E, antes disso, ainda acrescento que já peso menos dois quilos e picos, ou seja, já estou na média para a minha idade e altura, mas que a balança inteligente e sobredotada (comunica-me os resultados por telemóvel, faz gráficos e diz-me em que ponto da escala me situo em relação a cada indicador) diz que ainda tenho alguma gordura corporal a mais. Não é muito, creio que uns 4 ou 5% a mais (tenho o telemóvel a carregar noutro sítio, não me apetece levantar-me para ir ver o valor certo), mas não quero. Só que ver-me livre dela não está a ser pêra doce. O ChatGPT diz que tenho que fazer mais exercício ou consumir menos calorias. La Palice não diria melhor. Só que é uma dor de alma não poder comer o queijinho pelo qual me pelo, tenho que me limitar a um esquálido quadradinho de chocolate preto sem pingo de açúcar. E a fruta, que eu se fosse eu comeria às carradas, agora está mesmo limitada a 3 míseras peças por dia.
E o pior é que sei que, mesmo quando estiver no ponto, para assim me manter, terei que me manter assim, à míngua. Ora eu sou tudo menos vocacionada para me forçar a provações.
Enfim.
Bora mas é tangar.
No es por ti - Grupo Corpo (Lecuona)
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E agora é mal empregado colocar aqui um texto tão objectivo, tão exacto, como o que vou tomar a liberdade de transcrever na íntegra. Mas as coisas são o que são. O autor é Rui Bebiano, de que já antes aqui fiz referência, e escreve no blog A Terceira Noite que eu sigo religiosamente.
De forma simplificada, são dois os motivos principais que levaram à rejeição da moção de confiança e à próxima saída de Luís Montenegro do cargo de primeiro-ministro. O primeiro, mais invocado, tem a ver com práticas profissionais que colidem com o dever de exclusividade de quem detém cargos de responsabilidade no governo, por motivos acrescidos quem dele seja a figura principal. O segundo motivo, menos mencionado apesar de também importantíssimo, prende-se com o facto de a empresa envolvida, a Spinumviva, ser apenas familiar, não tendo sequer sede própria e corpos gerentes, dedicando-se basicamente ao tráfico de influências realizado sob a capa de «aconselhamento» em negócios privados.
Nada disto deveria ter acontecido, e, a ser revelado como foi, deveria ter conduzido de imediato à apresentação da demissão do cargo que LM ocupa. Todavia, não só tal não foi feito, como depois da triste novela pública vivida ao longo destes dias, o mesmo LM declarou pretender apresentar-se de novo a eleições e afirmou nada ter feito que «qualquer português não fizesse». Se assim acontecer, o PSD irá arrastar o país para uma situação de impunidade legal e ética premiada. Sabemos que em países como os Estados Unidos da América de Trump isto está a tornar-se trivial, mas, caramba, nós ainda vivemos no democrático país de Abril. Por isso de modo algum pode acontecer.
Como gosto de me pôr à prova e tenho dificuldade em virar costas a um quizz ou a testes que me digam o que eu penso, experimentei as dating apps que os jornais disponibilizaram para podermos validar quais os partidos ou os líderes com que mais nos identificamos.
Muito consistentemente deu-me o que me costuma dar: em primeiro lugar o PS, em segundo o Livre. Cá bem em baixo, aqueles com que não tenho nada a ver como o Chega ou o PCP. Bate certo.
Dito isto, considero que a campanha do PS parece que ainda não percebeu que, para ganhar, tem que ir buscar votos a quem está a pensar votar na AD ou a quem, estando hesitante, não está muito convencido a votar no PS. Ou seja, tem que perceber as dúvidas ou os anseios da classe média que não se revê em políticas muito encostadas à esquerda. Como escrevi aqui no outro dia, o PS não tem que falar para quem gosta do PCP ou do Bloco pois esses vão votar no PCP ou no Bloco. Não é com esses que o PS tem que se preocupar. Tem que se preocupar com aqueles que, nas últimas legislativas, votaram no PS (com António Costa) e que agora estão preocupadas com receio que o Pedro Nuno Santos dê ouvidos ao Bloco e ao PCP, nomeadamente, com aqueles para quem a conversa da AD de redução de impostos é música para os seus ouvidos.
