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sexta-feira, março 20, 2026

‘Cenário apocalíptico’ - refere o Guardian*.
Para o compreender, ouçamos o que Joanna Coles e Michael Wolff têm a dizer sobre o que se passa dentro da cabeça de Trump e ouçamos também o que Jon Kent e Tucker Carlson, duas pessoas que muito o apoiaram (e conhecem tudo o que se passa) têm a dizer sobre o assunto

 

Aquilo a que se assiste no Médio Oriente é de loucos. O que poderia temer-se que acontecesse, está a acontecer: um doido varrido ao leme dos Estados Unidos. O meu marido desta vez não anda tão pessimista como eu, acredita que ele vai perceber que tudo lhe pode correr mal demais e, ao mesmo tempo, fartar-se, e um dia destes decidir que se vêm embora do Irão pois, segundo apregoará, já não haverá lá mais nada para fazer: Já ganhei, já obliterei tudo de vez, sou o maior - dirá. Eu não tenho essa perspectiva pois receio que ele esteja demasiado na mão do criminoso Netanyahu e não seja tão simples assim dar de frosques. Além disso, mesmo que recue, já causou danos tão extensos e tão irreversíveis que as consequências económicas, políticas e sociais se farão sentir de forma muito impactante nos próximos tempos.

Acresce que ele não é apenas maluco. É também cruel, destituído de arrependimentos. As coisas de que já foi acusado, os casos conhecidos em que já esteve envolvido (e os casos de que talvez ainda nem saibamos) e as vinganças que exerce sobre as pessoas que lhe fazem frente ou que o fazem sentir encurralado são de fazer temer o pior. É destituído de autoconsciência e de princípios. E está maluco.

Tenho lido e ouvido vários testemunhos e várias opiniões. Aliás, os dissidentes da sua base de apoio começam a aparecer e a falar, ou melhor, a pôr a boca no trombone, e, à medida que se vão sabendo mais episódios, mais é de se ficar preocupado. É certo que em Novembro há as intercalares e, com certeza perdê-las-á (a menos que consiga impedir as eleições) -- mas daqui até Novembro é muito tempo e, ao ritmo a que ele inventa novas parvoíces, pode dar cabo do mundo de vez.

Uma das opiniões que gosto de escutar, porque me parece que faz sentido e porque as vejo corroboradas por acontecimentos posteriores, é a de Michael Wolff, quer nos seus vídeos curtos no Instagram quer no podcast Inside Trump's Head, no The Daily Beast, com a Joanna Coles. Diz ele que todas as decisões são tomadas por Trump sem ouvir conselheiros. Ou melhor, ouvindo apenas o que lhe interessa ouvir. Portanto, para compreender o que está a passar-se, o melhor é perceber como funciona a cabeça (disfuncional) dele. E eu concordo. 

E reparemos: no meio de uma guerra como esta, ele continua feliz e bem disposto, brinca com aviõezinhos na Sala Oval, diz inconveniências que são mais do que de mau gosto, mas que diz como se fossem piadas, à Primeira-Ministra do Japão, e, no reality show que são as sessões contínuas na Casa Branca, diz que vai tomar conta de Cuba, e diverte-se a pronunciar a palavra Cu-Bá, e a seguir já andam a fazer saber que vão divulgar documentos secretos sobre extraterrestres... ou seja, continua a ser a festa do costume, uma produção permanente de conteúdos. O que sai daquela cabeça não é nada pensado, sopesado, consistentes, avaliado à minúcia. Não. Nada disso. É o que lhe dá na gana sem se preocupar em ser coerente. 

Por isso, não será má ideia tentar perceber como funciona aquela cabeça preenchida por poucos e fracos miolos. O caos, a confusão, as traições, a influência desmedida do genro, Jared Kushner, a descoordenação que chega a ser ridícula, o nível de anedota é demais, parece impossível.  Note-se que a Joanna Coles volta e meia desata a rir e ele também... e eu também. Não será caso para rir mas, na realidade, é difícil levar a sério. O pior são os mortos, é a destruição e as consequências da porcaria que ele anda a fazer.

