Ele há coisas... Tais os dias que parece que se combinam para me darem conta do juízo, a verdade é que continuo sem conseguir ler notícias, aprender inteligiências com comentadores, ver televisão ou frequentar outros lugares de cultivo intelectual. A zeros. Face a esta constatação, embora tomada pela indolência que me assola quando a noite já vai alta, fui tentar suprir a grave lacuna cultural de que venho padecendo, espreitando a galeria lateral de blogs aí ao lado. Fui andando, andando, até que me ocorreu, vá lá saber porquê, ir ver as estatísticas do blog. E eis senão quando, de entre as palavras ou expressões que alguém colocou num motor de busca e a que o respectivo algoritmo considerou que este humilde blog poderia dar a resposta, dei com estas:
fatima lopes maminhas amota
Fiquei a olhar algo admirada. Discorri que a ideia deveria ser "maminhas à mostra" mas que talvez a pressa tenha levado a suprimir um r, um espaço e um acento grave. Até aí tudo bem. Parece-me normal que se vá ao google procurar as maminhas à mostra da Fátima Lopes.
Só não sei é qual a Fátima Lopes de que essa pessoa queria ver as mamocas popotas. Mas também não é grave. Têm ambas umas bombocas todas larocas.
E estranho também não é. Eu própria, volta e meia, vou ao google procurar partes pudibundas geralmente ocultas mas que quero ver ao léu, por exemplo do Bruno Alves*. Por exemplo. Mas já me parece bizarro que o google ache que eu, Sta. UJM, estou munida de armas para satisfazer curiosidades relativas a coisas amotas.
Mas, enfim, insondáveis são os caminhos dos algortitmos que governam a nossa vida e este hoje deve ter pensado que se non è vero, è ben trovato 'e deixa cá ver se ela se esmera para dar boa resposta a todos aqueles que para ela são encaminhados'.
Pois bem. Sou bem agradecida, sim senhor. E, assim sendo, e admitindo que, quem até agora tiver vindo, viria debalde -- pois não tenho ideia de antes cá ter as maminhas da Fátima Lopes e, muito menos, amota -- aqui estou para, numa próxima ocasião, ter com que satisfazer a curiosidade do meu Leitor ou da minha Leitora.
E se não for nenhuma destas a Fátima Lopes pretendida, aqui deixo mais umas quantas senhoras (cujo nome desconheço) mas que também têm as mamocas quase amota.
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Foi pena ninguém ter escrito: 'o ganda melão do láparo' para eu aqui poder mostrar qualquer coisa como isto aqui abaixo:
E agora, ó Láparo, que até a Fitch melhorou em dois níveis a apreciação da dívida portuguesa,
não vais às lágrimas com esta notícia? Não desatas, de novo, a rir na cara de Mário Centeno?
Mas pronto, é o que é. Não vale a pena bater mais no ceguinho. Já era. Parece que agora que anda feito sleeping partner, é que se lhe subiu a popularidade. O pessoal gosta dele é caladinho, feito morto. Vamos ver a grande diferença que vai fazer quando for sucedido por um dos dois vintage que saíram à cena, duas criaturas que pouco podem trazer de novo a menos de uma certa nostalgia pelo passado.
Da parte que me toca, o que tenho a dizer -- a estes ou a quaisquer outros ursos -- é que o que eu quero é que se f...
Estes levaram a sério a minha recomendação e foram f....-se no sentido biblico.
* Aquilo do Bruno Alves é mentirinha, atenção, Claro que não vou à procura dos interiores do rapaz. Ainda se fosse do Hugo Soares... Ah, esse sim. Ou o puto charila Leitão.
Vou ser lapaliciana: negociar significa dar e receber, ceder e obter. Negociar a dívida não é sinónimo de obter o seu perdão. Negociar a dívida, ainda que de forma incipiente e quase irrelevante, é o que tem vindo a ser feito. Mas não é suficiente.
É preciso encarar de frente a necessidade de renegociar a sério a dívida pública e acho que teríamos todos a ganhar se essa discussão fosse feita com maturidade e de forma desapaixonada. É preciso perceber que encarar este assunto de forma maniqueísta (ou mortaguiana) é um erro crasso. Não somos nós, os coitadinhos, versus os outros, os malvados. É que quem está do outro lado, na ponta final, não é forçosamente um abutre. Podem até ser reformados que, na sua boa fé, contam ter uma boa rentabilidade dos seus fundos de pensões.
Renegociar a dívida de um país não é, pois, coisa para meninas estridentes que -- como dizia, creio, o João Oliveira do PCP -- gostam de espalhar com as patas o que os outros andam a juntar com o bico. É, na verdade, trabalho de sapa, trabalho de fundo, trabalho de análise, trabalho de diplomacia, trabalho de gente adulta.
Com uma Europa descomandada e que facilmente se desengonçará ainda mais do que já está e com um presidente americano que se adivinha um poço de incertezas, com os chineses e os russos já com as hostes a caminho, é bom que quem tem olhinhos de ver perceba que está na hora de pôr os motores a aquecer porque os tempos que aí vêm têm tudo para ser tempos de mudança. António Costa e os seus pesos pesados e Marcelo Rebelo de Sousa terão uma oportunidade única para abrir uma brecha no rançoso status quo europeu e mostrar que há outra forma de estar na democracia. Às vezes basta um bater de asas de borboleta ou um cravo na ponta de uma baioneta.
Os países têm vindo a ser abanados pelos ventos de descontentamento que sopram um pouco por todo o lado. O povo, essa insondável mole humana, tem vindo a mostrar que não quer mais os xaropes que lhe têm vindo a enfiar goela abaixo. Votam à esquerda ou à direita desde que lhe cheire a mudança: pode ser um populista, um palhaço ou um pato. Tudo menos alguém que personifique 'os de sempre'. Pasto fácil para o populismo, este é o terreno que, quem tenha dois dedos de testa e que saiba ver ao longe. tem para pisar e do qual pode tirar vantagem.
