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sábado, janeiro 03, 2026

Imaginação

 

Como se costuma dizer, sou insuspeita. 

De Francisco Louçã creio que ninguém poderá dizer que sou suspeita de ser sua fã, sua adepta, sua seguidora, sua admiradora. Zero. Não quer dizer que nunca concorde com ele pois claro que, por vezes, concordo. Mas, em geral, não é a minha praia.

Portanto, um livro escrito por ele não me faz ir a correr para a livraria, física ou virtual. Zero. E, contudo, aqui o tenho. Surpreendeu-me o título, o subtítulo e a capa. Surpreendeu-me o texto da badana da contracapa, abaixo transcrito. Abri o livro e folheei. E não está a desiludir. Direi mesmo: a surpresa mantém-se. 

Einstein, no auge da sua fama, afirmou «sou suficientemente artista para me basear livremente na minha imaginação. A imaginação é mais importante do que o conhecimento. O conhecimento é limitado, a imaginação cerca o mundo» – é dela que trata este volume. Ao percorrer a revolução cromática com os sóis sobre sóis de Van Gogh e o quilo de verde de Gauguin, o ensolarado sorriso azul de Proust e o verde-ouro de Frida Kahlo, encontram-se vislumbres de harmonia em mundos devastados pelas tragédias. É sempre a imaginação que anuncia a sua libertação, como através dos percursos pelo desconhecido, como as mentiras de Preste João, o deslumbramento de Marco Polo e Ibn Battuta, as poderosas ideias religiosas, as fantasias da Itália romântica e do Oriente sensual, ou ainda como as viagens mais fascinantes, o amor e a sexualidade, que concluem este livro. O que assim se estuda é como imaginamos.


Transcrevo a primeira página e parte da segunda. Poderão ajuizar. Como a mim é tema que me interessa, vou continuar a surpreender-me. E, se continuar como até aqui, continuarei agradada.
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INTRODUÇÃO

A invenção vem da imaginação e a imaginação é um labirinto em que o difícil não é a saída, é a entrada.

Rubem Fonseca

Com a sua peça Sonho de Uma Noite de Verão, William Shakespeare encenou uma comédia amorosa em que os seus personagens se desencontravam numa floresta encantada, onde elfos e fadas lhes confundiram a razão e uma poção mágica lhes trocou as paixões. Há ainda dentro daquele Sonho o ensaio de uma representação teatral para uma boda, e os diversos níveis da história vão-se entrelaçando em sucessivos equívocos. Teseu, duque de Atenas, cidade onde decorre a peça, queixou-se deste jorro de imaginação que permitia tudo o que perturbava a ordem: «Os amantes e os loucos têm cérebros tão fervilhantes, e fantasias tão criativas, que captam mais do que à fria razão é dado apreender. O lunático, o amante e o poeta são compostos só de imaginação».¹ Este desdém era obviamente uma paródia sobre o choque entre a imaginação, designada como loucura, e o poder. No entanto, o próprio Teseu reconhecia que a imaginação chega mais longe do que a razão. Essa ideia é um dos pontos de partida deste livro, que retomará temas do mesmo Sonho, como o ímpeto carnavalesco, a afirmação do amor e, sobretudo, o imaginário como linguagem da esperança e da felicidade.

Enquanto aquela peça era apresentada, nos finais do século XVI, pensa-se que na festa de um casamento aristocrático, Miguel de Cervantes escrevia em Castela as suas novelas e algum teatro. Passada uma década sobre a estreia do Sonho, deu à estampa o Dom Quixote. Nesse mesmo virar do século, o frade dominicano Giordano Bruno, ensaísta, matemático e filósofo, foi condenado por heresia e morto na fogueira em Roma; o médico e cientista William Gilbert publicou o seu livro sobre o magnetismo da Terra e Galileu Galilei leu-o com entusiasmo, enquanto estava a observar o firmamento e a aperfeiçoar o telescópio; e Johannes Kepler completou os seus estudos sobre o heliocentrismo, ao mesmo tempo que escrevia em segredo sobre o sonho de uma viagem à Lua. A literatura moderna é contemporânea tanto da emergência da ciência quanto da invenção ou da difusão de novas tecnologias, que, com a bússola, a impressão com tipos móveis, a pólvora e o telescópio, mudaram os sistemas de autoridade. Foi igualmente o tempo do início da colonização do Novo Mundo, da Reforma protestante e de guerras no Centro da Europa e no Mediterrâneo (Cervantes combateu contra a marinha otomana em Lepanto, onde foi ferido e perdeu o uso de uma mão, e Kepler foi frequentemente forçado a fugir das refregas entre príncipes católicos e protestantes). Deveriam assim acrescentar-se à lista de Shakespeare e à de Cervantes novos personagens, pois, além das fantasias de poetas e amantes, ou do Cavaleiro da Triste Figura, seguir-se-iam outros portadores de imaginação fervilhante, que eram os cientistas, os dissidentes religiosos, os viajantes e os soldados dos impérios.

Poder-se-ia perguntar, como Shakespeare sugeriu pela voz do duque de Atenas, se a vida é uma tensão entre o que imaginamos, com a nossa cultura e paixões, e o entendimento.

[Excerto de "Imaginação - Cores, Deuses, Viagens e Amores" de Francisco Louça] 

terça-feira, março 25, 2025

MP & Madeira, uma dupla porreira -- não desfazendo do Marcelo e do Luís
-- A palavra ao meu marido --

 

A esquerda perdeu as eleições na Madeira e todos os partidos desta área deveriam refletir sobre os resultados e tentar perceber se o respetivo discurso e prática politica coincide com os anseios e objetivos dos eleitores ou se estão apenas a "fazer politica" para eles próprios e para os seus incondicionais. 

Quando já se sabiam os resultados da Madeira, foi paradigmático ver ontem o Louçã no programa do Ricardo Araújo Pereira zurzir com dez vezes mais veemência o PS do que o PSD.

Mas existe um outro derrotado nestas eleições; chama-se Ministério Público. Os madeirenses e porto santenses que ontem votaram disseram que se estavam nas tintas para o MP e que não se incomodam por serem governados por um partido cujos militantes que estão no governo têm processos a decorrer na justiça. Depois de uma deslocação de um avião cheio  de policias à Madeira e de uma investigação que dura há mais de um ano sem qualquer avanço conhecido, o povinho confirmou que se marimba para este tipo de investigações teatrais e inconsequentes. Também o MP deveria refletir sobre os casos que mediatizou e que "pariram ratos" e, por uma vez, pôr a arrogância de lado e reconhecer os erros.

Ontem, o Marcelo, no final do futebol, também comentou o resultado das eleições na Madeira. É curioso que um assunto, julgo eu, importante para o País seja comentado ao mesmo nível do desempenho da Seleção. Até fiquei admirado que não tenha feito comparações entre os jogadores e os dirigentes políticos da ilha. Mas... uma "piquena" questão para o PR: não lhe causa nenhum desconforto que os eleitos passem este atestado de menoridade ao MP?

Por outro lado, o Montenegro, confirmando a postura ética a que nos habituou, parece não saber quais os limites da acção de um governo de gestão. Não só publicita decisões que ultrapassam a mera gestão corrente associada a esta fase pré eleitoral como anda a fazer campanha eleitoral como PM, anunciado não sei quantas auto estradas, estradas, variantes  e circulares. Para o Luís vale tudo, "até tirar olhos". No Luís nada me surpreende mas chateia-me ligeiramente aquele sorriso sacana com que diz estas coisas parecendo que está -- ou estando mesmo -- sempre a gozar com  a malta. 

