se já não pertencesse à minha vida actual. E não pertence. Mas a verdade é que pertenceu até 2020. 

O tempo tem o seu lado cruel, a vida tem o seu lado de traiçoeira. 

Mas forço-me a manter estes pensamentos no lado adormecido da minha mente. E consigo que isso coexista com a minha alegria em estar viva e rodeada por aqueles que tanto amo.

E depois há as pequenas coisas. Infra-mínimas. Mas que me dão prazer, me motivam, me animam.

Por exemplo: estava com o cabelo comprido que geralmente apanhava em rabo-de-cavalo, muitas vezes dando-lhe uma reviravolta ao alto, para cima. Mas andava com vontade de o transformar. Então hoje, há bocado, fiz assim: estando apanhado num rabo de cavalo alto, como é costume, meti-lhe a tesoura e lá vai disto. Ou seja, agora, depois de cortado, dá para o apanhar na mesma, à tangente mas dá, e, curiosamente, ficou com um escadeado bem curioso. Saiu um monte de cabelo, ficou muito mais leve, e acho que não ficou mau de todo. Ainda lhe dei mais umas duas ou três tesouradas à frente para fazer um degradé mais harmonioso. Já não vou à cabeleireira há anos e fico com pena pois gostava dela e espero que as restantes clientes sejam mais fiéis do que eu. Mas isto de ter a liberdade de fazer coisas assim, na base do 'lá vai disto', faz-me sentir muito bem.

A outra coisa pertence à mesma categoria, a das frioleiras: andava com vontade de usar vestidos compridos mas nada me agradava pois não sou bem o género de intelectual de esquerda daquelas que usam saias compridas, largas e desengraçadas, nem sou exactamente o estilo hippie. Não estava a ver-me como uma maria-pendona. Mas também não queria usar vestidos que parecessem de noite, muito menos de baile de finalistas. Portanto, mantinha-me no classicismo das calças, dos vestidos pelo joelho, e, numa versão mais estival, calções brancos com blusinhas coloridas. Mas finalmente dei o salto. Encontrei o género de que gosto. A minha filha ofereceu-me um, que me assenta de uma forma superconfortável e com o qual gosto mesmo de me ver. E eu comprei os outros. E sinto-me tão bem... Há um que ainda não estreei mas sobre o qual estou com uma boa expectativa: cai como seda, suave, muito leve, é justo em cima mas alarga um pouco para baixo, é super decotado à frente e atrás, de alcinhas finas, e é em cor de coral com pavões gigantes de alto a baixo naqueles tons verdes e azulões. E, para conjugar, tenho um brinco, um único, com uma pena nos mesmos tons. Penso que vai ser exótico e isso agrada-me.

E toda a vida usei brincos discretos. Poderiam ser coloridos e adaptados às toilettes mas nada de exuberâncias. Contudo, andava com vontade de ter brincos ousados, coloridos, incomuns. E descobri-os. Estou mesmo feliz com eles. A ver se amanhã os fotografo para vos mostrar pois acho-os especiais e, sobretudo, os pais da criadora comoveram-me e apetece-me transmitir-lhes o meu carinho.

E ainda mais uma: chapéus. Adoro chapéus. Mas sempre me fiquei por modelos que me parecessem elegantes mas discretos. Provavelmente as pessoas discretas já os achariam algo destacados mas, para mim, estavam aquém do meu gosto intrínseco. Pois vi um que imediatamente chamou a minha atenção. A minha filha, ao vê-lo na loja, disse que todo ele é, em si, um statement. De facto. E não fujo a isso. Mas, ainda assim, receei que fosse demasiado aparatoso. Contudo, acabei por não resistir. Acho-o um espectáculo e sinto-me mesmo feliz quando o ponho. (Não é este. Este aqui ao lado é um que encontrei via google)

Quando era adolescente gostava de modelos originais e de me maquilhar e os meus pais zangavam-se, não queriam que eu desse nas vistas, diziam que não tinha idade para isso. Depois, pela minha profissão, tinha a noção de que não deveria mostrar-me a tender para o radical ou para a desalinhada (até porque era acusada disso). Agora já não tenho que provar nada a ninguém nem tenho que recear as opiniões alheias. Não que me preocupasse com isso mas, enfim, vivia o meu dia a dia integrada numa realidade em que as fugas à regra tendiam a ser mais ou menos vistas como perigosas excentricidades.

Claro que para coroar o bolo só mesmo uma cerejinha a enfeitá-lo: durante a semana fomos, por duas vezes, almoçar a um restaurante veggie. Não me tornei e acho que não me tornarei veggie mas a verdade é que gostámos imenso. Comemos agora muito menos carne, preocupamo-nos cada vez mais com uma alimentação equilibrada e saudável. E o meu filho ofereceu-me um conjunto de alimentos biológicos, saudáveis, e isso agrada-me e atrai-me bastante.

Portanto, apesar de não estar a ir para nova, a verdade é que me sinto cada vez mais disponível para procurar e acolher novidades e para me libertar das poucas peias que já tinha.

E viva a vida.

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Mercedes Sosa, Chico Buarque, Caetano Veloso, Milton Nascimento e Gal Costa - Volver a los 17


Uma semana feliz

domingo, julho 14, 2024

A orelha como amuleto de sorte para Trump

 

Ao mesmo tempo que a maltinha do quarto dos rapazes fazia toda a espécie de tropelias contra a maltinha do quarto das meninas (sendo que hoje, por escassez de camas nos quartos usuais, o mais novo dormiu no quarto das 'meninas' -- mas, obviamente hoje não chamámos ao quarto o quarto das meninas senão ainda ele se recusava a dormir lá), no meio de risotas, barulhos indistintos e até de puns (dos quais, como sempre, ninguém se acusou), e enquanto eu tentava pôr ordem nas camaratas, estava Trump a ser bafejado pela sorte de ter levado um raspão na orelha, dando-lhe a oportunidade de se mostrar como um valentão.

Quando reentrei na sala, estava o meu marido a apontar para a televisão para eu ver o tratante de punho erguido, parece que a dizer Fight! Fight! enquanto o sangue lhe sujava a cara e enquanto os apoiantes se levantavam a aplaudi-lo.

Parece que, no meio disto, mataram uma pessoa, creio que a polícia terá atingido o suposto atirador. Só espero que não tenham tirado a vida a algum inocente. E agora li que talvez tenham morto duas pessoas. 

E, assim, enquanto Trump recebe este impulso que vai granjear-lhe muito mais intenções de votos, Biden vai-se arrastando, sem dar mostras de compreensão de que está mais do que na hora de se retirar. Só espero que os democratas consigam reagir de forma assertiva para contrariar a vontade de Biden se manter na corrida e para encontrarem um candidato forte, capaz de desmontar a palhacice de Trump.

