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quinta-feira, abril 02, 2026

Se o Montenegro não obedece ao Cavaco porque há-de ser o José Luís Carneiro bem comportado?
-- De novo, a palavra ao meu marido --

 

Tirou-se o Cavaco do seu sossego para escrever um artigo em que, para além de afirmar as costumadas cavaquices, se lembrou de avisar o seu pupilo Luís Montenegro de que o Andrezito e respetivo séquito não são de confiança. Vai o pupilo, numa primeira pronúncia, refere "que o artigo cai que nem uma luva" no seu governo e, em segundas núpcias, zas catrapas, esquece o tutor, entra de braço dado na AR com o Andrezito e aprovam a segunda versão da lei da nacionalidade. 

Esta questão não estava na ordem do dia, não tinha nenhuma urgência e só apareceu porque o Montenegro quer ser mais Andrezito que o dito cujo. 

Veremos se passa no TC. 

Acho que nos podemos questionar sobre se o Luís se portou bem. Não, o Luís não se portou bem, não seguiu as instruções do tutor, foi mau aluno e ainda corre o risco de ficar de castigo. 

E o PSD foi responsável ao aprovar uma lei estruturante apenas com o apoio da extrema direita? Parece-me que não. 

Este tipo de leis deve resultar de um amplo consenso e refletir as várias sensibilidades da nossa sociedade. É com este objetivo que deve agir um partido responsável. Mas até hoje, o PSD, num espírito revanchista, muito comum na direita de antanho, tem aprovado legislação que reflete apenas a visão da direita menos esclarecida e menos moderna. 

Agora até querem que a rapaziada não conheça a história da Blimunda e dos que construíram o convento de Mafra. Mais bafiento é difícil, e menos responsável também. 

Sendo assim, porque é que os comentadores mais ou menos encartados e, naturalmente, os rapazes e raparigas da direita que inundam o espaço mediático exigem que o PS seja um partido responsável e aprove tudo o que o governo lhe põe à frente, sobretudo o orçamento, mas não exigem uma posição responsável ao PSD, que se paute por respeitar o PS e o eleitorado socialista? 

Será que toda esta malta tem uma agenda escondida? 

Rapidamente vai chegar a pressão para que o José Luís Carneiro seja responsável e sirva de muleta ao Montenegro quando o Andrezito lhe der uma nega. Quanto a mim, ser responsável é tomar as decisões correctas nos momentos certos, doa a quem doer. Espero que o PS não se deixe enlear no canto da responsabilidade e aja corretamente quando for necessário, sem olhar à"imperiosa" necessidade de dar a mão ao governo quando o Andrezito se chateia. Os portugueses compreenderão!

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Nota: não fiquei nada orgulhoso de ser português quando soube que o governo tinha mais uma vez servido de capacho à administração Trump no que diz respeito à utilização das Lajes. Se o Trump soubesse quem era o Montenegro, diria que o Luís era mais um que lhe tinha beijado o ass. Que vergonha!

terça-feira, março 31, 2026

Os enormes equívocos das políticas do Montenegro ou a enorme componente ideológica da politica do governo
-- A palavra ao meu marido --

 

É certo e sabido que as políticas do governo não são suportadas em factos nem em  informações fidedignas. Vão a reboque do Andrézito ou são motivadas por opções ideológicas que em muitos casos são estupidamente próximas das opções da direita revanchista e retrógrada. 

Vamos a factos. 

Lei da Imigração aprovada com o Chega cujo defensor mais intransigente foi o "Lentão" Amaro de parceria com o Luís. Os imigrantes davam cabo do País, viviam de subsídios e eram os responsáveis pelos piores crimes. 

  • A parte dos crimes o atual MAI encarregou-se de a desmentir quando era diretor da PJ. 
  • Quanto ao resto foi desmentido pelo relatório do Banco de Portugal de Março, a saber: 
    1. os imigrantes passam muito menos tempo a receber subsídios que os nacionais e os que mais subsídios recebem são russos, ucranianos, moldavos e brasileiro (azar não são asiáticos!), 
    2. os imigrantes contribuem com 4,1 mil milhões de euros para a segurança social sendo o saldo líquido positivo de 3,2 mil milhões, 
    3. os imigrantes são responsáveis por 5% do PIB e, se não estivessem a trabalhar em Portugal, o valor médio dos impostos dos nacionais teria de passar de 35% para 43%. 
Foi nisto que resultou a política de "bar aberto" que o Chega de braço dado com o governo tanto criticaram e que os comentadores também apoucaram e apoucam. Eu diria que ainda bem que ofereceram as bebidas, pode ter havido algumas bebedeiras, o que era inevitável, mas no cômputo geral foi muito positivo e não se percebe a urgência da lei da imigração a não ser por opções políticas e apropriação da agenda do Andrézito. 

