Para ouvir enquanto se lê - e para se ver a seguir (ou vice-versa)
Chavela Chaves - Flor de Azálea
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Flor Azul - Pintura de Georgia O'Keeffe |
As flores não passam de órgãos sexuais, de vaginas multicoloridas que adornam a superfície do mundo, entregues à lubricidade do mundo.
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Fotografia de autor desconhecido |
Os insectos e os homens, e também outros animais, parecem prosseguir objectivos, as suas deslocações são rápidas e orientadas, ao passo que as flores permanecem na luz, deslumbrantes e fixas.
Fotografia de Sølve Sundsbø |
A beleza das flores é triste porque as flores são frágeis, e destinadas à morte, como tudo à face da terra, é claro, mas elas muitos particularmente.
Fotografia de Robert Mapplethorpe |
A vontade de viver dos animais manifesta-se em transformações rápidas - uma humidificação do orifício, uma rigidez da haste, e mais tarde a emissão do líquido seminal.
Fotografia de Robert Mapplethorpe |
A vontade de viver das flores manifesta-se na constituição de manchas de cor deslumbrantes, que cortam a banalidade esverdeada da paisagem natural.
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Fotografia de Robert Buelteman |
Sophia de Mello Breyner
Como uma flor vermelha
Fotografia de Sølve Sundsbø |
Tenho o nome de uma flor
quando me chamas.
Quando me tocas,
nem eu sei
se sou água, rapariga,
ou algum pomar que atravessei
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Todo o texto escrito, em prosa, é da autoria de Michel Houellebecq e faz parte do livro 'O mapa e o território' traduzido por Pedro Tamen. O poema é de Eugénio de Andrade.
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Se ainda vos apetecer, muito gostaria de vos ter lá pelo meu Ginjal e Lisboa. A música é de Grieg numa inesperada interpretação e as minhas palavras voam em volta de um belo poema de José Bento.
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E já é terça feira.
O que vos desejo é que seja um dia muito bom. E procurem a beleza.

