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quinta-feira, dezembro 05, 2013

Cinza depois da música na gaveta do fundo. A dama e o unicórnio. Amigo, queredes vos ir?





Porque é que algumas pessoas não gostam de poesia? 


Tão estranho isso me parece que frequentemente me interrogo bem como costumo interrogar as pessoas que gostam de ler em geral, exigentes na qualidade da prosa mas que não lêem poesia. Dizem-me que a poesia não lhes diz nada e ponto final.

O que há, pois, na poesia que convoca uns e deixa outros indiferentes?

Já aqui contei: um grande amigo meu, leitor exigentíssimo, para me provar que a poesia é pouco mais que nada, pegava num poema e lia-o de seguida. Uma coisa assim: "Alguma coisa desassossegou o espírito do lugar e propagou sementes de solidão e derramou ventos que mordem o vazio dos campos. É tempo de dizer adeus às almas".

E, meia dúzia de segundos depois de ter começado, tinha lido de carreirinha o poema e virava-se para mim, 'Pronto, está lido. Diga-me lá qual a graça disto?'

Eu dizia-lhe que ele é que estava a matar o poema, lendo-o assim, de supetão, e ele retorquia que os poetas é que, como são gente sem assunto, para fazerem render o peixe, de três em três palavras mudam de linha para ver se enganam os incautos. Eu ainda tentava argumentar com a respiração, com a pausa necessária para apreciar as palavras, coisas assim, mas ele atalhava, "ó menina, tretas!". Acabei por desistir.

E, no entanto, eu leio um poema, aquele mesmo que acima foi transformado em duas frases espalmadas e, lendo-o com vagar, parece que estou a degustar um néctar muito puro, a essência da essência.

Alguma coisa desassossegou
o espírito do lugar e propagou
sementes de solidão e derramou
ventos que mordem o vazio dos campos. 
É tempo de dizer adeus às almas.


Leio este pequeno poema de A. M. Pires Cabral e parece que é como se a sombra se tivesse imobilizado sobre um lugar desabitado, um lugar onde o vento esvaziou as almas. (Não é o caso das fotografias que aqui coloco e que mostram a vista que tenho in heaven, um lugar muito docemente habitado).

Rubras como poentes
estas vinhas. Rubras como 
o consolo que se ocultava nos bagos 
e, uma vez ocorrida no lagar 
a química benévola, 
deles se destila - e nos escalda.


E quase paro de respirar para sentir o rubro quente das videiras, os bagos de sangue, o calor que nos consola o corpo. E, no entanto, são apenas palavras.


*

Estou com isto porque hoje comprei o último livro da colecção da editora Tinta da China coordenada por Pedro Mexia, o 'Gaveta do Fundo' de A. M. Pires Cabral. Tal como os anteriores é um livro especial. Pedro Mexia é um bom olheiro, disso não haja dúvidas. A poesia que escolhe não é óbvia, não é daquela poesia que de tão fácil ou banal se torna descartável. Não: a que ele escolhe fica inscrita em nós.


Os livros, em si, têm cuidada edição - e se eu sou sensível a isso. A paginação é agradável, o papel é bom, o papel da capa parece uma seda rugosa muito agradável ao toque, o design das capas e as cores são elegantes.

Para vos mostrar, fiz uma das minhas instalações. E, como de costume, um dos livros tresmalhou-se, desta vez foi o do João Vário. Se fosse uma ovelha, eu assobiava por ele e ele acabaria por se chegar; mas, assim, como chamá-lo? Desisti e fotografei os que encontrei, este novo e mais o do Luís Quintais e o da Rosa Oliveira.

Depois, quando os vi juntos, as capas fizeram-me lembrar as capas dos livros de poesia da Brasília Editora ou da Portugália Editora feitas por João da Câmara Leme há milhares de anos atrás. Coloquei dois desses para vos mostrar as parecenças, um do José Régio e outro de José Gomes Ferreira.

Sobre écharpes em tons rubros conformes à saison:

Depois da música, Luís Quintais
Cinza, Rosa Oliveira
Gaveta de Fundo, A.M. Pires Cabral

e
Poemas de Deus e do Diabo, José Régio
Poesia III, José Gomes Ferreira

e

A Dama e o Unicórnio, Maria Teresa Horta


Quanto a este último, já aqui o referi por mais do que uma vez (ou aqui ou no Ginjal, não me lembro bem).

A Dama e o Unicórnio é um livro muito belo. É daqueles livros objecto que me apetece emoldurar, guardar numa vitrine, talvez colocá-lo junto ao meu leque de ripinhas de madeira de mil oitocentos e tal. Mas não é só livro: é livro e CD, voz de Ana Brandão dizendo os poemas e música de António Sousa Dias.


A produção executiva, a capa e paginação estiveram a cabo do Atelier 004 de Patrícia Reis - um grafismo invulgar, um bom gosto sedutor. Ou seja, uma obra especial, uma preciosidade (um presente de Natal ímpar, digo-vos eu). 