Outra palhaçada é a Lei da Nacionalidade. Só o Chega e o anquilosado CDS tinham este assunto na agenda. O Luís e seus muchachos viram uma oportunidade para se juntarem à extrema direita,  desviarem as atenções da inoperacionalidade do governo e cavalgaram a onda e cá vai disto. Felizmente a lei aprovada na AR foi chumbada pelo Constitucional. Os dados mais recentes, que deveriam servir de base a estas opções políticas e são pura e simplesmente obliterados (estúpida palavra que Trump tornou omnipresente) referem que apenas 7% dos pedidos de nacionalidade são de naturais do Paquistão, do Nepal e de países vizinhos. Ao contrário do que apregoava o Andrezito e o governo, apenas 2.700 cidadãos destes países pediram a nacionalidade portuguesa. "Ganda" problema não é Luís, "Lentão" e quejandos? É deveras preocupante: sendo tantos, ainda vão dar cabo dos outros dez milhões. É o governo a cobrir-se de ridículo com este tipo de opções. 

Outra política também reveladora da inteligência de quem governa foram as medidas destinadas á Habitação. Como resultado das políticas do governo, os preços das casas aumentaram como nunca se tinha visto e 28% dos contratos celebrados por jovens demonstram  representar um taxa de esforço entre 40 e 50% o que está manifestamente acima do recomendado, senão mesmo no limiar do risco de incumprimento. Com o panorama atual, com se vão safar estes jovens com as taxas de juro a aumentarem, a inflação a crescer e provavelmente o valor da casa a diminuir? Acreditaram na política do governo e vão ficar tramados durante alguns, senão muitos anos. Não me parece que vão ser motivo de preocupação para o Luís, o problema vai ser deles. 

No capítulo da Defesa, em que impera outro crânio, parece que o governo autorizou a montagem do drone MQ-9 nos Açores. Veremos se não se trata de mais uma opção política completamente errada que nos pode trazer problemas futuros de segurança.

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Nota: este fim de semana foi o congresso do PS e tudo o que é analista e comentador encartado aproveitou para bater "no ceguinho". O costume, mas, de facto, faltou alguma chama e apresentação de propostas mobilizadoras e diferenciadoras. Parece-me que o José Luís Carneiro é inteligente e honesto, conhece os dossiers, acredita na solidariedade social e tem uma ambição legítima de governar e melhorar Portugal. Como não tem um grande carisma, tem que fazer um esforço de afirmação, com uma agenda própria e diferenciadora, não se focando tanto na cooperação com o governo, mas, antes,  apresentando-se como verdadeira opção ao governo. Espero que consiga ser uma opção segura e credível para os portugueses.

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E queiram, caso estejam para aí virados, continuar a descer. As últimas de Trump são cada vez mais perturbadoras. Já se referem a ele como um presidente delirante e acho que é isso, um doido varrido.

sexta-feira, novembro 07, 2025

José Luís Carneiro - temos homem
(E uma breve nota sobre a ministra dos tarefeiros)
-- A palavra ao meu marido --

 

Vi ontem a entrevista do José Gomes Ferreira, personagem de que não sou fã, ao José Luís Carneiro. 

Sabe-se da muito pouca simpatia que o Ferreira tem por tudo que lhe cheire a PS, da antipatia que revela quando entrevista essa malta e das ideias muito liberais que defende relativamente à economia. Curiosamente, na entrevista de ontem começou com o ataque habitual, mais ou menos disfarçado, de quando lhe aparece alguém de esquerda à frente e, aos poucos, foi suavizando a atitude acabando, digo eu, por mostrar alguma simpatia pelo José Luís Carneiro. 

Após dizer que a entrevista tinha sido muito interessante, convidou-o para nova entrevista para abordarem assuntos que não tinham tido tempo para tratar. 

