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domingo, outubro 04, 2026

De que é que ele tem mais medo? -- Que descubram que é estúpido

 

Po vezes quase descreio da bondade e da inteligência da humanidade -- humanidade lato sensu, leia-se. Ao mesmo tempo que escrevo, apetece-me ironizar, gozar comigo própria por parecer que estou a dramatizar.  E estou. Mas, ao mesmo tempo, forço-me a esfriar as ideias. Já aqui escrevi: se fizermos uma viagem literária às arrecuas (arrecuas temporais, entenda-se),  vamos ver que, em todas as eras e em todos os quadrantes, os escritores mais observadores ou mais dados à crónica social achavam que estava tudo mal, cada vez pior, que a classe dirigente era uma miséria, que a decadência moral estava a corrroer os alicerces do futuro. E, no entanto, o mundo foi andando, muitas vezes aos solavancos, aos pinotes, muitas vezes desviando-se dos caminhos morais, muitas vezes anulando o progresso que outros construindo. Mas foi andando. Não colapsou. 

No meio das descrenças e decepções, vamos, portanto, andando.

Pela parte que me toca, lembro-me de, colectivamente, termos atravessado períodos de incerteza, de crise, de desalento. Crises financeiras, guerras por motivos inventados, a pandemia -- por exemplo. No entanto, não tenho ideia de um período em que a descrepitude moral fosse tão gritante. Em muitos países elegem-se como representantes os mais ignorantes, os mais broncos, os mais mal-intencionados, os mais inescrupulosos.  Os países em que isso acontece são, assim, arrastados para situações inimagináveis, para guerras absurdas, para impensáveis derivas imperialistas, para cruéis atentados, para situações em que os mais pobres ficam mais pobres e os mais ricos se tormam destemidos e desencabrestados oligarcas.

Olho para o mundo e não reconheço lógica ou inteligência, vejo perigosos aventureirismos, vejo desatinos atrás de desatinos, riscos impensáveis nas mãos de irresponsáveis. Assusta-me o futuro.

Veja-se o que acontece em Espanha. Lá, como cá e por todo o mundo dito civilizado, não há casas para os mais pobres ou para quem está em início de vida. Grande parte das casas que estavam em arrendamento normal viraram-se para o alojamento local, em que o rendimento é muito maior e o risco muito menor. Por outro lado, face ao envelhecimento da população, grande parte da força de trabalho pior remunerado é levado a cabo por imigrantes que ganham pouco e não conseguem pagar uma casa cuja renda é superior ao que ganham. E o mal não está no valor das rendas pois parece que todas se arrendam. Ou seja, há procura para casas com rendas elevadas. Portanto, estar a olhar para isso é pura miopia. Esqueçam-se as casas que hoje estão no mercado. O problema não está aí, o problema está nas casas que não há. O problema está na escassez de casas, em número absoluto. Escassez. Fixemo-nos nisso e não no preço das rendas. E, claro, em particular escassez a rendas baixas -- habitação social pura e dura. Só por vistas curtas se pode pensar que o problema está nos senhorios ou nos despejos. Claro que se tem que dar garantias aos senhorios senão ou põem as casas em alojamento local ou vendem-nas ou fecham-nas. Portanto, deixem os senhorios em paz, tranquilizem-nos. O problema não está nos senhorios. O problema é que não há casas que cheguem, em particular casas que os mais pobres possam pagar. Os imigrantes amontam-se em quartos superlotados ou em bairros ilegais e os jovens não desandam da casa dos pais. Este é o problema. O problemão.

O Isaltino anda há que tempos a dizer isto mesmo: ponham-se casas no mercado, usem-se terrenos públicos para que neles se construam casas económicas (porque, terrenos privados, a preços de mercado, são caríssimos, e isso encarece logo o preço final das casas; deixem-se os terrenos privados para casas dirigidas à classe média ou média-alta). Vi que em Espanha, perto de Madrid, o município pegou em terrenos públicos, estabeleceu uma concessão de 75 anos a privados que lá construam casas económicas. E em cerca de 3 anos eles fizeram isso. Num condomínio com parque iinfantil, piscina, boas condições e a cerca de 30 minutos de Madrid, um T2 ou T3 arrenda-se à volta de 1300 euros. E note-se que o nível de vida em Espanha é superior a Portugal. Por isso, o que impede que os municípios em Portugal peguem também em terrenos devolutos (e, se necessário, alterem o Plano Director), e façam parcerias público-privadas para construirem e arrendarem prédios com fartura, bem pensados, bem integrados, bem urbanizados, com T0 e T1 a 500 euros, T2 a 700, T3 a 900? Por exemplo. Mas muitos prédios. Acabe-se com os bairros clandestinos e com a indignidade dos quartos com gente a monte. Caraças. Custa muito perceber isto?