Renegociar a dívida*, restituir a dignidade e a racionalidade à economia, voltar a colocar o humanismo no centro da política, apostar no europeismo como motor de coesão e desenvolvimento -- estes são alguns dos passos que António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa deveriam começar a equacionar (com discrição, com sabedoria, com determinação). Inteligência e tacto político não lhes falta. Empatia entre eles e capacidade para estabelecer empatia com os outros também não. Talvez esteja, pois, na hora de começarem a trabalhar a sério -- de olhos postos no futuro.
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Brendel interpreta Schubert, Op. 90/3
Fotografias da National Geographic
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* E calma, isto é o que eu penso numa lógica absolutamente racional, desprovida de simpatias partidárias (até porque a questão da dívida tem sido bandeira do BE e do PCP, partidos sobre os quais não se pode dizer que eu morra de amores por eles)
No dia em que o omnipresente e caleidoscópico Presidente Marcelo apareceu a espetar alfinetes nos balões da crise que o pafiano Láparo e amigos para aí têm andado a encher (Crise? Qual crise? Se havia, evaporou-se -- riu o tal catavento, escarninhamente), aparece o relatório do multicéfalo FMI a dizer que a receita aplicada aquando do so-called resgate a Portugal parece exercício académico feito por inexperientes totós. Que não resulta, que não atacaram a raiz dos problemas, que, ao exigirem objectivos inantigíveis, humilharam inutilmente os pobres portugueses que não tinham mesmo como alcançá-los -- e por aí fora.
Como tenho um certo lado de menina marota, ao ler isto, só me apeteceu ir pôr-me à frente do intelectualmente pouco dotado láparo ou do ex-irrevogável e de todos quantos andaram a esporear os portugueses -- e gozar com eles mas gozar mesmo, esfregar-lhes na cara o relatório do FMI, obrigá-los a engolir, uma a uma, cada página até as conclusões lhes saírem pelos olhos. Depois pensei que não, pronto, nada de vinganças, coisa mais feia. Devia, isso sim, arranjar uns quantos capangas para conseguir obrigá-los a confessarem, em público, que foram burros, sabujos, e anti-patriotas. Obrigá-los a pedirem desculpas aos portugueses. Isso sim.
Qualquer pessoa que tenha olhos de ver e que conheça minimamente a realidade do país percebe que Portugal tem problemas estruturais sérios e que nenhum deles foi objecto de intervenção por parte do esgazeado governo cujo objectivo foi ir além da troika.
Refiro alguns desses problemas:
Portugal não tem capitalistas. Eu gostava de saber que dinheiro ou que património livre (livre de garantias, penhoras, etc) têm, de facto, os mais ricos de Portugal. Vivem bem, sim, ok, mas dinheiro mesmo seu? Casas em seu nome? Que impostos pagam? Ok, são accionistas de empresas valiosas. Mas... e qual a dívida dessas empresas? Se quiserem investir, têm capitais próprios que não sejam activos já alocados como garantia a financiamento alheio? Pergunto.
O que temos, sobretudo, são empresas endividadas até ao tutano. Daí que, por muito bem que o patriotismo fique na lapela, quando a crise aperta os nossos soi-disant capitalistas vendem ao primeiro que apareça (angolano, chinês, omanita, francês, fundos apócrifos, whatever).
Ora, num país em que nem os capitalistas têm dinheiro, em que a classe média estava endividada a pagar a casa e pobres, mesmo que envergonhados, eram (e são) mais do que muitos só pela cabeça de gente muito burra é que passava a brilhante ideia de que a receita para a crise consistia em secar a pouca liquidez circulante, cortando nos rendimentos e aumentando a eito os impostos.
Depois não temos indústria a sério. Temos um ou outro pólo industrial - coisa sem grande expressão. Parte da pouca indústria foi vendida a estrangeiros cujos centros de decisão estão lá na terra deles. Não ter indústria forte é sinónimo de importação em força e de débeis exportações, ou seja, é sinónimo de uma economia frágil.
Se Portugal precisava (e precisa) muito de alguma coisa é de um forte apoio à reindustrialização. Com a reindustrialização principal vêm as empresas fornecedoras, vem o emprego qualifificado, vem o ensino e a investigação para suporte à diferenciação.
Um apoio intensivo na identificação de oportunidades, de modernização das redes logísticas a começar nos portos, um apoio intensivo aos centros de investigação e desenvolvimento e um apoio forte ao ensino a todos os níveis -- isso, sim, Portugal precisava e precisa como de pão para a boca. Mas a receita da troika passou por aqui...? Passou, passou. Como cão por vinha vindimada.
A agricultura é marginal. Não são as hortas das tias que animam um sector que, em tempos (nos vis anos do reinado do tal das cagarras), foi apoiado para pôr as terras de lado (a chamada política do set aside).
Temos uma administração pública ainda, em parte, antiquada que consome muitos recursos dando, em alguns sectores, pouco em troca. O programa Simplex foi asininamente parado pelos pafiosos. Não apenas não fizeram qualquer reforma como, estupidamente, pararam o que estava em curso. Felizmente a Maria Manuel Leitão is back e com ela as reformas são de fundo e a sério.
Portugal tem ainda um outro problema grave (e só porque estou a escrever depois da meia-noite, deitada num sofá e mais para lá do que para cá é que coloco um problema desta natureza a meio do texto, quando deveria ser um dos primeiros): a definhante demografia.
São necessários apoios sérios e integrados de apoio à natalidade. É indispensável que os portugueses sintam confiança no futuro e sintam que serão apoiados na criação dos seus filhos. Os troikanos e seus discípulos perceberam isto e actuaram...? Então não...? Fizeram foi tudo ao contrário.
A dívida é imensa e impossível de pagar? Ah pois é. Tem que ser renegociada, os prazos dilatados. E tem que ser percebido que a dívida é uma consequência, não um objectivo primário.
