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quarta-feira, novembro 09, 2022

With or without you

 

Bono já é sexagenário. O jovem que se pressentia algo frágil sob a capa de tough guy, com aquela voz capaz de percorrer todas as emoções no mesmo fio de voz, é agora um homem que transporta na forma como canta, no rosto e em todo o corpo as marcas da vida preenchida que tem vivido.

Não consigo escolher uma canção. Gosto de muitas. Gosto muito dele a interpretá-las. Não sei se é ele que dá corpo às canções, se são as canções que se afeiçoaram a ele.

Aqui, no vídeo abaixo, ele interpreta With or witout you mas antes diz palavras de Surrender: 40 Songs, One Story, o seu livro de memórias. Mas di-las de uma maneira que nos leva a percorrer com ele, com extrema delicadeza, os momentos de que fala. 

Ouço e ouço, encantada. Ouço e fico com vontade que ele continue a deslizar pela memória, a cantar, a enlevar-me.


E aqui está ele, e quase parece que foi ontem (é um lugar comum, bem sei, mas é o que me parece), jovem e certamente sem saber que 35 anos depois aquela canção seria quase um hino, quase uma sua segunda pele


E até já

sábado, abril 16, 2022

Depois de um tranquilo dia de verão in heaven, dois vídeos que recomendo.
O primeiro mostra um homem normal que já não chora há muito tempo e que tem muita dificuldade em adormecer.
O segundo mostra um homem que viveu por dentro os tempos do holocausto e que, aos 102 anos e com o coração devastado, se recusa a desistir de conseguir um mundo melhor

 


O meu dia foi tranquilo. Era para sermos mais a passar o dia in heaven mas as suspeitas de um caso de covid fizeram com que o agregado sob suspeita ficasse em terra e fossemos apenas nós os dois. Por isso, aproveitámos para trabalhar. O meu marido armou-se de roçadora e foi-se ao tojo e às silvas e eu, com vassoura de arame e pá metálica de cabo alto, fui-me à caruma e às folhas e pinhas caídas pelos caminhos.

Na quinta ao fim do dia, fui ao supermercado e, em casa, à noite, fiz uma jardineira. De manhã, embalei-a e, portanto, ao chegar ao campo, não tive que ir a correr para a cozinha. Pude ir passear, ver a primavera em flor, a fera peluda aos saltos e a correr, feliz da vida.


Depois de almoço, instalei-me no sofá e pus-me a ler o zonas de baixa pressão do António Guerreiro, livro que sempre leio de gosto. Aliás, leio António Guerreiro sempre de gosto. Agora ia dizer que é uma pessoa brilhante, com uma visão iluminada que vai dos clássicos aos colunistas mais fajutas da actualidade, mas lembrei-me no que ele escreveu sobre os que escreveram sobre Agustina quando ela morreu. Diz ele que todos louvaram Agustina esquecendo-se de falar sobre a sua obra. Por isso, não falo do António Guerreiro, falo da sua escrita. É clara, inteligente, informada, irónica. Ofereci este livro pelo Natal, espero que quem o recebeu também tenha gostado.

Mas estava a ler, deliciada com a leitura e com o agradável ambiente que me envolve quando estou aqui e, ao mesmo tempo, a pensar que deveria era ir lá para fora, varrer. 

O meu marido também já se tinha equipado com caneleiras e óculos de protecção e tinha abalado para o campo. Escuso de dizer que tenho que me auto-controlar ferreamente para não ir atrás dele para ter a certeza que não corta os orégãos que estão a despontar nem o rosmaninho, nem o tomilho, tão frágil, nem o alecrim, nem a sálvia. Mas já consigo dominar-me. Confio que ele há-de ter algum cuidado e não fazer aquilo que naturalmente faria: cortar tudo a eito.

Depois de ele ter ido, mais me motivei a ir também à minha vida.

Penso por vezes nisto: um dia que não tenhamos nada que fazer, o que faremos?

O meu marido tem andado cansado. Tem muito trabalho, por vezes horários complicados. Naturalmente, tendo oportunidade, deveria ter vontade de não fazer nada. E, no entanto, num dia que era para ser animado e acabou por ser calmo, em vez de aproveitar para descansar, foi de máquina ao ombro, para o mato.

E eu, que não ando menos cansada, sempre com trabalho e afazeres complementares, também não descansei enquanto não fui varrer caruma, fazer montes, apanhá-los e despejá-los, até que, por fim, já me doíam as mãos. 

E acabei e senti-me realizada, contente ao ver os caminhos mais limpos.

Não sei o que é estar sem fazer nada. Tratar da lida da casa e, no máximo, ler parece-me pouca coisa. Parece que tenho que ter sempre mais coisas para fazer do que o tempo de que disponho. E estava a varrer e a olhar para as árvores com vontade de, a seguir, ir buscar o podão para desbastar ramos baixos. Tenho que me tratar deste mal. Não fazer nada é capaz de ser coisa boa.