De facto, o José Luís Carneiro foi firme, de bom trato, respondeu claramente às questões que lhe foram colocadas, demonstrou não apenas um conhecimento profundo e pormenorizado dos vários sectores como também saber discutir e analisar aspetos bastante técnicos como quando o Zé Gomes tentou entalá-lo relativamente ao orçamento. Foi sucinto, justificou as opções que toma e também os objetivos de algumas políticas do anterior governo PS. Foi coerente e será seguramente uma pessoa honesta que gosta de servir a coisa pública e não servir-se da coisa pública em proveito próprio. 

Gostei bastante da forma como respondeu e da solidez dos argumentos, tal como já tinha gostado da forma como esteve na entrevista deu ao Vítor Gonçalves. 

O José Luís Carneiro já foi presidente de uma autarquia e membro de vários governos, o que dá uma tarimba que o Montenegro, que não passou de deputado, não tem. Já chega de gajos de extrema direita a berrarem na televisão contra os mais frágeis e a mentirem com quantos dentes têm, como Ventura. Também já basta de pantomineiros a prometerem isto e aquilo e não cumprirem com o prometido como o Montenegro. Sendo certo que o eleitorado hoje o que quer é promessas e estilos "reguilas", não sei se apreciará a forma calma, segura, conhecedora e honesta como o José Luís Carneiro está na política. 

Espero bem que sim! 

Veremos.

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Nota: 

A ministra da Saúde, seguramente seguindo orientações do PM, andou a dar dinheiro aos médicos como se não houvesse amanhã tentando, assim, tapar o sol com uma peneira. Quando o governo percebeu que era impossível continuar a gastar á tripa forra armou-se em forte e decretou que os valores tinham que baixar. Os senhores doutores tarefeiros não gostaram. Entende-se, ninguém gosta que lhe paguem menos pelo mesmo trabalho. A ministra, seguindo a política do governo, que é da responsabilidade do Montenegro, não tomou uma única medida que tenha contribuído para melhorar o SNS. No entanto, admito que tenha cumprido o seu objetivo principal e do PM, dar cabo do SNS. Foram tão radicais que, com os aumentos e condições que deram aos médicos, arriscam-se também a constipar os privados.

segunda-feira, outubro 13, 2025

E mais alguns apontamentos sobre as autárquicas
--- A palavra ao meu marido ---
: 4º post no rescaldo das Autárquicas 2025 :

 

O PSD ganhou as autárquicas. Não terá sido uma vitória tão expressiva como ambicionavam nas capitais de distrito mas ganharam os distritos mais populosos que provavelmente não pensavam ganhar. 

O José Luís Carneiro após três meses à frente do PS e tendo, na minha opinião, feito um trabalho sério e persistente, conseguiu, ao contrário do que desejariam alguns grupinhos do PS e certamente pretendiam alguns comentadores encartados, repor o bipartidarismo e recolocar o PS como um partido de alternativa de poder à AD. Foi uma derrota mais doce do que amarga e foi também a consolidação da liderança que eu espero que tenha bastante sucesso do José Luís Carneiro. 

A derrota da Alexandra Leitão em Lisboa deve ser a derrota final do Pedro-Nunismo. Se olharmos para os resultados freguesia a freguesia percebe-se que as freguesias onde tendencialmente residem os mais abastados tiveram medo do "radicalismo" da Alexandra e das companhias mortáguas com que se rodeou. 

O Moedas que nunca quis discutir Lisboa, apostou sempre na mensagem do radicalismo e isso, como se constata, fez o seu caminho. Uma coisa é certa: fui recentemente passear no Chiado, na Baixa  e na zona ribeirinha e fiquei chocado com o estado da cidade. Estive também em Alvalade e a quantidade de lixo no chão é uma vergonha. No entanto, parece ser este estado de coisas que os lisboetas preferem. É o que é! 

O Ventura ganhou dez por cento do número mínimo de câmaras que tinha como objetivo ganhar e ficou atrás da CDU e do CDS, coisa que ele tinha declarado impensável aqui há dias. Como populista que é, veio cantar vitória quando na verdade teve uma derrota estrondosa só (relativamente) comparável  à da IL que ontem tentou passar por entre os pingos da chuva e parece-me que nem falou à malta.

Sobre a CDU já aqui escrevi ontem, não atingiu os mínimos mas ainda não foi totalmente corrida. Percebi ontem, depois da intervenção do Raimundo, que são como a ministra da saúde, definem estratégias que só dão porcaria mas insistem no erro para fazerem ainda mais porcaria. Um apontamento, a esquerda unida, incluindo a CDU, tinha ganho Lisboa e Porto. 