Apesar de eu compreender as dúvidas desses hesitantes ou de preferir e um PS mais social-democrata e mais virado para a frente, mais aberto às grandes questões do mundo, e, em contrapartida, menos agarrado às reivindicações corporativistas de várias classes profissionais, considero que, face às reais alternativas, o PS é a melhor aposta, a mais segura, a que me dá mais confiança, a mim e ao País. Apesar de votar onde poderia eleger deputados do Livre, não quero arriscar. O meu voto é consciente e é útil.
Jamais daria o meu voto a quem pode colocar em risco a democracia, a liberdade, os avanços sociais que já foram conseguidas, a aventureiros, a populistas, a gente desqualificada ou traiçoeira.
E agora, esperando que não levem a mal, vou importar para aqui as declarações de voto de duas pessoas cuja opinião prezo.
O meu voto sempre esteve, no momento da decisão, associado à pluralidade da representação da esquerda e à escolha de políticas baseadas nos valores que esta fundamentalmente partilha. A saber, para mim e para tantas outras pessoas: a defesa da democracia e da liberdade, a promoção da justiça social e de um desenvolvimento material harmonioso, a propagação do bem-estar, da saúde e da educação, o progresso da cultura, a defesa dos direitos humanos e do relacionamento pacífico entre povos. Sempre ancorados no papel imprescindível, ainda que infinitamente em construção e aperfeiçoamento, do Estado-Providência. É este, na essência, o sentido da minha escolha no momento de votar. E é também esta a razão pela qual, com o gesto, procuro contribuir para afastar a direita, a extrema e a dita «moderada», que são o contrário de tudo isso.
Direto agora ao assunto apontado no título. O partido cujo programa, apesar de algumas pequenas discordâncias, está mais próximo das minhas convicções – a defesa integrada de universalismo, liberdade, igualdade, solidariedade, socialismo, ecologia e europeísmo – é o Livre. Todavia, sei que, no presente contexto e com a atual lei eleitoral, em muitos distritos levará a votos perdidos; assim, se votasse em Lisboa, Porto, Braga ou Setúbal, onde pode eleger, votaria no Livre, mas não sendo o caso, votarei sem hesitar no Partido Socialista. Este é o partido de esquerda mais forte e aglutinador, que pode impedir o regresso da direita e tem condições para governar. Mesmo discordando de algumas das suas escolhas e personalidades, creio ser a solução possível, de preferência em convergência à esquerda. Tendo simpatia por escolhas e por pessoas do Bloco de Esquerda, que por muitos anos apoiei, reconhecendo o seu importante papel, temo o seu desequilibrado sentido institucional, bem como algumas das suas prioridades no combate político, mas representará sempre uma opção progressista e combativa.
Nas últimas eleições sugeri o voto em qualquer dos partidos da esquerda, mas reduzo agora o leque, pois dois deles perderam a escassa confiança que neles ainda tinha. Um é PAN, sem coerência para além das suas causas pontuais, pactuando com diferentes campos sem uma orientação clara, desde que da escolha resulte a participação num quinhão de poder. Outro é o PCP – o PEV é, de facto, um partido sem vida própria – que, apesar da sua respeitável história e das muitas pessoas honradas que sem dúvida inclui, continua a revelar-se defensor de ditaduras, como as da China, da Coreia do Norte ou de Cuba, e de regimes autoritários, como o da Venezuela, o da Síria e o da Rússia neoimperialista. Ao mesmo tempo, tem pactuado com a invasão da Ucrânia, em nome de uma «paz podre», tem sido sempre anti-União Europeia, e, além de conservador no plano dos costumes, tem-se batido contra causas justas e urgentes, como a defesa da morte assistida ou o fim das touradas. Quem considere isto irrelevante, que me ignore.
A minha escolha é esta e a ela não voltarei até ao dia das eleições.
(...) O meu voto no PS é paradoxal. Considero que esse partido suporta isolado a coesão da comunidade, ligando as carências de pobres, remediados e ricos em políticas que não ambicionam a revolução nem a perfeição. A história do PS como partido de poder confunde-se com a história da democracia como regime da inclusão e do desenvolvimento pragmático, realista, consequente. E estes predicados são os mesmos que me levam a considerar o PS como o principal responsável pela perigosíssima, e já trágica, disfunção dos órgãos de Justiça, Ministério Público como corporação e certos juízes incluídos.