Se for encarado como um objectivo primário como o foi por parte do FMI, congéneres da troika e membros do trágico governo PSD/CDS, acontece o que aconteceu em Portugal: se for necessário, correm-se com os portugueses de Portugal, corta-se a reforma aos mais velhos, atira-se com milhares de empresas para a falência e com centenas de milhares de portugueses para o desemprego para chegar ao fim de cada ano e verificar que a dívida tinha aumentado e que o país estava cada vez mais arrasado.
Broncos do caraças. Quando penso nisto, sinto cá uma raiva.
Quando se ouve a cambada a lamentar que o actual governo reverta as reformas estruturais, só me pergunto: mas referem-se a quê?
Que me lembre a única reforma que conseguiram levar por diante foi a laboral. Leia-se: foi precarizarem o trabalho. Como se algum empresário ou gestor que se preze, daqueles que trazem desenvolvimento ao país, gostasse de vulnerabilizar a segurança dos trabalhadores e, apesar de não ter dinheiro, fosse investir só pelo gozo de poder explorar à vontade os trabalhadores.
O que esta cambada pafiana conseguiu foi que se banalizassem os ordenados de 500 euros e a precaridade de tanta e tanta gente que trabalha para empresas que são subcontratadas por outras que, por sua vez, são subcontratadas de outras. O que conseguiram foi ferir a dignidade de quem dá o melhor de si para chegar ao fim do mês e receber trocos que mal chegam para o mês inteiro. É assim que se projecta o futuro de um país!?
Cambada.
Outra coisa que me dá uma raiva do caraças é o desplante de uns caras-de-pau militantes. Então, não é que acabo de ver o Ricardo Costa, na SIC, todo videirinho, a falar do mea culpa do FMI e falando como se os erros fossem óbvios e como se ele próprio não tivesse feito outra coisa nos 4 anos da dupla Láparo&Irrevogável do que denunciar os clamorosos erros...? Que topete. Se houve opinadores que tivessem andado aos balcões da televisão a pregar a favor da receita troikiana e, com ar douto, a explicar que ou aquilo ou o dilúvio, foi ele e todos os que, tal como ele, andam pela trela.
Muito do que é a microcefalia ou, mesmo, a acefalia de parte da população portuguesa se deve ao excesso de lavagens cerebrais que toda a espécie de apaniguados e papagaios avençados fazem a toda a hora na comunicação social.
Teria ficado bem ao mano Costa olhar de frente os espectadores e reconhecer que se enganou quando defendeu o FMI, a troika e o Governo de Passos Coelho. Em vez de se pôr, como esta noite, a lavar a imagem dessa trupe, dizendo que era a primeira vez e que, pronto, não se conhecia bem como funcionavam aqueles mecanismos, deveria ter dito que ele próprio tinha acreditado acefalamente, não dando ouvidos aos piegas que alertaram que a coisa não ia correr bem. Ricardo Costa devia ter pedido desculpa por ter induzido os portugueses em erro ao fazê-los acreditar que estavam a ser sugados e tratados como indefesas cobaias mas que era para seu bem já que, no fim, viriam radiosas e cantantes amanhãs.
Mas não o fez. Uma vez mais falou como se os portugueses fossem estúpidos.
Os amigos da TINA
E eu, quanto a isso, o que tenho a dizer é que Ricardo Costa e os que o secundam ainda acabam por levar à falência os órgãos de comunicação social por onde deixam essa sua sonsa matreirice.
É que já não há paciência para tanta chico-espertice. Não há paciência! Uma pessoa não tem outro remédio senão fugir sempre que os vê.
Para acabar, que isto já vai para além de longo, uma palavrinha relativa ao cherne: boa malha a da Goldman Sachs ao terem a soldo um acéfalo que se enganou tão redondamente em tudo em que se meteu.
Porque não nos esqueçamos: nisto das medidas da troika, ao lado da galinha bronzeada do FMI, que dá pelo nome de Lagarde, esteve sempre, inútil e esponjiforme, o cherne Durão.
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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela sexta-feira.
Nesta sexta-feira vamos ter uma rábula das boas. Um grupo de artistas vai fazer de conta que vai fazer um governo e um presidente da república vai fazer de compère, alinhando na paródia. Uma tomada de posse surrealista. Nem sei bem como deve a gente conviver com este número circense:
Assobiar para o lado e fingir que não vê, para não se rir?
Por caridade, disfarçar que não percebe que aquela gente parece tonta?
Aconselhar aqueles tristes a ir para casa pelo seu pé e, de carrinho, levarem o cavaco ao colo?
Não sei.
O que sei é que, nos últimos dias, esta gente tem andado numa lufa-lufa criando cargos, nomeando gente e gente e gente e já lá vão mais de cem, e que, para cúmulo, o perspicaz Carlos Costa (o do Banco de Portugal, não o da Quinta das Celebridades) acaba de escolher o 007 das privatizações, o ágil Sérgio Monteiro, para ver se despacha o Novo Banco. Nem mais. Ou seja, com esta gente, até ao lavar dos cestos é vindima.
Sob o diáfano manto da protecção lapariana, Carlos Costa mostrou até que ponto pode chegar a nulidade na regulação bancária. Vejamos até quando vai ter carta branca para continuar de olhinhos bem fechados quando conveniente ou a carregar no acelerador quando a conveniência puxar noutro sentido.
(Parece a República das Bananas, isto. Ou melhor: dos bananas).
...
Permitam-me agora recurar uns anitos.
Um país inteiro fica, sem saber bem como, à mercê dos mercados, vê os juros dispararem à bruta, fica toda a gente assustada, de repente a dívida fica descontrolada, é preciso mais dinheiro e, para o ir buscar, só pagando a peso de ouro. Os bancos aflitos com medo de já não poderem vir buscar o deles, e os juros upa-upa, e toda a gente a pedir o pescoço do primeiro-ministro de então e a implorar um resgate. E então junta-se o FMI, o BCE e mais uns trouxazitos burocráticos e vêm por aí, de pasta na mão, a pôr e a dispor enquanto se apressam a arranjar maneira dos bancos alemães e franceses tirarem de cá o deles. Em Portugal isto passou-se em 2011, era Sócrates primeiro-ministro que foi derrubado e passou a mandar Passos Coelho, o Pedro abridor de portas, o facilitador, aquele que quis ir além da troika. A partir daí foi o que foi, acompanhado de uma campanha permanente para que os portugueses, sempre mansinhos, pensassem que a culpa tinha sido deles, que tinham comprado televisões a mais.
