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terça-feira, agosto 11, 2026

Um jardim à maneira para ver se me acalma depois de mais um dia do piorio

 

Dias complexos que me deixam exausta e, à noite, com vontade de descansar a cabeça. Aquela de que não há duas sem três deve ser alterada para não há seis sem sete, quiçá nove sem dez. Sempre a somar..

E, para complicar, vimos finalmente o que se passa com a cauda do pobre cãobeludo. Tirou o colar isabelino, não sei como, e dei com ele freneticamente agarrado à cauda. Fui chamar o meu marido pois eu sozinha nem pensar em conseguir agarrá-lo e voltar a pôr-lhe aquele horrível funil. E, então, vimos uma ferida enorme na parte de baixo, na parte interior, digamos assim, a sair de dentro do pelo, uma ferida horrível, assustadora, grande, gorda e rubra como uma grande ameixa em carne viva. Se nos aproximamos e desconfia que lhe vamos tocar lá, vira-se e rosna, nitidamente apavorado. E não fazemos ideia de como arranjou isto. Só espero que não seja outra pragana. Supostamente um cão resistente, do campo, e, afinal, sempre com mazelas do caraças. E, a ajudar, este feitiozinho de cão. A cãzinha, a nossa saudosa boxer, era uma santa. Nunca tivemos quaisquer problemas destes com ela. Nunca.

Um stress do caraças, isto.

E nós sem carro. Fui ver a questão do uber pet friendly mas não são carros com divisórias para animais, são carros normais em que os motoristas consentem que os clientes transportem os seus animais de estimação. Ora é uma situação impossível, o nosso cão não é motorista friendly. Cravei a minha filha para vir buscar-nos à hora de almoço e nos levar à clínica veterniária. Felizmente está de férias por cá, consegue. Mas é um programa com o qual não estava a contar e eu destesto cravar quem quer que seja, mesmo numa emergência como esta. Detesto mesmo. 

E vai ser um pesadelo no veterinário, temo que tenha que ser sedado. E não sabemos como fazer nos dias seguintes. Tem certamente que desinfectar todos os dias e pôr pomada ou sei lá o quê e não deixa, vira-se imediatamente e tenta defender-se como pode, rosnando e ameçando atacar. Já aconteceu antes e levávamo-lo à escola de treino em que as tratadoras o continham enquanto uma enfermeira veterinária o tratava. Mas isto tendo nós carro para andar nisto. Poderíamos alugar um carro mas ele tem outra particularidade: quando passa por nós uma mota ou alguém a pé que não lhe parece de confiança, salta no banco de trás e desforra-se no que pode, temos os bancos e as portas todas espatifadas. Não podemos arriscar que dê cabo de outros carros.

Podem dizer que está mal ensinado. Sim, sim. Já andou em não sei quantas escolas. Obediente e tal e coiso mas, quando lhe parece que deve ser guardião, cão-pastor, é possessivo, territorial e implacável. É sair da sua alçada.

O nosso carro já é um caso perdido... e pior é que não sabemos quando o teremos...

Um stress. Isto causa-me um stress do caraças. 

Pelo meio ainda veio cá um senhor tirar medidas para uns trabalhos em volta da casa e por dentro, o que, obviamente, obrigou o meu marido a andar com a fera de um lado para o outro pois um homem desconhecido a circular pela casa deixa-o ainda mais reactivo do que ele já está e, se o apanhava, a coisa não ia correr bem. Agora imaginem o senhor a fazer perguntas e o cão aos saltos e a ladrar furiosamente e nós quase sem conseguirmos ouvir o senhor.

O meu filho, quando ligou, estava a pensar trazer os meninos amanhã. Mas, com este cenário de termos que ir para o veterinário, não dá. Não sabemos quanto tempo lá demoramos e, de qualquer maneira, mesmo que fosse rápido, não íamos deixá-los cá sozinhos. Que impotência com tudo isto. Não ter carro para nos deslocarmos, em particular quando há a necessidade de levar o cão ao veterinário e quando ele anda incomodadíssimo, quase não come, anda desorientado com o funil na cabeça e com o incómodo que tem e não dá para adiar, é uma sensação de impotência... E só de pensar que os múdos deveriam estar a contar passar cá o dia e que, afinal, não é possível... Que chatice.

E em cima disto mais não sei quantos contratempos. Às tantas já só me apetecia virar costas, desistir. Talvez, até, chorar.

Agora estou aqui na sala, enquanto ele está deitado aqui ao pé de mim. Mas de vez em quando estremece, agita-se. Deve doer-lhe à brava, coitadinho. 

Para ver se me distraio, viro-me para vídeos 'bonitos', tranquilos, com temas que me agradam, que me distraem e descansam a cabeça. É o caso deste que partilho. Espero que também gostem.

Por dentro da restauração do jardim de Coco Chanel na Riviera Francesa | Architectural Digest

A AD acompanha o arquiteto Peter Marino numa exploração da restauração dos lendários jardins de Coco Chanel em La Pausa, a sua icónica villa na Riviera Francesa. Dos arquivos históricos à plantação mediterrânica, a paisagem foi cuidadosamente reimaginada para honrar a visão original de Chanel, celebrando a beleza do sul de França.


Desejo-vos um dia bom

quinta-feira, agosto 06, 2026

Cenas da vida conjugal in heaven

 

Olho para a azinheira grande e penso: 'aquele ramo grande ali podia ser cortado, a árvore já se diversificou de uma maneira tal que aquela grande pernada já é dispensável '. Mas depois penso que aquele ramo é, em si, quase uma árvore, não podemos ser nós a ocupar-nos do assunto, não temos uma serra para coisas daquela envergadura. 

Depois, estou a varrer uma zona e penso que os ramos baixos da romãzeira e os do cedro também deveriam ser cortados senão junta-se toda a espécie de folhagem lá por baixo. Vou chamar o meu marido que refila, diz que está ocupado com outras coisas e eu sempre a pedir-lhe para interromper e vir fazer outras. Mas vem. 

Depois reparo que o tamarix tem muitos ramos secos por baixo. Peço para ele cortar também. Diz que não é só cortar, é depois levar lá para baixo, para o infinito monte que se vai formando. Refila. 

Continuo a varrer. Encho não sei quantos carrinhos de mão que depois levo para um canteiro, lá mais abaixo, e onde está caruma e folhagem ajudará a manter a terra mais húmida por baixo. Quem duvidar que espreite o meu Instagram, está lá uma ínfima amostra do muiiiito que carreguei.

Depois peço ao meu marido que tente arrancar a hera selvagem que invadiu o canteiro onde estão os alfazemas, agora já quase expulsos do recanto que lhes era devido. Peço também que tenha cuidado porque ao fundo há uma ivone e ele que não a assassine como assassinou a outra que estava num outro canteiro. Fica furioso, primeiro porque mais uma vez estou a arranjar-lhe trabalho e, segundo, porque diz que lá venho eu, outra vez, com a porcaria da ivone. Não lhe perdoo.  Responde que ela não estava ali a fazer nada. Digo que não se pode pôr fim à vida de uma ivone só porque, na maior subjetividade, se declara que não faz falta. Essa agora. E nós fazemos? 

Portanto, indisposto com a confrontação, deixou grande parte da hera selvagem. Eu acho que tem que se puxar à mão, mas ele diz que eu acho mal. 

Já o luso-fusco vinha tombando quando fui aos figos. Mas, antes de abastecer os saquitos que levava, comi mais de uma dúzia. Ainda pensei que talvez tenham proteína e fibra, que talvez seja uma dieta até interessante. Mas resolvi ser honesta: deve ser só açúcar e aquela barrigada deles deve ser o equivalente a estar a chutar açúcar directamente para a veia e para o perímetro abdominal.

Foi já de noite que vim ocupar-me dos orégãos. Já enchi alguns frascos. Desta vez, até de kombucha usei, acho-lhes piada.

Ainda há mais para esfarelar mas tenho que os deixar secar mais uns dias, pois alguns ainda não se desprendem.

Agora estou a escrever e doem-me um pouco os ombros. Penso que é da força que faço para transportar e, sobretudo, virar e despejar os carrinhos. Ou de apanhar pás e pás e pás e pás e pás de folhagem e terra. 

Ainda peguei num livro mas, ao fim de um bocado, fechei e pensei: 'Caraças, já não há editores que se aproveitem? Só publicam redações infantis?'. Feito com apoio de uma bolsa da DGLAB, ainda por cima. Está tudo doido.

E é isto. Aqui estou no telemóvel, coitada de mim. Quando leio que ainda há quem escreva coisas em papel fico espantada. Eu já só sei escrever no computador. Os dedos sabem o sítio das teclas, andam sozinhos. Aqui é um desatino, esta gaita altera grande parte das palavras que escrevo.  Por exemplo, de cada vez que escrevo 'esta' ele vai e põe-lhe um acento, fica 'está'. E como isto muito mais. Deve ser fácil descobrir onde desactivar está inteligência, mas tenho preguiça. 

Bem. Fico-me por aqui.

Fiquem bem, ok? Divirtam-se.

segunda-feira, julho 06, 2026

Sirenes, moscas e moscardos, aspersores e mangueiras

 

Não sei se já alguma vez falei nisto mas o meu marido, que é zeloso, de noite costuma activar um dos alarmes parciais que o nosso sistema de segurança tem, para cobrir algumas partes da casa que não estão propriamente à vista, como, por exemplo, a garagem, o sótão e outros pontos que o técnico de segurança identificou. Tudo bem, não tem qualquer problema.