E, estando na sala, ocorreu-me, uma vez mais, que é uma chatice já não ter onde pôr carpetes de arraiolos pois estava mesmo a apetecer-me voltar a atirar-me a eles, bordar, ver aparecer os desenhos. Claro que haveria de ser uma festa com o urso peludo a ensarilhar os novelos de lã. Quando aqui está, passa a vida a sair a correr, a ladrar, para investigar cada pequeno barulho ou ladrar ao longe. Depois, chega aqui e cai perdido de sono. Mas é um sono leve, está sempre en garde.

Foi, pois, um dia tranquilo, banhado por um sol suave e dourado. Um dia de paz, a paz que deveria ser um direito indiscutível, universal (mas, claro, não a paz da rendição, a paz da cedência aos agressores e aos tiranos que violem o direito internacional, querendo anexar outros países).

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Agora, à noite, procuro as notícias. Vi televisão, li, vi vídeos. Os regimes totalitários são um perigo. Putin vive há meses fechado num bunker. Vive fechado para o mundo, para as pessoas. Ocupa a mente a forjar armadilhas, mentiras, a ouvir quem não lhe faz frente, a instruir a punição dos que o enfrentam (mesmo que apenas por segurarem uma folha em branco). Vive enredado na teia demencial que, ao longo de anos, foi tecendo. 

As atrocidades que ele e os que lhe obedecem cegamente estão a levar a cabo, com o apoio de uma população manipulada, são de uma pessoa ficar doente. Aquilo a que o mundo assiste está para além de maldade. É a total insensibilidade, a gente de Putin vive numa realidade alternativa, uma realidade desabitada, distópica.

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O vídeo abaixo mostra uma pessoa extraordinária e o que diz e a forma como o dia são também extraordinárias.

'I am heartbroken': Last surviving Nuremberg prosecutor on war in Ukraine

Benjamin Ferencz was just 27 when he successfully prosecuted 22 defendants for war crimes. Now he tells Amanpour it pains him to once again see atrocities in Europe


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Este segundo vídeo também é impressionante. O que aqui vemos é um homem normal que se vê apanhado na armadilha de um louco, de um psicopata. Zelenskyy envelheceu muito em dois meses. Não consegue chorar, não consegue dormir. Mantém uma racionalidade e um humanismo invulgares para quem vive o tormento que ele vive. 

Zelenskyy On Biden, Hating Russia, And Sleepless Nights

Ukrainian President Volodymyr Zelenskyy talked about the emotional toll of the Ukraine war and his feelings towards Russia and Putin in an exclusive video interview with German newspaper BILD

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Desejo-vos um dia bom
Saúde. Coragem. Paz.

sexta-feira, fevereiro 18, 2022

Depois de um dia do caneco, constato que a Clara Ferreira Alves continua no Eixo do Mal. Pior: igual a si própria.
Há mistérios que jamais terão explicação.

 


Mais uma vez enganei-me. Na quarta-feira à noite disse ao meu marido que pensava que ia ter uma quinta-feira tranquila. 

Qual quê? Quando a gente acha que está a salvo deve ficar calada. Falar atrai.

Conto.

Cedo apareceu-me o cão ao lado da cama, danadinho para lhe saltar para cima e o meu marido a chamá-lo a ver se ele não consumava o acto.

Ainda estava a refazer-me, avaliando se ainda faria sentido voltar a adormecer, toca-me o telefone. 

Uma dúvida sobre um tema complicado. Ainda à fresquinha (pijamas e camisas de dormir não são comigo) levantei-me e, para estar longe do urso peludo (não fosse pôr-se em pé para me fazer festas e arranhar-me de alto a baixo), fui enregelar para o escritório do lado. Telefonema longo. Problema complexo envolto em mil dúvidas.

Antevi logo que a coisa tinha tudo para ficar complicada. Como estas coisas do capeta nunca vêm sozinhas, juntaram-se vários factores e o meu marido, também cheio de telefonemas e afazeres e tendo que sair antes da hora de almoço, sugeriu que fossemos fazer uma rápida caminhada não fosse não haver outra oportunidade no resto do dia. 

Lá fomos. Mal pus o pé fora de casa, outro telefonema, um que queria reunião urgente. Tentei descartar-me, disse que não era tema apenas meu. Sabendo da agenda superlotada do outro, pensei que aquela reunião urgente seria agendada para o dia de são nunca. Comentei: 'Acho que desta já me livrei'.

Errado. Mais uma vez falei quando devia era ter ficado calada. Atrai, é o que digo. É que o dia estava fadado a ser um dia não -- passado um bocado, nova chamada: era esse mesmo a saber que raio de reunião era aquela. Uma estupidez de uma reunião, disse eu. Vontade de a ter: bola. Mas, sopesados os prós e os contras, acabámos por aceitar fazer a reunião na parte da tarde. Lembrei-me do outro, a confortar-me, anos antes: todos temos uma cruz para carregar.