No PS não existem respostas para essa crise do poder judicial tomado pelo justicialismo e cometendo crimes sistemáticos. Não existe sequer um discurso que permita ter esperança a respeito. Restam as pessoas a dar o seu melhor, confusas e assustadas com os poderes fácticos em acção. Sendo demasiado pouco, é nesta circunstância infinitamente melhor do que nada.
Gerou celeuma na caixa de comentários eu ter dito que, do que tinha visto das (creio que) duas vezes em que fui à Festa do Avante, me tinha parecido sobretudo um encontro de campistas e excursionistas. Mas é, na realidade, a ideia com que fiquei: excursionistas e campistas todos cumprimentando-se por não se verem desde o ano anterior, todos numa de camaradas para aqui, camaradas para acolá.
Tão assim que até a mim, quando me apanharam a jeito, me trataram por camarada. Juro. E por tu. Tudo na maior intimidade. Contei isso, algures por aqui. A mim que me faz imensa impressão que pessoas que não conheço de lado nenhum me tratem por tu, imagine-se, 'Camarada, queres fria ou natural? Ok, toma lá. Tens trocado?'. Isto quando fui comprar uma garrafa de água ou coisa do género. Aquilo ali é como se fosse tudo deles. Não descansei enquanto não me raspei de lá, claro.
Coisa a atirar para o quase deprimente, desfasada da realidade, uma coisa muito na base do público do 'domingão', pela faixa etária dominante tudo mais na base do encontro de reformados e, quase todos, seguindo um dress code muito peculiar, um temático demasiado vintage, quase cómico.
Pois bem, diz Rui Bebiano (historiador, professor de história contemporânea na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e investigador do Centro de Estudos Sociais. Atual diretor do Centro de Documentação 25 de Abril) no seu post Quatro tópicos sobre a Festa do Avante!:
A Festa é em larga medida a romaria, o farnel, o convívio, o namoro, a música, as exposições, e só depois outra coisa.
Isso. Exposições tenho ideia que vi uma razoável mas mal apresentada. De resto, feira de artesanato do mais banal que há. A parte política nunca frequentei, já seria demais para a minha capacidade de encaixe.
Em conversa posterior com outra pessoa e lembrando-me das pessoas que lá vi
-- umas de boina à Che, outras de echarpe aos quadradinhos pretos e brancos à OLP, quase todas ataviadas com adereços evocando um tempo passado em que ainda havia quem acreditasse que por onde o comunismo se instalou não tinha havido ditaduras, restrições à liberdade (de expressão e físicas) já para não falar em assassinatos à descarada e, tantas vezes, em larga escala --
ocorreu-me que, no fundo, era uma coisa folclórica muito parecida com aqueles encontros que há nos Estados Unidos entre os amantes do Elvis. Uns acreditam que ele está vivo, outros acham que foi do melhor que houve, quase todos também se arranjam evocando os adereços típicos do Elvis. No fundo é a mesma coisa.
Com a excepção de aqui, na Festa!, é mais grave, aqui não é coisa de brincadeirinha, aqui apoiam mesmo regimes de fugir, daqueles que faz favor.
De novo a palavra a Rui Bebiano no mesmo post:
(...) de acordo com a suas fidelidades políticas, o partido acolhe na festa representantes de regimes censórios, repressivos e de partido único, como tem acontecido, de uma forma particularmente questionável pelos da Coreia do Norte, da China ou mesmo de Cuba, entre outros. (,,,)
E já nem falo sobre a hipócrita posição do PCP sobre os miseráveis e inaceitáveis crimes de guerra de Putin contra a Ucrânia. Passo antes, de novo, a palavra ao Prof. Rui Bebiano.
Este ano a Festa tem a pairar sobre si os fantasmas levantados pela guerra de invasão da Ucrânia pela Rússia. O mote escolhido «Pela Paz! Contra o imperialismo, o fascismo e a guerra!» sublinha a posição oficial do PCP, que contra o imperialismo norte-americano exclui do seu universo de crítica o russo e o chinês, que adere à narrativa de Putin sobre o governo «nazi» de Kiev, que culpabiliza pela situação apenas o chamado Ocidente e que chega ao ponto de considerar a Ucrânia o país agressor. Uma posição muito pouco justa e racional, que não pode ser ignorada.