O que acontece é que ontem esteve todo o mundo a ver futebol, a França - Paraguai, até às tantas. A seguir foi aquela dinâmica do vai tu, já vou, vai tu primeiro, etc. Depois é a cena das lavagens de dentes e ida à casa de banho. Finalmente, o mais pequeno disse-me que só me dava um beijinho se eu lhe contasse uma história a preceito. Conclusão, a operação 'cama' não acabou cedo e só depois peguei nisto. Ou seja, deitei-me tarde. E já sabia que a alvorada seria cedo. Mas não tão cedo. É que às sete, ou se calhar antes, desata a sirene do alarme a tocar. E, quando isso acontece, todos os cães das redondezas desatam a uivar. Um sobressalto. Acto contínuo, o telefone da central de segurança. Tinha sido qualquer coisa no piso de cima. O meu marido foi ver. E não era nada. Quando os quartos, que são cá em baixo, estão todos ocupados, o cão é isolado para não ir chatear ninguém, e geralmente vai para o piso de cima. Deve ter dado um salto do sítio onde dorme para o chão ou coisa do género, o que, em condições normais, não acontece. Resultado: com o susto, espertei. Portanto, passei o dia todo perdida de sono. À tarde, já só nós os dois, mal me encostei adormeci. Mas, como é certo e sabido que, se durmo de tarde, tenho insónio de noite, o meu marido não teve cuidado para não fazer barulho perto de mim e acabei por apenas dar uma cochilada.

Há bocado fomos fazer o nosso passeio nocturno e, quando saímos, o alarme fica sempre ligado. Mal tínhamos andado um bocado, outra vez aquele chinfrim que se ouve em todo o lado e arredores. Desta vez assinalou que era na sala. Voltámos atrás. Mais uma vez nada. Aliás, as imagens mostravam que nada. Mas, mal entrei, ouvi um zzzz. Provalmente, uma mosca ou moscardo a passar em frente ao vídeo-sensor.  Felizmente estamos cá, deu para validar no local. 

Mas já apanhámos, uma vez, um susto às três da manhã, quando estávamos no campo, com uma chamada da central de segurança. Os vídeos não mostravam presença humana, mas não ficámos descansados. A polícia que lá foi também confirmou que não havia problema. Mas apanhamos sustos. E tenho ideia que nesta época de calor é pior, deve haver insectos nocturnos que se passeiam onde não devem. São os chamados falsos-positivos. 

E estou a falar nisto pois estou a escrever e a ouvir um zumbido. E é enervante. Zzzzzzz.... Não tarda estou toda picada. Acho que temos mesmo que tratar das redes mosquiteiras. Ontem, perdida de sono quando cheguei à cama, também a ouvir zzzzz e a pensar que deveríamos acender a luz e ir à caça. Mas com o sono com que estávamos. Tanto mosquito ou melga ou lá o que é.... O meu filho falou numas fitas para pendurar no exterior, acho que também temos que tratar disso. Que castigo que está ser este ano...

Também aconteceu outra contrariedade. Habitualmente a rega funciona de noite. Mas agoras temos painéis solares para autoconsumo e, portanto, regulámos a rega para a parte da manhã. E vimos que, num ponto, um aspersor está fora e, portanto, sai a água toda e não rega nada, fazendo com que nos aspersosres seguintes a água saia com menos força. Fomos tentar encaixar e não encaixa nem por mai suma, não enrosca, não se percebe. E, numa das partes principais do jardim, pura e simplesmente não há rega. Andámos à procura e vimos que há uma rotura por detrás de umas treliças. O espaço é apertado e tem trepadeiras. Por isso não foi fácil lá chegar. E vi uma imensa poça de água e não percebi de onde vinha a água. O que sei é que não chega depois aos aspersores que se seguem. E agora arranjar alguém que se ocupe disto...?

É certo que são males menores, coisas de nada, irrelevâncias. Mas eu prezo muito o meu jardim. Andei de mangueira a regar à mão mas não dá, é complicado. E a mangueira que ali temos é fraca, retorce-se, engalfinha-se nela própria, trinca, e a água não sai. Tenho que estar sempre a voltar atrás, uma perda de tempo.

Nestas coisas o meu marido chuta para canto, se não regar, não regou, não quer saber. Anda sempre de maquinaria em punho, a desbastar a sebe, a desbastar as buganvílias, a cortar as glicínias que trepam para o telhado. Somos o oposto: preocupo-me é com a rega e, de resto, gosto é que tudo cresça à vontade e à vontadinha.

E é isto. Por uns motivos ou por outros há sempre coisas e coisecas. Se, quando eu estava a trabalhar, me viessem com estas conversas eu fartava-me de rir: frioleiras, preocupações de gente desocupada. E não considerava que fossem problemas. Eram simples ocorrências que se resolveriam, se calhar até por si. Mas é o que é. Mudam as circunstâncias, mudam as perspectivas. 

E mais não digo. Vou pirar-me daqui que já não aguento o estupor da mosca só a zumbir e a vir pousar-me ora na perna ora no braço, já estou cheia de comichões só de a ouvir. Caneco.

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Só mais uma coisa antes de ir: já viram a cor da buganvília lá em cima? Não é tão linda? É a tender para o alaranjado, acho-a mesmo alegre e bonita.

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Desejo-vos uma boa semana a começar já por esta segunda-feira 

segunda-feira, junho 15, 2026

Depois de um valente susto, um milagre. Talvez, até, dois milagres.
Talvez até por isso, faça coro com as pessoas do vídeo: há que dar valor às coisas boas da vida

 

Este domingo, um dia tão lindo, apanhei um susto enorme: o meu cãobeludo estava com uma bola enorme, no mínimo do tamanho de um ovo, na 'barbela' ou lá como se chama aquela parte da pele do pescoço, ali naquela zona abaixo do queixo, uma bola grande ali pendurada. Sempre fui maricas com os meus e, desde que tivemos a nossa cãzinha, ela, de certa forma, passou a fazer parte dos meus. E este cão, que nos tem dado tantos trabalhos, também o é. À sua maneira, mas é. Claro que fui logo para a IA e recebi possibilidades, umas assim-assim, outras talvez e outras mais perturbadoras. Uma bola tão grande não era forçosamente muito tranquilizante. É que foi tosquiado no fim da semana (para evitar mais sarilhos com a porcaria das praganas, que ainda há três ou quatro dias saiu de uma infecção numa pata por causa de uma) e, portanto, poderia já a ter e não termos visto, debaixo de todo aquele pelo. Nestas alturas a minha energia esvai-se. Não são só as piores perspectivas que me assustam, é todo o processo, o levá-lo ao veterinário que ele odeia, o ter que fazer tratamentos que ele odeia e não permite, transformando tudo numa complicação, e é, sobretudo o receio do que pode seguir-se. Felizmente, lembrei-me de perguntar ao grupo da família, e no sábado tinham cá estado todos, incluindo a fazer-lhe festas, se tinham reparado. A minha filha respondeu logo que não, e mandou fotografias que lhe tinha tirado: zero bola.

Já tinha marcado consulta, mas a certeza de que todo aquele volume se tinha formado em menos de 24 horas assustou-me. Liguei à veterinária que me disse que provavelmente era uma reacção às vacinas que levou no mesmo dia. Que lhe fizesse massagem circular ao de leve. A verdade é que, depois de ter estado o dia todo sem se mexer, sem comer ou beber água -- o que nos deixou ainda mais apreensivos --, de repente, parece que despertou, bebeu, bebeu, bebeu água como se não houvesse amanhã, comeu, correu, correu e saltou e, aos poucos, com o exercício e as massagens, a bolazona foi ficando mais reduzida.

Portanto, ao fim do dia, comecei a respirar de alívio.

Fui, então, para o jardim, respirei, fotografei, agradeci aos deuses, às flores, às árvores, aos pássaros, aos céus e, no meio do encantamento, descobri um botão de magnólia. Um único. Outro fenómeno.

Quando está com os ramos nus, a magnólia rebenta em mil flores. Depois caem as flores e nascem as folhas. Está agora assim, verde, frondosa. E já não nascem mais flores. Portanto, que milagre é este agora eu não sei. Mas adorei. Fotografei-a de vários ângulos. Há que documentar os milagres.

E o passeio que demos ao fim do dia soube-me que nem ginjas. Antes, quando tínhamos ido andar com o pobrezito, arrastava-se, incomodado, aquela bolazona ali a balouçar, pendurada, e, se calhar, todo ele sob efeito de alguma reacção, sei lá, bem não estava. 

Enfim, parece que o susto já passou. Mas amanhã lá vamos outra vez para a clínica veterinária. Ainda há bocado o meu marido dizia que não sabia como fazem as pessoas de menos posses. No espaço de cerca de uma semana, entre tratamento da infecção da pragana, tosquia, vacinas e a ração que encomendei ontem já lá vão para cima de trezentos e tal euros. E, que eu saiba, não há nenhuma versão económica para tratamentos veterinários no caso de donos de menores recursos. 

Mas adiante. 

Agora, ao sentar-me aqui, vi o vídeo que partilho de um rapaz que faz entrevistas interessantes. Aqui entrevista pessoas de maior idade, ao acaso, e, no fundo, leva-as a reflectir sobre o que fizeram de bem ou de mal na sua vida. Gosto de ouvir. Revejo-me em muito do que ouço, revejo-me no gosto de viver a vida com leveza, no bom que é a gente maravilhar-se com as coisas simples da vida.

