Ora, então, vamos lá.
Para ter como amuse-bouche enquanto se abrem e não abrem os presentes:
- Pequenas tapas, quadradinhos, de pão de espelta barrados com queijo fresco de cabra sobre o qual se põem numas rolinhos de presunto super-fino e noutras salmão fumado.
- Tiropitas, umas de salmão, outras de alheira. Feitas assim:
Desdobra-se um rolo de massa folhada comprada feita e corta-se em dois semi-círculos. Cada uma dessas metades dá uma tiropita. Portanto, tantos rolos quantos se queiram. Ponho ricota, quantidade generosa. Por cima da ricota ponho ou o conteúdo de uma alheira crua ou ripas de salmão fumado. Numas ponho bocados de maçã, noutras de pera. Tudo distribuido ao longo do comprimento. Com jeitinho, enrola-se e, depois do rolo feito, dobram-se as pontas. Depois de ter as várias tiropitas feitas, deito um pouco de azeite para cobrir o papel e rebolo nele as tiropitas. Depois de assim besuntadas, cubro a superfície superior delas com mel e deito-lhes por cima sementes. Desta vez foram de sésamo. Entretanto, já tinha, há uns 10 minutos, o forno no máximo. Depois desta preparação, coloquei o papel vegetal com os rolos sobre a grelha do forno, a meio do forno. O calor deve sair por baixo e por cima. Nessa altura baixo para 180º. Fica mais ou menos uns 40 ou 45 minutos. Vou vendo se ficam com ar douradinho por cima e, cozido, por baixo.
Depois de tiradas do forno, disponho-as numa travessa comprida e corto-as aos bocadinhos. Ficam sempre boas.
- Tinha também corn-flakes temperados com orégãos, flor de sal, orégãos, e, uma parte, com azeite e, outra, com queijo ralado. Foram ao forno até o queijo se ter derretido e estar tudo com ar estaladiço. Serve de entrada e de acompanhamento, especialmente para os miúdos.
Para prato de peixe principal, bacalhau com quase todos: brócolos, feijão verde, batata, cenoura e ovo cozido (saltei as couves para me poupar à maçada da lavagem das ditas: mesmo à chuveirada é mais trabalhoso do que não as ter). Era para também ter posto grão mas, agora que estou a escrever, é que me lembrei dele. Ou seja, a esta hora ainda reside nas latas.
Para carne tinha duas opções: galo capão e rolo de carne. Passo a explicar cada um deles.
Galo capão recheado
De véspera, à noite, lavei bem o frango. Escolhi a maior panela (panela e não tacho) e coloquei lá o galo. Pus uma cebola grande (descascada!) cortada ao meio dentro do galo. Depois mais duas grandes cebolas aos bocados, um generoso ramo de salsa, folhas de louro, dentes de alho, os miúdos do frango e mais umas quantas moelas, meio chouriço de carne de boa qualidade cortado em bocadinhos miúdos e, claro, sal. Enchi a panela com água até o galo estar coberto. Deixei que fervesse e depois baixei e deixei ficar durante cerca de 45 minutos em 'lume' brando (coloquei entre aspas porque o meu fogão é placa eléctrica, não tem lume). Depois desliguei e ficou toda a noite naquela infusão temperada. Ganha sabor e amacia.
No dia, preparei o recheio. Assim:
Fritei um pouco de carnes picadas (metade vaca, metade porco -- que tinha para o rolo) em azeite, alhos e louro. A seguir misturei um bocado das cebolas cozidas do caldo, uns bocados de pão, um pouco de caldo de cozer o galo, alguma salsa fresca picada, um bom bocado de passas, um pouco de chouriço fresco (mas mesmo pouco). Misturei tudo, para ficar espesso e homogéneo.Preparação e confecção do galo:
A seguir, num tabuleiro não muito grande (e já explico porquê), coloquei um pouco de azeite, dentes de alho, folhas de louro. Com jeito tirei o galo da panela e coloquei-o no tabuleiro. Com uma colher, enchi a cavidade com o recheio mas, atenção, não se deve atafulhar porque o ar deve circular para cozinhar o galo por dentro bem como o recheio. A seguir cobri o galo com um pouco de flor de sal, com mais alho, louro, ramos de alecrim e azeite.
Como sempre, antes o forno esteve ao máximo durante uns 10 minutos mas, quando o galo entrou, desceu para os 180/170º, calor por baixo e por cima, e ficou assim até o bicho ficar com uma bela tonalidade bronzeada. De vez em quando, puxava-o para fora e regava-o com um pouco do caldo da infusão. Ao fim de cerca de 1 hora, baixei para os 150º e depois para menos, e ficou mais uma hora, agora regando com o caldo que estava no fundo do tabuleiro. No final, retirei o alecrim e o louro para a pele dourada e estaladiça ficar à vista e deixei-o a respirar fora do forno até à hora de ser servido.