Quanto ao CDS alguém tem que dizer ao Nuno Melo que já basta de dizer tanta parvoíce.

Há uma outra conclusão, o pessoal está-se nas tintas para questões éticas e para comportamentos eventualmente duvidosos. Que o digam o Montenegro, a Maria das Dores Meira e o rapaz de Braga. 

E viva o Isaltino! Espero que tenha comido um belo lavagante.

Em Lisboa, Alexandra Leitão foi um tiro no pé do PS (um tiro disparado por Pedro Nuno Santos)
E os ganhadores e perdedores destas eleições

 

Na altura, em Janeiro, referi-o: Alexandra Leitão foi uma péssima escolha para presidente da Câmara de Lisboa

Pior ainda quando Alexandra Leitão, com o apoio do PS da altura, resolveu ressuscitar parte da Geringonça, atracando-se à tóxica Mariana Mortágua. Com isso, não foi um tiro, foram dois tiros. A vitória do insignificante e pantomineiro Carlos Moedas conseguiu ser expressiva quando, com o desastre que foi o seu primeiro mandato, facilmente qualquer outra pessoa -- que não Alexandra Leitão (com a Mortágua à ilharga) --, o bateria.

Aliás, basta ter ouvido a nulidade do discurso de derrota da palavrosa Alexandra Leitão para perceber a vacuidade e a inconsistência daquela pessoa. Uma nulidade de discurso que envergonha. Por comparação, atente-se no brilhante, embora humilde, comovente até, discurso de Pizarro, um grande democrata.

Tenho a certeza de que fosse José Luís Carneiro a ter feito a escolha e outro teria sido o resultado de Lisboa. 

Claro que, como o meu marido abaixo referiu, a cegueira política e a estupidez encartada do PCP foi uma preciosa ajuda para o Moedas. Não é de espantar: mais depressa o PCP dá a mão a gentinha desqualificada do que se une a alternativas de esquerda. Corresponde a 100% à definição de idiota: uma pessoa que faz coisas estúpidas que não beneficiam ninguém nem o próprio.

Mas agora foco-me no PS. O PS tem gente muito boa. Duarte Cordeiro ou Mariana Vieira da Silva, por exemplo, tirariam a Câmara de Lisboa de letra. E reconquistar a Câmara de Lisboa era importantíssimo pois Carlos Moedas, para além de um caguinchas e um oportunista, é uma lástima como presidente da maior autarquia do país.

O que me anima é pensar que o Pedro Nuno Santos já não fará mais disparates em nome do PS. Felizmente agora temos um pragmático, um determinado, um assertivo, um lutador, um trabalhador incansável, uma pessoa decente, um líder muito capaz. Sempre defendi que com José Luís Carneiro outro galo cantaria no PS, e a sua actuação enquanto líder tem vindo a comprová-lo. O PS voltou a erguer a cabeça e acredito que o País só tem a ganhar com pessoas sérias e competentes como ele.

Quanto a outras autarquias tenho ainda a dizer que algumas vitórias que não apreciei foram mais demérito de alternativas de fraquíssima qualidade do que mérito dos fracos autarcas que ganharam. Há ainda um caminho de maturidade democrática por alcançar, desde logo na conquista de prestígio ao exercer cargos autárquicos. Não faz sentido que em algumas listas, um partido grande como o PS, que tem gente altamente qualificada, avance com gente pouco convincente, fraquíssima. 

Finalmente o Porto. Teria ficado contente se Manuel Pizarro tivesse ganho. Gosto dele. É um verdadeiro democrata, humanista, republicano de gema. E simpaticíssimo. Mas acredito que o Pedro Duarte vai ser um bom presidente de Câmara. Pelo seu discurso de vitória e pela forma como se referiu a Manuel Pizarro confirmou ser um tipo decente. E tenho-o em conta de um tipo capaz, enérgico. Por isso, acredito que o Porto vai ficar bem. Foi uma boa escolha de Montenegro. E desejo-lhe boa sorte.

De resto, claro que o PSD ganhou inequivocamente. E não há dúvida que Montenegro, apesar das suas trapalhices spinunvívicas e das grandes debilidades em algumas áreas relevantes da governação, tem conseguido sobrevoar os escolhos e seguir adiante. É resiliente e dúctil e isso são qualidades físicas que conferem resistência e durabilidade a qualquer material. Disso não tenhamos dúvidas. Portanto, chapeau.