Que mundo mais estúpido, este.

[Entretanto, por aqui, num dos quartos já se dorme. Espero que os restantes 'hóspedes' também estejam quase pois parou a bagunçaria e a risota e já só ouço bocejos. É que, na sequência de um dia preenchido e bem animado, já são mais do que horas de descansarem...]

sábado, julho 13, 2024

Post incumprido

 

Como deve ter dado para perceber, tenho estado fora. 

Dormi outra vez mal pois o pé desinfectou e desinflamou, está agora com uma mancha escura e algumas crostas e pele a cair, sobretudo no sítio em que estavam as bolhas, mas agora dói-me; mas é uma dor de tipo inflamação da articulação. Está um bocado rígido e doloroso. A médica tinha dito que tinha que se atacar logo 'até porque está mesmo em cima da articulação...'. Como andava com o pé um bocado de lado, pois custava-me assentá-lo, devo agora estar a pagar as favas da questão posicional. Nada de mais mas o suficiente para me dificultar o sono. Ora eu passo mal com défice de sono.

De qualquer forma, depois de uns belos dias de praia (a ver se um dia destes conto qual a praia e a terra que, se calhar, se posiciona no pódio das praias algarvias, na volta até no 1º lugar. Não conto hoje pois estou perdidésima de sono), foi dia de regresso.

Voltámos hoje à tarde e fomos directamente buscar a fera ao hotel em que tinha ficado. Portou-se mal e, tal o estado de ansiedade em que ficou, até parecia desfigurado, parecia que tinha os olhos projectados para fora, esbugalhados, e as orelhas, pelo contrário, encostadas para trás, até parecia que as não tinha. Estranho, transfigurado, hiper reactivo. E está com uma alergia na barriga que a senhora nos disse que poderia ser da relva ou do stress.

Ficou feliz, exuberantemente feliz da vida, da vida quando nos viu, parecia que estava a ser resgatado do inferno. E, no entanto, aquele 'hotel' em que estava é um luxo. Mas afastar-se de nós é para ele um pesadelo dos piores.

A seguir fomos dar uma voltinha com ele e, claro, tal como nas vezes anteriores, fez não sei quantas vezes cocó. Tal como os meus netos que vêm da escola sempre aflitos pois não gostam de fazer cocó na escola, assim esta nossa pequena fera. Vem de lá e mal se apanha no campo é fazer cocó umas vezes a seguir a outras.

Depois fomos ao supermercado pois vamos ter casa cheia e tínhamos o frigorífico com pouca coisa. A seguir fomos à farmácia comprar produtos para o tratar.

E ainda fomos fazer uma pequena caminhada junto à praia e buscar sushi para o jantar.

Depois, em casa, foi desarrumar as malas (devo confessar que vieram bem mais carregadas do que foram pois embora eu tenha começado por dizer que não queria nada mais, não precisava de nada mais, que nada de nada, acabei por trazer mais um fato de banho, mais um chapéu, mais dois vestidos, mais uns brincos e uns anéis e etc), arrumar os sacos do supermercado, tomar banho, etc. E isto já tarde, tarde.

Conclusão: mal pousei aqui no meu querido sofá, apaguei. Acordei estremunhada, a sentir que deveria era arrastar-me para a cama. Mas como tenho esta necessidade de não acabar o dia sem vir aqui dar um arzinho da minha graça, aqui estou.

Tenho coisas para contar, coisas bonitas para mostrar ,mas tem que ser quando estiver acordada... Por isso, sorry mas este é mesmo um post que não é post...

sexta-feira, julho 12, 2024

Enquanto Putin discursa com o mundo inteiro a ver se ele se aguenta...
Sorry.... mistake... Queria dizer Biden...

 

Cheguei há pouco e, ao ligar a televisão, constato que meio mundo está em bicos de pés à espreita, a ver se Biden consegue chegar até ao fim sem voltar a chamar Putin a Zelensky ou se consegue manter o rumo da conversa, sem se enfiar por algum beco sem saída. 

Começou agora e parece que vai bem lançado. E fico contente pois custar-me-ia bastante vê-lo passar pela humilhação de se ver perdido em palco ou com o olhar parado sem saber onde está.

Seja como for, faz muita confusão que os democratas não tenham resolvido a tempo e horas este embaraço de ter um candidato de 81 anos, necessariamente a precisar de descansar mais e, de vez em quando, já com alguns bugs, a fazer frente a um trafulha encartado.

Os investidores começam a tirar-lhe o tapete mas a mulher anda a fazer comícios atrás de comícios para convencer a malta que o marido ainda está vivinho da silva. E eu não percebo. Se eu chegar à idade deles, alguma vez eu quereria que o meu marido andasse a sujeitar-se a canseiras, a esgotamentos, a confusões...? Não. Haveria de querer que ele gozasse os seus últimos anos sossegado, em serenidade, longe de situações embaraçosas. Ou, se fosse eu a presidente, alguma vez eu andaria a impor a minha presença mesmo quando todos os anteriores apoiantes mostrassem reservas sobre a minha integridade mental? Não. Só se já estivesse senil.

Entretanto, Biden acabou a sua intervenção e está a responder a questões. E vai bem, está seguro e com a cabeça no sítio. Até ver não se espalhou. Mas, caraças, como estará daqui por um ano, daqui por dois...? Se, quando está cansado fica em estado de estupor catatónico, ficarão os States (e o mundo) seguros? E os eleitores, receando isso, não se encolherão e não abrirão o caminho a Trump?

Faz sentido um homem de 81 anos com o prestígio que ele tem estar a sujeitar-se a mil perguntas sobre a sua capacidade mental...? Todas as perguntas andam à volta da sua forma física e mental, todas. E ele, coitado, ali está a tentar demonstrar que está rijo como um pero e que, por natureza, é um sempre-em-pé.

Até pode estar bem, razoável, mas... caraças... com um patife populista, mentiroso e perigoso como Trum pela frente, é esta a melhor muralha que os democratas têm para erguer?

Não sei.

O mundo anda um lugar muito bizarro, parece que dia após dia nos deparamos com coisas ilógicas. 

Enfim.