Enfim. Adiante. É o que é. Há gostos para tudo. Também não há aqueles encontros das Testemunhas de Jeová? Também não se acham todos uns iluminados? Que com eles é que o mundo era melhor? E vá lá a gente tentar convencê-los que nada do que dizem faz sentido... É o tipo de crenças que vira do avesso a cabeça de algumas pessoas. Parece mentira mas é verdade.
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A propósito de Rui Bebiano, cujos textos me parecem sempre de meridiana clareza, permito-me ainda transcrever parte de um outro que também me pareceu interessante e cuja leitura integral recomendo:
(...) Já o prosélito tende a persuadir o conformista. O proselitismo representa uma forma de conversão de pessoas ou grupos, entendido por quem a pratica como uma incessante missão, destinada a obter um apoio integral a determinada causa, doutrina, ideologia ou religião. O seu objetivo supremo é gerar outros prosélitos, pessoas convertidas à sua orientação, que depois continuam junto de outros a missão de convencimento. Encontramos sobretudo duas grandes formas de proselitismo, a religiosa e a política, que recorrem a técnicas de persuasão antiéticas e muito agressivas, não hesitando com frequência em mentir, deturpar ou caluniar, denegrindo outras ideias e convicções, para de forma mais rápida e eficaz, através da catequização e da total ausência de um verdadeiro diálogo, alcançarem os efeitos que procuram.
O prosélito é socialmente nocivo e perigoso, uma vez que se aproxima do fanatismo e do pensamento único, contrariando as ideias ou escolhas que, por pouco que seja, desmintam o seu programa e as suas certezas. Deste modo, é com frequência um promotor ou um defensor de ditaduras e regimes autoritários, sejam os do passado ou os do presente, e um inimigo dissimulado ou declarado das formas de democracia, se bem que frequentes vezes declare falar em nome desta. Desenvolve a sua missão em nome de ideais sedutores que podem parecer positivos aos olhos do cidadão comum, como os de fé, de salvação, de igualdade, de solidariedade, de justiça, de resistência, de povo, de pátria, de nação, de paz, de progresso, de ordem ou de liberdade, mas que na sua boca acabam sempre adulterados ou diminuídos.
Através da história, encontramos casos de proselitismo sobretudo entre adeptos fanáticos e irredutíveis de certas religiões, ideologias ou causas, ou de determinados partidos e movimentos políticos, em particular entre aqueles que recusam dialogar com todos os que escapam ao seu círculo de influência e aos seus critérios de verdade, rejeitando desde logo os que, por um dia terem dialogado com as suas convicções e delas terem divergido como apóstatas, mais perigosos se tornam para as suas certezas e objetivos táticos. Contra eles estão até dispostos a usar a maior violência, seja esta verbal ou, se as condições o permitirem, mesmo física. (...)
E para que não se pense que desvalorizo o Elvis, o original, aqui o afirmo a pés juntos: não desvalorizo, não senhor. Um rei. Ainda por cima um rei com sentido de humor.
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E, sim, volto a dizer (para que não voltem a lembrar-mo), não me esqueço nem nego o valor do PCP na luta contra o fascismo antes do 25 de Abril. Não é isso que está em causa. Há umas décadas atrás o PCP fez sentido (actuando muitas vezes de forma questionável, com aquilo dos controleiros e etc., já carregados de ortodoxias, já não querendo ver que a utopia que defendiam tinha pés de barro e mãos sujas de sangue -- mas, enfim, adiante).
Também considero que o País precisa de partidos de esquerda, mais à esquerda do que o PS. Mas falo de uma esquerda moderna, aberta aos desafios do tempo presente, sabendo interpretar o futuro. Não é o caso do PCP que, tal como hoje é, não faz falta nenhuma ao País.
Nota: Claro que no espaço de Rui Bebiano, A Terceira Noite, não há cá gifs ou macacadas: as imagens que aqui aparecem são, como é bom de ver, escolha minha. As suas palavras são as que neste post aparecem em itálico. E, claro, fui eu que resolvi destacar duas das palavras, não ele.