Se eu um dia fizer um livro acho que vou pedir à Patrícia Reis que o torne tão bonito assim (presunção e água benta, qualquer qual toma a que quer, ora essa)

Tenho estado a falar da forma mas, claro, o conteúdo é qualquer coisa... Poemas muito belos, um roteiro poético em torno da série de 6 tapeçarias La Dame à la Licorne descobertas em em 1841 e que podem ser vistas no Musée de Cluny.

Transcrevo, ao acaso, um poema e mostro-vos a fotografia de um outro:


A lenda    A história
o tormento    o afago
confissão de desejo

onde o poema fia
(...)
À mon seul désir
desafiando o amado
dedos esvoaçados

onde a pele adivinha

Ardilosa seduzindo
entre o jogo e o jogado
tomando o que pode

de si mesma rainha
SIGILO
         Seduziste-me
         Senhora
         e eu deixei-me seduzir

         de bom grado

         No sigilo de vosso
         colo
         na devassa de vosso espelho


O meu amigo diria que a Maria Teresa Horta não tinha muito que dizer sobre o sigilo e que, com menos de vinte palavras, despachou o assunto.

Eu, pelo contrário, pasmo com o murmúrio, o secretismo da sedução assim descrita - e para os quais bastaram menos de 20 palavras.

*

Por tudo isto, pergunto: o que é preciso para se gostar de poesia?

Saber respirar, saber adivinhar a música que se esconde no lado silencioso das palavras, saber dar o tempo necessário para que a luz ou a sombra escolham onde pousar?

Não sei.

Apenas sei que, para mim, a poesia é imprescindível.


***

A música lá em cima é Amigo, queredes vos ir? de Dom Dinis, cantada por Paulina Ceremuzynska


***

[Não me apetece muito agora dizer-vos isto porque é matéria muito pouco poética mas, assim como assim, deixem que vos informe: sobre o novo movimento de gente de bem do PSD que está capaz de esganar a ala passista e os cães com pulgas que tomaram de assalto o partido laranja, é descerem, por favor, até ao post já aqui abaixo]

***

«««« Não devo conseguir responder aos vossos comentários pois quero escrever sobre a Leonor e perdi um tempo danado com isto que acabaram de ler. Ponho-me a fazer formatações maricas e isto desalinha-se tudo e eu para aqui ando de volta, a pôr espaço de um lado, a tirar de outro... e o tempo vai sendo consumido com isto. E tanto que eu gostava de ir dar uns dedos de conversa, ando com saudades de conversar convosco »»»»

sábado, junho 22, 2013

1. Leanne Rowe, australiana, depois de sofrer um acidente de carro, acordou a falar com sotaque francês. A tia do meu amigo acordou a falar espanhol // 2. Segundo o 'garganta funda' Edward Snowden, a agência de espionagem britânica, a GCHQ, obteve acesso secreto às redes telefónicas e de internet do mundo inteiro (operação com nome de código Tempora) // 3. 'Governo cria encontros diários com a imprensa e lança novo site para cidadãos', mais uma iniciativa inteligente de Passos Coelho e do seu verdinho de estimação - digo maduro, digo Poiares Maduro. // 4. Rosa, ó Rosa! Rosa! Rosa Oliveira, mulher! Anda cá outra vez. Deita aqui em cima um pouco da tua Cinza...!


Estive afastada das notícias durante dois dias. Dois. Apenas dois. No entanto, de volta a casa, eis que constato que o mundo deu algumas reviravoltas sobre si próprio. Bem, alguns - mais coca-bichinhos - até são capazes de pensar que não sei que é suposto que o planeta dê uma ou outra voltita. Mas não é aos movimentos normais que me refiro. Refiro-me mesmo a cambalhotas. E não me refiro ao planeta, refiro-me mesmo ao mundo. Não sei se, no fim, ficou no mesmo sítio, se avançou um pouco, ou se retrocedeu um pouco mais, mas que andou para aqui às cambalhotas, lá isso andou.

Vamos ver.

(Nem sei por onde começar. Gosto de dar uma certa lógica às coisas. Em linguagem de consultor, diria que gosto de evidenciar o racional da coisa. Bem, os consultores não dizem 'da coisa', diriam apenas 'o racional').

1. Já sei. Começo por uma notícia quase pacífica. Enfim, pacífica, pacífica, não o será completamente já que envolve uma pancada na cabeça e uma reacção estranha, mas, enfim, trata-se de uma coisa acidental que pode acontecer a qualquer um. Ou seja, vou começar por Leanne Rowe, a senhora australiana que, depois de sofrer um acidente de carro, acordou a falar com sotaque francês.