A "ruralidade" (Marcelo dixit) está-lhe colada à pele e a falta de cultura democrática também.

segunda-feira, março 24, 2025

Lanche ajantarado

 

A modalidade nos últimos fins de semana tem sido o lanche ajantarado. Em época de testes, assim conseguem aproveitar melhor o tempo de estudo. Chegando por volta das quatro e tal ou cinco, dá para conviver, depois lanchamos, conversamos, e, quando vão, já não precisam de ir jantar, quando muito petiscam ou ceiam. E eu gosto desta versão pois, como gosto de improvisar e variar, posso fazer várias coisas, sempre na expectativa de que possam ter por onde escolher.

De cada vez, tenho uma ideia. Penso no que uns gostam e avanço por aí, sei que outros nem por isso e evito ou arranjo alternativa. Claro que tenho sempre aquelas velhas dúvidas quanto às quantidades. Pelo sim pelo não, faço a mais, pensando que é bom que sobre pois, se quiserem, podem levar marmita para o dia seguinte.

Para este domingo o meu marido disse que podíamos fazer bifanas e eu lembrei-me de fazer uma quiche de frango assado, uma quiche de camarão e uma tortilha de salmão. E para sobremesa resolvi fazer uma coisa que vi no instagram, com aveia e tangerina.

Fui ao supermercado e, como sempre, não levei lista. Penso sempre que não vale a pena, pois, à medida que for passando nos corredores, vou-me lembrando do que preciso. 

No entanto, quando já estava perto da caixa com o carrinho a transbordar e de tal forma pesado que mal o conseguia manobrar, vi que me tinha esquecido da massa quebrada para as quiches. Claro que poderia fazer em casa mas, no meio da azáfama que são as minhas culinárias, seria inútil perder tempo com uma coisa que se se compra feita e que é boa. Lá fui. 

E lá voltei para a caixa.

Mal cheguei a casa, vi que me tinha esquecido de comprar frango assado. Gaita. E nem cru o tinha. Ou seja, quiche de frango assado já era. Fiquei passada. Apostava tanto naquela quichezinha...

Como trouxe costeletas para o almoço -- e em quantidade generosa, já a contar que sobrassem para o almoço desta segunda --, pensei que teria que ser quiche de costeletas. Quem não tem cão, caça com gato. E assim foi, desossei e parti em bocadinhos quatro costeletas fritas de cebolada, juntei a cebola, juntei uma boa quantidade de espinafres que tinha amolecido por cima das costeletas (depois destas já estarem fritas), e com o leite, os ovos e queijo ralado por cima bem com bacon aos minicubos, fez-se.

A quiche de gambas fiz com crème fraiche, ovos e um pouco de ketchup. Para evitar gordices, não usei natas nas quiches. Tinha fritado os camarões ainda com casca, com louro e alho. Depois o meu marido descascou-os e tirou a tripinha, abrindo-os ao meio longitudinalmente. Eram grandes. O caldo da fritura foi misturado com o resto. Como tinha 'planchado' uns lombos de salmão, também com alho, cebola, louro, e receando que os camarões, apesar de muitos e grandes, se perdessem na quiche (dado que têm uma textura muito leve, praticamente neutra), lasquei ainda um lombo de salmão dos que tinha feito para a tortilha. Penso que estava boa (não comi pois sou alérgica a marisco de casca encarnada). Mas, de facto, o meu filho disse que a textura dos camarões perdia-se na quiche, mais valia que se tivessem comido por si só.

Para a tortilha, estufei, com um pouco de azeite, legumes variados (cenoura ralada, alho francês, couve lombarda, micro bocadinhos de pimento, cebola, salsa, batatas aos cubos). Quando estava cozinhado, lasquei os lombos de salmão, juntei seis ovos, envolvi tudo. Aqueci uma frigideira muito grande e, quando o azeite estava quente, deitei tudo lá para dentro. Depois foi aquela cena de rodar a frigideira para não se pegar, depois de tostado virar com um prato grande, voltar a colocar, rodar, etc, e mais uma vez.

E fritei as bifanas de porco. Tinha comprado vinte e tal bifanas. Quando estava a fritar, pensei que era um exagero. Depois do resto, ninguém comeria tanta bifana. O meu marido também achou demais mas disse que fritasse, o que sobrasse eles levariam.

Foi tudo para a mesa bem como uma taça de salada de alface. E o meu marido levou a frigideira com as bifanas para a mesa, disse que cada um faria as que entendesse. Aqueci um monte de bolinhas de Rio Maior que também foram para a mesa bem como mostarda e ketchup. 

Resultado: sobrou um pouco de tortilha, pouco, uma fatia pequena de quiche de camarão e duas míseras bifanas. Fiquei zonza. Quando tinha acabado de fazer aquilo tudo, juraria que tinha sido um daqueles exageros de que sempre me acusam. Mas não. Para a próxima tem que ser mais. E nem sei se o mais novo não é o que come mais. Como dizia a minha avó, 'benza-o Deus'. Dá gosto vê-lo comer. E aprecia. E dá opinião. Até o 'doce' ele comeu de gosto. Meu rico menino.

E o que comem vê-se: estão todos a ficar enormes. Não imaginam como fico pequena ao lado deles quase todos. Um deles, o que está quase a fazer catorze anos, quando passou junto ao muro de lado  -- para ir com o primo e o tio para ajudarem o avô que não tinha conseguido desencarcerar sozinho um dos troncos grandes que se quebraram na noite de vendaval  -- perguntou-me: 'O muro sempre foi assim tão pequeno?'. E não estava a fazer-se engraçado. Não. Estava mesmo intrigado. É que antes ele era bem mais pequeno que o muro. Agora está quase da mesma altura. Uma coisa impressionante.

Mas falta falar do doce. Aí é que não acharam muita graça. Lá está: não gosto de fazer doces, não tenho mão. Fiz uma papa de aveia com leite, com quatro ovos, casca de duas tangerinas e, lá dentro, não me lembro se quatro ou cinco tangerinas (sem caroço). Ainda dois paus de canela e açúcar mascavado. Como geralmente nunca ponho açúcar em nada, tenho sempre receio que, ao pôr, fique doce demais. Por isso não pus muito. Provei e pareceu-me bom. Depois de estar bem cozido, grossinho, e etc, retirei os paus de canela e a casca das tangerinas e triturei bem tudo o resto, até ficar bem cremoso. Quando fui pôr no maior tabuleiro que tenho, quase deitava por fora. Fiz uma quantidade exagerada. Voltei a colocar os paus de canela e polvilhei. Quando provaram, estranharam pois acharam que eu me tinha esquecido do açúcar. Uns juntaram mais açúcar e já toleraram. Acharam que parecia papa de pequeno-almoço. 

Também tinha feito um tabuleiro de frutas. Disponho em riscas. Uvas brancas. Mirtilos. Gomos de tangerina. Morangos. Papaia aos cubos. Acho que fica bonito. Tiram à mão e servem-se. Voa num instante. 

Como sobrou imensa 'papa' (não sei como me saiu tamanha quantidade...) levaram  para comerem à noite, à ceia, ou, então, ao pequeno-almoço. Lá proteica e saudável é. 

Ficou um bocado para o meu marido que disse que gostou.

E é isto. 

Sobre o resultado das eleições na Madeira não falo. Indispõe-me. Há coisas que custam a perceber. Também me poupei à conversa do Portas. Vi o Louçã no Isto é Gozar com quem trabalha. Foi desenterrado pela Mortágua. E, para meu espanto, constatei que elege como inimigo o PS. Uma coisa surreal. Grande parte do tempo a cascar no PS -- isto em vez de cascar no Chega. Gente com astigmatismo político, caraças.

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Uma boa semana a começar já por esta segunda-feira

Dias felizes

domingo, fevereiro 06, 2022

O PCP diz que vai encher as ruas e apela às massas.
Catarina Martins diz que não se demite e, em conjunto com o Cardeal Louçã, insistem em provar ao povo que o povo não os percebeu bem.
Ou seja, continuam a ir por bom caminho, eles. Não sei se são burros ou se padecem de autismo severo. Coisa boa não é.

