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sábado, maio 28, 2016

A beleza da Sertã, de Dornes, de Trízio e desses lugares onde Portugal é um País ainda intocado





Vivendo intensamente o dia a dia de uma realidade completamente urbana, é sempre com impaciência que não vejo a hora de fugir da grande cidade na qual me esforço por não me esgotar. Nem é tanto a actividade profissional passada entre reuniões e vivida em climatizados e modernos escritórios, que a isso mal fora que ainda não me tivesse habituado: é sobretudo o ambiente permanentemente condicionado, é o trânsito, é o não dispor de tempo útil, à hora do sol, para estar perto da natureza.

Por isso, de quando em vez, dois ou três dias encostados ao fim de semana (mesmo um já é bom), permitem-me entrar no país e percorrer os caminhos das serras, os rios, as águas espelhadas, as árvores que se erguem nas encostas ou se debruçam nas águas.

Desta vez os caminhos levaram-nos até ao miolo do País: a Sertã e terras circundantes.


Várias vezes já andei por estas bandas e de algumas já aqui dei conta. Mas uma pessoa pode andar por uma região e dedicar-se às aldeias de xisto, ou às praias fluviais, ou às barragens ou a algumas terras em concreto e, de cada vez que volta, percebe que inexplicavelmente nunca tinha estado em lugares tão belos que parecem de sonho e não de verdade.

Ou então é uma outra coisa: é este prazer de ver tudo como se fosse a primeira vez, sempre descobrindo uma beleza muito primitiva, muito original.


Se sinto um encantamento pelo ambiente de floresta, por aquela sombra fresca das árvores, por aqueles cheiros que se misturam, por aquele ambiente quase morno que me faz ter vontade de me adentrar por lá, para andar sem pressa, sem tempo (e sem medo de me perder), tenho também uma atracção quase animal pela água. Onde veja uma serrania, logo procuro o vale, logo tenho vontade de descer, descer até onde as águas correm. E desço, desço até estar rente à água, até onde as árvores se despem para mergulharem raízes e troncos no leito farto dos rios.

Depois retomamos a estrada e eu contemplo a luz que se reflecte nos espelhos, e contemplo as cores, as flores, a moldura elegante das serras em volta.


Almoçámos na Sertã. E permitam que divulgue onde. Já sabíamos ao que íamos: Restaurante da Ponte Romana, mesmo em cima da água. E permitam que divulgue também o que almoçámos e o custo do que comemos. Há uma coisa que adoro: bucho e maranhos. Por isso, claro está que escolhi um misto de maranho e bucho. O meu marido escolheu feijoada. Havia meias doses e doses completas. Contudo, dado o preço, ele receou que a comida não fosse muita. Por isso, pediu meia de feijoada para ele e uma dose inteira do misto, para também comer.

Pois vos digo que sobrou, claro. A feijoada estava deliciosa, a carne muito macia, tudo muito no ponto, pouco puxada, mesmo boa. E o bucho e o maranho, minha santa, que bom. Tudo muito bem servido. E com direito a uma deliciosa salada, daquelas em que a alface sabe muito bem, a cebola não é agreste, tudo bom. Pois bem. A meia dose da feijoada custou 3,5€ e a minha dose inteira de misto custos 6€. Para quem come toda a espécie de coisas mal paridas a valores altos, uma refeição destas é um verdadeiro manjar dos deuses. E isto num restaurante sobre as águas, a música da água a correr em fundo, uma vista linda (corresponde às duas primeiras fotografias). Custa a acreditar mas é verdade.

E depois por ali andámos, descendo até à Foz, parando aqui e ali, nomeadamente em Trízio, vendo o elegante voo das grandes aves de rapina que atravessam os grandes espaços, espreitando as paisagens.