Perguntar a pessoas de 70 anos sobre os seus maiores arrependimentos na vida

Neste vídeo, perguntamos a pessoas desconhecidas na casa dos 60, 70 e 80 anos, algumas das pessoas mais velhas e experientes do planeta, sobre os seus maiores erros e arrependimentos na vida, conselhos que dariam a si próprias mais jovens e outros conselhos valiosos que gostariam de ter aprendido mais cedo. Vídeo gravado em Montreal, Canadá.


Desejo-vos uma boa semana a começar por esta segunta-feira

terça-feira, junho 02, 2026

Cenas da vida de um casal

 

Estive ocupada cá com a minha vidinha, coisas que meto na cabeça fazer e que me ocupam bastante, sabe-se lá se com resultados algum dia atingíveis. Mas sou discípula daqueles que diziam que só são vencidos os que desistem de lutar. 

Como continuo a ser a mesma -- quando meto na cabeça que tenho uma coisa para fazer, não descanso enquanto não a faço --, trabalho no assunto horas a fio sem me cansar, sem me desviar. O meu marido pasma com o meu regime, com a minha capacidade de me manter focada durante tanto tempo, apesar de não ter qualquer perspectiva de vir a ser bem sucedida. Nunca trabalhou no mesmo sítio que eu pelo que não sabe que, no que se refere a trabalho, é assim que sou. Isto agora não se pode dizer que seja um trabalho propriamente dito mas, pelo menos, é um projecto. Pode ser um projecto mais lírico do que pragmático. Mas é um projecto e lutarei para que se concretize.

Com isto, a televisão passa-me praticamente ao lado. Mesmo as notícias me parecem um carrossel que anda em volta sem sair do mesmo lugar. Espreito as novidades do dia, e está feito, fico informada q.b. Os jornais da noite alongam-se, alongam-se, metem reportagens e trapalhadas pelo meio, esticam a duração até mais não. Espreito o que se segue a isso, e ou é o Joker com o Palmeirim sempre com piadas secas, coisa que me deprime, e, portanto, evito, ou são novelas da treta na SIC para as quais não tenho qualquer pachorra, ou a xaropada indigente dos intermináveis big brothers e afins na TVI, o que faz com que, há anos, nunca paremos neste canal, ou são debates sobre tudo o que mexe, gente saída sabe-se lá de debaixo que pedra e para cujo peditório não me peçam para dar. Na Dois às vezes há coisas interessantes mas é preciso estar concentrado pois muitas vezes falam línguas que não domino e, portanto, requerem que esteja só a ver televisão para ler as legendas. Ora gosto é de estar com um olho no burro e outro no cigano e, portanto, se não posso, abdico. O meu marido, por ele, vê ténis, o Roland Garros, ou futebol. Eu desando e vou para a minha vida.

Ele, como todo o dia anda ocupado com desbastes, limpezas de terreno, corte de rebentos ladrões, etc., chega à noite e dá-lhe o sono. Portanto, ao fim de um bocado, a televisão fica a falar para o boneco. 

Claro que nessas suas actividades diárias o que não falta são disparates. Gosta do que faz mas não consegue ser cuidadoso, atento. Por exemplo, a última. Num canteiro, havia um arbusto grande, de nome Ivone, que era preciso aparar. Em volta desse arbusto estava a enlear-se uma coisa que não sei como se chama, uma espécie de hera selvagem, que cresce doidamente e que pica. Então, eu tinha-lhe dito que era preciso arrancar essa hera e desbastar um bocado o arbusto. Ouvi-o andar não sei se com a serra eléctrica, se com a roçadora ou o aparador. Não fui ver senão não faço outra coisa senão andar atrás dele. Confiei. 

Fiz mal. Quando vi, fiquei para morrer. Tive que respirar fundo cinquenta vezes. Noutras alturas, quando eu estava na flor da idade, dispararia em direcção a ele, capaz de engoli-lo vivo. Agora, com a sabedoria que a idade madura me está a trazer, prudentemente afasto-me dele. E espero que a fúria me passe. Só quando o vi, tentando mostrar toda a calma do mundo, lhe disse: 'Há algum motivo para teres dado cabo da Ivone?'. Ficou espantado. Ao fim destes anos todos, ainda não aprendeu que a defunta se chamava Ivone. Expliquei, com a calma possível: 'Cortaste, deste cabo, acabaste com a Ivone. O arbusto verde com nuances douradas. Não sobrou nada.'. E apontei para o espaço vazio. Com aquele ar de sonso que tão bem conheço, respondeu: 'Não disseste que era para arrancar?. Mais uma vez tive que fazer cinquenta respirações, e das profundas. 'Arrancar a erva daninha, a hera, não a legítima. Obviamente não era para assassinares a Ivone'. De novo, tentou a abordagem do costume, desvalorizar: 'Volta a nascer'. 

O pior é que não: não volta a nascer, deu cabo dela. 

Mas depois fico a pensar: o mal está feito. Por muito que eu estrebuche ou estabeleça tácticas de vingança, a Ivone não vai ressuscitar. Poderia pensar: 'Enganos destes não podem passar impunes, senão vai continuar a fazê-los'. Mas sei que, de uma maneira ou de outra, vai. Não distingue espécies, gosta é de cortar a eito. Portanto, tenho é que pôr o coração ao alto.

Enfim. É o que é.

Ao fim da tarde, o tempo tinha mudado, estava vento, a tender para o frio. Fui dar uma volta mas tive que voltar a casa para buscar um agasalho. No caminho, atravessou-se à minha frente, a correr, um pequeno bicho, peludo e quase preto. Dorso arqueado. Fiquei parada, de espanto. Não há coelhos ou esquilos pretos. Então o que foi aquilo? Ainda me enfiei pelo meio das pedras e das ervas a ver se via alguma coisa, mas os bichos são espertos e dissimulados. Por isso, não vi nada. Saí foi toda arranhada nas pernas.

Para o jantar, o meu marido comeu lombinho de porco estufado, acompanhado por legumes, mas eu ando cada vez mais a tender para a simplificação em tudo, até nos jantares. Como tinha um resto de iogurte grego, magro, juntei-lhe um bocado de kéfir, um bocado de queijo cottage, um bocado de uma mistura de sementes, umas cinco amêndoas, cinco ameixas secas, quatro ou cinco morangos e meia banana. Misturei. Soube-me lindamente. E fiquei bem.

E agora fico-me por aqui, a noite já vai avançada.

Desejo-vos uma boa terça-feira.

quarta-feira, abril 22, 2026

Como atrair passarinhos

 

Por estes dias tenho andado muito ocupada. Percebo agora que estava a modos que a hibernar. Bem digo que tenho um lado de bicho. O meu corpo porta-se de uma forma peculiar, que não segue muito os cânones. Estava frio, húmido, chuvoso, e o meu sono e preguiça não me deixavam espaço para grandes aventuras. Agora que veio o sol parece que ressuscitei, só me apetece fazer coisas, retomar projectos, avançar mesmo que não vá dar onde queria, como queria, quando queria. Por isso, tenho trabalhado horas a fio. Claro que, ainda assim, continuo a caminhar, a fotografar, a tratar da casa, a ir ao ginásio, a fazer compras. Mas, nos intervalos, é sempre a bombar.

Por isso, não tenho conseguido responder aos comentários (mas leio-os e o meu marido também lê os que se referem ao que ele escreve! E agradecemos as vossas palavras). 

Agora são duas da manhã (apesar de ouvir e ler toda a gente a dizer que se deve ir cedo para a cama, continuo a ser a incorrigível ave nocturna de sempre) e esta quarta-feira tenho que acordar muito cedo pois a vida não pára e vamos cá ter quem vem fazer arranjos na maquinaria em que esta casa é fértil. Quando para cá viemos gostámos de tudo, e eu continuo a gostar de quase tudo. Quase. É que, se tivéssemos sido nós a instalar muitas destas coisas, não teríamos tanto equipamento para tudo e mais alguma coisa pois é tudo muito lindo quando tudo funciona, mas é uma carga de trabalhos quando deixa de funcionar e não sabemos porquê, onde mexer, porque deixou de funcionar, com o que é que está relacionado. Mas, enfim, é o que é. De todo o verso há um reverso. Mas, portanto, se não vou já para a cama daqui a nada tocam à campainha e ainda estou a dormir. É que, ainda por cima, é sempre precisa muita interacção: ligar o disjuntor, voltar a ligar, testar a ver se funciona, etc. Isto para não falar que é preciso prender o cão, que ladra como um possuído e, portanto, pelo meio, o meu marido pega nele e vai com ele dar uma volta.

Portanto, com isto, não consigo pronunciar-me sobre as bagunçadas desnotícias que por aí trumpolinam por tudo o que é canto e esquina. A malta que trabalha com ele deve estar a dar em doida. Qualquer dia, de cabeça perdida, ainda se atiram a ele e lhe dão uma tareia. O mundo dos humanos deve ser uma absurda gaiola de malucos para, perante um rei maluco destes que anda a causar mortos e feridos, destruição e desestabilização global, não haver mecanismos para resolver a situação. 

Concluindo, alienada da realidade diária, fico-me por um tema que verdadeiramente me motiva: os passarinhos nos jardins. Adoro, mas quando digo adoro é mesmo de adoração que falo, ouvir os passarinhos, vê-los, estar sossegada a senti-los a andar, felizes da vida, por aqui. Por isso, partilho um vídeo que despertou verdadeiramente o meu interesse.

Como transformar o jardim num paraíso para pássaros
Os conselhos de Alan Titchmarsh

1. Instale casotas para pássaros - certifique-se de que estão fora do alcance dos gatos e num local abrigado. Precisam de ser resistentes, pois na primavera os pássaros podem usá-las para as suas crias.