Quanto aos derrotados destas eleições são, de forma muito clara: 

  • a CDU, que, de derrota em derrota, caminha cega e resolutamente para a absoluta irrelevância, 
  • o BE, que me parece que já não existe, 
  • o simpático Livre que, autarquicamente, se dilui e desaparece,
  • a IL, que autarquicamente é invisível,
  • e o Chega, o partido que alavanca a fanfarronice do Ventura e que, sem a lábia dele, vale menos do que um .... (ai a palavra que me ia saindo...)

domingo, maio 25, 2025

Modo de pausa

 


Depois de ter esperneado com o resultado das eleições, ter espremido os neurónios tentando pôr em equação o ensarilhamento em que estamos metidos, depois de ter lido mil opiniões e ouvido cinquenta mil sapientes veredictos, o que tenho a dizer é o mesmo que sempre fiz em situações de berbicacho: bola para a frente porque para a frente é que é caminho.

Enquanto muitos dos meus colegas adoravam enfronhar-se em cansativos meas culpas ou em intermináveis sessões de lições aprendidas, eu sempre fui mais de me reunir rapidamente com quem tinha alguma coisa de inteligente a dizer (opiniões de burros ou de papagaios dispenso), tirar meia dúzia de conclusões, com essas conclusões e mais o que há pela frente traçar um caminho e... bora lá antes que se faça tarde.

Portanto, por mim já chega de andar a tentar a pisar e a repisar sobre o mesmo assunto.

É certo que continuo a achar que o Montenegro é um chico-esperto e que, nos 11 meses em que governou, não fez nada de jeito -- e o que pareceu melhorzinho foi a continuação do que vinha do anterior governo ou a distribuição de ma$$a, pois tinha folga (herdada) e sabia que as eleições estavam ao virar da esquina. Mas, enquanto a Spinunviva ou outras argoladas do género não o derrubarem, só espero é que faça aquilo para que foi eleito.

Quanto ao PS, sempre disse que achava que o Pedro Nuno Santos não era a pessoa certa para suceder a António Costa. O PS pela mão de Pedro Nuno Santos quase me levou a não votar no PS. Pedro Nuno Santos foi um erro de casting, como os resultados eleitorais mais do que demonstraram. 

Na altura, pareceu-me que José Luís Carneiro seria a pessoa certa. Mas, na altura, o Chega ainda gatinhava. Agora, os do Chega já andam em duas patas e já convenceram milhão e tal de pessoas que são os melhores para governar o País. Orwell cheirou-os a léguas (a eles e a todos os outros que têm feito o mesmo percurso). Não sei se, para a presente circunstância, José Luís Carneiro tem o carisma, o punch e a visão para levantar o PS e, ao mesmo tempo, para atirar o Chega ao tapete. Não estou a querer dizer que acho que não. Estou apenas a dizer o que disse, que não sei. Não o conheço suficientemente bem. Mas espero que sim. Espero bem que sim.

Face a este panorama, se eu fosse o Marcelo o que faria, antes de mais, em paralelo com as conversas oficiais com os partidos e off the record, seria chamar os directores de informação dos diferentes meios de comunicação social para os desafiar a fazerem um pacto (de regime) para que parem de andar atrás do Ventura. O Chega é o Ventura. E o Ventura é um demagogo, sem ética, sem vergonha. Mas é também um excelente comunicador. Criativo e bom comunicador. Consegue lançar ossos para a praça pública a toda a hora, mobilizando a agenda dos media. Só que os canais de televisão -- ou de rádio ou os jornais -- não são cães para irem atrás de qualquer osso, pois não? Se a Comunicação Social deixar de dar palco ao Ventura, o Chega esvazia-se. Provavelmente deveria ser a ERC a ter um papel pedagógico junto da Comunicação Social. Mas a ideia que tenho é que a ERC não risca, não serve para nada. Portanto, penso que deve ser o Marcelo (que tem muitas culpas no cartório em toda a instabilidade que atravessamos) a atravessar-se.

Identicamente, alguém deveria andar em cima das redes sociais dos partidos, em especial do Ventura e do Chega. Contas falsas devem ser denunciadas. Incitamentos ao ódio ou insultos devem ser denunciados. Há mecanismos legais para lidar com tudo. Não deve haver complacência.