Depois até Cernache do Bonjardim. Aí, à entrada, numa estação de serviço, fiz uma pergunta que gosto de fazer para perceber o que é que os 'locais' valorizam: 'o que há por aqui de bonito, que recomende que eu visite?'. 
A resposta foi surpreendente: 'Ai querida... por aqui... não estou a ver... não há assim nada... Olhe, há o Lar da Terceira Idade mas isso acho que não vale muito a pena lá ir... também há uma loja ali mais na entrada... mas se calhar não... olhe, querida, uma coisa que se calhar vai gostar é a gruta no Seminário, experimente pedir ao Pde Amadeu que a mostre... a Nossa Senhora... só se for isso...De resto, não...'
De facto, mesmo na vila não haverá muito a ver. Fui visitar a Igreja, muito bonita. Fico sempre surpreendida com a riqueza da arquitectura e arte sacra um pouco por todo o lado no país.


Já a Igreja do Seminário não tem muita graça, é estranha. Nem é por ser simples, talvez austera, acho que é mesmo destituída de alguma graça. Nunca me tinha acontecido isto numa igreja: ficar-me pela porta e ter logo vontade de me ir embora.

Mas depois, ao irmos na estrada, vimos a indicação de uma ermida no alto de um monte: S. Macário. Lá fomos.

E o que de lá se vê é estarrecedor de tão lindo. Nós no centro do mundo, serranias a toda a volta, um horizonte circular que se desdobra em montes que se vão esfumando com a distância, um rio correndo pelos vales. E lá em cima eu pensei: 'Como é possível que a Senhora da Estação de Serviço não me tivesse dito que uma coisa não poderia eu perder de jeito algum: o Monte de S. Macário?' Com um lugar de uma beleza tão superlativa ali ao pé, será que os seus habitantes não o veneram? Ou terá sido apenas lapso face a uma pergunta inesperada?








Quando estou num lugar assim, custa-me muito vir-me embora, ando por ali de um lado para o outro, fotografando. Depois olho o que já olhei e descubro novos recortes, uma casinha perdida num desvão do monte, uma claridade que não sei o que é, espreito, aproximo a lente. Maravilhada. Penso sempre que eu viveria tão bem num lugar assim, eu isolada no meio da natureza, contemplando diariamente a majestade original do planeta, este nosso cantinho aqui tão pequeno, um insignificante rectângulo que a Europa parece empurrar para o oceano e nós aqui resistindo, com as nossas montanhas tão belas, fortalezas inexpugnáveis que nenhuma civilização ainda conspurcou. Este ar tão puro. Estas cores tão limpas. O tempo que aqui é tão generoso, que contempla connosco aquilo que existe para além dos tempos.

Mas viemo-nos embora, tinha que ser. 

No entanto, ainda outra paragem. O nome não nos era estranho. Talvez já aqui tivéssemos estado. Mas vamos lá. Afinal, que nos lembremos, não. E um lugar assim não se esquece. Tão belo também. Pensei que aqui, numa casa aqui, debruçada sobre o rio, protegida pelos montes, eu podia viver, escrever, bordar, pintar. 

Dornes. Um lugar que quase diria mágico. Se eu me pusesse a ficcionar um lugar por onde eu andasse perdida pelos montes, onde depois descesse até às águas, onde visse o nascer e o pôr do sol, onde ouvisse o canto dos pássaros, onde me deitasse no chão, na terra, a sentir a aragem nas folhagens ou a sentir o sol na pele á beira do rio, ou onde me deitasse nua na varanda nas noites de lua cheia, seria num lugar assim. Dornes.


É uma terra pequena, de ruas empedradas que vão até ao rio, que sobem até à torre. Mas, senhores, que terra é esta que eu não conhecia e que é tão linda?


Numa casa vi este pequeno painel de azulejos que achei uma graça. Tenho uma visão bucólica e idílica destes lugares mas, para quem lá vive, imagino que possa ser opressivo. Todos se conhecem e daí até à crítica intimidante pode ir um pequeno passo. Talvez por isso o destaque dado à 'inveja'. 


Vi que o Cavaco também por lá andou, o que muito me surpreendeu. Se tivesse lido que, já no decurso do seu mandato, o Marcelo já lá tinha estado, não me tinha admirado. Agora que a múmia do Cavaco se tivesse dignado a estar presente em Dornes achei surpreendente. E que tivesse estado para assistir à antestreia de um filme cómico lá rodado, Dot.com, ainda acho mais extraordinário. Mas, enfim, talvez um dia descubra a agenda secreta do ex-Cavaco.


E dali iniciámos o caminho de regresso. 

