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sábado, agosto 19, 2023

As mamas das mulheres são assustadoras?
Os seios desnudos de Eva Amaral incomodam alguém...?

 

Já não faço topless em público. De resto, apenas o fazia em praias com muito pouca gente. Gostava, isso sim, era de, nessas praias, nadar nua. Mas isso, acho eu, ninguém via.

No campo, no verão, quando estamos só os dois, ando frequentemente nua. Tenho um lado muito naturista e um outro muito reservado. Ou seja, acho que, na verdade, tenho alma de bicho do mato. Deveria poder viver num recanto do mundo onde essencialmente só houvesse bicho para não correr o risco de ser olhada. Os bichos não olham, só aceitam.

Ainda não contei: no outro dia o meu marido viu um esquilo grande e um esquilo mais pequeno. Não sabe se seria macho e fêmea ou mamãe e seu filhote. Diz que subiram pelo tronco de um cedro, perto dele, na maior descontração. Acho isto extraordinário. 

Roem pinhas como se não houvesse amanhã. Deve ser um exército deles pois é impossível que só dois fossem capazes de tamanho estrago. 

Continuo a deixar, à sombra, uma banheira de bebé cheia de água para poderem refrescar-se. Espero que apreciem.

No outro dia, quando lá chegámos já havia pequenos seres a nadar dentro dessa água. A natureza, a vida, tudo isto são acasos extraordinários. Milagres, propriamente ditos.

Despejei a água para pôr água fresca mas fiquei a pensar no que sairia dali se deixasse aqueles seres desenvolverem-se à vontade. Na volta, um dia chegava lá e dava com carpas gigantes. Ou com rãs.

Mas estou a falar como se estivesse in heaven e não estou. Estivemos fora mas hoje, depois de almoço, regressámos à civilização. O pessoal já cá estava. Tivemos uma festa de anos atrasada pois a aniversariante, no dia dos anos, estava fora.  

Estivemos juntos, festejámos. Tão bom. 

Por aqui não há esquilos. Mas há gatos. Agora, de vez em quando, aparece um gato completamente branco. Até no parapeito, do lado de fora, já se pôs com os meninos todos do lado de dentro. Ficaram um bocado intrigados.

Hoje de noite, depois de termos jantado (lá fora, no terraço) e, creio, já depois dos parabéns a você, a fera pôs-se acocorada a olhar fixamente para algo que estaria atrás de um vaso grande. Quando isso acontece é bicho. O bicho fica paralisado e ele, porque os bichos se põem onde ele não os alcança facilmente, fica à espera de um movimento em falso para lhes saltar em cima.

Mas a coisa levantou voo. Todos atrás. A coisa entrou em casa. Todos atrás, pessoas e cão. Um alarido, palpites, que se abrissem todas as janelas, que se acendessem todas as luzes, que se afastassem alguns móveis. Uns saltavam, outros corriam. Para as crianças, é o delírio. 

Quem viu achou que era um morcego pequeno.

Tudo à procura, o meu filho de chinelo na mão e eu não queria que ele matasse o morcego e cada um a dizer sua coisa, as opiniões divididas.

Até que um quadro se mexeu. Concluíram que a coisa estava lá atrás. O meu marido tirou o quadro, a coisa tombou e o meu filhou deu-lhe uma sapatada.

Era um grande insecto, não sei qual. Bonito. Tamanho gigante. Não era gafanhoto, era bem maior. Um tom entre o platinado e o leve esverdeado, brilhante. Foi apanhado com um papel.

Se fosse um morcego seria estranho. Imagino que não se soubesse bem o que fazer com ele.

Bem. Isto para dizer que os animais estão bem é a viver em liberdade na natureza.

E depois há isto: parece que isso faz sentido para todos os animais mas, vá lá saber-se porquê, parece que se acha subversivo as mulheres andarem de mamas ao léu. 