2.º Instale comedouros para pássaros - no outono e no inverno, os pássaros têm menos alimento do que o normal, pelo que beneficiarão muito de um fornecimento extra.

3.º Plante plantas amigas das aves - plante pelo menos uma das seguintes para fornecer alimento ou abrigo aos seus amigos emplumados:

Os Cotoneaster horizontalis, Pyraccantha e Callicarpa são arbustos que fornecem frutos para as aves.

O Azevinho e a Berberis fornecem espinhos para os ninhos.

A macieira-brava 'Golden Hornet' e a cerejeira.

Os Prunus autumnalis rosea são ótimas árvores para fornecer frutos para as aves.

4.º Construa um bebedouro para pássaros - os pássaros precisam de água e de um local para se limparem. Aqui está uma forma simples de criar um bebedouro para pássaros com um orçamento limitado. Basta fixar um vaso de jardim num pires usando silicone, adicionar pedras para pássaros mais pequenos e encher com água.


Desejo-vos um dia feliz

segunda-feira, abril 20, 2026

Musgo

 

Agora é que eu tinha conhecimentos mais ou menos suficientes para poder escolher uma profissão. Quando fiz dezassete anos, sabia lá eu alguma coisa da vida e das suas múltiplas possibilidades...?

Se bem que, em Portugal, naquela altura também era tudo um atraso de vida. E, claro está, ainda não havia internet. Informávamo-nos uns pelos outros, com  que se ia sabendo, a televisão era fraca e escassa, os jornais limitados. A isso acrescia o que hoje acresce: o país é pequeno e, se calhar, não tem escala para algumas actividades que fazem sentido quando a dimensão é outra.

Fui para um curso por exclusão de partes e acabei por fazer sempre aquilo de que gostava dentro do quadro de opções que, na altura, conhecia. Mas agora, que o mundo inteiro está à vista de todos e na palma das nossas mãos, vou sabendo de profissões que em absoluto desconhecia e que, ao ver no que consistem, penso que me assentariam como uma luva. Não sei, ainda assim, se sabendo, optaria por elas, mas provavelmente faria não um mais dois ou mais cursos para poder ter alternativas nem que fosse a nível complementar.

Agora acabei de saber que existem jardineiros de musgo. Quem diria? Jardineiro de musgos! Fiquei num excitex. Fui logo à procura. Quem por aqui me siga há mais tempo, saberá que sou maluca por musgos. Não têm conta as fotografias que tenho feito aos musgos. Acho que são um dos supra-sumos da delicadeza, da perfeição, da beleza. É a cor, a textura, a forma. Tudo. Imagino a maravilha que é cuidar de jardins de musgos: nas pedras, nos troncos das árvores, nos caminhos. Beleza, beleza, beleza.

Transcrevo: 

Ser jardineiro de musgo (ou moss gardener) consiste em cultivar, cuidar e promover o crescimento de musgos (briófitas) como elemento principal ou decorativo num espaço, em vez de focar apenas em plantas vasculares tradicionais. Esta especialidade valoriza a estética minimalista, a textura fofa e a funcionalidade ecológica destas plantas que prosperam em sombra e humidade. É uma jardinagem mais lenta e contemplativa.

O musgo é um organismo vivo, classificado como uma planta briófita de pequeno porte, que se destaca por ser um dos grupos vegetais mais antigos da Terra. Estas plantas não produzem flores, sementes ou frutos e caracterizam-se pela sua estrutura simples, não vascular, o que significa que não possuem vasos condutores de água e nutrientes, ao contrário das plantas superiores.. Como não têm sistema vascular (xilema/floema), os musgos absorvem água e nutrientes diretamente do ar e da superfície através das suas folhas e rizoides (estruturas semelhantes a pelos que os fixam ao substrato). O musgo é um elemento crucial na conservação da natureza, demorando até 20 anos a desenvolver-se, sendo que a sua apanha em habitats naturais é muitas vezes proibida ou constituir contraordenação ambiental grave.

A beleza do musgo

Antigos e resistentes, os musgos – plantas sem flores e não vasculares que sobreviveram durante mais de 450 milhões de anos, resistindo a diferentes condições climáticas – representam alguns dos habitats mais pequenos da natureza. Conor Knighton visita o Jardim de Musgos de inspiração japonesa na Reserva Bloedel, no estado de Washington, onde estão expostas dezenas de espécies de musgo; e participa na Semana Anual de Apreciação do Musgo no Lewis & Clark College, onde a beleza e o encanto do musgo podem realmente conquistar-nos.

Desejo-vos uma boa semana, a começar já nesta segunda-feira

sábado, setembro 13, 2025

‘Uma escapadela secreta onde o verão perdura’: as viagens favoritas dos leitores do Guardian, em setembro, na Europa

 

Ao ver o título da notícia do Guardian (acima, no título), patriota como sou, fui logo ver se aparecia algum destino português. E sim, aparece. Fiquei contente. Mas fiquei admirada. Évora é uma cidade linda (e onde se come bem) mas, ainda assim, estava à espera de um lugar mais pitoresco ou mais desconhecido ou com uma oferta mais diversificada. No entanto, reconheço, é disparate meu, na volta até demonstro algum provincianismo ou alguma miopia.

O Alentejo banha-se em luz dourada até finais de Setembro e Outubro. A região estende-se desde florestas de sobreiros a praias selvagens do Atlântico, com temperaturas diurnas ainda a rondar os 20°C. Na cidade caiada de Évora, ruínas romanas e praças tranquilas convidam a um passeio tranquilo. Mais a oeste, a costa perto de Vila Nova de Milfontes oferece ondas quentes e areias quase desertas. O Alentejo é lânguido e soalheiro, um refúgio secreto onde o verão se prolonga e o tempo parece parar.
Autor do texto: Matthew Healy.
Autor da fotografia:  Praça do Giraldo, Évora. Fotógrafo: Philip Scalia/Alamy

Numa altura em que alguns dos meus amigos andam no laré por locais longínquos e enviam fotografias maravilhosas, eu sinto-me cada vez melhor no nosso país, e, em particular, em casa, seja na da cidade, por acaso perto do mar, seja na do campo, no meio do nada, rodeada de serras e de silêncio. 

No outro dia o meu marido estava a sugerir uma viagem e eu, que antes estava sempre numa de ir e que adorava planear, escolher hotéis, ir à aventura, agora penso sobretudo na maçada de fazer malas, na falta de conforto que representa a ausência dos nossos sítios tão bons, ou penso no déjà vu que já tudo me parece, quase como se já nada é verdadeiramente novidade. E quando, no meio deste comodismo, abro uma excepção e penso em ir visitar algum lugar, o que me ocorre é sair de manhã, irmos de carro, levarmos o nosso querido cãobeludo mais fofo, e regressarmos ao fim do dia. Quem me viu e quem me vê.

Mas depois, quando tento situar, no tempo, o momento em que comecei a desinteressar-me por ir viajar, localizo facilmente. Primeiro foi o meu sogro com uma doença grave que nos enchia de preocupação, que ia fazer tratamentos, que era preciso acompanhar, visitar, que nos fazia ter receio de nos ausentarmos. Depois, durante esse mesmo período, foi a minha sogra, também muito mal, internada durante bastante tempo, depois em casa, acamada, a precisar de cuidados permanentes. O que esse período nos trouxe a nível emocional e logístico não tem explicação. A seguir, durante esse mesmo período, foi o tremendo avc do meu pai. Aí a nossa vida complicou-se severamente. Eu e o meu marido cheios de trabalho, com responsabilidades que não podiam ser compatibilizadas com a ocupação que nos era requerida, e as preocupações a sucederem-se, umas atrás de outras. As férias passaram a ser apenas no país e fora de casa não mais que uma semana de seguida. E, ainda assim, íamos sempre com o credo na boca. Entretanto, morreu o meu sogro, algum tempo depois a minha sogra. Depois veio a covid, o confinamento, a morte do meu pai, e, quando já apenas sobrevivia a minha mãe, vieram os horríveis problemas com ela, que me iam levando a uma tremenda depressão tal a situação complexa que ela atravessou. Impossível afastar-me. Já lá vai um ano e picos que se foi, já poderia ter recuperado os meus velhos hábitos de nos pormos na alheta, de irmos passear e descobrir outras terras. Talvez um dia. Mas não sei.

Em retrospectiva, lembro-me de quando trabalhava, saindo de manhã e regressando ao fim do dia, os fins de semana sempre tão cheios de visitas e de mil compromissos, sempre sem tempo para usufruir tranquilamente da nossa casa. Agora consigo fazê-lo. Olho para as árvores, sento-me a ouvir os pássaros, rego, ocupo-me da casa, o meu marido ocupa-se com o jardim, lemos, cozinhamos, caminhamos. Tempos muito tranquilos. 


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Desejo-vos um bom sábado

quarta-feira, agosto 27, 2025

Traçando a bissetriz ao dia, obtenho uma linha quase luminosa

 


Tenho andado atarefada com umas cenas. A coisa parece ter-se quase solucionado mas, em sequência, nasceram mais uma série de tarefas. E digo tarefas para não dizer trabalhos. Mas que alguns têm sido uma carga de trabalhos, lá isso, têm.... 