Vou mas é colher inspiração noutras bandas

 

Ia no carro, distraída, quando ouvi o meu marido a dizer: Eh pá, estes tipos não atinam. Até dá pena.

Concentrei-me. Era Jerónimo de Sousa que falava, naquele seu tom simpático embora paroquial. Dizia que iam ser menos no parlamento mas mais nas ruas e falava mal do PS e do grande capital. O meu marido, disse: Pararam no tempo, ainda estão quarenta anos atrás. E voltou a dizer que até dava pena.

Eu ia preocupada com outra coisa. Dei-lhe razão mas não acrescentei nada. De resto, acrescentar o quê? Ainda não perceberam que as pessoas querem uma vida tranquila, estável, e não confusão nas ruas. 

E massas? Grande capital? -- continuam com o mesmo e estafado léxico. Será que a malta mais nova sabe a que é que eles se referem quando falam das 'massas'? Até eu, que pertenço à malta mais velha, tenho dificuldade em saber...

Passado um bocado, era outro. Está em todo o lado: na televisão, nos jornais, na rádio. É daquelas ervas daninhas que aparece all over. Era Louçã que falava do alto da sua cátedra, explicando que tudo o que se tem andado a passar resulta de uma conspiração orquestrada por António Costa. Passando um atestado de estupidez aos portugueses que não votaram neles, Louça inventou parvoíces numa tentativa vã de desviar a atenção para a barracada que tem sido a estratégia do Bloco. O meu marido insurgiu-se: Mas ninguém lhe pergunta quem é ele para andar a dizer isto? Aí fui eu que disse: Por duas vezes, foram de braço dado com o PCP, juntar-se à direita, abrindo espaço para a direita populista e, por duas vezes, os portugueses lhes mostraram o que pensam disso. O tipo, que é um perdedor e uma nódoa a definir estratégias, por aí anda a ganhar dinheiro para se gabar das suas teorias.

O meu marido insistiu. O que é necessário é que, quando ele estiver com estas teorias, alguém se vire para ele e lhe pergunte quem é ele para falar assim.

Conclusão: fizemos zapping radiofónico e fomos fixar-nos na Antena 2. 

E, agora que escrevo isto, ocorre-me que as Direcções de Informação das televisões, rádios e jornais também devem estar cristalizadas no tempo: alguém em seu são juízo, atento aos tempos que correm e com dois dedos de testa continuaria a contratar os mesmos de sempre? Quem é que insiste em contratar esta gente que já não sabe o que dizer, viciada na maledicência, destituída de capacidade de raciocínio, habituada a mastigar o que outros já regurgitaram? Provavelmente outros que tais.

Há paciência para aturar isto?

Por estas e por outras é que, nos meus tempos livres, cada vez mais me entretenho a ver vídeos ou as Gilde Ages desta vida.

Ou isso ou a colher ideias para cenas. Por exemplo:

Biquinis para anafadas
INSTAGRAM @_YUMI_NU
 

Blusinha de tricot em fio primaveril
Francesca Michielin


Maquilhagem combinada para aparecer no emprego sem passar despercebida
Des'ree Msasi

Ou a ver dança que nasce na medula dos bailarinos:

Girl Gone Wild - Madonna / 
Fredy Kosman ft Koharu Sugawara Choreography / Urban Dance Camp


Ou a ouvir/ver nova gente da música:

Crystal Murray - Other Men


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Desejo-vos um belo dia de domingo
Boas notícias. Boa sorte. Tudo a correr pelo melhor. Saúde e alegria.

sexta-feira, janeiro 28, 2022

Nem mais: Louçã também vai a votos neste domingo

 

(...) Louçã revelou que não queria negociar com o PS, teria de ser o PS a negociar com o BE – isto é, os socialistas teriam de capitular, arrependerem-se, converterem-se à esquerda verdadeira. Jamais Louçã, depois da fulgurante ascensão, iria perder a possibilidade de tentar realizar o que a sua megalomania delirava. Caso os socialistas não lhe depusessem as armas capitalistas aos pés, pagariam o preço de serem derrotados as vezes que fossem precisas. E assim foi, em 2011 Louçã preferiu oferecer a Passos, Relvas e Portas a oportunidade para brincarem à reengenharia social enquanto vendiam mais empresas públicas. E, em 2021, Catarina Martins preferiu meter o País em eleições no meio de uma pandemia alegando que o Orçamento mais à esquerda de sempre não era de esquerda o suficiente – e com essa hipócrita e abstrusa opção garantindo que a extrema-direita vai crescer na Assembleia da República, quiçá ficando com força suficiente para levar a direita a governar.

(...)

Preferem o risco e prejuízos da interrupção da legislatura para ir a eleições a aceitarem negociar de forma a viabilizar o que fosse melhor para o conjunto mais alargado dos portugueses.

Donde, esta votação igualmente irá aferir quantos votos recolhe a soberba de um homem para quem a terra queimada e a aliança com a direita decadente é preferível ao bem comum.


Mais um grande texto do grande Valupi in Aspirina B

[Nunca tenho curiosidade em saber quem é ou como é quem escreve. Neste caso, confesso, tenho curiosidade. Quem será? Ou melhor: como será o Valupi? Tenho mesmo curiosidade. É que ele escreve aquilo que eu gostava de escrever (já o contei). E escreve bem, caraças. Gosto mesmo do que ele escreve. Escreve como se estivesse sempre numa de chutar à baliza. Não perde cá tempo com bolas de efeito ou conversa da treta. Vai straight to the point. Gosto.]

terça-feira, julho 20, 2021

Portas sucede a Marcelo?
[Vichyssoise strikes back...?]

 



Hoje, ao ver Marcelo a opinar e a contra-opinar, pensei que, na volta, o próximo presidente vai ser Paulo Portas. Depois do percurso jornalístico e político, está a fazer o seu caminho na televisão que, em política, é o caminho mais directo para as cadeiras do poder. Fala bem, sabe falar claro, tem presença, gosta de ser amado. A minha avó acrescentaria: e é um homem bem posto. E isso, parecendo que não, num cargo como o de Presidente da República, também conta (pelo menos junto de parte não despicienda da população).

O meu marido disse que sim, talvez, até porque, depois de Marcelo, já ninguém vai querer voltar a querer um Cavaco. Talvez aceitem alguém menos ubíquo do que Marcelo, menos carente de afecto e de reconhecimento, mas quererão alguém que saiba mostrar algum espírito didáctico, que não os envergonhe em público comendo de boca cheia ou exibindo um perpétuo ressentimento.

Paulo Portas não faz propriamente o meu género. É manipulador, é conservador, frequentemente vê as coisas por um prisma liberal que, em meu entender, poderia ser aceitável num mundo ideal mas que, comprovadamente, não resulta no mundo real. E gosta mais dele próprio do que do país. Mas a sua preocupação em ficar bem visto e sem manchas de maior na História talvez o leve a corrigir exageros e a tentar ser justo e equilibrado. E é culto. E há-de ter herdado genes contraditórios que o levem a ser tolerante e inclusivo.

Provavelmente vai competir com Louçã, a eminência parda, o cardeal que aconselha as princesas. Também não faz o meu género. Também é manipulador, também é conservador, também gosta demais das suas próprias ideias. E gosta de andar pelos corredores a soprar recados e estratégias num registo que me causa até uma certa repulsa.

Apesar de Portas alinhar à direita e Louçã hipoteticamente à esquerda, apesar de tudo o que se conhece a Portas, entre Portas e Louçã prefiro Portas. 

Nenhum dele personifica o presidente que eu desejaria. 

No PS não estou a ver ninguém que se atravesse para presidente. Se forem convencer um Vitorino, por exemplo, também não me sentirei convencida. É um artista das palavras, um tacticista. Não sei se ainda anda por aí a dar o nome em conselhos de administrações ou sei lá por onde é que ele já andou, supostamente respaldado na sua lista de contactos, a aconselhar este e aquele, a abrir portas a este ou a aquele. Não faz o meu género. Aliás, é daquelas picaretas falantes a quem nunca vi obra feita. Posso estar enganada, claro, mas não faz nadíssima o meu género.