A ver se amanhã mostro umas coisas bonitas. Hoje não pois ficariam aqui desenquadradas.

quinta-feira, julho 11, 2024

O bonequinho das Finanças diz que está a contar com o ovo no cu da galinha e tudo, segundo ele, consequência do "pacotão".
Uma espécie de segunda derivada na lógica do dito bonequinho

 

São onze e tal (da noite) e, ao tentar perceber se o planeta Terra ainda existe e, em particular, se o nosso mini e fofo rectângulo ainda está a salvo da sanha dissolvente do super-comentador Marcelo, dei com a bizarra notícia de que o conhecido Mãozinhas, aka Sarmento, está a contar com um excedente orçamental neste e no próximo ano. Apesar de andar a dar massa a quem pede e a dar borlas fiscais a quem pode (com p), pensa ele que, face ao bodo aos ricos, estes soltarão a franga e desatarão a investir e a aumentar o pagode e que, qual milagre, o pão transformar-se-á em rosas e a água em vinho e, apuradas as contas, vai sobrar dinheiro que será um fartote.

Que o Marcelo se fia na Virgem já a gente sabe e também estamos todos carecas de saber no que a coisa tem dado. Agora o Montenegro fiar-se no bonequinho já me parece risco a mais.

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Provavelmente toda a gente sabe qual o novo significado da palavra bonequinho. Eu, até ontem, não sabia. E porque pode haver por aí, a ler-me, mais gente também desactualizada, eu explico.

Conversando com o meu neto mais velho, um galã que já teve várias namoradas e que tem agora a teoria de que com a dedicação ao futebol (é guarda-redes já na competição o que o obriga a treinos diários e jogos ao fim de semana) e com a necessidade de levantar notas (ah pois), dizia-me ele que, a partir de agora, não vai ter tempo para namoros. Enfim, raparigas isso vai continuar a haver, claro, agora namoros a sério não, não tem tempo e, para ser franco, elas cansam-no um bocado. Presumo que se refira às combinações de idas ao cinema, à praia, aos passeios, aos lanches, às mensagens. E que não percebe isto de alguns amigos, aos 15 anos, acharem que encontraram o amor da vida deles e já pensarem que aquela é a pessoa com quem vão casar. 

Achei muito pragmático. Ao contar à minha filha, disse-me ela que ele já lhe lhe tinha comunicado isso mas que, por acaso, neste momento supostamente namora uma. Mas, portanto, conclui-se que esta deve ser uma das 'raparigas', que isso continua a haver, mas em relação à qual não haverá compromisso.

Mas, continuando a conversar comigo, para ilustrar o excesso de romantismo de alguns colegas, contou que tinha um colega de escola e de futebol, um tipo todo bonequinho. E que se tinha apaixonado por uma miúda também toda bonequinha. Para ter tempo para namorar, o amigo largou o futebol. Imagine-se a maluquice. Vai a miúda, ao fim de três meses, largou-o por o gajo ser obcecado. Por isso, ficou sem namorada e sem futebol. Ganda burro.

Eu ouvi e estava intrigada por ele definir os outros como bonequinhos pois não costuma adjectivar na positiva, muito menos usar termos carinhosos. Perguntei se eram bonitos. Ele muito admirado: 'Não!' 

'Mas bonequinhos não significa serem bonitos?'

'Não. Não. São tipos assim... muito... como dizer...?, assim esquisitinhos... Não estou bem a encontrar a palavra...'

'Nerds?', sugeri eu.

'Não, não. O gajo não é nerd... Não, não é isso. Bonequinho, estás a ver...? Assim todo coisinho...'

'Cromo?', lembrei-me eu.

'Exacto. É isso. Tipos esquisitinhos. Cromos, é isso.'

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Portanto, sobre o Sarmento  tenho dito. O Montenegro que não ponha as barbas de molho que vai ver no que dão as fezadas do bonequinho que lá tem nas Finanças.

quarta-feira, julho 10, 2024

Ponto de situação

 

Para quem trabalha, pode não parecer plausível mas é verdade: para quem está reformado, a altura das férias é a menos calma. Por isso, acontece que, de novo, só aqui cheguei depois das onze e tal da noite, depois ainda fui tomar banho (pois ainda estava com areia na pele) e só agora a televisão está ligada e, por acaso, num programa em que estão a comentar o jogo de Espanha com a França que, por acaso, vimos na rua, em festa, rodeados de espanhóis.

Por isso, estou a milhas das novidades ou dos comentários ou do que quer que seja. Ou seja, não consigo falar de qualquer coisa que tenha a ver com a actualidade.

Vou antes contar o que me aconteceu, não para me vitimizar mas para justificar o facto de haver dias em que pouco tenho escrito ou em que não tenho respondido a comentários. 

Tinha contado, acho eu, que tinha levado a 2ª dose da vacina contra a pneumonia. A enfermeira tinha dito que ia inchar e doer e que devia pôr gelo. Como nunca tal me aconteceu, não devo ter agido a tempo. O braço inchou-me imenso, até ao cotovelo. Estava gordo, encarnado e quente e doía que não acreditam. Pus gelo e tal e para aí ao terceiro dia lá melhorou. Só que, vá lá saber-se porquê, disso nasceu uma tendinite nesse ombro. Ou foi porque andei com o braço tolhido pela vacina ou foi pelo gelo ou foi porque tenho o sistema imunitário feito num oito ou porque me rogaram mau olhado -não sei. O que sei é que fiquei tolhida desde o ombro, nem conseguia apanhar o cabelo, nem levantar o braço. Tolhida de todo. Como tenho o cabelo comprido, agora, com o calor, apanho-o. Tive que pedir ao meu marido. Nem imaginam. Não foi capaz de me fazer um rabo de cabelo, tive que andar com o cabelo caído. Só visto. Tive que ir ao brufen, claro, e dar-lhe com força pois estava aflita com dores.

Pois bem. 

Um mal nunca vem só mas já tinha vindo aos pares. Só que há aquilo de não haver duas sem três.

Ora bem. Estava descalça, na relva, a falar ao telefone quando senti uma picada terrível, com ardor, na sola do pé. Olhei e vi uma abelha (ou vespa, sei lá). Fui logo para casa e fui buscar uma lupa e um espelho mas não vi ferrão nem percebi onde tinha sido pois doía-me uma zona e não um local único. O meu marido também não viu mas percebeu que a picada tinha sido na parte de baixo do dedo grande do pé pois estava a formar-se rapidamente uma batata. Quando fui deitar-me já o dedo estava disforme e já o peito do pé estava a inchar. No dia seguinte a parte de baixo e de cima do pé estava toda inchada e encarnada escura mas, pior, havia manchas escuras em volta do dedo do pé como se tivesse sido pisado e estavam a aparecer bolhas de líquido. E ao longo do dia isso foi alastrando. Para além de me doer e arder como se tivesse sido queimada, era o incómodo do pé inchado e escuro junto aos dedos e aquelas manchas de sangue pisado e com bolhas a alastrar.

Entretanto já eu estava com o pé para cima e com gelo. E isto, estando eu a tomar o brufen por causa da tendinite. Ou seja, o anti-inflamatório não estava a dar conta daquilo.