Tenho ideia que, algures por aí, já falei no que vou contar (mas adiante porque acho que foi num comentário de outro blogue, não aqui): apesar de ser um síndroma raro, tenho um amigo médico a cuja tia aconteceu o mesmo. A senhora, pessoa de idade, teve um AVC. Esteve em coma, mesmo mal. Até que acordou, toda fresca, nada de boca de lado, nada de paralisia dos membros, nada. Só que... acordou a falar espanhol, com um salero espampanante, um sotaque perfeito. Toda a gente de boca aberta, e ela própria também. Os familiares e amigos nem queriam acreditar, iam todos ver o fenómeno.

Lembrava-se que, em criança, tinha convivido, ainda por muito pouco tempo, com uma tia ou uma empregada (agora não me lembro) que era espanhola mas que, mesmo nessa altura, ela própria não falava em espanhol com essa tal pessoa. Mas isso teria sido há mais de oitenta anos.

E agora ali estava, a falar como uma castelhana dos quatro costados. Quando esse meu amigo me contou isso, e imitava-a, que ela no tom de voz, nas expressões, era uma autêntica espanhola, eu achei uma história mal contada, uma anedota. Como sou de riso fácil, quando ouço uma história mirabolante, temo sempre que estejam apenas a fazer-me rir. Mas ele explicou-me que era a sério, que acontece, ainda que muito raramente, na sequência de acidentes cerebrais.

Pois bem, deve ter sido o que aconteceu a Leanne Rowe. Enfim. Ela está toda aborrecida e, de facto, é desconcertante mas há coisas piores, não é?

Adiante.


2. Pior é o que li a seguir. Barra pesada mesmo. A coisa é muito feia. Ou não? Ou será que é normal e certo? Não sei. A mim parece-me que o mundo está em derrapagem, é o que é.






Afinal, não são apenas os americanos da NSA (Agência de Segurança Nacional) a espiar meio mundo. A agência de espionagem britânica, a GCHQ, obteve acesso secreto às redes telefónicas e de internet do mundo inteiro, segundo noticia o jornal inglês «The Guardian». 


Os dados privados são passados posteriormente à parceira norte-americana, a NSA, segundo informações obtidas pelo jornal junto de Edward Snowden, o garganta-funda que denunciou o processo de espionagem da secreta dos EUA.


O «The Guardian» escreve que a inovação tecnológica na GCHQ tem sido fulcral para este «Big Brother» à escala do Planeta. A agência tem capacidade para assimilar e guardar quantidades gigantescas de dados obtidos através de fibra-ótica durante 30 dias.

O acesso secreto a dados de Internet e telefone corresponde a uma operação que tem como nome de código Tempora, e que decorre há cerca de 18 meses.


Na operação Tempora, «as chamadas telefónicas são gravadas, os e-mails são lidos, bem como as entradas no Facebook e o registo histórico de toda a navegação na Internet», escreve o jornal.


Não é que seja novidade: sei que isto acontece, sei que acontece com uma facilidade que dá medo, mas, quando o leio em letra de forma, é como se me arrancassem a roupa e me mandassem para a rua em carne e osso. Credo. 

Que raio de mundo este. 

Será que, a esta hora, está algum palerma a ler a minha caixa de correio? A mim talvez não porque, felizmente!, não devo merecer o interesse de nenhum piolhoso mas sabe-se lá, palermas como são, se não suspeitam que tenho planos secretos de ir para a Galeria da Assembleia da República atirar farófias à cara do ex-Doce ou laranjinhas de plástico (para serem mais baratas) à cabeça dos Jotas Ésses Dês... Não estou, claro. Já gastei dinheiro demais com eles, era o que faltava ainda ir fazer farófias ou comprar laranjas de plástico para lhes dar. E, sobretudo, não estou para o correr o risco de, depois de levarem com uma coisa na cabeça, caírem para o lado e acordarem a falar alemão. Ou a zurrarem, sei lá.


3. Enfim. De coisa extraordinária em coisa extraordinária, e por falar no ex-Doce, li que teve mais uma ideia brilhante: comunicar melhor. Ou terá sido ideia do Relvas em versão Verdinha? Digo 'madurinha'...? Que meninos tão inteligentes, estes.



O verdinho Maduro aqui todo derretido com o seu patrão ex-Doce,
enquanto o Tio  Nobre Guedes sorri com a alegria do novo Miguelito


Transcrevo de novo - e já me estou a rir:

O executivo pretende estabelecer uma rotina de briefings diários com os jornalistas, a ter lugar na Presidência do Conselho de Ministros.


Nestes encontros, explicou fonte governamental, a assessoria do ministro adjunto e do Desenvolvimento Regional, Miguel Poiares Maduro, funcionaria como uma plataforma para todo o Governo e os encontros - que poderão funcionar em on ou off the record - teriam por objetivo responder a dúvidas dos jornalistas sobre temas da atualidade ou questões setoriais.