Claro que os lugares me retêm, temos que parar muitas vezes, um troço de floresta que é muito bonito, um tronco de árvore que é de especial elegância, umas flores que nascem brancas ao pé de umas rochas que se puseram também brancas e que inserem um apontamento de inesperada alvura num ambiente cinza, castanho e, sobretudo, verde,


ou até uma flor especialmente vibrante a que um insecto guloso não resiste como eu não resisto a tudo o que é simples, genuíno e belo.

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Enquanto andávamos pela serra, a rádio na Antena 2, tocou Espelho no Espelho, talvez a música que aqui no Um Jeito Manso já teve mais encores. Espelho no espelho. Alguém que se revê na imagem de outro que se revê na imagem do primeiro, a árvore que se vê na água ou o reflexo que olha a árvore, alguém que pensa os pensamentos do outro que pensa os pensamentos do outro. Enquanto por ali andava a ver as árvores, a sombra fresca, os cheiros íntimos da terra desejei que a música não acabasse. Ou que não me esquecesse de aqui a ter enquanto vos mostrava as fotografias destes lugares tão bonitos, mesmo no centro de Portugal.

Lá em cima Filipe Melo · Ana Cláudia  Serrão interpretam  Spiegel im spiegel de Arvo Pärt

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Permitam agora que vos convide a descerem até ao post seguinte para lerem o comentário do leitor Fernando Ribeiro no qual ele refere a importância que o seu blog teve na forma como ultrapassou uma luta tramada contra o cancro, luta que felizmente superou.

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quinta-feira, dezembro 25, 2014

Em particular para cada um de vós, aqui vos deixo os meus votos de um bom Natal






Como muito bem sabe quem por aqui me tem acompanhado, não sou dada a religiões e, muito menos, a práticas e preceitos de qualquer igreja. 

Mas acredito na bondade, na generosidade, na tolerância, venero a beleza das coisas, respeito, acima de tudo, as pessoas e acho que é para contribuirmos para que a vida de todos seja melhor que vale a pena viver, amo a natureza no seu conjunto e acho que a devemos preservar e respeitar, desejo que o mundo caminhe no sentido do desenvolvimento, desejo que se acarinhe o conhecimento e que se perceba que sem as artes a vida perde grande parte do seu sentido. Acho que devemos estar atentos para podermos detectar qualquer sinal de pedido de ajuda, acho que deveremos dar de nós o que pudermos para, de alguma forma, tocarmos os outros.

Não sei se há alguma religião em que tudo isto encaixe bem. Budismo, talvez? Quem sabe até o catolicismo tal como Francisco, o Papa, o sente. Não sei nem isso me interessa. Não sinto necessidade de me encaixar. Também nunca me encaixei em partidos políticos ou clubes de futebol e nunca senti qualquer necessidade de seguir guiões ou caminhar por carreiros. Gosto de ir escolhendo os meus caminhos, ajustando as minhas opiniões e ir aprendendo, experimentando.




Por isso, no Natal não vou à missa do galo ou outra nem penso no significado religioso da ocasião. Mas gosto de me reunir em família, gosto de oferecer presentes (mais do que de receber), gosto de cozinhar para os outros, gosto de estar entre os meus, de ouvir os seus risos, as suas conversas cruzadas, gosto de sentir o afecto circulando entre nós, gosto de estar por dentro da alegria das crianças.

Nesta altura distribuo-me entre casas de forma a poder estar com todos. Na véspera estou com uns, no dia de Natal o almoço é em minha casa, à tarde e até à noite saímos e vamos para outra casa. Ando carregada de sacos de um lado para o outro, levando comida, presentes, regressando com mais sacos. Queixamo-nos: parece um karma isto de andarmos sempre carregados, a transportar coisas de um lado para o outro. Nestes dias, muitas vezes regressamos a casa às tantas da noite mas, apesar dos sacos, trazemos sempre o coração quente.