Cresci com essa condicionante. Logicamente não me daria jeito andar por aí em tronco nu. Uso é cada vez menos soutien. Não há pachorra para andar condicionada. Só quando não quero que se perceba e receie que fique uma situação constrangedora é que o ponho.

Mas acho uma burrice, uma ignorância, uma estupidez os movimentos moralistas, as plataformas moralistas armadas em censoras de coisas inócuas e tudo o que tresanda a atraso de vida que impede as mulheres, que o desejem, de, em determinados contextos, terem o peito à vista.

Num espectáculo em Espanha, a cantora desnudou-se e actuou assim. E eu, para dizer verdade, acho que, se ela o quis fazer 8e ela explicou as suas razões) e se sentiu bem, pois não fez ela senão bem.

‘I don’t know why our boobs are so frightening’: why musicians in Spain are going topless as a radical gesture


Eva Amaral se desnuda en Sonorama por la libertad de las mujeres: "Nadie puede arrebatarnos la dignidad"

"Somos demasiados, y no podrán pasar...", entonaba la noche del sábado Eva Amaral sobre el escenario y a pecho descubierto. Un gesto que revolucionó al festival Sonorama Ribera, donde el duo aragonés Amaral echó mano de su carácter más reivindicativo. El concierto que debía conmemorar sus bodas de plata con la música, 25 años transcurridos desde que vio la luz su primer disco, con el que compartían nombre, se transformó en un clamor por la dignidad y la fortaleza de las mujeres.

In the middle of her performance at the Sonorama festival in the northern Spanish town of Aranda de Duero on Saturday, Eva Amaral was about to lead her band Amaral into her song Revolución when she took off her red sequin top and threw it on the floor.

“This is for Rocío, for Rigoberta, for Zahara, for Miren, for Bebe, for all of us,” she said, listing the names of fellow artists before uncovering her breasts. “Because no one can take away the dignity of our nakedness. The dignity of our fragility, of our strength. Because there are too many of us.” In a concert marking the Spanish band’s 25-year career, going topless was a way of defending women’s dignity and freedom to go nude, and “a very important moment”, Amaral later told El País. 
But it was also a show of solidarity with a growing number of Spanish artists who are resorting to nudity to defend women’s rights, and have been censored or attacked as a result.
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Desejo-vos um bom sábado

Saúde. Alegria, Paz.  

sexta-feira, setembro 16, 2022

Emily em Nova Iorque

 

Não há nada mais comovente do que uma mulher corajosa. Nem há nada mais inspirador do que uma mulher que dá um pontapé para o ar em tudo o que são preconceitos, tabus, baias, e caminha de cabeça erguida e olhar destemido.

Se um homem rompe barreiras e deixa para trás algumas ortodoxias, a ideia que dá é que há nos seus gestos alguma coisa de provocador, alguma beligerância, quase como se quisesse afirmar-se através do desafio, através dos outros.

Se uma mulher avança com orgulho e valentia, quebrando barreiras e enterrando medos e censuras alheias, ela fá-lo por si mesma, por sentir que tem direito ao seu espaço, à sua vontade, à sua liberdade e felicidade.

Emily Ratajkowski tem 31 anos, mede 1,70m, tem um filho e acabou de avançar para o pedido de divórcio. Na sua primeira aparição pública depois desse passo importante na sua vida, Emily surgiu com um look sensual, um penteado desalinhado e ousou a toilette mais impudica do desfile de Tory Burch  em Nova Iorque. 

E eu acho isso uma maravilha. Não apenas gosto do vestuário, das transparências, das sobreposições, das cores mas também da coragem de Emily ao avançar orgulhosa e elegantemente como se estivesse a traçar o seu caminho. E está.

Aliás não foi apenas Emily que vestiu transparências ou sobreposições. Houve outros modelos também bastante bonitos e, mesmo, houve uns outros mamilos que também se afoitaram.

Abençoada liberdade e abençoada coragem. Salve Emily e salve todas as mulheres que não receiam as opiniões censoras ou os próprios medos.