Tirando isso, penso que, com toda a humildade, deve tentar validar-se se as percepções de tanta gente estão erradas ou se, pelo contrário, são legítimas. 

Dou alguns exemplos:

Como são atribuídos os subsídios? Como é que isso é auditado para verificar se não há abusos? Há gente que não faz nenhum e que vive, ao após ano, à pála de subsídios?

Há mesmo milhares e milhares de imigrantes que não trabalham e que recebem subsídios? 

Há mecanismos para acolher e integrar os imigrantes, em especial os que não falam português? 

E, pelo que se tem visto em algumas reportagens, os abusos que se têm detectado no SNS são altamente lesivos das contas públicas e, também pelo que tem visto, os processos administrativos, para além de permitirem toda a espécie de abusos, são manuais, precários e não há auditorias. Será que isto acontece generalizadamente? 

Tenho lido que em Portugal há mais médicos por habitante do que na maioria dos outros países. E, no entanto, há muitos milhares de pessoas sem médicos de família, é preciso esperar muitos meses por uma consulta banal (e sobre as de especialidade acho que ainda é pior). Parece que há sempre falta de dinheiro. E, no entanto, na volta o que há é dinheiro a mais, esbanjamento, aproveitamento, muita ausência de gestão, muito regabofe. Tenho defendido que a gestão de hospitais deve ser entregue a gestores profissionais. Não a médicos, não a gentinha dos partidos. Hospitais que gerem orçamentos de milhões têm que ser entregues a gestores competentes e profissionais. Numa altura em que a Saúde está tão mal, com Urgências fechadas, com tantos atrasos, se entregassem a gestão a profissionais não apenas se poupariam muitos milhões como os serviços melhorariam rapidamente. Se as pessoas começarem a ver 'saneamento' de gastos abusivos e melhoria no atendimento com certeza o paleio populista será esvaziado.

Quanto à habitação, também é preciso arranjar soluções urgentes: aproveitem edifícios públicos, adaptem-nos, alojem o máximo de pessoas. Rapidamente. Com assertividade. Com pouco paleio. E favoreça-se e apoie-se o ressurgimento de cooperativas de habitação. Apareçam com soluções concretas, rápidas, bem articuladas, bem acompanhadas, bem divulgadas. Esvazie-se o populismo.

Já disse e repito-me: é tempo de juntar esforços contra o populismo. E, enquanto a legislatura for avançando, o PS terá tempo para se reorganizar. Ou haverá tempo para aparecer um novo partido (caso o PS não consiga livrar-se do anquilosamento aparelhista, não consiga regenerar-se assimilando com inteligência o ar do tempo).

Mas, dito isto, agora vou continuar na mesma onda em que tenho estado nestes últimos dias: a ler, a curtir, regando, cozinhando, caminhando, estando em família, na boa. Agora nem tenho escrito. Tem-me apetecido descansar, estar em modo de pausa.

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Desejo-vos um belo dia de domingo

quinta-feira, março 06, 2025

O que aí vem

 

Não vejo como é que o PSD vai aceitar que quem irresponsavelmente atirou o País para eleições antecipadas, depois de andar a tentar esconder o que já estava à vista de toda a gente (e ando a ouvir dizer com alguma insistência que ainda mais está para vir a lume), seja o líder que vai conduzir a campanha eleitoral que aí vem.

Além disso, começam a ouvir-se outros nomes no seio do partido. Portanto, não sei se a instabilidade dentro do PSD não virá juntar-se à instabilidade em que Montenegro lançou o país.

Acresce que o tipo parece não ter noção. Faz coisas de uma leviandade que não lembram ao diabo. Baldou-se a uma cimeira da maior relevância e, ao mesmo tempo, é visto a transportar o carrinho dos tacos de golf enquanto, ao lado, o amigo da Solverde vai de mãozinhas. Podendo alojar-se na Residência Oficial de S. Bento, fica num hotel cujos custos não se percebe como paga com o ordenado que ganha, hotel esse onde se passam todos os grandes eventos do PSD, levando a que já haja quem tema que ainda venha a saber-se que está a ter um tratamento 'especial'. Dá ideia que é aquela mania que tem que quer, pode e manda e não tem que dar satisfações a ninguém. Aliás, na Assembleia da República, até deixou sair que 'tem mais que fazer do que estar ali a dar explicações'. Talvez por isso nem se tenha dado ao trabalho de informar o Presidente da República que ia fazer um anúncio no sábado à noite, rodeado pelo governo, que, mais que certamente, ia atirar o País para nova crise. Uma desconsideração um bocado surreal demais.