O verdinho Miguelito Poiares Maduro (aqui em versão Wahrol)

 que vai fazer ditados aos jornalistas para ver se eles dão as notícias certas

(tirei-lhe esta fotografia no outro dia, assim,
biquinho, ar de tadinho
e hoje repesquei-a e tingi-o para ver se ele ganha alguma graça)


Isto é de gargalhada. Os assessores do pequeno-verdinho-maduro que devem ser todos do mesmo género - imagino-os assim a modos que um híbrido entre um lombinha e um verdinho-maduro, ou então, talvez, uma menina espertinha, toda eficiente, toda cheia de boquinhas em off, uma fofa, muito íntima dos mídia (escrevi assim à brasileira para ficar mais a combinar com a assessorette ou com um lombinha qualquer desta vida) - a fazerem prelecções, a induzirem notícias, a manipularem os jornalistas que, sabemos bem, vão atrás de qualquer engodo.

Mas atenção - todos os dias menos à quinta-feiras que é quando a casa fecha: meninas (e meninos) ao salão!




O pequenito com a Miss Prada do Parlamento
e, em primeiro plano,
o secretário adjunto lombinha todo contente porque o Tio Cavaco lhe deu um passou-bem


Isto é a oficialização da Propaganda em versão ministerial. Dirão que a Casa Branca também tem destes hábitos. Pois. Mas entre os assessores de imprensa da Casa Branca e os assessores do verdinho mal amanhado do Poiares vai um século de diferença.

Parvoíces umas trás de outras. É como lá irem fazer mais um Conselho de Ministros extraordinário (extraordinário?! tantas vezes o fazem que já me parece do mais ordinário que há) e, para cúmulo da parvoíce, parece que vão para Aljubarrota ou para a Batalha, nem sei bem - tenho ideia que resolveram ir poluir a História com a sua presença.

Portugal às cambalhotas, a rodar sobre si próprio, a ver se cheira o próprio rabo, é o que isto me parece.


**

Pois é. Não fora o adiantado da hora e eu estar mais morta que viva, tanta a canseira, continuaria por aqui a desfiar um rosário de notícias estranhas ou aberrantes ou mal cheirosas.

Assim, chamei outra vez pela Rosa Oliveira e ela, amorosa, veio aqui deixar um pouco de Cinza. De três poemas distintos, vejam o que aqui assentou.



                                            alguém sem voz continuava a respirar
                                            entre nuvens de piolhos
                                            afundado na lama


                                            a vaca sagrada do declínio está gorda e descorada
                                            no estábulo ninguém está seguro
                                            uma telha partida
                                            um vidro espetado no ânus
                                            cheiro a despojos humanos entranhado na memória
                                            três gerações de analfabetos com opiniões sobre tudo
                                            de cinco em cinco minutos grunhem o inútil


                                            estamos atados 
                                            pelo síndroma locked-in
                                            o estado mais póximo
                                            de ser enterrado
                                            vivo



Pensamento profundo que dedico a todos os palermas e estúpidos,
em especial àqueles que tanto se têm esforçado por merecer esta e outras dedicatórias do género
(tenho carradas delas)

*

Embora eu não seja a aniversariante, caso queiram aparecer numa festa de anos, é só descerem até ao post seguinte.

E,  se vos apetecer lavar a cabeça (por dentro, claro, que eu aqui não lavo cabelos), convido-vos a virem daí até ao meu outro blogue, o Ginjal e Lisboa. Hoje por lá há uma fantástica orquestra com os sons de Lisboa. A ideia foi do compositor Pedro Castanheira. Salvé. Uma maravilha, é o que vos digo. Ainda há gente decente, que faz o mundo andar em frente.


**

E é isto. Resta-me desejar-vos, meus Caros Leitores, um sábado mesmo muito bom. 
(E, se derem cambalhotas, que sejam das que deixam uma pessoa bem disposta.)


quinta-feira, junho 20, 2013

Hugo Soares, deputado do PSD, presidente da JSD, quer saber quanto custam os sindicatos dos professores. Intrigada com a insolência do requerimento fui saber quem é o valentão. Ora bem: cá temos mais um gaiato de 30 anos. Experiência profissional, experiência de vida...? Fraquinhas, fraquinhas... Eu não vos disse já mil vezes que no PSD os escolhem a dedo? Quanto mais fraquinhos, mais trepam. (Não me admiro nada: eu se quisesse ter um bando de paus mandados a assinarem de cruz tudo o que eu dissesse também os escolhia assim) /// E, já que a conversa derrapou de novo para a mediocridade, fui buscar outra vez a Rosa Oliveira para que, por aqui, deite a sua Cinza (*) /// E, porque soube agora que morreu James Gandolfini, o Tony Soprano, a minha despedida a um homem cheio de vida



Ora aqui está ele, Hugo Alexandre Soares, o catraio (bem nutrido)
que quer saber se há-de mandar acabar com os sindicatos ou não
- para já só está a pensar nos sindicatos dos professores mas depois logo se verá o que vem a seguir



Retiro do site da Assembleia da República informação sobre a vasta e suculenta biografia do catraio Hugo Alexandre:

Em 2005, aos 22 anos, o Hugo Alexandre foi para Deputado Municipal na Assembleia Municipal de Braga onde esteve até 2009. Nessa altura foi Vereador na Câmara Municipal de Braga em regime de substituição (ou seja, não sabemos se exerceu ou não, ou se isto consta do seu CV apenas para encher). Mas uma coisa é certa: o jeito que dá ser da JSD - mal lhes caem os dentes de leite já estão em deputados e vereadores disto e daquilo...