Abaixo dos dois vídeos entre eles, há uma outra conversa que é de nos deixar muito apreensivos. Jon Kent, ex muito apoiante de Trump, responsável pela Unidade de Contraterrorismo demitiu-se sonoramente, batendo com a porta, publicando uma carta e dando uma entrevista a Carlson Tucker, outro ex-fiel e ex-alto propagandista de Trump. E as revelações queimam: não apenas não havia motivos para atacar o Irão (o que já é mais que óbvio para toda a gente), não apenas andam a matar alguns dos iranianos que poderiam servir de ponte para uma negociação, como há meses que os israelitas andam a pressionar para atacar o Irão (aliás, há muitos anos, mas agora reportando-nos apenas ao 2º mandato de Trump), tendo sido afastados todos os conselheiros e especialistas em segurança que avisavam para não o fazer... e ainda outros assuntos aparentemente não relacionados como o assassinato de Charlie Kirk, ficando no ar a suspeita de que houve mão israelita (ou mais que isso?) porque Kirk andava a mijar fora do penico israelita, e que, sabe-se lá porquê, a investigação foi bloqueada. Isto dito pelo responsável pelo Contraterrorismo. Muita coisa é ali dita. A entrevista é longa mas vale a pena ouvi-la. Creio que vai lançar estilhaços em muitas direcções.

Mas, primeiro, a dupla Michael Wolff e Joanna Coles (já sabem: caso não consigam acompanhar bem o que eles dizem, podem activar a legendagem automática)

Eu sei porque é que a presidência de Trump está condenada ao fracasso: Wolff | Dentro da cabeça de Trump

Michael Wolff junta-se a Joanna Coles precisamente quando a demissão repentina de um alto funcionário antiterrorista devido à guerra no Irão expõe fissuras dentro da própria coligação de Trump. Com figuras do movimento MAGA a virarem-se contra o conflito, mesmo enquanto Trump insiste que está a "obliterar" a capacidade militar do Irão, Wolff explica a lógica direta que orienta o pensamento de Trump: se os generais disseram que a obliteração era possível, então a missão deve estar a funcionar — mesmo com a ameaça de disparar os preços do petróleo, o regime iraniano aparentemente mais entrincheirado e o presidente preso no clássico dilema de uma guerra que não pode vencer nem sair facilmente. Analisam também a estranha insistência de Trump de que um antigo presidente dos EUA elogiou em privado a sua estratégia para o Irão, as disputas silenciosas pelo poder entre Marco Rubio e J.D. Vance, a crescente influência de Jared Kushner na política do Médio Oriente e porque é que a próxima fase da presidência de Trump pode parecer familiar: a procura de alguém — qualquer um — para culpar.



A verdadeira razão pela qual Trump perdeu a cabeça com um aliado importante: Wolff | Dentro da cabeça de Trump

Michael Wolff e Joanna Coles mergulham no caos crescente dentro do universo de Trump, à medida que a guerra com o Irão expõe uma verdadeira guerra civil entre os apoiantes de Trump. Tucker Carlson, Megyn Kelly e Nick Fuentes confrontam-se com Ben Shapiro, Laura Loomer e Mark Levin numa disputa renhida sobre Israel, o anti-semitismo e o futuro do movimento. Wolff revela informações chocantes dos bastidores sobre as correntes conspirativas que impulsionam a base de Trump, a crescente crença de que forças obscuras estão a dirigir a política externa dos EUA e como figuras como Jared Kushner estão a ser reinterpretadas em narrativas sombrias e perigosas. Enquanto Trump se atrapalha num conflito que nunca planeou, marginalizando os seus próprios aliados do "America First" e abraçando os falcões tradicionais, o episódio retrata um movimento a fragmentar-se em tempo real — onde a ideologia, o oportunismo e o ressentimento colidem, e onde a batalha pelo controlo do MAGA pode remodelar a política norte-americana de formas que poucos previram.

E agora, os dois ex-grandes apoiantes de Trump que agora estão em acelerada divergência, sobretudo revoltados com a total e dominante influência de Israel:

Joe Kent revela tudo na sua primeira entrevista desde que se demitiu do cargo de diretor de contraterrorismo de Trump -- com Tucker Carlson

Joe Kent é antigo diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo e principal conselheiro do presidente para assuntos terroristas. Serviu durante 20 anos no Exército dos EUA, com 11 missões de combate a combater redes terroristas no 75º Regimento de Rangers, nas Forças Especiais do Exército e no Comando de Operações Especiais do Exército dos EUA, tendo recebido seis Estrelas de Bronze. Joe é também marido de uma militar condecorada com a Estrela de Ouro. A sua primeira mulher, a Suboficial Chefe da Marinha Shannon Kent, também serviu no Exército e foi morta em combate contra o Estado Islâmico na Síria em 2019.