Eu insurjo-me mas, pelos vistos, custa. Porque, em vez de se pensar na solução e de se pôr pés a caminho e mãos à obra, anda-se à volta, à volta, à volta, e discutir tudo menos o que é relevante. Fazer casas baratas, pegar em prédios públicos e reconvertê-los, pôr no mercado casas a pontapé a preços baratos, népias. Só conversa -- e acção zero, bola. Um atraso de vida que até dói.

Em Espanha, perante a crise e perante as manifestações, com as Portas do Sol transformadas num acampamento, quando Pedro Sánchez quis fazer qualquer coisa para atenuar um pouco o problema, o resto dos partidos boicotaram-no e a lei não passou. A direita e os populistas, uma vez mais, a ensarilharem tudo.

E, no entanto, as pessoas votam nesta gente que faz muito barulho, que atiçam multidões, mas que, na verdade, não têm nenhuma solução. Os deputados que fizeram isto, estão no Parlamento porque foram eleitos. Parte da população elege os mais trauliteiros, mais arruaceiros, mais incompetentes, mais estúpidos.

É como nos Estados Unidos, o exemplo mais acabado da suprema estupidez colectiva. Apesar de ser um cretino, um estupor, um corrupto, um desavergonhado, um anormal que já levou não sei quantas empresas à falência, já não sei quantas vezes condenado, com um passado infecto de atentados contra mulheres, um narcisista maligno que não respeita a democracia, um ignorante que nunca leu um livro na vida, Trump foi eleito pela segunda vez. E, apesar de todos os dislates, de todas asneiras que já fez -- e asneiras é palavra fofa para designar os atentados de toda a ordem que cometeu -- a verdade é que continua ainda a ter uma percentagem significativa de apoiantes. 

Ensarilhou o mundo: uns pagam com a vida, outros pagam com carteira cada vez mais vazia. E vamos ver como vão correr as eleições de Novembro. Tudo o que faz corre mal, o que não espanta porque só faz porcaria. Mas é inspirado nele, no seu descaramento, no seu populismo, nas suas mentiras, na sua forma prepotente e aldrabona, que muitos movimentos políticos, por todo o mundo, se inspiram. 

Quem conhece bem Trump é Michael Wolff. Gosto imenso das suas análises, quando conversa com Joanna Coles. Esta última conversa é muito elucidativa. Seria bom que se pensasse nele como pessoa, como o ignorante, o estúpido e cobardolas que é, e não como se fosse um político normal.

E, na volta, passa-se o mesmo com os estúpidos que por aí andam, a fazerem de tudo para que ninguém descubra que são umas nódoas, uns zeros. Esta conversa é tanto mais interessante quanto revela os mecanismos de defesa (que, muitas vezes, se transformam em mecanismos de ataque) a que provavelmente todos os estúpidos com poder sempre recorrem.

Estas são as 10 coisas que mais aterrorizam Donald Trump | Inside Trump's Head

Michael Wolff e Joanna Coles revelam os medos que, segundo eles, impulsionam Donald Trump — desde o medo de ser exposto como pouco inteligente e incapaz de absorver informação até ao pavor da rejeição, do ridículo, da solidão e de perder o protagonismo. Wolff relata os esforços extraordinários alegadamente feitos para manter o historial académico de Trump em segredo, explica porque é que uma conversa comum pode deixá-lo vulnerável e descreve um presidente que precisa de uma audiência, mas que se esquiva ao contacto humano genuíno. Ao analisar como estas inseguranças moldam os seus ataques, obsessões e recusa em aceitar a derrota, Wolff oferece uma previsão arrepiante de como Trump poderá preservar o seu poder depois de deixar o cargo — e porque é que a sua sede de atenção poderá nunca o deixar desaparecer.