Era bom que aparecesse uma mulher que os metesse a todos num chinelo mas não estou a ver nenhuma que me pareça convincente, mobilizadora. A política portuguesa está fraca em mulheres e isso é uma pena.

Hoje ao ver o Marcelo, igual a ele próprio, pensei: iniciou a trajectória descendente. Perdeu a graça. Esgotou-se. Não tarda vão começar a perfilar-se os candidatos.

E, agora que estou a escrever isto, penso que é urgente que se estabeleçam quotas para mulheres em tudo o que sejam lugares de poder: na política, na gestão, nas instituições sociais ou culturais. Durante anos fui contra as quotas. Acreditava que o caminho se faria caminhando, sem os artificialismos das quotas. Já vi que não. Os órgãos de poder estão, na maioria, blindados: as mulheres muito dificilmente lá entram. Só com pé de cabra se conseguirá abrir a porta. As quotas são o pé de cabra necessário. 

Mas não chega: toda a sociedade tem que se organizar de forma mais paritária para que as mulheres que o queiram possam ter a mesma amplitude de movimentos que os homens. E tem que se esbater um mito que tem envenenado isto tudo: o exercício do poder não tem que se uma actividade de 24 horas x 7 dias por semana. Tem que haver a compreensão de que, seja para homem ou mulher, tem que haver espaço na sua vida para a actividade profissional e para a actividade pessoal --- para a família, para o próprio, para o seu lazer. É esta mania que uma pessoa, ao estar num lugar de poder, tem que dar tudo, tem que se entregar em absoluto, que inibe muitas mulheres de tentarem aí chegar receando que isso signifique terem que abdicar de ter uma vida pessoal realizada, de serem boas mães, de terem tempo para si próprias. Este mito tem que ser combatido por palavras e actos, aprendendo todos a gerir melhor a dedicação necessária ao bom desempenho de um cargo.

Gostava de ter no meu país uma mulher presidente mas, infelizmente, a esta distância não estou a ver nenhuma. Por isso, parece-me muito provável que, até para manter viva a memória da célebre vichyssoise virtual, Portas suceda a Marcelo.

Um aparte: ao ouvirmos, nas sondagens, que o Comandante Gouveia e Melo está com um percentagem de apreço superior ao Marcelo, o meu marido disse: está tramado, o Marcelo não lhe vai perdoar isso. Rimo-nos mas, no fundo, vamos esperar para ver.

A autoconfiança é uma virtude. Mas,  na escala da autoconfiança, tal como em tudo, há uma linha vermelha. Quem tem um ego que se alimenta de si próprio, por esse ser um processo autofágico, pode acabar reduzido a nada.

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Obviamente este post é um mero e insignificante exercício de futurologia presidencial. Coisas da silly season, claro.

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Fotografias de David Luraschi na companhia de Adi Mehic no piano e 
Steffi Vertriest na voz interpretando Once Upon A Time In The West de Ennio Morricone
[Disclaimer: Nada tem a ver com nada, como é bom de ver]

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Desejo-vos um dia feliz

quarta-feira, junho 10, 2020

Mário Centeno, Mariana Mortágua, Cecília Meireles, Duarte Pacheco, etc.
E Chaplin, António Silva, Duarte Pacheco, Beatriz Costa.


Um dia que tudo isto se resolva talvez eu possa contar o que têm sido estes meus dias. São tempos de mudança. Mudanças a vários níveis. Só me apetece mudar e assalta-me uma vontade quase incontrolável de desapego. Não é fácil explicar-me nem é fácil, sem ser descritiva, transmitir até que ponto estou nesta disposição de virar costas a coisas que, dir-se-ia, me são intrínsecas. 

Mas isto para dizer que são tão preenchidos e intensos estes meus dias que chego a esta hora avançada, a sentir-me cansada, incapaz de me pronunciar a sério sobre o que quer que seja. 

O pior é que, tarde e más horas, quando sossego, ligo a televisão a ver se me distraio e vejo meio mundo a comentar, a dar palpites, a agourar, a sentenciar, a arengar sobre uma coisa que deveria ser a mais normal do mundo -- a saída de Centeno do Governo. E ouço que agora querem impedi-lo de poder vir a ser governador do Banco de Portugal. Arranjam mil razões, inventam argumento, dão testemunho, põem ar de doutores. Sabem tudo. Se alguém se distingue por ser competente logo há quem salte para os balcões da televisão com uma infinita e repetitiva converseta da treta. Circulam entre telejornais, noticiários, programas de debate de pechisbeque, repetem o que já disseram e escreveram noutros lugares -- e mostram que isto é uma terrinha de vizinhas, de comadres, de intriguistas, de gente de olho gordo. Em vez de quererem que gente competente esteja em lugar onde a inteligência seja uma mais valia, parece que querem é que o lugar seja ocupado por morto-vivo, múmia cega e surda, carlos costas de rabos pelados que deixam que tudo aconteça debaixo do nariz sem nada verem, sem que de nada saibam e elencando argumento para desfiar desculpas. 

São deputados e ex-deputados, advogados, ex-directores de jornais. Sempre os mesmos, sempre os mesmos trejeitos superiores, sempre aquela pseudo-sabedoria encardida a armar ao pingarelho. Não quero já nem saber se são competentes ou o escambau. É a atitude. Quando entrevisto candidatos para virem trabalhar para as minhas equipas o que eu quero perceber é se são gente boa, gente com boa atitude, gente franca, gente humilde, bem formada, gente que goste de trabalhar em equipa, que seja tolerante. Não quero gente cagona, de nariz empinado, gente com o reizinho na barriga, gente que pensa que sempre estará por cima da carne seca, gentinha armada ao pingarelho.

Mas esses não são os critérios de quem escolhe comentadores e comentadeiras. A televisão está cheia de gente que eu não queria nas minhas equipas nem pintada. A Mariana Mortágua, por exemplo. Não há pachorra. Arma-se em sabichona, em putativa madre superiora disfarçada de vingadora dominatrix. Ou a Drago. Versão délicatesse da Mortágua. Ou o cardeal, o Louçã. Acha-se superior. Mas superior a quem? Em quê? Não sei. Não aguento arrogância. Não digo que por vezes não tenham razão. Digo que são insuportáveis. Uma sociedade em que intragáveis destes estivessem em maioria haveria de ser pior que viver num convento de freiras do século passado, com castigos, maus tratos, sevícias de toda a espécie.

Ou a Meireles na Assembleia, porta-voz. Sempre com cara de má, sempre roída de azia. Ou aquele super-músculos que, para além dos músculos, só tem cabeça mas, infelizmente, oca, o Duarte Pacheco. O que ele diz, senhores. Parece daqueles pintas de província que se encostam à porta da taberna, armados em bons, faço e aconteço, mas que não passam de uns coitadinhos.

Mesmo dos outros, dos que são supostamente não políticos, na televisão, já não os aguento, um enxame de comentadores que só mastigam e remastigam o regurgitado uns dos outros. Nenhum quer ficar atrás dos outros. Inventam desgraças, antevêem desaires, antecipam litígios. Cada um vê mais problemas, vê antes dos outros, adivinha-lhes, antes dos outros, a gravidade. Aves agoirentas, urubus, papagaios. Não tenho paciência. Espremido é zero.

Só desejo é que o Governo tenha arrojo, visão e arte para dar um piparote em velhos hábitos e para levar o país para melhores caminhos. Para mim, ao contrário do joker pintarolas, Portugal está bem quando os Portugueses também o estão. E é isso que tem que acontecer durante o período que aí vem. E que Centeno continue a ser bem sucedido por todo o lado por onde ande e que continue a ser útil ao País.