Peter Boone: O doutorado de Harvard que manipulou dívida portuguesa
Um ganho de 820 mil euros com a venda a descoberto de dívida pública portuguesa. Este terá sido o factor que fez soar os alarmes da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), e que, sabe o Negócios, levou à participação pelo regulador ao Ministério Público. Em causa está Peter Boone, economista reconhecido internacionalmente, que terá escrito vários artigos de opinião, influenciando negativamente os juros da dívida portuguesa. O Ministério Público quer agora, por isso, que seja julgado por manipulação do mercado.
"O Ministério Público requereu o julgamento de um arguido de nacionalidade canadiana e residente em Londres, pela prática do crime de manipulação de mercado, tendo por objecto a desvalorização das obrigações do tesouro portuguesas", informou a Procuradoria-Geral da Distrital de Lisboa, em comunicado publicado na quinta-feira, 29 de Outubro, no próprio site. O Negócios sabe que em causa está Peter Boone, economista doutorado na Universidade de Harvard e autor de vários artigos de opinião.
(...) O Negócios sabe que a denúncia partiu da CMVM em 2012, sendo que o regulador foi contactado como perito durante toda a investigação. "O próximo problema mundial: Portugal" é o título do artigo mais polémico, que escreveu com Simon Johnson, em Abril de 2010, no blog Economix do jornal The New York Times. Os autores apontavam os problemas da dívida pública portuguesa e defendiam que o país iria seguir o caminho da Grécia, pedindo um regaste internacional.
Tal foi o alcance do artigo que o então ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, chegou a pronunciar-se. (...)
Certo é que, logo após a publicação do artigo, a taxa de juro das obrigações portuguesas a 10 anos iniciou uma subida vertiginosa. Passou de 4,395% para um máximo de 6,285%, a 7 de Maio. Um desempenho originado pela queda do preço das obrigações, com a qual Peter Boone terá alcançado uma mais-valia de 819.099,82 euros graças a uma posição curta, diz o comunicado da Procuradoria. (...)
Gente fina esta que tão facilmente consegue despoletar uma situação em que, na maior facilidade, se leva um país a ficar de joelhos. Esteve bem a CMVM, mas é tudo tão lento que bem pode um sujeito destes dar cabo de um país que apenas 4 ou 5 anos depois se vê a contas com a justiça, numa altura em que os danos causados já são irreparáveis.
....
Pois, nem de propósito, acabo de receber de leitor, a quem muito agradeço, um vídeo onde o autor do livro Banksters, Uma viagem ao submundo dos banqueiros (banker + gangster), Marc Roche, se pronuncia sobre Ricardo Salgado, Carlos Costa, Cavaco Silva e por aí vai.
O vídeo não é de agora, agora, mas é actualíssimo, especialmente numa altura em que se temem novos sobressaltos na banca portuguesa. Transcrevo parte da notícia que, por altura da sua vinda cá, também concedeu ao Expresso.
O caso Espírito Santo tinha todos os ingredientes de um desastre, precisamente os mesmos que Marc Roche, escritor belga radicado em Londres, viu no estoiro do Lehman Brothers em 2008. Foi esse choque que o motivou a desvendar os meandros dos seus "amigos" capitalistas financeiros. Para isso, escreveu "Banksters".
(...) Só que, com o caso BES, o correspondente em Londres em assuntos financeiros para os jornais "Le Point" e "Le Soir", e até há pouco tempo para o "Le Monde", já não ficou admirado. Na Introdução para a edição portuguesa escreve que, no caso BES, a família de banqueiros com apelidos tão católicos cometeu seis dos sete pecados capitais bíblicos da finança - "opacidade das contas, cupidez, evasão fiscal, subtração à regulamentação, impunidade e orgulho". O verdadeiro choque teve-o há sete anos, o que o tornou um "desiludido do capitalismo", um "liberal que duvida", um "prosélito do capitalismo em crise de fé", como escreve no livro. (...)
Ricardo Salgado, um gangster de fazer inveja
E, vendo o vídeo, lembrei-me de um outro que já antes aqui divulguei e que é interessantíssimo:
"O Banqueiro" poema de Craig-James Moncur, dito por Mike Daviot.
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Os origamis são feitos por Cristian Marianciuc
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No post abaixo falo dos símbolos que exprimem emoções e mostro dois vídeos, um mais para o doce e outro mais para o picante. Espero que gostem pelo menos de um deles.
Sou uma pessoa de paz, juro que sou. Gosto de andar na boa, gosto de me rir, não gosto de discussões, de conflitos. Mas uma coisa é certa: há pessoas que parece que têm o condão de despertar em mim maus instintos. Passos Coelho é um deles.
Tem dado cabo do país e, em vez de ter vergonha na cara, ainda se gaba do que fez. Não percebo se não tem mais do que um par de neurónios e, mesmo assim, muito debilitados, ou se acha que os outros são parvos. Provavelmente é uma mistura das duas coisas, ou seja, um verdadeiro desastre para o País.
Mas quando uma pessoa pensa que mais baixo ele não vai conseguir descer, eis que nos surpreende. Agora anda a gabar-se de que aquele lindo serviço que foi engendrado para fazer capitular a Grécia, para vilipendiar o partido do Governo e o próprio Tsipras que teve a ideia de organizar um referendo e, sobretudo, para humilhar os gregos, teve mãozinha dele e que terá sido dele, em pessoa, que partiu a chave de ouro para a venda a patacos dos bancos gregos (e, quem diz bancos, dirá tudo o que seja apetecível para os grandes investidores transnacionais).