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Desejo-vos um belo dia de domingo

domingo, junho 21, 2026

O tempo dos broncos

 

Quando estou mais para o zen do que para a truculência, abro o computador e só me apetece falar dos meus jovens, ex-pimentinhas, agora já todos grandes e bonitos, bem dispostos, brincalhões. Aliás, tão zen que, antes de ter energia para levantar a tampa do portátil, adormeci profundamente. O meu marido bem tentou interromper-me mas a pancada era grande demais. Acordei a ver o Trump no seu primeiro mandato, em melhor forma do que agora mas já só a fazer disparates, a dar conta da cabeça dos chineses. E deve andar por aqui alguma melga porque acordei com comichão num braço.

E agora, ao ver as notícias, constato o que já todos estamos fartos de saber: salvam-se alguns, não muitos. Por exemplo, a Meloni, apesar de tudo, tem mostrado que os tem no sítio. Mas, se pensar no que se passa por cá ou no que se passa no país dito mais relevante do mundo, só posso concluir que os broncos devem ter algum mérito para conseguiem convencer os parvos e para conseguirem aguentar-se nos lugares de poder.

Para mim, um bronco é um tipo que inventa problemas, que se enrola de todas as maneiras possíveis e imaginárias para ver se os consegue resolver, depois, quando não consegue desenrailhar-se dos imbróglios que criaram, começam a culpar toda a gente, por fim já querem é safar-se da embrulhada seja de que maneira for e, depois de terem andado a dar trabalho, a gastarem e a fazer gastar dinheiro e paciênciaa toda a gente, na melhor das hipóteses, no fim, fica tudo igual ao que estava antes mas, o mais frequente, é que fique tudo pior.

Com o Montenegro temos exemplos disso por todo o lado. Por exemplo, na Saúde arranjou uma ministreca que começou por correr com um fulano que era reconhecido por toda a gente como super competente, o Fernando Araújo, que estava a tentar pôr ordem no SNS. A a partir daí foi sempre a descer. Demitiu dezenas de gestores, despeja dinheiro para cima de toda a malta que rabeia, inventa desculpas para tudo e mais alguma coisa e, no fim, ou seja, agora, depois de desequilibrar mais as contas, está tudo pior do que estava. E isto não sou eu, humilde observadora, que o digo: são todos os relatórios técnicos e independentes que o demonstram. Na Habitação tem sido o descalabro: isentou de IMI, IMT e sei lá que mais todas as compras de casa para crianças até aos 35 anos. E fez mais não sei o quê, que já lhe perdi a conta. O que sei é que o preço das casas disparou como nunca, um foguete que subiu mais rápido e mais alto que na maioria dos outros países. No Trabalho tem sido o festim a que se tem assistido. Arranjou uma Madame que empreendeu num espantalho com nome de Pacote. Ninguém lhe tinha encomendado o sermão. Foi ela e o Luís que desarrincaram tão destrambelhada ideia. Começaram por andar a fazer perder tempo a patrões e sindicalistas. Pelo meio iam insultando alguns que, por fim, se retiraram da palhaçada. Findo o circo da Concertação, levaram o espantalho, já na versão aborto, para a Assembleia. Aí, canhestros e azêmolas como só eles, resolveram montar-se a cavalo num lacrau asnento. E o País assistiu, entre o boquiaberto e o saturado, a mais um par de coices e a mais uma ferroada do lacrau que, assim, mostrou a todos que de gente desta desenvergadura nada de respeitável se pode esperar.