Enquanto isso, a partir de 2007, altura em que dá ideia que acabou o curso de advogado, e até 2009, foi formador em duas empresas, a Weform, empresa que não tem site, e da qual consegui perceber, salvo erro nas páginas amarelas, que dá formação em Cursos de Práticas Administrativas, Práticas Técnico-Comercias, e a Ldn - Formação Profissional, onde se ministram cursos financiados.

Entre 2010 e 2011, fruto certamente da bruta experiência que, entretanto tinha adquirido, foi para Consultor Jurídico na Associação Empresarial de Portugal  (programa Empreender no Feminino). Fazer o quê não se sabe pois entrei no site e não consegui perceber qual a intervenção da AEP no dito o programa para além de o divulgar, pelo que não se sabe que consultoria lá teria ele feito. Uma avençazita que lhe deu muito jeito, provavelmente.


Hugo Alexandre,
sabendo certamente muito da vida e da história política, económica e social do país,
não hesita em cagar sentenças como a que acima se vê
 (e vocês desculpem lá o léxico mas é que não dá para a gente manter a compostura perante anedotas destas:
é que uma coisa é ser alguém com tino e conhecimentos a fazer avaliações comparadas
e outra, bem diferente, é ser um jota qualquer desta vida a dar-se ao desplante de o fazer)


E daí, com 28 anos, ei-lo a saltar para representante do Povo, passando a ser Deputado na Assembleia da República na ilustre bancada do PSD (where else?). 



Ó pr'a ele, o Hugo Alexandre, tão importante, já deputado!, rico menino

Já deputado, com 29 anos, foi eleito Presidente da JSD. Vêmo-lo nas fotografias desse inesquecível dia, babado, ao lado desse outro grande estadista que dá pelo nome de Pedro Passos Coelho.


Pois bem, é este puto agora com 30 anos e que por aí tem andado, beneficiando da sua condição de Jota, que hoje resolveu encabeçar um grupo de deputados que mostraram uma vez mais qual a sua cepa.



Vocês desculpem... mas digam-me lá se este Hugo Alexandre
não tem um je ne sais quoi que faz lembrar o Tino de Rans?


Transcrevo parte de uma notícia: num requerimento dirigido ao ministério da Educação e Ciência, hoje entregue no Parlamento, o deputado do PSD Hugo Soares perguntou "quantos sindicatos existem no sector da Educação", qual o "valor transferido para os sindicatos durante o ano de 2012 e orçamentado para 2013" e como são discriminados os gastos.


O deputado justificou a oportunidade da pergunta face aos "acontecimentos recentes que impossibilitaram milhares de jovens de realizarem os seus exames nacionais", referindo-se à greve dos professores da passada segunda-feira.

Questionado pelos jornalistas, no Parlamento, sobre se sugere a redução dos custos da actividade sindical para o erário público, Hugo Soares afirmou que antes de admitir essa possibilidade, quer saber quais são os encargos.

O deputado argumentou ainda que os custos devem ser conhecidos "numa altura em que é fundamental que todos os portugueses percebam a equidade dos sacrifícios que são pedidos e que ao mesmo tempo se exigem cortes na despesa do Estado com vista a uma redução da carga fiscal".



Cá estão eles. Estão de cabeça para baixo porque pensam com os pés,
porque, nas mãos desta gente, o país está de pernas para o ar


Assusta-me pensar que a Assembleia da República - lugar onde deveriam estar os nossos representantes, gente que deveria ser do melhor que a sociedade fosse capaz de gerar - está, ao invés, ocupada por uma seita de gente perigosa. Muito perigosa.

A ignorância e a estupidez, quando ligadas a uma ambição rasteira, são um perigo. 


Como poderemos esperar que gentinha desta, impreparada, deslumbrada, mal escolada, mal formada, sem cultura democrática, caída de pára-quedas em lugares de poder, tenha condições para legislar, para monitorizar a actuação do governo, para propor alternativas, para fazer o que quer que seja que exija bases sólidas, alguma tarimba, alguma cultura, algum mundo? Impossível.

Enquanto a Assembleia da República, o Governo, as Autarquias e sabe-se lá o que mais estiverem invadidos por esta praga, como pode o País avançar? Impossível. Impossível. Desgraçadamente impossível.


Mas não nos isentemos de responsabilidade perante um descalabro destes. Somos nós que deixamos que isto aconteça. Somos nós os responsáveis por esta pouca vergonha. Votamos neles sem cuidar de saber que competências têm para lá figurar, e continuamos a assistir, impávidos e serenos, a que toda a espécie de animais assuma o comando da nossa quinta.