Resumindo: nem dei pela caminhada.

Em casa, também mal tive tempo para comer uma mísera sopa, um mísero ovo e uma simples salada. Mais telefonemas, mais mails. Depois a reunião. Uma coisa enervante. Calma, maria-odete, pensei cá para mim a cada cinco minutos. 

A seguir, quando a xaropada acabou e me dirigia à cozinha para comer uns cajus e uns arandos, pensando que já não poderia aparecer mais nada para me chatear a cabeça, outra pessoa a ligar, se eu podia participar numa reunião. Não gritei por um triz. Caraças. Depois mais telefonemas. E mais essa reunião descabelada. E mails e apresentações para ver.

Quando chegou o meu marido estava eu ao telefone, irritada. Disse-me: 'Não tinhas dito que ias ter um dia tranquilo...?'. Pois. Limitei-me a encolher os ombros pois estava ao telefone . 

Há bocado sentei-me aqui e, enquanto ele adormecia no sofá e o cão dormia a sono solto no chão, adormeci também.

Acordei agora com ambos a irem para a cama (cada um para a sua, bem entendido). 

Enquanto tentava perceber quanto tempo tinha dormido, ouvi na televisão uma ave esganiçada, veias do pescoço salientes, ar sobredotado. Era a dita. Insurgia-se contra os portugueses que não sabem fazer nada, que não atinam, que já vem do tempo do Eça, que nunca foram capazes de fazer porcaria nenhuma. Notoriamente, a iluminada criatura, deve achar que não faz parte do grupo dos indigentes mentais dos portugueses. Será que acha que é chinesa? 

Tentei concentrar-me, numa de benefício da dúvida. Com muita paciência e tolerância, a modos que deixa cá ver se não sou eu que estou com os dois pés atrás, esforcei-me por lhe prestar atenção. Mas -- lamento -- não. Nada do que a senhora diz se aproveita. Mistura ironia, sarcasmo, desprezo, arrogância. Mas como tudo tem por base um zero absoluto, tudo aquilo resulta numa chachada.

Aliás, tudo o que se diz em volta daquela mesa é um exercício de parvoíce, de gabarolice, de pretenso humor. Não se aprende nada. Não se aproveita nada. Não sei qual a justificação para aquilo.

Se eu fosse responsável pela programação da SUC despedia-os a todos. Mas a que mais rapidamente ia de patins era esta insuportável criatura, que não diz uma que seja fundamentada. Ouve uma aqui, outra ali e vai para ali armar-se em letrada, em superior.

Não há pachorra. 

Nem sei porque é que isto ainda dá na SIC N. Vou fazer zapping ou espreitar a HBO e a Netflix. Puxa. Depois de um dia como o de hoje era o que me faltava era ainda ter que estar a aturar esta gente. Livra.

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Para ver se o post não é uma treta pegada, descobri estas fotografias no Guardian. Fazem parte de LensCulture Art photography awards 2022. Vêm acompanhadas pelos U2 com Stay (Faraway, So Close!)

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Desejo-vos uma boa sexta-feira

Confiança. Esperança.  Saúde. Alegria. Vida nova. 

segunda-feira, setembro 17, 2018

No dia dos U2 em Lisboa,
optei pelo Book Club e fui ver como as Sombras de Grey mudaram a vida de quatro mulheres danadas para a brincadeira




Passo, então, a dar uma breve nota deste meu dia de despedida de umas tão preciosas três semanas de férias. 

Para começo, a parte mais chata: arrumações e compras no supermercado, incluindo legumes para a sopa -- coisa que, a não ser para as crianças, já não fazia vai para cima de um mês.


Depois, caminhada à beira-rio. Estranhando tanta gente, aproximámo-nos do ajuntamento. Camiões gigantes todos iguais. Muita gente com tshirt U2. Claro: é o hoje o concerto no pavilhão Atlântico (ainda me horroriza dizer Altice Arena). De facto, tínhamos vistos uma reportagem com a Ana Moura, que ia cantar com eles. Muito bem. U2 em Portugal e nós, noutro planeta, sem darmos por isso. Não sei se o Bono já tem voz. Deve ter senão não mantinha o concerto.

Gosto dos U2 mas devo dizer que aquele Bono já me parece um franchising dele próprio. E desde aquilo da evasão fiscal fiquei a olhá-lo de lado. Bem prega Frei Tomás -- e parece que é sempre isto, quanto mais pregam mais se desenfiam. Bem pode andar a fazer merchandising de causas mediáticas que para peditórios desses não contam comigo: fico-me apenas pelo lado musical da coisa. 


Fizemos a nossa caminhada na mesma. O rio estava chão, um espelho. No entanto, não cheirava muito bem. A maré vaza hoje não estava especialmente perfumada. Fotografei na mesma. 

A seguir fomos aos nossos petiscos cantoneses, incluindo crepes vietnamitas que, para o efeito, não querem saber de geografias e são deliciosos.