Nos Estados Unidos o que se vê é um fulano em decomposição, fisicamente decadente, a dormir em público, um narcisista a mandar pôr o nome em tudo o que é canto e esquina, a inventar toda a espécie de loucuras, com aldrabices que não lembram ao diabo (veja-se o que inventou agora sobre a Meloni, que a levou a desmenti-lo com todas as letras), a perseguir os mais indefesos, a tirar aos pobres para dar aos ricos, a mandar a Justiça ir atrás de quem ele não gosta e a indultar todos os criminosos que o apoiam, a ser corrompido à descarada, a tomar decisões erráticas e contra a ciência e contra o mais elementar bom senso, a destratar aliados e a bajular ditadores, a ameaçar invadir ou anexar território alheio, a raptar um presidente de um outro país e a roubar-lhes o petróleo, a ir de braço dado com Israel bombardear o Irão, matar gente indefesa, nomeadamente as crianças de uma escola, e arranjar um trinta e um do qual agora não consegue sair pelo seu próprio pé, já se prestando a sair de fininho, dando aos iranianos o que eles quiserem. Onde não havia antes problema que lhe dissesse respeito, depois de matar imensa gente, de destruir o que não devia, de gastar biliões, agora anda a ver como sair da enrascada. E, no meio disto tudo, centra-se noutros assuntos que também não eram problema para ninguém mas dos quais resolveu fazer cavalo de batalha. Por exemplo, o tema do 'lago', em frente do Memorial Lincoln. Meteu na cabeça que o Reflection Pool haveria de ser azul transparente e apregoou que de piscinas percebe ele. Gastou cerca de 14 milhões de euros, de caminho insultou os presidentes anteriores por não terem sabido manter o lago limpinho, publicou fotografias fake em que se mostrava ao banho com o JD Vance e o Mark Rubio como se equilo fosse uma piscina. Pois bem. Foi resolver um problema que não existia e aranjou um outro ainda maior. 

A imagem do Trumpalgas foi gerada pelo Chatgpt
Nota: na realidade, o que os funcionários andam a despejar são garrafinhas mais pequeninas do que as que aqui se veem

O lindo laguinho azul virou verde, cheio de algas. Pior: o revestimento está a descolar-se. Nas bordas andam funcionários a despejar pequenas garrafas de água oxigenada e de lixívia e outros com camaroeiros. Virou chacota nacional. Nada que incomode os MAGA que já veem nisso uma conspiração: não só olham para as águar verdes e algacentas e as veem azuis, como acham que é tudo embuste dos democratas.

Há sempre burros ainda mais burros do que os burros que conhecemos. Os broncos atraem os broncos. Os broncos mais burros veem-se representados pelos burros que, nas redes sociais, lhes aparecem como ilustres.

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O fiasco do espelho de água de Trump ganha uma reviravolta ao estilo "Greenwatergate"

O jornal The New York Times refere que a confusão causada pelo espelho de água verde de Trump tem agora uma nova e sinistra reviravolta: um contrato de limpeza sem concurso ligado a um doador de Trump e vizinho de Mar-a-Lago.

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Desejo-vos um belo dia de domingo

segunda-feira, março 16, 2026

Pessoas com QI extremamente elevado...?


Não que eu sofra demasiado do chamado síndrome do impostor mas, com alguma frequência, ainda me surpreendo ao constatar que pessoas que se sentem extremamente autoconfiantes e que exibem grande conhecimento e à vontade oratório, quando postas à prova, vêm a revelar-se, afinal, bem mais limitadas do que ostentavam, não tão mais intelectualmente superiores que eu como, à primeira vista, se poderia pensar.

Um exemplo disso, que ficou muito marcado em mim, tem a ver com a minha entrada na faculdade. Uma das cadeiras daquele horroroso 1º ano era um pesadelo, uma coisa difícil de descrever. Pelo menos para mim era. A sala era enorme e não era em anfiteatro. Imagino que haveria lá, à vontade, para cima de cem pessoas. Só se devia ver bem na primeira ou na segunda fila. Mas eu não me sentia bem ali à frente, no meio de gente tão marrona. A professora era baixinha, mal se via das últimas filas, e falava muito depressa, tinha péssima dicção. E enchia quadros gigantes a grande velocidade. Para conseguir transcrever tudo o que ela dizia, eu não tinha tempo para processar. Se me atrasava, perdia-me de todo pois o quadro estava pejado de gatafunhos despejados a granel. Ela não contextualizava, não enquadrava. Limitava-se a despejar. E eu não conseguia acompanhar aquela enxurrada permanente de matéria. Vinha de ser a melhor aluna do meu ano na minha escola e, ali chegada, sentia-me a mais burra das criaturas. Parece que quase toda a gente percebia tudo, menos eu. No início da aula, havia uma dúzia de alunos que iam, muito íntimos da professora, colocar questões sobre trabalhos que tinham feito em casa. E pareciam dominar tudo de trás para a frente. Eu vinha também de um ambiente de convivência permanente, de muitas festas de aniversário e tardes dançantes, idas ao cinema e passeios à beira mar, muita amizade, namoros, alegria e irreverência. Pois ali ninguém queria saber de nada disso. Todos pareciam bem comportados, só queriam saber de engraxar os professores e estudar, e, mal acabavam as aulas, todos se evaporavam. Pensei seriamente em desistir. Parecia não me enquadrar ali. Nas outras cadeiras não era tão grave mas, ainda assim, o padrão era o mesmo: matéria despejada aos baldões, sem enquadramento, sem que os professores explicassem o interesse, a utilidade ou a beleza do que ali se ensinava. Mas parece que só eu me incomodava com aquilo e me sentia desajustada e, sobretudo, sem conseguir captar e assimilar quase nada do que ali se passava.

