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sábado, abril 11, 2015

O êxtase


Os filmes publicitários franceses para perfumaria sempre tiveram qualidade, sofisticação. O novo filme para L'Extase, o perfume Nina Riccici vai um pouco mais além.





Laetitia Casta excede-se em erotismo neste vídeo de Gordon von Steiner e uma coisa é certa: L'Extase é um perfume que, pelo menos a nível publicitário, não passa despercebido. 


E permitam-me um conselho: 




Na próxima vez que um de vós estiver sozinho num elevador com um ilustre desconhecido/a nada de se lembrarem deste anúncio...



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Este é, certamente, um caso que ilustra bem a arte que está por detrás da identificação do factor que mais facilmente induzirá a venda de um produto. É que, na perfumaria como noutros produtos de alto valor acrescentado, o que se vende não é o produto, é antes a ilusão que se consegue associar ao produto.

Recordo um clássico da publicidade e do marketing em geral - Harley Davidson doesn't sell motorcycles; it sells a lifestyle.

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Permitam: sobre super-heróis, o sexo, idade e a matemática queiram, por favor, descer até ao post seguinte.

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quarta-feira, janeiro 18, 2012

Concertação Social, Legislação Laboral, Competitividade, UGT - mitos e tretas e, se me permitem, a minha solução para a crise (não brinco eu serviço, eu). E, de brinde, um pouco de l'air du temps


A parvoíve é tanta que se torna fastidioso enunciar.

Primeiro, o importante, para salvar a economia, era baixar a TSU: lembro-me de um debate entre Passos Coelho e Sócrates, este último descrente e Passos Coelho, fundamentalista e tonto, a querer que Sócrates dissesse ali mesmo, naquele instante, quanto ia baixar, se era 4 se 8%, coisa que Sócrates obviamente evitou responder.

Nessa altura, escrevi aqui várias vezes, demonstrando o absurdo que isso seria, prejudicando seriamente a já de si débil sustentabilidade da Segurança Social (em sentido lato), e não acrescentando nada à competitividade da economia. Nenhuma esperteza da minha parte, apenas aritmética. Felizmente a medida foi abandonada. Um dos grandes cavalos de batalha de Passos Coelho caíu, portanto, por terra.

Eis senão quando algum esperto teve a ideia peregrina de substituir a tontice da descida da TSU por outra tontice, a subida do horário diário de trabalho em meia hora. Também aqui tive ocasião de me pronunciar. Não leva a lado nenhum e só vem causar constrangimentos práticos de vária ordem. Meses de desgaste e negociações improdutivas à volta desta parvoíce que a ninguém agradava, nem sequer aos patrões. Caíu, é claro.

E ontem, depois de muita conversa e de cedências por parte da UGT, eis que lá chegaram a acordo em sede de concertação social.

Aqui chegados tenho que fazer uma declaração e peço desculpa aos que a vêem pela segunda vez pois já não é a primeira vez: nunca fui sindicalizada, sempre me incomodei com as posições da CGTP que, mais que uma agenda pró-laboral, tinha uma agenda política contra-o-poder, qualquer que ele fosse; nunca, nas legislativas votei no PCP (muito menos nos partidos à esquerda deste) – mas já votei PC nas autárquicas; na maioria das vezes votei PS (e sempre na lógica do O’Neill: não me apetece mas voto PS – e, se o fiz, foi sempre com a consciência que seria o menor dos males); mas também já votei no PSD e, nas europeias, no CDS. Ou seja, quando tenho que votar, em consciência, analiso os objectivos e as condicionantes face à oferta partidária e, geralmente contrariada (porque a oferta me parece quase sempre aquém das necessidades), lá faço a minha escolha.

Ou seja: não tenho qualquer costela sindicalista ou esquerdista. Também não me revejo no estilo apocalíptico de Medina Carreira.

Mas quero aqui dizer que acho que todas estas medidas de que se vai ouvindo falar, tais como estas grandes e memoráveis alterações na concertação social, são pouco mais do que tretas.

Em minha opinião, nada daquilo resolve o que quer que seja em relação aos problemas endémicos do país e penaliza inutilmente os trabalhadores. 

O país não é competitivo porque lhe falta uma estratégia de desenvolvimento -  e esse é o problema,  o grande problema.

Quem está mais por dentro dos meandros da gestão, conhece certamente a metodologia dos Balanced Scorecard. Uma estratégia, qualquer que seja, pressupõe que se defina um objectivo global e que se perceba que assenta basicamente em quatro pilares: o do mercado, o dos processos, o financeiro e o do conhecimento. Isto aplica-se na gestão de empresas, de projectos, de organizações de qualquer tipo e, porque não?, à gestão estratégica de um país.

Ou seja, trocando por miúdos: em primeiro lugar, temos que encontrar qual o objectivo que, a partir daí, vamos perseguir (vamos supor, de uma forma muito simplista:  ter um crescimento anual sustentado ao longo dos primeiros 5 anos, nunca inferior a um ponto percentual acima do valor da inflação e, nos 5 anos seguintes, nunca inferior a 2 pontos percentuais acima do valor da inflação ).

A seguir, tem que se definir o que temos que fazer para o alcançar, em cada uma das quatro vertentes.

Por exemplo, na vertente Mercado:  junto à orla costeira apostar no sector Mar (desenvolver pescas, aquacultura, investigação marítima, bio farmacêutica e cosmética marinha, alimentos baseados em produtos do mar, etc, etc) e, mais no interior, apostar no sector Moda (confecções, calçado, malas, tecelagem, etc) e junto às universidades, apostar no sector Conteúdos Multimédia (aplicações para iPads, jogos para computador, para telemóveis, etc, etc, etc) e por aí fora.