Agora tenho uma máquina de café expresso em casa mas, até há uns anos, quando queria uma bica, tinha que ir à rua, a um café. De manhã tenho sempre que beber café. A minha tensão baixa não se compadece com estar sem beber uma café quente e forte. Ora uma coisa que sempre me impressionava quando ia beber café no dia de Natal de manhã (e este 'de manhã' por vezes já era quase perto da hora de almoço) era ver as pessoas que se encontravam sozinhas a uma mesa, almoçando ou comendo uma sandes ou um bolo. Pareciam-me desoladas, tristes, e eu tentava não as olhar, quase como se um pudor me impedisse de testemunhar o seu abandono. Quando se vê isto, não sabemos qual a vida das pessoas, talvez não haja qualquer razão para penas, talvez seja uma opção que não comporta qualquer tristeza, mas eu ficava sempre com o coração apertado pensando que, se calhar, eram pessoas sem família, que se viam no dia de Natal sem ninguém com quem estar.

Sei que há Leitores e Leitoras que estão nessa situação porque me têm escrito e me têm contado das suas vidas. Alguns ou algumas vivem apenas com uma mãe ou com um pai de idade, outros vivem mesmo sozinhos, ou porque não têm família ou, porque, por razões da vida, é como se não a tivessem.

É nesses, em especial, que hoje penso. Gostaria que lessem estas minhas palavras como um gesto de afecto, quase como se estas minhas palavras pudessem ser a companhia que lhes falta.

Como o tenho dito várias vezes, quando aqui escrevo tento alhear-me das pessoas para quem escrevo para que as palavras se soltem livres. Mas hoje não. Hoje escrevo a pensar nos que gostavam de receber um sorriso, um abraço, uma palavra amiga.

Por isso, a todos eu desejo que, neste Natal, de uma forma ou de outra, se sintam acarinhados e felizes ou, pelo menos, não sozinhos. E a todos agradeço do fundo do meu coração pelas palavras, pelo afecto, pela presença, por tudo quanto me têm dado.

Por estes dias tenho recebido muitos mails. A todos o meu muito obrigada pelos votos e pelas palavras simpáticas que me dirigem. Infelizmente, não vou poder responder individualmente a todos pois já sabem que o meu tempo é sempre contado. 

Portanto, este post hoje é para cada um de vós em particular, para os que me escreveram e a quem eu não respondi, para os que me visitam e cujos nomes conheço, para todos aqueles cujo nome não sei mas que estão aí, presentes e amigos, para aqueles a quem, de alguma forma, acompanho.


A todos eu gostava de formular os meus votos, deixando uma palavra minha como se pudesse deixar um presente ou uma parte de mim.