Vieram os primeiros exames. Salas gigantes, mesas individuais, completamente separados uns dos outros. Nunca antes eu tinha feito um exame, tinha dispensado sempre. Estava enervada e com a sensação que ia ter a pior nota de entre aquele batalhão de gente iluminada. Ia humilhada por antecipação. Achava que os resultados confirmariam que tinha que mudar de curso.

Fiz o que pude com a sensação de aflição de ver ali coisas que não sabia ou para as quais não tinha tempo para conseguir pensar e resolver. Nunca antes tinha passado por essa sensação. Saí de lá a pensar que se reprovasse não me admiraria nada. Apenas a uma cadeira fui com confiança, com a consciência de que sabia apenas uma pequena parte do que havia para saber mas com a sensação que tinha conseguido tocar o véu que envolvia aqueles assuntos que me pareciam tão fascinantes.

Quando saíram as notas, ia com o coração aos saltos, mentalizada para o pior. Naquela cadeira horrível, em que me sentia a mais burra da sala, vi uma pauta cheia de números encarnados à frente dos quais se escrevia 'reprovado'. Até que cheguei ao meu nome. 12. Nunca tinha tido uma nota tão baixa em toda a minha vida... mas, caraças, não sabia como mas tinha conseguido passar... Em contrapartida, quase toda aquela gente que exibia despudoradamente sapiência e à vontade tinha reprovado. Uma razia. Fiquei espantada, nem conseguia perceber. 

(Nas outras disciplinas tive notas um pouco mais altas e, naquela de que gostava mesmo, tive uma nota mesmo muito alta.)

Para mim foi uma lição. Assistindo ao comportamento das salas, eu não daria nada por mim. Certamente ninguém daria nada por mim. Sentia-me limitada, desajustada, burra. E, afinal, ao sermos avaliados, os resultados provavam o contrário do que parecia.

E ao longo de toda a minha vida constatei isto mesmo: nem sempre os mais exuberantes, os mais imediatistas, os mais extrovertidos, os mais autoconfiantes, os que sabem tudo e nunca se enganam, os que dizem que estão tão certos da sua razão que se fizessem a mesma coisa que fizeram há vinte anos, fariam exactamente da mesma maneira, são os que mais sabem. 

E não digo isto para me auto-valorizar pois estou muito longe de ser a última batata frita do pacote ou a última coca-cola do deserto ou porque o que eu sou ou deixo de ser não tem qualquer interesse nem para mim nem para ninguém. Digo isto porque estou farta de ver comentadores de tudo e mais alguma coisa, todos a falarem de qualquer assunto, todos a saberem de tudo, todos muito convictos das suas razões, todos a dizerem uma coisa e o seu contrário sem pestanejarem, picaretas falantes. Começa uma guerra aqui ou ali e eles sabem tudo, detêm o ex-príncipe André e lá estão eles, a saberem tudo sobre a Casa Real britânica, depois há um ataque a uma sinagoga e aí estão eles, a saberem tudo sobre religiões e história e geografia associada ao tema. Antes, na minha adolescente inocência, eu teria pensado que são todos tão inteligentes, tão sabedores, tão fantásticos, que nem dava para imaginar, e sentir-me-ia burra por não lhes chegar aos calcanhares. Hoje o que penso é que mais valia que não se desse tanto palco a tanto papagaio. A poluição que tanto comentário gera é atrofiante. E cansa. 