Entretanto, para acompanhamento, num tacho coloquei arroz, o dobro da quantidade de caldo da infusão, os miúdos cortados muito finamente, os bocadinhos de chouriço, a cebola cozida desfeita e uma cenoura grande ralada. Cozinhou no fogão até já não ter muito caldo à vista. Passei-o, então, para um tabuleiro (e para me caberem os dois tabuleiros no forno ao mesmo tempo é que convém não abusar na largura do tabuleiro do galo). Por cima, coloquei ripinhas de bacon (comprei uma embalagem de bacon já aos cubinhos e usei-a toda). Foi então para o forno, até o bacon estar tostadinho.
Entretanto, de véspera fiz um rolo de carne que foi servido frio com molho de tomate quente por cima. O molho de tomate, que fiz pouco antes dos comensais chegarem, é assim:
Numa panelinha, ponho um fio de azeite. Nele frito, ao de leve, duas cebolonas gigantes e uns quantos dentes de alho. Junto, então, um bom bocado de salsa e coentros e uma meia dúzia de tomates bem maduros e de boa qualidade (isto é, nada daqueles que não sabem nem cheiram a nada; tomate que é tomate tem que saber e cheirar a tomate). E, claro, um niquito de sal. Deixo cozinhar até os tomates estarem quase desfeitos e as cebolas bem macias. Com a varinha mágica, desfaço tudo muito bem, até ficar um molho cremoso e macio. Não fica ácido pois com tomates maduros e com cebola e salsa abundante a coisa fica soft e saborosa.
Bem, então agora conto como fiz o rolo de carne (de véspera) e que, como tudo o resto, foi sem guião e sem medo:
Numa tigela grande, juntei a carne que se manda picar em conjunto -- carne de porco e carne de vaca de boa qualidade, sem gorduras, cerca de 1,5 kg -- com dois ovos crus, a parte de dentro de uma farinheira das boas, uma cebola gigante cortada finamente, duas maçãs grandes cortadas aos quadradinhos, um ramo de salsa finamente picada, flor de sal. Com as mãos mistura-se tudo muito bem para todos os ingredientes ficarem igualmente distribuídos. A seguir, numa folha de alumínio coberta por azeite, coloquei a massa de carne e fiz um rolo com o papel que dobrei nas pontas. Para ficar bem estanque, usei duas folhas de papel de alumínio. Escuso de dizer que, antes, o forno estava bem quente mas que, ao colocar o rolo (coloquei na grelha a meio do forno), baixei para os 170/180º. Primeiro esteve cerca de uma hora e tal e depois baixei para 150º e ficou bem mais umas duas horas.
Depois tirei-o, abri uma das pontas e cortei uma fatia para ver como estava por dentro. Como já estava bom, tirei-o.
No dia, cortei-o às fatias que se comiam assim ou, de preferência, com o molho de tomate quentinho, por cima.
Para acompanhamento verde, fiz ervilhas. Cozi-as. Depois escorri, juntei azeite, uns dentes de alho lascados e uns bocados de hortelã fresca. Ficam perfumadas, agradáveis.
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Devo dizer que sobrou um pouco de rolo (a verdade é que ficou tão grande que tive que o ,transformar em dois rolos para caber bem no forno). O que sobrou foi dividido em doses individuais, cada dose embrulhada em papel de alumínio e colocado em sacos de congelação. Quando quiser usar é só descongelar que a refeição está pronta.
Escuso também de dizer que não fiz doces. Receitas não sou capaz de seguir e a minha intuição não me puxa para a doçaria. A minha filha trouxe gelatina e eu tinha dois bolos da Padaria Portuguesa (desculpe-se-me a publicidade): uma estrela de Natal em pão de ló coberta com glacé de limão e um crumble de maçã. E, claro, fruta. E gelado.
Também tinha bolo rei mas nele só o bebé é que pegou. Adora bolo-rei aquele bebé. Uma pessoa pergunta: alguém quer bolo-rei? E ele levanta o braço e diz naquela sua voz potente: 'Eu!'. Come uma fatia e, passado um bocado, já esta a gritar: 'Mais!'. No outro dia comeu 3 fatias quase de penalti.
Como sempre, quando ando na cozinha, na labuta, com tanta coisa a fazer ao mesmo tempo, a ver o tempo a passar e a maltinha quase a chegar e eu a querer ainda ir tomar banho e arranjar-me, não me ocorre registar o making of (não me ocorre nem tenho tempo). Nem, quando a malta ataca, consigo registar a coisa antes de ser comida. Portanto, para 'enfeitar' o post, não tenho fotografias dos meus cozinhados. Por isso, tive que recorrer a imagens de outras mesas de Natal para que o post tenha alguma graça.
Parece que já fica aqui deslocada uma canção que apela ao espírito natalício (agora que já parece que o Natal já é passado e mais do que passado) mas, ainda assim, arrisco uma que acho muito bonita: The Cherry Tree Carol, aqui cantada pela Judy Collins.
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Parece que já fica aqui deslocada uma canção que apela ao espírito natalício (agora que já parece que o Natal já é passado e mais do que passado) mas, ainda assim, arrisco uma que acho muito bonita: The Cherry Tree Carol, aqui cantada pela Judy Collins.
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E bon apétit.
E bon apétit.
