E, assim, numa ordem perfeitamente arbitrária, estes votos cheios de carinho vão
para a Maria de que há tanto tempo não tenho notícias e em cuja difícil tantas vezes penso, para a Maria Clotilde, amiga, sensível e a quem desejo que os seus meninos a estejam a encher de alegrias, para a Maria da Conceição, tão simpática que me deixa tão contente sempre que tenho mail dela, para a Ana, sempre tão presente e querida, tão presente, para a outra Ana que gosta de livros e das palavras, para a Erinha, pessoa tão especial e que um dia hei-de conhecer ao vivo e de quem espero ter um dia livros de poemas para ler, para a Isabel das Palavras, amiga dos meninos e a quem os meninos tanto querem, para a Sol Nascente, mulher tão parecida comigo, para a Maria Eduardo, que deve andar a tratar da família e que é tão simpática, para a Carlota que está aí desse lado, para a Isabela que desfia saudades e palavras que parecem mágicas mas onde se pressente a pele e o sangue e as lágrimas, para a Sara, lutando pela sua vida, para a Antonieta de quem tenho saudades, sempre tão conhecedora de livros e palavras, para a Leanora, quase eu ao espelho, que eu sentia sempre tão vibrante e cheia de vida, para a Margarida-Guida, a menina que os meus meninos amam, para a Margarida-Margarida sempre tão assertiva, para a Margarida-Maggie, minha amiga sempre cheia de flores nos braços e afectos no coração e sonhos no olhar,
para a Sónia que está longe mas é como se estivesse aqui tão perto, para a Helena que também não sei por onde anda, para a Bárbara Helena, mulher de fibra que suporta como uma leoa a vida que lhe calhou viver e que sorri porque sabe que a vida, apesar de tudo, lhe reserva sempre inesperadas alegrias, para a Eva que talvez tenha ido por esse mundo fora, para a Lia que há tempos que aqui não deixa um alôzinho, para a Eli, professora cheia de raça e energia, para a Isa que também não sei onde anda, para a Izzy cujas palavras gosto muito de ler, para a Madalena de quem não tenho tido notícias, para a JV, essa menina-mulher tão cheia de energia e confiança, para a Olinda, a querida Olinda com um xaile de seda e uma arca enorme de onde saem poemas, histórias, afectos, e que está perto como se a pudesse ver na janela da frente, para a Maria Luísa tão simpática e com cujas palavras tanto me identifiquei, para a Rita que tem um traço cheio de poesia e graça, para a Patrícia que é uma mulher de armas, uma guerreira de sorriso suave, para o Alexandre de olhos puros como o céu e que escreve como um príncipe (mesmo quando fala de números), para a Ana Cristina que eu gosto tanto de ler e cujos recomendações são ordens para mim, para a Rosário que vem como uma rosa,
para a Rosa que chegou há pouco e veio cheio de alegria, para a Teresa-Teté que é uma simpatia, sempre de braços abertas, uma mãezona e uma super-avó, para a Maria Teresa que me lê nas noites de insónia e cujas histórias eu adoro ler, para a Teresa-Tita que, apesar de andar caladinha, eu espero que esteja bem, cheia daquela energia transbordante que me sabia tão bem ler, para a Irene que é tão discreta e amável, para a Redonda cuja companhia sinto nas noites em que por aqui me deixo ficar a escrever, para a Lúcia de quem não tenho notícias, para a São que é tão simpática, para a Maria do Carmo, que é rápida no gatilho e de uma pontaria que não falha, para a Alice rodeada por alfazema que tem palavras frescas como a das crianças, para a GL que é solidária e simpática, para a Leonor que eu lia e me lia e me escreveu no meio dos seus enormes problemas e de quem nada sei e em quem tanto penso, para a Ivone que talvez não saiba como gosto do que escreve, e para a Mariana, tantas vezes censora e de quem não vou dizer mais nada e ela sabe porquê, para MN, e para o Joaquim, amigo, amigo, amigo, poeta, fotógrafo, viajante, para o João sem mais palavras, para o João tantas vezes tão duro comigo e cuja opinião tanto prezo, para o João Cerqueira, autor tão premiado internacionalmente e que sente a falta de reconhecimento dentro de portas, para o José, meu amigo recente mas a quem tanto quero e a quem desejo que a inspiração e a jovialidade nunca o abandonem,
para o que tantas vezes não concorda com o que escrevo mas, paciência, fazer o quê?, para o José que ama os números, as palavras, a terra, que cultiva poemas e afectos, para o jrd a quem tanto admiro pela concisão, oportunidade, delicioso sentido de humor e gosto pela vida, para o P. Rufino, contador de histórias, assertivo, frontal, divertido, companheiro de escritas, para o dbo, presença amiga, palavras cinzeladas com estima, opiniões francas e directas, para o Rui por quem sinto admiração e estima e a quem desejo muito sucesso e uma vida feliz, para o Jorge que um dia pensou que me tinha ofendido mas que eu logo perdoei, para o Jorge lá longe que gosta de vir passear cá pelas terras de Pessoa, para o Jorge que sabe ver para além da superfície e me deixa a pensar e que descobre a poesia nas águas que correm, nas árvores, nas sombras, nos corpos que se abandonam, para o Francisco cujas palavras não perco, um modelo de equilíbrio e diplomacia, para o Luís Filipe cuja poesia ora é uma arma ora é um laço de afecto, e, para o Domingos, tão simpático, tão cavalheiro, para o Henrique que é de um tal fulgor na escrita e de uma tal acutilância nas observações que desperta a minha curiosidade, para o Daniel de quem não tenho tido notícias, para o Tiago que também não sei onde anda, para o para o José Catarino cujas palavras não perco por nada, palavras que vêm com terra nas mãos, palavras genuínas, para o Bartolomeu que gosta de atravessar os montes na sua nave de sonhos, para o António de quem tenho saudades,