Depois de uns afazeres intermédios, ala para o cinema. O meu marido é quezilento quanto a filmes chatos e mais ainda em relação a salas com mastigantes pipoquentos -- coisa que a mim também me maça mas não tão radicalmente quanto a ele -- mas, tendo visto na televisão o anúncio a este filme, não se opôs.

'Do jeito que elas querem' que, no original, se chama 'Book Club' com Diane Keaton, Jane Fonda, Candice Bergen e Mary Steenburgen nos papéis principais foi uma boa escolha. Na verdade, não podíamos ter fechado as férias com melhor chave de ouro. Claro que é daquelas comédias ligeiras mas o que nos rimos valeu bem a pena. O tema é a sexualidade (e a vitalidade e o gosto pela vida) na idade madura, a amizade entre mulheres, o amor que só aparece quando se está disponível para ele. Etc. O meu marido que não é de riso fácil, fartou-se de rir. Portanto, já podem ver. 


Só encontro trailer legendado em brasileiro o que é um bocadinho enervante porque há expressões que não são bem as nossas mas, ainda assim, prefiro ao não legendado para ser perceptível por quem não se entende bem com a língua inglesa.


Queria mostrar um bocadinho das cenas com Andy Garcia que faz um papel simpatiquíssimo na contracena com a Diane Keaton, muito contido mas muito sólido e interessante e aqui, sim, tem que ser mesmo em inglês pois não encontro com legendas.

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E até já

sábado, janeiro 27, 2018

Onde já vai a ternura dos 40 e eu ainda aqui, de sol a sol.
E ainda sem saber o que fazer quando tiver o tempo por minha conta.
[Presidente de Câmara é que não; isso é o que já sei de certeza absoluta]





Desde há cerca de ano e picos a minha vida deu uma reviravolta. Mais trabalho. Muito trabalho novo em cima do muito trabalho velho. Pensei que era coisa temporária, uma espécie de missão. Mas ainda dura e não faço ideia de quando acabará. Um excesso de trabalho que, anos atrás, jamais pensaria que, a esta altura do campeonato, tombasse desta forma sobre mim.

Lembro-me bem que, teria eu uns vinte e tal ou trinta anos -- e muito longe dessas minudências que dão pelo nome de pensão de reforma, penalidades por reforma antecipada e etc -- e imaginava-me a chegar à ternura dos quarentas já a equacionar mandar o trabalho das 9 às 5 às urtigas, dedicando-me, pouco depois, ao lado mais lúdico da minha existência. Pensava: no máximo, aos cinquenta despeço-me e vou ser presidente de uma autarquia.

Já o contei. O meu marido era amigo do presidente de um partido e, um dia, contou-lhe dessa minha excentricidade. O outro encarou a coisa com normalidade e disse-lhe: 'Ela que venha falar comigo'.  Para o meu marido a minha opção era natural tal como natural a disponibilidade do outro. No entanto, ao saber disso, desisti da ideia. Queria ser presidente de câmara mas sem ter que me misturar com partidos. Sou livre, intrinsecamente livre, e não consigo imaginar-me de outra maneira. Naquele dia percebi que me tinha esquecido de um factor determinante e que, de facto, era condicionante: ser presidente de câmara sem campanha eleitoral e sem apoios partidários é coisa que não existe. Como condições e compromissos com partidos era coisa a que não quereria alguma vez sujeitar-me, aquela minha vocação ficou por ali (embora, confesso, continue a sentir uma certa apetência por isso).
Pensei, então, vir a dedicar-me, um dia mais tarde, a outras actividades. Mas, enquanto vou e não vou pensando em quais, o tempo vai passando. Um alvo em movimento e eu que não estou a ir para mais nova.


E o trabalho caindo sobre mim, imparavelmente.
Gostava de conseguir chegar a sexta-feira à tarde e decidir sair mais cedo: 'olhem, já dei para este peditório, depois de almoço vou para casa dormir a sesta e depois logo se vê, ou vou ao cinema ou vou passear, aqui é que não me apanham'. Mas qual quê. Ou gostava de, de vez em quando, decidir que naquele dia apenas iria trabalhar de tarde, ficar no quentinho dos lençóis até às dez, depois ficar a fazer arrumações nas calminhas, almoçar devagarinho e, então sim, ir trabalhar lá para as três. 
Comecei a trabalhar aos vinte anos e penso que já deveria ter direito a um regime mais ligeiro. Mas isto não é como a gente quer. Há as circunstâncias. Se eu não for trabalhar durante uma manhã ou uma tarde ninguém me dirá nada pois, felizmente, ninguém me controla a esse nível. Mas o trabalho que se acumularia dificultar-me-ia ainda mais a vida no dia seguinte e, para além disso, há o exemplo e o sentido de responsabilidade.


Portanto, dia após dia, vejo o tempo a passar e eu agarrada a uma realidade que não me dá tréguas. E, para os meus Leitores que moram e trabalham em terras com pouco trânsito, talvez a praga do trânsito nem seja tema. Mas, para quem anda por Lisboa, horas fechada no carro no pára-arranca,  isto são anos de vida.