E em vez de ter a decência de manter o decoro e a reserva, não: anda a gabar-se. Dá ideia de que não tem vergonha naquela cara.
Transcrevo:
1. (...) "Até tivemos, por acaso, uma intervenção que ajudou a desbloquear o problema, na medida em que foi nossa a sugestão de que do valor dos 50 mil milhões de euros, 25 mil milhões pudesse ser utilizados para, de certa maneira, poder privatizar os bancos que estão agora a ser recapitalizados", afirmou Passos Coelho.
(...) "Quero também, pois claro, congratular e cumprimentar - como de resto o fiz, no final da reunião -, o primeiro-ministro grego, pelo facto de ter mostrado um espírito construtivo, para que o acordo pudesse ter sido alcançado", admitiu Passos Coelho.
2. Se não fosse Passos Coelho a dizê-lo, Portugal não saberia que tinha sido do seu primeiro-ministro a autoria da proposta que pode permitir destinar para investimento algumas verbas do gigantesco programa de privatizações gregas que se avizinha. Isto se, entretanto, o Parlamento de Atenas ratificar a decisão de Bruxelas e, no espaço de dois dias, cumprir o que a própria revista alemã Der Spiegel qualifica como “um catálogo de horrores” - o programa de medidas que deve aprovar até quarta-feira e sem o qual nada prosseguirá. (...)
3. (...) In exchange for a cash lifeline, the country has agreed to much greater concessions than those that were under discussion a few weeks ago. Among them: higher taxes, cuts to government pensions and a sell-off of $55 billion worth of state assets in order to recapitalize banks and make debt payments. That last strategy is a little like a family selling off its furniture to make its mortgage payment; you can do it, but it does not exactly amount to a long-term solution.
(...) The compromise was this: France and its allies won the point in that Greece is still nominally part of the eurozone.
But the conditions Germany won to punish the country for its misdeeds seem so severe that it could easily topple the fragile coalition government in Greece.
France “won” in the sense that the unraveling of the eurozone did not happen on July 13, 2015. But it came at the cost of policies that make it less likely that will be the case one, six, or 12 months from now.
If this counts as a victory for the European project, it is hard to imagine what a defeat would look like.
....
Curioso como a imprensa estrangeira (a aqui referida e outra) não refere o papel decisivo de Passos Coelho no beijo de morte que a UE deu à Grécia. Portanto, pode muito bem acontecer que, para além de tudo, nem sequer seja verdade aquilo de que se anda a gabar.
E eu, vendo aquela cara de pau, aquele sorriso enviesado e despudorado, aquele artista à espera de um Pirandello que se lhe ajeite, só me apetece sugerir que ele, a Merkel, o Schäuble e todos quantos se uniram para tentar acabar com a democracia, a liberdade e a soberania de um país como a Grécia, façam o mesmo que o macaco do vídeo abaixo e nos deixem em paz.
....
E mais um link para o que por aí se tem dito sobre esta bravata do fantástico PPC
[O hashtag do momento e a compilação possível de uma série de outras ideias dele para o político profissional que procura refinar a arte de aldrabar os seus eleitores.]
....
As imagens usadas para ilustrar o texto foram obtidas na net e, com excepção da que se vê que provém do We Have Kaos in the Garden, desconheço a sua origem pelo que não a posso aqui referir.
....
Estava com vontade de me atirar a outro post num registo completamente diferente (porque este me desgasta) mas estou com sono e, para além disso, hoje tenho livros novos. Por isso, desculpem esta minha preguiça mas acho que vou dar uma voltinha neles.
Amanhã estarei de volta, tentativamente sem sugestões do calibre da que hoje me ocorreu. A ver se amanhã me sai um post de salão (mas isso, claro, depende do láparo - a ver se ele não me provoca)
.....
Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma terça-feira muito feliz.
Depois de, no post abaixo, ter falado do meu domingo, tão perfeito, tão feliz, agora falo do assunto que está na ordem do dia: a Grécia. Um assunto, pelo contrário, bem triste.
Os algozes impondo o sacrifício dos pobres
Euclid Tsakalotos, Greece's new finance minister with Christine Lagarde, managing director of the International Monetary Fund, at the eurozone finance ministers meeting in Brussels on Sunday.
Assisto, aterrada, ao que se está a passar. Parece que uma perigosa demência colectiva está a alastrar entre a cambada de anormais que se aboletou nos postos de comando desta pobre e fraca Europa.
Although Greece makes up a small part of the overall European economy, the fate of the country is important.
A Greek default would cost European countries much more than extending emergency aid. And a deal is critical for Greece, which needs money to pay its significant debts and other bills. Without fresh aid, the country’s economy, which is already languishing, risks sinking even further. (...)
Suppose you consider Tsipras an incompetent twerp. Suppose you dearly want to see Syriza out of power. Suppose, even, that you welcome the prospect of pushing those annoying Greeks out of the euro.
Even if all of that is true, this Eurogroup list of demands is madness. The trending hashtag ThisIsACoup is exactly right. This goes beyond harsh into pure vindictiveness, complete destruction of national sovereignty, and no hope of relief. It is, presumably, meant to be an offer Greece can’t accept; but even so, it’s a grotesque betrayal of everything the European project was supposed to stand for.
Can anything pull Europe back from the brink? Word is that Mario Draghi is trying to reintroduce some sanity, that Hollande is finally showing a bit of the pushback against German morality-play economics that he so signally failed to supply in the past. But much of the damage has already been done. Who will ever trust Germany’s good intentions after this?
In a way, the economics have almost become secondary. But still, let’s be clear: what we’ve learned these past couple of weeks is that being a member of the eurozone means that the creditors can destroy your economy if you step out of line. This has no bearing at all on the underlying economics of austerity. It’s as true as ever that imposing harsh austerity without debt relief is a doomed policy no matter how willing the country is to accept suffering. And this in turn means that even a complete Greek capitulation would be a dead end.
Can Greece pull off a successful exit? Will Germany try to block a recovery? (Sorry, but that’s the kind of thing we must now ask.)