O meu marido assustou-se ao ver aquilo. Queria que eu fosse ao hospital. Ora com as urgências como estão, não me pareceu que fosse caso para isso pois foi uma reação local. Ou seja, não tive falta de ar nem nada generalizado. De qualquer forma, não me estava a agradar aquela progressão. Liguei para a Saúde 24. Expliquei. A enfermeira disse que eu tinha mesmo que ser vista por um médico. Retorqui que no meu centro de saúde não se consegue marcar consultas com essa facilidade. Disse-me que não me preocupasse pois, de imediato, ia notificar o centro de saúde de que tinham que me arranjar consulta para esse dia. E assim foi. Passado um bocado estavam a ligar-me do centro de saúde a combinar uma hora para lá ir.

Claro que não correu extraordinariamente pois estava marcada para uma hora e fui atendida quase duas horas depois, mas enfim, já me dou por agradecida por me terem visto nesse dia. A médica, novinha, quando viu o pé assustou-se. Disse que ia chamar uma colega. Quando veio a colega, calçou luvas e esteve a examinar. Disse, então, que estava de acordo com a colega: havia ali uma infecção que estava a progredir e que tinha que ser travada rapidamente. Portanto, antibiótico com ela (que ainda estou a tomar).

Perguntei a que se devia tal coisa. Nunca tinha visto ou sabido de uma picada de abelha ou vespa produzir um tal efeito. Disseram que talvez pouca sorte, talvez o ferrão tivesse alguma substância que, uma vez infiltrada na pele, provocou infecção. 

Portanto, tive que deixar de usar ténis, sapatilhas, ou sapatinhos pois tenho tido que andar com isto ao ar. Agora está quase bom. Mas, caraças, isto é o quê? Tenho que ir à bruxa? Tenho que fazer uma cura detox? What?

E, pelo meio, férias e movimentações de toda a ordem. Portanto, estão a ver. D

Conclusão? Nenhuma. Só isto. 

Só espero que não aconteçam coisas aparatosas durante este período para que, quando eu voltar à superfície, encontre o mundo ainda na sua rota normal...

terça-feira, julho 09, 2024

Não vi a entrevista da Lucília Gago pelo que a sua toxicidade talvez não me tenha atingido

 

Não vi porque a logística do dia não o permitiu e um dia destes logo explico porquê. Mas acho que ainda bem pois, agora que passa da meia noite e consegui instalar-me e ligar a televisão e vi uns excertos, fico até agoniada com a insensibilidade, a alienação, a indiferença, o alheamento que a criatura -- que se deve achar a rainha-sol  mas que a mim mais me parece a medusa-da-morte -- demonstra. Uma pessoa assim é um perigo para a democracia. Não reconhece erros, não reconhece a porcaria que o Ministério Público tem feito. Gaba-se, gaba-se. Não tem noção. 

Agora já não vale a pena pedir que corram com ela (e esperar que saia pelo seu próprio pé é uma miragem) mas só espero que, em Outubro, quando a criatura sair, desinfectem todos os sítios por onde passou. Desinfectem mas desinfectem bem. Caraças.

segunda-feira, julho 08, 2024

Queixam-se do Ministério Público? Então olhem para as CPI
- salve Pedro Adão e Silva

 

(...)

Vale a pena refletir por que motivo as CPI passaram, num curto espaço de tempo, de instrumento de dignificação do Parlamento e relevantes para avaliações políticas de casos da justiça para paradigma da vulgaridade política e da erosão moral, com práticas desrespeitosas de direitos, liberdades e garantias. E por que motivo praticamente não passa uma semana sem que algum partido proponha mais uma CPI.

(...)

Depois, uma vez aprovada a CPI, ninguém quer deixar de revelar o seu vigor inquisitório. É indisfarçável o entusiasmo com que alguns deputados representam para as televisões.

Ora este é um aspeto fundamental. Portugal é hoje, provavelmente, a democracia ocidental com o rácio mais elevado de canais noticiosos por habitante. Tornou-se difícil contabilizar o número de canais a emitir notícias 24 horas por dia, sem que se perceba a racionalidade económica, o propósito para o posicionamento das marcas e em que é que se pode diferenciar a oferta. Enquanto os operadores televisivos se envolvem numa luta fratricida, uma CPI por dia oferece horas de televisão gratuitas, que ocupam tempo de antena e alimentam uma mistura explosiva de ressentimento e voyeurismo social. Quem ganha com isto? Não é certamente a justiça, nem a dignidade das instituições políticas e, muito menos, um espaço público decente.

Artigo imperdível de Pedro Adão e Silva no Público: Queixam-se do Ministério Público? Então olhem para as CPI

França agora e na hora de tomar decisões sobre o futuro

 

Não sei bem o que vai sair daqui mas, para já, os franceses levantaram-se e formaram uma muralha contra a extrema direita.

Espero bem que tudo se componha e recomponha no bom sentido. A Europa quer-se democrata, desenvolvida, civilizada, humanista, tolerante, inclusiva. Por muito que se apregoe, que se grite e se blasfeme ou prometa, estes são os valores que as pessoas de bem (seja lá o que isso quiser dizer...) devem preservar a todo o custo.

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A Marselhesa

domingo, julho 07, 2024

Uma solução simples para um problema complexo:
as avozinhas estão a salvar Espanha da onda de calor

 

Quando fomos à Expo de Sevilha, já lá vão uns duzentos anos, estava um calor de ananases mas eles, os da organização, atenuavam-no borrifando os espaços ao ar livre e criando áreas de sombra. Soluções simples para resolver problemas chatos.

Por acaso, não vem agora ao caso, mas guardo gratas memórias dessa Expo. Fomos em grupo, vários amigos com os respectivos filhos e gostámos imenso.

Em ponto pequeno, ou melhor, em pontinho mini-minúsculo, refiro o meu jardim. Quando fazemos as nossas caminhadas, debaixo de uma caloraça, mal transpomos o portão sentimos logo o frescor. Uns graus a menos. E já desbastámos bastante a cerejeira japonesa e a outra de que não sei o nome bem como o loendro para ver se a relva consegue minimamente sobreviver. Mas, mesmo assim, mesmo desbastadas, as árvores refrescam extraordinariamente o ambiente. É como no campo. Quando não havia árvores, não se conseguia andar por lá pois não havia onde nos abrigarmos do sol. Agora há sombras que é uma maravilha. E, quando está vento, o arvoredo faz um som que mais parece o mar. 

Na sexta-feira, esteve muito calor. Estávamos na sala com a portada de vidro aberta e o cão deitado como ele gosta, meio dentro, meio fora, como se estivesse a guardar o redil. De repente, começou a levantar-se um vento e um frio que entrou por ali adentro e nos refrescou a casa, coisa mais boa.

