Como sempre, dia sem horários. O meu marido passa-se um bocado pois gosta de estruturar o dia, fazer planos. Eu não, eu é naquela base, à hora que for. Ele lá vai conseguindo encaixar-se. E eu, de certa forma, lá vou cedendo a ser minimamente domesticada.
Dia de praia e de gaivotas. Não estava um sol ardente, e ainda bem, mas estava-se bem.
A praia para nós não é espetarmos o chapéu de sol, abrirmos as cadeiras ou estendermos as toalhas no chão e ficarmos ali. Nada disso. Não há pachorra para esse imobilismo. Para nós, praia é para bater perna. Caminhámos, pois, à beirinha de água e, como é costume, não consegui resistir à tentação das conchinhas. O meu marido bem tenta demover-me mas já apenas balbucia, já sabe que é uma causa perdida. Gosto de conchinhas e quanto mais translúcidas ou mais nacaradas ou com quanto mais imperfeições, melhor. Claro que depois fico sem saber o que fazer com elas, mas isso já são outros quinhentos. Para já, tenho posto numa mesinha, no terraço, onde estão uns vasos.
E vou fotografando, adoro ver o mundo através de uma lente, mas na praia, confesso, é um bocado mau pois, com o sol, não vejo bem o que o telemóvel está a ver. Mas é o que é, e contento-me com isso.
Não tomei banho a sério, mas avancei um pouco pelo mar. É certo que tinha os chinelos e o vestido na mão pelo que não pude mergulhar, mas senti o fresquinho bem batido das ondas. E, se não acreditam, podem ir ao meu instagram conferir (na story, a entrada nas águas, e no feed o agrupamento de gaivotas).
De regresso, fomos comprar sushi e caracóis para comermos em casa. Se é para parecer que estamos de férias, e estamos e são das grandes, das boas, então que venham os petiscos. Mas estamos comodistas: os tempos de espera nos restaurantes já nos impacientam. Preferimos chegar a casa, tomar banho, e, com calma e à fresquinha, refeiçoarmos ao nosso ritmo.
Além disso, também estive a ler -- embora me esteja outra vez a empastelar toda nas Crónicas da Lídia Jorge. Não sei. Há na escrita dela qualquer coisa que, a meus olhos, não flui. Ou, pelo menos, não fui com espontaneidade, com graciosidade. É certo que tem umas bem achadas mas umas ideias bem apresentadas (com as quais geralmente concordo bastante) ou umas imagens bem conseguidas não fazem dela uma escritora que me convença. Lamento dizê-lo. Ela é uma pessoa que me é simpática e, além disso, reconheço que o problema deve ser meu pois tem recebido tantos prémios que um mérito superior lhe reconhecem, disso não há dúvida, e não é a mim, uma iletrada qualquer, que valha a pena prestar atenção. Era o que faltava.
Portanto, siga o baile.
Não vi o jogo no qual a goleada encheu uma mão. Tenho para mim que o primeiro milho é para os pardais. No futebol e em tudo. Não é voluntário, é mesmo uma coisa que me transcende: não consigo interessar-me quando a coisa ainda está na fase de a ver no que dá. Quando estiverem nos quartos ou nas meias ou, porque não, na final, aí sim, aí estarei a torcer como uma maluca.
Portanto, enquanto dava o jogo, estive entretida cá nas minhas coisas. Sou fácil de me entreter. Ando com uma cena que tem prazos e objectivos e, portanto, ando nas minhas sete quintas.
E agora, aqui sossegada, ponho-me a par do que rola no mundo. E se rola, o sacana do mundo, anda imparável: os disparates e as baboseiras sucedem-se, os crimes ainda mais, mas, no meio da desgraça, também há muita coisa a acontecer. Para começar, há a natureza a acontecer em todo o lado e a toda a hora e isso é uma maravilha. E há os avanços da ciência, uma coisa que pode vir a ser ainda mais espectacular.
Partilho um vídeo que gostei de ver.
Nada de frases feitas, nada de aparatos, nada de 'conteúdos'. Há até uma certa humildade. E há a esperança. Mais que isso, a certeza. No fundo, apenas as coisas como elas são e como vão ser.
É bom que a gente saiba o que por aí vai. Na ciência, por exemplo na biologia, por exemplo nas neurociências mas não só, a velocidade das descobertas e da aprendizagem é estonteante. Podemos estar no limiar de transpor várias barreiras do conhecimento. A Inteligência Artificial exponencia a velocidade de aquisição, de assimilação, de estabelecimento de correlações e de extração de consequências dos novos conhecimentos.
Há um lado bom nisto... caraças, se há. Há mesmo. Assim haja quem impeça que se pisem ou transponham as malditas linhas vermelhas.
(Nota: Podem colocar legendas. De vez em quando há pessoas que me chamam a atenção para que escolho vídeos em inglês quando muita gente não consegue seguir. Por isso, vou sempre dizendo: podem colocar a legendagem automática e escolher o português, já agora o de Portugal (caso estejam cá), mas, como tenho muitas visitas do Brasil, digo: se escolherem apenas o Português, terão as legendas com mais açúcar e a graça e o requebro brasileira).
Uma análise honesta da IA na biologia feita por um laureado com o Prémio Nobel
O neurocientista e professor da Universidade de Stanford, Thomas Südhof, conversa com o escritor sénior Richard Nieva sobre a interseção entre a biologia e a tecnologia.
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