The European project — a project I have always praised and supported — has just been dealt a terrible, perhaps fatal blow. And whatever you think of Syriza, or Greece, it wasn’t the Greeks who did it.
do lado de cá, a Europa (onde, não nos esqueçamos, estamos integrados) continua entregue a totós que gostam de brincar com o fogo,
Eurogrupo quer transferir activos gregos para banco de Schäuble e Gabriel
A transferência de “activos no valor de 50 mil milhões de euros” detidos pelos contribuintes gregos para um “Instituto do Luxemburgo para o Crescimento” é uma das condições que o Eurogrupo procura impor à Grécia para iniciar negociações de um terceiro resgate. Este instituto é no entanto gerido pelo KfW, um banco estatal alemão, cujo "chairman" é Wolfgang Schäuble, ministro das Finanças alemão, e cujo vice-chairman é Sigmar Gabriel, ministro da Economia alemão.
(...) A polémica no entanto não fica por aqui. É que além de se tratar de um banco estatal, e além de ter a sua administração dominada pela classe política no poder na Alemanha, também o poder executivo desta instituição vem com um pedigree pouco recomendável: O CEO do KfW é Ulrich Schröder, que fez carreira no WestLB, banco que desde 2008 teve direito a um total de quatro resgates com dinheiros públicos.
A opinião pública mostra sinais de susto, as recordações de um passado medonho parecem aproximar-se. As imposições alemãs são absurdas, prepotentes, perigosas. Começo a recear o que possa estar para acontecer.
La directora del Fondo Monetario Internacional, Christine Lagarde, conversa con el prersidente del Eurogroupo, Jeroen Dijsselbloem.
Quieren que Atenas apruebe leyes de urgencia, en 48 horas. Reclaman endurecer las reformas y recortes que planeaba hacer Grecia en su petición de rescate (entre ellas, en pensiones y mercado laboral). Y plantean incluso la puesta en marcha de un fondo de venta de activos públicos por 50.000 millones, y bajo tutela de la UE, para forzar a Grecia a ir devolviendo la deuda a medida que vaya haciendo caja. La impulsora de esa idea y de la amenaza del Grexit, la canciller Angela Merkel, dijo a su entrada a la cumbre que en ningún caso habría “un acuerdo a cualquier precio”.
Los deberes que la UE pone a Tsipras
Fondo de privatizaciones.Es la principal novedad de las medidas discutidas ayer. Europa propone crear un fondo por valor de 50.000 millones de euros al que Grecia transfiera sus activos privatizables y cuyos beneficios sirvan para reducir la deuda. Aunque ese instrumento quedará en manos de las autoridades griegas, contará “con la supervisión de las instituciones europeas relevantes”, algo que puede resultar difícil de asumir para Atenas.
Cambios en las pensiones. La UE pide “reformas de pensiones ambiciosas” y medidas para lograr déficit cero en las cuentas públicas.
Mercado laboral.Las demandas europeas incluyen un endurecimiento adicional en las leyes laborales. Los socios abogan por “revisiones rigurosas” de la negociación colectiva, la política industrial y los despidos colectivos. Y sugieren “no volver a políticas del pasado”.
Sector financiero. Es el talón de Aquiles griego. Europa pide “medidas decisivas” en los créditos con riesgo de impago.
Privatizaciones. Los socios quieren más privatizaciones, incluida la red eléctrica, que Atenas pretende mantener en poder del Estado.
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Um atentado. Uma vergonha. Uma coisa inadmissível.
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Mas ouçamos quem fala com palavras que vêem ao longe. Ouçamos José Saramago:
"A democracia em que vivemos é uma democracia sequestrada, condicionada, amputada..."
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A mim, conforme referi no post abaixo, o que a intuição me diz é que a solução digna para a Grécia seria pedir apoio e tempo para sair do euro pelo seu próprio pé.
O atentado à soberania grega deveria merecer um repúdio firme por parte de toda a Europa mas, sabendo que a Europa está em grande parte na mão de uma cambada de pegas, de beatas, de virgens, de vendidos, de sacristãos lambe-cus, de totós, de atrasados mentais, temo bem que nenhum mexa uma palha para se revoltar contra o que está a acontecer. E, face a isso, mais valia que os gregos dessem com os pés nesta tropa fandanga e recuperassem a sua dignidade.
Os gregos e nós e todos os que se têm visto vergados aos pés desta cambada que impõe sacrifícios absurdos à população apenas para benefício de interesses financeiros agiotas, transnacionais, poderosos de tão omnipresentes e invisíveis que são.
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Lá em cima, o vídeo mostra Zorba, o Grego. Ballet por Mikis Theodorakis -
- Sofia National Opera and Ballet
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Relembro que, se vos apetecer espairecer e ver como estão grandes os meus meninininhos mais fofos, mais lindos, e saber como passei o meu domingo, podem descer até ao post seguinte.
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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela semana a começar já por esta semana.
No post abaixo já referi a coisa sensata que o BCE e demais súbditos dos grandes chefes estão a fazer cortando a torneira da liquidez aos gregos já que eles não pagam a dívida com o dinheiro que não têm.
Talvez devessem os gregos retirar os dentes de ouro, quiçá peças metálicas que tenham no corpo, próteses e assim, e mandassem derreter isso tudo, talvez sempre desse para pagar um bocadinho. E talvez devessem as mulheres cortar rente o cabelo e o vendessem. Talvez todos pudessem também vender um rim. Até um olho. Para que querem os gregos dois olhos com tanta gente a precisar de olhos novos? Talvez se todos os gregos se juntassem e dessem verdadeiramente um pouco de si, talvez o Nuno Melo ou o seu vice-irrevogável chefe brincalhão ficassem mais tranquilos,
Esta posição resume muito do pensamento dos partidos de direita, PSD e CDS, que estão no Governo e que se negam a admitir qualquer perdão da dívida grega (e ainda qualquer perdão da dívida portuguesa por arrasto).
e, quem diz eles, diz todos os outros igualmente espertos que por aí andam a exigir que os gregos paguem o que devem.