para o Eufrásio que amanha o mar como quem semeia palavras e as vê crescer, dando cravos vermelhos da cor da carne e do sangue, e para o Lino que chega com palavras cheias de silêncio e afabilidade, para o Rafael que anda por onde?, para o Luís Bento que sonha livros e desenha histórias, para o Fernando com quem tanto aprendo e a quem me sinto sempre agradecida quando leio o que escreve, para o Luís com cujas palavras tantas vezes não concordo mas cuja escrita me prende e a quem desejo muita sorte, muita, muita, para o outro Luís que tanto enfrentei e que tão mal me respondeu mas que sempre respeitei pela escrita desabrida e escorreita, para o Pedro que me diz palavras tão solidárias e que tanto me incentivam, e para o outro Pedro, menino rebelde que ama as palavras mas que por vezes as usa para ferir os outros, ferindo-se também com elas, e para o outro Pedro que alguns tomam por meu alter-ego e por quem sinto uma amizade constante, desinteressada, e em quem penso como se ele fosse meu amigo de verdade,
e para o Eduardo que desfere palavras como setas, para o André a quem eu gostava tanto que saísse o euromilhões e a lotaria e que todas as portas se abrissem para o acolher e que todos os afectos o rodeassem, para o Nuno que anda onde?, para o Patrício que chegava das ilhas com palavras de poetas, para o Carlos que soltava os cachorros quando eu defendia o Sócrates e todo se empolgava a defender o Passos Coelho, para o Manuel que anda tão silencioso, e para o Salvador com quem tanto gostei de trabalhar em conjunto apesar de sermos tão diferentes um do outro, para o Carlos que anda por terras de reis e rainhas e que é tão recto, tão boa pessoa e que vai ter uma vida muito boa porque faz por isso e merece, para o Puma que salta de vez em quando para dizer palavras certeiras como se se atirasse à jugular, para o Edgar, para o Soliplass que é tão diferente e especial que parece inventado e que atravessa os mares e alcança as nuvens e habita os bosques e se aquece nas lareiras e não esquece a terra daqui, para o MCS que é tão oportuno, tão bem humorado, tão guerreiro, para o Cine Povero cujos vídeos contêm luz, poesia e música e me encantam e que me deixam com vontade de ser capaz de fazer coisas assim, para o Humberto, um cavalheiro, um cavaleiro, uma pessoa tão simpática que me leva a pensar nele como num amigo de verdade, para o Bob Marley que tantas vezes comenta com sentido de oportunidade e tantos links interessantíssimos aqui deixa, para o Eduardo com quem aprendo muito e cujas palavras e músicas tanto me agradam deixando-me sempre à espera de mais,
para o Vítor que é tão simpático e tanto me apoia, para o Firme que é um lutador, um divertido, uma presença amiga, para o Zé Luís cujas palavras atravessam o espaço mesmo que sem cartas de marear, deixando que a poesia se solte pelas nuvens, para a Alexandra, mulher de contradições, pronta para a briga, cheia de graça, para a Estrela, uma luz que brilha limpa na serrania, para a Joana, uma voz livre, para o que é um terrorista amável que me traz lembranças da minha terra, para o Xilre, essa voz que conheci há pouco mas que me inquieta e aquieta como poucas, para o Carlos que traz a física para os dias que correm e que tem uma forma graciosa de mostrar a sua bravura, para o JM que é divertido, directo, polémico e simpático, para o Plúvio que é de uma tal precisão linguística que assusta, uma lâmina que venera as palavras não permitindo um deslize, para o António que percorre a blogosfera, as redes sociais, a literatura de cordel e, implacavelmente, não deixa pedra sobre pedra, para o Jumento que é um compêndio inesgotável e cujas palavras, tantas vezes, poderiam ter sido escritas por mim, para a Anabela, ímpar senhora perguntadeira, para a Cristina que vive entre livros e memórias e que é muito amável, para a Raquel que é uma lutadora, uma força da natureza e a quem desejo que encontre o caminho certo para mostrar todo o seu valor, para a GG, outra lutadora, uma sobrevivente que gosta de ajudar os outros e que descobre coisas fantásticas, para o Amílcar que tem um conselho amigo quando sente que eu preciso, para o Filipe que tem a poesia nas veias, para a Lídia, a Lovely Lídia, a desbragada, divertida, bem informada, inspirada Lídia - e para todos os outros cujos nomes não referi por desconhecimento ou por não me ter lembrado, facto pelo qual, antecipadamente, me penitencio.
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As fotografias são de Emmanuelle Brisson com excepção para as duas anteriores e a que se segue que são de Robert Robert Mapplethorpe.