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Esperemos que os tempos de paz e de esperança, como que por milagre, regressem ao mundo

segunda-feira, setembro 22, 2025

Just saying

 

Volto a um dos temas que me anda a preocupar por demais: a transição de regime nos Estados Unidos às mãos de um único homem.

Apesar de ser claro para toda a gente com dois dedos de testa que esse homem tem uma mente perturbada, a verdade é que o regime de um grande país como os Estados Unidos soçobrou em pouco tempo e que o resto do mundo assiste passivo e submisso, vergando as costas para agradar a esse narcisista maligno, psicopata, paranico, vingativo, demente, etc.

Este domingo, com as cerimónias fúnebres de Charlie Kirk, ficará na história como um dos marcos dessa perigosa viragem para um regime totalitário, obscurantista, persecutório, em que a bíblia, ou melhor, a sua interpretação desenquadrada e fundamentalista, substitui a Constituição. 

Uma multidão ululante, cega, avidamente transformou em mártir um influencer racista, xenófono, reaccionário, misógino que, não se sabe ainda porquê ou por quem, foi assassinado. Obviamente condeno este homicídio pois sou visceralmente contra o uso de armas e de violência para resolver diferendos ideológicos ou outros. Portanto, acho chocante que alguém faça o que foi feito, assassinando Charlie Kirk.

Mas condenar o seu assassinato não pode levar, de modo algum, à sua transformação num mártir nem ao branqueamento do que ele disse e fez.

Contudo, tudo o que aconteceu naquela tarde -- aquele disparo, um único tiro -- está tão cheio de contradições, de inexplicações e de impossibilidades que fico espantada por tanta gente achar normal uma narrativa que se desfaz a ela própria.

Não ouso alinhar-me com nenhuma das inúmeras teorias que irrompem mas, sem mais comentários, partilho vídeos que aparecem pela mão de ferrenhos MAGA's, amigos do peito de Charlie Kirk, que têm vindo a fazer saber que Charlie KIRK, nos últimos tempos, parecia estar a afastar-se de algumas linhas traçadas por quem parece mexer todos os cordelinhos da política americana. Por exemplo, estava a demarcar-se cada vez mais frontalmente de Netanyahu. Por exemplo, estava também a manifestar-se cada vez mais claramente sobre a possibilidade de Epstein ter sido um activo da Mossad ou da CIA ou sabe-se lá de quem. Por exemplo, estava a exigir cada vez mais abertamente a divulgação integral dos ficheiros Epstein, tema que, obviamente, deixa doido não apenas Trump como todos os envolvidos.

Sendo ele o ponta de lança do MAGA no recrutamento de jovens, o principal responsável em manter viva a chama  pró Trump e pró MAGA na camada universitária e junto dos jovens que vivem nas redes sociais, alguns dos mais ilustres e vocais MAGAs  (Megyn Kelly, Candace Owens e Tucker Carlson, por exemplo) sugerem, embora não o explicitem, que as inúmeras ameaças que Charlie Kirk vinha recebendo poderão ter alguma coisa a ver com o seu fim.

São mundos que me são estranhos, que me assustam, que me metem medo e sobre os quais nada sei. Apenas sei que gostaria que os meus filhos e netos vivessem sempre em democracias sãs, liberais, humanistas, livres, modernas. Gostaria que nunca no meu país se vivesse uma realidade diabólica, demente, disfuncional, distópica como aquela que se vive nos Estados Unidos.

Seria bom que os portugueses e os europeus em geral conhecessem um pouco melhor o que está ali a passar-se. Talvez só assim percebam o risco que é abrir as portas a movimentos populistas, anti-democráticos.

Partilho estes vídeos apenas porque penso que devemos ter um pensamento crítico, informado, que devemos questionar as narrativas que não nos parecem lógicas, que devemos olhar para o que se passa à nossa volta, para o que se passa atrás do que nos é mostrado.

Megyn Kelly Breaks Down the Controversy Surrounding Candace Owens, Ackman, Israel, and Charlie Kirk

Megyn Kelly breaks down the controversy surrounding Israeli Prime Minister Netanyahu’s comments on Charlie Kirk’s legacy, Candace Owens’ remarks about the letter and Kirk's views on Israel, Megyn and Charlie's conversation about Israel last month, and more.


Kirk on Epstein




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Desejo-vos uma boa semana a começar por esta segunda-feira

Que a paz, a democracia, a liberdade e o humanismo nunca nos faltem