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Estou a ver a reportagem da entrega dos Oscares, mas como, até agora, está a ser muito sensaborona, com aquela minha mania de estar sempre com um olho no burro e outro no cigano (ditado popular que se calhar se tornou inconveniente...😏), estou, ao mesmo tempo, a ver o youtube. E apareceu-me um vídeo interessante, que fala um pouco nestes aspectos. 

Se V., meu Caro/a Leitor/a, quer saber se é muito inteligente ou se nem por isso, veja se se identifica com as características que aqui se enunciam (isto partindo do princípio de que quem fez o vídeo sabe do que fala).

Psicologia das pessoas com QI extremamente elevado

Já alguma vez se perguntou por que as pessoas extremamente inteligentes parecem, por vezes, um pouco diferentes?
Elas nem sempre são as mais barulhentas na sala.
E não sentem a necessidade de provar o quão inteligentes são.

Mas, se observar com atenção, vai notar pequenos sinais no seu comportamento que revelam como a sua mente funciona.

Segundo a psicologia e a neurociência, pessoas com QI muito elevado costumam desenvolver hábitos que refletem a forma como processam informações, analisam situações e entendem o mundo à sua volta.

Neste vídeo, exploram-se 10 hábitos que são comuns entre pessoas com inteligência acima da média.

Descubra:
• Por que pessoas inteligentes adoram passar tempo sozinhas
• Como a curiosidade se torna um motor mental poderoso
• Por que falar consigo mesmo pode melhorar o controlo da mente
• Por que dizer “Não sei” é algo natural para elas
• A ligação surpreendente entre pensar demais e inteligência
• Por que ter bom humor está ligado a um cérebro avançado
• Como a flexibilidade mental permite mudar de opinião com base em novas evidências
• Por que alguns se sentem mais alertas e criativos à noite
• O poder de observar mais do que falar
• E por que procuram sempre um significado mais profundo na vida

Este vídeo não é só sobre inteligência.
É sobre entender a psicologia humana, os padrões de pensamento e a forma fascinante como o cérebro interpreta o mundo.

A verdadeira inteligência nem sempre se faz ouvir.
Às vezes, é uma mente tranquila que continua a questionar, analisar e explorar.

Mantenha-se curioso. A mente humana é muito mais fascinante do que imaginamos. 


Se gosta de descobrir a psicologia por trás do comportamento humano e entender como a mente funciona, inscreva-se no Psychology Insight para mais vídeos como este
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Desejo-vos uma boa semana

sábado, novembro 18, 2023

Explicação aos estúpidos: 'O que significa um Primeiro-Ministro não ter amigos?'

 

Quando eu trabalhava, usava, por vezes, uma expressão idêntica (salvo as devidas distâncias) à que António Costa usou no outro dia.

Em especial, quando fui responsável pelas Exportações e pelas Compras das Empresas para as quais trabalhava e em que tinha por função comprar e vender nas melhores condições possíveis (baixo preço ao comprar, preço alto ao vender), quando me invocavam relações de longo prazo para obter condições de algum favor ou condescendência, eu dizia: 'um director não tem amigos'.

Numa vez em que comprávamos regularmente uma matéria prima (que, de cada vez que era adquirida, custava a preços de hoje, milhões de dólares), decidi não a comprar ao fornecedor mais usual por não estar a fazer as condições que eu queria. O vice-presidente dessa companhia internacional meteu-se num avião para vir tomar-se de razões comigo e, já o contei aqui, foi uma das raras vezes em que, intimamente, me senti vagamente intimidada. Tínhamos tido, de manhã, uma acesa discussão ao telefone em que ele não conseguia aceitar que eu mudasse de fornecedor. De tarde, sem que eu o esperasse, apareceu-me à porta do gabinete. Muito alto, muito bonito, muito charmoso... e furioso. Estava chocado com a minha decisão e tentou dar-me a volta ao vivo e a cores e, se eu não cedesse, já tinha pedido uma reunião de urgência com o presidente da empresa. Não cedi, claro e toda a minha argumentação se baseou em que 'um responsável por fazer negócios não tem amigos'. 