A música é Spiegel im Spiegel de Arvo Pärt interpretada por Filipe Melo no piano e Ana Cláudia Serrão no violoncelo.
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Feliz Natal a todos. 


sexta-feira, dezembro 13, 2013

Sobre um presente inesperado e maravilhoso que a UJM recebeu. E os meus sentidos agradecimentos pela imensa gentileza do Leitor que mo ofereceu.


No post abaixo falo da entrevista de Passos Coelho à TVI/TSF sobre a qual pouco ou nada há a dizer tal a vacuidade. Mas, enfim lá digo qualquer coisa e, de caminho, falo do Passos Coelho do jornalismo televisivo,  o Abreu Amorim do comentário económico. E falo de outros que não têm nada a ver com os anteriores.

Mas aqui, agora, a conversa é outra.

Aqui vou contar-vos sobre o primeiro presente que recebi nesta época natalícia. Mas, primeiro, como música de fundo, que deslize Ariane.





Não vou contar-vos pormenores. Talvez os conte um outro dia. Hoje dir-vos-ei que, por mail, recebi indicações de como chegar ao esconderijo onde tinha sido deixado. 

Gostava de saber dizer-vos da emoção, da surpresa. Enquanto lia o mail ia ficando mais admirada e encantada. Estava ao telefone com a minha filha e contei-lhe logo. Depois, quando falei com o meu filho, também lhe contei. Ficaram os dois enternecidos com a ideia.

Fiquei ansiosa por ir buscá-lo. Apenas contava ir para aqueles lados no fim de semana mas pensei logo que não ia descansar enquanto não fosse lá, tinha medo que alguém o descobrisse, ou que chovesse e se estragasse. Mas durante a semana só de noite e chegar lá, ao esconderijo, de noite, não se recomenda. 

Mas tinha que ser. Lá fomos, pois, os dois, eu e o meu marido, um destes dias.

Era de noite, estava frio, as ondas batiam na amurada, chovia ao de leve. E eu fui resgatar o meu presente.

E às escuras, com a luz do telemóvel a tentar ajudar e sem se conseguir ver nada e depois com a mão a tentar tactear o volume que tinha sido descrito, lá o senti. Intacto. Quietinho à minha espera.

Não sei se conseguem perceber a alegria de receber um presente assim. E o que isso significa, a generosidade de quem ali se deslocou propositadamente para me deixar um presente.

Já o tenho aqui comigo. Um objecto precioso. Um livro de poemas, edição de autor. 


O primeiro presente que recebi nesta época natalícia
e o primeiro presente alguma vez dirigido à UJM, essa outra que sou eu

O DECANTAR DAS SOMBRAS



Rumores de vento
trazidos
nas palavras
que pousas
lentamente
no papel em branco

Versos
feitos de sombras
que colhes ao entardecer

Rasto de um rosto
quando
de ti mesma
te escondes


Estender o braço
por cima do espaço aberto
na minha frente
e tocar
em tudo o que imagino
para além de todos os horizontes

Inclinar o dia
e decantar as sombras
para que o dia me fique azul
e do vento norte
nada mais me reste.
Sem sombras
o riso poderá abrir-se





Uma gata no Ginjal
(oculta, atenta, presente, transparente)

Pouco mais do que silêncio
palavras   sombras do vento

[Gundula Steglitz]



*

Muito obrigada Joaquim. Gostei... e muito!

*

O poema lá em cima é Ariane de Miguel Torga dito por Inês Veiga Macedo.


A música é Spiegel im Spiegel de Arvo Pärt interpretada por Filipe Melo e Ana Cláudia.


*

Há poesia dita também no Ginjal. Hoje é Jorge de Sena e Catarina Guerreiro e une toute petite lumière, just a little light, una piccola...

*

Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela sexta feira.