Mas não é apenas na moda que Emily mostra que sabe o terreno que pisa. Emily é uma mulher que sabe o que quer, que empunha cartazes, que eleva a voz, que se arrisca a bem do direito sobre o seu próprio corpo e da defesa da liberdade e da democracia:


Salve Emily!

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Um dia bom
Saúde. Elegância. Coragem. Paz.

quinta-feira, junho 02, 2022

Libertar as mamas, tapar os mamilos


Nada contra uma coisa ou outra. Mamilos tapados ou mamilos destapados, maminhas beatamente cobertas ou mamocas descaradamente ao léu. Tudo está bem quando acaba bem. #Freethenipples. #Coverthenipples. 

Posso já não ser praticante mas sou admiradora. Como em tudo, há que usar o que se usa com elegância e dignidade. Mais do que usar uma moda, há que ter atitude. So they say.

Pela parte que me toca, o que posso dizer é que gosto de decotes grandes e que agora pouco uso soutien. Só o uso em dia de festa ou afim tal como, por exemplo, reunião presencial. Livre sempre fui mas agora ainda mais me sinto.

Para o trabalho, tempos houve em que usei roupa que, em meu entender, dispensava o soutien Tinha um vestido de que gostava muito. Já não me cabe mas não o deitei fora. Tenho esperança que alguma outra mulher da família ainda tenha prazer em usá-lo. Era de uma malhinha de algodão preta, um vestido bem justo, liso, com um decote nas costas em V profundo, com umas tiras horizontais para unir as duas partes do decote dorsal. Usava-o com um cinto largo de pele macia em bordeaux. Claro que era incompatível com soutien dado que as costas estavam muito a descoberto. Na altura,  mil vezes não usar soutien do que ir com ele à vista. Agora isso também já não choca. Nessa altura, lembro-me bem, já tinha os meus filhos, eram pequenos, e nem trinta anos eu devia ter. Vestia-me assim, na maior descontração. Claro que, olhando para mim, se percebia que a única coisa que tinha vestido para além do vestidinho eram as cuecas que, de resto, eram escolhidas a dedo para não se notarem. Gostava de o usar. 

Também tinha um vestido branco sem mangas nem alças, um cai-cai com um franzido na zona do peito e depois solto para baixo. Gostava de o vestir no verão, quando estava um pouco bronzeada. Claro que o soutien também não tinha ali qualquer cabimento.

Se agora tivesse vinte ou trinta ou quarenta anos seria uma alegria para as liberdades vestimentais de agora. Há uns anos, eu vestir-me como por vezes me vestia era coisa que envolvia alguma ousadia pois não havia muita gente que se aventurasse.

Já o contei e conto outra vez pois na altura achei graça e nunca mais me esqueci. Aos trinta fui nomeada directora de uma grande empresa. Era uma directora multiplamente atípica. A direcção tinha umas vinte e tal pessoas e na altura tínhamos também sempre estágios curriculares, geralmente jovens finalistas e, por coincidência, porque me mandavam os melhores alunos e os melhores alunos eram raparigas, tínhamos geralmente um par delas. E trabalhávamos com empresas de consultadoria, a maior parte deles não portugueses. Havia, pois, para além de mim mais umas meia dúzia, pelo menos, de mulheres muito jovens, algumas estrangeiras, gente desempoeirada e muito bem disposta. Havia uma, estagiária, que usava saias e vestidos tão curtos e tão justos que tinha que andar sempre a puxá-los para baixo. Havia uma outra que morava ao pé da praia e andava sempre bem morena, com um cabelo muito louro, muito comprido, que usava sempre vestuário que destapava mais do que tapava. Eu tinha um gabinete mas o resto do pessoal estava numa ala grande, em open space. E foi por essa altura que um colega, um já com alguma idade, uma vez me disse com sorriso malicioso: gosto sempre de vir para estes lados, é como se estivesse a ir para o Meco. Para quem não saiba, a Praia do Meco é uma praia conhecida por se praticar nudismo. Achei um piadão.