Hoje voltou a ser um dia desses. Tive que acordar com despertador, coisa que abomino, coisa que parece trazer-me de volta os tempos em que acordava sempre com sono e que me levantava a saber que ia ter um dia de cão. Depois houve de tudo um pouco, incluindo estar quase duas horas num serviço público, a espumar de impaciência. Poderia tratar-se remotamente mas não seria tão rápido e, neste caso, a rapidez é um factor crítico. Depois, num outro assunto, ocorreu um erro a que ninguém conseguiu atribuir responsabilidades que nos obrigou a andar, debalde, para a frente e para trás para, no fim, ficar agendado para outro dia. Ou seja, foi daqueles dias, cheio, cheio, mas saturante, saturante. 

Ia dizer que foi um dia perdido mas, na realidade, se não me armar em queixinhas e em fatalista, não foi. Tratei de várias coisas e isso não é despiciendo pois temia que surgissem complicações que atrapalhassem tudo e, afinal, as coisas parece que estão mais ou menos encaminhadas. 

Não sei que paranoia minha é esta mas, quando vou tratar de qualquer coisa de tipo administrativo/ burocrático, parece que desce em mim um quase medo, uma espécie de impotência. Quando chega a minha vez, e quando me sento e explico ao que vou, sou invariavelmente atacada por funcionárias que tentam apanhar-me em falta: Trouxe o papel tal e tal? Trouxe o comprovativo tal e tal? E olham para mim como se estivessem preparadas para me dar a estocada final, a de que não se poderá tratar de nada por conta do meu erro ou omissão. Por isso, vou sempre preparada para o pior, carregada de papéis, sempre preparada para sacar de todas as armas para tentar defender-me de ataques que são mais do que certos.

Mas, apesar da longa espera e de várias trapalhadas, desta vez a coisa não correu mal de todo. Pelo menos, até agora. 

O que sei é que, com isto tudo -- e, nestas coisas, não sei porquê, desce-me sempre a tensão arterial e, porque nunca me lembro de levar uma garrafinha de água, acabo também a sentir-me desidratada, meio zonza -- quando acabámos uma das tarefas, por volta das duas e tal, olhámos em volta, estafados, esfomeados, e pensámos que tínhamos que almoçar por ali mesmo. Vimos uma pizzaria e foi ali sem tirar nem pôr, na esplanada. Soube-nos bem. 

Estávamos naquilo, ouvi uma voz que me pareceu conhecida. Olhei. Era mesmo. Uma conhecida actriz de telenovelas e não só. Julgava que fosse bem mais alta mas é bonita e elegante. Sorridente, creio que com o marido e filhos. Mas parece que na televisão as pessoas parecem mais altas do que são na realidade. Facto irrelevante, bem sei.

E, ao fim da tarde, depois de outra missão, neste caso, incumprida, ainda conseguimos passear por um sítio bem bonito, tranquilo. Caminhámos sob uma doce luz dourada, fiz umas fotografiazitas, descansei a cabeça.

Ao virmos para casa, já tardote, estava a apetecer-me caracóis ou um gelado. Mas, cansada como estava, já não tive pachorra para desvios, só me apetecia vir para casa. Além disso, queria ir regar uma parte do jardim que, no outro dia, descobri que não tem estado a ser regada pela rega automática. Esta coisa da rega é uma carga de trabalhos: agora acho que é uma electroválvula que está entupida ou estragada. Mas também não sei se estamos com paciência para cá termos mais artistas a mexerem naquilo. Acho que prefiro regar com mangueira. Poderíamos arriscar sermos nós a pôr uma nova mas, às tantas, ainda estragamos mais. Por isso, para já, acho que fica assim. 

E é isto. Não tenho respondido nem agradecido os comentários pois tenho andado ocupada e com a cabeça cheia de preocupações e chatices. A ver se um dia destes, agora que as coisas parece estarem a serenar, volto a ter mais disponibilidade mental. 

E é verdade: há por aí, entre vocês, Caros Leitores, alguns sonsos, alguns manhosos, algumas más pessoas, que aqui vêm deixar comentários maldosos, parvos, mal educados. Como têm reparado, não os tenho publicado nem vou publicar. Não sei o que pretendem, se é apenas chatear, se é condicionar, se é outra coisa qualquer. Mas já deveriam ter percebido que é tempo perdido: bem podem vir para aqui despejar a vossa maldade e a vossa falta de educação que isso a mim passa-me ao lado. De gente estúpida quero é distância e só não percebo porque insistem em vir aqui visitar-me se não se reveem em nada do que digo. Portanto, bem podem escrever comentários alarves, ordinários, trogloditas ou, simplesmente, parvalhões, que já sabem, estão a escrever para o boneco. 

segunda-feira, agosto 25, 2025

Um dia em forma de assim

 

Hoje foi dia de rega manual. O sistema de rega não chega a todo o lado, nomeadamente a vasos ou a trepadeiras ou arbustos plantados no terraço. Já devo ter contado que é tarefa minha e que a faço de gosto, geralmente com pouca roupa vestida e descalça. A pouca roupa não se prende só com o facto de ser encalorada mas também porque ao puxar pela mangueira, volta e meia alguma coisa se solta e apanho um valente banho. Não me importo nada, sabe-me até bem, mas assim é mais fácil de secar do que se andasse vestida da cabeça aos pés. E isso foi uma das partes boas do dia.

Há alguma relva que parece não querer ficar saudável e verdinha e temos vindo a adiar a decisão de a substituir, nesses sítios, por outra coisa, supostamente por um tal trevo branco anão. Teremos que ir comprar as ditas sementes, ver qual a melhor altura para a semeadura, depois deitar mãos à obra e tapar. Sempre que tentámos semear qualquer coisa, nomeadamente relva, não tivemos esse cuidado e os pássaros chamaram um figo às sementinhas. 

Tirando isso, tivemos que ir à cidade pois temos andado com uns certos e determinados compromissos, coisa que tem dado algum trabalho e que a mim me tem trazido um bocado enervada pois sou muito germanófila no rigor do cumprimento do que se combina e tenho que tentar controlar-me para não mostrar excessiva irritação quando lido com pessoas que se estão a marimbar para o que está acordado, que acham que tanto pode ser assim como assado, tanto pode ser agora como quando calhar e que consideram que os compromissos estabelecidos foram um mero pro forma que não interessa nem ao menino jesus. O meu marido tenta pôr água na fervura e os meus filhos também aconselham alguma relativização. Mas, para mim, há uma ética, que é inegociável, no cumprimento dos compromissos. Não me desvio um milímetro do que se combinou e respeito escrupulosamente os outros. Por mais que me digam que ética é coisa que escasseia ou que gente imprestável é o que mais não falta, a mim custa-me fazer de conta que está tudo bem quando está tudo virado às avessas. Apetece-me espernear à força toda, confrontar ou penalizar quem se está nas tintas para o rigor, para a ética, para o respeito.

Mas, enfim, também compreendo que a vida é mais do que o somatório de todas as pequenas parcelas que a constituem, pelo que, por vezes, mais vale passar por cima das parcelas enviesadas, fazer de conta que nem as vemos, e tentarmos focar-nos nas parcelas escorreitas e na seiva que as irriga e nos bons sentimentos que alavancam o nosso bem estar. 

Portanto, siga o baile.

Estando na cidade, passámos por uma daquelas lojas de pão da moda, daquelas todas xpto, todas alto décor (e alto preço), todas biológicas e artesanais. Foi o meu marido que deu por ela e que sugeriu que entrássemos. O cheirinho daquilo é altamente convidativo. Esfomeada como sou e altamente amante de pão, fiquei logo cheia de vontade de experimentar aquelas variedades mais estranhas. Mas, depois, lembrei-me que, agora que os três leões da família também já fizeram a festa toda (depois de me terem feito comer bolo e mais bolo... isto a seguir aos três caranguejos), está mais que na altura de voltar a tentar fechar a boca. Portanto, foi o meu marido que escolheu: um de espelta e outro de centeio, tudo massa mãe. Mas depois vi uma focaccia de azeite e de alecrim e não resisti. Vi também um brownie de chocolate e pistácio e também não. Mas, em minha defesa, direi que não era um brownie, era uma partíula de brownie, ainda por cima uma partícula estupidamente minúscula. Cada um de nós dois deu uma dentada e o bolículo desandou. Mas era bom. Lá isso não vou negar. Não resisti também a uma espécie de pãozinho fofo com uns tininis de coco. Mínimo também. Não sabe a nada nem é doce. Não achei graça. O meu marido disse que não era mau.

E, feita maria deslumbrada de visita à cidade, ao passar por uma loja de coisas para a casa, entrei e, como sempre, fiquei estupefacta com a quantidade de apetrechos para tudo e mais alguma coisa. Resisti a trazer toda a espécie de bugigangas, algumas das quais tinha que ler na embalagem para perceber o que eram e para que serviam de tão desconhecidas para mim. Mas trouxe uns individuais para a mesa da casa in heaven pois os que lá temos já estão um pouco usados e é mais fácil usar individuais laváveis do que, de cada vez, estar a usar uma toalha grande que tem que ser lavada na máquina. 

E esta parte de ir à padaria ou à loja das coisas para a casa também foi boa. E as caminhadas que fizemos também foram boas. O tempo já está mais fresco, sabe bem voltar a sentir este arzinho que já prenuncia o doce outono.

Portanto, vendo bem as coisas, o dia até não foi mau de todo.

E bola para a frente porque para a frente é que é caminho. É ou não é? 

quarta-feira, julho 02, 2025

Origami

 

O calor destes últimos dias tem-me desfeito. Só estou bem em casa, ao fresco. 