Tirando isso, depois dar nomes a alguns bois, pena tenho é que não possa mesmo pegá-los pelos cornos. E agora apetece-me é ver vídeos como estes aqui abaixo. Com vossa licença, deixe que os partilhe convosco.








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As fotografias são de Patrick Demarchelier

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E um bom dia de Camões, da Língua e de Portugal.

segunda-feira, outubro 07, 2019

Segundas impressões sobre as Legislativas 2019:
sobre a Iniciativa Liberal e sobre o Bloco de Esquerda.
E sobre o mapa do País que está quase todo pintado de cor-de-rosa.


Depois de, no post abaixo, já ter falado da Cristas, do Jerónimo, do PAN e da possibilidade da Joacine no Parlamento, falo agora do aspecto mais relevante: o país está quase integralmente pintado com as cores socialistas.

Os resultados não são definitivos mas, neste momento, está assim:


E sobre os resultados obtidos pelos partidos, continuo:

5 - A Iniciativa Liberal conseguiu um deputado. Não sei nada deles a não ser que o presidente, o Carlos Guimarães Pinto, tem pinta de maluco e que propõem 15% de IRS para toda a gente o que, apesar de ser uma tontice, a mim agradar-me-ia bastante. Mas como o pouco que sei não augura nada de bom, deixa lá ver o que por aí vem. Contudo tenho esperança que, mesmo que seja maluqueira da grossa, um deputado não faça grande estrago.

6 - Com tanto populismo, tanto teatro, tanto golpe baixo e tanto funfum e gaitinha, o Bloco de Esquerda não ganhou nem peso relativo, nem absoluto. Fica com o mesmo número de deputados. Ou seja, depois de tanto filme, não convenceram mais ninguém do que há quatro anos. Pelo contrário, perderam até bastantes votos. Talvez isto as faça ganhar juízo. E espero que Louçã aprenda a dosear o gostinho por se exibir como o cardeal-manipulador da esquerda: é que só desajuda.

7 - Quanto ao Rio e às suas hostículas laranjas, já falo. Está a arranjar desculpas, a atirar-se à SIC e tem o grande Joaquim Sarmento na rectaguarda. Depois de o ouvir já digo qualquer coisa.

sábado, maio 04, 2019

Ó Louçã! Ó Catarina! Ó Jerónimo! Ó vocês todos, demagogos! Ainda não aprenderam a lição?
Então juntaram-se outra vez à direita, aos caceteiros, aos 'bota-abaixo e o povo que se lixe' e agora, que fizeram porcaria, ainda nos aparecem a armarem-se em virgens ofendidas e a culparem o Costa?
Ó pá, vão dar banho ao cão. Tenham vergonha na cara.
E outra coisa: vou ficar à espera que passem também a taxa extraordinária para cá! Ou vocês só andam a reboque do Nogueira?
Ó pá, vão gozar com a prima (com a vossa, não com a minha)


Mas talvez lhes saia o tiro pela culatra
porque a malta não é tão idiota quanto eles pensam
O Louçã, na televisão -- ar de sacerdote fundamentalista travestido de maquiavel de trazer por casa, amestrador-mor de gambozinos -- insinua que a culpa disto é do Costa.

Porque é que não defende a macacada que fizeram? Está bem, está. Sobre isso, 'tá quieto. Caladinho.

Saíu-lhes o tiro pela culatra. Pensavam que o Rio e a Cristas tinham coluna vertebral e iriam vetar aquilo e, ao verem que aquela gente não tem vergonha na cara e se juntou a eles, agora é como se o tema tivesse peçonha, nem tocam na ideia. Agora a conversa é só desvalorizar a reacção do Costa. Como se o Costa é que tivesse causado esta barracada toda. Uma vergonha.

Gente assim, que se move no teatro da baixa política, gente que se move por entre a hipocrisia encartada, dá cabo da política. Gente assim abre as portas ao populismo. 

Já antes tinha ouvido a Catarina (a do BE) a defender, com voz de beata, muito mansinha, de fininho, que a ideia é boa, que a exigência do Nogueira é justa, que devemos fazer a vontade aos professores, e que é bom ter os professores contentes e patati-patatá, toda sorrisinho sonso na voz, toda a fingir-se de moderada.

Detesto gente fingida. Fingidos e falhos de inteligência. Como se a malta não farejasse gente fingida a léguas...

E eu, ao ouvi-la, sinto ânsias: mas, ó Dona Catarina do Bloco, então e os enfermeiros? E os médicos? E os auxiliares? E os das estradas? E os dos comboios? E os polícias? E os juízes? E os funcionários do fisco? E os da recolha do lixo? E os pensionistas? E os das empresas privadas que levaram cortes nos ordenados? E os que levaram com taxas extraordinárias em cima? E os que foram para o desemprego? E os que tiveram que emigrar? E esses todos, ó seus demagogos? Esses não merecem ter tratados com 'dignidade'? Porquê? Então esses são cidadãos de quinta? Esses não entram na vossa demagógica equação?! 

Uma hipócrita, uma demagoga, esta Catarina. Este Louçã. Gente que aposta na ignorância de quem os ouve. Gente que na maior inconsciência e despudor se amanceba com a direita mais hipócrita e desavergonhada.

Ó demagogos. Ó demagogos. O eleitorado não vos perdoará.

E o Jerónimo? Também com a mesma conversa demagógica, também como se não soubesse que, se fizerem a vontade aos professores, terão que fazer a vontade ao resto do país. Sonso, este Jerónimo, sonso. E também como se a culpa fosse do Costa. De braço dado com o Rio, de braço dado com a Cristas -- uma vez mais -- e depois ainda com a lata de culpar o Costa.  Uma vergonha. Imperdoável. Estão-se nas tintas para o país, nas tintas para a verdade, para a honestidade intelectual. Nas tintas. O que os move, na hora da verdade, é a baderna a reboque da CGTP.

Mais um episódio triste e injustificável, tudo isto*

E já cá volto para falar do Rio e da Cristas.


* E só não me enfureço mais porque estou convencida que o Prof. Marcelo -- que também ajudou a que este lindo caldinho se formasse e que não vai querer ficar com uma macacada destas no seu CV -- há-de arranjar uma maneira airosa do país sair disto.

terça-feira, março 29, 2016

O Marcelo e a aprovação do OE que deve ter deixado o Láparo com um big melão.
O Louçã que foi convidado como comentador da TVI e deu nota 18 ao Presidente.
E, nada mais havendo a declarar, mostro a secretária onde costumo dormir a sesta no escritório e o sofá que espero bem que esteja à minha espera para eu descansar quando o sono apertar durante a reunião.


Bem, agora que já coisei a propósito do amor e da senhora que achava que o amor coiso e tal -- e se estou a falar de coisidades é apenas para usar terminologia que o seu (dela) amor usava para aprofundar os temas onde mergulhava -- deixem que vos diga que isto parece que qualquer coisa está a mudar aqui pelo burgo porque, apesar de não ter conseguido ouvir o Marcelo a aprovar o Orçamento 2016, ainda cheguei a tempo de ver o Louçã como comentador na TVI,
- o Louçã! Não o David Dinis, não o João Miguel Tavares, não o Baldaia, não o José Manuel Fernandes, não o Henrique Raposo, não a Helena Matos, não nenhum outro desses veteranos... mas, pasme-se, o Louçã, ele mesmo, em pessoa! -
e não é que o Louçã deu nota 18 à justificação que o Marcelo deu ao País para aprovar o OE...? O Marcelo, ao ouvir isso, até deve arrulhar de contentamento. Fogo... o Louçã a dar um 18 ao Prof. Marcelo?! 