Esta sexta-feira consegui ter dez minutos livres depois do almocinho que foi bom e em boa companhia. Nesses minutinhos fui espreitar as promoções de uma livraria. Vim de lá com dois livros, 'Alguns preferem urtigas' de Junichiró Tanizaki e 'Homem na escuridão' de Paul Auster. Gastei 12€ e vim de lá toda contente. Estão aqui ao meu lado. E a vontade com que estou para lhes deitar a mão. Só que, com o sono com que estou, se lhes pego, logo farei conchinha com eles e, passados uns instantes, estarei nos braços de morfeu. Vou levá-los para ler in heaven quando estiver embrulhadinha, sentindo o calorzinho da salamandra.

Entretanto, vejo que os portugueses endoidaram para arranjar bilhete para os U2 e que, não sei onde, se esgatanharem para apanhar frascos de nutella (coisa que nunca provei mas que é capaz de ser boa). Realidades que me passaram ao lado e que, mesmo que tivesse chocado com elas de frente, me teriam feito desviar: fazer filas de horas ou dias para um bilhete ou andar à tareia com alguém por um frasco de nutella parece-me uma forma estranha de usar o tempo ou parecem-me objectivos de vida um pouco bizarros.

 [Pausa]


Mas, enfim, é sábado. Já pus a roupa a lavar e, enquanto a máquina ali está a andar às voltas, vim acabar este post que comecei ontem à noite mas que ficou a meio, tanto o sono em cima de mim.

Escolhi agora, para o ilustrar, fotografias da vida selvagem. Obtive-as no The Guardian. Estive a ver o que há de novo mas, de tudo, fiquei-me pelas fotografias.

Daqui a nada, vamos pôr-nos a caminho do nosso bocadinho de selva. Temos sempre muito que fazer por lá e isso motiva-nos de uma forma que talvez não seja fácil de perceber por quem não está nem aí. Andar a limpar caminhos, a desbastar arbustos ou a podar árvores, sentir o friozinho húmido dos campos, ouvir os pássaros, sentir os cheiros frescos e saudáveis de tudo aquilo, ver o gatinho branco a olhar para mim -- são, para mim, momentos bons da minha vida. Para mim a felicidade não é apenas uma nostalgia do passado: tenho a sorte de conseguir senti-la enquanto a vivo. E posso dizer sem dúvidas que me sinto feliz por partilhar a minha insignificante existência com coisas assim que, para mim, são puro encanto.


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E queiram, por favor, descer até ao post seguinte onde poderão ver um presente que um Leitor me enviou. Chamei ao post Moad e perceberão porquê.

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domingo, agosto 18, 2013

Já que a Anabela Mota Ribeiro não me faz o Questionário Proust, faço-o eu a mim própria. Quer não tem cão, caça com gato. [Mas, depois de ter respondido a tanta pergunta, tenho a dizer que acho isto uma coisa mesmo chata. E será que, depois deste absurdo exercício de narcisismo, alguém vai ficar a conhecer-me melhor? A minha personalidade estará patente no que respondi? Não faço ideia] ---- > texto revisto por causa de uma irrelevância



Usei as perguntas tais como Anabela Mota Ribeiro as fez a Clara de Sousa (peguei nesta entrevista apenas porque foi a última publicada (*), puro comodismo meu, mas as perguntas são sempre as mesmas, o que pode variar são as observações mas, enfim, não alteram o sentido da pergunta).

Já agora, para quem não saiba o que é isto do Proust Quest (Proust Questionnaire), digo muito brevemente que é um conjunto de perguntas que, supostamente, permite que se perceba melhor a personalidade de quem responde. O que isso tem a ver com Marcel Proust e os pormenores da coisa podem ser vistos por exemplo aqui, na Wikipedia



Então, vamos lá a isso.


Proust disse que uma necessidade de ser amado e cuidado era a sua característica mais marcante. Mais do que ser admirado. Qual é a sua?


- Talvez querer fazer tudo o que me apetece enquanto posso. Tenho muito consciente a noção da finitude. Não quero nunca iludir-me: a vida é curta e, por vezes, rasteira-nos. Não sei quanto tempo vou viver, nem sei quanto tempo vou viver sem limitações físicas. Por isso, se me apetece dizer parvoíces, digo, se me apetece passear no campo, entre as árvores escuras, ouvindo os sons da noite, iluminada apenas pelo luar, ando, se me apetece pintar, pinto, se me apetece ser excessiva na demonstração dos meus afectos, sou. São exemplos inócuos, estes que dei, mas são exemplos. No entanto, tenho também sempre muito presente o não fazer nada que prejudique outras pessoas. Mas preconceitos, inibições, receio de ser censurada, hesitações, ou protelar o que me apetece para melhores dias, etc, isso não é comigo. 