Não teve outro remédio senão encaixar até porque, obviamente, eu estava respaldada. Mantivemo-nos amigos mas, a partir daí, ele passou a tratar-me por 'UJM, la femme infidèle' (claro que, em vez de UJM, dizia o meu nome).

Mais tarde, enquanto membro de uma Comissão Executiva, dizia isso a torto e a direita. Se queriam aumentos ou promoções, aceitação de dilatação de prazos ou o que fosse, e se se posicionavam como sendo nós conhecidos de longa data, tinha que lembrar que a minha função não tinha amigos.

Ou seja, é a função que não tem amigos. No trabalho, temos que ter distanciamento, não podemos tomar decisões com base em afectos ou emoções.

Quando António Costa disse que 'um Primeiro-Ministro não tem amigos' é isso. Enquanto Primeiro-Ministro gere o que tem a gerir com base em critérios racionais, objectivos, e não com base em amizades.

Ele, enquanto pessoa, tal como eu, enquanto pessoa, temos os amigos que temos. Mas não é no patamar da amizade que tratamos de assuntos profissionais.

Contudo, por todo o lado, desde jornalistas descerebrados a comentadores avençados, toda a gente diz que António Costa disse que ele, ele próprio, não tinha amigos. Ora não foi isso que ele disse. Ele não disse: 'Eu não tenho amigos'. Ele disse: 'Um Primeiro-Ministro não tem amigos'.

Creio que apenas sou lida por pessoas inteligentes pelo que terão percebido isso desde que António Costa falou. Mas caso conheçam gente burra, dessa que não consegue perceber a diferença entre uma coisa e outra, peço que façam o favor de encaminhar este meu mail.

Agradecida.

quinta-feira, outubro 12, 2023

Noites em que se desce ao fim da noite


O que está a acontecer em Gaza e em Israel deixa-me sem palavras. Parece que, por vezes, em algumas partes do mundo, alguma pessoas parecem querer fazer-nos convencer que o mundo é de loucos. 

Há gente que consome a própria vida e a dos outros a congeminar no mal, há gente inclemente, há gente que parece desabitada, gente sem amor à vida ou aos outros.

De quantas mortes precisam pessoas assim até conseguirem perceber a finitude e a irracionalidade de tudo? De quantas mortes precisam pessoas assim até perceberem que a loucura que as habita é absurda, sem propósito?

Numa situação dramática como a que se vive neste momento, não vou desfiar argumentos ou fazer contabilidades. Tudo isso é contraproducente. Numa situação destas, uma pessoa só pode querer que acabe depressa e que se enterrem todos os rancores. Qualquer ajustamento de contas que se faça só levará a mais mortes. Há ciclos ruinosos, letais. A única coisa a fazer é enterrá-los. Começar de novo. 

A solução tem que ser política, generosa. 

Mas temo que muito sangue ainda vá correr e que muita dor, muito sofrimento, muita desumanidade venham ainda a ver a luz do dia.

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Palestinian Poet Describes Life in Gaza Amid Israel’s Retaliatory Attacks 

| Amanpour and Company

With Gaza’s main electrical plant shut down, the Ministry of Health is saying hospitals on generators will run out of fuel by Thursday. These facilities are already overwhelmed, as Israel continues to hammer Gaza with retaliatory airstrikes. More than 1,100 have been killed, according to the latest statement from the Palestinian Ministry of Health. The number includes four paramedics whose ambulance was reportedly bombed. Christiane speaks with a resident of Gaza about what is happening on the ground.

Originally aired on October 11, 2023


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Mas, se os humanos, alguns humanos, são desprovidos de humanidade, há animais que a têm e muita. Veja-se os burros.

Orphaned Donkey Can’t Stop Hugging Her Rescuer

The beautiful and emotional journey of an orphaned donkey getting adopted by a pack of dogs will surely make your day.

Kadife’s mother was abandoned on the streets while she was heavily pregnant. The mother died giving birth to Kadife and the little donkey was confused and stayed beside his dead mother until she was found by the right people who changed her life. 



Desejo-vos um dia tão bom quanto possível. 
Saúde.
Paz. Paz. Paz. Paz. Paz. Paz. Paz. Paz. Paz. Paz. Paz. Paz.