[Já agora: não seria, ao menos, de dizermos ao Hugo Alexandre e demais amiguinhos que temos melhor destino para os nossos impostos do que pagar-lhes o ordenado? Que não estamos para estar a trabalhar para ele e outros criançolas andarem a dizer baboseiras?

Quer-me cá parecer que um dia destes ainda meto férias para ir para as galerias da Assembleia com cartazes dirigidos aos palermas que por ali pululam.

... Mas eu não digo que ninguém me poupa, senhores...?]


*


Em presença de todo este desastre (e, desde que este miserável desGoverno tomou posse, são só desastres, retrocessos, atentados, vexames, empobrecimentos, aviltamentos) fui buscar outra vez a Rosa Oliveira e a sua Cinza , teve mesmo que ser. E ela disse.



                                          como foi possível esta longa marcha para a mediania?
                                          o que significa viver dentro de um corpo
                                          de onde a consciência se retirou há muito
                                          esta embalagem vazia?

                                          rodeados de pensamento tóxico
                                          submersos em epifanias da normalidade
                                          estamos numa guerra invisível
                                          desconhecida até hoje da humanidade
                                          sitiados por armas virtuais em destruição imparável

                                          sufocamos sob camadas de managers
                                          designers, adidos, conselheiros, assessores
                                          pequenos soldados de chumbo
                                          reclinados nas dunas da abreviatura
                                          agasalhados na linguagem religiosa
                                          da performance a todo o custo

                                          como nas hordas de lepra medieval
                                          trazemos sinos que anunciam corpos contaminados
                                          lentos, pensativos
                                          suspensos numa mudança de vírgula
                                          reescrevendo sem horário

                                          confiando na oscilação do universo
                                          lançamos toda a fortuna
                                          no princípio da incerteza




---


(*) - Como é óbvio a mediocridade a que me refiro no título não tem nada, nada, nada a ver com a poesia de Rosa Oliveira. A mediocridade a que me referia era à dos medíocres a que ela se refere no poema que escolhi.

---

Soube agora que morreu James Gandolfini, um artista que eu adorava ver nos Sopranos. Fico com pena.

Para além do mais, quando não estava muito gordo, achava-o um homem muito sexy, peito amplo, todo ele sensual, divertido, malicioso, caloroso.

Assim é a vida, por vezes excessivamente breve. Seja como for, deve tê-la usado muito bem. 



James Gandolfini, aqui como Tony Soprano,
fotografado por Annie Leibovitz


*

Isto está outra vez uma coisa de um tamanho impróprio, bem sei que nos blogues não se deve escrever em extensão, textos longos tornam-se maçadores. Mas distraio-me, escrevo de gosto. Vocês desculpem-me, está bem?

Mas, ainda assim, permitam-me que vos convide a virem comigo até ao meu outro blogue, o Ginjal e Lisboa, a love affair. Hoje há uma certa rosa esquerda que salta das mãos de Herberto Helder para se vir acolher no meu ventre. A música é ainda de José Valente.

*

E tenham, meus Caros Leitores, uma bela quinta feira. Aproveitem bem a vida, está bem?

(Uma vez mais rumo a norte e por lá fico para o dia seguinte.
A ver se, à noite, apesar do jantar certamente prolongado e da cabeça certamente em água, ainda consigo vir aqui dar dois dedos de prosa convosco.)

quarta-feira, junho 19, 2013

'Sérgio Azevedo, deputado do PSD, que assina o relatório preliminar da comissão parlamentar de inquérito sobre as Parcerias Público-Privadas (PPP) rodoviárias, destaca a importância do envio do documento para o Ministério Público, embora não especifique os crimes que poderão ter sido cometidos.'. Vi o catraio na televisão e tive curiosidade em perceber que curriculum poderia ter o garoto para andar aqui a cantar de galo. 'Curriculum...? O que é isso?', perguntaria o jovem jota de 31 anos ///// Poeira, poeira. É como o que se passa com os SWAPs e com as verbas astronómicas que, à pála disso, estão a ir limpinhas, direitinhas, para os bancos! //// Face a isto, o que me resta esperar? Olhem, eu e a Rosa Oliveira, nestes dias de cinzas, "esperamos ver finalmente os fontanários públicos a mijar na cara dos passantes". Calma... ela disse 'fontanários públicos', não disse 'os ministros do governo de Passos Coelho'



Gaiato armado em importante


Como não sou um cão, não vou atrás de qualquer osso que atirem para a rua. Um maduro qualquer deve ter tido a brilhante ideia de enviar o relatório das PPPs para os media e ei-los: os jornais, rádios e televisões não falam de outra coisa. E, claro está, todos os canais ficaram enxameados de comentadores e papagaios de toda a cor e feitio. Mata, esfola, enterra, pisa em cima. Veio mesmo a calhar para toda a gente se esquecer da vergonha da actuação do Crato (que de outras vergonhas me custa um pouco falar, porque cada um saberá de si).