Qual é a qualidade que mais aprecia num homem? Proust falou de “charme feminino”...


- Inteligência com humor. Não é apenas nos homens que aprecio isto mas, num homem, então, é fundamental. Não tenho paciência para burros, mas é que não tenho mesmo. Apetece-me ignorá-los, fingir que nem os vejo. (Imaginem o que é para mim viver num País governado por quem o governa. Não vejo noticiários há uns dois dias, pelo que me poupei ao sacrifício de ver aqueles inteligentes que devem andar a desfilar pelo Pontal. Agora que escrevi isto, fiquei na dúvida: aquilo é festa só de um dia ou é o fim de semana todo, uma coisa tipo festa do Avante? Não sei). Adiante. Dizia que não suporto burros. Mas há outra casta de homens para os quais também não tenho paciência: os cepos, sem sentido de humor. Uma pessoa diz uma coisa na maior ironia e eles respondem a sério, não perceberam que era ironia nem têm sentido de humor para encaixar e dar o troco. Uns chatos do piorio. Ou os inteligentes armados em intelectuais, carapaus de corrida, uns chatos de primeira, todos prosa, citações, grandes tiradas.


E numa mulher? Ele mencionou “franqueza na amizade” – golpe baixo para as mulheres ou sagaz comentário?


- Sim, a franqueza. Aprecio mulheres francas. Mas também aprecio a generosidade. Não gosto de mulheres mesquinhas, quezilentas, que infernizam a vida aos outros (aliás não gosto nem de mulheres nem de homens assim - desperdiçam a própria vida e chateiam os outros - e para quê?). Gosto de mulheres que mostram alguma superioridade na capacidade de perdão; ou de aceitação. Não descurando o que pensam, são, no entanto, capazes de aceitar os outros nas suas diferenças.


Ternura, desde que acompanhada de um charme físico..., era o valor mais precioso nas amizades de Proust. E nas suas?


- A intemporalidade. A não necessidade de assiduidade. Não tenho paciência para as amizades que são cheias de 'temos que combinar almoçar', 'temos que combinar isto e aquilo'. A amizade boa é aquela que se manifesta nos momentos certos. Uma palavra dita quando se sente que o outro sente falta dela. Um gesto quando se intui que vai fazer bem. Sair de cena quando não faz falta estar-se. Reaproximarmo-nos quando fizer sentido mesmo que seja anos depois. E o encontro ser tão natural como se tivéssemos estado juntos na véspera. Não fazer perguntas quando o silêncio deve ser respeitado. 


Vontade fraca e incapacidade para entender, foi a resposta que deu quando lhe perguntaram qual era o seu principal defeito. Partilha destes defeitos? E que outros pode apontar?


- O meu maior defeito, segundo os outros me apontam, é a falta de paciência para suportar aquilo de que não gosto. A questão é que nem tenho paciência para disfarçar. Baldo-me imenso a encontros, almoços, festinhas sociais, coisas assim, porque não tenho paciência para conversa mole, trivialidades, gente que fala sem parar, que me cansa de tanta vacuidade, que diz coisas à toa. Ou quando estou em reuniões de trabalho e há gente que fala, fala, sem dizer nada, que empata, enrola, não dança nem sai da pista, fico numa impaciência que geralmente me leva a dizer coisas à bruta. Tenho uma certa fama de, de vez em quando, ser bruta como as casas. Nada a fazer.

Qual é a sua ocupação favorita? Amar, disse ele...


- Viver. Dito assim parece uma resposta estúpida, eu sei. Mas é a verdade. Viver dá-me muito prazer. Viver e fazer a cada momento o que de melhor posso - porque nem sempre posso fazer o que me apetece, claro. Mas agora, por exemplo, depois das 2 da manhã, depois de um dia maravilhoso (in heaven, com os meus amores e amorzinhos), o que me apetece é estar aqui a escrever - e, apesar do sono, é o que estou a fazer. Quando estou no carro, numa fila que não acaba, poderia apetecer-me largar o carro ali mesmo e ir a pé - mas isso não posso. Mas mesmo nessas alturas, ouço música, olho a paisagem, penso em coisas que me agradam. E, por isso, muitas vezes, quando estaciono, não consigo sequer lembrar-me se estava muito trânsito. A cada momento, viver o melhor possível. Caminhando, fotografando, lendo, escrevendo, pintando, cozinhando, nadando, e, claro, claro, amando, amando sempre, amando muito.


Qual é o seu sonho de felicidade? A resposta de Proust é esquiva: não fala de molhar madalenas no chá e diz que não tem coragem de o revelar... Mas que não é grandioso e que se estraga se for posto em palavras. O que é que compõe o seu quadro de felicidade?





- Estar em casa e ver a luz através da janela, estar rodeada pelos meus amores, abraçar os que amo, saber que estão bem, que são felizes, e viver cercada por livros, plantar árvores e vê-las crescer, imaginar caminhos, desenhá-los, caminhar depois por eles, cozinhar e pôr a comida na mesa e ver a família comendo, repetindo com gosto, conversando, leve e feliz. 