Mas o trabalho que estas senhoras aqui do vídeo, em Espanha, estão em fazer parece-me um encanto: estão juntas, convivem, fazem uma coisa que é boa para a comunidade, embelezam a sua terra, dão um pouco de si. Acho uma maravilha. E refrescam as ruas.

Não é a solução para os calores insuportáveis que as alterações climáticas nos estão a trazer mas não vai haver 'a solução' milagrosa. Provavelmente vão existir milhões de soluções, umas a grande escala e outras a micro escala. E esta aqui é uma das micro-pequenas soluções mas que, em si, é virtuosa pois atinge vários objectivos.

How Grannies Are Saving Spain From a Heat Wave

Their colorful creations are making Alhaurín de la Torre an amazing destination for tourists and locals


E desejo-vos um belo dia de domingo

sábado, julho 06, 2024

Biden, CR7

 

Não deveriam desbaratar o capital de mérito justamente adquirido ao longo de uma meritória carreira nem deveriam deixar que a sua performance, já inferior devido ao desgaste (nomeadamente o que deriva da idade), prejudique o todo no qual estão envolvidos.

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President Joe Biden sits down with ABC News for first TV interview since debate


Tenho muita pena do João Félix. É só o que consigo dizer

 

Coitado. Imagino como isto o acompanhará para o resto da vida. Acontece, é assim mesmo, umas vezes ganha-se, outras vezes perde-se, etc., etc.. Mas, não obstante, deve ser uma dor terrível.

Claro que o meu marido -- tal como alguns dos meus amigos -- dizem que não se pode ver assim, que também se pode dizer que, se o Cristiano Ronaldo não tivesse jogado o jogo todo, que se Portugal tivesse tido, pelo menos uma parte, onze jogadores em jogo, talvez as coisas tivessem sido diferentes.

Isso eu não sei. São suposições. A falha do João Félix é objectiva e ele deve senti-la como uma faca espetada no peito. Imagino eu.

Também tenho um bocado de pena do Diogo Costa. A ser endeusado da forma exacerbada como foi e hoje, coitado, não conseguiu. Acontece. Segundo o meu marido, os penaltis foram bem marcados.

Agora, adiante. 

Para a frente é que é caminho.

sexta-feira, julho 05, 2024

Rosário Teixeira, o Procurador-Adjunto que veio dar a cara pelo Ministério Público:
patético, ridículo, preocupante, assustador.

 

Ouvi com pasmo a entrevista do célebre Rosarinho a quem hoje, no Eixo do Mal, Luís Pedro Nunes chamou 'o viúvo do Carlos Alexandre'. 

Fez-me lembrar um daqueles burocratas que executam acefalamente as ordens mesmo que sejam ordens criminosas, irrelevantes ou estúpidas. Poderia ter sido um procurador dos tempos da Pide a ordenar a  execução de escutas ou de buscas domiciliárias sem querer saber de consequências ou sem ajuizar se, sequer, fazem sentido. Poderia ser. E, no fim, não se sentiria arrependido de nada porque esteve a executar o que (segundo ele) era devido dadas as circunstâncias.

Há muitos mega processos que se arrastam anos sem darem em nada e mantendo as pessoas envolvidas reféns da teia que o MP urdiu? Pois, é assim mesmo, azarinho, a realidade também é complexa.

Faz sentido manter uma pessoa sob escuta, sendo isso tão intrusivo? Pois, acontece, os negócios levam tempo, interrompem-se, é preciso andar muito tempo à espera que apareça alguma coisa.

Faz sentido processos que se arrastam durante anos e anos e anos, por vezes 10 ou 12 anos ou mais? Pois, é um problema, há muito trabalho, não se consegue dar atenção a tudo.

E aquilo do parágrafo que deitou abaixo um governo de maioria absoluta... e afinal nada...? Afinal Costa foi escolhido para Presidente do Conselho Europeu... Pois, mas ele não é suspeito de nada porque se fosse era arguido e ele não é arguido... 

[Dá vontade de lhe dar um berro a 1 cm da cara e perguntar: mas se não é suspeito de nada então porque é que a Procuradora escreveu aquele parágrafo assassino? Porquê, porra?]

Quanto ao próximo Procurador-Geral, segundo o sinistro Rosário Teixeira, obviamente deveria ser da casa.

Poderia ser ele? - pergunta-lhe o jornalista.

Aí, Rosarinho, retorceu-se a fazer de conta que nunca tinha pensado no assunto mas mostrando que não quer outra coisa. Aquele excerto merece ser emoldurado como um exemplo de hipocrisia, de bacoquice, se parvoíce. 

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Conclusão? Depois disto fica claro que algo de grave, muito grave, se passa no Ministério Público. Temas tão críticos para o funcionamento do País e para a saúde da democracia não podem estar na mão de pessoas tão alienadas, com uma mentalidade tão burocrata, com uma visão tão deformada do que é a vivência saudável de uma sociedade evoluída e democrática.

Tem que ser posta ordem na casa, sim. 

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Muito bem Rui Rio a seguir na SIC. Tenho gostado bastante das intervenções do Rui Rio. Um exemplo de exercício cívico.

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Uma palavra para a excelente entrevista feita pelo jornalista da SIC.  Fui agora pesquisar quem será, pois não tenho ideia de já antes o ter visto, e creio que será o Luís Garriapa. Gostei imenso. Quero ver mais. Ou melhor: quero vê-lo em mais entrevistas.

Um Governo de tangas

 

Dão o dito por não dito, têm ideias parvas, verdadeiros tiros no pé do equilíbrio orçamental, anunciam como deles trabalho que é outros e sempre tudo na base da treta, da tanga, com uma corte de bacocos, de totós, de pacóvios a defenderem o indefensável.

Todos os pacotes, todos os anúncios, tudo o que dizem é uma mão cheia de nada. E, quando há qualquer coisa, é algo que repescaram do trabalho do Governo de António Costa e da qual, desavergonhadamente, se apropriam.

Não é possível que se aguentem muito tempo.

[Mas, antes que caiam todos de maduros, Montenegro devia -- de imediato -- livrar-se do inenarrável Sarmento (uma nódoa abaixo de nódoa) e das malcriadas e tóxicas Ana Paula Marins e Rosário Palma Ramalho. Não que os outros se aproveitem mas, enfim, pelo menos não criam anticorpos por onde passam, não geram um mal estar geral, não dão tiros nos pés do Governo e não atentam contra a inteligência dos portugueses da forma que este trio o faz.]