Ultimamente não tenho visto muita televisão pelo que não presenciei o momento exacto em que a coisa desbalanceou e pendeu para um lado diferente daquele para onde andou pendido nos últimos quatro anos. Mas uma coisa é certa: a julgar pelo que hoje me foi dado testemunhar, parece que, em pouco tempo, o país se virou de pernas para o ar e, se tínhamos um Governo liderado por uma criatura com alguns défices cognitivos e uma Presidência ocupada por um senhor com poucas maneiras e que tinha bebido pouco chá em pequenino, agora até parece que entrámos na normalidade e temos um país bem governado e bem presidido. 

Pelo que o Louçã contou -- e o Louçã fala bem, é claro na exposição, é afável na argumentação -- fiquei com pena de não terem infiltrado um drone ao pé do Láparo, do Bácoro e dos seus muchachos. Sempre gostava de lhes ter visto a carinha de tacho enquanto o Marcelo lhes dava com a tampa na carola. Depois de já por diversas vezes lhes ter tirado o tapete, agora não perde oportunidade de lhes saltar em cima a pés juntos.

Claro que agora podia tentar ouvir essa conversa do Marcelo mas, em vez de ter a televisão num canal de notícias, tenho no Alvim no 5 para a meia-Noite. A esta hora já só tenho paciência para malucos mas malucos de verdade, que se assumem como malucos, não para malucos armados em comentadores ou deputados.

Tirando isso e não querendo falar da senhora que se atirou ao mar para ver se apanhava o paquete onde ia o marido escorraçado (e não quero comentar porque primeiro gostava de saber se a senhora é boa da cabeça pois não quero pôr-me para aqui com chalaças sobre alguém que esteja a bater mal), acho que me vou ficar por aqui pois esta terça-feira tenho que madrugar, mais um daqueles dias que dura, dura, dura. 

Se soubessem o sono que volta e meia, depois de centenas de quilómetros, me dá nas reuniões... Um sacrifício para me manter acordada...

Quando isso acontece no meu gabinete já tenho o problema resolvido. Arranjei uma secretária multi-usos que de tarde uso sempre. Abro a portinhola para o espaço ficar arejado, entro na caminha e durmo até serem horas de me despachar e pôr-me a caminho. Eu mostro pois podem achar inspirador e seguir o meu exemplo.

Quando está fechada, uma secretária normal

Quando se abre, para eu poder pôr o sono em dia, fica assim: agradável

Para amanhã, que é dia de reunião fora do escritório onde habitualmente trabalho, já pedi que, numa salinha ao lado, fizessem o favor de instalar uns sofás confortáveis. Enviei o desenho e o link para o local onde os descobri para que façam a gentileza de tratar do assunto. Espero que me tenham levado a sério.

Disse-lhes que uns 4 destes devem chegar porque a maior parte são homens portugueses e os homens portugueses têm a mania de se armar em machões, não precisam de descansar, são muito feras, sempre alerta. 

Para mim pedi também uma mantinha com touca para me sentir aconchegada, não ouvir barulho e dormir como deve ser
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Já agora, para não dizerem que vieram aqui perder tempo e nem uma musiquinha para alegrar a vossa alma, deixem que mostre aquela rapaziada dos Ok Go de que eu tanto gosto. Aqui estão a fazer publicidade a mobílias o que, como é bom de ver, vem muito a calhar. Vejam que é muito bom, nada a ver com cantorias místicas e pinceladas balléticas.


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E é isto. Relembro que sobre amores mal digeridos há falatório filosófico no post abaixo. 
Espero que aprendam alguma coisa e depois que façam a caridade de vir cá contar, ok?


terça-feira, junho 16, 2015

Sérgio Figueiredo sobre José Sócrates na prisão -- um texto que é um murro no estômago [E ainda Francisco Louçã que, sobre este mesmo assunto, diz que 'esta justiça mete medo'; e, para aquele que um dia disse ser um animal feroz, Faces of the Wild e Va, pensiero].


Va, pensiero, sull'ali dorate;
va, ti posa sui clivi, sui colli,
ove olezzano tepide e molli
l'aure dolci del suolo natal!





Quando José Sócrates recusou usar pulseira electrónica, logo um conjunto de apreciadores de animais rastejantes ou invertebrados veio dizer que o que ali se via era vitimização. Pessoas há que, talvez desabituadas de assistir a actos de coragem ou de simples dignidade, tentam encontrar uma vantagem mercantil no que é, tão só, uma manifestação de carácter.

Várias vozes insuspeitas se têm levantado contra a prepotência que leva a que, sem culpa formada e supostamente para investigar, numa deriva que parece delirante, se mantenha um homem encarcerado como se de um perigoso condenado se tratasse.

Muitas vezes aqui o tenho dito: não sei se Sócrates é culpado de alguma coisa punível por lei. Torço para que não seja. Se for, ficarei furiosa com ele -- e comigo, por ter acreditado nele. Mas -- e sei que estou a repetir-me -- até que a Justiça se exerça, ele, tal como eu ou você, Caro Leitor, somos, à face da lei, inocentes. Portanto, independentemente de se vir a apurar a sua culpabilidade ou a sua inocência, o que agora me assusta é a forma despótica como ele tem sido tratado.

E, quando falo nele, falo por ser o preso preventivo que conheço dadas as funções que ocupou. Provavelmente esta mesma prepotência é exercida contra muito mais pessoas, muitas da quais, se calhar, depois, não são condenados nem sequer acusadas. E, portanto, insurjo-me por ele, porque o conheço, mas insurjo-me igualmente por todos os que se encontram ou encontraram na mesma situação.

Imagino-me, a mim, numa situação destas e fico apavorada: poderia acontecer que um qualquer inspector suspeitasse de mim, me pusesse sob escuta, ouvisse todas as minhas conversas, tudo, as minhas conversas mais pessoais, as minhas conversas de trabalho, tudo, tudo, e depois resolvesse que, para poder espiolhar ainda melhor a minha vida, me deveria prender? Poderia acontecer que eu me visse desprovida de tudo, da companhia dos meus, dos meus mais básicos pertences? Poderia isso acontecer-me? 

Sendo eu uma vulgar cidadã, teria uma vantagem sobre Sócrates: quando me deslocasse não teria as televisões a seguir-me e os meus amigos e familiares não seriam inquiridos à porta da prisão. (Quanta devassa a que estas pessoas têm estado a ser sujeitas...)

Como se sobrevive a uma desgraça destas? Quem não tenha posses, sem trabalho, a ter que pagar a advogados, como sobrevive? E como se sobrevive à humilhação de se saber injuriado nos jornais e não se poder defender? Como se sobrevive, sabendo o sofrimento da família, dos pais, dos filhos? 

Não sei.

Se a lei permite isto, então a lei tem que ser mudada. Os cidadãos não podem estar desprotegidos a este ponto. Não me interessa quem foi o ministro ou o governo que aprovou a lei em vigor. Tudo se corrige, em especial as burrices.

Nem me interessa que distorçam o que digo -- nomeadamente que venham dizer que o estou a defender ou que quero tratamento privilegiado -- não me interessa mesmo nada. Leiam bem, leiam com atenção. Eu digo o que acho que devo dizer. Sou a favor da justiça, da liberdade, da democracia. Não consigo ficar calada quando assisto a violações de qualquer destes pilares de um mundo decente.

Como é que não há muitas mil vozes que se levantem para clamar por isto? E que cobardia é esta que parece ter tomado conta dos socialistas que, assistindo a uma coisa destas, se deixam ficar calados? Acharão que ganham mais votos se calarem a voz sobre a vergonha que se está a passar neste nosso desgraçado País?
Coitados. Não sabem que a Pátria não paga a traidores? Nunca pagou. Nunca pagará.

O que sei é que as vozes que mais alto se têm levantado provêm de outros quadrantes políticos.

Por exemplo, disse no outro dia Francisco Louçã no Público num artigo a que deu o título Há alguém por aí para enfrentar a triste degradação da justiça? e que Eduardo Pitta resumiu no seu blog Da Literatura.


