O tempo é escasso, vejo-o em contagem decrescente. Quando venho, trago ideia de ir descobrir sítios novos. Mas, depois, há locais irresistíveis. Ou seja, acabo por não ir tão à descoberta quanto inicialmente tinha em mente para conseguir revisitar os lugares de sempre. E, portanto, a visita ao Porto não poderia deixar de incluir uma ida aos jardins do Palácio de Cristal. Não apenas tem recantos lindos como de lá se tem uma assombrosa vista do Porto. Parece que não consigo sair da cidade sem voltar a ter dentro de mim a beleza que os meus olhos colhem quando por aqui passeio.
| A elegante Ponte da Arrábida |
Não sei fazer a legenda das fotografias abaixo mas, seja qual for a igreja ou os edifícios que se vêem à beira Douro, a beleza é a mesma.
| Igreja de Corpo Santo de Massarelos, segundo indicação do Carlos Azevedo em comentário aqui abaixo. Fica no Largo do Adro, junto à Rua da Restauração. |
Desta vez fiquei espantada: imensos jovens. Grupos almoçando, pares namorando, outros conversando ao sol. Os jardins são mais bonitos se tiverem pessoas dentro. São tristes os jardins cujas árvores crescem em silêncio sem que nenhum olhar as acaricie.
Quando estava a fotografar o rio e as belas casas que se ajeitam ao sol até chegarem à margem, ouvi risos que vinham de baixo. Espreitei. Então descobri um jardim em que nunca tinha reparado, o Jardim dos Sentimentos. É capaz de ser recente pois vejo árvores pequenas e plantas ainda pequenas, devem ter sido plantadas há pouco tempo. Em cada canteiro uma planta e a cada planta um sentimento associado.
Ao fundo, no canteiro da Dor, uma bela escultura, justamente a Dor, de Teixeira Lopes. Não me parecia que a mulher estivesse em sofrimento, talvez mais em êxtase mas, enfim, não discuto.
Embora haja muitos turistas na cidade, aqui não vi nenhum - o que significa que há zonas que são pouco divulgadas, e esta é uma delas. Se por um lado é bom pois o recato é um bem precioso quando se está num jardim, a verdade é que há vantagens de todo o tipo na atracção de turismo estrangeiro e quantos mais os pólos de interesse, melhor.
Mas, se não encontrei aqui um único turista, em contrapartida tive uma visão: montes de gaivotas, grande parte delas armada em pato. O lago grande estava cheio delas, deslizando como cisnes. Desforrei-me junto do meu marido, então há ou não gaivotas por todo o lado? Pois, que sim, que as gaivotas se passaram. Digo-vos: por todo o lado. Parece que desistiram de andar no mar, que adoptaram a cidade, que acham que os lagos são o mar e os grandes edifícios as altas escarpas.
Não conseguia era descobrir os pavões. Andei a espreitar atrás de canteiros, nos recantos mais abrigados. Nada. Pensei, mas querem lá ver que as gaivotas expulsaram os pavões... Às tantas andam eles agora pela beira do rio.
Mas não. Já me vinha embora quando os vi à sombra, lindos, lindos. Se as gaivotas são aqui um ser de outro lugar, os pavões parecem seres do outro mundo.
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