Mais recentemente, eu já vestida com a discrição que a idade aconselha  (a idade e 'a posição social'  -- como dizia a mãe do meu amigo) pasmava com as roupas reduzidas de algumas raparigas que trabalhavam no escritório. E pasmava por o fazerem para tentarem partido disso. Isso deixava-me chocada. Uma, quando lhe chamaram a atenção para a saia reduzida num dia em que ia ter uma reunião importante, disse: 'Então... tenho que fazer pela vida...'. Fiquei deveras incomodada. Acho isso uma subversão e um atentado. A antítese do que deveria ser sempre o gosto de vestir.

Eu sempre me vesti para me sentir bem, porque gostava de me ver assim. Claro que sentia que despertava alguma atenção e isso não me desagradava. Mas não era isso, tal como não é hoje, o que me motiva. O que me motiva é o prazer de me sentir bem. Nunca me passou pela cabeça tirar qualquer partido da situação. Sentir-me-ia indigna se sentisse que estava a exibir-me para que alguém me promovesse pela minha aparência.

Provavelmente se hoje fosse uma jovem mãe e não uma idosa avozinha não iria trabalhar em tronco nu, apenas com uns tapa-mamilos. Mas para a praia iria, talvez até ousasse um modelito assim numa saída nocturna. Não sei...

O que sei é que acho uma graça, uma libertação, uma alegria. Felizes os tempos e as sociedades livres que o permitem. 

Contudo, quando se lê o título Breast in show! How nipple pasties went from underwear to outerwear. The self-adhesive covers are normally used in lieu of a bra, but celebrities from Cara Delevingne to Doja Cat are proudly flaunting them on the red carpet, sobre o facto dos tapa-mamilos deixarem de ser um adereço de underwear para passarem a moda à vista, pode pensar-se que é coisa recente, de agora. Mas não. Veja-se, por exemplo,

Miley Cyrus leaves Jimmy Kimmel flustered by wearing heart-shaped nipple pasties for chat show


Tenho ainda a dizer que fiquei agora a saber que há tapa-mamilos que são usados para fazer um lift instantâneo e não invasivo. Funcionam na base da fita cola e parece coisa bem prática. Aqui fica a dica a quem quiser aparecer espevitada das ideias e do frontispício. Não ponho o vídeo porque o youtube, que é algoritmo todo metido a besta, pudico que só ele, quer atestado de idade para o incluir no blog. Não estou para isso. Fica só a fotografia.


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E viva a vida
Saúde. Alegria. Paz.

domingo, outubro 17, 2021

Isto é uma mama

 



Quando estive grávida as roupas eram largas, as então chamadas 'roupas à mamã'. Por minha conta e risco ousei uma coisa na época infrequente: uma adaptação das calças normais, abrindo-as do lado e unindo as partes com um elástico largo que ia sendo ajustado. E depois usava uma espécie de camisas quase normais mas em largo, umas camisas com motivos florais. Mas, na maioria, os vestidos eram daqueles que desciam largos a partir do peito. Para a praia também havia os fatos de banho à mamã. Desses nunca tive nenhum. Pedi à minha mãe que prendesse uma espécie de cortina na parte da frente do soutien do biquini, em tecido parecido com o do biquini. Na altura, era impensável usar o biquini normal com o barrrigão à vista. 

À luz do olhar de hoje tudo isto é absurdo. Que pudor haveria em mostrar um ventre dilatado, com uma criança dentro?

Hoje exibem-se orgulhosas barrigas e ainda bem que assim é.

Tenho ideia que foi com a fotografia da Vanity Fair de uma Demi Moore gravidíssima que Annie Leibovitz ajudou a acabar de vez com o estúpido tabu.