Mas calhou termos combinado um almoço ali para as bandas do centro, de perto do rio. Um calor de ananases. Felizmente o restaurante era relativamente perto de um grande parque pelo que o stress do estacionamento desta vez não foi tema. Claro que tive que me abstrair da memória de todas as vezes em por ali andei quando a minha mãe esteve internada, durante quase um mês, no hospital lá perto, num belo quarto com uma bela vista, vista essa a que nem ela nem eu prestámos qualquer atenção. Mas, enfim, o tempo anda e temos que andar também, transportando as memórias.

Não tentámos pôr o carro perto do restaurante pois estamos escaldados com as dificuldades em encontrar lugar. Assim, ali era garantido e, de resto, a distância não era nada por aí além. Mas subestimámos o calor que estava. Caraças. Infernal. Um daqueles calores que queimam, que custam a suportar.

Lembro-me sempre do meu espanto, há uns trinta e tal anos -- numa altura em que as viagens não eram uma banalidade absoluta --, quando um amigo chegou de umas férias algo exóticas pelos locais menos turísticos de Marrocos e me contar que, de tudo, o pior tinha sido o calor, temperaturas em torno dos 40º. Falou dos ventos, das areias, das ruas estreitas, de mil coisas, mas o calor... isso tinha-o deixado francamente marcado. E eu perguntava como suportavam, o que faziam para prosseguir os passeios dentro de tal forno. 

A experiência mais próxima que eu tinha tido tinha sido em Angola, numa viagem feita na minha adolescência. Mas a viagem foi no verão de cá, logo no tempo menos quente de lá. Estava calor e o ar era pesado, tanta a humidade, o meu cabelo chegava ao fim do dia todo empapado, mas o calor era razoável, nada de nada de fornos acima dos 40º.

E, no entanto, agora, por cá, é o que se sabe. Uma coisa impossível.

Ainda não foi desta que fui conhecer o Macam, o novo museu, às terças está fechado. Ainda tive a ideia de ir até ao CCB mas fui demovida, a ideia era peregrina demais.

Portanto, depois de termos cumprido uns afazeres, regressámos a casa onde o cãobeludo nos esperava, estendido no chão de pedra. 

Vesti o biquini e fui ler para o spot que descobri ser o mais perfeito, aquele onde poderia estar todo o santo dia, uma sombra verde, fresca e boa. 

O livro não me convence mas isso parece ser o 'novo normal', livros que não aquecem nem arrefecem mas que, espantosamente, parecem ser do agrado dos editores (e, se calhar, de muitos leitores). Mas entre uma página e outra vou olhando para a copa das árvores, para os pássaros que por ali andam, para o céu, para lado nenhum.

E estou a gostar muito das caminhadas ao cair da noite. É a hora da doçura, da intimidade. As luzes das casas estão acesas, mas as janelas ainda abertas deixam ver o tom quente e dourado do interior. As ruas estão silenciosas, o ar mais fresco, e sabe muito bem andar assim, o cão mais ligeiro, nós conversando ou não que o silêncio às vezes é muito reconfortante.

E, agora à noite, depois de ter feito umas coisas para o Instagram (tenho este lado proleta, de não me baldar, parece que tenho sempre que produzir quelque chose e então lá está, todos os dias tento fazer uma coisa para a story e outra para o feed), o Youtube traz-me de novo a matemática e a física, temas que sempre trago no coração, e, uma vez mais, envoltas em poesia. 

Desta vez o tema é o origami, tema que sempre me atraiu (numa onda contemplativa, não executiva). O que se faz com uma folha de papel só não é mágico porque tem muita técnica. Uma maravilha.

This Origami is Changing Engineering…

Twenty-five years ago, physicist Robert Lang worked at NASA, where he researched lasers. He also garnered 46 patents on optoelectronics and wrote a Ph.D. thesis called "Semiconductor Lasers: New Geometries and Spectral Properties." But in 2001, Lang left his job to pursue a passion he’d had since childhood: origami. In the origami world, Lang is now a legend—and this Great Big Story documentary tells his true story. It’s not just his eye-catching, intricate designs that have taken the craft by storm. Some of his work has helped pioneer new ways of applying origami principles to complex real-world engineering problems.


Dias felizes

quinta-feira, junho 19, 2025

Bons momentos, boas memórias, jardins, boa gestão da água (para combater a desertificação), etc.

 

Gosto de livros, de filmes e de vídeos sobre jardins e jardineiros. Sobretudo, gosto de jardins. 

Tenho vivido bons momentos ao longo de toda a minha vida. 

Não guardo traumas (ou, pelo menos, não dou por eles). Sempre relativizei o que me desagradava. Na escola devo ter passado por situações menos boas pois toda a gente se lembra de ter passado e eu não devo ser diferente dos outros. Mas, de facto, não me lembro. Situações boas de que me lembre são aos montes. Provavelmente desde miúda que reajo como sempre me ter lembrado de ter reagido: não ligar a mínima ao que me desagrada.

Por exemplo, lembro-me de que, quando cheguei ao 1º ano do que se chamava Ciclo Preparatório, hoje 5º ano, não conhecia ninguém na minha turma. Na altura, as turmas eram inteiramente femininas. Várias das minhas colegas tinham andado juntas na escola primária e, portanto, já eram amigas. Eu aterrei num mundo desconhecido. Isso para mim foi apenas uma alegria, um mundo novo a descobrir. Era tudo desconhecido: o espaço, o ambiente, as professoras, as colegas, as regras. Com dez anos acabados de fazer ia, de autocarro ou a pé, sozinha para a escola e da escola para casa. Os meus pais trabalhavam e, por isso, eu estava por minha conta. Achava isso natural. Talvez estranhando não verem a minha mãe, perguntavam-me por ela e eu dizia que ela estava na escola, a dar aulas, era professora. Lembro-me de um dia uma colega me ter dito, com ar abespinhado, que eu julgava que era melhor que as outras e, quando eu me mostrei admirada e perguntei porque dizia ela isso, me ter respondido que eu dizia que a minha mãe era professora. Lembro-me bem do meu espanto e de ter dito: 'Mas ela é professora!'. E lembro-me de ter pensado: 'É mesmo burra, se calhar queria que eu dissesse que a minha mãe estava em casa, só para ser igual às outras'. Não me aborreci. Relativizei, achei apenas que ela era burra. E ao longo de todos os anos em que com ela convivi mantive a mesma opinião: só diz burrices.

Por isso, se alguém me chateou (e, repito, só me lembro dessa vez), borrifei.

A minha mãe por vezes arreliava-se por eu ser assim. Disse-me várias vezes que me achava excessivamente racional. Na realidade, eu sempre fui muito o oposto dela. Embora para o exterior ela mostrasse alguma resistência à opinião alheia, a verdade é que se incomodava muito com isso. E guardava mágoas e ressentimentos. Eu zero. Não queria saber disso para nada. Ela às vezes dizia-me: 'disseram isso de ti e não queres saber..?'. E eu respondia que não, não queria saber. Zero, zero. Por isso, quando ela às vezes mostrava opiniões negativas sobre alguém, eu nunca sabia porquê. Se alguma vez tinha sabido, já tinha esquecido. Ela ficava passada comigo. Achava-me excessivamente desprendida. 

Mas dos momentos bons não me esqueço. E não os desvalorizo.

Podem ser situações aparentemente insignificantes mas, para mim, muito relevantes. Por exemplo, e já falei disso muitas vezes, dos momentos bons, relembro os que vivi, ainda que fugazmente, nos viveiros em que ia comprar pequenas árvores para tornar o nosso terreno pedregoso naquilo que é hoje. Já não me lembro como se chama a terra, se é Chamusca, se é Azambuja, sempre confundi os nomes. Saía de casa muito cedo, metia-me a caminho para lá estar muito cedo (não me recordo bem mas tenho ideia que aquilo abria às oito). Depois escolhia as arvorezinhas, levava o carro cheio e regressava a Lisboa, para ir trabalhar. 

As jardineiras, simpaticíssimas, de galochas, andavam pelo meio de todo aquele mundo, um mundo perfumado, húmido, generoso, a terra negra, fértil -- e elas conheciam todas as espécies pelo nome correcto, sabiam como cresciam, como se faziam, escolhíamo-las em conjunto, eu pedia a opinião delas, elas juntavam-se para andar comigo. Acredito que achassem curioso que ali chegasse aquela mulher vinda de Lisboa, vestida daquela maneira, de saltos altos, toda produzida, e por ali andasse conversando com elas, escutando-as com tanta atenção. Cheguei a dizer-lhes que as invejava, que não me importava de trabalhar ali. A forma como faziam transplantes de vasinhos para vasos maiores, a forma como tratavam as plantinhas como bebés, como animaizinhos que precisassem de cuidados, enternecia-me.

No liceu detestei botânica. Hoje penso que a forma como se ensina destrói a curiosidade e o gosto dos miúdos. Muito se deveria repensar sobre a forma de ensino.

Mas também é certo que o meu gosto por árvores, por flores, por trepadeiras, é um gosto mais espiritual que académico ou funcional. Por exemplo, não me sinto atraída por saber as regras de uma poda correcta ou por fazer uma horta. Mas gosto de andar junto às plantas, contemplá-las, venerá-las. É um gosto poético, um gosto imaterial, quase abstracto, difícil de explicar. 

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Não obstante, gosto de ver vídeos como este que aqui partilho em que se abordam temas bem pragmáticos, muito terrenos. Muito pertinentes. Este é um dos tipos de sabedoria que me cativa.

Portugal is Turning into a Desert – Can This Farming Method Save It?