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Um aparte:

Só espero que uma onda como a que varreu o Reino Unido avance pela Europa, pelo mundo. Gostava mesmo.

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PS: Começo a gostar de posts curtos. Um dia destes ainda me inscrevo no X que parece que é a casa certa para mandar bocas curtas. 

quinta-feira, julho 04, 2024

Now: o 'Optimista', 'Sem hipocrisia'...

 

Por razões que não vêm ao caso, a abertura do novo canal Now passou-nos um bocado ao lado. Não vêm ao caso mas posso referi-los: futebol em barda, estadias assíduas no campo (sem cabo), outras coisas em que pensar.

Por isso, só no outro dia apanhámos, e percebemos depois que era repetição do que tinha passado antes, se calhar na véspera à noite, o 'Otimista' com António Costa e Pedro Mourinho que, do que percebi, teriam convidado o Almirante Gouveia e Melo. Ficámos os dois a ver, interessadíssimos. E já recomendei ao meu neto mais velho que visse. E recomendo-vos a vós também caso não tenham visto. Muito, muito, muito interessante. De facto, temos valências e saberes no País que, atolados na lama e anestesiados pela espuma dos dias lançadas pelos media viciados em maledicência, nos passam completamente ao lado. Não foi só a surpresa ao descobrir o muito e incrível que se faz na Marinha, foi também a surpresa de alguns temas que me deixaram a pensar (nomeadamente os que se referem com a nossa soberania, nomeadamente no mar). Muito interessante mesmo.

Esta noite apanhei Rui Rio, também com Pedro Mourinho e com dois médicos, Manuel Pinto Coelho e, creio, Ana Miranda, na rubrica que tenho ideia que se chama 'Sem hipocrisia'. E, também aqui, gostei de ver. Também não vi de início mas passaram ainda um vídeo com a nutricionista Conceição Calhau de quem tenho um livro bastante interessante. Gostei imenso da postura do Rui Rio. Programa interessante, muito diferente do que é habitual.

E ontem apanhei, e percebi que já foi perto do fim, o Luís Paixão Martins com a Judite de Sousa. Como sempre, gostei do LPM mas, já no que se refere à Judite de Sousa, fiquei um bocado desconcertada. Apesar de ser pessoa experientíssima no jornalismo, parecia nervosa e não sei se estava com uma pastilha elástica na boca ou se tinha uma prótese solta pois não parava de deglutir em seco ou de ajeitar a boca. Ou, se não é isso, não será que não está com baton e gloss a mais e os lábios colam-se e dificultam-lhe a agilidade bucal...? Não sei. Fiquei um bocado solidária com a pilha de nervos em que ela estava e acabei por nem prestar bem atenção ao que disse.

Para terminar devo ainda confessar que, quando soube deste canal da propriedade do saco de lixo que é Correio da Manhã que já desfez tanta gente, julgando, condenando e apedrejando na praça pública ao arrepio dos mais elementares direitos obrigatórios e imprescindíveis num Estado de Direito, fiquei mais do que de pé atrás. Na verdade, com os dois pés atrás. E ainda estou.

Mas isto pode querer dizer que, na volta, o que vai começar a dar dinheiro é a decência e que as pessoas (leia-se, os espectadores) se agoniaram de tanta lixeira a céu aberto e agora vão passar a procurar a honestidade, a dignidade. Depois de serem valores arrastados pela lama, às tantas, vão agora passar a ser o novo hit. E, com o faro comercial que os donos do Correio da Manhã e do Now já demonstraram ter, quem sabe se não estão apenas a dar lugar ao que vai passar a ser o 'novo normal', o que vai passar a 'dar'.

Portanto, a acompanhar...

Sabem quando é que eu verdadeiramente percebo que não estou a ir para nova...?

 

Quando vejo fulanos que conhecia novos, e acho que não assim há tanto tempo, e que agora me aparecem como tipos já entrados, fico parva a olhar para eles, a tentar perceber o que é que me escapou....

Por exemplo, agora na RTP 1, está a Fátima Campos Ferreira, com aquela sua voz que parece que quer disfarçar cumplicidades ou afectos proibidos (isto quando não fala como se estivesse a lidar com crianças), a falar com o Pauleta.

Ora, alguém me explique... o Pauleta não era um rapaz novo? Estou equivocada?

Agora está ali um que podia ser o pai dele mas que, pela conversa, se percebe que obviamente é ele.

Fui agora consultar os astros e vejo que tem 51 anos. Ora se ele deu um tal salto quântico, passando quase de súbito de jovem futebolista a um belo homem grisalho, cheio de patine, como posso eu continuar a ser a alegre e inconsciente teenager que por vezes julgo que sou...? Não posso, não é...?

Só visto. Há coisas que não se percebem. 

Enfim, nada a fazer. É o que é.

quarta-feira, julho 03, 2024

Redefinir (ou repensar?) a velhice

 

Sempre tive a ideia de que a minha avó paterna era uma pessoa de idade. Recordo-me de estar lá em casa quando andava na infantil ou na primária e de a achar idosa. Tenho ideia de que tinha o cabelo parcialmente embranquecido, tinha rugas, tinha artroses e dores. Sentia-se velha e nós tratávamo-la como velha. E ela gostava de ser tratada assim. Mas agora, se pensar na idade que ela tinha na altura, creio que teria uns cinquenta ou cinquenta e poucos. E isso deixa-me chocada.

Fui ver fotografias dela, nessa altura, e, de facto, se fosse hoje eu diria que seria pessoa para uns setenta. Mas depois hesito pois as mulheres de hoje, aos setenta, parecem bem mais jovens. 

Ainda no outro dia, uma amiga, sessentas, enviou uma fotografia que alguém lhe tinha tirado na rua e o seu ar jovem, bem disposto, o vestuário colorido, desempoeirado, poderia corresponder aos quarentas de há uns anos. Se calhar até menos pois lembro-me de a minha mãe com quarentas ter ar de 'senhora', nem pensar em ousar roupas alegres ou jovens. Só aos oitentas é que ela se sentiu à vontade para usar calças justas, túnicas coloridas, ténis. 

Mas estou a falar a nível de aspecto exterior. Mas a mesma coisa é verdadeira para a maneira de ser. Ainda hoje recebi um vídeo de um amigo que continua a trabalhar, com trabalhos em diferentes continentes, hoje, por exemplo, está em África, pessoa prestigiada nas suas funções, premiado e reconhecido como um dos melhores no seu sector. Activíssimo. Sendo patrão dele próprio consegue conjugar o prazer de trabalhar com o de viajar e de curtir a vida. Aos sessentas tem uma energia, uma jovialidade, que, francamente, não sei como consegue. Tão depressa está em África, em trabalho, como no Perú, em passeio, como a visitar montanhas remotas lá para os confins de um país de que agora não me lembro o nome (não é Moldávia mas não me lembro qual é), ou numa animada sardinhada lá em casa ou a vir de Espanha, também em trabalho. 