Agora é com naturalidade e, diria eu, ternura que se olha o belo corpo de uma mulher grávida. Vejam-se estas duas que encontrei aqui: Féminin pluriel : la mode célèbre toutes les silhouettes:




Acho uma maravilha. Só tenho pena de não ter fotografias minhas assim. As fotografias que tenho quando estava grávida são sempre completamente vestida. O que a vida era antes, na maior parte dos aspectos, era um atraso de vida. Não se celebrava a vida. Pelo menos, não em festa, não com orgulho.

Com a amamentação era outra tourada. 

Amamentei a minha filha até quase aos treze meses. Andava, falava, levantava-se sozinha de um lado do colo quando esvaziava um peito e mudava de mama por sua alta recreação dizendo: 'a outa'. O meu filho acabou mais cedo. Apenas mamou até mais ou menos aos quatro meses e depois, por insistência minha, talvez até aos seis ou sete, nem sei bem. Era um desatino, era muito sôfrego, engasgava-se, depois incomodava-se, não queria. Cedo começou a querer comida normal, odiando leite, papas e tudo o que fosse apropriado para bebé. Para conseguir que bebesse leite tinha que o apanhar bem ferrado para lhe dar um biberon sem ele dar por isso. Senão, mal lhe enfiava a tetina na boca, desatava aos vómitos.

Na altura, eu usava soutiens de amamentação, uns soutiens em que a parte da frente se prendia por um colchete, descendo quando era a hora. Usava camisas que pudesse desabotoar, depois abria a parte da frente de cada lado do soutien e, com a criança a mamar, punha uma fralda (que, na altura, eram de pano branco) que descia do ombro e cobria a criança. Desta forma encobria a mama. Até aqui tudo bem. O pior era quando o meu filho se engasgava e era preciso pô-la rapidamente ao alto, soprando-lhe e tentando que se desengasgasse. A manobra tinha que ser tão rápida que não dava tempo a encobrir a mama. Pior ainda: eu sempre tive mais leite que uma vaca leiteira. Como ele mamava com sofreguidão, ainda mais estimulava a produção do leite. Então, quando interrompia por estar engasgado, a mama continuava a esguichar. Mas esguichava com força, muitas vezes molhando-o todo, deitando-lhe leite para os olhos o que o fazia chorar com toda a força. 

Agora imagine-se quando isto se passava fora de casa. Tinha que procurar um lugar escuso, tinha que me isolar. Não podia correr o risco de ficar de mama de fora e, ainda por cima, a jorrar leite como um fontanário.

Hoje, felizmente, tudo isto é uma coisa mais natural. Uma mãe que amamenta não tem que se esconder ou ficar num stress com medo de expor o seio nu.

Para além da questão da amamentação, já fiz muito topless embora, confesso, sempre me sentisse mais à vontade em praias pouco frequentadas. Acho que há qualquer coisa de íntimo na exposição dos seios pelo que nunca achei muita graça à banalização de andar de mamas ao léu no meio de multidões. Mas a verdade é que não era pelo topless que procurava praias pouco populadas, era mesmo porque, para mim, estar na praia tem que ser um contacto muito livre com a natureza e isso não é compaginável com estar numa toalha e com pessoas desconhecidas a cercarem-me, toalha com toalha, a ouvir-lhes as conversas, a respirar o seu cheiro. Isso para mim é a antíteses do que é bom na praia.

Vem isto a propósito do que li no Madame le Figaro. Parece que uma fotografia de uma marca francesa de artigos para mães e filhos foi censurada pelo Instagram por, justamente, aparecer uma mama com uma gota de leite (a primeira fotografia deste post).

Des tétons et des femmes allaitantes affichés dans Paris pour contrer une censure d'Instagram

Tajinebanane - Manifesto

Num movimento de protesto, em várias ruas de Paris apareceram cartazes com essa fotografia juntamente com mães a amamentar.