Portugal is slowly turning into a desert. But is the real issue a lack of water—or poor water management? Lars and Denise are using a powerful technique to restore the land and prevent desertification. This technique can be applied anywhere in the world—not just in Portugal or dry regions. By using this method, you’ll gain a deeper understanding of farming and how to work with nature instead of against it.

In this short documentary, Lars—who has spent years working with nature—explains the basics of his approach, inspired by syntropic farming. Want to learn more? Together with Lars and Denise, I (Sara) have created step-by-step videos to teach this method.

00:00 - 00:37 Intro

00:37 - 02:17 Results

02:17 - 05:56 How to regenerate the land? Permaculture vs. syntropic farming

05:56 - 08:06 How long does it take to regenerate? No dig vs. dig

08:06 - 12:20 Water management

12:20 - 13:03 Step-by-step tutorials

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Dias felizes

segunda-feira, junho 16, 2025

Dia bom depois de noite de pesadelo

 


O pessoal e o pessoalzinho esteve todo cá em casa (com excepção para o menino mais crescido que está a preparar-se para um exame dentro de dias) e, portanto, dia bom e animado e feliz. 

O cão esteve um bocado reactivo e portou-se mal, mas isso são outros quinhentos. Vamos ter que fazer alguns ajustes na convivência em dias de alegria colectiva e repasto na mesa do exterior pois hoje esticou-se e não foi pouco. Cão mais do caraças, este. Bolas. 

Parece um fofo, um santinho, não é?
E muitas vezes até é.
A minha filha diz que parece que se ri.
Pois, pois... O pior é quando se estica

Adiante.

Levantei-me cansada e agitada pois, não sei porquê, voltei a ter pesadelos. Acordei assarapantada com a situação e custou-me a acalmar-me. E o pior é que umas horas antes tinha sucedido a mesma coisa. Da primeira vez, levantei-me, bebi água e voltei a adormecer... para voltar aos pesadelos.

O do meio da noite já nem me lembro o que era mas o que me fez acordar de manhã foi uma coisa muito estúpida. Tinha ido às compras, tinha que ir para casa pois tinha o jantar para fazer e vinham todos cá, e, em vez de ir de carro, fui num carrinho minúsculo, quase parecia um corta-relvas com um banco e um volante. Mas, às tantas, do nada, apareceu uma portagem com uma cancela. E aquilo não reconheceu a minha viatura e não deitava bilhete, nem aceitava o cartão nem levantava a cancela. E todos os carros atrás de mim apitavam. E eu não conseguia sair dali pois também não havia funcionários. E o carrinho deixou de funcionar, já não arrancava. Então, levantei-me e fui a empurrar aquela carripanazeca até a uns escritórios lá mais à frente. Estavam duas funcionárias na conversa e não me ligavam nenhuma. Quando insisti para que me atendessem, disseram que o sistema não estava preparado para veículos como o meu e que, por isso, não podia passar. E estavam com ar desdenhoso por eu estar com aquele carrinho. Eu explicava que era por razões ecológicas, que, só para mim, era disparate andar num carro grande. Mas elas faziam um ar de gozo, como se eu estivesse a receber o tratamento devido. E eu perguntava como é que, então, eu ia para casa. Não queriam saber, não era da responsabilidade delas. Depois disseram que iam fechar o escritório, que eu tinha que sair. E assim fizeram. Fiquei na rua, debaixo de uma chuva a cântaros. Queria ligar para o meu marido mas, com tanta chuva, não conseguia, o telemóvel não funcionava. Quando finalmente consegui, não sabia o nome daquela rua nem havia ninguém a quem perguntar. O meu marido dizia para eu olhar em volta para identificar qualquer coisa. Mas eu olhava e só via prédios todos iguais, nada que me dissesse minimamente onde estava. E o tempo a passar, eu com o carrinho carregado de comida para confeccionar, a família toda a ir lá jantar a casa e eu sem saber como sair dali.

E foi isto. Completamente absurdo. Mas uma aflição.

Não sei porque é que isto me acontece. Não fui para a cama com o estômago cheio que é o que parece que costuma provocar sonos agitados. O meu marido diz que foi a série dinamarquesa que me impressionou. Não creio. Isto é o tipo de sonho que tenho recorrentemente: ou não sei onde estacionei o carro e ando às voltas, carregada de sacos, com compras pesadíssimas, e sem ter ideia onde procurá-lo e os miúdos estão cansados, não querem andar mais, ou, nesta demanda, passo por estradas à beira de precipícios ou com buracos enormes e perigosos e, como sempre, vou com os miúdos e tenho medo que caiam ou que se percam de mim, ando sempre a contá-los para ver se estão todos. Sarilhos assim.

Cenas reais em que não sabia onde tinha deixado o carro pois não o encontrava onde julgava estar, aconteceram-me duas vezes. E não é agradável. Uma pessoa fica meio zonza, sem saber se há-de pensar que roubaram o carro ou se há-de pensar que teve uma branca estranhíssima

Ou estar a conduzir e perdida de todo sem saber onde estava, isso também já me aconteceu pelo menos umas três ou quatro vezes e também não foi nada, nadinha, agradável, especialmente em duas vezes de noite, em lugares que eu desconhecia de todo, pelo que nem conseguia dizer onde estava (numa das vezes, numa era pré gps, e noutra vez, numa era pré-waze, em que o gps do carro desconhecia aqueles lugares e não atinava (nem falava) pelo que me pôs a fazer percursos completamente erráticos. Uma pessoa tem a sensação que pode ter caído num buraco negro sem noção de como de lá há-de conseguir sair.

Mas uma coisa é a realidade e outra são os sonhos. Contudo, a verdade é que estes meus pesadelos me deixam ansiosa. Acordo debaixo dum estado de nervos como se a situação fosse real, e, a noite passada, da segunda vez, porque já eram horas de me levantar, nem tive ocasião para dormir sossegadamente em cima daquele disparate, pois isso talvez me tivesse acalmado. 

Ao levantar-me, sentindo aquele aperto de ansiedade, até me fez lembrar o que me acontecia durante aqueles anos em que o meu pai estava a definhar progressivamente e nós sempre com o credo na boca à espera que aquele equilíbrio instável se desequilibrasse de vez, ou, mais recentemente, naqueles tempos terrivelmente angustiantes que precederam a morte da minha mãe, quando me levantava a sentir-me enervada, parece que sempre com medo de receber alguma má notícia. Na volta ainda são reminiscências desses tempos. A nossa cabeça tem mecanismos autónomos, não basta a gente dizer-lhe que 'está tudo bem, não há razão para stresses', que ela não nos obedece.

Quando isto acontece, no dia seguinte, quando vou para a cama até vou com medo de ter mais uma noitada repleta destas aflições nocturnas. 

Enfim. Já é tarde, tenho que ir. Pode ser que esta noite seja tranquila, não é?

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Desejo-vos uma boa semana

segunda-feira, junho 09, 2025

Era eu? Sou eu?

 

Quando eles saíram -- e é sempre aquela alegria de estarmos juntos, os rapazes falando insaciavelmente de futebol, toda a gente conversando, muito apetite em volta da mesa, depois uns vendo a final do Roland Garros, outros jogando vólei ou badminton ou descansando e sempre muito movimento e boa disposição -- deitei-me no sofá e adormeci. Ferrada. Na televisão estava a dar futebol, claro. Mas não dei por nada. 

Às tantas, ouvi, remotamente, uns apitos e não percebi de que se tratava, mas também não acordei.

Só depois de o meu marido me chamar várias vezes, dizendo que depois não durmo de noite, é que consegui começar a despertar. Percebi que os apitos eram do microondas, ele a aquecer o jantar. Acho que lhe disse que eu não jantava mas não me lembro de nada. Quando consegui levantar-me do sofá, comi uma banana e uns miolos de amêndoa. Também tinha lanchado, era normal que não tivesse tido fome para jantar. E, ao lanche, imagine-se..., até comi umas fatias de brownie que dois dos meninos tinham feito. Ai a minha dieta... Como nunca como doces, aquelas fatias de bolo souberam-me ainda mais maravilhosamente.

Depois, estive a ver televisão e a ler um pouco mas ainda estou com sono. Creio que foi porque acordei mais cedo do que devia. Passou um carro com uma sirene e os cães da vizinhança desataram todos a uivar. Como durmo de janela aberta, ouve-se tudo. Ainda tentei dormir mas já não consegui. E fiquei em défice. Longe vão os tempos em que dormia umas cinco horas ou cinco e picos, vá lá seis, e ficava para as curvas. Agora tenho que dormir no mínimo sete horas. Dá ideia que acumulei e que que estou a pôr em dia. Ou isso ou ainda é efeito covid, já aqui falei nisso muitas vezes.

Estou a escrever e a ouvir a rega. Gosto de ouvir regar. Gosto de sentir o ar fresco e húmido que vem da terra. É quase como chover. Gosto de ouvir a chuva, gosto do cheiro da terra molhada. 

Estava aqui a pensar que os meus filhos me contam coisas dos seus trabalhos. Falam-me de situações pelas quais também passei, identifico-me com o que dizem, com os stresses em que se vêem, reconheço os dilemas que enfrentam ou a que assistem. Sinto-me solidária. Compreendo-os muito bem, já estive no papel em que eles estão agora. Mas, estando tudo ainda tão presente, a verdade é que me parece que era outra-eu ou, então, que eram outros tempos, tempos que atravessei por acaso, ou outras geografias que frequentei também por acaso. 