Já aqui falei algumas vezes sobre as PPPs. Investimentos que são feitos têm que ser pagos e um investimento que é usável ao longo de muitos anos é amortizado ao longo de muitos anos.

A Ponte Vasco da Gama custou milhões e é natural que seja paga. Que seja paga directamente aos bancos ou a empresas vai dar ao mesmo.

Dizer que para o ano há x milhões para pagar e para o ano seguinte outros tantos e por aí fora, em si, não é mal nenhum. É o normal.



Catraio convencido que é importante


Pode ser questionado se a Ponte fazia falta ou se o contrato com a Lusoponte está bem feito. Mas são duas questões distintas. E quem diz a Vasco da Gama diz qualquer outra obra. 

Mas, agora que está feita, tem que ser paga. Portanto, sobre a primeira questão não vale a pena agora dissertar, já é leite derramado. Que se questione publicamente e de forma responsável, pode ser uma lição a tirar para o futuro. 

Resta saber se o contrato está bem feito. Tendo que se pagar a obra, haverá que ver se o reembolso é justo. Se assegura uma margem de lucro superior ao que é normal, então poderá ser revisto.

Há muitas PPP's e foram feitas ao longo de vários governos. Se não estou em erro a opção de subcontratar a exploração do investimento desde a sua génese até à sua posterior manutenção e pagamento começou com Cavaco Silva, e não sei se a Ponte Vasco da Gama não foi, justamente, o primeiro ou um dos primeiros casos. Todos os governos desde então recorreram a esta modalidade. Não tem mal em si, desde que a coisa seja feita de forma bem delineada, justa e seja, posteriormente, controlada (como presumo que seja, pois, do que acompanho nos media, parece-me que tem sido sucessivamente revista). 


Repito: com esta modalidade, o Estado, em vez de se endividar directamente para fazer as obras, adjudicou a terceiros - nada de mais, a menos que haja dolo ou má fé que leve a benefício desequilibrado para uma das partes. Quando isso acontece pode haver matéria para revisão contratual - o que também não é um feito épico mas, sim, um acto normal de gestão.


No entanto, que eu saiba, todos os contratos foram validados pelo Tribunal de Contas. E não é o Tribunal de Contas um órgão idóneo? Creio que sim. Ou seja, custa-me um bocado a acreditar que, depois de algumas renegociações que já aconteceram (algumas no tempo de José Sócrates) e depois do crivo do Tribunal de Contas, ainda haja para ali matéria especialmente escabrosa. 



Garoto armado em importante


Ainda assim, como acima referi acho normal que se analisem contratos em vigor, quem os gere deve estar sempre atento à sua execução - mas que se analisem com isenção técnica, com rigor, com conhecimento de causa. Há matéria complexa de ordem jurídica e financeira, já para não dizer operacional. Não é qualquer gaiato, sem conhecimentos ou experiência, que pode pegar em assuntos desta natureza.

Pois bem.

Hoje vinha no carro e já ouvia a voz de um gaiato a dizer que matava e esfolava. O que dizia eram lugares comuns. Qualquer coisa ali me fez soar as campainhas. Chego a casa, vejo a televisão e o que vejo? O dito Sérgio Azevedo, todo pimpão, todo moralista, a matar, esfolar, trazendo para a opinião pública suspeições a torto e a direito.


Intrigada com a precocidade do gaiato, fui investigar.



O grande especialista em contratos, finanças, gestão, economia e obras públicas,
Sérgio Azevedo do PSD de seu nome


E cá está. Sérgio Azevedo, 31 anos, escolado na JSD, frequência de Direito (não diz por quanto tempo mas admito que tenha constatado que era areia a mais para a camioneta dele pelo que rapidamente deve ter saltado fora), curso de Ciências da Comunicação (obtida onde?), e, tendo, como único trabalho, o de trabalhar na EMEL (durante quanto tempo? a fazer o quê? a passar multas ou o quê?).


E é um gaiato destes, sem formação em Direito, sem formação em Gestão, Economia ou Finanças, sem sequer formação em Engenharia (o que o ajudaria a perceber os projectos), que se põe a escrever sobre contratos financeiros complexos e se sente à vontade para lançar suspeições sobre gente adulta, com anos de carreira académica e profissional como, por exemplo (e refiro apenas um), António Mendonça, doutorado, professor, com larga experiência universitária cá e lá fora?

Volto a dizer: para mim não há tabus pelo que me parece razoável que, com seriedade, isenção, honradez, se analise tudo o que há a analisar. 

Mas, ó senhores!, que se faça com competência, conhecimento de causa e seriedade.



Gaiato já crescidinho, com idade para ser vice-presidente que,
pelo cabelo cor de laranja,
até é capaz de ser  deputado do PSD


Agora entregarem a condução de trabalhos sérios e complexos e a redacção das conclusões a um aprendiz de politiquice já me deixa arrepiada. Eu disse arrepiada? Disse mal. Encanitada. Brava. Enjoada. 

Por estas e por outras é que eu não me meto na actividade política.