E eu que sou a favor da amamentação, a favor do corpo da mulher, a favor do direito a fazer com ele o que se quiser, que abomino os enredos que envolvem os conceitos de pecado e de culpa associados ao corpo da mulher, daqui deste meu insignificante poiso, junto a minha voz a todas as mulheres que, em qualquer parte do mundo, lutam pela dignidade do seu corpo e pela liberdade de o afirmarem.

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[E estou a ilustrar com fotografias com mulheres grávidas ou a amamentar mas o direito ao respeito pelo corpo e o direito a fazer com ele o que se queira (desde que não se esteja a fazer mal a outrem) podem apresentar-se de muitas outras formas. E não há que querer escondê-lo como se fosse um gerador de pecado. Pelo contrário, o nosso corpo é das poucas coisas nesta vida que temos como verdadeiramente nossa. Não teremos nunca razão para escondê-lo ou sentir vergonha dele. Seja uma mama a pingar leite, seja um ventre rasgado por cicatrizes, um seio amputado, seja o que for]

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O José Afonso está aqui a cantar o 'Menino d'Oiro' pois foi certamente a canção de ninar que mais entoei para os meus filhos. 

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Desejo-vos um belo dia de domingo

quinta-feira, abril 29, 2021

Abaixo os soutiens, abaixo os saltos altos! E que vivam os rabos-de-cavalo

 



Já aqui aflorei: o confinamento alterou alguns dos meus hábitos. Hoje de manhã, quando estava a tomar o pequeno almoço, já vestida e pronta para sair a seguir, dei-me conta de que me tinha esquecido do soutien. Foi coisa que me caiu em desuso durante o confinamento. E, no entanto, os que uso são confortáveis.

Agora são confortáveis.

Contudo, durante anos usei soutiens que não me eram confortáveis. Usava o número que achava que era o meu, recusando-me à racionalidade. Como sempre, privilegiava a estética e nem me ocorria que deveria dar atenção ao conforto. Já o contei: ia a Madrid uma meia dúzia de vezes por ano e, sempre que ia, não passava sem ir à Calle Serrano, nomeadamente a um belíssima loja de lingerie. Perdia-me com belos balconies, soutien.gorges e por aí vai. Rendas elegantíssimas, cores suavíssimas ou estonteantíssimas. Escolhia tendo por único critério a beleza.

Quando chegava ao fim do dia, ao despir-me, frequentemente tinha um vinco à volta. O meu marido dizia que não sabia como é que eu aguentava e eu dizia que nem sentia. E era verdade. Mas um dia, estando a passear à noite no Algarve, uma vez mais deixei-me tentar pela lingerie. O meu marido disse: porque não experimentas um número maior? Achei que não ia ficar bem mas resolvi pedir à simpática empregada se me podia ajudar a encontrar o tamanho ideal. Ela mediu-me em várias dimensões e em várias frentes de batalha. No fim, disse qual o tamanho em número e letra para se ajustar à largura de costas e à dimensão do seio, ou seja, à copa ideal. Tudo diferente do que eu costumava usar. Aliás, nem nunca me teria ocorrido aquela combinação. Foi buscar-me um modelo com aquelas características e, ao provar, foi uma epifania. Vi-me ao espelho e estava ajustado na perfeição. E um conforto total. Foi como se mil anjos me rodeassem, tal o bem estar. Saí do provador como se me tivessem libertado de cilícios que, de tão habituada, já nem me dava conta de que poderia viver sem eles.

Desde aí, são desse tamanho de costas e copa que uso. Olho para os anteriores modelos, belíssimos, como peças de museu. Os que agora uso são também bonitos mas, como não voltei à loja da Serrano, daquelas obras de arte nunca mais voltei a encontrar. Mas isto para dizer que os que agora uso já não me causam incómodo.

Mas, durante o confinamento, desabituei-me. Parece que são peças inúteis. A vantagem dos soutiens parece-me hoje, sobretudo, a de poderem ser uma protecção contra episódios não controlados como a gente ter frio e estar a usar uma blusa fina. Tirando isso, só se for também a questão da blusa ter alguma transparência.