Volta e meia, quando penso em assuntos mais distantes, faço as contas à idade que terei nessa altura (se ainda estiver viva) e penso que nessa altura distante se calhar já estou velha para curtir as mudanças. A minha prima hoje dizia-me que o meu tio tem andado a sentir-se cansado. E eu fiquei preocupada ao ouvir isso mas ele já tem noventa anos. Portanto, se calhar é normal que as forças vão faltando.

Claro que à medida que vamos envelhecendo vamos pensando nos limites da vida ao mesmo tempo que tentamos ver as virtudes da maior idade (sabedoria, tolerância, etc). Mas, bem vistas as coisas, uma coisa é certa: as pessoas vivem cada vez até mais tarde e isso traz muitos desafios à sociedade mas há que não ter ilusões. Por muito bem que se esteja, forçosamente aparecerão limitações e, se para estar em casa, na boa, isso pode não ser problemático, já para estar à frente dos destinos de uma nação como os Estados Unidos, não me parece aconselhável.

Redefining old age

CBS News chief medical correspondent Dr. Jon LaPook talks with experts about the distinctions between normal and abnormal aging as it affects memory issues, a workforce continuing beyond traditional retirement age, and the testing of surgeons who currently work without age limits.


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Dias felizes

terça-feira, julho 02, 2024

E vai mais um, desta vez, o presidente do INEM.
Mais uma vítima da tóxica e deselegante (e plagiadora?) ministra Ana Paula Martins
Montenegro, não corras já com ela, não, e não te admires que ela não deixe pedra sobre pedra...

 

facies que não enganam e o desta farmacêutica também não. Cuidado com a menina. Está mais que visto que é daquelas de quem é melhor guardar distância. Portanto, ter uma mal educada destas como ministra da Saúde é não apenas um erro de casting por parte de Montenegro como um perigo para a nossa rica saudinha.

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Quanto à vitória de Portugal, antes de ser vitória houve sofrimento e revolta cá em casa. 

Mas, sendo uma família de guarda-redes, naturalmente ficámos todos contentes com a fantástica exibição do grande Diogo Costa.

Força, Portugal. Para a frente é que é caminho.

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segunda-feira, julho 01, 2024

O que é que a Mariana Mortágua e a Penélope (do Aspirina B) têm em comum?

 

Quando li que a Mariana Mortágua veio com a conversa do passado racista de Portugal e com a condenação do seu papel histórico no tráfico de escravos, passei adiante sentindo o que sinto com este tipo de conversas: desprezo. Parece que é gentinha que vive de desenterrar causas, desligando-as do contexto, esquecendo as circunstâncias históricas, fazendo leituras desenquadradas nem sei com que objectivo. Para que serve, em concreto, isso? Culpabilizar quem em concreto? Antepassados que já estão feitos em pó há séculos para quê? O que é que nós, hoje, temos a ver com o que se passava naquela altura? Pois se eu não sinto que possa ser minimamente responsabilizada pelo que os meus avós ou bisavós fizeram, o que direi em relação a gente de séculos passados?

Mariana Mortágua, com aquele seu ar de intelectualmente superior, gosta muito de jogar conversa fora e eu, muito sinceramente, se nunca tive paciência para aturá-la, agora já nem pachorra tenho para me pronunciar sobre o que ela diz.

Mas, ao ler o texto da Penélope, percebi que a atitude dela, de sair a terreiro denunciando a hipocrisia, a ignorância e o papel populista do Bloco de Esquerda,  é a atitude inteligente. A minha foi apenas comodista.

E mesmo agora estava com vontade de mostrar os figuinhos que rebentam, numa exuberância, ainda não escorrendo pingos de mel mas, sim, por enquanto apenas pingos de chuva, ou de mostrar a graça da serra ao longe apenas com o cocuruto a descoberto, toda envolta em espessas nuvens que nos trouxeram uma abençoada chuva (chuva essa que mal me deixou fotografar...) e de juntar um vídeo com uma bela música e uma grande interpretação e pouco mais. Estava confortável em ser uma preguiçosa acomodada na sua zonazinha de conforto.

Mas o texto da Penélope ficou a martelar-me: boa, assim é que é, muito bem, tal e qual; e há que falar, há que não deixar passar.

Portanto, aqui estou (até porque, bem vistas as coisas, às tantas, a minha zonazinha de conforto é mesmo capaz de ser a partir um ou outro pratito...)

Desde há muito que aqui venho dizendo que considero que o Bloco de Esquerda não apenas não é um partido confiável como é um partido populista que, com um bacoco radicalismo de esquerda, tem repelido muita gente para o extremo oposto, isto é para o populismo igualmente bacoco mas de direita ultramontana como é o caso do Chega.

Não é só cá que a esquerda mais esquerda, face a um permanente exercício de tiros nos pés, caminha rapidamente para a auto-extinção. E, de carrinho, deixando parte da população descontente e indignada, em grande parte desiludida com o que pensavam ser o papel redentor dessa esquerda, consegue que a extrema direita vá engrossando.

O Bloco convencido que eles é que são os bons, os justiceiros, os bem informados, os fracturantes -- mas escolhendo temas que são marginais para a população em geral --, e o PCP convencido que o seu passado de resistência é salvo-conduto para um comportamento acéfalo e cego agrilhoado a causas de há cinquenta anos e em que já só têm como amigos os países em que impera a ditadura, a tirania e a estupidez mais encartada, estão cada vez mais reduzidos a uma minoria que tende, paulatinamente, para a irrelevância.

Ser de esquerda hoje não pode ser desenterrar fantasmas de há séculos nem travar lutas para as quais já não há quorum. Ser de esquerda hoje tem que ser outra coisa. Em Portugal deveria ser fácil encontrar o seu lugar: o lugar da democracia civilizada, evoluída, o lugar da liberdade, do desenvolvimento, da cultura, da qualidade de vida, da procura da felicidade e do bem estar, o lugar de um futuro auspicioso em que a gente acredite. 

Pode parecer um conjunto de lugares comuns e não digo que não sejam mas a questão é que é isto que as pessoas querem. E é a isto que a esquerda moderna tem que saber dar corpo. Vão ver os modelos das democracias da Europa escandinava, temperem com condimentos mediterrânicos ou mesmo tropicais. Não sei. Desenhe-se um espaço de esperança, de liberdade, de acolhimento, de tolerância, construa-se um porvir que se anuncie feliz. 

