Este domingo mostrou-se afável como há muito não via os dias. Nem vento nem chuva nem frio. Um solzinho algo tímido mas, ainda assim, bem agradável. Consegui andar a varrer as folhas, consegui andar cá fora sem ter que me desviar da chuva nem andar encasacada. Bem bom.
E fizemos umas boas caminhadas. Cruzámo-nos com mais pessoas do que é costume, em especial pais com crianças pequenas a andar ou a aprender a andar de bicicleta. O meu marido disse que devem ser bicicletas recebidas pelo Natal. Também várias pessoas a passearem os cães. Os campos verdes de dar gosto. Daqui por algum tempo o verde será erva alta mas, por enquanto, parece relva e musgo, um tapete fofo por onde apetece andar.
Felizmente comprámos, há semanas, um dispositivo para secar sapatos, umas coisas elétricas que se enfiam dentro dos sapatos. Por isso, quando chego a casa costumo descalçar-me, incluindo as meias, e pôr os sapatos a secar. Andar no meio da erva molhada dá nisto. Claro que poderia usar uns ténis impermeáveis mas prefiro andar com uns muito confortáveis, maleáveis (que são porosos). Comprei há tempos uma espécie de meias de uma espécie de latex que se calçam por cima dos sapatos. E funcionou lindamente, um ovo de colombo. Mas isto de andar no meio da erva e do mato não dá saúde a coisas assim. Sem querer, em especial de noite, piso pedras, paus. Portanto, aquela espécie de botinhas elásticas já não funciona, já estão furadas, já deixam entrar a água. Mas pronto, foram baratas e já cumpriram a sua missão.
Bem. Queria eu dizer que o dia foi tranquilo.
Ao fim da tarde, como ando incomodada com a tumpalhada da Venezuela, pus-me a ouvir várias opiniões sobre o assunto. Toda a gente converge na ilegalidade, na inconstitucionalidade, na gravidade. Claro.
Mas agora ouvi a opinião de Michael Wolff, que o conhece bem e conhece bem a sua entourage e o staff da Casa Branca, e ri-me com ele e com Joanna Coles. A opinião de Michael Wolff, baseada na sua intuição e em informações recolhidas, é que aquilo de os Estados Unidos irem tomar conta da Venezuela foi uma que lhe saiu ali, no decurso da conferência de imprensa, fruto da sua mania das grandezas e da sua demência. Segundo Michael Wolff, aos poucos todos tentarão ir chutando para canto ou fingindo que estão a fazer alguma coisa nesse sentido mas, na prática, não fazendo nada -- não têm como, não têm pessoas para deslocar para lá com conhecimentos para tomar conta do que quer que seja na Venezuela, não têm autorização do congresso para se meterem em despesas, não têm nada planeado.
Como sempre, a conversa dos velhos amigos, Joanna Coles e Michael Wolff, é bastante interessante. E traz-nos o lado pessoal do que geralmente vemos analisado sob o ponto de vista político.
E se, mais do que uma bem pensada jogada geo-estratégica, tudo isto deve é ser ser visto como um cocktail de motivações erráticas, mais irracionais do que racionais...? Veja-se: o medo do que aí vem com a revelação de mais ficheiros Epstein em que inevitavelmente virão provas comprometedoras para Trump, o medo do que será a reacção colectiva das pessoas quando virem que o que vão pagar do seguro de saúde vai ser o dobro do que era e, em alguns casos, o triplo; isto a par da pressão das petrolíferas, do real state e das big tech para irem para lá sacar petróleo, terras raras, lítios e etc e irem construir hotéis, casinos, arranha-céus; e mais as provocações de Maduro a dançar e a mostrar que não tem medo dele -- tudo isto deve ter atirado aquele narcisista megalómano e demente para a frente, no que foi secundado por um grupo de palermas. Claro que os militares, que ainda não têm a coragem de não acatar ordens ilegais, executaram as ordens.
JD Vance, calculista, a preparar-se para se chegar à frente mal surja a oportunidade, e que é um isolacionista, Maga puro e duro, America first e os outros que se lixem, não apareceu na conferência de imprensa. Poderá invocar gripe ou coisa do género mas só os tolos engolirão a desculpa.
Enfim. Um mundo entregue a gente doida. Um perigo temperado pela mais absoluta imprevisibilidade.
No outro dia ouvi um terapeuta que trabalha em lares onde trata de idosos com demência a dizer que acha que Trump só deve ter mais um par de meses em que possa fazer de conta que está funcional pois rapidamente o seu estado se deteriorará a ponto de terem que o retirar de cena. Veremos.
O vídeo abaixo só começa aos 3'28". Dá para colocar tradução automática.
Michael Wolff & Joanna Coles discutem o tema Trump & Venezuela
Michael Wolff e Joanna Coles discutem a declaração de Trump de que os Estados Unidos vão assumir o controle da Venezuela após a captura do líder autocrático Nicolás Maduro.
Numa conferência de imprensa tumultuada em Mar-a-Lago, Trump também revelou planos para se apoderar das reservas de petróleo do país e alertou que "não temos medo de enviar tropas terrestres" como parte da tomada de poder.