O que é que na sua cabeça seria a maior das desgraças? Proust respondeu, aos 20 anos: “Nunca ter conhecido a minha mãe e a minha avó”. Mas aos 13 respondeu apenas quando lhe perguntaram pela maior dor: “Ser separado da mamã”.


- Não quero nem falar, seria terrível, insuportável. 


Quando lhe perguntaram o que é que gostaria de ser, respondeu: “Eu mesmo”, aos 20, e Plínio, o Novo, aos 13. As suas respostas seria diferentes? Quem gostaria de ter sido aos 13 anos? E agora?


- Aos 13 eu não sabia o que queria ser, talvez psicóloga. Por essa altura já tinha desistido de ser cabeleireira. Aos 20 sabia que não queria ser professora, queria trabalhar numa empresa grande, embora em nenhuma função em particular, apenas trabalhar numa empresa grande. De facto, tenho exercido muitas funções, díspares, mas sempre em empresas grandes. Tenho sorte, faço o que queria. Mas hoje sei que poderia fazer outras coisas. Penso, aliás, que um dia ainda as hei-de fazer.


Proust gostaria de viver num país onde a ternura e os sentimentos fossem sempre correspondidos. O país onde gostaria de viver existe deveras? Onde fica?


- Não sou dada a utopias nem a ideais. Maça-me até a perfeição. Vivo em Portugal e é aqui que quero viver. Se me acontecer ter que viver algum tempo noutro país, sei que quererei sempre voltar para cá. Apesar de tudo.


Quais são os seus escritores preferidos? No momento em que respondeu, Proust lia com especial prazer Anatole France e Pierre Loti.




- Muito difícil responder a isto. Também não sou dada a eleitos. Escritores de que gosto há muitos. Seria ridículo escolher um ou outro. Ao acaso apenas alguns: Clarice Lispector, Hélia Correia, Eça, Jorge Luís Borges, Yourcenar, Thomas Mann, Pedro Tamen, Manuel António Pina, Herberto, Sophia - e vou parar porque estes não são os preferidos, são apenas alguns dos que muito gosto.


E os poetas? Ele mencionou dois, e um deles faz parte das listas eternas: Baudelaire.


- Que pergunta... Então os poetas não são escritores? Já mencionei alguns na resposta anterior. Mas são muitos. A poesia para mim é a simetria perfeita da matemática. A expressão destilada, perfeita das coisas. Venero os poetas. Citei aqueles na pergunta anterior mas poderia ir por aí fora. Não o fazendo e apenas para não deixar a pergunta sem resposta substantiva, acrescento dois: Luís Filipe Castro Mendes e Jorge Carreira Maia.


Qual é o seu herói de ficção preferido? Aos 13 anos, Proust falou de Sócrates e Maomé como figuras históricas de eleição... E aos 20, referindo-se às mulheres, elegeu Cleópatra.




As ligações perigosas dão sempre pares memoráveis


- Outra vez... Preferências é coisa que não joga comigo, é estreitar muito o que é imenso. Há tantas coisas de que gosto que reduzi-las apenas para dar uma resposta é coisa em que não alinho. Mas, vá lá, alguns exemplos, e repito-me uma vez mais: apenas exemplos. Aos pares: Marquesa de Merteuil e o Visconde de Valmont; Lara Antipova e Yuri Jivago; Karen Dinesen Blixen e Denys George Finch Hatton. São exemplos. Podia puxar pela cabeça e referir mais umas dezenas. E, claro, não tem que ser aos pares. Muitas vezes são personagens que se destacam na sua individualidade. Adriano seria, por exemplo, um deles (e estou, claro, a lembrar-me das suas memórias ditas pela Yourcenar). Mas para que faria esse absurdo exercício? Ficariam de fora outros tantos, muitos outros tantos. Mas quero juntar um outro par, ou melhor mais dois personagens que 'me enchem as medidas': Lisa e Bart Simpson, talvez até mais o Bart. Mas também todos os outros membros da família. 


Quem é o seu compositor preferido? Aos 13 anos, escreveu Mozart, aos 20 Beethoven, Wagner, Schumann. Mas Proust não podia conhecer Tom Jobim ou Cole Porter...


- Fogo... estou quase a desistir. Maçada, isto. Todos os referidos na pergunta e mais cem. E Leonard Cohen. E Rodrigo Leão. E José Afonso. E tantos, tantos mais. 


Proust não foi contemporâneo de Rothko. E escolheu Da Vinci e Rembrandt como pintores favoritos.



"Amor vincit omnia", Caravaggio, 1602 c.


- E continua... Mas vá lá... Rothko, sim, o absurdo de uma cor que nos atrai de forma incompreensível. E a luz de Van Gogh. E as sombras, a sujidade, o vício de Caravaggio. E Paula Rêgo, controversa. E Picasso desbragado. E Balthus, perverso. E cem mais.