Enquanto não se descolar deste Bloco e deste PCP, que já eram, já não contam para nada, enquanto não se perceber que o PSD não tem nada disto para oferecer porque cheira a bafio e a naftalina que tresanda, enquanto não se perceber que o Chega é um balão à espera de ser rebentado, não se construirá uma alternativa viável. Perceba-se o que há no Livre e na Iniciativa Liberal de novo e que tem atraído tantos jovens, e jovens com formação superior, abram-se as portas do PS para que saia o sarro aparelhista e a velhada saudosista e revanchista, reconstrua-se uma nova esquerda, uma esquerda descomplexada, ambiciosa, pujante.

E faça-se isso antes que nos vejamos numa situação como a que se vive agora em França (ou na Itália, ou na Hungria ou por toda essa Europa em que parece que saem ratos debaixo de tudo o que é pedra no caminho).

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Mas porque não juntar a tal musiquinha que tinha em mente?

É uma graça. Ouçam-na, está bem?

MIKA - Over My Shoulder ft. Jakub Józef Orliński 

LIVE at Versailles Royal Opera (2020)


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Se quiserem responder à pergunta do título estejam à vontade, ok...?

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Desejo-vos uma boa semana

domingo, junho 30, 2024

É uma tristeza quando as pessoas não percebem que está na hora de sair... e não saem pelo seu próprio pé...
Pela parte que me toca gostava que o próximo Presidente dos Estados Unidos fosse mulher e fosse negra.

 

Nem é só o estado frágil em que já se apresenta: é a gente pensar como é que Biden estará doravante... daqui por quatro ou cinco anos... Como? E nem tem a ver com a agilidade mental, que já parece muito condicionada, para fazer face ao trapalhão e idiota Trump: é pensar como, neste estado, poderá fazer face aos Putins, aos Netanyahu, aos Kim Jong Un deste mundo ou, internamente, ao obscurantismo, à negação da ciência, à influência de religiões perigosíssimas, ás guerras com os republicanos.

Pode ser tarde, pode parecer que é um risco, que pode não haver tempo. Mas, a bem do mundo, seria bom que os democratas fossem ágeis, criativos, corajosos -- e que alguém de força se chegasse à frente. Trump não pode ganhar. Seria um risco demasiado grande para o mundo.

Tenho ouvido falar em dois nomes e qualquer dos dois me parece um bom nome. Kamala Harris ou Michele Obama. Hilary Clinton já não deve estar para isso e é pena.

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Jon Stewart's Debate Analysis: Trump's Blatant Lies and Biden's Senior Moments | The Daily Show


sábado, junho 29, 2024

Jogos de sedução

 

Nada de muito novo. É sabido que, nisto, é sempre a fêmea que escolhe e que resolve quando dar o ok. Da mesma forma, é sabido que o macho tem que saber seduzir, tem que ter calma, tem que ter arte e, sobretudo, humildade. E tem que saber perceber o momento de avançar para a conquista. Tudo, sempre, sabendo que nada é definitivo pois a fêmea pode sempre mudar de ideias.

Mas, quando ambos compreendem sempre o seu papel e sabem interpretar o momento com graça e mestria, é uma maravilha digna de ser festejada.

Ostrich Gives the Performance of His Life | The Mating Game | BBC Earth

The end result might not be as smooth and slick, but this ostrich does have some moves… 


Será que os artistas do Ministério Público continuam a escutar António Costa?

 

Depois de tudo o que têm feito, pergunto. 

Ou será que, como não conseguiram o que queriam, desistem...?

Mas não sei... Anos, meses a escutarem conversas sigilosas, críticas, íntimas, tudo, anos e meses a guardarem escutas para depois as irem deixando sair quando acham conveniente e sabe-se lá a fazer mais o quê (já aqui o disse mas eu se fosse do SIS punha alguns desses meninos debaixo de olho...), gostava de saber se, mesmo depois de ele ser Presidente do Conselho Europeu, vão continuar o seu exercício psicopático de voyeurismo e coscuvilhice. Só por curiosidade, gostava de saber.

Quer-me cá a mim parecer que ainda se haverá de fazer algumas descobertas escabrosas acerca desses artistas.

sexta-feira, junho 28, 2024

António Costa no Conselho Europeu. Salve.
Num patamar cá em baixo, muito em baixo, muitos jornalistas e comentadores-minions das televisões portuguesas.
Como antídoto contra a mediocridade de grande parte da comunicação social, a poesia de Manoel de Barros

 

Estou contente com a eleição de António Costa para a Presidência do Conselho Europeu. Penso que a sua inteligência, a sua capacidade de trabalho, a sua energia, a sua boa atitude, a sua determinação e a sua visão serão muito úteis na gestão das suas novas funções. Estou em crer que vai dinamizar e recentrar as atribuições e as responsabilidades do Conselho Europeu.

Mas com tanto comentário em todo o lado a toda a hora nas televisões, maioritariamente com observações entre o ressabiado, o invejoso e o cínico por parte de gentinha que dá ideia que é contratada apenas pela sua mediocridade, já não consigo dizer muito mais. Tem sido uma overdose. Uma pessoa foge e, para onde quer que fuja, lá estão as vizinhas na má-língua. Dá ideia que quem contrata comentadores quer lá ter gentinha maledicente, parva, gentinha que se dá ares de importante, de superior, e que parece que está ali apenas para menorizar quem tem dois dedos de testa.  Claro que aqui e ali lá aparece alguém decente. Mas é uma minoria e, lamento, não justificam o sacrifício da estucha que é ouvir os outros.

Além do mais, levei a segunda dose da vacina contra a pneumonia e estou com o braço muito inchado, encarnado, quente, ultra dorido. Estou com gelo mas, sinceramente, estou bastante incomodada. É que não é apenas no lugar da picada: vai até ao cotovelo. Um desconforto grande. Nem consigo mexer o braço. Caraças. Levei a vacina à hora de almoço de quarta-feira e à noite até estive febril. Quando me deitei, até batia o dente. Um disparate. Agora febre não tenho mas mal mexo o braço. Dói-me, está inchado, quente. A enfermeira avisou que isto podia acontecer mas como avisam sempre e, até agora (vacina contra a gripe,  contra a covid), nunca tal tinha acontecido, nem pensei nisso. Afinal vai lá, vai... Portanto, tenho andado assim e, portanto, não consigo inspiração e disposição para mais que isto.

Agora o que me sabe bem é ouvir palavras humildes, genuínas, bondosas. Poesia de Manoel de Barros.

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Maria Bethânia lê Manoel de Barros - Ruína


Carolina Muait | Tratado Geral das Grandezas do Ínfimo | Manoel de Barros


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Boa sorte a António Costa

Dias felizes a todos