Mas, portanto, lá tive que ir ao quarto despir-me para colocar o soutien,

Outra são os ténis. Cada vez me apetece mais andar de ténis. Ao ver que, mesmo em cerimónias de tapete encarnado já há quem os use, ainda mais vontade tenho de um dia destes aparecer a preceito e com ténis. Ponho-me a pensar nos inconvenientes e, para dizer a verdade, parecem-me suportáveis. Qual o pior que me pode acontecer? Olharem com espanto? Cortarem nas costas? Bah, quero lá saber. Não sei é se os que tenho fazem toilette. Tenho uns em verde-seco-azeitona que farão pendant com os verde-seco que tantas vezes uso. Mas os azuis são práticos demais. Os azuis escuros estão velhos demais. Os turquesas, demasiado informais. A minha mãe diz que gosta de ver os vídeos de uma brasileira que faz aconselhamento de looks e que ela diz que ténis em sociedade só se forem brancos. Por acaso, gosto de ténis brancos mas tenho ideia que só num look mais casual. Tenho que experimentar. Agora nem tenho nenhuns brancos. Tinha uns com um vivo cor-de-rosa mas eram mesmo de verão e já estavam tão gastos que os deitei fora.

E, nesta de mudança de hábitos por via do confinamento, há outra coisa em que já comecei a ousar mas, por enquanto apenas em videoconferências: estar de rabo-de-cavalo. Gosto imenso de estar com o cabelo apanhado mas, para o trabalho ou em situações menos informais, sempre usei o cabelo caído. Quanto muito, parcialmente apanhado. Agora mesmo rabo de cavalo, não. Pois bem. Agora, volta e meia, quero lá saber. Usei e senti-me bem.

Resta saber é se, levantando-se isto do teletrabalho obrigatório e voltando-se à rotina diária de casa-trabalho-casa, vou voltar não apenas a conseguir estar o dia inteiro num gabinete numa torre de vidro como a estar de soutien, saltos altos e cabelo caído.

Com tanto abaixo-assinado completamente estúpido e fútil, porque será que ainda ninguém se lembrou de lançar uma petição a proibir a existência de qualquer femme fatale ou outras personagens da era pré-covid?

Eu assinava já por baixo.

#Free the lusitano nipple. 

#Free the feet. 

#Free the ponytail

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A Kate Moss está aqui apenas porque há imagens dela para ilustrar qualquer situação e a Femme Fatale da Carla Bruni está porque a sua voz de veludo condiz com algum pensamento subjacente por parte de quem, aí desse lado, está a ler esta conversa.

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E um dia feliz

Saúde. Alegria. Liberdade aos mamilos.


quarta-feira, julho 08, 2020

A inocência, os mamilos, a secreta razão





O tema de hoje, embora desprovido de propósito ou coerência, vai ser vasto e é múltiplo. Felizmente não são horas para homilias. É tempo é de silêncio. Portanto, se estiverem de acordo, em silêncio aguarde-se que a Empty Note acabe. Só então se deverá despir a blusa, quiçá tudo o resto e, cautelosamente, avançar para o que se segue.


Como se define inocência? Seduzir apenas for the fun of it? Brincar ao 'agarra lá a ver se eu deixo'? Ou, antes, o não ter noção dos danos que se podem causar com um ingénuo menear de ancas, um olhar sem querer, um sorriso de nada, uma palavra deixada cair ao de leve?

Não sei. Só sei que é bom ser inocente. Não ser por mal, não poder adivinhar as consequências, não ter nada a ver com isso, não ter maldade. É bom a gente não ser responsável pela perdição em que alguns descuidados caem. Um inocente tem sempre uma alma com não mais de quatro anos. Acima dos quatro anos já começa a haver malícia, consciência das coisas.