The Golden Years, Balthus, 1945

(A primeira imagem que encabeçou o Um Jeito Manso;
acho que esta menina tem muito de mim - e não me perguntem porquê)


Quem são os seus heróis da vida real? Ele apontou dois professores.


- Os desempregados. Não sei como vivem. Não sei como continuam vivos, não sei como encontram forças para se manterem vivos. Curvo-me perante eles. 


“Das minhas piores qualidades”, respondeu o escritor da “Recherche” quando lhe perguntaram do que gostava menos. E no seu caso?


- Esse Proust, credo, parece que não via muito além dele próprio. Eu aquilo de que gosto menos é capaz de ser da hipocrisia. E da mentira dita com descontracção, olhos nos olhos: acho um perigo. Da maldade: tenho medo das pessoas que são más.


Que talento natural gostaria de ter? As respostas de Proust são óptimas: “Força de vontade e charme irresistível”!


- Gostava de saber tocar piano. Nunca consegui. A minha filha toca, aprendeu com uma facilidade impressionante. Eu que lhe ensinava tantas coisas, não apenas não sabia ensinar-lhe isso, como não conseguia aprender. Mas nem os mínimos. Colcheias, semi-colcheias, tra-la-la. Zero. Mas nem tocar de ouvido. Nunca consegui, escusado. E tanto que gostava de saber, de deixar os meus dedos voarem sobre o teclado. 


Como gostaria de morrer? “Um homem melhor do que sou, e mais amado”.


- Proust era mesmo um lírico. Eu sou mais simples: a dormir, sem dar por nada. Pensando melhor, não, que pregaria um susto a quem desse por mim. Por isso, talvez sentada, a ler ou a olhar pela janela, na boa, sem sofrer, sem incomodar os outros, sem me aperceber. 


Qual é o seu actual estado de espírito? “Aborrecido. Por ter que pensar acerca de mim mesmo para responder a este questionário”. Pensar em quem é traz-lhe aborrecimento?


- O meu actual estado de espírito? Será preciso responder? Farta de estar aqui a responder a isto. Não me tinha apercebido que isto era tão comprido, senão não me tinha metido nisto, que seca. (Pensar em quem sou traz-me aborrecimento? perguntam. Não, nenhum. Gosto de ser quem sou)


Proust era condescendente em relação às faltas que conseguia compreender. Quais são aquelas que irreleva?


- Irrelevo (isto é, não perdoo) o que é feito com irresponsabilidade ou com maldade, prejudicando os outros. Por exemplo, irrelevo a devastação que o Governo de Passos Coelho tem levado a cabo no meu País.
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Volto e esta resposta pois fiquei a pensar que, ao responder, atribuí à palavra irrelevar o sentido oposto ao de relevar, ou seja, quis dizer não desculpar. Contudo, parece-me agora que o sentido mais comum que a ela se atribui é o de tornar irrelevante. Por isso, respondo de novo.
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- Irrelevo (no sentido de não dar importância) a atitudes de efeito pouco significativo tomadas no calor de uma discussão ou decorrentes de uma maneira de ser precipitada (por exemplo, disparates ditos ou feitos quase sem pensar e de que, ainda por cima, regra geral, os seus responsáveis por eles se vêm a arrepender)



Por fim, preferiu não responder qual era o seu lema, temendo que isso lhe trouxesse má sorte... É supersticioso como Proust? O que é que o faz correr?


- O meu lema não sei qual é, talvez viver bem e contribuir para que os outros vivam também melhor. Voar. Abraçar. Dar. Coisas assim. O que me faz correr? Acho que não corro. Não tenho pressa, vivo cada instante, degustando-o, e isso é incompatível com correrias. Caminho, aspiro o perfume do ar, deixo o meu pensamento voar.


Acabou? Ufffffff. Parecia que não acabava. Bolas.


[Não vou rever. Passa das 3 da manhã, imagine-se. Que coisa tão comprida esta, credo. Por isso, já sabem, é como nas outras vezes: se encontrarem erros graves, por favor, avisem-me, está bem? Se forem vírgulas ou letras trocadas, por favor, relevem, sim?] 

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E, para não darem a visita por perdida - que isto de lerem isto tudo também deve ter sido uma seca das antigas - aqui vos deixo Leonard Cohen.





U2 & Leonard Cohen,  Tower of Song
(uma ao acaso)


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Entretanto, agora de manhã, que vim aqui dar uma rápida vista de olhos, reparei que a Clara de Sousa já não é a última, já lá está uma nova entrevista da Anabela Mota Ribeiro, seguindo o Proust Quest., agora com a Guta Moura Guedes. Mas vou ter que deixar a leitura disso para mais tarde, que os meus afazeres não podem esperar. Estar agora aqui no computador é uma frescura incompatível com os trabalhos pesados a que tenho que deitar mão.


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E tenham, meus Caros Leitores, um domingo muito feliz!!!!!!!!!