Imagine-se se eu tinha paciência para dar troco a um gaiato destes? Eu que trabalho há tantos anos (que nem digo aqui para não acharem que tenho ideia para ser tetravó do garoto), eu que toda a vida vi o meu trabalho ser respeitado, imagine-se se tinha 'saco' para aturar um fedelho qualquer a aparecer-me pela frente, sem saber do que está a falar, achando-se importante por ser vice-presidente da JSD, e começar a questionar a minha honorabilidade...? Havia de ter graça. É que, antes de dar meia volta, o mandava calar a boca, crescer e só me voltar a aparecer pela frente quando a mãezinha lhe tivesse tirado os cueiros (... lá está: cueiros. Conversa de velha. Agora já ninguém sabe o que são cueiros. Nem eu sei. Melhor trocar por 'fraldas').

Raios partam isto tudo.

É como o escarcéu à volta dos SWAPs...! Mais umas centenas ou mais, nem sei bem, acho que é mais de mil milhões, direitinhos para os bancos, sem piar. Já. Não é em Novembro, não é em duodécimos. Não. Todos. Uma coisa que podia até nunca vir a dar lugar a qualquer pagamento já foi direitinho, à cabeça, para os bancos. Fico de boca a aberta, escandalizada. E, como já vem sendo hábito, tudo envelopado numa conversa moralista, com julgamentos sumários na praça pública, despedimentos. De arrepiar de medo. Esta gente é perigosa, bem vos tenho dito.


Note-se que não conheço nenhum dos contratos em causa, falo em abstracto. Uma vez mais, um contrato swap não é mau em si. Pode estar mal feito, pode ter havido incompetência, pode a conjuntura se ter alterado. Não sei. Uma vez mais, como todos os contratos, a sua execução deve ser monitorizada e, se for caso, disso, renegociada. É o normal.

Mas o que sei, pelo pouco que se consegue perceber( porque o relatório técnico não foi divulgado e vivemos atolados no meio de 'bocas' de uma indigência técnica confrangedora) é que, pelos vistos, haveria ali um risco implícito (pelo menos foi o que uma empresa que levou quase meio milhão de euros para o estudar, concluíu - e claro, para pagar esse estudo pago a peso de ouro também houve dinheiro, há sempre dinheiro para estas coisas). Mas um risco é um risco. Pode ocorrer ou pode não. E, claro, pode ser mitigado. Mas, ó senhores!, mitigar não significa passar para os bancos o pagamento de grande parte do risco.

É a mesma coisa que eu, como seguradora, poder ter que pagar 150.000 euros de indemnização caso haja um incêndio numa habitação e, para não correr o risco de ter que pagar tanto dinheiro, armada em esperta, desfazer-me dessa responsabilidade e pagar já, à cabeça, 100.000 ao dono da habitação. Linda coisa... A casa poderia nunca arder e nem haver lugar, algum dia, à necessidade de pagar. A ser feita uma maluquice destas, com esta linda medida a seguradora iria desembolsar uma verba que, se calhar, nunca iria gastar.

Mas algum puto palerma, lá metido como gestor, ainda poderia aparecer todo ufano a gabar-se de ter poupado 50.000 - e como se a estupidez ainda fosse pouca, vir dizer que quem antes tinha assinado a apólice de seguro era incompetente e deveria ir para a rua.

Francamente.

Isto é tudo mau demais para ser verdade.

Onde é que param os economistas do PS que não vêm denunciar isto?! A falta que o Louçã faz na Assembleia, é o que eu digo. (E quem haveria de dizer que eu ia ter saudades dele. Ó senhores, ninguém me poupa...)

«««»»»

Face a isto só me resta ir buscar a Rosa Oliveira para dizer umas palavrinhas a propósito.




                                                                 atordoados
                                                                 diante do arroz de favas
                                                                 nós
                                                                 pobres criaturas flaubertianas
                                                                 um pouco imbecis
                                                                 olhando o prato fumegante
                                                                 sedentos de prosa alcoólica
                                                                 e de religião demarcada
                                                                 esperamos ver finalmente
                                                                 os fontanários públicos
                                                                 a mijar na cara dos passantes


                                                                ['pós-preditivo' de Rosa Oliveira in 'cinza']





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Bem. Convido-vos ainda a irem de passeio até um certo mosteiro em ruínas no meu Ginjal e Lisboa, a love affair. As minhas palavras foram em oração junto às palavras de uma outra agradável descoberta, Abel Neves. A música que se lhes segue é outra vez um espanto. Ando admirada e agradada com o José Valente. Porque é que eu nunca tinha ouvido falar nele? É fantástico.

«««»»»

E, por hoje, é isto. 
Tenham, meus Caros Leitores, uma bela quarta feira. 

E, já agora um conselho: cuidado com os fontanários públicos. Nunca se sabe. 
O mesmo conselho em relação aos ministros, caso passem perto de algum. Fujam para bem longe. Há que temer o pior!!!!