Não há, portanto, nada de mais perigoso do que uma mulher cuja alma não tem mais que quatro anos.

Nos homens não é bem assim. São inocentes toda a vida. São inocentes mesmo quando julgam que não são. Pensam que têm artes e malícias mas não, têm é muitas inocências. Têm é piada. O que, convenhamos, já não é mau.



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E depois há aqueles temas que se prestam ao diz-que-diz-que com subentendidos na voz, com curiosidades secretas, suposições inverbalizadas. Há gente que gosta de dizer coisas e que, nestas circunstâncias, fala em 'mitos urbanos'. A mim irritam-me os 'mitos urbanos'. Eu que tenho séculos de existência prefiro a palavra tabu. Tabu é conceito escorreito, palavra simples e foneticamente muito primária como, cá para mim, convém a tema assim.

Falo de um daqueles temas que é como se contivesse pecado. What's in a name? Diz-se 'mamilo' e logo há quem fique à espreita: rosado, pequenino, um inocente convite? escuro, impúdico? grande, indecoroso? pequenino, coisa de eterna lolita? E o que pode fazer com ele? Contemplar? Imaginar? Desejar? Não descansar enquanto não o tocar? Com a mão? Com a língua? Venha o primeiro descarado e atire um palpite.

Mas que digo eu? Em que mamilos estou eu a pensar? Nos meus? Nos de qualquer outra mulher? Ou nos mamilos dos homens, mamilos inocentes, disponíveis, oferecidos, sem mistério? Que promessas encerra o mamilo de um homem? Penso que nenhuma. Mamilo de homem é raspadinha já raspada, a gente olha e já viu tudo. E, mesmo sem ver, a gente já viu. Agora o das mulheres...

E, mesmo os das mulheres que foram operadas, podem desaparecer que não desaparece a sua memória e, se forem reconstruídos, renascerão ainda mais arrojados, mais belos, mais prometedores.

Mas atenção, mamilo é tema e petit morceau para gente fina, para connaisseur. Não pense que é o primeiro lambão que já pode sair por aí a fingir que sabe do que fala. Não, lambão não sonha sequer o que é, nunca chegou nem perto de jóia tão cheia de requinte.


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E depois há o resto: a graça, o impulso, o que nos leva lá, o que nos chama, o que existe sem a gente saber porquê. Dir-se-á que é a beleza. Qual quê? A pluma, a cor, o canto, a dança, o odor da hormona? Também. Mas, apesar disso, não sei, não. Penso que é outra coisa. Coisa invisível. É tão forte que atravessa mundos, é tão forte que ainda não há, nem nunca haverá, expressões que o exprimam através da matemática. É que o que não se pode transformar em equação não existe. E isto de que falo não existe. Está para além disso.

Não tem a ver com a perfeição, com a ausência de ruga, com a pele lisa, com a carnadura no lugar, com a glúteo a espreitar, com o mamilo a arrebitar, com o olhar a desafiar, com a palavra a convidar. Não tem a ver. Encerra saudade, encerra vontade de abraçar, encerra vontade de imaginar infinitudes, encerra vontade de descobrir descrição ou razão. Mas não é só isso. Talvez também empatias inexplicáveis, atracções irresistíveis, jogo de espelhos, mãos que se estendem mas só em pensamento. Vontade de comer. De devorar.

E que se disfarçam de brincadeiras, de desencontros. Inocentes. Imateriais. Inexistentes.

(E solte-se aqui, se faz favor, um conveniente risinho malandro)


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E mais nada. Ainda hei-de falar de uma árvore magnífica que o homem da biblioteca secreta plantou. Mas isso só mais tarde, agora ainda não. Até porque ainda não descobri o nome dela.

As fotografias são, de novo, de Eylül Aslan e provavelmente estão aqui por conta delas, não por mim, não pelo texto. Ou, então, a mom seul désir.

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E eu gostava de saber que está tudo bem convosco.
E desejo-vos saúde, boa disposição.