E eu, que não tenho o raciocínio formatado como os melos desta vida, pergunto: Paguem? Mas paguem como? Paguem tudo o que os abutres querem? Tudo, tudo?
Só para nos situarmos, a situação esta segunda feira foi assim:
Os juros das Obrigações do Tesouro português a 10 anos sobem para 3%. Trajetória de subida também nas obrigações espanholas e italianas. Juros da dívida grega acima de 17%.
Volto à carga: Há alguém que consiga fazer face a agressões destas, com uma economia débil, enterrado em dívida? Juros acima de 17%? A dívida alimenta-se, cresce descontroladamente. Pagá-la? Mas pagá-la como?
Em contrapartida, do lado de lá, ouvem-se vozes sensatas. Só que temo bem que gente tão burra como os que não conseguem ver um boi à frente do nariz, nem saibam ler a língua inglesa. Se soubessem, talvez aprendessem umas coisas. Assim é uma pena. Não sabem, não sabem que não sabem, não sentem que precisem de aprender. Um verdadeiro desastre.
Seja como for, para um just in case, do editorial do The New York Times aqui transcrevo:
For Europe’s Sake, Keep Greece in the Eurozone
The resounding victory for the “no” vote in Greece’s referendum has left European leaders like Chancellor Angela Merkel of Germany with a stark and clear choice. Only they have the power to decide what happens next — whether to shove Greece out of the eurozone or offer some path forward for the Greek economy, starting by writing down its huge and unpayable debts.
Greece has suffered and will continue to suffer: its unemployment rate is over 25 percent; its gross domestic product has fallen by a quarter since 2008. What the past several years have shown is that suffering and austerity did nothing to help Greece or its creditors. And no more moralizing and punishment at this point will change that reality.
(...) Those against debt relief have argued that saving Greece would merely reward a government that has failed to reform its inefficient economy. But that is a self-serving misreading of what happened in the crisis. It was European leaders and the International Monetary Fund that made the biggest error in 2012 when they only partially restructured Greece’s debts, a lot of which were owed to banks in Germany and the rest of Europe.
They compounded the problem by demanding that the country cut spending and raise taxes. That depressed a weak economy and drove up unemployment, making growth and increased revenues impossible. In their most recent proposal, Greece’s creditors sought even more cuts to already modest government pensions, which would lead to further economic contraction.
Yes, Greek officials past and present are responsible for many of their country’s problems. But European leaders have made the crisis worse by their mismanagement. Now it’s incumbent on them to end the threat to the eurozone by saving a small, paralyzed country.
Cristalino.
Fico a pensar se, para além de uns cursozitos de inglês e de bom senso, não seria de dar também cursos de aritmética aos melos, aos camelos avençados, aos papagaios ferreiras e a outros cursados em direito, letras, jotas, comunicação e jornalismos a metro que, de repente, se armam em doutores-economistas-cirurgiões-dentistas, revelando que não conseguem fazer as operações aritméticas mais simples. De caminho, dava-se-lhes também algumas aulas simples de cultura geral -- mas, bem entendido, uma coisa resumida (a ver se, sendo pouco, lhes entrava).
Mas talvez o problema seja mais complicado do que se pensa, talvez tenham mesmo um problema naquelas cabeças. Não sei se alguém já lhes espreitou para dentro. Na volta o problema está mesmo aí: buracos que até fervem,
Fui à procura de solução para isso (que eu cá sou a favor da inclusão).
E achei. Daniel Amen explica como muita gente que revela problemas sérios de comportamento afinal tem é pancada na cabeça. E - boa notícia! - isso trata-se.
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[Falei no tema da recuperação cerebral na maior ligeireza mas agora falo a sério: estes assuntos fascinam-me. Infelizmente para o meu pai estes tratamentos já não lhe fariam nada. A lesão (provocada por um grande AVC na sequência de outros menores) foi severa e a idade também não ajuda. Mas para quem tenha menos idade e lesões menos extensas e profundas é uma esperança. O cérebro pode recompor-se e, no caso em que a doença ou os acidentes levam as pessoas para os caminhos da marginalidade, é pena que em vez de se investir tanto dinheiro a aprisionar tanta gente não se invista na sua verdadeira recuperação.]
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Adiante.
Não vos canso mais.
Vou mas é pensar na toilette que vou usar para mais um dia de cão.
Mal por mal, ao menos que me sinta arranjadinha.
Não, assim não, não faz bem o meu género.
Talvez mais assim.
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E pronto, está na hora de me recolher. Em paz.
Horowitz interpreta Liszt - Consolation No.3
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Relembro que abaixo há mais: a Grécia e os bancos, Moisés e os Mandamentos, a bardajona com pena que o Tsipras não seja a Marilú e assim,
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E desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela e feliz terça-feira.
Lisbon’s debts are high, and foreigners own most of it
Portugal has a high debt-to-GDP ratio, and it owes most of its government debt to foreigners.
Soube desse artigo ao ouvir Marisa Matias num debate sobre a Grécia na RTP 1 com Braga de Macedo, Paulo Trigo de Morais e José Manuel de Fernandes num debate na RTP sobre a Grécia.
(Só vi um bocado mas fiquei a tentar adivinhar o critério para escolher as pessoas que levam à televisão. Será que querem respeitar umas quotas? Por exemplo: uma mulher de esquerda tida por conhecer o Syriza, um tido por muito inteligente e próximo do PSD, um tido por moderado, justo e próximo do PS e, por fim, um tido por muito limitado? Talvez seja. Uma coisa equilibrada, portanto).
O que os ouvi dizer estava em linha com eles próprios. Braga de Macedo disse que a saída precipitada da Grécia da zona euro seria uma bagunça, o Paulo Trigo de Morais disse coisas acertadas, que a crise da Grécia afecta a todos, etc e tal, Marisa Matias no fim, para rematar, referiu o que mais abaixo transcrevo, e o outro não disse uma que merecesse registo. Nunca diz. Mas convidam-no para todo o lado. Deve ser por aquilo do equilíbrio, só pode.