Acomodamo-nos a tudo, é certo. Para mim, começar a trabalhar em ambiente empresarial aos vinte e dois anos, vinda de uma realidade académica (estudar e ao mesmo tempo ser professora) foi natural. Ver-me metida em projectos de grande complexidade e ser acompanhada por especialistas do Banco Mundial que vinham dos Estados Unidos para se reunirem comigo e verem a evolução do meu trabalho era natural. Ter filhos pelo meio era natural. Arranjar tempo para uma dedicação que sempre foi absoluta era natural. Ocupar cargos dirigentes aos trinta e poucos era natural. Seleccionar empresas internacionais para trabalharem comigo em projectos inovadores e disruptivos era natural. Mudar de área profissional ou de empresa ou acumular áreas ou trabalhos em várias empresas era natural. Trabalhar horas a fio, fazer apresentações para muita gente, participar em projectos de reorganização que implicavam 'libertar' milhares de pessoas era natural. Sempre foi tudo natural. Sempre me adaptei sem esforço, sem 'teorias de cão caça', sem me vitimizar ou sem me achar especial. Sempre me senti bem na minha pele. Travei montes de lutas, fui contestada, contestei, parti louça, virei mesas, atirei granadas para cima da mesa (pelo menos, era o que diziam que eu fazia). Mas para mim isso era natural. Não me enervava, não me zangava, não me tirava o sono. Parecia que ser assim e viver assim era a minha natureza. E era.

Mas a verdade é que, agora que larguei tudo, me sinto ainda melhor. Não sinto falta, não tenho saudades. Se calhar, mudei. 

Talvez que uma possível explicação seja que, durante todos aqueles muitos anos, sempre me mantive próxima da minha família, eles sempre foram a minha primeira e inquestionável prioridade, o meu verdadeiro propósito. Ou seja, se calhar toda a minha vida profissional sempre foi uma adjacência, uma circunstância, talvez uma necessidade mas não a minha verdadeira natureza. Não sei, é uma tentativa de explicação. Além disso, também sempre consegui compatibilizar todo aquele frenesim com um espaço meu, vital, para ler, para escrever, para bordar, para pintar. Roubava ao sono. Para não prejudicar o meu tempo com a família, era quando todos dormiam que eu ia fazer aquelas coisas de que sentia falta. 

E ainda é assim. Ainda não consegui desligar-me do hábito de ser quando a casa está silenciosa que eu abro o computador (digo que abro porque é portátil e o fecho quando acabo de escrever) e solto as mãos e me entrego a estes momentos só meus. 

Claro que é bizarro dizer que os momentos são só meus e, ao mesmo tempo, estar a soltá-los aos sete ventos, para que quem quiser os conheça. Mas isso já são outros quinhentos, são os paradoxos destes tempos em que podemos comunicar com o mundo inteiro em tempo real e, ao mesmo tempo, fazer com que todas as palavras e imagens fiquem a pairar por aí até ao fim dos tempos.

E pronto, já estou a divagar. Nem sei se alguma destas coisas que estou para aqui a dizer faz grande sentido. Vou mas é dormir.

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Boa semana

Dias felizes. Saúde e boa disposição.

sábado, junho 07, 2025

O meu dolce fare niente, o meu pequeno almoço, a overdose biográfica de Herberto Helder servida por João Pedro George e etc.

 

A minha cabeça parece que entrou em férias. O corpo já tinha dado sinais que era o que queria mas a cabeça teimava em meter-se em trabalhos. Mas agora, para além de festejar a ausência de horários, apetece-me não ter maçadas de qualquer espécie. 

Claro que elas aparecem e não há como não enfrentá-las: uma coisa que se avaria e que custa a encontrar quem a arranje, um outro estore elétrico que não funciona, agora este problema da infecção na perna do nosso amicão, afazeres que aguardam que alguém se ocupe deles. Isso acontece independentemente da nossa vontade e, se não formos nós a resolvê-los, não haverá quem mais o faça. Mas depois havia aquilo em que eu sempre fui pródiga: arranjava sempre ocupações com objectivos apertados que me obrigavam a uma disciplina que se sobrepunha à minha vontade (ou necessidade) de descansar.

Agora não. Agora sabe-me bem, cada vez melhor, poder passar a tarde a ler, ao sol ou à sombra, a fotografar, a olhar para a copa das árvores. 

Claro que antes disso fiz uma máquina de roupa, estendi-a, fui ao ginásio, estive a varrer o terraço, a regar os vasos, fiz o almoço, recebi e estive à conversa com uma pessoa que cá veio a casa, etc. Mas, a seguir, por mim está feito! e deixo-me levar pelo prazer de estar na boa, sem mais nada que fazer. Claro também que a seguir aparece o meu marido a dizer que está na hora de irmos fazer a nossa caminhada da tarde e vou e sabe-me lindamente e, uma vez regressada, vou fazer o jantar e depois vamos fazer o tratamento ao nosso fofo, que reage mal e o meu marido tem que o agarrar com força para ele não se virar, e depois vamos todos fazer um passeio nocturno, passeio mais curto, coisa para não mais que meia-hora e que também me soube bem. 

Ou seja, não é que não faça nada. Faço. Mas, pelo meio, permito-me estar descansada sem sentir que estou a ser improdutiva. Quase desde que me conheço que tinha a pancada de fazer coisas que se vissem, que fossem úteis, que ficassem. Agora não. Estou uma ou duas ou três horas na boa e não me sinto mal por isso.

O meu marido também está muito diferente. Está um jardineiro exímio. Anda sempre com a máquina da relva ou com o corta-sebes ou com a roçadora. Antes não tinha o mínimo dos mínimos de apetência para a jardinagem. Zero, zero. Agora, nem tenho que lhe pedir. Pelo contrário, tenho é que pedir que não corte tanto. 

E, como se isso não bastasse, hoje, quando entrei em casa vinda de estar a ler, cheirou-me a bolo. Pasmei. Tinha feito um daqueles simples que se fazem numa tigela, no micro-ondas. Diz que pediu ao chatgpt a receita de um bolo saudável, rápido e simples, que se fizesse no microondas. Fez de alperce com iogurte grego, ovo, mel, uma colher de azeite e flocos de aveia. Estava bom mas com pouco sabor, talvez por estar pouco doce. Então pôs-lhe uma colher de compota por cima, levou-o mais uns segundos ao microondas. Ficou melhor. Depois fez um que improvisou, com cacau em pó, mas deixou-o cozer de mais, ficou rijo, uma bolacha dura. Mas sou de boa boca, como de tudo de bom gosto. Só que não quero alargar-me nos doces. Como nunca faço doces, a cozinha nunca cheira a bolos. Por isso, gostei imenso de sentir aquele cheirinho. O mais parecido que faço são papas de aveia . E ficam boas. O meu marido agora, ao pequeno-almoço, para além de comer uma banana, come uma taça dessas papas.

Já contei como faço mas agora introduzo uma pequena variante: num tachinho ponho água a ferver com uma pitada de sal, um pouco de canela, casca de laranja (ou de limão) e agora tenho juntado também umas três ou quatro tâmaras. E, claro, flocos finos de aveia. Vou mexendo. Quando começa a fazer bolhinhas, mexo bem e deixo estar ali em ebulição controlada durante uns dois ou três minutos. E já está. Solidifica com uma textura de que gostamos. A aveia é muito saudável. Não faço com leite nem ponho açúcar. 

Eu, ao pequeno almoço, como uma laranja e depois preparo um copo de kefir ao qual junto uma colher de sopa cheia dessas papas de aveia, um pouco de mistura de sementes e um pouco de pó de latte dourado que compro no Celeiro (curcuma, gengibre, pimenta, noz moscada). Mexo tudo bem. Adoro. Começo sempre o dia com o prazer de ter um pequeno almoço que me sabe mesmo bem. Remato com café expresso, longo, sem açúcar. O cheirinho bom do café e o prazer de o beber ajudam a que o dia seja inaugurado a preceito. Agora só bebo esse café por dia. 

Quanto à leitura: continuo (e continuarei, nem que seja intercaladamente) com a biografia do Herberto Helder. É daqueles que leio saltando frases de quando em quando. É uma overdose. É como se ele tivesse juntado referências, opiniões, recordações de outras pessoas, documentos, recortes de jornais relacionados, correlacionados e nem por isso e, no fim, tivesse vertido tudo para o livro, tudo, sem edição. Mas ouvi que, no original, era quase o dobro. Uma loucura, portanto. Mas, o que mais me chateia nem é isso: o que mais me incomoda é quando ele, o João Pedro George, volta e meia se pôe a inventar pensamentos para o Herberto Helder, admitindo que é provável que, naquelas circunstâncias, ele tenha pensado aquilo. Ora isso parece-me não apenas estulto como desnecessário, até descabido.

Bem. Isto está uma bela mescla de assuntos... É que estou a ver notícias enquanto escrevo. A macacada entre Trump e Musk é daquelas que há de dar filmes, séries, paródias, dramas, tratados de política, de psicologia, sei lá. Como só me dá para ligar o computador às quinhentas e me ponho a escrever às tantas, já perdida de sono, chego aqui e já me falta o pedal para desarrincar todo o muito que haveria a dizer. A ver se um dia destes tenho a pachorra suficiente para escrever o no blog a meio da tarde para me pronunciar sobre esta desconformidade. Entretanto, partilho um vídeo:

Donald And Elon Attend Couples Therapy


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Os meus limões andam a cair, estão pesados, maduros. Não apenas os aproveito para temperos e etc. como para servirem de modelos fotográficos. As rosas, já se sabe, estão sempre disponíveis para serem amadas, adoram pôr-se a jeito para uma sessão fotográfica
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Olhem, é isto.

Desejo-vos um belo sábado