A seguir na vertente Processos: então se vamos apostar naqueles sectores, vamos ver o que temos que fazer. Por exemplo: construir barcos, fabricar equipamentos para os navios, equipamentos de monitorização de parques de aquacultura, fabricar ferramentas, fabricar fibra de vidro para não sei o quê, etc, etc e o mesmo para os restantes sectores a desenvolver.

A seguir na vertente Financeira: então se vamos ter aquelas fábricas e aquilo tudo, de quanto dinheiro vamos precisar e onde vamos arranjar esse dinheiro, e qual o retorno esperado para vermos a viabilidade dos investimentos.

Finalmente na vertente Conhecimento: se vamos fazer aquilo e se vamos precisar de fazer fábricas, programar, apostar na moda, etc, etc, de que recursos humanos vamos precisar – engenheiros mecânicos, engenheiros informáticos, engenheiros têxteis, pessoas que saibam de design, pessoas de marketing para divulgar junto do mercado, pessoas que saibam de vendas e compras em mercados internacionais, juristas de direito comercial em contexto internacional, etc, etc. – e vamos preparar uma estratégia ao nível do ensino, da formação profissional, e, uma vez que tudo isto é para melhorar a vida das pessoas e porque, pessoas felizes e motivadas produzem muito mais, vamos parar de lhes atentar o juízo legislações laborais, aumentos de impostos e o escambau, etc, etc, etc.

A seguir, para cada vertente, vamos fazer um planeamento articulado, calendarizado, estabelecendo parâmetros de monitorização para garantir que a coisa avança coordenada e alinhada em todas as frentes, ao longo de todo o período de implementação da estratégia.

E vamos atribuir responsáveis a cada acção. E, e, e...

... Enfim, não vou alongar-me mais mas, mais coisa, menos coisa, é assim se constrói uma estratégia.

Não se trabalhando assim, anda-se aos bochechos a fazer coisas desgarradas que não levam a lado nenhum. Chegam uns e desfazem o que os anteriores fizeram, depois inventam umas flores, dão-nos música, manipulam a nossa opinião, fazem um foguetório, depois descarrilam e são corridos; a seguir vêm outros e reiniciam o ciclo. Ou seja, um passo em frente, dois para o lado e um para trás.

O País sem sair do mesmo sítio. 

E, cada um que vem, arranja uns técnicos de comunicação que criam umas parangonas, depois dão entrevistas e a comunicação social vai atrás como é o presente caso da grande festa do acordo da concertação social. E nunca se vai ao fundo da questão. E o fundo da questão é que isto tem que ser visto numa lógica de crescimento equilibrado, seguindo ordeiramente uma linha de rumo que articule as várias vertentes da estratégia, e tem que ser feito com inteligência, experiência, competência, determinação, honestidade (sobretudo intelectual), humanismo.. 

Outro aspecto que aqui quero referir.

Um dos grande problema de Portugal é que tem que importar quase tudo o que consome e pouco tem para exportar face ao que importa. Ora estamos a falar de ‘coisas’,  não de serviços.

Ao falarmos de coisas, e salvo indústrias como as de conteúdos ou coisas do género, estamos a falar de indústria transformadora, com fábricas ou máquinas que transformam matérias primas em produtos acabados. Ora, de forma geral, na indústria transformadora, o peso dos custos com pessoal não é o que tem maior expressão. Talvez represente no máximo 20% (há quem fale em pouco mais de 15%). Ora, variações como 2 ou 3 dias a mais de trabalho, redução de custos de trabalho extraordinário, são casa de decimais de pouca coisa.

O que é que tem peso expressivo na indústria transformadora? A energia eléctrica, os custos logísticos, o IRC (aliás, tal como todos os impostos em Portugal, que são insustentavelmente altos). E onde é que, para além destes factores, interessa optimizar margens? Na boa negociação nas compras, na racionalização de operações para evitar desperdícios, redundâncias, numa boa negociação de vendas, valorizando o produto, etc. Ou seja, relevante mesmo para além daqueles grandes factores exógenos à gestão da empresa (energia, logística e impostos), é a gestão, é haver boa gestão.

Andar a insistir no factor trabalho como se fosse por isso que o país não é competitivo é não perceber patavina do que é a economia real, é conversa de professores, de gente de gabinete ou de gente mal intencionada.

Por isso, toda esta conversa à volta da concertação social é uma treta, uma treta!

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Bom, isto está maçador, não está? Mas apeteceu-me dizer isto, que é o que penso. Estou farta de tanto ruído, tanto fala-barato, tanta parvoíce. O país definha, empobrece, marca passo, o desemprego a aumentar, a recessão a agudizar-se e toda a comunicação social de volta de uma coisa que não aquece, nem arrefece.

Enfim.

Para tentar introduzir aqui alguma leveza, permitam que vos mostre imagens que trazem algum charme e beleza a estes dias tão cheios de coisas cinzentas. Já agora: não gosto muito dos perfumes Nina Ricci, acabam por ficar um bocado intensos e enjoativos, pelo menos na minha pele. Como é sabido pelos que costumam ler-me, eu sou toda Chanel. (... e, como vêem, pode ser-se toda Chanel e, simultaneamente,  proleta - ... que é o que eu sou, uma humilde assalariada)













Cherchez la femme, digo eu aos homens; cherchez l'homme, digo eu às mulheres.

E a todos: que sejam muito felizes, meus amigos.