«[...] Sugiro ao leitor que se mova então pela única certeza que podemos ter: este processo está a ser conduzido sem respeito pela justiça ou até pela decência. Não há acusação e passaram meses, não há acesso da defesa aos documentos e provas e isto ainda se pode prolongar mais uma eternidade [...] o caso Sócrates importa menos do que esta regra geral: esta justiça mete medo. [...] E isso já é com os candidatos – os das legislativas e sobretudo os das presidenciais. Digam-nos o que querem fazer ou fiquem de lado, porque se estão calados então não têm solução para os problemas de Portugal. É uma questão de regime, é mesmo convosco, senhores candidatos e senhoras candidatas.»

O, mia patria, sì bella e perduta!
O, membranza, sì cara e fatal!



Mas de tudo o que tenho lido, o que talvez me tenha impressionado mais foi o artigo de Sérgio Figueiredo desta segunda-feira. Diz que, depois de ter falado com Sócrates, saíu da cadeia em silêncio, e acredito. Há momentos em que não há palavras. E esse seu silêncio pesado transparece nas suas palavras. Transcrevo parte do seu texto.

(...)

2. Não devo nada a ninguém. Muito menos a Sócrates. Ao contrário de outros, outrora amigos, eternos da onça, que se escondem entre as frases ocas que proferem e as visitas que não lhe fazem. Partido cobarde, partido escondido, partido assustado. Nem é sequer o partido relativo, dirigentes de O"Neill, engravatados todo o ano, que se assoam à gravata por engano.

Não há engano entre os socráticos, apenas cálculo mental. Contas sem valores. Quantos mais votos contam, quanto mais puxam pela cabeça, mais o rabo se lhes descobre. Mais impressionante que a coragem de Sócrates em permanecer dentro de uma cela, entre delinquentes, é a falta dela em António Costa e na maioria dos dirigentes socialistas, que deliberadamente confundem justiça com amizade. Esperava mais, porque já lhe vi mais.

Salvo raríssimas exceções, mostram a sua raça num silêncio ensurdecedor que envergonha mesmo aqueles que detestam Sócrates. Miguel Sousa Tavares, Pedro Marques Lopes e até o "comuna" Pedro Tadeu, como se autodefine, insuspeitos colunistas, que não pertencem à família, nem de perto nem de longe, escreveram nesta semana a indignação da forma que nunca se ouviu em qualquer camarada do Rato. Um barco cheio deles, com um comandante à deriva - ou preso, porque o último líder do PS está no Alentejo e, espera-se!, a aguardar pelo dia em que responderá por corrupção e outros crimes graves.



3. No fim de contas, a entrevista não aconteceu. Às 22 perguntas que a TVI tinha para fazer José Sócrates não quis responder. Não tinha tratado pessoalmente do assunto, mas acabei por ser eu a confrontá-lo com elas. Entrar numa prisão não é uma experiência agradável. Visitar um ex-primeiro-ministro preso é um momento único, difícil de esquecer. Ou simplesmente difícil. Estivemos, eu e o meu camarada de redação António Prata, uma hora lá dentro. Conversa dura, ouvindo o que não queríamos, dizendo o que não podia ficar por dizer.

Conversa feroz, animal enjaulado. Ninguém ousa sentir o que um prisioneiro sente. Sei o que senti e imagino o que António Prata viveu. Saímos de lá em silêncio - a única palavra que repetia para si próprio, mas em voz alta, é aqui irreproduzível. Saímos mais pesados, sem entrevista, mas saímos. Uma hora depois. Não seis meses.

Sócrates pode ser mentiroso, pode ser odiado, pode ser odioso, pode ser intratável, pode ser malvado, pode ser acusado, julgado e condenado, pode ser corrupto - pode ser tudo o que magistrados têm o dever de provar e um juiz de julgar, seja o que for. Não é, porém, de nada disto que se trata quando um homem, naquelas condições, se recusa ir para o conforto da casa e a companhia dos filhos. É coerência, se estiver inocente. É coragem, em qualquer dos casos. Aquilo que fugazmente vi não paga arrogância ou o preço da vitimização.

Não temos pena. Apenas pânico - se a investigação judicial falhar e a acusação não produzir provas consistentes. E pejo - pelo nojo dos políticos surdos-mudos em que em breve vamos ter de votar.




Va, pensiero, sull'ali dorate
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O texto completo da autoria de Sérgio Figueiredo, intitulado A entrevista que não aconteceu, foi publicado no DN.


A música mostra Luciano Pavarotti & Cambodian and Tibetan Children's Choir interpretando Va, Pensiero de Verdi.

E, pensando naquele a quem, apesar de estar encarcerado, ainda chamam animal feroz, escolhi para ilustrar este post fotografias da autoria de Devin Mitchelle e que pertencem à série Faces of the Wild e que descobri no Bored Panda.
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Permitam que vos convide a descer até ao post seguinte onde poderão ver meio mundo de cabelos em pé com o que se vai sabendo do 'negócio' da privatização da TAP e, mais abaixo, um vídeo impressionante com Berlim em Julho de 1945 (para que o que aconteceu nunca seja esquecido).

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa terça-feira. 
Da minha parte espero manter-me sempre como nas palavras de Sophia: 
face erguida, vontade transparente, inteira onde os outros se dividem. 
Desejo que vocês, meus Caros Leitores, também.

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quarta-feira, fevereiro 25, 2015

Pay attention! Portugal is not Greece! - disse, com aquele seu sorriso Pepsodent e com a usa grandiloquência habitual, o vice-irrevogável Portas na 'Lisbon summit 2015', falando em inglês, quase parecendo que se estava a apresentar a um exame do 1st Certificate. Um piadão! Não tendo aqui o vídeo desse momento humorístico, brindo-vos com um número de um outro prestidigitador: Mac King


Ouvi o artista Paulo Portas no carro e à noite vi-o na televisão. Parecendo que queria fazer-se passar por um membro da família real inglesa, todo ele aspirava os hhs, todo ele requebrava a língua. E todo vaidosão, que não é a Grécia e tal. Dir-se-ia que não lhe cabia um feijãozinho, todo orgulhoso com o luxo que são os indicadores económicos e financeiros portugueses - um país que tem uma dividazinha* mais pequena que uma caganita de láparo e onde só os calaceiros é que não têm trabalho, ui, tão bom...! - e todo ele sorria, parecendo fingir que, quase por decoro, escondia a legítima soberba. E depois patrioteiro, que não é grego, que é português e europeu, e quase revirava os olhos com a épica afirmação. E todo ele silêncios a ponderar o efeito da palavra seguinte, num inglês de aluno do British Council.

De gargalhada. Ridículo na forma e no conteúdo.

Mas, vá lá, muito bem vestido e de cabelinho bem penteado. Ao menos isso.


Paulo Portas diz que não é grego.

E eu confirmo. E lamento.
Tomara que fosse. Tomara que defendesse o seu país como o governo grego o tem feito.
E, já agora que, como homem, tivesse a graça que tem o Varoufakis. Assim, só temos a perder.


Um dia o Paulo Portas talvez me dê razão: ganhava em seguir o exemplo de Sócrates, ir estudar filosofia para outro país, ficar por lá algum tempo. Podia vir de férias, cabelo rapado a la Varoufakis, barba cerrada, óculos escuros, um look radical (de modo a que ninguém o reconhecesse). Depois, mais tarde, mais maduro, mais atinado, talvez a gente o aceitasse bem de volta. Poderia ser comediante, fazer stand up ou assim. E aposto que punha a plateia ao rubro. Se já põe e ainda está a fazer apenas de vice-irrevogável, imagine-se o que seria se estivesse à solta, completamente desbocado.

Mas não, por aí anda, armado em importante. Só que, por muito que se pinte, há qualquer coisa nele ou no seu longo historial que faz com que ninguém já consiga levá-lo a sério. A gente vê-o e só o imagina a dar saltinhos em cima de linhas vermelhas.