Bem.
Para aligeirar o texto que se segue, que entre o momento musical. E este é dos bons.
Leitor a quem agradeço enviou-me um vídeo já com uns meses e que acho que até já aqui divulguei mas, porque tem piada e continua actual, aqui o coloco de novo.
V for Varoufakis
NEO MAGAZIN ROYALE mit Jan Böhmermann
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Ora bem. Que entre, então, o artigo que é um baldinho de água fria na cabeça do láparo.
ESQUEÇAM A GRÉCIA. PORTUGAL É UMA BOMBA-RELÓGIO “À ESPERA DE REBENTAR”
Entre avanços e recuos, a crise na Grécia poderá estar em vias de se resolver – pelo menos por mais uns meses. Mas um conceituado analista financeiro acredita que a verdadeira crise na Europa poderá estar muito longe da Grécia, mais concretamente num país que é uma bomba-relógio à espera de explodir: Portugal.
O analista britânico Matthew Lynn afirma esta quarta-feira na sua coluna de opinião no WSJ Market Watch que o nível de dívida pública portuguesa, acima dos 130%, poderá ser já “insustentável”.
No artigo em causa, “Forget Greece, Portugal is the eurozone’s next crisis“, Lynn salienta que Portugal tem o maior índice de dívida publica em percentagem de PIB na zona Euro, e que a maior parte da dívida é detida por estrangeiros.
Segundo o financeiro, a economia portuguesa não se encontra no estado de permanente crise da economia grega, que “está nos cuidados intensivos”, mas não parece capaz de conseguir uma recuperação sustentada.
Portugal, diz Lynn, “ainda está em sarilhos“, e poderá ter que enfrentar uma situação de incumprimento. Lynn antecipa mesmo que as eleições legislativas de Outubro poderão despoletar uma segunda crise em Portugal.
“À superfície, Portugal parece estar muito melhor do que há três anos, depois de ter saído com êxito do programa de assistência da troika“, continua o analista, “e a economia parece estar a crescer”.
Se, depois da Irlanda, também Portugal conseguir efectivamente recuperar da crise, “será uma vitória estrondosa para a União Europeia e para o FMI”, cuja receita baseada em austeridade se revelou “uma catástrofe” na Grécia.
O problema, diz Lynn, é que Portugal poderá afinal não estar salvo.
Segundo o analista, a evolução positiva de alguns dos principais indicadores económicos – consumo, desemprego, exportações, investimento – parecem não ser sustentadas.
Mas o verdadeiro problema, defende o cronista, é mesmo a dívida.
Portugal tem uma dívida pública de 130% do PIB, e 70% dela é detida por estrangeiros.
Até há países, como a Finlândia ou a Letónia, com maior percentagem de dívida detida por estrangeiros. Mas têm muito pouco endividamento. Itália, por outro lado, tem uma enorme dívida pública – mas quase toda contraída internamente.
Belo trabalhinho que o Láparo e Companhia têm andado a fazer, belo trabalhinho, sim senhor.
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A fotografia lá em cima mostra Rihanna no seu novo vídeo mas é tão tétrico e nonsense que não o mostro. Só a ela, de pistola em punho ao pé de outra amordaçada, junto à desgraça da dívida portuguesa. Afinal isto anda tudo ligado.
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Mudando de assunto: está na hora de reflectir -- mas vamos com boa música.
A lua sobre o rio, aqui na minha janela
Dustin O'Halloran com We Move Lightly
Deixem, então, que partilhe convosco mais uma grande crónica de um dos homens inteligentes deste País
Muitas vezes, quando se compara a tendência crónica para a Europa entrar em convulsão política, com a capacidade dos EUA para navegarem as borrascas da história, sem perderem o rumo da lei e da ordem garantido pelo seu federalismo constitucional (como se viu agora com o histórico acórdão do Supremo Tribunal que fez recuar a homofobia em toda a União), ouve-se dizer: "para chegar ao federalismo os EUA tiveram de passar por uma guerra civil". Trata-se de uma afirmação vazia de sentido. Ortega y Gasset deu talvez a melhor explicação. Para ele, há muitos séculos que a Europa constitui uma "sociedade", alimentada pelos laços históricos e materiais tecidos pelos seus povos. Contudo, é uma sociedade sem um sistema de governação funcional. Para Ortega, as guerras europeias (incluindo as duas mundiais) são formas brutais de "governo europeu". O holocausto de pessoas e de bens faz parte da crónica incapacidade de os europeus construírem um regime comum baseado na lei e na liberdade. O grande sonho da União Europeia residiu na esperança de que, depois de tantas guerras civis, também nós europeus percebêssemos que só é possível vivermos em conjunto respeitando a dignidade dos cidadãos e a igualdade dos Estados. Em 2010, a grandeza deu lugar à cruel realidade de uma zona euro, que em vez de defender os povos contra os riscos da globalização os imolava numa folha de Excel destinada a saldar os danos da ganância de um sistema financeiro, que a venalidade política deixou sem regulação nem limites. Veremos se a Grécia regressa, depois de jugulada a rebeldia, ao redil hegemónico de Berlim-Frankfurt-Bruxelas. À rédea curta de uma Europa, sem alma nem rumo, que confunde cansaço com anuência e medo com lealdade. Contudo, uma Europa assim nem precisa de inimigos. Derrota-se a si própria.
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E, assim sendo e nada mais tendo a acrescentar, despeço-me porque tenho que ir ver que roupa hei-de vestir e que maquilhagem hei-de pôr para fazer pendant com a toilette -- coisas interessantes que me desviam o pensamento das maçadas que acima divulguei.
Mais do que a maquilhagem ou a roupa, é tudo uma questão de atitude
Yves Saint Laurent - rímel Babydoll com Cara Delevingne
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Tenham, meus Caros Leitores, uma bela sexta-feira. Gozem-na bem, está bem?