Portanto, sendo o menino do calibre que já se viu, o PSD vai aceitar ser conduzido para o desastre eleitoral sem tugir nem mugir?

Do CDS não falo. Não existe.

Do lado do PS, tenho algumas dúvidas. Numa lógica de que há que ter estabilidade, o Partido Socialista tem feito de tudo para que não haja crise: deixou passar tudo o que o PSD quis e agora queria tudo menos eleições. Pedro Nuno Santos queria fazer uns Estados Gerais ao longo de 1 ano para daí emergir um Programa de Iniciativas que desse origem a um programa de governo e uma equipa ministerial. Portanto, eleições agora é tudo o que o PS fez tudo para evitar. 

Mas as coisas são o que são. Num mundo ideal fazem-se as coisas ponderadamente, com tempo, step by step. Mas o mundo real geralmente atropela o mundo ideal. Portanto, situemo-nos no âmbito em que estamos, ou seja, no meio da confusão.

Sempre achei o José Luís Carneiro mais sólido, mais estruturado, do que o Pedro Nuno Santos. Mas não foi isso que o PS quis. Portanto, é Pedro Nuno Santos que tem que ir à luta. E só espero que se saiba rodear dos melhores. Há nos quadros do PS gente muito capaz, há que saber contar com eles. E há que saber recrutar gente capaz na sociedade civil, não necessariamente dentro do partido. Os timings são apertados, a conjuntura internacional é do caraças -- ou seja, nada disto é para meninos. Portanto, há o PS tem que dar ao pedal e manter a cabeça no lugar. 

Quanto ao PCP, tudo o que faz é ao lado, é cada vez mais uma nulidade, nem vale a pena pensar nisso. 

O Bloco está esvaziado, não sei se ainda consegue tracção para ir à luta.

O Livre não consegue agarrar senão um eleitorado restrito, mais intelectual e purista. Uma base eleitoral exígua.

A Iniciativa Eleitoral tem sabido manter-se sóbria, com intervenções racionais, sem embandeirar em arco, sem ceder a facilitismos. Provavelmente continuará a aguentar-se e talvez até a subir junto do eleitorado mais jovem e mais escolado.

Sobra o Chega. Nesta perspetiva, isto é, nas próximas eleições, para mim uma incógnita. André Ventura tem uma agilidade e habilidade mental notáveis. Consegue sacudir de si todos os escândalos que têm recaído sobre os seus deputados. É aquilo que se diz: nestes partidos, escândalos que não ferem o líder, não abalam as opções de voto dos simpatizantes. E, neste caso concreto, André Ventura pode capitalizar dizendo que, ao apresentar a 1ª moção de censura, fê-lo cedo demais pois o tempo (e não foi preciso muito) veio a dar-lhe razão. André Ventura consegue ocupar a agenda mediática: é sempre o primeiro a falar para a opinião pública, é sempre o primeiro a pronunciar-se e sabe falar com clareza e eficácia. Compreende-se que uma parte significativa da população se sinta confortável a votar nele.

Mais do que termos medo de André Ventura ou mostrarmos nojo do Chega, penso que o mais inteligente é perceber como é que a forma de comunicação deste partido e desta pessoa são tão eficazes. Abstraiamo-nos da demagogia, do populismo, da falta de vergonha e fixemo-nos na eficácia, no sentido de oportunidade, na construção das frases e na escolha das palavras. Talvez haja ilações que possam ser úteis.

Uma coisa é certa: a política de amiguismo, de nomeações por filiações partidárias, os 'tachos', levadas a cabo por partidos que têm ocupado o poder merecem profundo repúdio por parte da população. Ventura cavalga em cima disso. Mas o PS deveria interiorizar também estes princípios pois são essas práticas que minam a confiança do eleitorado.

Tirando isso, o que se me oferece dizer sobre tudo isto é que, para já, coitado do Marques Mendes. Ganda nóia.

domingo, novembro 19, 2023

Qual o melhor candidato a líder do PS?

 

Não sou nem nunca fui militante do PS. Nem de qualquer outro partido. Nem de coisa nenhuma. Não padeço de bairrismo, clubite, religião ou afins.