Gostava de poder partilhar convosco esse momento de comédia em Cascais, no Lisbom summit 2015 patrocinada pelo The Economist mas não encontro nenhum vídeo. Assim limito-me a dizer que podem ler aqui alguma coisa sobre as bicadas de Paulo Portas à Grécia. 


E, aos que vinham à espera de um momento de diversão, para não darem a visita por perdida, aqui deixo um mágico, um ilusionista (que, claro, teria muito a aprender com o Mestre Paulo Portas): Mac King. Mas, apesar de um aprendiz ao pé do nosso vice, este Big Mac é o máximo.




...

Só espero é que na próxima, quando o Paulo Portas for fazer outro número especial, faça o favor de, no fim, tirar um peixinho dourado da boca. Vivo, claro está.

....


* Já agora do facebook de Francisco Louçã, conforme enviado por Leitor a quem muito agradeço:


facebook: rancisco Louçã: Factos são factos: Portugal não é a Grécia? Não. Portugal tem uma dívida externa líquida maior do que a Grécia.  ...

Francisco Louçã:


Factos são factos: Portugal não é a Grécia? Não. 

Portugal tem uma dívida externa líquida maior do que a Grécia.


...

quinta-feira, julho 24, 2014

Ana Drago, Daniel Oliveira e pareceu-me que também Ricardo Paes Mamede chegam-se à frente e dizem que é preciso unir a esquerda e que, por isso, bora lá formar mais um Partido...? É isso? Percebi bem? E, se bem percebi, vão formar este Fórum, ou Manifesto ou Partido ou lá o que é e depois juntam-se ao Livre e, de braço dado, vão bater à porta do PS? Ou percebi mal? É que, se é isso, não seria mais fácil irem inscrever-se no PS? Ó esquerdinha mais destrambelhada sem qualquer tino na cabeça...


No post abaixo já falei das notícias da imprensa de mão, que dão conta de que o Coelho não se importa de deixar ir a Albuquerque para a Comissão Europeia. E não disse mas dei a entender: cantam bem mas não me embalam.

Mas isso é a seguir. Aqui, agora, a conversa é outra.



O barco vai de saída



(Fausto, no seu melhor)

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A direita é mais bronca, inculta, gentinha incompetente, pequenos conservadores ultramontanos, pacóvios e provincianos, tementes em relação à cultura e ao conhecimento. Dói só de a gente saber as burrices que dizem e fazem. 

Quando tomam conta da quinta, fazem leis que não lembram ao diabo, destratam quem podem, avacalham o que os rodeia, destroem tudo à sua passagem. Sem pruridos ou remorsos.

Ana Drago é inteligente, tem o verbo fácil, é fotogénica.

Mas... so what...? De concreto, o quê?

Os inteligentes de esquerda vêem isso e sentem genuína repulsa. Têm angústias literárias, exaltações quase místicas, epifanias criativas e, de todas as formas possíveis e imaginárias, parodiam, insultam, desprezam os mentecaptos dos direitolas.

Depois, cada um de per se quer parir a tirada mais iluminada, quer citar o intelectual mais cosmopolita, quer obter o reconhecimento deslumbrado dos seus pares, de facto, quer ser primus inter pares.

E, nessa ânsia narcísica, em que os princípios se querem os mais puros, as intenções as mais nobres, o despojamento o mais onírico, começam as divisões.

Enquanto a direita se une, a esquerda divide-se.

Portugal pode estar a ruir, as contas desequilibradas, a dívida a subir para níveis estratosféricos, os juros da dívida a sugarem toda a magra seiva que a frágil economia consegue produzir, podem os desempregados estar a deixar de receber subsídio e os excluídos a deixar de receber o subsídio de inserção, pode o país estar a tornar-se um país onde as desigualdades mais se cavam, e podem os professores ser humilhados e tratados como cães sem dono, e os cientistas ser desprezados como parasitas, podem os jovens sair em debandada, reproduzindo-se longe deste país pobre e envelhecido... que a esquerda continua a agir autisticamente, numa lógica que é essencialmente de estética política. 

Um por aí anda a tocar ferrinhos e a apelar à desunião dentro do próprio partido, outros a repetirem, no mesmo tom de voz, os mesmos slogans de há dezenas de anos que já ninguém escuta, e os da esquerda que se quereria arejada e moderna a brincarem aos partidinhos, juntando-se e desajuntando-se. Um filme que seria de risota se não tivesse a consequência de deixar o caminho livre à destruição que vem sendo levada a cabo - sem oposição.

Acho Ana Drago, Daniel Oliveira, Ricardo Paes Mamede ou Rui Tavares gente inteligente. E João Semedo ou Catarina Martins também. Ou Francisco Louçã, também. Inteligentes e boa gente.


Quantas vezes já vimos estas pessoas a formarem manifestos, partidos, tendências?

Falam, falam, falam... e não fazem nada...


Mas, lá está, falta-lhes qualquer coisa. Falta-lhes um suplemento de quelque chose. Falta-lhes uma cola agregadora. Falta-lhes alegria e força intrínsecas. Miguel Portas tinha tudo isso e tinha, ainda por cima, carradas de charme. Ora nenhum destes tem isso porque isso não se herda, isso ou está nos genes ou, azarinho, não está.

Se ainda não perceberam que, para além de tudo o que é genético e de todos os puros ideais, têm que ter os pés assentes na terra, têm que ter um mínimo de pragmatismo e que, se querem chegar-se ao poder e aliar-se ao PS, então devem ter sentido prático e, de facto, juntarem-se ao PS - ou, então, vão andar o resto a vida a fragmentar os partidos por onde passam, depois a formar outros, depois a provocar cisões, depois a voltarem a juntar-se noutros, uma brincadeira inconsequente e ridícula. 

Fazem-me lembrar as bolinhas de mercúrio quando se partia um termómetro do antigamente. Têm muita pressa de fazer qualquer coisa, juntam-se a outras bolinhas, depois as bolinhas dividem-se em duas e depois voltam a juntar-se a outras bolinhas; mas tanta dança de bolinhas não passa disso mesmo: de uma dança de bolinhas.


Pressa. Muita pressa. Foi neste ritmo que Daniel Oliveira abriu esta quarta-feira ao final da tarde a sessão organizada pela Fórum Manifesto para “Uma governação decente”. Do lado oposto da mesa, mas em sintonia perfeita, na pertença à associação política, mas também na escolha dos verbos e adjectivos, estava Ana Drago, igualmente ex-dirigente do BE.

(...)

Duas certezas para já: vai nascer uma plataforma política e eleitoral que se baterá por ir a votos já nas legislativas de 2015. E que entende que é “suicidário” excluir o PS. Um partido? Aderem ao Livre? “Vamos ver como é possível organizar esse esforço. É muito cedo para ver a forma institucional”, disse Ana Drago.


Por um lado dizem que têm pressa mas, ao mesmo tempo, que ainda é cedo. Em que ficamos? Em lado nenhum, claro.

Há pouco ouvi o Rui Tavares na televisão. A mesma lenga-lenga intelectualizada, bem articulada. Mas, senhores, falta-lhes garra, sentido prático, experiência de vida, capacidade para deitarem mãos ao trabalho.

Se nem conseguem unir-se entre eles, meia dúzia de gatos pingados, como pensam conseguir algum dia mobilizar um país? 

Sabem o que me ocorre perante tudo isto? Que, por este caminho, e se, ainda por cima, os amigos do Seguro o conseguirem aguentar lá, o Passos Coelho e o vice-irrevogável Portas nem precisam de se ralar com as próximas eleições. Têm, de facto, muita sorte: governam um país manso e ainda por cima têm passarinhos destes na oposição... 

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E, a propósito do Passos, queiram, por favor, descer até ao post seguinte.

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