Mas, salvo alguma longínqua excepção, nas legislativas tenho votado no PS. É o partido com o qual mais me identifico. A democracia liberal, a que associa a democracia e a liberdade, o humanismo, o sentido de modernidade e de inclusão, são para mim fundamentais. E nenhum outro partido me dá a mesma garantia de respeitar estes valores. Claro que há, por vezes, desvios, aplicações defeituosas, mas não há, nesta vida, soluções perfeitas. Por isso, tudo sopesado, mesmo que, por vezes, não totalmente convencidos, há que, pelo menos, escolher  menor dos males. Temos que tentar alcançar as utopias mas com os pés na terra, com pragmatismo.

Apenas nas autárquicas,  algumas vezes, votei não-PS mas, quando isso aconteceu, foi por me parecer que o PS não tinha arranjado um candidato à altura enquanto o partido em que votei tinha um bom candidato.

No que se refere ao momento presente, um momento muito absurdo, em que um governo estável suportado numa maioria absoluta cai por uma situação que aparenta não ter pés nem cabeça, há que pensar com a cabeça e não apenas com o coração e, muito menos, com os pés.

Ainda agora a Moody's subiu o rating de Portugal, colocando-o acima do de Espanha. A credibilidade do País subiu consideravelmente e isso é extraordinário e é uma das muitas coisas que devemos ao bom Governo de António Costa.

A seriedade, a inteligência, o equilíbrio e a capacidade de superar obstáculos, internos e externos, alguns tão grandes, a capacidade de apresentar contas certas, de pagar a dívida (reduzindo os encargos com ela, libertando recursos para a economia), a capacidade de lidar com toda a gente, sejam as pessoas na rua sejam as mais altas instâncias internacionais, o profissionalismo e o total conhecimento de todos os dossiers revelados por António Costa colocam-no, certamente, ao nível dos melhores Primeiros-Ministros que Portugal já teve.

Mas as coisas são o que são, a pouca sorte pode bater à porta de qualquer um. Bateu à de António Costa. Só espero que, muito em breve, a sombra negra que paira sobre a sua cabeça desapareça para bem longe e que ele possa voltar a pôr as suas competências ao serviço dos outros.

Entretanto, porque a realidade não se compadece com estados de alma, há que escolher um outro líder para o PS.

Não podendo eu votar nas eleições internas do partido e não conhecendo especialmente bem nenhum dos candidatos, em especial o José Luís Carneiro e, ainda menos, Daniel Adrião, é com alguma hesitação que digo que, entre Pedro Nuno Santos e José Luís Carneiro, me parece que o último será um melhor primeiro-ministro, mais estável, mais sólido, mais credível.

Imagino que Pedro Nuno Santos, ousado e voluntarista, pode precipitar-se mais vezes, como já o vimos fazer várias vezes, dar passos maiores que a perna, atirar-se para fora de pé mesmo não sabendo para onde está a atirar-se e não estando certo de que ali consegue nadar. E pode aliar-se com quem está ao lado de Putin, ao lado dos que gostam de armar baderna, sem sentido de responsabilidade ou de Estado.

José Luís Carneiro não terá a graça, a malícia, o golpe de asa, ie, o carisma do Pedro Nuno Santos. Mas parece-me, no momento em que estamos e nas circunstâncias nacionais e internacionais que atravessamos, que será mais previsível, mais confiável, mais seguro. 

E, apesar de todas as minhas reservas -- grandes, grandes reservas -- a propósito do PSD, esse saco de gatos, esse amontoado de gente grande parte dela desclassificada, aqui o digo: se o PS ganhar as eleições mas sem maioria absoluta, com o que hoje sei, a bem do País, antes prefiro que o PS conte com o apoio do PSD do que com o apoio do PCP (que não consegue descolar de Putin e de vários outros ditadores, mesmo que assassinos) e do BE (que a maior parte do tempo está do lado da baderna, do espalhafato, da inconsistência).

Sendo certo que Pedro Nuno Santos gosta de se bandear para o lado do PCP e, creio que ainda mais, do BE, e acreditando que José Luís Carneiro, se necessário, será capaz de obter o apoio do PSD sem se deixar poluir pelas macacadas dos mais poluidores psd's, seria José Luís Carneiro que eu escolheria.

É isto. É o que é.